quinta-feira, 8 de maio de 2025

Fela Kuti & The Africa '70 with Ginger Baker – “Why Black Man Dey Suffer” (1971)

 

“Havia alto-falantes nas ruas de Lagos tocando várias músicas, mas uma se destacava. Eu perguntei: ‘Que música é esta?’. E me disseram: ‘É o Fela’. Eu nunca tinha ouvido uma música tão linda”. 
Carlos Moore, jornalista, amigo e biógrafo de Fela Kuti

“O afrobeat de Fela não era apenas música, era um manifesto político-cultural”. 
Ray Lema, Músico e amigo de Fela Kuti

“Minha música não é de entretenimento, é de revolução. Quero ser um grande homem, e não farei concessões”. 
Fela Kuti

Na arte, um choque de realidade social, quando não inibe e amedronta, é capaz de provocar transformações revolucionárias. Há artistas que, saídos espontânea ou forçadamente e de seu habitat natural, depararam-se em determinado momento com uma situação-limite a qual entenderam estar ali o seu ponto de virada. A partir de então, nunca mais foram os mesmos. Heitor Villa-Lobos não se contentou com a música aprendida nos conservatórios cariocas nos anos 10 e embrenhou-se no Brasil profundo para, enfim, engendrar sua obra fundadora da música brasileira moderna. O compositor francês Oliver Messiaen, feito prisioneiro pelos nazistas na II Guerra, compôs em pleno campo de concentração aquela que é considerada sua obra-prima, "Quarteto pelo fim dos tempos", para os únicos quatro instrumentos disponíveis naquela condição: piano, violino, violoncelo e clarinete, a qual estreou na própria prisão para um público de guardas alemães e outros prisioneiros como ele.

Pode-se dizer que com Fela Kuti aconteceu o mesmo choque transformador. Nascido na cidade de Abeokuta, no estado de Ogum, na Nigéria, em uma família de classe média alta, o músico, performer, agitador cultural e ativista Fela Anikulapo Ransome-Kuti tinha exemplos dentro de casa para autovalorizar-se. A mãe, Funmilayo Ransome-Kuti, foi a primeira mulher ativista dos direitos em seu país, e seu pai, Reverendo Israel Oludotun Ransome-Kuti, um pastor protestante e diretor de escola. É em Londres, onde foi estudar Medicina nos anos 50, que migra definitivamente para e faculdade de Música, retornando a Lagos posteriormente para formar a banda Nigeria ‘70. Porém, só em 1969, quando, em meio da Guerra Civil da Nigéria, vai para os Estados Unidos e se depara com efervescência do movimento Black Power, que Fela encontra-se consigo mesmo. Relaciona-se com a ativista Sandra Smith, membra dos Panteras Negras, que o influencia fortemente em sua música e visões políticas. Fela despe sua música de qualquer resquício colonizador e mergulha nas raízes de seu povo, de sua gente. É ali que, então, retorna novamente à capital nigeriana Lagos recarregado para assumir o posto ao qual agora entendera estar destinado: tornar-se um símbolo de resistência política. 

O referencial Fela: revolução
que perdura
Fela compreenderia melhor a luta de sua mãe pelos direitos dos africanos que estavam sob o regime colonial, assim como o apoio que ela dava à doutrina do Pan-Africanismo exposta por Kwame Nkrumah. Mas a tomada de consciência refletiu-se não só em seu pensamento e postura quanto, principalmente, em seu trabalho. Essas ideias também o inspiraram a criar seu próprio estilo musical, que ficaria conhecido como afrobeat, uma mistura do jazz americano com o rock e o highlife da África Ocidental. Símbolo desta explosão criativa, o grito militante “Why Black Man Dey Suffer”, que completou 50 anos de lançamento em 2021, é o primeiro e talvez mais emblemático de sua profícua e polêmica carreira. Sintetizador de suas ideias musicais, visuais, políticas e filosóficas, o álbum traz sua competente banda, renomeada Africa ‘70, com Tony Allen na percussão, Igo Chico, no sax, e Tonny Njoku, ao trompete, além da participação de uma lenda do rock psicodélico: o baterista britânico ex-Cream Ginger Baker, cujas batidas potentes e jazzísticas promovem um reencontro mágico com o som originalmente africano. 

