segunda-feira, 16 de junho de 2025

Grant Green - "Matador" (1964)


Acima, a capa original de 1964,
seguida da capa da reedição em CD
“Grant Green merece uma medalha por gravar o hit
‘My Favourite Things’ de [John Col]Trane
com o mesmo conjunto.
Mas embora o grupo se aproxime da canção
com o mesmo estilo 6/8
e da forma como Coltrane a sentia,
não a reduzem aos essenciais acordes básicos”.
Michael Cuscuna


O jornalista e crítico musical Márcio Pinheiro uma vez afirmou, com toda propriedade, que tudo o que os grandes nomes da MPB (Maria BethâniaCaetano VelosoGilberto GilChico BuarqueGal Costa, João Donato, entre outros) produziram nos anos 70 é de ótima qualidade. É só pegar qualquer disco daquela época e ouvir que não tem erro. Infalível. Tudo favorecia para que tanta coisa boa acontecesse ao mesmo tempo e com um nível altíssimo de qualidade, o que ocorre de tempos em tempos conforme o cenário cultural, político, histórico e social de determinado local. Isso se aplica à produção de jazz norte-americana dos anos 40 a 60. Na época, gênios estavam a pleno (Miles Davis, Dizzie Gillespie, Charles Mingus, Duke Ellington), outros se estabeleciam rumo ao Olimpo (John ColtraneWayne ShorterHerbie Hancock, Ornette Coleman) e, além destes, igualmente talentosos e sintonizados com aquela onda (Kenny Dorham, Joe Henderson, Lee Morgan, Freddie Hubbard, Sonny Rollins e mais centenas e centenas), não ficavam para trás em maestria e qualidade. Tudo conspirava a favor: retomada da sociedade civil no pós-Guerra; surgimento de uma nova classe afrodescendente e latina em fase de transformação sociopolítica; produções de várias lugares que se complementavam e se somavam; centros urbanos (Chicago, Nova York, Filadélfia, Los Angeles) suportando técnica e economicamente este contingente; encorpo da indústria cultural; e, o mais importante: o resultado de toda uma tradição musical, artística e antropológica trazida pelos negros da África e ressignificada na América que, agora, confluía de diversas formas e em quantidades amazônicas.

As gravadoras de jazz mantinham em seus portfólios artistas de primeira linha, mas, em especial, o Blue Note, principalmente no final dos 50 aos 60, era, esta sim, infalível. Tudo muito bom, sem exceção. A este selo pertenciam vários dos melhores jazzistas da época, e um deles era o guitarrista Grant Green. Com forte base no rhythm'n blues e com extremo domínio do bebop, além de ser também um espetacular solista em baladas, ele se junta, por força do destino, a McCoy Tyner, ao piano, Elvin Jones, bateria, e Bob Cranshaw, baixo – ou seja, trocando-se Chanshaw por Jimmy Garrison, dá a “cozinha” que gravou com Coltrane o antológico “A Love Supreme”, a segunda melhor banda de jazz de todos os tempos depois do quinteto de Miles dos anos 50, que tinha o próprio Coltrane na formação.  Com eles, lança, em 1964, um disco cuja alcunha fala por si: “Matador”. Em apenas duas sessões (uma em maio e outra e junho, apenas cinco meses antes da gravação de “A Love Supreme”), conta, além da maestria desses músicos, com a mão apurada de Rudy Van Gelder na técnica, o alemão responsável pela operação de estúdio de 90% das históricas gravações de jazz da época, que afina a mesa de som de “Matador”. Igualmente, na arte da capa – mais uma particularidade dos selos de jazz, inclusive o Blue Note, que a valorizavam tanto quanto o conteúdo –, quem empresta seus traços em um desenho a nanquim de um esboço de Green empunhando a guitarra é ninguém menos que Andy Warhol.

