segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Há 13 anos, em 9 de dezembro de 2011, Vektroid lançava Floral Shoppe
Há 58 anos, em 9 de dezembro de 1966, o Cream lançava Fresh Cream, primeiro álbum de estúdio da banda britânica. 🇬🇧
Bill Converse – Meditations / Industry (2016)

Ainda escaldados com resultado das eleições nos Estados Unidos da América, nada melhor que um americano muito especial para percebermos que a América de Trump não é só armas, poluição e processos legais bilionários. Há quem continue numa interminável procura de respostas e soluções para questões profundas.
Nas deambulações peregrinas que a música tem vindo a fazer desde a sua aparição, em todas elas, há uma que nunca se mistura. A orfã mal amada, que ninguém sabe quem são os seus progenitores; a que vem das máquinas, e que pelas máquinas foi aceite como filha perfeita. Será por ser uma frágil recém nascida, em comparação com a restante que já se ouve há milhares de anos? Serão as desumanas máquinas o frio muro que nos aparta do som e de quem o inventa?
É importante relembrarmos que a música electrónica não surge com os alemães em 1970. As experiências, mais ou menos eruditas, com a electrónica, começaram formalmente a partir do início do século dezoito. Houve mesmo abordagens mais clássicas, mas só mais tarde a cultura popular abraça o conceito com apaixonada convicção.
Curiosamente, tenho assistido nos últimos anos, em termos de percurso de bandas rock, uma inevitável tendência a confluir para universos mais electrónicos. Após um circuito inicial regular, na sua natural evolução, essas bandas e projectos inicialmente de carácter mais rock, acabam por se tomar de amores pelas máquinas. O que não falta por aí são exemplos: Arcade Fire, TV On The Radio, Tame Impala, Yeah Yeah Yeahs, apenas para nomear alguns.
Os próprios LCD Soundsystem que usam electrónica em massa, embora passe muitas vezes despercebida (sintetizadores analógicos), não se caracterizam por ser uma banda de música electrónica. Preferem antes identificarem-se como embaixadores de tudo o que o punk deixou em aberto.
Sejamos realistas. As máquinas chegaram para ficar. É sabido que não partilham da graciosidade dos restantes instrumentos- acústicos ou eléctricos. Mas serão eternamente desdenhadas pelos puristas? Terá a música espaço para receber mais intervenientes dignos de categoria disciplinar? O melhor é irmos directos ao assunto e reflectirmos enquanto descobrimos os recantos estéticos de Bill Converse no seu clássico Meditations / Industry. Música para pensar.
Ty Segall – Freedom’s Goblin (2018)

O incansável menino-prodígio do garage californiano lança o seu segundo álbum duplo, uma amálgama de estilos e géneros que dispara em todas as direções apesar de nem sempre acertar.
Com 10 anos de carreira atrás de si, Ty Segall é já um veterano do garage rock da costa oeste dos Estados Unidos. O músico de Laguna Beach conta com 11 discos (este é o décimo-segundo) em nome próprio para além dos seus outros projetos, como os Fuzz, GØGGS, Perverts e inúmeras colaborações com Mikal Cronin e White Fence. O último fruto desta prolífica carreira é um trabalho esquizofrénico em estilos musicais e ambicioso em duração.
O cartão de visita é “Fanny Dog” uma homenagem ao rock sulista dos anos 70 com direito a uma secção de sopros e um solo de guitarra à medida. O funk radioativo de “Despoiler of Cadaver” traz ao disco alguma frescura e assegura-nos que em pleno 2018, Ty Segall ainda consegue escrever clássicos. “When Mommy Kills You”, entre outras, lembram-nos que isto é um álbum de Ty Segall, mas a fórmula está gasta e, num disco tão progressivo como este, não há espaço para rock tão genérico. “My Lady’s on Fire” abranda o ritmo com um refrão orelhudo e um solo de saxofone romântico e Springsteeniano que, se tocado em concerto, há de gerar certamente muitos isqueiros, isqueiros esses que incendiarão o ar ao som dos acordes flamejantes de “Alta”, canção na qual Segall equilibra perfeitamente o seu lado ligeiro com as suas tendências mais pesadas.
Em cada canto deste novo trabalho há uma surpresa, nem sempre agradável: “Talkin 3” é uma tentativa falhada de fundir hardcore punk e free jazz e a narcoléptica “Rain” é uma balada insípida com um refrão dissonante e um acompanhamento de piano demasiado rudimentar. Por outro lado, “You Say All the Nice Things” flirta desavergonhadamente com o country e mostra-nos mais uma faceta do músico californiano que não tínhamos visto até agora. No outro lado da moeda está “The Last Waltz” cujo título (que faz referência ao filme que documenta os últimos concertos dos The Band) é a única coisa que merece menção.
