sexta-feira, 27 de junho de 2025

Magia Nera - Montecristo (2020)

 

Há alguns trabalhos que subvertem o tempo. O tempo e as suas modas, fases e conveniências que somos obrigados a seguir para se adequar, para se sentir parte dos grupos sociais. E quando testemunhamos alguns abnegados, os marginais que defendem, a todo custo, a verdade da sua música e quando há um grupo que compra a ideia, faz com que nunca saia da moda, haja vista que modismos traz consigo a imposição e arte, quando bem construída e revolucionária, não tem idade, não sucumbe ao tempo, a sua cronologia, pelo contrário, se renova a cada dia, tornando-se contundente para a vida de quem a consome, de quem se identifica com a sua manifestação.

E o rock n’ roll que, para alguns, está morto, revela-se vivo, pleno e altivo quando vemos que aqueles que subvertem a ordem ainda conseguem trazer verdadeiras personificações do estilo sem soar datado ou piegas, aquele clichê travestido de cópias. Algumas bandas que atravessam o tempo, mesmo com todas as adversidades que se materializam no seu caminho, conseguem se reerguer, se fortalecer, sobreviver, viver por intermédio de sua obra, que impactam decisivamente nas vidas de quem ouve seus álbuns.

O álbum conceitual que parecia ter sucumbido ao tempo e sido enterrado nos áureos tempos do rock progressivo dos anos 1970 é um exemplo de que a sua proposta torna eloquente o viés cultural e que esmurra o status quo de forma impiedosa, nos fazendo refletir, entender e agir diante de cenários tão opressores e pasteurizados que vivemos em dias atuais.

As sombras da arte de tais álbuns conceituais nos trazem a luz necessária para enxergar quem somos, o que nos tornamos e para onde vamos e para quem acha ou associa o rock a apenas festas regadas a drogas e bebidas, não, o rock nos incita a pensar, a romper tabus que ainda insistem em nos deixar de joelhos inoperantes e vulneráveis.

E uma banda que, em minhas viagens garimpais, descobri quase que de forma ocasional, retornara a cena rock com um álbum ousado, magnífico e que se volta para o passado para refletir o presente, projetando um futuro, um futuro menos tóxico e destrutivo da alma e do corpo. Uma banda que superou todas as adversidades de uma indústria fonográfica que deveria enaltecer, mas que marginaliza, que corrompe e é corrompida e décadas depois, como a fênix, ressurge das cinzas e protagoniza a sua qualidade sonora de forma contundente, décadas e décadas depois.

As dificuldades, as agruras, o precoce fim pelos infortúnios do ostracismo fez com que essa banda se tornasse forte, invencível e mesmo que aquém ao glamour que deforma, sobreviveu e vive divinamente por intermédio de sua arte, da forma mais genuína e pura que se pode esperar ao observar a proposta que defende no seu estilo de música que, para muitos que tem dificuldade de entender a sua dimensão, rejeita veementemente.

O hard rock, o dark prog tão solenemente executado pela excelente banda italiana MAGIA NERA retornou com um audacioso trabalho, o seu segundo rebento, o seu segundo filho, concebido de uma forma tão delicada e complexa, mas ao mesmo tempo tão orgânico, imponente e cheio de si. Falo de “Montecristo”, de 2020. O título denuncia que o álbum é baseado na obra icônica do igualmente icônico escritor Alexandre Dumas, o “Conde de Montecristo”.

Magia Nera em 1972

“Conde de Montecristo” é um romance de aventura francês que foi concluído, por Dumas, em colaboração com Auguste Maquet, em 1844. Inicialmente publicado como folhetim, de 1844 a 1846 e foi baseada na vida de Pierre Picaud onde o marinheiro Edmond Dantès é preso injustamente. Na prisão tem amizade com um abade, que lhe indica uma misteriosa fortuna, iniciando assim uma trajetória de vingança.

É considerado, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, uma das mais populares obras de Dumas, e é frequentemente incluída nas listas de livros mais vendidos de todos os tempos. O nome do romance surgiu quando Dumas a caminho da Ilha Monte-Cristo, com o sobrinho de Napoleão, disse que usaria a ilha como cenário de um romance.

Voltando ao Magia Nera e a sua jovem discografia que nasce, resultado de um hiato de quase cinquenta anos, o segundo álbum geralmente traz à tona ou prova a qualidade da banda ou a ausência de tais predicados o que geralmente acontece, mas percebemos visíveis nuances de um crescimento, de uma maturidade sonora.

A banda se afasta declaradamente do hard rock mais incisivo que marcou o seu debut, “L'ultima danza di Ophelia”, lançado em 2017, revelando um álbum com tendências progressivas mais evidentes reforçadas no tema que circunda a proposta deste belo trabalho. “Montecristo” exorciza aqueles temíveis medos das bandas de sucumbir, perecer aos seus primeiros trabalhos, quando lançam seu segundo trabalho. 

