Os Real Estate, agora sem Matt Mondanile, mantêm-se num registo sólido, mas desta vez com menor intensidade que em Atlas.
Esta é um debate recorrente. A determinado ponto de uma carreira, qualquer banda encontra-se com uma bifurcação pela frente, uma apontando numa revolução interna, outra num manter de trabalho bem feito. And now for something completely different vs. em equipa que ganha não se mexe. Kid A vs High Violet. Os riscos da primeira opção são claros, pode acabar por sair um Currents, ou seja, tiro no pé, mas quando corre bem a ovação de pé é quase garantida. Isto para dizer que os Real Estate, mesmo com grandes alterações no lineup da banda, apostou claramente na segunda, manter a fórmula base. Que neste caso, sendo boa, não chateia, apenas deixa um gosto agridoce na boca porque queria mais.
In Mind é portanto uma revisitação ao trabalho anterior da banda. As diferenças notadas são basicamente nos tons da coisa – quando antes cheirava mais a Verão, agora cheira mais a Outono, a introspeção. Perdeu-se alguma energia, ou, melhor acabou a energia, passado que está a necessidade de pico da mesma (os meses quentes) e estamos em modo fim de festa, arrumar o fato de banho, as toalhas de praia, os óculos escuros, e há que, melancolicamente, preparar um novo começo.
Para além de sermos remitidos para uma estação do ano, In Mind remete-nos também para uma determinada época, para um determinado lugar que parece tão, mas tão distante da realidade de 2017, que depois custa a regressar. Ouvir os Real Estate e sentir laivos dos Byrds, dos Beatles (“Two Arrows” poderia muito bem ser uma música de Rubber Soul) faz não querer voltar aos tempos actuais. Fala-se muito (e vai ser alvo de especial este ano no Altamont) do Verão de 67, mas o Outono terá sido com certeza saboroso, tal como In Mind o é.
Michael Stipe decide ser actor e veste a pele de diferentes personagens, enquanto Buck arruma o bandolim e agarra de novo a guitarra elétrica. Assim nasceu Monster.
Após dois álbuns mais introspectivos, onde reinam as baladas e a toada ligeira, os R.E.M. decidiram baralhar e voltar a dar. As brincadeiras com bandolins e afins acabaram, estava na hora de tirar o pó que se acumulava por cima da guitarra elétrica e mostrar à legião de fãs granjeada pós-Out of Time que também sabiam fazer um álbum de rock, numa altura em que era o rock que dominava as tabelas de vendas. No fundo trata-se do nono álbum da carreira, mas para a grande maioria das pessoas era sentido como sendo o terceiro, já que o passado IRS continuava a ser praticamente desconhecido.
Basta ouvir o arranque de Monster para se perceber a intenção de Stipe e companhia para este novo registo. “What’s the Frequency, Kenneth?” tem um riff fortíssimo, distorção a rodos, e críticas a uma nova geração de jovens. Stipe cria um personagem que tenta perceber quais as motivações da mesma, questionando tudo e todos, mas chegando ao fim da música com um desapontante “I couldn’t understand”. Pelo meio, referências a “Slackers”, filme de Linklater que retrata, precisamente, a geração colocada num saco pelos media como X.
Para a música seguinte a banda foi buscar um peso pesado do rock alternativo, nada mais nada menos que Thurston Moore. Conseguem imaginar o resultado, certo? “Crush with an Eyeliner” mete referências a Courtney Love, drag queens e os New York Dolls ao barulho, sendo uma grande malha que faz uma estranha ponte entre o grunge/alternativo e o glam dos anos 70. Saltemos agora um pouco até “Strange Currencies”, a música mais fácil do álbum (afinal de contas mesmo as bandas rock também as fazem…). Música suave, pop, lame no sentido em que discorre sobre o potencial das palavras numa relação e em convencer alguém que se é a pessoa certa. Single de fácil digestão para quem ficou com os cabelos em pé pelos riffs das músicas iniciais.
“Bang and Blame”, oitava faixa de Monster, foi, ironicamente, o single mais alto no top da Billboard desde “Shiny Happy People”. As diferenças entre estas músicas não podiam ser mais evidentes, e reveladoras da amplitude de espectro que a banda R.E.M. possui. Por fim, não posso deixar de realçar “Let Me In”, música assumidamente dedicada a Kurt Cobain. Na altura Cobain e Stipe eram grandes amigos, e o vocalista dos R.E.M. estava numa missão de conseguir salvar Cobain da depressão em que se encontrava. Falhada que estava a missão, restou-lhe escrever esta música, que transmite um deseperado pedido para o deixar entrar, algo que Kurt, no fundo, nunca permitiu a Stipe.