Se fosse só isso, já seria legal. Mas aí vem o que interessa: música. Na faixa-título, Green abre o disco fazendo soar seu tom característico de dedilhado muito limpo ao ouvido, em que desliga os graves e agudos do amplificador e dá ganho nos alto-falantes. Ele exercita seu estilo técnico e habilidoso do R&B, porém colocando sempre a expressividade acima da perícia. Isso fica claro na linda escalada progressiva dedilhada com a suavidade do blues e em todo o enredo, desenvolvido com segurança e alma pelo quarteto. Aqui já se nota a predileção pelas quartas de Tyner, que dá saltos de três intervalos maiores acima da tônica da melodia, o que surpreende e mexe com o ouvinte. Também, tem a marcação balanceada e cheia de groove de Jones. Todos cobertos pelo baixo competente de Cranshaw. Soul-jazz da melhor qualidade.

Aí, preparem-se, leitores-ouvintes, pois vem uma das peças mais lindas que o abençoado jazz já cunhou. E a ligação de Green com Coltrane aqui se faz inequívoca. Não é apenas pela parceria com seus músicos de fé nem só pela contemporaneidade de ambos (naquele início de anos 60, o saxofonista era já uma lenda e talvez o maior astro de jazz vivo então), mas também de repertório e espírito. Tanto é que Green pinçou justamente o maior sucesso comercial de
Coltrane para uma gravação baseada não na original canção popular natalina de Hammerstein II e Rodgers, mas na versão marcadamente modal e particular criada por Coltrane: a obra-prima "My Favourite Things". Retomando a estrutura e o clima da faixa que Trane gravara quatro anos antes, Green simplesmente arrasa. Tyner e Jones, que compunham a banda de Coltrane na histórica sessão de 1960 (junto com Steve Davis, no baixo), aqui, sabem exatamente o que fazer. O piano, elegante e preciso no seu jogo modal em três tempos (meio tom acima que na versão clássica e em compasso ligeiramente mais acelerado); a bateria, puro ritmo em ataques sincopados da baqueta na caixa, rolos engenhosos e combinação constantemente diferenciada de pratos/bumbo/caixa. E Green... Ah! Este exala inspiração das cordas de sua Gibson em construções ágeis e luminosas não de modo a imitar Coltrane, mas, sim, de homenageá-lo. Os três, junto com Cranshaw, alternam lances de liberdade dissonante e politonalismo que atinge por vezes um epicismo quase sinfônico tamanha a sintonia. Não é exagero dizer que esta “My Favourite Things” só não é melhor que a de Coltrane – o que, convenhamos, é quase impossível, uma vez que se está falando de algo comparável ao "Bolero", a “For no One”, à Cavalgada d’"As Valquírias” e obras desse porte.

Green, por mais apurado que seja, é muito coração, pois sua técnica está sempre a serviço de uma música o mais pura possível, como um bom blues ou gospel. Tal qual Coltrane, ele evita os clichês, flutuando com expressividade dentro das escalas. “Green Jeans” é assim. Neste hard bop modal, a ágil e criativa mão esquerda de Tyner impressiona por seu lirismo, enquanto a direita modula e mantém a tônica. Jones faz a “cama”, dando ênfase na consistência do ritmo e na continuidade através dos pratos. Mas é Green quem brilha. Apreciador de jazzistas não apenas do seu instrumento, como Charlie Christian e Jimmy Raney, mas, principalmente, dos de sopro como Coltrane, refletia diretamente em seu fraseado o estilo reed style de tocar como os mestres Miles e Charlie Parker, a quem admirava especialmente. “Green Jeans” mostra bem isso, pois há momentos em que até parece que o solo está saindo de um sax alto ágil e suingado e não de uma guitarra. Mas é. Ao invés do stacatto (quando cada nota aparece destacada da seguinte), muito usado pelos guitarristas, usa o legato, ligando as notas de suas frases à maneira de um saxofonista.