Com o Magia Nera não há o que temer, há apenas espaço para dimensionar o seu trabalho, a sua discografia sob um aspecto amplo, versátil, visando apenas e simplesmente a sua criatividade que, definitivamente tem se expandido, comparando os dois álbuns inaugurais da banda.

“Montecristo” é audacioso, mas nem um pouco pretensioso e indulgente. Traz elementos tradicionais do rock progressivo dos anos 1970, com pitadas discretas de hard rock, mas que goza linhas modernas, melodias cativantes e arranjos que embora apresente estruturas simples, mas que quando seus fragmentos se conectam para narrar a história do Conde de Montecristo entrega uma complexidade de sons que extrapolam a qualidade e a irreverência desta banda que, mesmo calcada em períodos longínquos, dita linguagens sonoras arrojadas e contemporâneas.

E falando em longínqua história, cabe aqui tecer um pouco da história de perseverança do Magia Nera que traduz, em tempos atuais, por intermédio de seus trabalhos, a força motriz necessária para a capacidade incrível de resistência e amor à música que praticam.

O Magia Nera (Magia Negra, em italiano), surgiu na província de La Spezia, na região de Ligúria, Foi formada no ano de 1969 e tinha o nome de La Nuova Esperienza, mudando, no mesmo ano o nome para Magia Nera, inspirada em um nicho dentro do rock n’ roll que tinha uma proposta no oculto, no sombrio e em filmes e personagens de terror e, claro, em bandas como Black Sabbath, Coven, Uriah Heep etc.

La Nuova Esperienza

Começou a tocar covers, caminho natural que toda banda costuma seguir e depois começou a compor material próprio. Em 1970 a banda começou a despertar o interesse do público, da cena local, em sua região que, apesar de pequena, trazia a banda à expectativa de seguir com a sua história e gravar um material novo. Participou, com algum sucesso, de alguns festivais de música, como o Free Festival Pop de Bottagna.

Matéria de jornal sobre o Free Festival Pop de Bottagna

A gravadora Magma Records demonstrou um grande interesse em colocar o Magia Nera em estúdio, mas surgiu um infortúnio, a precariedade, a dificuldade de se fazer turnê, as dificuldades da estrada trouxeram um revés a banda, onde a sua van pegou fogo com todas as suas fitas, com todas as suas músicas gravadas para o seu álbum de estreia, tudo virou cinza. A banda ficou muito desanimada porque eles não teriam tempo hábil para regravar as músicas a tempo e entregar a gravadora para lançar o álbum. O Magia Nera, em 1973, decide se separar, dando fim a banda.

Em 2017, 44 anos depois, o Magia Nera, com quase todos os seus membros originais decide se reunir para trazer à tona as suas músicas levadas pelo fogo, graças também ao selo independente Akarma Records, distribuído pela Black Widow Records.

Emilio Farro (vocais), Pino Fontana (bateria), Lionello Accardo (baixo) e Bruno Cencetti (guitarra), além de Andrea Foce (teclados), que substituiu Orazio Colotto lançaram “L'ultima danza di Ophelia”, em 2017.

O "novo" Magia Nera

O som da banda, em “L'ultima danza di Ophelia”, traz aquela camada soturna, sombria, aliado ao peso, uma “cadência” assustadora, ameaçadora, perigosa. Um hard rock clássico, vintage, mas novo, rejuvenescido, embora tenham regravado todo o material como eram nos anos 1970.

"L'Ultima Danza di Ophelia" (2017)

Avançando no tempo e retornando ao seu segundo álbum, “Montecristo”, é inacreditavelmente audacioso, ambicioso. E embora seja uma missão quase que impossível, pelo menos para mim, de comentar com maestria e competência técnica, obras clássicas literárias que são transpostas para a música, nota-se com as variâncias rítmicas que o seu principal compositor, o guitarrista Bruno Cencetti, queria e conseguiu traduzir com a ajuda do rock progressivo, os momentos mais importantes do romance de Dumas, da forma como ele, Bruno Cencetti, desejava. 

Bruno Cencetti

Cada peça, cada fragmento, cada momento da história de Dumas, foi retratado, traduzido com um aura diferente e que harmonizou fantasticamente com cada momento, em uma simbiose excepcional entre som e a projeção de uma imagem daqueles ouvintes que leram ou viram as adaptações desta obra para o cinema, para aqueles que tem minimamente a capacidade de imaginar, de deixar, de permitir a imaginação fluir.

Mas não se enganem que toda essa engrenagem, essa força motriz que conduz a obra literária em um formato musical pareça indulgente ou arrogante. Mesmo que complexo, versátil, poderoso, é orgânico, simples e que vai direto ao assunto. Embora orgânico tem a incrível capacidade de destacar sensações, emoções que nos transporta para a França no século XIX.

