segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Cosmos Factory - And Old Castle Of Transylvania (1973)


Há quem diga que os japoneses são demasiadamente “comportados” para gostarem de rock n’ roll. O maldito caso do estereótipo dando conta de que para apreciar rock tem de ser sujo, mal-encarado, de comportamento “beligerante” e drogado. Coisas de uma sociedade politicamente correta e hipócrita, para variar.

Digo que os japoneses são ávidos por rock, são consumidores natos do estilo! Tanto que podemos corroborar com o tamanho do mercado e a sua importância para tal música, diante dos vários registros ao vivo clássicos que são lançados em terras nipônicas, bem como formatos de álbuns de estúdio que são exclusivamente lançados para o mercado japonês, com bônus tracks, arte gráficas etc.

Muitas e muitas bandas, independentemente do estilo, fazem questão de tocar por lá, sobretudo as bandas de heavy metal e de rock progressivo, a demanda é grande porque a oferta é imensa!

Então não confundamos a coisa com uma questão cultural. É de profundo respeito de seu povo quando está, diante de show, elétrico, intenso, em silêncio, sem se movimentar tanto. Mas essa já não é uma máxima. O Japão é um país diverso, sob todos os aspectos e também, claro, pelo fator comportamental.

Há a disciplina que construiu a sua tradição, mas há também aqueles jovens cosmopolitas que gritam, se esgoelam quando diante de seus ídolos. Esse é o atual Japão: rico pela sua diversidade cultural, mas calcado na sua tradição, que, fielmente seguem, geração após geração.

Mas se há um público ávido e que consomem as bandas internacionais, também possui uma cena prolífica, forte, viva e que atravessa os tempos, as gerações, as décadas entregando grandes e seminais bandas, algumas fazendo sucesso e ultrapassando a barreira geográfica e fazendo certo sucesso em outros países, mas há aquelas grandes bandas obscuras, que fazem ou fizeram pouco sucesso, mas que esquentaram ou esquentam a cena, tendo um público vivo que fazem da cena, clara, plena.

E já que falei da predileção desse povo pelo rock progressivo é claro que há sim grandes bandas da vertente por lá e que, lamentavelmente não gozaram do sucesso comercial, mas que produziram grandes petardos sonoros dignos de audição, mas que, graças as redes sociais e alguns veículos virtuais de comunicação e, claro, de abnegados amantes do prog rock, ganharam o mundo.

E gostaria de falar de uma, em especial, que conheci, quase que ocasionalmente ou diria que em uma de minhas incursões aos garimpos pela grande rede, que de fato me causou um arrebatamento que há tempos não tinha. Falo da banda COSMOS FACTORY.

Não confundir com o clássico álbum da banda norte americana Creedence Clearwater Revival, de 1969, de mesmo nome, mas com uma grande e competente banda nipônica que merece uma audição, merece uma atenção. E para firmar uma máxima de que mencionei mais acima, infelizmente há poucas menções na grande rede, sobre a banda, a sua biografia, tratando-se de músicos pouco conhecidos na cena progressiva mundial, mas tentaremos textualizar cada detalhe de sua história, nada pode passar despercebido quando se fala do Cosmos Factory e de sua curta, mais significativa história discográfica.

A banda foi formada em 1968, originalmente pelo seu tecladista, Tsutomu Izumi, na cidade de Nagoya, sob o nome de “The Silencer”. A banda mudou o nome quando lançaram sem primeiro álbum, em 1973, chamado “An Old Castle of Transylvania”. E esse será o álbum a ser resenhado nesse texto.

Eles tiveram que se mudar para a capital, Tóquio, para tentar realizar seu sonho de gravar um álbum e, com alguma dificuldade, conseguiram chamar a atenção de um empresário que também era um crítico de rock e começaram a trabalhar nas suas primeiras composições que conceberia no “An Old Castle of Transylvania"

A formação da banda neste álbum contou com Tsutomu Izumi (teclados, sintetizador Moog, vocais), Hisashi Mizutani (guitarra, vocais), Toshkazu Taki (baixo, vocais), Kazuo Okamoto (bateria e percussão) e Misao no violino.