Composto por apenas duas longas sessões, uma de cada lado do vinil (expediente que usaria várias outras vezes em sua vasta discografia), “Why Black...” explora a musicalidade do multi-instrumentista Fela e de seus parceiros em temas que se desenvolvem de forma crescente e aglutinante. Cantos tradicionais africanos, percussão marcada num compasso ritualístico e vocais e estrutura musical que passam pelo jazz e linhas de metais funk. O endless groove também é usado, com um ritmo básico com baterias, muted guitar e baixo, que são repetidos durante o andamento, algo que influenciaria sobremaneira o funk e o hip-hop. Além disso, Fela fazia questão de cantar em um Pidgin baseado no inglês, de forma que sua música pudesse ser apreciada por indivíduos de toda a África, onde as línguas faladas locais são diversas e numerosas. 

Ambas as músicas carregam um discurso fortemente desafiador e engajado, como jamais havia se ouvido antes na oprimida África. Sua República Kalakuta, que reunia uma comuna, um estúdio de gravação e uma casa, além do Afrika Shrine, boate onde apresentava regularmente suas performances, era declaradamente independente da Nigéria. Ou seja: uma pedra no sapato para a ditadura nigeriana. A letra da faixa-título, questiona: “Por que os negros sofrem hoje”? “Por que homem negro não ganha dinheiro hoje?”. Sob um ritmo “chamado Kanginni Koko, usado em algum tipo particular de santuários na minha cidade natal, Abeokuta City”, explica Fela na letra, a música não deixa dúvida do quanto era perigosa a sua mensagem para o governo militar:

“Nossas riquezas foram levadas para suas terras
Em troca, eles nos deram sua colônia
Eles tiram nossa cultura de nós
Eles nos deram uma cultura que não entendemos
Negros, não nos conhecemos
Não conhecemos nossa herança ancestral
Nós brigamos todos os dias
Nunca estamos juntos, nunca estamos juntos
É por isso que os negros sofrem hoje”.

Já a outra faixa do disco, valendo-se bastantemente dos dialetos, “Ikoyi Mentality Versus Mushin Mentality”, escancara as diferenças de “mentalidade” dos bairros rico (Ikoyi) e pobre (Mushin) de Lagos, exigindo que todos sejam respeitados como seres humanos. Enquanto o Ikoyi representa o “homem de fora” que viajou o mundo todo e levou para a Nigéria uma “civilização que não entendemos”, o “Homem Mushin”, nativo, mesmo nunca tendo se deslocado fisicamente para lugar nenhum devido a suas condições, é capaz de entender “a linguagem das pessoas”, de falar a “língua da África”.

A própria arte da capa, de autoria de Lemi Ghariokwu, artista visual e designer autor das principais capas de discos de Fela Kuti, trazia essa força de ativismo. Em traços muito característicos, Lemi monta uma espécie de hieróglifos pictográfico iorubá, representando questões sociais, religiosas e existenciais.

As tensões foram se avolumando em relação a Fela ao longo dos anos, o qual se tornou uma espécie de inimigo nº 1 do ditador Olusegun Obasanjo. Tanto foi que, em 1977, mil soldados atacaram a comuna. Fela foi severamente espancado e sua mãe, já idosa, arremessada de uma janela, provocando-lhe a morte. A República Kalakuta foi incendiada e o estúdio e a boate destruídos. O que não foi motivo para o combativo Fela baixar a guarda. Aliás, não faltaram episódios polêmicos ou controversos na vida de Fela: além de outros discos e shows, perseguição por parte do governo, prisões forjadas, candidaturas à presidência da Nigéria, poligamia e a conversão a uma corrente mística bastante duvidosa. A resistência genuína acabaria em 2 de agosto de 1997 quando, atingido pelo então irremediável vírus HIV, Fela Kuti, enfim, rendia as armas.

Não apenas a sonoridade, com suas texturas e polirritmia, quanto a concepção da arquitetura melódica, seriam largamente inspiradoras daquilo que alguns anos depois passaria a se chamar world musicDavid ByrneBrian EnoStevie WonderPeter GabrielMalcolm McLaren e Beyoncé foram alguns dos ocidentais que beberam em sua fonte baseada nas difíceis harmonias pentatônicas. Gilberto Gil, igualmente, foi outro que chegou a visitar Shrine na metade dos anos 70, retornando para o Brasil com uma nova concepção de negritude a qual desaguou no disco “Refavela”. Como Gil, outros brasileiros tal CrioloBaianaSystemMetá Metá e Rincon Sapiência também prestam tributo à música de Fela. Está no novo afropop, no left-field rap, no alternative R&B, no jazz contemporâneo. O afrobeat representa, de fato, uma revolução travada a partir da luta de alguém que entendeu o tamanho da sua responsabilidade e cujos ecos seguem sendo ouvidos até hoje. Uma luta que lhe valeu a vida, mas que, no entanto, fez-lhe cumprir com seu objetivo revolucionário: tornar-se um grande homem.