Monster é indubitavelmente um grande álbum. A meu ver, o último grande álbum dos R.E.M. A tour que resultou do mesmo teve os Sonic Youth e uns ainda pouco conhecidos Radiohead como bandas suporte, servindo para cimentar a grandiosidade e importância que os R.E.M. tiveram no panorama da música alternativa. Ou, vá, da música em geral, como a conhecemos hoje.
Em Drunk, Thundercat compacta a fragilidade humana em 23 canções. Na companhia de amigos, como Kendrick Lamar e Pharrel Williams, o virtuoso baixista mostra como a neo-soul soa amarga quando não fala de amor.
Associar discos e géneros a estados de espírito é uma pratica comum. A soul music soa a quê? Na voz de Marvin Gaye, e na generalidade dos colegas da Motown, a sexo suado. Na groove de Earth Wind and Fire, a alegria soalheira e dançante. No baixo de Stephen Bruner (a.k.a Thundercat), melancolia do peso das vicissitudes da vida.
Soul ácido, que está mais próximo de Roy Ayers que de Pharaoh Sanders, e repetitivo, que comprime improvisações de alta intensidade (“Uh Uh”) sobre melodias slow tempo. Tudo isto em canções com menos de dois minutos e meio.
Thundercat criou a sua fórmula ácida ainda antes da sua carreira a solo, enquanto baixista de Erykah Badu em New Amerykah Part One (4th World War) e de Flying Lotus em Cosmogramma. Mais tarde, ao entrar para a Brainfeeder (editora de Flying Lotus), o baixista criou amizades com o rapper Kendrick Lamar e o saxofonista Kamasi Washington, que o empurraram para o lado mais jazzy e progressivo da neo-soul, onde a complexidade solista do jazz poderiam conviver numa canção de Barry White.
Ao terceiro disco, Thundercat insiste em não mudar de registo – mas expõe tiques que ganhou em 2015, o seu grande ano musical. Além de ter sido um dos génios por detrás do disco do ano (To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar), Bruner tocou em The Epic, de Kamasi Washington. Nesse ano, gravou apenas um EP, The Beyond/Where The Giants Roam, que aglomera canções escritas em anos anteriores.
Liricamente, tornou-se menos filósofo e mais urbano, talvez por culpa de Lamar, que participa em “Walk on By”. Ao contrário do que fora feito nos dois primeiros discos, que abordavam a morte do músico e amigo Austin Peralta, Thundercat canta sobre a vida, maquinal mas labiríntica. “Comb your beard, brush your teeth … beat your meat, go to sleep”, canta em “Captain Stupido”.
Enquanto contador de histórias, Thundercat continua o seu fascínio pelo macabro e o estranho. Um dos exemplos está em “Tokyo”, quanto usa a sua adoração pelo Dragon Ball Z como justificação para os excessos vividos numa viagem à capital japonesa, onde “tentou engravidar uma mulher” por “ser psicótico”. “I went to the dentist and he gave me a toy / It was Dragon Ball Z, a wrist-slap bracelet / Goku fucking ruined me”, canta.
Drunk, sem ter refrões ou canções marcantes, é mais maduro que os antecessores, nem que seja pelo facto de Thundercat ter aprendido a contar histórias. É um disco pós-fama, pós-Kamasi e pós-Kendrick, que explora a decadência da vida. Contudo, é um disco de um baixista que continua a conseguir pôr o seu instrumento ao serviço da canção, melosa e cheio de alma, sem dispensar da complexidade desconstrutiva do jazz. Tal como Thundercat nos tem habituado desde 2011.
New Adventures In Hi-Fi, de 1996, é de facto um álbum aventuroso, como o título sugere, mas sem grandes alterações drásticas no som base dos R.E.M. É uma aventura, sim, mas na forma como foi concebido e executado, para além de toda a bagagem emocional que carrega, fruto do sucesso global que entretanto a banda atingira.