“Badouin”, repleta de enlevos, traz as influências folclóricas que faziam a cabeça dos jazzistas da época. Seu riff carrega toques orientais, árabes e africanos num uníssono agudo de guitarra e piano, enquanto a bateria marca um ritmo tribal. Era o show de Elvin Jones só começando... A manutenção Tyner com o baterista é impecável, na medida certa, jogando a luz sobre o solista, mas sem se ausentarem do foco. Green, assim, improvisa acordes circulares e, às vezes, até repetitivos e hipnóticos, como os de um encantador de serpentes. O solo de Tyner é cheio de expressividade e classe. Já a marcação pontuada de Jones nos pratos e nos ataques de baqueta à caixa, ora fortes, ora suaves, antecipam seu único solo no disco. Mas que solo! Imponente, Jones vale-se de todo seu arsenal polirrítmico, dobrando compassos, variando volumes e extensões, combinando as texturas, salpicando sonoridades africanas e latinas. Um espetáculo. Depois, só restava mesmo voltar ao chorus e encerrar a faixa.

Finalizando o disco, num compasso um pouco mais ligeiro que uma balada tradicional, “Wives and Lovers”, clássico de Burt Bacharach, que ganha a sua talvez mais radiosa e definitiva versão no jazz. Longe do standart pop cantado por Frank Sinatra (lindamente, diga-se de passagem), “Wives...” recebe aqui outra roupagem, o que lhe dá uma nova vida. É um prazer inenarrável ouvir Grant Green executando o riff com toda aquela singeleza, movimento e sensualidade, num controle total de tempos e durações. Seu improviso traz lances de redemoinhos sonoros que enredam o ouvinte e que, logo, se resolvem numa nova e engenhosa solução, fazendo a música evoluir para um hard bop não menos romântico. Tyner, impecável como sempre; Chanshaw, escalonando com elegância; e Jones, mais uma vez inteligente e fluido, segura o ritmo no chipô e na vassourinha arrastando no couro da caixa, adensando o clima sensual e etéreo.

Apenas quatro faixas (considerando que “Wives...” foi incluída na edição em CD), mas que carregam todos os predicados do alto nível do jazz que a Blue Note produziu naquela fase de ouro. E mais do que isso: um disco coirmão da obra-prima “A Love Supreme”, quase que, junto a “Crescent”, do próprio Coltrane e também daquele mesmo ano, um ensaio de luxo para o que o gênio do saxofone iria revelar meses depois e com praticamente o mesmo time na retaguarda. O que dizer, então, deste disco de Grant Green? Numa palavra: “Matador.

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FAIXAS:
1. "Matador" (Green) – 10:51
2. "My Favorite Things" (Oscar Hammerstein II, Richard Rodgers) – 10:23
3. "Green Jeans" (Green) – 9:10
4. "Bedouin" (Pearson) – 11:41
5. "Wives and Lovers" (Bacharach, David) – 9:01



Grant Green - "Green Street" (1961)


“A qualidade e a quantidade de novos talentos que surgiram no jazz moderno nos últimos anos colocaram muitos dos críticos em uma situação curiosa. O empilhamento de superlativo em cima de superlativo acabou por construir uma montanha perigosamente precipitada. Depois de terem saudado a novidade mais brilhante e a mais notável, que palavras você deixa para quando surge um Grant Green?”
Leonard Feather, crítico e autor da "Nova Enciclopédia do Jazz", em texto da contracapa original de "Green Street"

Todo jazzista que se prezasse nos anos 50/60 sabia que o selo Blue Note era um nível maior a ser atingido. Não que outros como Prestige!VerveAtlantic, Columbia ou Savoy também não fossem objeto de desejo de músicos da época. Mas a Blue Note era um ápice. Era como se todos esses selos fossem grandes clubes da primeira divisão, mas aquele, comandado por Alfred Lion, era o campeão. Portanto, pertencer ao plantel da Blue Note significava ser um craque ou aspirante a isso. Fora os já consagrados, cuja camiseta já os estava esperando quando contratados, para estar nesse seleto time havia de se provar que merecia vesti-la. O jovem guitarrista Grant Green, passou, em 1961, aos 26 anos, por aquilo que em futebol se chama de “peneira”. Vindo do fraseado alegre e ligeiro do boogie-woogie, ou mostrava serviço nos primeiros lances ou estava fora. Claro que o talentoso Green não decepcionou, abrindo sua trajetória na gravadora marcando um golaço com “Grant's First Stand”, daquele ano.