O espectro dos Black Sabbath impregna “She” e confere-lhe o seu peso colossal e um heróico solo de guitarra que peca apenas por não ser mais longo. “The Main Pretender” e “5 Ft. Tall” são dois hinos que nos fazem perguntar o porquê da ausência de canções deste calibre nos dois últimos álbuns. Finalmente, o disco é fechado com “And, Goodnight”, um épico à moda de Neil Young sem nunca atingir os mesmos picos, visto que Segall, sendo um guitarrista extremamente competente, não possui a técnica e/ou o vocabulário musical necessários para se dar ao luxo de tocar solos tão extensos.
Freedom’s Goblin é um daqueles álbuns difíceis de classificar. É frustrante pensar no quão melhor poderia ser se tivesse havido uma seleção mais cuidada do material. Há aqui um álbum muito bom no meio de demasiado entulho genérico e experimentação sem propósito. Mas nem toda a experimentação é falhada e nos momentos em que Ty Segall sai da sua zona de conforto sem sair dos eixos, os resultados são triunfantes.
Monday – One (2018)

A música portuguesa permanece ativa e fervilhante. Novas bandas, novos projetos, mesmo que, por vezes, através de artistas já conhecidos. É o que se passa com One, álbum de estreia a solo de quem agora se apresenta como Monday.
Monday é o projeto a solo de Catarina Falcão, uma das metades das bem conhecidas Golden Slumbers. Para os mais atentos, já no passado ano a pudemos ouvir na coletânea Novos Talentos Fnac 2017. O tema “Yo-yo” tinha sido escolhido para constar dessa reunião sonora em forma de cd, que há já alguns anos vai dando conta do que por cá se vai fazendo, privilegiando novos nomes, novos artistas, mesmo que não tão novos assim, como será este o caso. Já conhecemos a sua voz e o seu jeito do projeto que une as irmãs Falcão, que entretanto foram ganhando espaço, crescendo em direções diferentes, separando-se, sem no entanto se desunirem da empresa inicial, antes construindo percursos paralelos, como é o caso deste Monday. Depois de ouvirmos atentamente One, registamos aqui algumas diferenças em relação ao passado sonoro já trilhado, assim como também tomámos nota das particularidades que permanecem inalteradas, espécie de marca registada da artista.
A prevalência de uma vontade artística por um som de um certo recolhimento introspetivo, alguma soturnidade sonora evidente, um piscar de olhos a uma típica folk que tão bem conhecemos, tudo isto faz parte da marca registada da família Falcão. O facto da primeira faixa de One se intitular “Pink Moon” terá forçosamente uma razão de ser. Não é difícil perceber fascínios que tocam a todos, claro está, nem isso Catarina Falcão se atreveria a querer esconder, de tão evidente que é. Também nos parece seguro (e talvez mesmo inevitável) escutar alguns ecos de The New Messiah, por exemplo. A tristeza dolente, a cinza da voz e dos embalos, o gosto pelas letras bem trabalhadas… No entanto, também há novidades neste primeiro longa duração. Desde logo algum atrevimento rítmico que dificilmente esperaríamos aqui encontrar, sobretudo por imposição de um passado mais límpido, mais harmonioso. Chamar-lhe rock talvez seja um abuso de expressão (sim, não é rock aquilo que podemos encontrar aqui), mas alguma sujidade nas guitarras de “Learn” parece surgir de uma vontade de aproximação a esse estilo, embora numa vertente mais soft. O mesmo acontece em “30 Years” e na já referida “Yo-yo”. Essa talvez venha a ser a maior (e melhor?) novidade de One, quiçá pouco percetível em primeiras audições, mas que se vai, aos poucos, escutando com maiores certezas e com maior prazer. Em qualquer dos casos, e dando margem a opiniões diversas sobre aquela que deixamos aqui, parece-me um claro ganho esse novo apetite, mesmo que ligeiro, por um pouco mais de garra e fibra na hora de compor e de cantar o que se compôs.
No entanto, em One não se transforma água em vinho, coisa que seria inoportuna e descabida. Cat Falcão tem uma personalidade artística (tanto composicional, quanto vocal) bem vincada, e isso nota-se bem nesta sua primeira entrega a solo. O que aqui se ouve é bonito, soa bastante bem, tem distinção.