”Montecristo”, por Magia Nera, não foi concebido de uma forma engessada, em uma dinâmica perfeitamente igual à do clássico literário, até por se tratar de um álbum de rock, de uma manifestação musical, Cencetti, o homem por trás da composição, do conceito sonoro, foi hábil, diria astuto e competente na adaptação e incrivelmente bem dividida, em formato de narrativa, em cada faixa, em cada música, nos transportando, à sua moda, com um formato arrojado e extremamente contemporâneo.

A primeira parte, a parte inaugural do romance, a que “constrói” a figura do Conde de Montecristo tem a prioridade do Magia Nera neste álbum-conceito, a parte mais obscura, dolorosa, mas poderosa que os outros fragmentos da história que, em até alguns momentos chega a ser solar e divertido, mostrando, claro, a arquitetura da vingança, mas também o glamour de Edmond Dantes e os frutos da riqueza que herdara.

E analisando a obra sob o aspecto sonoro, instrumental, “Montecristo” é sólido, vivaz, moderno, mesmo trazendo um álbum conceito pouco em voga em períodos onde a música se tornou pasteurizada e rasa, além de extremamente marcante e cativante.

Trata-se basicamente de um álbum de hard progressivo clássico, mas com nuances bem delineadas de frescor, de contemporaneidade, com muita técnica, habilidade e virtude de seus instrumentistas com o vocal especial, dando contorno a toda essa atmosfera. Mas não deixa de soar orgânico, afinal, são uma banda, quatro homens produzindo música!

E falando neles, a formação que concebeu “Montecristo” tinha: Emilio Farro nos vocais, Pino Fontana na bateria, Fabio D'Andrea no baixo, hammond e guitarra e Bruno Cencetti na guitarra e composição das letras das músicas. E voltando na estrutura sonora de “Montecristo”, ele traz quatro capítulos, com três partes cada, mostrando um trabalho sólido e conectado, sendo forte e intenso nas situações mais necessárias da história e na sua narrativa e não muito solene em outras situações em outras, mas vamos às faixas dissecadas!

O “primeiro capítulo” é composto por três faixas: “Il Tradimento”, “Mercedes” e “Il Primo Giorno di Prigionia”. “Il Tradimento” fala basicamente do cerne da história, do coração de todos os eventos subsequentes, da traição que Dantes sofre de seu amigo Danglars, que desejava o posto de capitão do navio que Dantès recebera por mérito, do Juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napoleão, que, mesmo atestando sua inocência, quis silenciá-lo e de Fernand Mondego, catalão interessado em Mercédès, noiva de Dantès, que o invejava por ser o alvo de seu amor, tornando-se, quando Edmond foi preso, o futuro marido da catalã. A música começa decididamente tensa, em uma atmosfera sombria, “dark”, com uma fala, uma narrativa de Emilio Farro com um timbre muito ameaçador, denso, grave e que logo evolui para riffs poderosos de guitarra, tudo envolto em um ritmo envolvente que parece sintetizar a raiva de Dantès ao ser traído e preso injustamente. Um exemplo de hard prog contundente.

"Il Tradimento"

“Mercedes” é dedicado à mulher que Edmond Dantès amava e que voltara a se casar da última viagem no navio da companhia comercial para o leste em que ele estava embarcado, mas no caminho de volta o comandante adoeceu subitamente ao extremo. Antes de sua morte, no entanto, ele havia confiado o comando da embarcação a esse jovem por quem tinha grande estima e confiança e ao mesmo tempo lhe havia confiado uma tarefa arriscada, a extensão e o impacto subsequente em sua vida, Edmond certamente não podia imaginar, mas qual foi o pretexto para que seus inimigos o incriminassem. A faixa traz uma guitarra meio latina, raízes espanholas, afinal Mercèdés era catalã, com instrumentos de percussão, um bongô, em uma sonoridade sonhadora e contemplativa.

"Mercedes"

“Il Primo Giorno di Prigionia” ou “O Primeiro dia do Cativeiro” expressa o ódio pela injusta prisão de Edmond Dantès, onde por um lado representa a expressão do sentimento malévolo dirigido contra Edmond por seus inimigos e, por outro, alimenta esse mesmo veneno que está se desenvolvendo dentro dele, em vez de uma reação legítima à dor mais moral do que física que ele está sofrendo, tendo perdido não só o benefício da liberdade, dentro da prisão de segurança máxima da ilha de If, na costa de Marselha, mas também a possibilidade nada óbvia de contemplar a beleza das estrelas à noite, fora daquelas estreitas paredes da prisão, além de seu grande amor distante. E para sintetizar isso musicalmente, vem a guitarra pesada, com seus riffs baseados em um poderoso heavy rock de Cencetti, com o vocal igualmente poderoso de Farro, cantado alto e grave, quase que corroborando com o peso da guitarra, juntamente com o Hammond de D’Andrea, tocado freneticamente, sustentado por um som envolvente.