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FAIXAS:
1. "Why Black Man Dey Suffer" - 15:09
2. "Ikoyi Mentality Versus Mushin Mentality" - 13:01
Todas as composições e autoria de Fela Anikulapo Ransome-Kuti





Fat Chance - Fat Chance 1972

 

Fat Chance foi uma banda de power horn originária de Pocatello, Idaho, em 1970. O líder, Steve Eaton, formou o grupo com o tecladista Bill LaBounty, o baixista Dale Borge e Gordon Hirsch na bateria. O saxofonista Phil Garonzik e o trompetista Fred Sherman se juntaram ao grupo alguns meses depois. Eles tocaram em uma pista de boliche/bar em Twin Falls, Idaho, apenas para serem demitidos por não tocarem música country. Evel Knievel (o famoso motociclista aventureiro), que estava em Twin Falls naquela noite quando a banda foi demitida, disse a eles para irem a um clube em Newport Beach e eles seriam descobertos; a banda seguiu o conselho de Evel e partiu naquela noite para Los Angeles e assinou contrato com a RCA algumas semanas depois. Fat Chance foi um grupo de power horn influenciado pela Chicago Transit Authority e Blood Sweat and Tears. Seu produtor Jay Senter produziu seu único álbum e, embora o álbum não tenha sido um sucesso comercial, várias músicas escritas por LaBounty e Eaton foram regravadas por outros artistas. Fat Chance fez turnê com grupos como Yes da Inglaterra e Kenny Rogers.


MUSICA&SOM ☝



Brownsmith - Brownsmith 1975

 

A dupla de soft rock "Brownsmith", do noroeste do Pacífico, era formada por Don Brown e Garrett Smith, ambos com carreiras moderadamente bem-sucedidas como músicos de estúdio. De alguma forma, durante a turnê, seu caminho passou pelo vizinho Canadá, onde a dupla foi complementada por vários músicos convidados, incluindo Freddie Salem, da banda The Outlaws, da Flórida, e um ex-membro da não menos famosa banda Buffalo Springfield, de Los Angeles; Doug Hastings, na guitarra; o baterista Michael Kindler e a tecladista Stacy Christianson, da banda Gabriel, de Seattle; além do baixista Paul McCandless, da aclamada banda de jazz fusion Oregon, entre outros. Gravado por essa formação, que se tornou cult entre os fãs desse tipo de música, o único álbum "Brownsmith" foi lançado duas vezes em 1975, com capas ligeiramente diferentes, e em ambas as vezes sua circulação esgotou instantaneamente. 








Game - Game 1969

 

Os cantores/guitarristas Eddie Keating e Chuck Kirkpatrick, o baterista Scott Kirkpatrick, o tecladista Les Luhring e o vocalista/baixista George Terry foram todos membros da Proctor Amusement Company, sediada no sul da Flórida. A banda se tornou bastante popular em toda a região, chegando a gravar alguns singles e um LP inédito para o selo Faithful Virtue, de Nova York, antes de encerrar a carreira. Embora a Proctor Amusement Company tenha chegado ao fim, em 1969 os cinco tocavam em clubes do sul da Flórida como Game. 
Lançado pela Faithful-Virtue, "Game", de 1969, é uma estreia interessante. Coproduzido pelo empresário/mentor Steve Goldberg e Chuck Kirkpatrick, musicalmente o repertório é variado, incluindo tentativas de pop convencional, progressivo ('Entrance'), rock ('Fat Mama') e até mesmo alguns interlúdios jazzísticos (confira 'Disturbance/We Turn To You', do Outside Two). Normalmente, um álbum tão diverso não me impressionaria tanto, mas esta é uma dessas exceções. Enquanto a maioria das bandas tem dificuldade em encontrar um bom vocalista, o Game não se prejudicou por ter três: Keating, Chuck Kirkpatrick e Terry. O fato de Keating e Luhring terem escrito melodias bacanas e serem capazes de produzir vocais harmônicos de dar água na boca também não prejudicou o resultado final (confira "Discovering You", de Luhring). Para ser sincero, materiais como "Make Some Music" e "Stop, Look & Listen" soam alguns anos à frente de seu tempo.
Em 1970, a banda se mudou para o sul da Califórnia. O baterista original, Scott Kirkpatrick, saiu antes da mudança, sendo substituído por Dave Robinson. Nos dois anos seguintes, a banda gravou uma quantidade considerável de material, mas não encontrou interessados. Forçados a começar a tocar em clubes locais quando seu antigo benfeitor financeiro ameaçou cortar o apoio, Robinson e Terry desistiram, retornando à Flórida. Terry posteriormente alcançou o sucesso como membro da banda de Eric Clapton. Após uma série de mudanças de integrantes, a banda continuou a tocar até 1978. Chuck Kirkpatrick gravou um álbum solo instantaneamente obscuro para a Capitol antes de retornar a Miami, onde passou algum tempo gravando e excursionando com a Firefall, eventualmente abrindo seu próprio negócio.