Cosmos Factory

Não há como não se encantar com o som multifacetado da banda neste seu primeiro trabalho. Trafegam claro, no rock progressivo, com um forte viés no rock psicodélico mais lisérgico, mais pesado, inclusive, trazendo à lembrança bandas como Vanilla Fudgie, explorando e muito os teclados com muita intensidade como bandas do naipe do Uriah Heep.

Não sou muito adepto às comparações, mas, como se trata de uma banda pouco conhecida, talvez as temíveis comparações possam trazer um norte a quem não conhece o Cosmos Factory.

Esse rock n’ roll diversificado, que traz o peso do hard rock, a complexidade do prog rock e a lisergia do rock psicodélico definitivamente traz ao álbum e a banda algo especial e pouco ortodoxo, fazendo desta uma referência para a cena rock japonesa.

O álbum é inaugurado com a faixa “Soundtrack 1984” com uma introdução linda da “cozinha”, do baixo e da bateria, trazendo a textura caudalosa do mellotron, mostrando uma forte interação instrumental da banda, que completa com os riffs e solos curtos da guitarra.

“Maybe” vem em seguida, pesada, intensa, com o órgão enérgico, forte, vibrante com vocais de excelente qualidade contrastando com o peso dos instrumentais, com seções mais calmas e, logo em seguida, vem a guitarra abrangendo, com sua presença em riffs e solos, todo o conjunto da música. Belíssima faixa!

"Maybe"

“Soft Focus” vem para “quebrar” a sequência de peso e vibe elétrica e enérgica do álbum até o momento: Uma balada protagonizada por harpas e teclados contemplativos e vocais melosos e pausados, corroborando o clima da música.

"Soft Focus"

“Fantastic Mirror” traz o protagonismo nos sons do teclado que faz lembrar um pouco do rock progressivo italiano com uma vibe muito grande do progressivo sinfônico, com aquele tom de dramaticidade.

"Poltergeist" é animada, solar com teclados pulsantes e com bateria marcada e há a presença do violino que rivaliza, de forma salutar, com o órgão trazendo certa complexidade à faixa.

"Poltergeist"

O álbum é finalizado magistralmente com a faixa título, uma verdadeira saga sonora, uma epopeia digna de viajar sem destino, se deixar levar, abrir a mente e voar, voar e voar. “An Old Castle of Transylvania” tem longos 20 minutos de duração e traz uma mistura louca, alucinante de psicodelia e progressivo com grandes construções em sua estrutura melódica e harmônica, com grandes passagens rítmicas, tendo uma textura enérgica e contemplativas, ao mesmo tempo. A interação entre a guitarra e órgão é incrível, onde o primeiro é cortante, pesada e o segundo é suntuoso.

"An Old Castle of Transylvania"

O Cosmos Factory lançou seu segundo trabalho em 1975, depois de alguns singles e lançamentos promocionais, chamado “A Journey with the Cosmos Factory”, mais voltado para o rock progressivo mostrando que, ao longo do tempo, embora curto, desenvolveu sua sonoridade, explorando, buscando novas alternativas sonoras, buscando fugir dos estereótipos.

O primeiro álbum foi relançado em CD pela Coca/Nippon Columbia em 1991 e também relançado em CD pelo selo “Black Rose” na Alemanha. A banda finalizou as suas atividades em 1977 com o lançamento de seu último trabalho chamado “Metal Reflection” já sem a inspiração e criatividade de seus três primeiros álbuns de estúdio.

Definitivamente o Cosmos Factory foi uma das grandes bandas do rock progressivo japonês e que tem em “And Old Castle of Transylvania” como uma obra-prima incontestável, com notável originalidade na cena rock nipônica, mostrando que há potenciais sonoros em toda a parte do mundo, pois não há barreiras para o boa música e o Japão está, sempre esteve na rota das grandes e seminais bandas de rock n’ roll. Altamente recomendado!


