quinta-feira, 26 de junho de 2025
CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG - 4 WAY STREET - 1971
THE MARSHALL TUCKER BAND - SEARCHIN' FOR A RAIMBOW - 1975
THE WHO - LIVE AT LEEDS - 1970
THE ALLMAN BROTHERS BAND - BROTHERS AND SISTRES - 1973
KLUSTER - Klopfzeichen - 1970
Klopfzeichen é o marco inaugural do Kluster, um projeto ousado e profundamente experimental, formado por três mentes brilhantes que ajudaram a moldar os caminhos da música eletrônica. Cada um dos integrantes — Conrad Schnitzler, Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius — trouxe uma bagagem única e essencial para a criação deste disco que ainda hoje soa desafiador, sombrio e fascinante.Conrad Schnitzler participou do primeiro álbum do Tangerine Dream, fundou o Eruption — outra pérola do Krautrock, com apenas um disco lançado — e mais tarde seguiu uma carreira solo prolífica, deixando um legado imenso para a cena eletrônica alemã dos anos 70. Sua abordagem radical e visionária ajudou a expandir os limites do som e da forma.
Hans-Joachim Roedelius, um verdadeiro ídolo pessoal (e infelizmente ainda pouco conhecido do grande público), foi figura chave no surgimento do movimento eletrônico/ambiental na Alemanha. Além de integrar o Kluster, foi um dos fundadores do lendário Zodiak Free Arts Lab, centro nevrálgico da música experimental em Berlim, criado em 1969. Por lá passaram nomes fundamentais como Ash Ra Tempel, Agitation Free, Curly Curve e o próprio Tangerine Dream. Roedelius é também um dos precursores da ambient music, sendo reverenciado até hoje por suas obras solistas e colaborações.
Dieter Moebius, outro gigante silencioso, também desempenhou um papel crucial na ascensão do Krautrock. Ao lado de Roedelius, fundou em 1974 a maravilhosa Harmonia, grupo que contou com a presença iluminada de Michael Rother, ex-Neu! e Kraftwerk. Moebius ainda colaborou com nomes como Conny Plank e Mani Neumeier (Guru Guru) em diversas explorações sonoras no universo da ambient e da música eletrônica experimental.
Assim como sua capa minimalista e misteriosa, Klopfzeichen entrega uma experiência sonora densa, livre de melodias convencionais ou ritmos definidos. A faixa de abertura é particularmente marcante: uma espécie de oração recitada em alemão por uma voz feminina inquietante, quase demoníaca — que mais tarde também aparece no disco do Eruption, ao lado de Schnitzler.
O nome Kluster foi usado até meados de 1971, quando Schnitzler deixou o grupo. A dupla restante — Moebius e Roedelius — passou a assinar como Cluster, agora com a colaboração decisiva de Conny Plank na produção. Essa nova fase rendeu nada menos que oito discos de estúdio, encerrando a trajetória com um último álbum em 2009.
TRACKS:
1. Klopfzeichen, Pt. 1
2. Klopfzeichen, Pt. 2
Conrad Schnitzler participou do primeiro álbum do Tangerine Dream, fundou o Eruption — outra pérola do Krautrock, com apenas um disco lançado — e mais tarde seguiu uma carreira solo prolífica, deixando um legado imenso para a cena eletrônica alemã dos anos 70. Sua abordagem radical e visionária ajudou a expandir os limites do som e da forma.
Hans-Joachim Roedelius, um verdadeiro ídolo pessoal (e infelizmente ainda pouco conhecido do grande público), foi figura chave no surgimento do movimento eletrônico/ambiental na Alemanha. Além de integrar o Kluster, foi um dos fundadores do lendário Zodiak Free Arts Lab, centro nevrálgico da música experimental em Berlim, criado em 1969. Por lá passaram nomes fundamentais como Ash Ra Tempel, Agitation Free, Curly Curve e o próprio Tangerine Dream. Roedelius é também um dos precursores da ambient music, sendo reverenciado até hoje por suas obras solistas e colaborações.