MUSICA&SOM ☝


George Thorogood - Move It On Over 1978

 

George Thorogood & the Destroyers  não mudam o tom em  Move It On Over , seu segundo álbum de 1978, mas aprimoram um pouco o ataque. Enquanto o álbum de 1977 era um trabalho bruto e desagradável, este é ligeiramente aguçado, possivelmente devido à  produção vigorosa de  Ken Irwin . Irwin  dá  um pouco de cor aos Destroyers  e deixa um pouco de ar entre os instrumentos, e a diferença é imediatamente aparente. Além dessa clareza e da falta de originais, não mudou muito em  Move It On Over :  Thorogood  ainda lidera  os Destroyers  através do blues boogie, enfatizando o sentimento e o som em vez do groove.  Os Houserockers de Hound Dog Taylor  continuam sendo o ponto de contato crucial em torno do qual  os Destroyers  incorporam  o slide arrebatador de Elmore James e  a big beat hipnótica de Bo Diddley . Todo o resto, incluindo covers de  Hank Williams  e  Chuck Berry , está inserido neste projeto, um som que  os Destroyers  fazem tão bem que nunca se desviaram dele (talvez tenham aprendido a lição com o único tropeço do álbum, a versão lenta e fraca de  "I'm Just Your Good Thing", de James Moore ). Discos de ouro e sucessos de rádio vieram depois, mas este é o álbum em que tudo se encaixou para  George Thorogood ; é o disco que definiu o que veio depois e continua sendo um dos seus melhores. 





Man - Man 1971

 

O grupo  Man  evoluiu a partir  dos Bystanders , uma banda galesa de meados dos anos 60 cuja mistura de  harmonias beatlescas  e soul blue-eyed rendeu uma série de singles bem recebidos, com destaque para o progressivo e pop "Royal Blue Summer Sunshine Day". Esse lado era indicativo da direção que tomariam após mudarem o nome para  Man . Talvez devido ao apelido homônimo, este álbum tenha sido confundido com um trabalho de estreia. No entanto, antes desse título, eles já haviam lançado dois LPs,  Revelation  (1969) e o sucessor, um pouco mais centrado e ambicioso,  2 Ozs. of Plastic with a Hole in the Middle  (1969). Na época deste disco,  Clive John  (órgão/piano/guitarra/cravo/vocal),  Deke Leonard  (guitarra/vocal),  Martin Ace  (guitarra/baixo/vocal),  Terry Williams  (percussão/bateria),  Roger Leonard  (guitarra/piano/guitarra/guitarra de aço/vocal) e  Micky Jones  (guitarra/guitarra/vocal) já haviam se estabelecido no que a maioria dos entusiastas considera um grupo seminal. Além de suas excepcionais habilidades de improvisação,  Man  exibia um som mais agressivo. A faixa de abertura, "Romain", instantaneamente se transforma em um blues vibrante, acompanhado  pelas interjeições grotescas de Leonard na guitarra de aço. "Country Girl" lembra  os New Riders of the Purple Sage , com uma distinta cadência country-rock da Costa Oeste. Ambas as faixas estendidas, "Would the Christians Wait Five Minutes?...The Lions Are Having a Draw" e "Alchemist", são pastiches de instrumentais bem desenvolvidos, embora às vezes pareçam um tanto datados. Há bastante interação inspirada, no entanto, especialmente na última música, onde liberam alguns licks definitivos de heavy metal que poderiam facilmente ser confundidos com o seminal  Black Sabbath . "Daughter of the Fireplace" é outro destaque como um rock compacto e cheio de atitude. [Os interessados ​​devem observar que a reedição em CD de  Man  (2003) pela Repertoire complementa as cinco faixas originais com as edições/mixagens de 45 rpm de "Daughter of the Fireplace" — que foi alterada de cinco minutos e 19 segundos para pouco menos de três minutos — e "Country Girl [versão single]." 