A banda:

Tsutomu Izumi nos teclados, mellotron, sintetizadores e vocais

Hirashi Mizutani na guitarra e vocais

Toshikazu Taki no baixo e vocais

Kazuo Okamoto na bateria e percussão

Com:

Misao no violino


Faixas:

1 - Soundtrack 1984

2 - Maybe

3 - Soft Focus

4 - Fantastic Mirror

5 - Poltergeist

6 - An Old Castle of Transylvania




Folcore

Banda potiguar formada em 2003. faz um som diferenciado por misturar o coco embolada com o rock. Sua principal influência é o embolador Chico Antônio, descoberto e citado por Mário de Andrade em suas obras.

Passou o ano de 2005 sediada no Rio de Janeiro, onde tocou por todo o circuito musical da cidade. Participou de vários festivais importantes como o MADA em 2003 e 2005, Feira da Música do Ceará, Rock na baixada no RJ, entre outros.

Em 2006 dá um parada em suas atividades retomando em 2015








Rumblin' Orchestra "The King's New Garment" (2000)

 

A formação húngara Rumblin' Orchestra é um raro exemplo de empreendimento musical familiar. O grupo principal é composto por membros do clã Ella, liderados por seu pai, o organista e compositor Bela. Seu ambiente familiar (como fica evidente pela natureza dos instrumentos declarados) é composto por músicos de música clássica. Oboé, flauta, violino, violoncelo, trombone... No entanto, essas pessoas não tocam tocatas e fugas, mas sim rock progressivo. Naturalmente, com o prefixo "sinfonia".
A primeira "panqueca" conceitual dos membros da orquestra, chamada "Spartacus" (1998), revelou-se bastante atraente. Bela Ella provou ser um criador bastante convincente de ópera progressiva, e os outros cumpriram muito bem a tarefa que lhes foi confiada. Percebendo que as coisas estavam indo bem, decidiram não parar. E com razão, já que a sequência se revelou muito mais interessante e "mais madura" do que a estreia. O tema original do último lançamento da Rumblin' Orchestra foi o enredo do conto de fadas de Andersen "A Roupa Nova do Imperador". A distribuição de forças não mudou: a parte filarmônica ficou a cargo de representantes da família, e o conteúdo rock foi fornecido por acompanhantes do grupo correspondente. Além disso, um coro misto de oito pessoas.
A introdução ao mundo sonoro da Rumblin' Orchestra é o épico de 18 minutos que dá título à obra. Apesar do ritmo e do subtítulo orgulhoso "suíte", a obra-prima é facilmente percebida devido às suas brilhantes qualidades melódicas. O maestro Bela maneja a estrutura polifônica com rara habilidade. Ritmo de marcha? Por favor. Elegia? Sem problemas. Gostaria de mergulhar nos anos setenta? Então, aqui está um pequeno "Hammond" para você. Se você puxar os cordões dos estereótipos, poderá reduzir a ação à fórmula condicional " The Alan Parsons Project + The Enid + After Crying ". Mas é improvável que tal cenário seja correto. Além disso, em suas construções composicionais, o chefe da família não se baseia apenas na base canônica do art-rock, mas também se inspira na rica herança de Franz Liszt e Johann Strauss . No entanto, quaisquer detalhes descritivos são obviamente inferiores ao colorido cintilante das composições do Sr. Ella. Ouça a fantástica "Abertura Fantasy", com suas aventuras orquestrais virtuosas e o entrelaçamento mais sutil de motivos ciganos do Danúbio, ou a nostálgica vinheta de jazz sinfônico "Awakening"; aprecie o som exuberante e grave de "Over the Clouds", onde os destaques do synth-fusion dos anos oitenta brilham. Você terá a oportunidade incomum de comparecer a um baile luxuoso em um antigo castelo ("Suíte de Dança"). E se você quiser se transportar mentalmente para a era do triunfo dos conglomerados de teclado progressivo à la ELP, o cativante esquema "Big Run" imediatamente se destaca. O pitoresco esquete "Carrossel" é permeado pelo aroma da diversão palaciana. O pathos operístico e a poderosa energia do rock se combinam no mainstream do majestoso número "The King". Bem, e o emocionante episódio "Farewell", com excelentes solos de guitarra de Laszlo Hetsch, fecha logicamente o panorama heterogêneo. Resumindo
: uma obra maravilhosa, capaz de satisfazer o apetite tanto dos devotos retrô quanto dos adeptos da arte sinfônica moderna. Recomendo.