Porém – e isso é característica dos grandes atacantes – Green era inquieto. Tanto que, naquele mesmo ano, além de gravar outros dois álbuns por selos alternativos ("Green Blues", pela Muse, e "Reaching Out", pela 1201 Music), ainda surpreenderia com outra jogada de mestre: ”Green Street”. Acompanhado por Ben Tucker, no baixo, e Dave Bailey, bateria, ele aproveita o enxuto formato de trio para destrinchar toda sua técnica apurada nos bares de St. Louis, quando foi descoberto por um embasbacado Lou Donaldson. Não à toa a surpresa do saxofonista, haja vista que Green era aprendiz de be-bop através do sopro de Charlie Parker e admirador da leveza cool de outro senhor do sax, Lester Young. “No. 1 Green Street”, que abre o disco de maneira bem didática e metalinguística, mostra um guitarrista dono de seu estilo, que mescla a herança dos mestres do sax com a influência dos “professores” do seu próprio instrumento, Charlie Christian e Jimmy Raney. O que resulta é um blues suingado em que Green desfila sua variada técnica e seus modos, como as repetições cíclicas de extrema perfeição e os paralelismos de acordes.

A sequência à abertura é muito bem articulada com um clássico: “'Round About Midnight”. Se já é difícil estragar este standard de Thelonious Monk, dá pra imaginar o que esta vira nas mãos abençoadas de Grant Green. Ele imprime groove ao sentimental tema, não sem, claro, dedilhar tanto com os dedos quanto com o coração. Das melhores versões do famoso tema. “Grant's Dimensions”, logo em seguida, assim como o nome sugere, é um hard-bop animado em que o seu autor perscruta os caminhos que o levariam, não longe dali, ao refinamento modal de “Idle Moments” (1963) e “Matador” (1964).

Outra autorreferenciável, “Green With Envy” repete a fineza do fraseado e do toque, limpo e convidativo. Para quem se criou nos barrelhouses do Meio-Oeste, articular os improvisos rápidos e precisos como o desta faixa é moleza. Aliás, corrigindo: Grant Green faz parecer fácil. Tanto ele quanto seus companheiros, como Tucker, que engendra um solo blueser da mais alta qualidade, e Bailey, que também não desperdiça seu momento de brilho, mostrando habilidade ao dialogar com a guitarra logo em seguida. As alamedas coloridas do mais cintilante verde chegam ao final com outro emblema do cancioneiro jazzístico transformado em um eficiente jazz bluesy. “Alone Together” ganha levadas e combinações típicas do saxofone, só que no timbre das cordas de uma guitarra.

Com lugar garantido no escrete da Blue Note, Green, parafraseando a gíria do futebol, era daquelas que jogavam em várias posições. Ele ainda desbravaria muita coisa antes da sua precoce morte em 1979, aos 44 anos, de ataque cardíaco. A infinita capacidade do músico o sabia fazer aproveitar com a mesma fluidez o jazz modal, o latin-jazz e o jazz-funk. E assim como os grandes craques, sofreu influência, mas também influenciou. Mark Knopfler e Stanley Jordan são dois cujo estilo de dedilhado da guitarra não deixa dúvidas de que o espírito de Green passou por aquelas cordas. Coisa de craque, cujos gramados são não apenas o seu campo, mas sua casa. Verdes, onde ele sempre morou.

