terça-feira, 17 de junho de 2025

Warlock - Warlock (1972)

 

O rock n’ roll sempre teve personagens envoltos em mistérios, envoltos em camadas densas de mistério e enigmas. Antes de bandas mascaradas que atingiram o sucesso comercial como o Kiss e Alice Cooper e mais recentemente os teatrais do Ghost, muitas bandas, principalmente obscuras e undergrounds, flertaram com ocultar de suas personas, bem antes das bandas mencionadas.

Muitas delas gravaram e lançaram álbuns ocultando suas identidades cultivando entre os aficionados do estilo, uma curiosidade acerca de seus músicos. Outro fato comum nos anos 1960 e 1970 eram bandas concebidas com músicos de estúdio que se envolviam em projetos de curto tiro, sem intenções de dar seguimento as suas histórias.

Mas independentemente da situação o fato é que essas bandas que não creditam seus artistas em álbuns ou os divulgam em shows, por exemplo, sempre alimentou uma cultura de interesse principalmente entre aqueles apreciadores do rock obscuro, do underground onde elas, as bandas, proliferam.

E uma banda que descobri, praticamente por acaso ou nem tanto assim, haja vista que estou sempre a garimpar por raridades empoeiradas pela grande rede, se adequa perfeitamente a essas bandas esquecidas nos escombros da cena underground

Mas o que mais me chamou atenção, o que de fato se tornou natural, foi o aspecto visual, a arte gráfica do álbum que, ao primeiro olhar, sugeria uma ser uma banda de heavy metal ou até hard rock, por se tratar de ter estampado um estonteante e colorido Baphomet, mas quando liguei o “play” foi uma tremenda surpresa, pois ouvi uma miscelânea de sons que em tese não “harmonizou” com a capa, a começar com jazz, prog rock, black music e soul music. Sim!

A banda em questão é o WARLOCK que surgiu nos subúrbios de Detroit, cidade que tinha uma ótima cena rock nos anos 1970. Pois é amigos e queridos leitores são essas loucuras e bizarrices estranhas que surgem nos Estados Unidos que trafegam na obscuridade que faz do rock n’ roll algo singular na sua diversidade.

E para variar pouco se sabe sobre essa banda, sequer se sabe de seu line up, dos músicos que participaram da concepção de seu único álbum, lançado em 1972, chamado simplesmente de “Warlock”. E não se confundam com o Warlock mais famoso do início dos anos 1980 que tinha na sua formação a linda headbanger Doro Pesch. Esse, como disse, trafega na escuridão.

“Warlock” foi lançado por um selo chamado “Music Merchant” que também teve curta duração que também foi criado no mesmo ano do lançamento do álbum do Warlock e, segundo reza a lenda, concebido pela equipe de composição e produção da Motown de Holland-Dozier-Holland. Talvez responda essa vertente da banda meio soul, meio funk.

“Warlock”, produzido por Ronald Dunbar, um cantor de funk e soul e também produtor, apresenta uma sonoridade calcada em experimentalismos, onde nitidamente a banda deixa fluir a sua criatividade, o seu talento, sem amarras com estereótipos sonoros, flertando com o hard rock, flertando com o jazz rock, o rock progressivo, além da música negra, algo de black e soul music, além do funk e momentos de groove bem interessantes. 

Para muitos a banda apresenta, em seu som, muita estranheza, pelo simples fato de não se agarrar aos estereótipos, o que é bom para aqueles que apreciam o rock nas suas mais diversas facetas, mas que pode gerar rejeição para aqueles que curtem um ou outro estilo.

Já que não temos os músicos para apresentar, apresentemos o que eles produziram em estúdio o que verdadeiramente é primoroso, dissequemos a sua música, o que, convenhamos, é o mais importante.

O álbum é inaugurado com a faixa “Music Box: Struggling Man” que já escancara com um vocal potente, rasgado, gritado, com o saxofone em pleno destaque com solos frenéticos e enérgicos e um baixo pulsante com uma pegada bem funky, cheio de groove. Tem um peso nessa faixa também, algo de hard com passagens mais lentas e um vocal mais suave e melódico que surge. Excelente!

"Music Box: Struggling Man"

“So Can Woman” é dançante, o vocal, mais bem elaborado e limpo, traz todo o balanço e a textura central da faixa, com o sax ganhando espaço também, emoldurando a proposta da música. Teclados trazem uma proposta mais progressiva a faixa, que se aventura em caminhos mais experimentais.

"So Can Woman"

“Putting Life Together” começa com um envolvente solo de piano, com uma textura discreta e sombrio de baixo, com uma pegada meio jazzy, com lindos e contemplativos solos de saxofone e riffs de guitarra meio dançantes. O vocal volta a se destacar, melancólico e dramático.