Contraction "Contraction" (1972)

 Trinta e um minutos. Esse é o tempo de duração do primeiro álbum, Contraction . Mas essa meia hora encerra um universo melódico de proporções incríveis. A equipe de profissionais canadenses 

demonstra milagres de pensamento composicional e excelente técnica de execução. Sem "água", imagens extremas, beleza e um concentrado denso de ideias originais. Trinta e um minutos, que valem mais uma discografia inflada.
A espinha dorsal de Contraction era composta por músicos da equipe de acompanhamento do famoso organista Frank Dervieux . Inicialmente, o conjunto existia como um quarteto, mas rapidamente aumentou para mais seis pessoas. Dois se tornaram imediatamente líderes: o baixista Yves Laferrière e o tecladista Robert Lachapelle . Foram eles que criaram o repertório, elaborando detalhadamente as texturas sonoras e cuidando da ornamentação requintada do arranjo (poetas especialmente convidados participaram das letras). O rosto do grupo era a cantora Christiane Robichaud . Descolada e animada na vida real, no palco ela se transformava em uma dama elegante com uma voz incrivelmente charmosa. E esse timbre "íntimo" é um trunfo no baralho do Contraction ...
A faixa de abertura, "Chant Patriotique", equilibra-se na junção de uma rapsódia encantadora em tons de jazz e rock progressivo bastante elástico, com um ritmo bem definido. O acompanhamento abundante de texto em francês não complica a percepção, pois os vocais de Mademoiselle Robichaud são um instrumento autossuficiente em uma rica paleta de grupo. Gostaria de destacar separadamente a maestria de Christian: ela faz transições de um sussurro insinuante para o pathos e vice-versa com precisão de joia. E quanta ternura, quanta excitação poética suas partes em "Le Chat Bruinne" estão repletas! Apesar de o próprio desenho, infundido com ingredientes de jazz-rock, não ser de forma alguma tão simples. Mas a vocalista do Contraction controla a situação com uma naturalidade surpreendente, elevando o tema a um novo nível harmônico. É raro o caso em que a parte vocal é quase mais interessante do que o arranjo. O desenvolvimento calmo e suave da faixa "Délire" assemelha-se ao balanço medido das folhas ao vento quente de junho. O intrincado amálgama de fusão de "Trois ou Quatre" permite apreciar a potência complexa do conjunto: há drama, intriga e um toque de aventureirismo. "Ste-Mélanie Blues", além dos méritos vocais mais marcantes de Christian, é perfeito para as passagens de flauta sonhadoras de Carlile Millie . O estudo coral para piano "42 Nord", com um eco de instrumentos de sopro ao fundo, brilha com a aconchegante intimidade do jazz. E então vem o assertivo thriller prog-funk "Pixieland", também livre de peso verbal e dando aos presentes a chance de se reerguerem em grande estilo.Na mais suave elegia eletroacústica "Spleen" as entonações clássicas são transmitidas (a flauta mágica de Millier traz de volta memórias da boa e velhaGênesis ). O programa termina com um breve e vigoroso esquete "Fin du Commencement", com acompanhamento de seção rítmica de primeira classe e uma forte influência do blues psicodélico.
Resumindo: um programa magnífico de uma das melhores formações do circuito artístico de Quebec. Recomendo não perder.