Que One seja apenas o início de uma contagem que possa ser continuada no futuro, e até onde a cantautora assim determinar.
Beautify Junkyards – The Invisible World of Beautify Junkyards (2018)

Ao terceiro disco, os Beautify Junkyards embrenham-se ainda mais nos bosques arcaicos da sua folk outonal, num álbum coeso mas ao qual falta surpresa e evolução face aos registos anteriores.
Os portugueses Beautify Junkyards começaram em 2013 a desenhar a sua identidade. Primeiro inocentemente, a pouco e pouco, com o disco de estreia a apostar em covers que foram submetidos ao tratamento Junkyard: folk pastoral com toques de outono, xamanismo, libertação e introspecção. O salto em frente deu-se dois anos mais tarde, com The Beast Shouted Love, já com mais certezas e apostando em material próprio.
Agora, a banda que nasceu da indefinição dos Hipnotica chega ao terceiro disco, e o primeiro pela prestigiada editora britânica Ghost Box, conhecida pela apertada malha que usa para escolher os seus artistas.
Este The Invisible World of Beautify Junkyards quase pretenderia funcionar como uma apresentação, se atentarmos no título escolhido. Na verdade, não há muita novidade aqui face aos registos anteriores, nomeadamente ao segundo álbum. A mudança mais sensível é a progressiva introdução das electrónicas, em efeitos e percussões, fazendo a ponte para a história mais longínqua dos Hipnotica. Ainda assim, estas incursões são sempre subtis, deixando à voz e à guitarra acústica a condução dos trabalhos.
Como é familiar nos Beautify Junkyards, o tempo aqui é lento e outonalmente opressivo. Temos menos “latinidade” e mais “britishness”, se pensarmos em bosques ainda húmidos das chuvas. E druidas à volta de Stonehenge, em vez de garotas de Ipanema.
O disco, também pela ligação à Ghost Box, tem vindo a ser muito bem recebido em Inglaterra. E, de facto, quem pela primeira vez contactar com os Beautify Junkyards através deste disco, dificilmente não ficará com a sensação de que descobriu um belo tesouro: imersivo, circular como os ciclos da Natureza, arcaico e intemporal ao mesmo tempo.
Para nós, que temos acompanhado de perto a sua carreira, esta terceira pedra na estrada dos Beautify Junkyards já não impressiona assim tanto. Se o grupo tem a assinalável qualidade de ter criado uma sonoridade muito própria (algo que não é de todo fácil nos dias que correm), também não deixa de se sentir a ausência de um qualquer elemento de surpresa. Quase como se a personalidade sonora da banda se tivesse tornado tão forte que parece um daqueles filtros do Instagram que tornam todas as fotos parecidas. O que sobra aqui em coesão e numa experiência imersiva de entrar num outro mundo, falta em surpresa, em risco, e até numa desejável maior definição das canções, enquanto obras individuais (o que, provavelmente, nem é o objectivo). As excepções vêm, curiosamente, das poucas músicas cantadas em português, que talvez por serem numa língua diferente fogem ao manto opressivo e repetitivo da maioria do disco (que nos parece também demasiado longo).
The Invisible World of Beautify Junkyards é provavelmente a melhor porta de entrada para aqueles que não conhecem a banda, e certamente não desilude quem está já conquistado pela sua voz. Já quem esperava saltos em frente, poderá ficar desiludido pela continuidade deste trabalho.
The Soft Moon – Criminal (2018)

Em Criminal, a voz de Luis Vasquez a.k.a. The Soft Moon fugiu da nuvem atmosférica em que se escondia e ecoa com uma força tempestuosa. O quarto álbum do projeto é todo emoções à flor da pele, uma viagem catártica pelas angústias do seu criador.
Luis Vasquez é um nómada. Há 10 anos, deixou a Califórnia e, desde então, já passou por Buenos Aires e Veneza. Neste momento, vive em Berlim. Desta vez, a mudança de casa é de um tipo diferente: deixou para trás a Captured Tracks, onde editou Deeper (2015), e foi acolhido pela Sacred Bones Records. A partir desta nova base, o homem por trás de The Soft Moon oferece-nos o seu registo mais sujo e negro.