"Putting Life Together"

“You've Been My Rock” é um “ponto fora da curva” do álbum. Escrita por Holland-Dozier-Holland, traz uma vibe meio “disco”, cheia de groove e extremamente dançante trazendo a black e soul music. Confesso ter sido um tanto quanto chocante ouvir essa música depois de uma sequência mais sombria e experimental.

"You've Been My Rock"

“Thrills of Love” entrega peso, um hard rock ao estilo Cream, com riffs forte, potentes e pegajosos, mas com a adição dos instrumentos de sopro, como o saxofone, entregou um pouco de experimentalismo, com destaque também para o vocal gritado e de grande alcance que é definitivamente a cereja do bolo desta belíssima música.

"Thrills of Love"

“Love Girl” volta a destoar do conjunto, mas para melhor. Uma linda e memorável balada ao estilo jazzy que traz o destaque de um vocal lindo, melódico e extremamente dramático, com uma flauta viajante e contemplativa que faz da música extremamente linda!

"Love Girl"

E fecha, de forma fantástica, com “As You Die: Music Box” que definitivamente é a faixa mais progressiva do álbum, não apenas pela sua longa duração, com cerca de 14 minutos, mas primordialmente pelos vários andamentos e mudanças rítmicas e pegadas bem enérgicas de saxofone, solos potentes de guitarra. A música, apesar de longa, não se arrasta em nenhum momento, é o ponto mais alto do álbum, sem sombra de dúvida.

"As You Die: Music Box"

O único rebento do Warlock foi relançado em vinil em 2021 pelo selo Demon Records, prensado em vinil preto de 140g com arte original e capa interna impressa muito bem-acabada.

Se você aprecia Blood, Sweet & Tears, The Doors e Deep Purple e quer aguçar seu apetite musical com um som repleto de alma, com mudanças cheias de humor e tem um gosto suficientemente aventureiro, mergulhe com o único trabalho do Warlock. É raro, obscuro, é uma pérola perdida, mas extremamente rica e recomendado.




A banda: Não creditada

 

Faixas:

1 - Music Box: Struggling Man

2 - So Can Woman

3 - Putting Life Together

4 - You've Been My Rock

5 - Thrills of Love

6 - Love Girl

7 - As You Die: Music Box


Warlock - "Warlock" (1972)



Triode - On n' a Pas Fini D'Avour Tout Vu (1971)

 

 

A cena progressiva da França não goza de muita popularidade, não sendo muito respeitada, ficando, por conta disso, aquém do que realmente representa, em termos de qualidade, para a cena progressiva global.

E não se enganem, caros amigos leitores, a França entrega um punhado de grandes bandas, não apenas do prog rock, mas do rock n’ roll em todas as suas vertentes.

Infelizmente fatores mercadológicos impactam nesse triste cenário, sem sombra de dúvida, haja vista que a França não está no centro da música progressiva como a Inglaterra, Alemanha e até mesmo a Itália. Talvez fatores culturais que se “aplicam” na música, mas acredito, este último, se tratar de meras especulações sem nenhuma sustentação.

E falando em grandes centros da música progressiva, bem como em peculiaridades sonoras que variam de país para país, a banda que escolhi para falar ou melhor escrever traz uma sonoridade bem típica da Inglaterra, por exemplo, celeiro de bandas que executavam, flertavam com o jazz rock, o prog rock entre outros sons pagãos bem interessantes. Falo do TRIODE.

O Triode, como tantas bandas de sua geração e flerte sonoro, teve um precoce fim, um desfecho anormal quando se trata de qualidade de música, gravando apenas um álbum, no longínquo ano de 1971, chamado “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu”.

A banda foi formada na “capital luz”, em Paris, no início de 1970 e teve seu álbum lançado pelo selo “Futura Records” com uma tiragem mínima de cópias. Algo que intriga é que “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” não possui um teclado, o que surpreende em se tratando de um álbum que traz, na sua base sonora, o prog rock e o jazz rock.

Talvez a palavra certa a se usar não seja “intriga”, mas “ousadia”, afinal uma banda de rock progressivo não ter em sua formação um tecladista e ainda assim soar com uma imensa qualidade, é digno de reverências.

E falando em formação, o Triode, quando gravou “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu”, tinha o já exímio Michel Edelin na flauta, Pierre Chereze na guitarra, Pierre Yves Sorin no baixo e Didier Hauck na bateria. Edelin apesar de ser responsável apenas por tocar a flauta, é dono de uma importância grande, afinal a alma da banda passa por seu instrumento.

O Triode imprimiu em seu único trabalho lançado, além da já mencionada veia progressiva com generosas pitadas picantes de jazz rock, traz nuances bem evidentes de psicodelia, lisergia graças ao trabalho extremamente versátil de Edelin e claro, dos demais integrantes.