Dieter Moebius, outro gigante silencioso, também desempenhou um papel crucial na ascensão do Krautrock. Ao lado de Roedelius, fundou em 1974 a maravilhosa Harmonia, grupo que contou com a presença iluminada de Michael Rother, ex-Neu! e Kraftwerk. Moebius ainda colaborou com nomes como Conny Plank e Mani Neumeier (Guru Guru) em diversas explorações sonoras no universo da ambient e da música eletrônica experimental.
Assim como sua capa minimalista e misteriosa, Klopfzeichen entrega uma experiência sonora densa, livre de melodias convencionais ou ritmos definidos. A faixa de abertura é particularmente marcante: uma espécie de oração recitada em alemão por uma voz feminina inquietante, quase demoníaca — que mais tarde também aparece no disco do Eruption, ao lado de Schnitzler.
O nome Kluster foi usado até meados de 1971, quando Schnitzler deixou o grupo. A dupla restante — Moebius e Roedelius — passou a assinar como Cluster, agora com a colaboração decisiva de Conny Plank na produção. Essa nova fase rendeu nada menos que oito discos de estúdio, encerrando a trajetória com um último álbum em 2009.
TRACKS:
1. Klopfzeichen, Pt. 1
2. Klopfzeichen, Pt. 2
BLACKWATER PARK - Dirt Box - 1972
Originária de Berlim, esse obscuro registro é um daqueles segredos bem guardados da cena progressiva alemã dos anos 70. Pouco lembrada até mesmo por muitos entusiastas do gênero, a banda se destacava por uma sonoridade mais voltada ao hard rock, com guitarras pesadas, riffs marcantes e passagens quentes de Hammond — tudo isso embalado por um vocalista britânico de timbre forte e presença impressionante.
Seu único registro, Dirt Box, foi gravado em dezembro de 1971 e lançado no ano seguinte pelo selo BASF. O disco é um verdadeiro passeio por atmosferas densas e energéticas, que equilibram técnica, peso e melodias com grande competência.
Destaque especial para a terceira faixa, “Indian Summer”, uma verdadeira explosão de entrosamento e virtuosismo. Nela, fica clara a qualidade dos músicos envolvidos e o quanto a banda tinha a oferecer — se tivesse tido mais chances.
O álbum se encerra com uma surpreendente versão de “For No One”, clássico de Lennon e McCartney lançado no Revolver dos Beatles, em 1966. A releitura é respeitosa, mas ao mesmo tempo ousada, trazendo a identidade do Blackwater Park para uma composição que tende a ser melhor do que a original. Que me perdoem os fãs mais enérgicos do quarteto britânico.
Como tantas boas bandas da época, o BP teve uma trajetória curta, injustamente esquecida, que integra o seleto grupo dos chamados “one shot” — bandas que lançaram apenas um álbum e desapareceram.
Hoje, Dirt Box é item de desejo entre colecionadores, com edições originais sendo negociadas por valores altíssimos. Recentemente, vi um exemplar à venda por €450 em um renomado site especializado.
Felizmente, o sempre salvador selo Second Battle resgatou essa pérola do esquecimento com uma reedição em CD, possibilitando que o álbum finalmente receba o reconhecimento que merece — e continue alcançando novos ouvintes.
Sem dúvida, o Blackwater Park é uma das bandas mais subestimadas da década de 70, e que muito recomendo.
TRACKS:
1. Mental Block
2. Roundabout
3. One's Life
4. Indian Summer
5. Dirty Face
6. Rock Song
7. For Noone
Originária de Berlim, esse obscuro registro é um daqueles segredos bem guardados da cena progressiva alemã dos anos 70. Pouco lembrada até mesmo por muitos entusiastas do gênero, a banda se destacava por uma sonoridade mais voltada ao hard rock, com guitarras pesadas, riffs marcantes e passagens quentes de Hammond — tudo isso embalado por um vocalista britânico de timbre forte e presença impressionante.
Seu único registro, Dirt Box, foi gravado em dezembro de 1971 e lançado no ano seguinte pelo selo BASF. O disco é um verdadeiro passeio por atmosferas densas e energéticas, que equilibram técnica, peso e melodias com grande competência.
