segunda-feira, 20 de outubro de 2025

CARAVAN - IN THE LAND OF GREY AND PINK (1971)

 

In the Land of Grey and Pink é o terceiro álbum de estúdios da banda britânica Caravan. Seu lançamento oficial aconteceu em 8 de abril de 1971, através do selo Deram. As gravações ocorreram nos estúdios Decca e AIR, ambos em Londres, no Reino Unido e a produção ficou por conta de David Hitchcok.




Os membros originais do grupo, David Sinclair, Richard Sinclair, Pye Hastings e Richard Coughlan estiveram todos no Wilde Flowers, com sede em Canterbury, embora não ao mesmo tempo. Richard Sinclair foi um dos primeiros membros, mas saiu em setembro de 1965 para estudar na faculdade.


Hastings substituiu Robert Wyatt como vocalista do grupo e Coughlan como baterista da banda quando Wyatt, que desempenhava ambos os papéis, formou a Soft Machine.


David Sinclair se juntou ao grupo no final de 1966, mas depois que o futuro membro do Soft Machine, Hugh Hopper, deixou o grupo em junho do ano seguinte, eles começaram a perder força e se separaram em outubro de 1967. Coughlan, Hastings e os dois Sinclairs formaram posteriormente o Caravan em 1968.


Richard Sinclair

A banda alugou uma casa em Whitstable, Kent por seis meses, onde começaram a compor e a ensaiar novo material. Eles também pegaram emprestado o PA da Soft Machine para os ensaios enquanto a banda estava em turnê com Jimi Hendrix nos EUA, já que o Caravan não tinha fundos suficientes para seu próprio equipamento.


Eles foram forçados a partir em junho e acabaram morando em tendas e ensaiando no salão de uma igreja local. Em outubro, eles atraíram o interesse do editor musical Ian Ralfini,  que os contratou para a gravadora americana Verve Records, e se tornou a primeira banda britânica que assinaram. Verve posteriormente lançou o LP de estreia da banda, Caravan (1968), no mesmo ano, mas alguns meses depois saiu da gravadora no Reino Unido e abandonou a banda.


Depois de uma série de shows em Londres, incluindo o Speakeasy Club, a banda foi apresentada a Terry King, que se tornou o primeiro empresário do grupo. David Hitchcock, que trabalhava no departamento de arte da Decca Records, pediu ao presidente da empresa, Hugh Mendl, para assinar com a banda.


Eles começaram a gravar seu segundo álbum, If I Could Do It All Over Again, I' d Do It All Over You (1970) em setembro de 1969, enquanto continuavam a fazer shows no circuito universitário e a aparecerem em festivais ao lado de Pink FloydYesThe Nice e Soft Machine.


A gravação de If I Could... continuou em fevereiro de 1970, com a faixa de 14 minutos "For Richard", mostrando o contraste de estilos da banda e a influência do jazz-rock. O álbum foi lançado em agosto, juntamente a uma aparição no Plumpton Festival com Van der Graaf GeneratorYes e Colosseum.


O single "Hello Hello" os ajudou a aparecer no programa de TV Top of the Pops, cantando a faixa-título do álbum.


Dave Sinclair

Caravan começou a construir seguidores ao vivo em meados de 1970, incluindo uma aparição no Kralingen Pop Festival, na Holanda, para um público de 250.000 pessoas e no 10º Plumpton Festival. No outono de 1970, o Caravan começou a trabalhar em um de seus álbuns mais aclamados pela crítica, In the Land of Grey and Pink (1971). O equilíbrio das composições mudou em relação aos dois álbuns anteriores, com Richard Sinclair assumindo um papel mais proeminente.


O disco


Como os caras tiveram problemas para produzir o álbum anterior, If I Could Do It All Over Again, I'd Do It All Over You, o grupo decidiu colaborar com o produtor David Hitchcock. Hitchcock tornou-se um fã da banda e foi uma figura chave para que eles assinassem com a Decca Records. Ele progrediu do departamento de arte da gravadora para a produção e estava ansioso para trabalhar no álbum. O grupo estava apreensivo com o fato de Hitchcock estar trabalhando em If I Could Do It All Over Again... mas depois de descobrir seu entusiasmo e ideias criativas, decidiu que seria uma boa ideia tê-lo como produtor.


A gravação começou em setembro de 1970 no Decca Studios, West Hampstead, Londres. O guitarrista Pye Hastings compôs a maior parte do material dos álbuns anteriores, o que levou a um acúmulo de músicas compostas pelo resto do grupo; conseqüentemente, ele ofereceu apenas uma única música, "Love to Love You (And Tonight Pigs Will Fly)".


O baixista Richard Sinclair escreveu "Golf Girl", uma música sobre sua namorada e futura esposa. Ambas as canções foram compostas em um estilo pop direto, em contraste com algumas peças mais longas do álbum.