Mark Moogy Klingman - Mark Moogy Klingman 1972

 

Com um som muito parecido com o de outro artista da Capitol Records da época,  o Band , o álbum de estreia autointitulado do subestimado compositor  Mark "Moogy" Klingman  veio logo depois que ele apareceu em lançamentos de  Al Kooper ,  James Cotton Blues Band e  Shuggie Otis , bem como discos de seu amigo  Buzzy Linhart . "I Can Love" tem aquele  som do Band  com um vocal forte  de Klingman  ; o clima se resume em "Liz, When You Waltz", que é meramente  o piano e a voz de  Klingman combinados com o bandolim de Joel Bishop O'Brien . É uma ótima dupla, e o álbum teria tido tanta alma e vida se todas as faixas tivessem recebido esse tratamento. Em vez disso, as 12 músicas foram gravadas em seis instalações diferentes, com uma banda completa entrando em "Kindness" — e não qualquer bando de gatos, os músicos eram tão lendários quanto esse material forte se tornaria.  Todd Rundgren , engenheiro e coprodutor, empresta seus talentos na guitarra e nos backing vocals, com  Amos Garrett  adicionando a guitarra solo intencionalmente frágil,  Stu Woods  tocando o baixo e  ND Smart  fornecendo a batida. O que é impressionante sobre este álbum é a quantidade de covers dessas músicas que ele gerou.  Johnny Winter  gravou "Kindness";  Carly Simon  incluiu "Just a Sinner" em seu primeiro álbum; a música aqui que  Todd Rundgren  e  Klingman  coescreveram, "Tonight I Want to Love Me a Stranger", encontrou seu caminho para um  álbum de James Cotton  ; enquanto uma  original de Klingman  com  Rundgren  em dueto, "Crying in the Sunshine", foi ainda mais validada quando  Thelma Houston  a gravou em uma de suas sessões.  Rundgren  não soa como  Houston , mas é um vocal feminino impecável do mago e verdadeira estrela. A capa interna traz uma foto do jovem  Mark Klingman  e todas as letras, com a banda recebendo o apelido de  Rhythm Kings , um verso da última música, "The Man at Ease". A foto da capa mostra o cantor e compositor sentado ao piano em um apartamento ou sala de estar em ruínas; uma pintura do artista na contracapa o retrata como um  Bob Dylan barbudo .  O perfil barbeado de  Klingman ao lado é uma bela justaposição. Klingman  inverteu esse material para um lançamento em CD 18 anos depois. As primeiras gravações, 1970-1972, lançado em 2000, com cópias exclusivas das fotos da contracapa, aprimoradas para a capa do novo lançamento. O lado dois deste disco da Capitol se tornou as seis primeiras músicas do CD, seguido pelas seis do lado um, e complementado com demos, uma fita perdida, um dueto com  Linhart e um ensaio. A versão em CD tem mais fundo do que esta gravação em vinil, mas fãs de  Rundgren ,  Utopia ,  Rick Derringer e  Buzzy Linhart  podem querer o item original da Capitol em suas coleções por motivos sentimentais ou pelas meias listradas de vermelho e branco, que se destacam na foto da capa. 