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FAIXAS:

1. “Green Street” - 07:20
2. “'Round About Midnight” (Bernie Hanighen/Thelonious Monk/Cootie Williams) - 07:03
3. “Grant's Dimensions” - 07:56
4. “Green With Envy” - 09:46
5. “Alone Together” (Howard Dietz/Arthur Schwartz) - 07:12

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OUÇA O DISCO:




Gomorrha - Trauma 1970

 

Gomorrha foi uma obscura banda de hard rock krautrock do início dos anos 70 da Renânia, Alemanha, que mal foi reconhecida durante sua existência, mesmo em sua terra natal. Desde então, seus discos se tornaram altamente colecionáveis, e seu nome até apareceu na lista de influências do Nurse With Wound. O grupo começou no final dos anos 60, quando o baterista Helmut Pohl e o organista e baixista Eberhard Krietsch começaram a compor músicas juntos. No início de 1969, eles formaram a banda com os guitarristas Ad Ochel e Ali Claudi, e no final do ano gravaram seu primeiro álbum com Connie Plank, que estava apenas começando sua carreira como engenheiro de som e produtor. O álbum homônimo, lançado pela Cornet no ano seguinte, foi uma mistura malsucedida de pop e beat ao estilo dos Beatles cantadas em alemão, da qual a banda rapidamente se distanciou.

No ano seguinte, eles retornaram ao estúdio com Plank e regravaram o material de seu álbum de estreia, desta vez com as letras em inglês e um som mais progressivo. A essa altura, Peter Otten já havia se juntado ao grupo como vocalista principal. Este disco, Trauma, foi lançado em 1971 e, embora fosse muito melhor que o álbum de estreia, boa parte dele ainda era rock bastante convencional, com apenas a faixa-título de 13 minutos dando uma ideia do que estava por vir.

Perto do final de 1971, o Gomorrha contratou o baixista em tempo integral Mike Eulner para que Eberhard não precisasse se desligar do órgão e do baixo. Nessa época, eles chamaram a atenção da Brain Records, que lhes deu total liberdade artística em seu terceiro álbum, "I Turned To See Whose Voice It Was", gravado no início de 1972 em quatro dias, novamente com Conny Plank na mesa de som. Lançado no final daquele ano, o disco levou os melhores elementos do Trauma para reinos muito mais criativos e é considerado uma obra-prima do Gomorrha e um dos pontos altos das gravações de Krautrock.

O Gomorrha durou apenas mais um ano. Os membros não estavam dispostos a se comprometer com a vida incerta da música, então se separaram e voltaram aos seus empregos regulares, e nenhum deles jamais retornou à música. 

MUSICA&SOM ☝



Mint Tattoo - Mint Tattoo 1969

 

O Mint Tattoo nasceu como um desdobramento da lendária banda de proto-punk acid dos anos 60,  Blue Cheer .  Bruce Stevens  e Ralph (Burns) Kellogg tocaram juntos no  Blue Cheer  no álbum homônimo da banda em 1969, mas depois daquele álbum, Stevens deixou a banda para perseguir outros interesses. Kellogg permaneceu no  Blue Cheer  até o fim da banda em 1971, mas durante sua gestão no  Blue Cheer ,  ele se reuniu com Stevens junto com o baterista Gregg Thomas para formar a banda  Mint Tattoo . Produzido por  James William Guercio  (Chicago) e projetado por  Phil Ramone  em Nova York, o Mint Tattoo é uma mistura de músicas originais no estilo blues, um cover de números clássicos de blues e algumas músicas de hard rock bastante sem inspiração, típicas da época. Não é um álbum muito emocionante, comparado ao material inicial  do Blue Cheer  , mas mesmo assim uma peça de época e melhor do que a maioria do material que estava sendo lançado no início dos anos 70. Esta reedição contém uma faixa bônus e reproduziu fielmente os gráficos originais em formato de CD digipack, como apareceu originalmente pela Dot Records em 1969. 