Uqbar "Uqbar" (1995; 2004)


Sua vida foi curta: apenas seis anos. O Uqbar lançou seu único álbum no primeiro ano de existência. Depois, houve concertos, uma ligeira rotação de músicos, raras sessões de estúdio e uma série de apresentações de despedida em dezembro de 2001. No entanto, eles conseguiram deixar uma marca na história. O conjunto de câmara argentino Uqbar deve seu nascimento a duas pessoas: o pilar literário Jorge Luis Borges (o nome do projeto é uma referência ao romance "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius") e o compositor/violonista Dario Alejandro Diaz . Este último, sendo um artista acadêmico, sonhava secretamente com uma formação experimental. Em meados dos anos 90, a oportunidade se apresentou. Diaz fundou um quinteto acústico, que também incluía Marisa Gomez (violão), Nora Lopez (clarinete), Leandro Shchelagowski (flauta) e Andres Kozel (violoncelo). Dario via a tarefa do grupo na fusão harmônica de três direções diferentes – clássicos sinfônicos, jazz e folk. Em certo sentido, a ideia não era nova: uma veia semelhante (cada uma à sua maneira) foi desenvolvida com sucesso pelo holandês Flairck , o americano Oregon e outros. No entanto, o Uqbar sentiu seu próprio caminho. Eles se moveram por ele, liderados pelo experiente explorador sonoro Diaz. Na estrutura da peça de prólogo "Pytonisa", as complexidades de andamento médio das cordas e metais criam uma paisagem sonora sutil. As tradições dos melos regionais, animadas pela flauta, interagem com passagens de violão no espírito de Ralph Towner . Mais perto da metade da obra, ocorre uma mudança de perspectiva. A camada motívica perde seus contornos, desintegra-se em uma série de paisagens sonoras de vanguarda, para então se redescobrir em uma fase temática inversa. O impressionante quadro reflexivo "Cesare" não ultrapassa, em seus parâmetros, a estrutura de uma composição de câmara pró-harmônica. O esquema tático do Maestro Dario é realizado aqui de forma bastante convincente; felizmente, ele conta com uma escola séria por trás dele. A intrigante obra "Rojo de España" certamente agradará aos fãs de Univers Zero . Manobras dissonantes de guitarras, clarinete e violoncelo, juntamente com acordes abruptos e interseccionais à la Robert Fripp, indicam claramente que a herança europeia da vanguarda também não é estranha aos argentinos. "Fauno con trombetas" é um afresco verdadeiramente fabuloso, repleto de charme caloroso, curvas rítmicas graciosas, imerso em uma atmosfera muito especial. O sublime final do programa é o esquete "Arkangel". Nele, pode-se, sem dúvida, sentir a afinidade estilística de Uqbar e Oregon.Mas os sul-americanos, na minha opinião, são menos calculistas; no centro do simbolismo composicional de Diaz está o romântico Pégaso, abrindo suas asas, correndo em direção ao sol poente, que jamais se apagará para ele... O disco é complementado por três bônus. A música "Seireme", gravada em 2000, é um complexo mosaico texturizado na junção da arte de câmara com o jazz. Bem, "Lucila Caesar" e "Tigre mimbre", gravadas em 2001, já se resolvem em dueto (Dario Diaz - violão, Alejandro Cancelos - clarinete), o que, aliás, não diminui em nada seus méritos construtivos. Resumindo: um lançamento nada trivial e muito curioso, destinado aos amantes de panoramas artísticos de câmara.



THE BEATLES – ONLY A NORTHERN SONG

 


“Only a Northern Song” é uma canção dos Beatles que aparece no filme e no álbum Yellow Submarine de 1969, escrita e cantada por George Harrison. A base da faixa foi gravada em 13 de fevereiro de 1967, com overdubs adicionados posteriormente. Originalmente, a faixa deveria aparecer no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, mas foi rejeitada. De acordo com o engenheiro de som dos Beatles, Geoff Emerick, a música foi deixada de fora do álbum porque o grupo achou que ela não combinava com as outras músicas. Tendo uma letra que faz referência ao próprio autor, uma forma musical não convencional e instrumentação pouco usual, incluindo trompetes distorcidos, um órgão com reverb, sinos e guitarras distorcidíssimas, esta é uma das músicas mais psicodélicas dos Beatles.