Destaque especial para a terceira faixa, “Indian Summer”, uma verdadeira explosão de entrosamento e virtuosismo. Nela, fica clara a qualidade dos músicos envolvidos e o quanto a banda tinha a oferecer — se tivesse tido mais chances.
O álbum se encerra com uma surpreendente versão de “For No One”, clássico de Lennon e McCartney lançado no Revolver dos Beatles, em 1966. A releitura é respeitosa, mas ao mesmo tempo ousada, trazendo a identidade do Blackwater Park para uma composição que tende a ser melhor do que a original. Que me perdoem os fãs mais enérgicos do quarteto britânico.
Como tantas boas bandas da época, o BP teve uma trajetória curta, injustamente esquecida, que integra o seleto grupo dos chamados “one shot” — bandas que lançaram apenas um álbum e desapareceram.
Hoje, Dirt Box é item de desejo entre colecionadores, com edições originais sendo negociadas por valores altíssimos. Recentemente, vi um exemplar à venda por €450 em um renomado site especializado.
Felizmente, o sempre salvador selo Second Battle resgatou essa pérola do esquecimento com uma reedição em CD, possibilitando que o álbum finalmente receba o reconhecimento que merece — e continue alcançando novos ouvintes.
Sem dúvida, o Blackwater Park é uma das bandas mais subestimadas da década de 70, e que muito recomendo.
TRACKS:
1. Mental Block
2. Roundabout
3. One's Life
4. Indian Summer
5. Dirty Face
6. Rock Song
7. For Noone
ÄLGARNAS TRADGARD - Framtiden Är Ett Svävande Skepp, Förankrat I Forntiden - 1972
O nome é estranho e impronunciável, o som também — e é exatamente isso que torna o Älgarnas Trädgård tão fascinante. Esse sexteto sueco lançou apenas um álbum oficial, mas foi o bastante para deixar sua marca na música nórdica com um experimentalismo singular e ousado.
Sua sonoridade pode ser descrita como uma espécie de Krautrock de alma escandinava, combinando elementos eletrônicos e acústicos de forma surpreendente. Sintetizadores analógicos como o Moog e o VCS3 se entrelaçam com guitarras, baixo e bateria, ao lado de instrumentos mais arcaicos e étnicos como cítara, violino, rabeca e a tabla — instrumento de percussão tradicional indiano. O resultado é uma fusão ousada de Krautrock, rock progressivo, música indiana e folk nórdico, criando uma atmosfera densa, mística e absolutamente hipnótica.
A maior parte do álbum é instrumental e bastante complexa, pontuada por vocais esparsos em sueco que acrescentam um charme enigmático ao conjunto. Em alguns momentos, o som flerta com a psicodelia do Pink Floyd do final dos anos 60 — o que levou alguns a apelidarem o grupo de “o Pink Floyd nórdico”. A comparação é compreensível, mas talvez um pouco generosa. O Älgarnas tem identidade própria e mergulha ainda mais fundo na experimentação.
A banda era liderada por um multi-instrumentista de grande talento, que também se destacava nas artes visuais. Ele é o responsável pela bela capa do disco de estreia e também assinou as artes de dois álbuns do lendário músico sueco Bo Hansson, lançados em 1974 e 1975.
Após o lançamento desse disco enigmático, o grupo ainda fez algumas apresentações ao vivo em festivais, mas acabou se dissolvendo algum tempo depois. Ficou inédito, por décadas, um material gravado entre 1973 e 1974, que só viria a ser lançado em 2001 sob o título Delayed. Esse segundo álbum apresenta uma sonoridade diferente, mais crua e voltada para guitarras e baterias pesadas, mas ainda carregada de psicodelia e criatividade.
Recomendo fortemente o disco de estreia do Älgarnas Trädgård a quem busca a verdadeira essência do Krautrock, com suas camadas densas, atmosferas cósmicas e ousadia sonora. Ouça a última faixa do álbum e perceba a clara influência da carreira solo do mestre Klaus Schulze — um encerramento à altura de uma obra tão incomum quanto inesquecível.