Ao buscar referências da banda pela “web” observei que muitos analisavam ou melhor, comparavam o Triode ao Jethro Tull, por conta do protagonismo da flauta em seu álbum. Mas ao ouvir “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu é nítido que essa comparação, além de ser um tanto quanto perniciosa, é equivocada, penso. Trata-se de uma comparação carregada de estereótipos, somente pelo fato do Tull trazer também na flauta de Ian Anderson o protagonismo que no Triode também possui. Evidente que, por conta do uso do instrumento, algumas similaridades são percebidas, mas o Triode tem o que o Jethro Tull quase não tem: o jazz rock.

“On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” é enérgico, solar, um álbum vivo, pleno e intenso. É totalmente instrumental o que evidencia tal questão. E convém ressaltar que, além da forma fascinante de tocar flauta de Michel Edelin, que harmoniza perfeitamente com o seu psicodélico, lisérgico da guitarra de Pierre Cherez, além da seção rítmica totalmente descolada e envolvente de Didier Hauck e Pierre-Yves Sorin.

O álbum é acelerado, em boa parte de sua execução, nenhuma faixa é fraca ou, digamos, enfadonha, traz uma musicalidade de extrema qualidade, mostrando músicos em excepcional sinergia e ainda assim permaneceram tão esquecidos, desconhecidos, envoltos em uma obscura bolha, inclusive nos circuitos do prog rock ficaram no mais puro ostracismo, sem contar com a linda arte gráfica que já nos convida a ouvir o seu conteúdo.

E foi exatamente assim que me aproximei do álbum do Triode: em minhas incursões, desbravando o mundo encantado da obscuridade que, confesso não lembrar como, cheguei ao álbum desta banda francesa. A arte gráfica foi mesmerizante e, claro, logo me pus a ouvir e o resultado e de total frenesi que relato neste texto.

Trata-se um álbum versátil ou que se convencionou de “eclectic rock” e confesso que, apesar de ser um tanto quanto reticente com esses “rótulos musicais”, esse realmente se encaixa, se adequa ao estilo de som do Triode: um jazzy prog com interlúdios quentes de flauta, com a guitarra ácida, lisérgica e uma “cozinha” competente e audaciosa, dando a textura ideal para a sua vertente sonora.

"Magic Flower"

“Misomaque” de imediato se percebe que é mais acelerada que a música anterior e quem dita esse ritmo é a bateria, mostrando-se mais dinâmica e enérgica, logo depois vem o baixo pulsante e solos rápidos e diretos de guitarra dando mais peso ao conjunto. Uma sopa sonora intensa e dançante!

"Misomaque"

“Moulos Grimpos” já começa contemplativo, com uma pegada mais psicodélica, graças também ao instrumento percussivo. A flauta entra nos momentos mais leves da música, com guitarras dedilhadas e baixo e bateria, mais uma vez, em extrema e competente harmonização. Solos de guitarra limpas e lindas se ouvem e me remete algo meio bluesy.

"Moulos Grimpos"

Segue com “Blahsha” que é a síntese do jazz rock! Bateria swingada e frenética, em alguns momentos, a flauta “duela” com os riffs de guitarra. O todo logo se mostra único com peso e irreverência. Nota-se ao fundo gritos de êxtase, a música é envolvente e plena, texturas pesadas com solos lisérgicos de guitarra. Sem dúvida uma das melhores músicas deste belo álbum. Baixo pulsante de forma louca, bateria pesada, flauta rasgando. Tudo nessa música é intensa!

"Blahsha"

“Lilie” é uma faixa em que se corrobora a qualidade da flauta, tendo o apoio da seção rítmica, baixo e bateria apoiam firmemente, deixando a música mais dançante. A flauta cede lugar ao solo jazzy de guitarra que, embora simples, é extremamente emocional e igualmente dançante. Mas a flauta logo retoma a sua condição de protagonista.

"Lilie"

“Ibiza Flight” anuncia a excelente introdução de baixo enquanto a bateria segue apoiando e a flauta, excelente, “rivaliza” salutarmente com o pulsante baixo. A sintonia é perfeita! O solo de guitarra entra na festa e ganha as atenções, com peso, solo que me remete a um poderoso hard rock.

"Ibiza Flight"

 “Adeubis” é uma faixa mais curta com o predomínio da flauta, mas logo vem os riffs meio dançantes de guitarra, algo entre jazz rock com groove que, mesmo com simplicidade, traz todo o zelo pela riqueza instrumental.

"Adeubis"

“Come Together”, clássico dos Beatles, ficou bem interessante na versão instrumental, nada muito especial, é bem verdade, mas, para variar, é extremamente interessante ouvir a flauta substituir o vocal e a guitarra distorcida, ao estilo acid rock, conferindo a faixa um pouco mais de peso.