Criminal não é, de todo, uma mudança radical; é antes uma continuação natural daquela que tem sido a evolução musical do projeto iniciado em 2009. Neste novo disco, somos submersos numa mente atormentada por traumas, através de um registo darkwave que vai buscar tanto aos The Cure de Faith e Pornography, como ao industrial de Trent Reznor e Marilyn Manson, salpicado pelo techno mais pesado a vir do Berghain. O resultado é uma viagem difícil, que nos leva até às experiências mais negras que existem na existência humana. A honestidade brutal das letras e a crueza dos instrumentais transformam este álbum num excelente disco – provavelmente o melhor de The Soft Moon até à data.
A maior diferença do quarto disco para aqueles que o precedem é, sem dúvida, a voz. Em Criminal, Vasquez deixa-se ouvir como nunca antes – deixou de ser só mais um elemento na mistura das faixas. Em entrevista à Treble, o músico explica porque é que a sua voz soa tão zangada e carregada de emoção: “Este é o meu quarto álbum. Nos últimos oito anos, tenho tentado curar-me e não tem resultado, por isso é um bocado um ato de desespero.”. Contudo, ao contrário do que pode parecer ao ler esta frase, este desespero não torna Criminal um álbum forçado. Pelo contrário, é bastante coeso e consistente. E é neste ato de desespero que reside a força por trás deste álbum.
Neste sentido, a faixa de abertura, “Burn”, mostra-nos um Luis Vasquez que perdeu todo e qualquer medo de expor as suas emoções cruas. Por cima de um baixo denso e de guitarras a berrar feedbacks, a dor é palpável no seu grito: “Eyes / Reflecting the person that I am / And it burns”. Em “It Kills”, somos outra vez confrontados com este peso da honestidade, com versos como “I ache for anything / That tears me down / The more and more I drown”. Embora não tão agressiva como a primeira, esta faixa – que lembra os VANIISH do ex-Soft Moon Keven Tecon – chega a ser igualmente barulhenta nos pontos de maior tensão da música.
Aqui, a catarse fica próxima, mas é em “Born Into This” que Vasquez finalmente explode a atmosfera asfixiante que vai construindo ao longo do álbum. A música arranca com um loop incessante de bateria e sintetizadores deformados que, depois, evolui para uma versão psicadélica dos Nine Inch Nails de The Downward Spiral. Na vanguarda desta investida está, mais uma vez, a voz de Luis Vasquez, que aqui parece purgar uma auto-depreciação tóxica (“I’m so cold I should split / To wash away all the shame”).
A frontalidade com que Vasquez confronta o ouvinte nas suas letras, por várias vezes, incomoda. A franqueza com que se despe e fala abertamente de depressão, traumas infantis, abuso de drogas, ódio ou raiva mexem connosco. Na música “Like a Father”, o artista confronta-se com as agruras que crescer sem pai lhe causou e atribui os seus defeitos a este fantasma ausente (“You’re the ghost of my problem”).
Apesar de, muitas vezes, serem compostas por um número reduzido de palavras, as letras compensam com a entrega de Luis Vasquez a cada momento. Ao mesmo tempo, a produção nos instrumentais deste álbum não nos deixa abstrair do que é cantado: o som é sujo, cru, agressivo, sem nunca perder um sentido melódico que já tinha sido desenvolvido em The Soft Moon, Zeros e Deeper. O resultado é um álbum cinemático, cheio de imagens retorcidas e dementes.
Contudo, Vasquez parece mostrar alguma esperança na libertação dos seus demónios. Em “Young”, o músico imagina-se mais velho a falar com o seu eu do presente e diz “I think I’ll stay / ‘Cause it makes me feel fine”. Na espetacular faixa-título “Criminal”, a prisão que pede para si é a sua salvação: “Save me / Lock me down”. É um confinamento que o livra dos tormentos que o perseguem e o deixa livre para o mundo. Se foi bem-sucedido ou não, só o próprio saberá dizer. O que é facto é que o seu processo criativo – que Vasquez diz ser a maneira com que melhor tem aprendido a lidar consigo – produziu um excelente álbum. É um feito a que poucos atos de desespero podem aspirar e, só por isso, já vale muito.
Anna von Hausswolff – Dead Magic (2018)

Mais erótica do que temerosa, mais blasfema do que sagrada, Anna von Hausswolff faz do órgão um instrumento de auto-veneração. Mas Dead Magic é um requiem de música extrema que esmurra como se o ouvissemos da nossa própria sepultura.
Do nascimento à morte, o órgão é um instrumentos omnipresente no Ocidente. Faz a banda sonora de variadas cerimónias religiosas, desde casamentos a funerais, acompanhando hymns e réquiens que até as almas mais profanas já converteram.