Para escrever sobre este disco é preciso recordar Green de 1988, o disco que levou os R.E.M. em digressão, a última até à tournée de Monster, de 1994. E para falar de Monster é preciso recuperar a surpresa comercial de Out Of Time, que depois encaminhou o grupo para Automatic For The People.
Todos estes discos estão interligados e todos são necessários para perceber o momento em que a banda se encontrava no processo de gravação de New Adventures In Hi-Fi. Mas acaba por ser Monster o grande catalisador das emoções que encontramos em New Adventures…. Em 1994, Monster era o tão aguardado álbum rock que os R.E.M. prometeram anos antes. Mas o sucesso inesperado de Out Of Time com temas como “Losing My Religion” ou “Shiny Happy People” a cruzarem diferentes públicos, bem para lá do circuito independente, transformou o colectivo e a abordagem em estúdio. E quando os músicos quiseram atirar-se a um conjunto de canções mais rock, mais intensas e com distorção, o que lhes saiu foram os temas mais lentos e taciturnos que viriam a dar origem a Automatic For The People, uma resposta emocional ao grande sucesso comercial que os R.E.M. atingiram, depois de vários anos como banda de êxito relativo, mais próxima das franjas alternativas. Hoje é fácil olhar para trás e perceber como o grupo foi um dos nomes cruciais para a evolução do punk para o rock alternativo em território norte-americano, mas na época, tudo acontecia de forma natural, até ao enorme estalo que foi Out Of Time.
Mas esses últimos discos, pela emoção dos temas ou sua complexidade, acabaram por afastar os R.E.M. dos palcos durante vários anos. A certeza do regresso chegou quando finalmente se decidiram a gravar o esperado álbum rock. As distorções lá surgiram, mas o peso das canções foi também atingido com grande emoção e perda. Durante o processo de gravação de Monster, Michael Stipe perdeu dois amigos, River Phoenix e Kurt Cobain. A resposta às suas mortas surgiu nas canções de Monster e na digressão turbulenta que se seguiu, só para tornar a história ainda mais empolgante.
Já com o álbum Monster nas lojas e a estrear-se em primeiro lugar do top da Billboard, os R.E.M. fizeram-se à estrada em Janeiro de 1995 com concertos esgotados na Austrália e Japão e mais tarde Europa e Estados Unidos. Nas primeiras partes chegaram a contar por exemplo com os Sonic Youth e Radiohead.
Mas a digressão, foi marcada por uma série de graves problemas. A 1 de Março, durante um concerto na Suíça, o baterista Bill Berry cai em palco, após um aneurisma cerebral. É levado para o hospital e operado imediatamente. Demorou um mês a recuperar. Pouco depois, em Julho, o baixista Mike Mills também parou para ser operado aos intestinos e em Agosto foi a vez de Michael Stipe travar mais uma vez a digressão de Monster. Também foi submetido a cirurgia devido a uma hérnia. Mas apesar de todos os obstáculos que assolaram a banda, os R.E.M. conseguiram compor música nova na estrada e até gravá-la. Decidiram transportar um gravador de 8 pistas para a tournée e dessa forma captarem as músicas durante os soundchecks antes dos concertos. E é assim que nasce grande parte do álbum New Adventures in Hi-Fi, que contou apenas com 4 músicas gravadas em estúdio após o final da digressão.
Em várias entrevistas, os R.E.M. assumem que se inspiraram um pouco no processo de The Bends dos Radiohead, com quem andaram em digressão, em que as pistas base das músicas daquele disco, foram captadas em digressão.
E a ideia era não só experimentar algo de diferente, mas também tentar captar os R.E.M. mais relaxados, não tão rígidos como acontece em estúdio.
É precisamente por terem gravado grande parte do disco na estrada, que para além dos quatro R.E.M., também surgem creditados os músicos que acompanharam o grupo nos concertos, como Nathan December, Scott Maccaughey e Andy Carlson.
Após o fim da digressão de Monster, os R.E.M. entraram em estúdios, nos Bad Animals Studio e com o produtor habitual, Scott Litt, começaram a misturar uma verdadeira manta de retalhos, as fitas de 8 pistas com os temas captados em vários locais pelos Estados Unidos. Aproveitaram ainda para gravar mais quatro faixas: “How The West Was Won And Where It Got Us”, “E Bow The Letter”, com a participação de Patti Smith, “Be Mine” e “New Test Leper”.