"Il Primo Giorno di Prigionia"

O “segundo capítulo” inicia com a faixa “Ricordi” ou “Memórias” que traz um transborde de emoções que Dantès sofre na prisão, o ódio fomentado pela vingança, a sua privação de liberdade, embora traga alguma boa recordação, porque representa o seu último contato com o mundo exterior que logo rivaliza com a sua atual realidade de prisão, injustiça e dor. A guitarra limpa de viajante de Cencetti retrata esses momentos e lembranças de Dantès que logo irrompe em peso com a “cozinha” em plena sinergia, baixo pulsante e bateria marcada, para personificar o sentimento de vingança e raiva de Edmond.

"Ricordi"

“Tempo” denuncia o momento emocional de Dantès resgatando, até com certa ternura, os seus bons momentos com a sua amada e o seu trabalho à borda de seu navio, comandando toda a sua dinâmica pelo mar, mas também é carregado por um tom de melancolia, sobretudo quando lembra que ainda está preso e o tempo parece não passar. E o acordeão que introduz a música traz esse momento de melancolia e lembrança, alimenta a imaginação da condição do nosso herói, e quando sugere algum peso na sonoridade, ela se desenvolve de forma simples, mas nem um pouco banal, soando bela, contemplativa, mas ainda assim soa também um tanto quanto “dark”, definitivamente melancólica.

"Tempo"

Mas o rock n’ roll mais pesado e intenso volta com “Voci Nella Mente” ou “Vozes na mente” que, com uma sonoridade pesada e agressiva, sintetiza a loucura e irracionalidade em que Dantès vem sofrendo na prisão. O vocal incrivelmente entrega essa condição mental do protagonista, quase paranoica e doentia, diria. A segunda parte da faixa traz a evidência do hammond e violão, alternando entre o peso pulsante.

"Voci Nella Mente"

O “Terceiro Capítulo” (“La Fuga”) chega com “La Galleria” com uma sinergia incrível entre o hammond e a guitarra com riffs fortes, bem trabalhados e altivos. Mas quando o vocal de Cencetti entra traz mais peso, mais força e de uma textura mais arrojada e até delicada nos instrumentos irrompe em um hard rock poderoso e até, por vezes, agressivo.

"La Galleria"

“Requiem Per L’abate Faria” personifica a amizade mais forte e desenvolvida entre Dantes e o abade devido aos longos anos de clausura e dessa amizade forte será fonte da fuga de Dantès e também “sofrerá” uma forte carga cultural que o elevaria do ponto de vista moral e intelectual. A introdução traz um riff de guitarra sombrio, soturno, mas contemplativo.

"Requiem Per L'Abate Faria"

“Il Salto Nel Sacco” conta a ousada e arriscada fuga de Edmond Dantès da prisão. Começa com uma guitarra cativante e baixo encorpado, pulsante e, em um hard rock cadenciado e de tendências pop, a música segue em sua levada dançante e narra, em música, a fuga para um horizonte vazio de mar que o conduz para a liberdade.

"Il Salto Nel Sacco"

O quarto e último capítulo inicia com a faixa título, “Montecristo”, trazendo uma clara ambientação clássica, com um viés evidente do flerte do rock com o progressivo. Mas de um abre alas clássico e austero, irrompe em uma poderosa guitarra anunciando um hard rock potente e visceral e a partir daí é revelado uma música “coletiva” com uma intensa e competente participação de todos os integrantes da banda. O momento que Dantès “Encorpora” Montecristo e, diante de si, ergue-se a “Ilha de Montecristo”, a sua mãe segura e generosa.

"Montecristo"

“Il Duello” traz o momento em que Dantes, o Conde de Montecristo, começa a arquitetar o seu desejo de vingança e a libertação de um pesadelo que durou 15 longos anos. A música é introduzida com um belo, cativante e hábil riff de guitarra, com um baixo pulsante e percussivo, com um hammond que dá uma textura interessante a toda a música.

"Il Duello"

E encerra, finalmente, o álbum com “La Fine” que entrega uma sonoridade totalmente reconfortante, branda e tranquila com o dedilhar de um violão que logo se encontra com um lindo e limpo solo de guitarra. O que certamente denota o fim de uma “guerra”, a vingança de Dantès está completa, mas, como toda guerra, deixa sequelas, algum estrago, algumas feridas que, às vezes, é difícil de cicatrizar. Mas encontra a paz ao lado de sua amada, Mercedes, que por um momento achava que não conseguiria mais amar.

"La Fine"

“Montecristo” não é apenas mais um álbum conceitual, mas o grande álbum conceitual que, em tempos de músicas descartáveis e pobres, aquelas pasteurizadas, mostra que ainda há esperança de proporcionar, além do prazer, mas também cultura resgatando um clássico da literatura mundial.

É inacreditável a convergência narrativa do clássico de Dumas com a música que o Magia Nera construiu e por mais que tenha trazido construções óbvias com base no livro e na sonoridade o fez com estilo, com personalidade, aliando o classic rock, o hard rock e o prog rock, na dosagem certa, sem sobrepor os estilos, mostrando versatilidade e teatralidade.