"Come Together"

E fecha com “Chimney Suite” é de longe a faixa mais longa, no auge de seus mais de nove minutos de duração e é basicamente conduzida pela flauta, percussão e baixo, tendo a guitarra, em uma versão mais pesada, se junta rapidamente, vindo rasgada, com solos pesados, fazendo o contraponto com a suavidade da flauta que sempre se mostra viva e presente.

"Chimney Suite"

O Triode se separou um ano após o lançamento de “On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” se separou. O flautista Edelin lançou alguns trabalhos solos, ganhando notoriedade e um deles é o “Michel Edelin Trio/Quartet. Mais tarde Edelin iria se consagrar como uma das lendas da flauta citado, inclusive no “Dicionário do Jazz” (Laffond), como um dos “"The Great Creators of Jazz", autêntico especialista do jazz-flute e um dos quatro na lista do Jazz Hot Prize (ao lado de Dave Valentin, James Moody e Sonny Fortune).

Chereze lançou vários singles e álbuns como artista solo, enquanto Pierre-Yves Sorin tocou como “session man” ao lado de grandes nomes do jazz, se unindo com o exímio baterista Didier Hauck no Jazz Sextet.

“On n'a Pas Fini d'avoir Tout Vu” teve, ao longo do tempo, vários relançamentos com o primeiro pelo famoso selo italiano, a Mellow Records, entre 2000 e 2001, pelo Futura Records, na versão LP, em 2012, sendo que este selo foi o responsável pelo lançamento do álbum em 1971, no mesmo ano outro selo italiano, o Luna Nera Records lançaria o álbum em LP e por fim, até o momento, o selo francês “Souffle Continu Records”, o lançaria em LP.

Um álbum instrumental uniforme, com músicas de excelente qualidade, com a flauta e guitarra fuzzed que se revezam na “liderança” sonora deste obscuro trabalho, com uma seção rítmica que dão o apoio e uma textura pesada e percussiva que faz desse trabalho do Triode, mesmo não sendo uma obra-prima, mas uma pérola do jazz rock. Recomendado!


A banda:

Pierre Chereze na guitarra

Pierre Yves Sorin no baixo

Didier Hauck na bateria

Michel Edelin na flauta

 

Faixas:

1 - Flower

2 - Misomaque

3 - Moulos Grimpos

4 - Blahsha

5 – Lilie                                                                                      

6 - Ibiza Flight

7 - Adeubis

8 - Come Together

9 - Chimney Suite

MUSICA&SOM ☝


Triode - "On n'a Pas Fini d'Avoir Tout Vu" (1971)


BIOGRAFIA DE Jean-Paul Mauric

Jean-Paul Mauric

Jean-Paul Mauric, (Hyères17 de junho de 1933 - Marselha5 de janeiro de 1971) foi um cantor francês.

Ele gravou 19 singles de 45 rpm para a gravadora "Festival", e para La Voix de son Maitre, 1 para Ducretet Thomson, e mais de 200 títulos para "Multi-Techniques".

Foi um dos cantores mais populares entre os anos 1958 e 1965 em França.

Participou no Festival Eurovisão da Canção 1961 que se realizou em Cannes (França). Ali representou a França com a canção "Printemps, avril carillonne", que foi selecionado pelos espetadores da R.T.F.. Terminou a competição em quarto lugar.

Ele foi finalista da "La Rose d'Or" da canção de Antibes em 1965 com uma canção de Raymond Mamoudy e de Armand Gomez : "Écrit comme une symphonie". Esta canção tornou-se uma grande sucesso no Canadá, com a interpretação de Shirley Theroux (Disques Trans Canada).

Ele ficou conhecido pelas suas interpretações de "Jolie môme" de Léo Ferré"Carillon d'Alsace""Les fiancés d'Auvergne""Tendresse" de André Verchuren et Guy Favereau"C'est joli la mer" de Mános Hadjidákis.

Jean-Paul Mauric morreu vítima de uma miocardiopatia com 37 anos, deixando a sua esposa e duas filhas. Foi inumado no cemitério de à 37 Hyères (Var).

A comuna de La Crau, deu o seu nome a um centro cultural.



MONGOL


Mongol nasceu Arlindo Carlos Silva da Paixão no ano de 1957 na atual Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em Laranjeiras. Seus pais e avós (mulheres) materna e paterna nessa época moravam num cortiço na Rua Grajaú n° 36, onde o garoto foi criado. Aos 6 anos de idade, sua avó paterna (Isabel) o levou a tira colo para um serviço de diarista que realizava na casa de um pediatra (Dr.  Jaguaribe). Ao ver a criança, o médico constatou uma puberdade precoce anormal para um menino. O doutor se dispôs a acompanhar o crescimento do garoto, o que imediatamente foi aceito por dona Isabel. Mongol foi acompanhado por uma equipe médica (incluindo psicólogo) durante sua infância. A puberdade precoce causou um crescimento físico e psicológico bem mais rápido do que as outras crianças. Na escola primária onde as crianças se enfileiravam por tamanho antes de entrar em sala, Mongol era o último da fila, por ser o mais alto. Todos acreditavam que aquele menino seria gigante. Até então o apelido Mongol não existia, os amigos só conheciam o Arlindo. Por ser grande e conviver com crianças menores, o aluno evitava o sarro (hoje chamado bullying) nos colegas de turma, pois os maiores tinham medo dele.