Aretha Franklin - Young, Gifted and Black 1972

 

É quase impossível destacar qualquer um dos  álbuns de Aretha Franklin do início dos anos 70 para a Atlantic como sendo o seu melhor, especialmente considerando a amplitude de sua produção durante esse período. Em termos de álbuns, em vez de singles, é provavelmente o seu período mais forte, e se você contar álbuns ao vivo como "  Amazing Grace" , escolher um disco de destaque ou favorito não é mais fácil. No entanto, dessa era impressionante, "  Young, Gifted and Black"  certamente ocupa um lugar de destaque entre seus trabalhos de estúdio, com muitos argumentando que pode ser o seu melhor. E com músicas como "Rock Steady", esse pode ser um argumento válido. Mas há muito mais aqui do que apenas alguns destaques. Se você realmente quiser analisar música por música, será difícil encontrar algo descartável aqui — este é, honestamente, um álbum que merece ser tocado do começo ao fim. Temos músicas animadas como a já mencionada "Rock Steady", que te fazem levantar da cadeira, dançar e dançar, mas também temos uma série de músicas mais introspectivas que desaceleram o ritmo e são mais propensas a relaxar do que a despertar. E se esse amplo espectro de humores não for motivo suficiente para celebrar este álbum, temos algumas músicas improváveis, como uma versão de "The Long and Winding Road". Além disso, é preciso lembrar que  Franklin  estava no auge, não apenas em termos de voz, mas também em termos de confiança — dá para senti-la exalando seu status de a melhor das melhores. Além disso, seu conjunto de músicos compete com qualquer um com quem ela já tenha trabalhado em álbuns anteriores. Portanto, mesmo que este não seja o melhor  álbum de Aretha Franklin  do início dos anos 70, certamente é um concorrente, o tipo de álbum com o qual você não pode errar.




Dull Knife - Electric Indian 1971

 

Com um som pesado, Dull Knife varia do hard prog a uma boa veia de blues, onde solos de guitarra robustos e um Hammond poderoso dominam grande parte do disco. Vocais em inglês com opulência clara e distorção de vozes, provavelmente causada por um Vocoder, um tipo de sintetizador de voz humana amplamente utilizado nas décadas de 1970 e 1980. As letras são baseadas em discurso gospel, frequentemente marcadas por riffs agressivos e vocais intensos, levando a crer que se trata de um disco gospel, porém, com toda a veia experimental do Krautrock.

Gravado em 1971, o álbum foi produzido por Dieter Dierks, o principal responsável pelo sucesso comercial meteórico do Scorpions nos anos 70. O vocalista e também tecladista Gottfried Janko juntou-se ao Jane para a gravação do álbum Lady em 1975, deixando a banda após seu lançamento.





Gilberto Gil - Refazenda 1975

 

Gravado no mesmo ano de  Gil e Jorge , sua brilhante colaboração com  Jorge Ben ,  Refazenda  mantém o ritmo, mas de uma forma completamente diferente. Em vez do folk brasileiro acústico de  Gil e Jorge ,  Gil  se concentra no pop leve. "Jeca Total", "Ê, Povo, Ê", "Tenho Sede" e a faixa-título são dominadas por flauta, acordeão, instrumentos de sopro e cordas suaves.  Gil  tem uma voz excelente, seja entregando uma música imponente como "Essa é Pra Tocar No Rádio" ou baladas mais intimistas como as duas últimas faixas, "Lamento Sertanejo" e "Meditação". Embora "Pai e Mãe" e algumas outras faixas lembrem levemente o   LP  de Gil e Jorge , Gil  se reafirma aqui como o astro pop que todo o Brasil esperava que ele fosse.