Concluído o processo, termina um capítulo de verdadeira aventura sónica dos R.E.M., numa abordagem fora do habitual ao processo de gravação, mas que deu origem a um disco com muitas dinâmicas que adornadas pela poesia de Michael Stipe, revelam um conjunto de canções que vive da estrada, dos espaços abertos dos E.U.A., das paisagens em constante mudança, num pano de fundo do enorme teatro emocional que foi chegar até este momento no percurso do grupo.
E de certa forma, New Adventures in Hi-Fi de 1996 encerra um capítulo dos R.E.M., abrindo outro logo a seguir e que de certa forma lança as bases do princípio do fim. New Adventures… acaba por ser o último disco a contar com o baterista Bill Berry. E numa formação que nunca sofreu alterações, este foi um golpe duro.
Em Abril de 1997 os R.E.M. começaram a gravar as primeiras demos do álbum seguinte. Mas durante as sessões, Bill Berry revelou que já não queria continuar. Após o aneurisma em plena digressão, Berry sentiu que estava na hora de terminar a carreira como músico. Mas só desistiu depois dos três companheiros de banda assegurarem que iriam continuar sem ele. E assim aconteceu a grande reinvenção dos R.E.M., quando seguiram para o álbum Up, marcado pela inclusão de vários elementos electrónicos.
No fim deste relato, olhamos para New Adventures in Hi-Fi como a grande encruzilhada dos R.E.M., o momento para onde os álbuns anteriores pareceram caminhar e donde se lançam novos rumos, novas aventuras, que apesar do sucesso comercial, já anunciam claramente a recta final do percurso do grupo.
Comecemos por tirar o chapéu a Hanni El Khatib pela coragem de lançar um disco com 19 músicas. Podia valer só por esse arrojo na forma, mas não, Savage Times terá longa vida porque é composto por mãos cheias de grandes canções.
Partindo da sua matriz garage-rock, o músico norte-americano – com origens nas Palestina e Filipinas – percorre vários ramos da árvore genealógica com raíz no delta do Mississippi e, embora fosse natural no meio de tanta canção, não deixa nunca a qualidade baixar. Savage Times, o álbum, é a soma dos 5 EPs com o mesmo nome que Khatib lançou entre Abril e Dezembro de 2016, aos quais juntou ainda quatro temas inéditos. E apresenta-nos este álbum duplo, com 19 canções e 59 minutos de duração, que quase esteve para não ser disco. Depois de três álbuns propriamente ditos, Hanni El Khatib quis subverter a sua forma de compor e editar música. Continuou a ir para o estúdio diariamente, mas optou por lançar as músicas assim que as compunha. Quis ter outro tipo de controlo sobre as suas composições, em vez de andar às voltas com grupos de músicas que coubessem num álbum, ia para estúdio, escrevia no dia uma canção sobre o que estava a sentir nessa manhã, no dia seguinte a música estava cá fora, deixava de lhe pertencer.
Mas em boa hora decidiu compilar tudo, permitindo-nos um mergulho amplo na sua arte. Hanni El Khatib – que pertence a uma nova geração de porta-estandartes do rock embebido em blues e soul, acompanhado por Gary Clark Jr. e Curtis Harding, descendentes de Lenny Kravitz e Jon Spencer, por exemplo – apresenta-se agora num excelente momento de forma.
Se no início de carreira Khatib mostrava mais a sua veia de skater de calças justas, às voltas com o garage-rock, agora presta maior homenagem aos seus ídolos e faz uma boa conjugação desse rock mais cru com a ginga dançante que pediu emprestada à soul, ao funk e às vezes ao disco. Canções como “Paralyzed”, “Come Down”, “Gun Clap Hero” ou “This I Know” são perfeitos exemplos disto, facilmente audíveis debaixo da bola de espelhos.
“Baby’s Ok”, “Mondo and His Makeup” ou “So Dusty” estão cá para lembrar que se pode tirar El Khatib da garagem, mas não se tira a garagem de dentro de El Khatib.
No meio de tanto frenesim rockeiro, há momentos de pura doçura, como “Miracle” ou “No Way”, conduzidas pela guitarra acústica.
No meio desta diversidade instrumental, há uma uniformidade extrema, que vem da voz de El Khatib. Mesmo nas mais suaves, ele faz do seu canto uma arma, que dispara tiros lancinantes, grita sem berrar, a voz impõe-se e encosta-nos à parede.