“Montecristo” é um álbum que foi costurado, manufaturado, com requintes de detalhes, em um artesanato sonoro que há muito tempo não se via, não se ouvia no rock n’ roll na gama de seus clássicos conceituais. “Montecristo” sem dúvida pode ser considerado como um “novo clássico”.



A banda:

Bruno Cencetti na guitarra elétrica

Fabio D'Andrea no baixo e teclados

Emílio Farro no vocal

Pino Fontana na bateria

 

Faixas:          

1 - Il Tradimento

2 - Mercedes

3 - Il Primo Giorno di Prigionia

4 - Ricordi

5 - Tempo

6 - Voci nella mente

7 - La Galleria

8 - Requiem per l'abate Faria

9 - Il Salto Nel Sacco

10 - Montecristo

11 - Il Duello

12 - La Fine




"Monte Cristo" (2020)


Lightshine - Feeling (1976)

 

O que eu verdadeiramente aprecio no krautrock é a beleza de suas múltiplas sonoridades. Nem tudo é minimalista somente, mas complexo, poderoso, agressivo, contemplativo. Aos que se prendem em estereótipos achando que o kraut germânico traz apenas uma vertente, enganam-se.

A cada audição, a cada descoberta, a cada garimpagem, tenho a nítida impressão de que ela não tem fim, transborda desrespeitando qualquer questão ligada a cronologia, porque as descobertas ultrapassam barreiras do tempo, porque até hoje, conhecemos novas coisas velhas.

E eu, em mais uma dessas buscas incessantes por algo novo, nessas garimpagens pela poeira do esquecido, tenha feito descobertas no status de pérolas, pepitas cada vez mais valiosas que pereceram, que fracassaram e foram esquecidas no canto do tempo.

E em um acaso premeditado descobri uma banda espetacular, de sonoridade extremamente diversa, múltipla, que traz sim vertentes kraut, mas com uma complexidade incrível, que envolve lisergia, peso, mudanças de “humor”, com pitadas progressivas, devido, claro, a essas mudanças rítmicas, com solos de guitarra e baixo enérgicos, mas com vocais assombrosos, de atmosfera densa.

A impressão que tenho dessa banda é que tudo soa polido, no seu lugar, mas que traz uma verdade, a verdade de uma banda que não se prendia a rótulos, não se encaixava em nenhum “estilo” pré-determinado e que estava “descolado” do seu tempo.

É definitivamente uma sonoridade difícil de definir, que não se prende a rótulos, denotando que o rock alemão é diverso, cheio, repleto de belezas sonoras, que vai da complexidade ao minimalismo, do simples e orgânico a intensidade contemplativa de seus instrumentos. Falo da banda LIGHTSHINE.

Lightshine

A banda foi formada por quatro jovens estudantes no ano de 1974, na cidade de Emmerich, no baixo Reno, na Alemanha. Jovens aspirantes a músicos que só tinha o interesse de se tornarem músicos grandiosos e de viver da sua arte, de sua música. 

E por ser uma banda descolada do seu tempo, o Lightshine sofreu para encontrar alguma gravadora que “comprasse” a sua ideia. Algumas negociações com a Sky e a Vertigo não deram em nada, eles não se encaixavam com os “novos” sons progressivos mais “suaves” e diretos da segunda metade dos anos 1970.

Então, diante das adversidades sofridas, decidiram gravar seu primeiro álbum praticamente por conta própria, com o apoio de um pequeno selo chamado “Trefiton”. E assim nasceu seu primeiro e único trabalho chamado “Feeling”, em 1976.

O Lightshine era formado por Joe na guitarra e vocal, Ulli também na guitarra, flauta e vocal, Olli no sintetizador e teclados, Wolfgang no baixo e Egon na bateria. Sim, não há sobrenomes, os caras se apresentaram à época apenas pelos seus primeiros nomes. O lançamento, em long play, de “Feeling”, trazia uma pequena quantidade de cópias, cerca de 500, outras fontes informam que foram 1.000 cópias. Independentemente do número, trata-se de uma tiragem bem limitada.

O álbum é inaugurado com "Sword In The Sky" apresentando uma mescla, como já era de se esperar em se tratar de uma banda que não se ligava à estereótipos, de hard rock, progressivo e emocionantes levadas de flauta. Começa com alguns solos de guitarra e assim fica por três minutos. Os vocais entram seguidos da flauta e piano, conforme o clima muda. Tem um clímax excelente e vibrante!

"Sword in the Sky"

“Lory” tem uma guitarra poderosa e agressiva, apresenta um riff que lembra “In The Hall of Mountain King”, do compositor norueguês Edvard Grieg, que mistura algo de clássico e um volumoso hard rock, além de um baixo proeminente, com bateria marcada e vocal extremamente teatral.