Não houve conversão religiosa no caso de Anna von Hausswolff. Mais erótica do que temerosa, mais blasfema do que sagrada, a sueca faz do órgão um instrumento de auto-veneração. De mãos e pés às teclas do órgão da maior igreja de Copenhaga, a Marmokirken, cuja cúpula é inspirada na basílica de São Pedro, Hausswolff gravou seis canções sacrílegas que compõem Dead Magic, o seu quarto longa duração.
No centro de todos os temas está, claro, o orgão, não fugindo muito às progressões melancólicas que nos habituara com o antecessor The Miraculous. Contudo, a nota artística está na embalagem: a paleta de sons é mais negra, reverberada e agressiva, a entrar no campo do stoner metal. Ou não fosse produzido por Randall Dunn, produtor e colaborador dos lendários Sunn O))).
Como acontece em “Ugly and Vengeful”. A canção é de 16:17 minutos, mas justifica o quarto de hora com o arrasto, de guitarras drone à Godspeed You! Black Emperor e taroladas à Dead Can Dance, que culmina numa maléfica misturada entre instrumentos e o portento soprano da sueca.
Se o disco é sonoramente ambicioso e sobrenatural, liricamente é o romantismo gótico de sempre. Dead Magic aborda o segundo tema preferido da escandinava: a forma a mortalidade é subvalorizada. Citando o poeta sueco Walter Ljungquist, Hausswolff escreve no folheto do disco que o destino do ser humano é “uma linha patética que contorna um silêncio infinito, onde as lendas nascem”. “Na nossa era já não existem lendas porque vivemos privados de silêncio e segredos.”
A morte (ainda) é dos grandes segredos da existência humana. Pegando na premissa do disco, apreciamos a beleza da vida ingerindo o horror da mortalidade – e Dead Magic é um requiem de música extrema que esmurra como se o estivéssemos a ouvir da nossa própria sepultura.
Yo La Tengo – There’s a Riot Going On (2018)

le·vi·tar – verbo intransitivo
Erguer-se acima do solo (uma pessoa) e ficar no ar (sem nada visível que o suspenda).
A levitação (do Latim: levis, leveza) é o processo com o qual se consegue suspender um objeto numa posição estável contrariando, assim, as forças de gravidade, mediante o uso de forças exercidas sem contacto com o objeto.
Embora concebida muitas vezes como resultado de um processo paranormal (como no yoga e na parapsicologia), há meios de se conseguir levitação provados por meio do método científico, por exemplo: através de jatos de gás (invisível) que impulsionam o objeto no sentido ascendente (como acontece no jogo air hockey), ou no sentido descendente (como acontece com os helicópteros, aviões VTOL e hovercrafts); ou mesmo através de forças magnéticas.
A levitação é realizada fornecendo uma força ascendente que contraria a atração de gravidade (em relação à gravidade na terra), além de uma força de estabilização menor que empurra o objeto para uma posição inicial sempre que há um pequena distância daquela posição inicial. A força pode ser uma força fundamental, como magnética ou eletrostática, ou pode ser uma força reativa como a ótica, flutuante, aerodinâmica ou hidrodinâmica. [carece de fontes]
A levitação exclui a flutuação na superfície de um líquido porque o líquido fornece suporte mecânico direto. A levitação exclui o vôo pairando por insetos, beija-flores, helicópteros, foguetes e balões porque o objeto fornece sua própria força de contra-gravidade.
Ouçam There’s a Riot Going On e deixem-se levitar.
PEROLAS DO ROCK N´ROLL - HARD PROG - OBJECTIVO - Out of the Darkness / Music - 1972
As duas faixas aqui presentes trazem um bom rock clássico, com pitadas de psicodelia, progressivo e hard rock. As faixas são cantadas em inglês.
Destaque
Mark Shreeve - Legion (1985)
Sons vibrantes, acelerados e dignos de ficção científica pós-apocalíptica do mago dos sintetizadores e queridinho do OPIUM HUM, Mark Shree...
-
Quem teve a oportunidade de assistir ao incrível documentário “Get Back” , de Peter Jackson , lançado em serviços de streaming no fina...
-
A linhagem de guitarristas slide de blues de Chicago vai de Elmore James a Hound Dog Taylor, passando por JB Hutto, até Lil' Ed Willia...
-
Já nestas páginas escrevi sobre o meu adorado Nick Cave. A propósito de um disco, e também sobre uma particular canção deste The Boatman’...