TRACKS:
1. Två Timmar Över Två Blå Berg Med En Gök På Vardera Sidan, Om Timmarna, Alltså
2. Det Finns En Tid För Allt, Det Finns En Tid Då Även Tiden Möts
3. Möjligheternas Barn
4. Tristans Klagan
5. Viriditas
6. Saturnus Ringar
7. Framtiden Är Ett Svävande Skepp, Förankrat I Forntiden
8. 5/4 (bônus)
9. The Mirrors of Gabriel (bônus)
MUSICA&SOM ☝
O nome é estranho e impronunciável, o som também — e é exatamente isso que torna o Älgarnas Trädgård tão fascinante. Esse sexteto sueco lançou apenas um álbum oficial, mas foi o bastante para deixar sua marca na música nórdica com um experimentalismo singular e ousado.
Sua sonoridade pode ser descrita como uma espécie de Krautrock de alma escandinava, combinando elementos eletrônicos e acústicos de forma surpreendente. Sintetizadores analógicos como o Moog e o VCS3 se entrelaçam com guitarras, baixo e bateria, ao lado de instrumentos mais arcaicos e étnicos como cítara, violino, rabeca e a tabla — instrumento de percussão tradicional indiano. O resultado é uma fusão ousada de Krautrock, rock progressivo, música indiana e folk nórdico, criando uma atmosfera densa, mística e absolutamente hipnótica.
A maior parte do álbum é instrumental e bastante complexa, pontuada por vocais esparsos em sueco que acrescentam um charme enigmático ao conjunto. Em alguns momentos, o som flerta com a psicodelia do Pink Floyd do final dos anos 60 — o que levou alguns a apelidarem o grupo de “o Pink Floyd nórdico”. A comparação é compreensível, mas talvez um pouco generosa. O Älgarnas tem identidade própria e mergulha ainda mais fundo na experimentação.
A banda era liderada por um multi-instrumentista de grande talento, que também se destacava nas artes visuais. Ele é o responsável pela bela capa do disco de estreia e também assinou as artes de dois álbuns do lendário músico sueco Bo Hansson, lançados em 1974 e 1975.
Após o lançamento desse disco enigmático, o grupo ainda fez algumas apresentações ao vivo em festivais, mas acabou se dissolvendo algum tempo depois. Ficou inédito, por décadas, um material gravado entre 1973 e 1974, que só viria a ser lançado em 2001 sob o título Delayed. Esse segundo álbum apresenta uma sonoridade diferente, mais crua e voltada para guitarras e baterias pesadas, mas ainda carregada de psicodelia e criatividade.
Recomendo fortemente o disco de estreia do Älgarnas Trädgård a quem busca a verdadeira essência do Krautrock, com suas camadas densas, atmosferas cósmicas e ousadia sonora. Ouça a última faixa do álbum e perceba a clara influência da carreira solo do mestre Klaus Schulze — um encerramento à altura de uma obra tão incomum quanto inesquecível.
TRACKS:
1. Två Timmar Över Två Blå Berg Med En Gök På Vardera Sidan, Om Timmarna, Alltså
2. Det Finns En Tid För Allt, Det Finns En Tid Då Även Tiden Möts
3. Möjligheternas Barn
4. Tristans Klagan
5. Viriditas
6. Saturnus Ringar
7. Framtiden Är Ett Svävande Skepp, Förankrat I Forntiden
8. 5/4 (bônus)
9. The Mirrors of Gabriel (bônus)
ERLKOENIG - Erlkoenig - 1973
Com um nome retirado do poema sombrio Der Erlkönig, de Johann Wolfgang von Goethe — ícone máximo da literatura germânica do século XVIII —, o obscuro grupo Erlkoenig surgiu na efervescência musical da Alemanha do início dos anos 70, unindo o lirismo do rock progressivo sinfônico à ousadia hipnótica do krautrock.
Formado por quatro músicos talentosos, embora praticamente anônimos, o Erlkoenig entregou um único e brilhante registro sonoro em 1973, lançado de forma quase clandestina: apenas mil cópias prensadas, distribuídas em festivais pelo país. Uma pérola rara, por muito tempo esquecida — até ser redescoberta e resgatada anos depois pelo selo Garden of Delights, especialista em exumar preciosidades soterradas do underground alemão.