"Lory"

Já em “Nightmare” o clima muda para o psicodélico com sintetizadores oscilantes, um arpejo de guitarra de construção lenta e um vocal denso e de atmosfera soturna. O space rock, mais lento, aumenta aos poucos em intensidade conforme a segunda faixa mais longa do álbum, com dez minutos e meio, desliza para frente e para trás entre vocais falados e licks de guitarra ao estilo Pink Floyd. A faixa alterna com uma edificação ardente de rock com teclados matadores!

"Nightmare"

A faixa mais longa, "King and Queen", com quase quatorze minutos, começa com um teclado doido, meio incomum que, uma vez “resolvida”, se transforma em uma vibe de rock espacial com um groove de baixo melódico pronunciado e mais passagens de guitarra floydianas que lembram algumas das varreduras de guitarra mais modernas em neoprog, algo bem de vanguarda. Muito emotivo e instantaneamente viciante, é por isso que algumas das faixas deste álbum foram tocadas em estações de rádio locais. Esta é provavelmente também a faixa mais folclórica do álbum, mas termina em um blues rock e um frenesi flamenco com vocais de estilo folk selvagem.

"King and Queen"

E o álbum fecha com a faixa título, “Felling”, que se aventura em um território onírico, com guitarras dissonantes, fora da ordem, com estranhos elementos que me remete ao krautrock nos seus primórdios. E por conta disso traz uma faixa extremamente psicodélica, bem lisérgica mesmo, ao estilo “Yeti” do Amon Duul II, com bateria tribal e viagem flutuante cheio de improvisações, sem aquelas guitarras mais vibrantes percebia em faixas anteriores. Os tons de guitarra são limpos enquanto os sons de teclado fervilham. Os vocais entregam algo de folk rock britânico.

"Feeling"

Após o lançamento de “Feeling” o Lightshine fez cerca de 200 shows, excursionando por toda a Alemanha em turnês com Jane, Scorpions e Colosseum II. A grande chance de seguir com a sua carreira e a produzir novos trabalhos caiu por terra devido a desentendimentos internos se separando um ano após o lançamento de seu grande álbum, em 1977.

“Feeling” é interessante e complexo, principalmente em meados dos anos 1970 em que o progressivo, sob o aspecto comercial, estava em declínio. É um álbum psicodélico, lírico e intenso, tendo muitas vezes uma aura cósmica. O álbum teve várias reedições e relançamentos, quase todos sempre feitos pelo emblemático selo “Garden of Delights”.

 



A banda:

Joe na guitarra, vocal

Ulli na guitarra, flauta, vocal

Olli no sintetizador e teclados

Wolfgang no baixo

Egon na bateria

 

Faixas:

1 - Sword in the Sky

2 - Lory

3 - Nightmare

4 - King and Queen

5 - Feeling 



Lightshine - "Feeling" (1976)


JAIRO MOZART

 


Cantor, compositor e instrumentista, Jairo Mozart iniciou sua carreira artística na década de 1970. Participou do LP "A música da Paraíba hoje", que reuniu artistas independentes desse estado. Seguiram-se seus LPs solo "Muito prazer" e "Vôo mestiço". Em 1994, lançou o CD "Jairo Mozart", uma compilação de faixas de seus dois primeiros LPs, "Muito prazer" e "Vôo mestiço", além das inéditas "Trilha", "Mantra da madrugada", "Um lugar", com Clarice e "Ana Clara". No ano seguinte, participou do Festival de Música Caribenha, realizado em Cuba.

GEORGE HARRISON - DEEP BLUE - 1971

 


"Deep Blue" de George Harrison, foi lançada como lado B do single "Bangla Desh" em 30 de julho de 1971Harrison escreveu a canção em 1970, em meio das sessões de All Things Must Pass, e gravou em Los Angeles no ano seguinte quando organizou o Concerto para Bangladesh. A composição foi inspirada pela condição de deterioração de sua mãe, Louise, que sucumbiu ao câncer em julho de 1970, e por sentimentos de impotência de Harrison quando ele a visitou no hospital no norte da InglaterraO mais novo de seus quatro filhos, George frequentemente creditava à sua mãe o incentivo à sua carreira musical desde tenra idade e um senso de individualidade em geral. Embora católicaela incutiu em todos os seus filhos a importância da espiritualidade sobre a religião, uma característica que influenciou a adoção do hinduísmo por Harrison a partir de 1966. Louise também respondia às cartas das fãs para seu filho.

"Deep Blue" ficou muito popular nos Estados Unidos e o single "Bangla Desh" chegou ao número 23 na Billboard Hot 100. Bem vista pelos críticos de música e comentaristas, "Deep Blue" não esteve disponível oficialmente por 35 anos após o lançamento do single, quando ganhou a reputação de um lado B esquecido. O relançamento veio em setembro de 2006, quando foi incluída como faixa bônus na reedição do álbum Living in the Material World.