E não é caso para menos, que este é o disco que melhor representa os dias que vivemos. «Savage Times for the savage men», canta El Khatib no tema-título. E aqui vai-se do selvagem que pára o carro em cima do passeio ao selvagem que degola no deserto. Contra esta selvajaria, luta-se de guitarra em riste e voz afinada.
UP é o 11º trabalho de uma banda que quer sobreviver ao choque de ter perdido o seu baterista fundador e às transformações sonoras dos finais dos anos 90. Um disco que, paradoxalmente ao seu nome, é dos trabalhos mais sombrios e melancólicos dos R.E.M.
Lembro-me perfeitamente desse sábado de manhã, eu ainda estava de pijama e o meu Pai chegava a casa com as compras da semana. Corri escada abaixo, porque em semanas boas era costume encontrar música nova no meio das compras: e golo! No meio dos sacos estava UP em cd, o mais fresquinho dos R.E.M. e o primeiro da minha colecção.
Adolescente, das coisas que mais gostava de fazer lá em casa era sentar-me no chão da sala, mesmo em frente à aparelhagem do meu Pai – daquelas de 5 andares e onde eu gastava horas a passar cds para cassetes também – e descobrir álbums inteiros de auscultadores nas orelhas. O ritual incluía vasculhar os recantos da caixa do cd em questão e dar pulinhos de felicidade, sempre que o encarte se fazia acompanhar das letras de todas as canções. UP tinha tudo isso e eu ganhei todo esse tempo com ele.
O 11º álbum dos R.E.M. revelou-se um disco complicado. Complicado pelo seu conceito, o trabalho mais comprido do grupo era também o menos coeso de todos. Complicado para aqueles que consideram que os R.E.M. sem Bill Berry na bateria – que abandonou o grupo no momento da concepção de UP – já não podiam ser os R.E.M. dos bons velhos tempos. Dos meus auscultadores, tudo continuava a soar a Michael Stipe e companhia, mas à medida que avançava nas faixas, era como se UP se tratasse de um paradoxo. Afinal, este era o trabalho mais sombrio da banda, com melodias dominadas pelas teclas, percussões quase silenciadas e guitarras abafadas pela melancolia das letras de Stipe.
Parte desta transformação – já iniciada em New Adventures in Hi-Fi (1996) – é igualmente marcada pela participação de Nigel Godrich, o produtor dos Radiohead. Dividindo tarefas com Pat McCarthy, é o britânico que ajuda na criação de todo aquele cenário inofensivo e de experimentação de UP. Enquanto as obscuras mas sedutoras “Airportman”, “Hope” e “The Apologist” apontam para arranjos mais electrónicos a que não estávamos habituados, “Lotus” e “Daysleeper” são as canções que mais nos fazem recuar aos tempos áureos dos R.E.M., mas não de forma completa. E no meio de tudo isto “At My Most Beautiful”, a mais romântica de todas elas, odiada por uns e amada por outros, na qual é possível imaginarmos Michael Stipe a acompanhar Pet Sounds ao lado de Brian Eno em 1966.
Talvez seja culpa dos auscultadores do meu pai e de toda a magia que envolvia o meu ritual de descobrir discos lá em casa. Mas a verdade é que consegui encontrar em UP um álbum repleto de canções que incomodam, por serem fáceis de admirar mas difíceis de amar. No fundo, este é o resultado de uma banda que está a tentar sobreviver às transformações sonoras dos finais dos anos 90, ao mesmo tempo que experimentam e se reinventam do choque que foi perder um dos seus fundadores. É o típico álbum de adaptação e, longe de ser um ponto alto das suas carreiras – coisa que já sabiam em antemão – UP consegue ser um dos melhores trabalhos de Stipe enquanto letrista.
Em 28/06/1970: The Kinks lança EUA a canção " Lola "
Lola é uma canção escrita por Ray Davies e
interpretada pela banda de rock inglesa The Kinks em seu álbum Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One.
A canção foi lançada no Reino Unido em 12 de junho de 1970, enquanto nos Estados Unidos foi lançada em 28 de junho de 1970.