Aos 10 anos de idade entra para o time de futebol de salão do Grajaú Tênis Clube. Seu tamanho dava-lhe vantagem sobre os outros meninos. Nessa época havia dois apelidos no futebol para esse tipo de criança: o primeiro era gato (aquele que falsifica a certidão de nascimento para jogar em categorias inferiores), como o atleta não se enquadrava nesse modo, foi lhe dado o segundo apelido, mongol, que se referia ao povo bárbaro muito difundido nos filmes da época (Hércules Contra os Mongóis, Gengis Khan), caracterizado pelo tamanho e força. Mongol também eram chamadas as crianças com a Síndrome de Down e isso não afetava o garoto, pois devido ao seu tamanho fora do comum, como foi dito antes, eram raros os meninos que se atreviam a fazer bullying com o pequeno grande pseudo capoeirista. Sim, tinha esse detalhe, Mongol, que assumiu o apelido, jogava capoeira com os baianos do cortiço, mas a ele só interessava os paços e a música, mais do que os golpes. Os capoeiras eram temidos e os meninos do cortiço também. O capitão do time de futebol de salão nessa época chamava-se Oswaldo Montenegro. Oswaldo e Mongol gostavam de música e logo passaram a frequentar rodadas musicais. As ruas do Grajaú ficaram pequenas para os dois garotos que andavam sempre juntos, onde viveram literalmente grandes aventuras.

Aos 12 anos de idade, o acompanhamento médico (com medicação inclusive) foi suspenso, pois o desenvolvimento havia se estabilizado. O crescimento já não era mais anormal e os hormônios estavam controlados. Os amigos então foram crescendo e a maioria ficou mais alta que Mongol, que ainda assim quis levar o apelido, agora guardando a pureza das crianças com a Síndrome de Down. As composições com Oswaldo Montenegro vieram na adolescência e foram tantas que algumas se perderam na memória, mas volta e meia eles resgatam alguma.

Em 1977, influenciado pelo pioneirismo de Antônio Adolfo, Oswaldo grava seu primeiro disco independente, e lá estavam as parcerias com Mongol. Em 1979 a Warner lança o primeiro disco de Oswaldo Montenegro – Poeta Maldito e lá no final como uma espécie de amuleto estava uma parceria da dupla fechando o LP. Em 1980 Oswaldo defende a canção Agonia de Mongol, no festival MPB 80 da TV Globo. A música sai vencedora fundindo definitivamente a carreira musical desses dois artistas. Isso tendo o fato de que no mesmo ano a canção Aquela Coisa Toda também composta por Mongol entra na trilha sonora da novela Marina da mesma Rede Globo.

A Warner então, convida Mongol para fazer um disco. Recém acostumado com o sucesso, o artista não entendeu a importância de gravar um disco, já que não tinha planos de ser cantor. O trabalho se resumiu a um compacto e não teve sequência. Perguntado sobre que música foi gravada, Mongol diz que lembra vagamente que uma delas falava de signo, já que o assunto era comentado entre os dois compositores, pois Oswaldo pensava em compor inspirado no zodíaco, a outra era a canção Atalho que participou do festival seguinte da TV Globo (MPB Shell). O trabalho na Warner não foi pra frente. Somente em 1985, com a participação no Festival dos Festivais vencido por Tetê Espíndola, Mongol se aventurou como cantor com a composição de sua autoria chamada Meu Bons Amigos. Gravou um disco independente que logo foi distribuído pela Som Livre. Ainda nessa época recebe o registro profissional de ator e passa a atuar em espetáculos musicais de Antônio Adolfo, Oswaldo Montenegro, Atilio Riccó, sem nunca abandonar a parceria musical com seu amigo de infância. Ainda nos anos 80, Mongol passa a escrever seus próprios roteiros, onde faz muito sucesso em casas noturnas cantando e contando histórias de humor. Mongol escreve Herrar é Umano e logo a seguir Tudo Bem Eu Canto Agonia. As histórias e canções que permeavam esses espetáculos emocionavam e divertiam o público.