Ao longo da música, Paul McCartney toca trompete, assim como os outros Beatles tocam instrumentos de percussão tais como sinos e tímpanos. Um mellotron também pode ser ouvido em algumas partes. Uma versão editada e ligeiramente acelerada sem os overdubs (apenas órgão, bateria, baixo e vocal) foi lançada no Anthology 2 em 1996, com uma tomada vocal diferente contendo alguma variação na letra. Como a música foi feita com duas tomadas separadas tocando em sincronia, a mixagem original, monofônica, só foi lançada em 1999, quando uma versão remixada da faixa foi lançada no álbum Yellow Submarine Songtrack.

A letra mostra o descrédito de Harrison com a própria música, concluindo cada verso com a frase "It's only a Northern song" ('É apenas uma canção do Norte'), que ele explicou se referir tanto à cidade natal dos Beatles, Liverpool, que fica no norte da Inglaterra, como à companhia de publicações Northern Songs. A música às vezes é interpretada como uma zombaria à Lennon/McCartney, fazendo referência às letras e músicas psicodélicas que os dois faziam na época, e como uma reação às atitudes de menosprezo de Lennon e McCartney com as composições de Harrison, com ele cantando indiferentemente "It doesn't really matter what chords I play / What words I say or time of day it is / As it's only a Northern song" ('Não importa realmente que acordes eu toque / Que palavras eu diga ou que hora do dia é / Já que é apenas uma canção do norte').


Em seu livro "The Beatles - Gravações Comentadas & Discografia Completa", Jeff Russel diz o seguinte: "Esta faixa parece refletir o descontentamento de George Harrison com o projeto. A letra se compõe de comentários breves, ligados ao que pode ser considerado livremente como uma canção, e o título é uma cutucada sarcástica na editora musical Northern Songs - que detinha os direitos das músicas dos Beatles. O fundo instrumental é formado por uma cacofonia que remete a "Tomorrow Never Knows" e "Revolution 9", e a bateria de Ringo e o baixo de Paul são quase que seus únicos elementos musicais. O órgão da introdução é harmônico, mas se perde em meio às contínuas intervenções e interrupções de instrumentos fora de tom".

THE BEATLES - BECAUSE - 1969

 


"Because" foi composta por John Lennon, e lançada no álbum Abbey Road em 26 de setembro de 1969. É a segunda música do lado 2, atrás de "Here Comes The Sun" de George e antes de "You Never Give Me Your Money", de Paul. Como sempre, creditada a Lennon e McCartney, a gravação começou no dia 1 de agosto e foi concluída no dia 5. Foi produzida por George Martin e teve como engenheiros Geoff Emerick e Phil McDonald. John Lennon canta o vocal principal e toca guitarra; Paul McCartney canta e toca baixo; George Harrison canta e toca o sintetizador MoogRingo Starr estava presente durante as gravações, mas a sua participação, que se limitou a fazer a marcação do andamento, não foi registrada. George Martin participou tocando um modelo de espineta (espécie de cravo).


PAUL McCARTNEY - THE OTHER ME - 1983

 


Paul McCartney gravou "The Other Me" em janeiro de 1983. É a terceira música de seu quarto álbum solo Pipes Of Peace, lançado em outubro do mesmo ano. Foi produzida por George Martin e Paul canta e toca todos os instrumentos: guitarra elétrica, baixo, piano, piano elétrico, sintetizador e pandeiro. Paul sempre falava sobre ser geminiano e o que ele via como dois lados conflitantes de sua persolalidade. O tema dos opostos encontrou lugar em canções como "Hello, Goodbye" e "Tug Of War".

“Talvez esse yin e yang e a tentativa de ver os dois lados venham por ser geminiano. Nunca me preocupo muito com signos astrológicos, mas sei que Gêmeos tem duas metades, empurrando e puxando, e isso combina comigo. Aparentemente, somos tipicamente curiosos, inteligentes, adaptáveis ​​e sociáveis. Ocorre-me que qualquer pessoa de Gêmeos vai pensar na dupla face das coisas. Percebi que a tensão surge muito em minhas músicas: 'Ebony and Ivory' , digamos, ou "Hello, Goodbye" - You say yes, I say no / You say stop and I say go, go, go”.