Comercialmente, o single alcançou o número dois no UK Singles Chart e o número nove na Billboard Hot 100. Desde então, a faixa se tornou uma das canções mais icônicas e populares do The Kinks, mais tarde ficando em 422 lugar na lista " As 500 melhores canções de todos os tempos da Rolling Stone ", mas
foi removida da lista atualizada de 2012.
"Lola" também foi classificada em 473º lugar na lista "500 Maiores Músicas de Todos os Tempos do NME ". Desde o seu lançamento, "Lola" apareceu em múltiplas compilações e álbuns ao vivo. Em 1980, uma versão ao vivo da música do álbum One for the Road foi lançada como single nos Estados Unidos e
em alguns países europeus, tornando-se um pequeno sucesso.
Na Holanda, tornou-se 1, assim como em 1970 com a versão de estúdio. Outras versões incluem um instrumental na trilha sonora do filme Percy, de 1971, e interpretações ao vivo de Everybody's in Show-Biz de 1972 e To the Bone de 1996. O personagem "Lola" também fez uma aparição na letra da canção da banda de 1981, " Destroyer ".
Mighty Garvey! é o quinto e último álbum de estúdio da banda Inglêsa Manfred Mann.
Foi lançado em 06 de maio (EUA) e 28 de junho
de 1968 (Reino Unido) pela Fontana Records.
Foi o último (não incluindo compilações) após a mudança de direção e pessoal de seu álbum de 1966 (As Is). Continuou uma transição do jazz e do blues para o pop art auto composto. Apesar do álbum incluir dois singles no top 5 do Reino Unido (" Mighty Quinn " de Bob Dylan e "Ha! Ha! Said the Clown" de Tony Hazzard),
o álbum não entrou nas paradas e a banda se separou no ano seguinte.
Nos EUA e Canadá, foi lançado como The Mighty Quinn pela gravadora Mercury Records.
Assim como os lançamentos contemporâneos de The Kinks and The Zombies, Mighty Garvey! tornou-se um disco mais estimado em retrospecto do que na época. Foi relançado em 2003, com faixas bônus.
Em 28/06/1988: Deep Purple lança o álbum Nobody's Perfect
Nobody's Perfect é um álbum ao vivo da banda de rock britânica Deep Purple. Lançado em junho de 1988. Foi gravado durante a turnê da banda em apoio à The House of Blue Light em 1987 na Europa e nos Estados Unidos.
A fotografia da manga externa foi desenhada por Aubrey Powell da Hipgnosis. Contém uma nova versão ao vivo em estúdio de " Hush " para comemorar seu 20º aniversário. " Black Night " também foi regravada, mas nunca foi lançada. "Hard Lovin 'Woman" inclui partes de "Under the Gun" durante o solo de guitarra de Blackmore. " Strange Kind of Woman " inclui o refrão " Superstar " de Jesus Christ Superstar.
" Woman from Tokyo " muda para " Everyday " de Buddy Holly no meio.
O álbum representava o setlist do Deep Purple na época, que consistia muito do set típico do Made in Japan, Perfect Strangers e The House of Blue Light. Músicas como "The Unwritten Law" e "Difficult to Cure" (que incluía um riff estendido da Nona Sinfonia de Beethoven, 4oMovimento) foram tocadas todas as noites na turnê, mas não foram incluídas neste álbum. Em algumas noites eles também tocaram "Call of the Wild" ou "Mad Dog". Algumas das faixas não estão incluídas em todas as edições existentes do álbum. O lançamento de 2 LPs de 1988 tem 13 faixas, omitindo "Dead or Alive".
A versão em fita cassete de 1988 inclui "Dead or Alive", mas omite "Bad Attitude". A primeira edição em CD de 1 disco de 1988 consiste em apenas 11 faixas, deixando de fora ambas e também "Space Truckin '".
Finalmente, todas as faixas indicadas foram incluídas na remasterização do 2CD de 1999.
Em 28/06/1980: The Soft Boys lança o álbum Underwater Moonlight
Underwater Moonlight é o segundo álbum de estúdio da banda de rock inglesa Soft Boys.
Foi lançado em junho de 1980 pela gravadora Armageddon Records. Sem muito sucesso, o álbum passou a ser visto como um clássico psicodélico, influente no desenvolvimento do gênero musical neo-psicodelia e em várias bandas, especialmente REM.
Underwater Moonlight está incluído em 1001 Albums You Must Hear Before You Die.