Na década de 90 Mongol experimenta três acontecimentos marcantes: o nascimento de seus três filhos (Igor, Rana e Ian) com a atriz e produtora cultural Deborah Turturro, com quem vive há mais de 30 anos. A seguir, com os músicos Tom Capone, Mário Moura, Mauro Manzolli e André Rafael, Mongol criou a banda Rotnitxe, que é a palavra extintor ao contrário. Inspirados na audácia de Elimar Santos, lotaram a casa de espetáculo Canecão para mostrar suas músicas. O Rotnitxe, que era uma mistura do rock alternativo de Seattle (grunge) com a MPB, acabou sendo contratado pelo selo MZA Music de Marco Mazzola e distribuído pela Warner Music. O CD contava com as participações de Martinho da Vila, Armando Marçal regendo a bateria da Mangueira.

Ainda na década de 90, Mongol criou a banda Akundum, que misturava reggae com a MPB. O CD vendeu mais de 150 mil cópias pela MZA (distribuído pela Universal), rendendo-lhe um disco de ouro. O hit Emaconhada puxou o sucesso do CD. Na sua sequência o Akundum gravou com a participação da banda Inner Circle na música Qualé. Foram mais de 100 shows pelo Brasil até a entrada do ano 2000.

Mongol passa a estudar roteiro cinematográfico. Participou de vários cursos e oficinas e em 2013 foi premiado no Primeiro Concurso Nacional de Roteiros realizado pelo dramaturgo Aguinaldo Silva. No concurso, onde se inscreveram mais de 400 roteiristas, Mongol fica entre os 5 primeiros com o roteiro audiovisual-musical Cortiço Brasil. 

PAUL McCARTNEY - ELEANOR'S DREAM - 1984

 


“Eleanor's Dream” é uma peça de música clássica composta por Paul McCartney para seu filme de 1984, Give My Regards To Broad Street, e serviu como uma coda de 6 minutos de "Eleanor Rigby". Como Paul McCartney explicou: "No filme, 'Eleanor Rigby' deve durar cerca de nove minutos, embora quando escrevi o roteiro tivesse em mente algo como um segmento de três minutos baseado nas imagens que descrevi: ruas Dickensianas, cabos e carruagens, espadas e altares. Mas quando Peter Webb terminou, tínhamos esses nove minutos de ansiedade transformando-se em pesadelo e, como “Eleanor Rigby” termina depois de três minutos, o editor preencheu o tempo colocando música clássica - fazia parte do Concerto para violino de Brahms. Isso colocou George Martin e eu em uma posição estranha. Tivemos que escrever seis minutos de música clássica porque pensei: se esse personagem Brahms pode fazer isso, o que há de errado em fazermos isso? Fomos forçados a isso pelo diretor, e é algo que normalmente não tentaríamos fazer de outra forma. Mas foi um desafio ao qual não resistimos, estender e criar uma nova música, um pouco como 'Eleanor Rigby'. Embora isso fosse algo bem diferente para mim, por incrível que pareça, quando escrevi 'Eleanor Rigby', vi isso como meu futuro. Eu tinha vinte e três anos ou mais ou menos e estava pensando: O que vou fazer aos trinta? E pensei então em música séria. Achei que seria perfeito - não precisaria mais ser glamoroso. Seria minha solução para o grande problema do que um velho Beatle faz! Então, todos esses anos depois, fui forçado a um canto e tive que pegar aquele velho sonho e me tornar um compositor clássico - bem, por cerca de seis minutos".


THE BEATLES - ELEANOR RIGBY - 1966

 


Em 2008, Paul McCartney doou para um leilão de caridade registros antigos de um hospital em Liverpool. Não se sabe como conseguiu os documentos, mas ali estaria a prova de que Eleanor Rigby realmente existiu, acabando com um mistério de mais de 40 anos sobre a canção homônima dos Beatles. Consta no documento uma assinatura de uma garota de 14 anos chamada "E. Rigby", que trabalhava como faxineira no City Hospital, de ParkhillMcCartney não se pronunciou, porém, se a história da música - na qual Rigby morre e ninguém vai a seu velório - é verdadeira, nem se a conhecia. Esta não é a primeira vez que Eleanor Rigby é encontrada. Em meados dos anos 80, um túmulo de uma mulher que viveu entre 1895 e 1939 foi achado na St Peter's Church, o local onde Lennon e McCartney se conheceram. Na ocasião, Macca chegou a afirmar que a imagem do epitáfio na igreja possa ter ficado subconscientemente na sua cabeça até escrever a canção. Os Beatles começaram a trabalhar em "Eleanor Rigby" ainda na época do álbum “Help!” em 1965.