O grande destaque do disco é o tecladista Eckhardt Freynik, que imprime personalidade com seu órgão de timbre profundo, quase sacro, evocando ambientes densos e carregados de misticismo. Sua presença é fundamental para a construção da sonoridade do grupo — entre o sombrio e o sublime —, e conduz boa parte das faixas com autoridade e sensibilidade. A banda como um todo atua em alto nível, entregando composições ricas em detalhes, repletas de climas e variações, como se cada peça contasse uma narrativa instrumental.
Grande parte é instrumental mas quando os vocais do mago baterista Michael Brandes aparecem, o som se torna ainda mais original e um tanto cativante, sem contar que as letras são todas vocalizadas em inglês mas com um forte e peculiar sotaque alemão.
Ao surgirem os vocais — sempre a cargo do baterista Michael Brandes —, a música ganha um caráter ainda mais singular. Seu timbre grave e expressivo, aliado a um forte sotaque alemão ao cantar em inglês, confere uma identidade marcante às faixas. Longe de soar forçado, esse sotaque adiciona autenticidade ao disco, reforçando o caráter artesanal e visceral da obra. Os vocais não são frequentes, mas quando aparecem, eleva o nível do álbum em uma inesperada dimensão.
Como tantos gênios do progressivo alemão, o Erlkoenig teve uma trajetória tão breve quanto brilhante. Seu único álbum foi lançado em 1973, numa edição de apenas mil cópias, vendidas diretamente em festivais pelo país. Sem apoio de gravadora nem distribuição comercial, o disco desapareceu tão como surgiu — tornando-se, por décadas, uma relíquia oculta entre os colecionadores mais assíduos.
O ótimo trabalho do selo Garden of Delights trouxe resgatou os originais e lançou.uma boa remasterização em CD que preserva toda a atmosfera original, além de contar com quatro faixas bônus que enriquecem ainda mais a qualidade desse belo registro.
TRACKS:
1. Erlkoenig Impression
2. Tomorrow
3. Thoughts
4. Castrop-Rauxel
5. Blind Alley
6. Divertimento
Bônus:
7. The Lad in the Fen
8. Love is Truth
9. Run Away
10. Monday Morning
Com um nome retirado do poema sombrio Der Erlkönig, de Johann Wolfgang von Goethe — ícone máximo da literatura germânica do século XVIII —, o obscuro grupo Erlkoenig surgiu na efervescência musical da Alemanha do início dos anos 70, unindo o lirismo do rock progressivo sinfônico à ousadia hipnótica do krautrock.
Formado por quatro músicos talentosos, embora praticamente anônimos, o Erlkoenig entregou um único e brilhante registro sonoro em 1973, lançado de forma quase clandestina: apenas mil cópias prensadas, distribuídas em festivais pelo país. Uma pérola rara, por muito tempo esquecida — até ser redescoberta e resgatada anos depois pelo selo Garden of Delights, especialista em exumar preciosidades soterradas do underground alemão.
O grande destaque do disco é o tecladista Eckhardt Freynik, que imprime personalidade com seu órgão de timbre profundo, quase sacro, evocando ambientes densos e carregados de misticismo. Sua presença é fundamental para a construção da sonoridade do grupo — entre o sombrio e o sublime —, e conduz boa parte das faixas com autoridade e sensibilidade. A banda como um todo atua em alto nível, entregando composições ricas em detalhes, repletas de climas e variações, como se cada peça contasse uma narrativa instrumental.
Grande parte é instrumental mas quando os vocais do mago baterista Michael Brandes aparecem, o som se torna ainda mais original e um tanto cativante, sem contar que as letras são todas vocalizadas em inglês mas com um forte e peculiar sotaque alemão.
Ao surgirem os vocais — sempre a cargo do baterista Michael Brandes —, a música ganha um caráter ainda mais singular. Seu timbre grave e expressivo, aliado a um forte sotaque alemão ao cantar em inglês, confere uma identidade marcante às faixas. Longe de soar forçado, esse sotaque adiciona autenticidade ao disco, reforçando o caráter artesanal e visceral da obra. Os vocais não são frequentes, mas quando aparecem, eleva o nível do álbum em uma inesperada dimensão.