PAUL McCARTNEY - BABY FACE - 1974



“Baby Face” é uma canção popular de jazz do Tin Pan Alley. A música foi escrita por Harry Akst, com letras de Benny Davis, e a canção foi publicada em 1926. A primeira gravação foi de Jan Garber e sua orquestra, com o letrista Benny Davis cantando apenas o refrão. O disco foi um hit número um em 1926. A primeira versão completa da música cantada em disco foi lançada mais tarde naquele mesmo ano por Whispering Jack Smith, com apoio de piano de Arthur Johnston.

Paul McCartney gravou uma cover de “Baby Face” como um solo de piano e performance vocal durante as filmagens do documentário de 1974 “One Hand Clapping”. Em fevereiro de 1975, enquanto o Wings estava em New Orleans para gravar seu novo álbum, “Venus And Mars”Paul teve a ideia de gravar uma faixa de apoio para “Baby Face” usando uma banda de metais local chamada Young Tuxedo Jazz BandA versão “One Hand Clapping” de “Baby Face” foi incluída no DVD de “Band On The Run – Archive Collection” de 2010, no “Venus And Mars – Archive Collection” de 2014, bem como no álbum “One Hand Clapping” lançado em 2024. A partir de 2002, Paul McCartney tocou raras e breves interpretações ao vivo de “Baby Face”, sempre como uma introdução bem-humorada
.


PAUL SIMON - KODACHROME - 1973

 


“There Goes Rhymin' Simon” foi o terceiro álbum de estúdio solo de Paul Simon, lançado em 5 de maio de 1973. Contém músicas abrangendo vários estilos e gêneros e recebeu duas indicações no Grammy Awards de 1974, incluindo o de Melhor Performance Pop Vocal Masculino e Álbum do Ano. O carro-chefe do álbum é a fantástica e radiante "Kodachrome", canção escrita e gravada por Paul Simon, também lançada como single com “Tenderness” como lado B. A música tem o nome do formato de filme Kodak 35mm Kodachrome. Depois de uma resenha na Billboard elogiando as letras "alegremente antissociais" de Simon"Kodachrome" estreou em # 82 no Hot 100 no fim de semana de 19 de maio de 1973.


Quatro semanas depois de sua estreia no Hot 100"Kodachrome" pulou para o número 9, atrás de “Give Me Love (Give Me Peace On Earth)" de George Harrison. Duas semanas depois, "Kodachrome" alcançou a 2ª posição na Billboard Hot 100, atrás de “Will It Go Round in Circles” de Billy Preston. "Kodachrome" também alcançou o 2 ° lugar no Adult Contemporary Chart da Billboard.


A letra remete a recordações dos tempos de escola quando tudo era mais feliz e colorido. Kodachrome é uma música sobre lembranças e como elas não combinam com a realidade. As lembranças são representadas por fotografias, que são apenas trechos do que realmente aconteceu, sem contexto, devido ao tempo, falta de informação ou auto-ilusão. Sua mente é a câmera que colore suas lembranças. Como "Kodachrome" era uma marca de propriedade da Kodak, Simon foi obrigado a citar isso no álbum e também incluir uma marca registrada (®) após o título da música. A Kodak mais tarde usaria a música em comerciais de televisão promovendo o filme. Em uma entrevista realizada em novembro de 2008, Paul Simon disse que o que ele tinha em mente ao escrever a música era chamá-la de "Going Home". No entanto, isto teria sido "muito lugar comum", e ele apareceu com "Kodachrome", por causa de seu som semelhante e maior potencial inovador. Aqui a gente confere a música com Paul Simon e com Simon & Garfunkel no inesquecível Concert In Central Park, onde a dupla ainda emendou com "Mabellene". Sensacional!


THE TURTLES - HAPPY TOGETHER - 1967

 


"Happy Together" foi composta por Garry Bonner e Alan Gordon e gravada pela banda americana THE TURTLES. Foi lançada como single, em janeiro de 1967, e alcançou a posição número 1 na Billboard Hot 100 dos EUA, tornando-se o primeiro e único número 1 da banda. "Happy Together" também alcançou o top 20 em diversos países, incluindo o número 2 no Canadá e o número 12 no Reino Unido. Posteriormente, foi incluída em seu terceiro álbum de estúdio, Happy Together, também em 1967. Bonner e Gordon compuseram a música enquanto ainda eram membros de uma banda chamada The Magicians. A letra, apesar do som alegre, expressa um amor não correspondido e imaginário. Eles gravaram uma demo que consistia em um arranjo simples de violão e palmas. Essa demo foi oferecida e rejeitada por uma dezena de artistas, devido ao seu som primitivo. Os Turtles, que vinham de problemas comerciais e pessoais, encontraram a demo e, pensando na música como um sucesso em potencial, inicialmente a ensaiaram em apresentações ao vivo. Eles gravaram sua versão no estúdio Sunset Sound, com o recém-chegado baixista Chip Douglas arranjando as trompas e os backing vocals. Após o lançamento bem-sucedido de "Happy Together", a banda foi chamada para se apresentar em vários programas de TV como The Ed Sullivan Show e The Smothers Brothers Show"Happy Together" está incluída na lista das canções mais tocadas nos Estados Unidos do século XX.