No início, o nome provisório da canção era “Miss Daisy Hawkins”. Depois, Paul McCartney trocou para “Eleanor Brown”. O mundo só tomaria conhecimento de "Eleanor Rigby" no álbum Revolver de 1966. Ao descobrir em Bristol uma loja de nome Rigby, Paul McCarntney encontrou a chave exótica para a inovadora canção que imaginava. Jurando pensar ter criado um bom nome para uma música, Paul admitiu, anos mais tarde, que descobriu a existência de uma lápide tumular onde constam os nomes de Eleanor Rigby (1895-1939) e à direita, a alguns metros dali, outra de alguém chamado McKenzie (1842-1915). As duas pedras tumulares encontram-se no cemitério de Woolton, em Liverpool, onde o autor da música perambulava na adolescência.

Na entrevista da Playboy em 1980, pouco antes da tragédia, John Lennon afirmou que "o primeiro verso era do Paul, mas que o restante era basicamente meu". Mentira! Pete Shotton, um amigo íntimo de Lennon que estava presente na gravação, disse: "Penso que John tinha uma memória extremamente falha. Tomou os créditos, em uma de suas últimas entrevistas, por muitas das letras, mas na minha memória, em “Eleanor Rigby”, a contribuição de John foi virtualmente nula". A letra de “Eleanor Rigby” foi finalizada em Kenwood por Paul, quando ele e John, George, Ringo e mais o amigo Pete Shotton estavam reunidos em uma sala cheia de instrumentos. Cada um contribuiu com ideias para dar substância à história. Na gravação, assim como em “Yesterday”, do álbum “Help!”, Paul é o único Beatle. Toca no violão e canta. John, George e Ringo não cantam nem tocam. O acompanhamento foi gravado por um quarteto de cordas conduzido por George Martin. O vocal de Paul foi “dobrado” em alguns trechos, de modo que ele fizesse também as segundas vozes. “Eleanor Rigby” é a terceira canção dos Beatles mais regravada em todos esses anos, atrás de “Yesterday” e “Something”. Até Caetano Veloso já tirou uma casquinha.

A HISTÓRIA POR TRÁS DE TODAS AS CANÇÕES - STEVE TURNER
Assim como aconteceu com muitas canções de Paul, a melodia e as primeiras palavras de "Eleanor Rigby" surgiram enquanto ele tocava piano. Ao se perguntar que tipo de pessoa ficaria recolhendo arroz em uma igreja depois de um casamento, ele acabou sendo levado à sua protagonista. Ela originalmente se chamaria Miss Daisy Hawkins, porque o nome encaixava no ritmo da música. Paul começou imaginando Daisy como uma jovem, mas logo percebeu que qualquer uma que limpasse igrejas depois dos casamentos provavelmente seria mais velha. Se ela era mais velha, talvez fosse uma solteirona, e a limpeza da igreja se tornou uma metáfora para suas oportunidades de casamento perdidas. Então ele a baseou em suas lembranças das pessoas mais velhas que conheceu quando era escoteiro em Liverpool. Paul continuou a pensar sobre a música, mas não estava confortável com o nome Miss Daisy Hawkins. Não parecia suficientemente "real". O cantor de folk dos anos 1960 Donovan lembra que Paul tocou para ele uma versão da música em que a protagonista se chamava Ola Na Tungee. "A letra ainda não estava terminada para ele", conta Donovan.

Ele sempre dizia que optou pelo nome Eleanor por causa de Eleanor Bron, atriz principal de Help!. O compositor Lionel Bart, porém, estava convencido de que a escolha tinha sido inspirada por uma lápide que Paul viu no Putney Vale Cemetery, em Londres. "O nome na lápide era Eleanor Bygraves", conta Bart, "e Paul achou que se encaixaria na música. Ele voltou para o meu escritório e começou a tocá-la no clavicórdio." O sobrenome surgiu quando Paul deparou com o nome Rigby em Bristol em janeiro de 1966, durante uma visita a Jane Asher, que estava fazendo o papel de Barbara Cahoun em The Happiest Days Of Your Life, de John Dighton. O Theatre Royal, casa do Bristol Old Vic, fica no número 35 da King Street e, enquanto Paul esperava Jane terminar o trabalho, passou por Rigby & Evens Ltd, Wine & Spirit Shippers, que ficava do outro lado da rua, no número 22. Era o sobrenome de duas sílabas que ele estava procurando para combinar com Eleanor.
A música foi concluída em Kenwood quando John, George, Ringo e o amigo de infância de John, Pete Shotton se reuniram em uma sala cheia de instrumentos. Cada um contribuiu com ideias para dar substância à história. Um sugeriu um velho revirando latas de lixo com quem Eleanor Rigby pudesse ter um romance, mas ficou decidido que complicaria a história. Um padre chamado "Father McCartney" foi criado. Ringo sugeriu que ele poderia estar cerzindo as próprias meias, e Paul gostou da ideia. George trouxe a parte sobre "as pessoas solitárias". Paul achou que deveria mudar o nome do padre porque as pessoas pensariam se tratar de uma referência ao seu pai. Uma olhada na lista telefônica trouxe "Father McKenzie" como alternativa.