ROCK ART


 

Nº1 Born in the U.S.A. — Bruce Springsteen, Julho 7, 1984

 Producers: Bruce Springsteen, Jon Landau, Chuck Plotkin, and Steve Van Zandt

Track listing: Born in the U.S.A. / Cover Me / Darlington County / Working on the Highway / Downtown Train / I’m on Fire / No Surrender / Bobby Jean / I’m Goin’ Down / Glory Days / Dancing in the Dark / My Hometown

7 de julho de 1984
7 semanas (não consecutivas)

Após o sucesso de The River e sua turnê subsequente, Bruce Springsteen e a E Street Band se reuniram para gravar um álbum seguinte. "Fomos gravar na primavera de 1982", lembra o baterista da E Street, Max Weinberg. "Conseguimos algumas boas interpretações das músicas, mas o que criamos não era o que Bruce tinha em mente. Quando você coloca a E Street Band completa nisso, a austeridade do que ele queria desapareceu." Springsteen optou por gravar essa coleção de músicas solo em um gravador de quatro canais em casa. Esse álbum, Nebraska , alcançou o número três.

Embora a E Street Band não fosse adequada ao material de Nebraska , foi o acompanhamento perfeito para Springsteen em outro conjunto de músicas em que ele estava trabalhando. "Em abril de 1982, Bruce começou a compor mais material, na hora, porque a banda inteira estava lá. Em um período de duas semanas, gravamos várias músicas", diz Weinberg. "Começou com 'Born in the USA', depois passamos para 'Glory Days', 'I'm Going Down', 'Darlington County' e 'I'm on Fire'. Foram duas ou três semanas tremendamente prolíficas. Tínhamos oito das 12 músicas que acabaram naquele disco gravadas. A banda estava realmente tocando o melhor que tínhamos tocado."

A faixa-título, que deu o tom do álbum, foi gravada inicialmente com um arranjo diferente. "Fizemos isso com apenas Garry Tallent no baixo, eu e Bruce na guitarra, com uma abordagem meio rockabilly, mas não estava funcionando." A versão final da música saiu bem tarde da noite. "Estávamos apenas curtindo", diz Weinberg. "Não saímos para revisitar o arranjo, ele simplesmente se materializou. Começamos a tocar e a fita estava rodando." A segunda tomada daquela sessão acabou se tornando a versão do álbum. "Sabíamos que aquela música era muito especial quando a gravamos naquela noite. Nunca tínhamos feito nada parecido antes no estúdio. Realmente nos impressionou."

Weinberg diz que a faixa apresenta sua execução mais livre. "Eu estava apenas respondendo à letra e ao Bruce. Havia uma tremenda força emanando dele." A parte de breakdown da música foi espontânea. "Bruce tirou a mão da guitarra e começou a tocar air drums", lembra Weinberg. "Então eu fiz um solo de bateria." Na verdade, os tecladistas não entenderam a deixa de Springsteen e podem ser ouvidos continuando a tocar. "Eles só pararam depois que perceberam que o ritmo tinha parado", acrescenta Weinberg. "Então, com o canto do olho, vi Bruce contar, um-dois-três-quatro, e voltamos para o final da música. Foi uma experiência emocional e musical incrível."

Após uma pausa no verão, Springsteen compôs mais músicas. "Provavelmente gravamos mais 50, mas dessas músicas, 'Bobby Jean', 'No Surrender', 'Dancing in the Dark' e mais uma acabaram no álbum."

“Dancing in the Dark” também começou em uma versão diferente. “Gravamos uma versão bem rock ‘n’ roll”, diz Weinberg. “Lembro-me de sentar na bateria depois de gravar três ou quatro takes da versão rock, e [o empresário de Springsteen] Jon Landau veio até mim e sussurrou no meu ouvido: 'Disco dance'. Ele até fez referência a algumas músicas atuais que estavam tocando no rádio na época.”

Com "Dancing in the Dark" alcançando a segunda posição na Hot 100, " Born in the USA" tornou-se o segundo álbum de Springsteen a alcançar o primeiro lugar em sua terceira semana na parada. O álbum gerou outros seis hits no top 10: "Cover Me", "Born in the USA", "I'm on Fire", "Glory Days", "I'm Going Down" e "My Hometown". The Boss estava maior do que nunca.

OS CINCO MELHORES
da semana de 7 de julho de 1994

1. Born in the U.S.A., Bruce Springsteen
2. Sports, Huey Lewis and the News
3. Footloose, Soundtrack
4. Heartbeat City, The Cars
5. Can’t Slow Down, Lionel Richie

Destaque

Wings - Back To The Egg (1979)

  01. Reception 02. Getting Closer 03. We’re Opening Up 04. Spin It On 05. Again and Again and Again 06. Old Siam, Sir 07. Arrow Through Me ...