THE BEATLES - I'M DOWN - 1965

 

“I'm Down” é uma das faixas mais energéticas dos Beatles, um rockão simples que eles capturaram em três horas no mesmo dia em que gravaram “I've Just Seen a Face” e começaram a gravar “Yesterday” – uma sessão que demonstra bem o extraordinário alcance vocal de Paul. “I'm Down”, o lado B de “Help!”, reflete o gosto de McCartney pelo estilo de Little Richard. “Eu costumava cantar as músicas dele, mas chegou um ponto em que eu queria uma minha, então escrevi 'I'm Down'”. “I'm Down” se tornou uma das favoritas dos Beatles ao vivo, servindo como encerramento dos shows durante a turnê americana de 1965. A apresentação de “I'm Down” no Shea Stadium é uma colagem de imagens indeléveis: Paul tão entusiasmado que gira em torno de si mesmo; John e George rindo tanto que abafaram seus vocais de fundo; Ringo batendo forte – mesmo que não se consiga ouvir sua bateria em meio aos gritos – e John tocando o piano elétrico com os cotovelos. São os Beatles livres em seu próprio mundo – quatro caras em uma banda, arrasando e adorando.

THE BEATLES - REVOLUTION - 1968

 


Na primavera de 1968, a guerra do Vietnã pegou fogo, Martin Luther King foi assassinado, greves e protestos de estudantes em Paris fizeram o governo francês cair de joelhos. Quando os Beatles - que há tempos criticavam abertamente a guerra do Vietnã - entraram no estúdio para gravar The Beatles (álbum branco), no fim de maio, a primeira coisa que gravaram foi “Revolution”, que é também a primeira música explicitamente política do grupo. A primeira versão de “Revolution” que gravaram era um shuffle lento e blueseiro, que recebeu o nome de “Revolution 1”. Em 10 de julho, eles voltaram a “Revolution” para uma energética versão elétrica - a mais conhecida, lançada como o lado B de “Hey Jude”. Era a performance mais pesada dos Beatles até ali, da escaldante introdução de guitarra de Lennon ao uivo final.

Essa distorção de “Revolution” nunca tinha sido vista em nenhuma outra canção dos Beatles. Para conseguir tal efeito, foi adicionado um pedal de efeitos “fuzzer” direto entre o amplificador e a mesa de som do Abbey Road Studios e tocado com todos os ponteiros de captação no máximo e depois diminuídos na pós-produção. Em 11 de julho, foram adicionados o baixo e o piano elétrico tocado por Nicky Hopkins. A produção se seguiu pelos dias 12 e completadas na manhã do dia 13 de julho com mais linhas de baixo, e algumas guitarras tocadas por Lennon e McCartney
.

As filmagens dos vídeos promocionais de "Hey Jude" e "Revolution" ocorreram em 4 de setembro de 1968, com direção de Michael Lindsay-Hogg. Em “Revolution 1” a formação foi: John Lennon – vocal principal, violão e guitarra solo; Paul McCartney – baixo, piano, órgão Hammond e backing vocals; George Harrison – guitarra solo e backing vocals; Ringo Starr – bateria; Derek Watkins e Freddy Clayton – trompetes; Don Lang, Rex Morris, J. Power e Bill Povey – trombones; e George Martin  – arranjo de metais. Em “Revolution” tocaram: John Lennon  – vocais, guitarra solo e palmas; Paul McCartney – baixo, órgão Hammond e palmas; George Harrison – guitarra solo e palmas; Ringo Starr – bateria e palmas; e Nicky Hopkins – piano elétrico.


Destaque

Tito & Tarantula - Discografia básica

Banda:  Tito & Tarantula Gênero: Blues-Rock, Hard Rock, Latin Rock, Chicano Rock, Garage Rock Revival Disco:  Tarantism Ano: 1997 Faixas...