Como tantos gênios do progressivo alemão, o Erlkoenig teve uma trajetória tão breve quanto brilhante. Seu único álbum foi lançado em 1973, numa edição de apenas mil cópias, vendidas diretamente em festivais pelo país. Sem apoio de gravadora nem distribuição comercial, o disco desapareceu tão como surgiu — tornando-se, por décadas, uma relíquia oculta entre os colecionadores mais assíduos.
O ótimo trabalho do selo Garden of Delights trouxe resgatou os originais e lançou.uma boa remasterização em CD que preserva toda a atmosfera original, além de contar com quatro faixas bônus que enriquecem ainda mais a qualidade desse belo registro.
TRACKS:
1. Erlkoenig Impression
2. Tomorrow
3. Thoughts
4. Castrop-Rauxel
5. Blind Alley
6. Divertimento
Bônus:
7. The Lad in the Fen
8. Love is Truth
9. Run Away
10. Monday Morning
APOTEOSI - Apoteosi - 1975
Quinteto italiano de alto nível, liderado por três irmãos e produzido pelo próprio pai. A formação contava com Silvana Idà nos vocais, Federico Idà no baixo e flauta, e o caçula Massimo Idà nos teclados. E aqui vale uma pausa: Massimo tinha apenas 14 anos quando o disco foi lançado — e, sinceramente, dá um baile em muito tecladista consagrado por aí.
O garoto dominava piano, Hammond e Moog com uma naturalidade impressionante. Sua performance é tão segura e virtuosa que seria capaz de deixar figuras como Franco Mussida e Flavio Premoli embasbacados.
O grupo apresenta um progressivo marcadamente sinfônico, conduzido pela delicadeza do vocal de Silvana — um diferencial dentro da cena italiana, majoritariamente comandada por vozes masculinas potentes. Silvana imprime um lirismo suave, provavelmente influenciado pela maior de todas: Annie Haslam.
O baterista Marcello Surace também brilha com passagens criativas e viradas cheias de personalidade. Federico Idà, por sua vez, entrega solos de flauta que enriquecem ainda mais o conjunto, remetendo aos momentos mais inspirados da fase Gabriel no Genesis.
Destaque absoluto para as duas primeiras faixas do álbum, que resumem com perfeição o que havia de mais sofisticado e cativante no progressivo sinfônico italiano da época: elegância instrumental, emoção e uma criatividade ímpar.
TRACKS:
1. Embrion
2. Prima Realta / Frammentaria Rivolta
3. Il Grande Disumana / Oratori (Chorale) / Attesa
4. Dimensione Da Sogno
5. Apoteosi
Quinteto italiano de alto nível, liderado por três irmãos e produzido pelo próprio pai. A formação contava com Silvana Idà nos vocais, Federico Idà no baixo e flauta, e o caçula Massimo Idà nos teclados. E aqui vale uma pausa: Massimo tinha apenas 14 anos quando o disco foi lançado — e, sinceramente, dá um baile em muito tecladista consagrado por aí.
O garoto dominava piano, Hammond e Moog com uma naturalidade impressionante. Sua performance é tão segura e virtuosa que seria capaz de deixar figuras como Franco Mussida e Flavio Premoli embasbacados.
O grupo apresenta um progressivo marcadamente sinfônico, conduzido pela delicadeza do vocal de Silvana — um diferencial dentro da cena italiana, majoritariamente comandada por vozes masculinas potentes. Silvana imprime um lirismo suave, provavelmente influenciado pela maior de todas: Annie Haslam.
O baterista Marcello Surace também brilha com passagens criativas e viradas cheias de personalidade. Federico Idà, por sua vez, entrega solos de flauta que enriquecem ainda mais o conjunto, remetendo aos momentos mais inspirados da fase Gabriel no Genesis.
Destaque absoluto para as duas primeiras faixas do álbum, que resumem com perfeição o que havia de mais sofisticado e cativante no progressivo sinfônico italiano da época: elegância instrumental, emoção e uma criatividade ímpar.
TRACKS:
1. Embrion
2. Prima Realta / Frammentaria Rivolta
3. Il Grande Disumana / Oratori (Chorale) / Attesa
4. Dimensione Da Sogno
5. Apoteosi
Destaque
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