Depois, Paul ficou tentando pensar em um final para a história, e Shotton sugeriu que ele unisse duas pessoas solitárias no verso final, quando "Father McKenzie" conduz o funeral de Eleanor Rigby e fica ao lado de seu túmulo. A ideia foi desconsiderada por John, que achava que Shotton não tinha entendido a questão, mas Paul, sem dizer nada na época, usou a cena para terminar a música e reconheceu mais tarde a ajuda recebida. Espantosamente, em algum momento da década de 1980 a lápide de uma Eleanor Rigby foi encontrada no cemitério de St Peter's, Woolton, a menos de um metro de onde John e Paul tinham se conhecido no festival anual de verão, em 1957. Está claro que Paul não tirou sua ideia diretamente dessa lápide, mas é possível que ele a tenha visto na adolescência, e o som agradável do nome tenha ficado em seu inconsciente até vir à tona pelas necessidades da canção. Na época ele afirmou: "Eu estava procurando um nome que parecesse natural. Eleanor Rigby soava natural". Em mais uma coincidência, a empresa Rigby & Evens Ltd, cuja placa havia inspirado Paul em Bristol em 1966, pertencia a um conterrâneo de Liverpool, Frank Rigby, que estabeleceu sua companhia na Dale Street, Liverpool, no século XIX. Como single, "Eleanor Rigby" chegou ao topo da parada de sucessos britânica, mas seu auge nos EUA foi o 11º lugar.


JOHN LENNON - REMEMBER - 1970

 


"Remember" é a 1ª canção do lado B do primeiro álbum solo de John Lennon"Plastic Ono Band" lançado em 11 de dezembro de 1970. A canção foi influenciada pelas primeiras sessões da terapia do grito primal com o Dr. Arthur Janov, e a letra reflete coisas normalmente lembradas durante as sessões com o médico. As memórias são descritas como desagradáveis, conflitos com a autoridade da família e os colegas. Lennon emprega sua sagacidade, mencionando como "o herói nunca foi pendurado, sempre fugiu", e os pais "desejando o estrelato do cinema, sempre desempenhando um papel", em vez de serem honestos e abertos. No final da música, Lennon canta "Lembre-se, lembre-se, do 5 de novembro" e segue-se a explosão de uma bomba. Para os historiadores, seria uma referência à "Noite de Guy Fawkes*", um feriado na Inglaterra comemorado com bombas e fogos de artifício. Pode até ser, mas a bomba que se ouve não é de fogos de artifício não. Em uma entrevista com Jann Wenner, Lennon disse que isso era parte de um longo improviso e que, mais tarde, decidiu que o último verso deveria ser o ápice da canção. Da gravação, participaram John Lennon (vocais, harmonias e piano), Klaus Voorman (baixo) e Ringo Starr (bateria).
 
*A noite de Guy Fawkes refere-se ao episódio em que o soldado católico inglês Guy Fawkes, membro da chamada "conspiração da pólvora", tentou explodir o Parlamento Inglês e matar o rei protestante Jaime I da Inglaterra, na noite do dia 5 de novembro de 1605. Contudo, seu grupo foi descoberto e Fawkes e seus companheiros foram torturados durante quatro dias na Torre de Londres antes de serem executados na forca, seguindo-se o arrastamento dos cadáveres pelas ruas e esquartejamento dos corpos. A data foi instituída na Inglaterra como uma festividade pela sobrevivência do rei que é chamada de Bonfire Night, normalmente com a presença de fogos de artifício e de uma grande fogueira. Entretanto, com o passar do tempo acabou virando uma festa de humilhação de Fawkes, com sua máscara sendo queimada nas fogueiras.

JOHNNY RIVERS - SECRET AGENT MAN

 


"Secret Agent Man" foi composta por P. F. Sloan e Steve Barri por volta de 1963 ou 1964. A gravação mais famosa foi feita por Johnny Rivers para o título de abertura da transmissão americana da série de espionagem britânica “Danger Man”, que foi ao ar nos EUA como “Secret Agent“ de 1964 a 1966. A versão de Rivers alcançou a posição #3 na Billboard Hot 100 e #4 na parada canadense um dos maiores sucessos de sua carreira. Numerosos covers e adaptações foram gravados desde então, com a canção se tornando um padrão do rock e uma das canções de assinatura de Johnny RiversA gravação original de Rivers era meramente o tema do show, com um verso e um refrão. Mais tarde, depois que a música ganhou popularidade, Rivers a gravou ao vivo, com dois novos versos e o refrão repetido mais duas vezes. A versão ao vivo foi gravada em 1966 no Whisky a Go Go.

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