Doug Sahm - Groover's Paradise 1974

 

Qualquer um que ache hippies irritantes pode querer jogar este disco para o outro lado da sala — e essa é uma boa crítica, já que há muito tempo está estabelecido, por meio de intenso estudo científico, que a música que, de alguma forma, motiva as pessoas a jogar discos para o outro lado da sala costuma ser muito boa. Não há exceção a essa regra, já que os fãs de  Doug Sahm  costumam eleger este como seu favorito, além de ser um dos melhores projetos paralelos da  seção rítmica do Creedence Clearwater Revival  . Se  Sahm  estivesse escrevendo a crítica em 1974, sem dúvida teria descrito tudo como uma espécie de "viagem"; afinal, essa expressão é usada três vezes sozinha na contracapa deste álbum, na verdade menos do que se poderia esperar, considerando a natureza chapada dos quadrinhos que o acompanham. Essas ilustrações em preto e branco de Kelly Fitzgerald são uma grande parte do charme duradouro do disco, mas a música em si é mais profunda do que a vibe hippie descolada. Este é simplesmente um ótimo álbum de roots rock e, como grande parte da  obra de Sahm , é repleto de detalhes complexos e da interação afetuosa entre os músicos. Essas faixas demonstram o domínio de muitas formas básicas, como blues, rhythm & blues, norteño, country e cajun, e os músicos parecem sempre ir além em busca de algo novo.   O baterista  do Creedence Clearwater Revival, Doug Clifford,  produziu e tocou, e fez um trabalho excepcional, irrigando o ambiente com uma variedade de sons disponíveis  de Sahm,  como uma espécie de mestre jardineiro. O uso de instrumentos de sopro é excelente, não só proporcionando bastante impacto aos arranjos, mas também efeitos memoráveis, como o assustador solo de sax barítono em "Just Groove Me".   Uma grande parte da extensão sonora é sempre reservada para a  guitarra exuberante de Sahm , incluindo muitos licks de rock, country e blues, enquanto o baixista  Stu Cook  às vezes adiciona guitarra extra, zombando habilmente do som hipnótico patenteado de  John Fogerty  para um efeito que não é muito diferente  de Sahm  participando de um  álbum do Creedence  . É claro que o alcance desse grupo clássico de rock dos anos 60 e 70 parece bastante limitado em comparação com  Sahm., que apresenta uma versão magistral da instrumental tex-mex "La Cacahueta", a única faixa aqui que ele não compôs. As músicas bem elaboradas, porém ousadamente pessoais e sem constrangimentos, incluem baladas assombrosas com influência country, como "Her Dream Man Never Came", além de exemplos realmente excelentes do bom e velho rock & roll, a hilária "For the Sake of Rock 'N' Roll" e a encantadora e apimentada "Devil Heart". O segundo lado do vinil original é um dos conjuntos de músicas mais perfeitos deste artista. A faixa final, "Catch Me in the Morning", é uma das várias neste álbum que se beneficia de um arranjo longo e satisfatório — dificilmente o tipo de sujeira simples que costuma ser jogada da pá na busca pelo roots rock. A banda tende a percorrer essas faixas com confiança, como se já esperasse ter perdido a atenção dos simplórios da multidão. Ao mesmo tempo, há aqueles ouvintes que acharão difícil acreditar que uma canção simples, quanto mais uma obra-prima como essa, pudesse ser criada a partir da mensagem quase inexistente desta canção. "Me ligue de manhã, estou cansado demais para falar agora", é praticamente tudo o que a canção diz, e uma das maravilhas de  Sahm  é conseguir transpor um senso de importância quase operístico para uma parte tão típica da vida cotidiana. Atribuir a ele o crédito instrumental de ser um "sonhador" — gentilmente, vem logo após o crédito por "bajo sexto" — é um dos detalhes, ou "viagens", mais apropriados em "  Paradise", de Groover 



CAPAS DE DISCOS - 1967 Mr. Fantasy - Traffic

 


L.P U.K - Mono - Island Records - ILP-961.


contracapa

Interior capa

Disc lado 1.

Etiquetas lados 1 y 2.




CAPAS DE DISCOS - 1967 The Beat Goes On - Sandy Nelson

 


L.P U.S.A - Imperial Records - LP 12345.


Contracapa

Etiquetas lados 1 y 2



Destaque

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