BIOGRAFIA DE Marie Laforêt

 

Marie Laforêt

Maïtena Marie Brigitte Doumenach conhecida como Marie Laforêt (Soulac-sur-MerGironda5 de outubro de 1939 - Genolier, Distrito de Nyon2 de novembro de 2019) foi uma cantora de chansons e atriz francesa com raízes occitanas-catalanas.

Seu primeiro single, "Les vendanges de l'amour", foi lançado em 1963.[1] Sua estreia no cinema aconteceu em 1960, no filme Plein soleil (1960, com Alain Delon).[2]

Laforêt faleceu em 2 de novembro de 2019, aos 80 anos de idade, em sua residência em Genolier, Suíça.[3]

Filmografia

Discografia

Singles e EPs dos anos 1960
  • 1960 : Saint-Tropez Blues / Tumbleweed
  • 1963 : Tu fais semblant - Les vendanges de l'amour / Mary Ann - Les jeunes filles
  • 1963 : Blowin' in the Wind - Flora / House of the Rising Sun - Banks on the Ohio
  • 1963 : Au coeur de l'automne - L'amour en fleurs / Qu'est-ce qui fait pleurer les filles - Mais si loin de moi
  • 1963 : La vendemmia dell'amore - E giusto / Una noia senza fine - Che male c'e
  • 1964 : Viens sur la montagne - Les noces de campagne / Un amour qui s'éteint - L'amour qu'il fera demain
  • 1964 : La tendresse - La playa / Après toi qui sait - L'arbre qui pleure
  • 1965 : Katy cruelle - Entre toi et moi / La bague au doigt - Ma chanson faite pour toi
  • 1965 : Ah ! Dites, dites - Julie Crèvecoeur / Viens - À demain my darling
  • 1965 : La plage / Après toi, qui sait
  • 1966 : La voix du silence (The Sounds of Silence) - Siffle, siffle ma fille / Je t'attends - L'orage
  • 1966 : Marie-douceur, Marie-colère (Paint It Black) - Toi qui dors / Je voudrais tant que tu comprennes - La moisson
  • 1966 : Manchester et Liverpool - Pourquoi ces nuages / Prenons le temps - Sur les chemins des Andes
  • 1966 : Mon amour, mon ami - Sébastien / Je suis folle de vous - Mon village au fond de l'eau
  • 1967 : Ivan, Boris et moi - Je ne peux rien promettre / Pour celui qui viendra - Tom
  • 1968 : Le lit de Lola - Qu'y-a-t-il de changé / Et si je t'aime - A la gare de Manhattan
  • 1968 : El polo - L'air que tu jouais pour moi / Le tengo rabia al silencio - House of the rising sun
  • 1968 : Que calor la vida - Mais mon coeur est vide / La valse des petits chiens blancs - Requiem pour trois mariages
  • 1969 : Au printemps - Roselyne / Feuilles d'or - D'être à vous
  • 1969 : Pour une étoile - Ton coeur sauvage / Vin de l'été - En plus de l'amour
  • 1969 : Ah ! Si mon moine - On n'oublie jamais / Tourne, tourne - La fleur sans nom
  • 1969 : Tu es laide / Toi, nos enfants et moi
LPs dos anos 1960
  • 1964 : Marie Laforêt
  • 1965 : Marie Laforêt Vol. 2
  • 1967 : Marie Laforêt Vol. 3
  • 1968 : Marie Laforêt Vol. 4
  • 1968 : Que calor la vida
  • 1969 : Marie Laforêt Vol. 6
  • 1970 : Marie Laforêt Vol. 7

Álbum em Português

Em 1967 editou o álbum "Sobre a Montanha" em Português, com os temas:

  • Sôbre a Montanha (Viens Sur la Montagne)
  • O Que Faz As Garotas Chorarem (Qu’Est-Ce Qui Fait Pleurer les Filles ?)
  • O Amor de Amanhà (L’Amour Qu’Il Fera Demain)
  • A Ternura (La Tendresse)
  • A Tôrre de Babel (La Tour de Babel)
  • Depois do Sentimento (Après Toi Qui Sait)
  • Un Amor Que Se Apagou (Un Amour Qui S’Est Éteint)
  • A Praia (La Plage)
  • As Bodas da Colina (Les Noces de Campagne)
  • Gotas de Arvore (L’Arbre Qui Pleure)
  • O Vento (Blowin’ In the Wind)
  • Quando o Amor Acontace (Les Vendanges de l’Amour)

Destaque

DISCOS QUE DEVE OUVIR - Lisa Nemzo - Tough Girls Can Be Pretty 1985 (USA, Pop-Rock/AOR)

  Artista: Lisa Nemzo Origem: EUA Álbum: Tough Girls Can Be Pretty Ano de lançamento: 1985 Gênero: Pop-Rock/AOR Duração: 36:38 Faixas: Músic...