O tecladista David Sinclair compôs vários segmentos musicais diferentes que queria unir em um conjunto de canções. O grupo ajudou na organização e junção das seções, resultando em uma peça de 22 minutos, "Nine Feet Underground". A música foi gravada em cinco seções separadas e editada em conjunto por Hitchcock e o engenheiro Dave Grinsted. A maior parte da obra é instrumental, exceto duas seções com letras. David Sinclair tocou a maior parte dos solos da faixa, e de fato o álbum inteiro, tanto no órgão fuzztone quanto no piano.


Richard Coughlan

A maior parte do álbum, exceto "Nine Feet Underground", foi gravada em dezembro no Air Studios em Oxford Street. "Group Girl" foi testada no Decca Studios, mas foi regravada com letras diferentes como "Golf Girl", que apresentava partes de flauta e trombone. "Winter Wine" foi gravada em setembro como um instrumental áspero com vocais sem palavras, mas recebeu uma segunda tentativa no Air Studios, quando já havia adquirido letras sobre sonhos e contos de fadas. A versão final apresenta uma introdução de violão com influência folk e inclui uma seção de órgão improvisada no meio. A última faixa a ser gravada foi a faixa-título, que trazia o som de Richard Sinclair soprando bolhas. O álbum foi mixado na Decca em janeiro de 1971.


Vamos às faixas:


GOLF GIRL


Golf Girl” é uma canção bem divertida, contando com uma sonoridade influenciada pelo rock psicodélico.


A letra é bem curiosa:


It started raining golf balls and she protected me

Her name was Pat and we sat under a tree

She kissed me


WINTER WINE


Winter Wine” oscila entre melodias acessíveis, de origem “pop”, ao mesmo tempo em que apresenta rebuscamento instrumental, com a flauta trazendo um ar bucólico.


A letra é altamente viajante:


Bells chime three times, naked dancers enter slowly

Smoky room, scented gloom, audience eating, fat men drinking

Candles burn, a dull red light illuminates the breasts of four young girls

Dancing, prancing, provoking

Dreams are always ending far too soon


LOVE TO LOVE YOU


Com uma pegada mais simples, os vocais de Pye Hastings versam sobre magias.


A letra fala sobre magia:


I dreamed of all the magic things that be

When we'd ride to a dock on bended knee

But you'd just smile and gently shake your head

And put a hole through me so I was dead

Oh, I'd fall down and I was left alone

With a feeling of you still that was my own


Foi lançada como single no Reino Unido, mas não causou maiores repercussões nas paradas de sucesso.


Pye Hastings

IN THE LAND OF GREY AND PINK


A faixa-título conta com uma musicalidade interessante, um rock com pegada psicodélica e influências folk e ótimos vocais de Richard.


Novamente, a letra é bem viajante:


I dreamed of all the magic things that be

When we'd ride to a dock on bended knee

But you'd just smile and gently shake your head

And put a hole through me so I was dead

Oh, I'd fall down and I was left alone

With a feeling of you still that was my own


NINE FEET UNDERGROUND


Nine Feet Underground” conta com mais de 22 minutos, forte influências do Jazz, 8 seções, sendo a suíte sensacional que encerra o disco. Hastings e Richard dividem os vocais nesta fabulosa peça de arte.


A letra pode ser interpretada como remetendo a boas memórias:


Can't you feel it in the air? I wonder what it's meant to be

It's the thought that can't be spared, and it brings it all back to me

Yes it brings it all back to me


Considerações Finais


O álbum foi lançado em 8 de abril de 1971 e apresentava uma capa influenciada por Tolkien, desenhada por Anne Marie Anderson. Não chegou às paradas no Reino Unido, mas vendeu de forma constante ao longo da década de 1970, com "Nine Feet Underground" se tornando uma faixa popular nas rádios FM noturnas.


O grupo ficou frustrado com a falta de sucesso comercial, o qual atribuíram à falta de promoção da Decca. Em agosto de 1971, David Sinclair aceitou uma oferta para se juntar ao ex-baterista e vocalista do Soft Machine, Robert Wyatt, em uma nova banda, Matching Mole.


A Rolling Stone listou o álbum como número 34 em sua lista dos 50 melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos. Na edição especial Q and Mojo Classic Pink Floyd & The Story of Prog Rock, o álbum ficou em 19º lugar em sua lista de "40 álbuns de rock cósmico".


A banda olha favoravelmente para o álbum. Hastings disse mais tarde que o grupo "começou a atingir o auge de várias maneiras" e elogiou em particular a forma de tocar de David Sinclair e as habilidades de produção de Hitchcock. O Caravan continuou apresentando músicas de In the Land of Grey and Pink em seu repertório ao vivo, principalmente "Nine Feet Underground" e "Golf Girl".


Em 1972 o grupo lançaria seu 4º álbum de estúdio, Waterloo Lily.



Formação:

Richard Sinclair – Baixo, Violão, Vocal

Pye Hastings – Guitarra elétrica, Violão, Vocal

Dave Sinclair – Hammond, Piano, Mellotron, Harmonia vocal

Richard Coughlan – Bateria e Percussão

Músicos Adicionais:

Jimmy Hastings – flauta, sax tenor, flautim

Dave Grinsted – canhão, sino e vento

John Beecham – trombone em "Golf Girl"


Faixas:

1. Golf Girl - 5:05

2. Winter Wine - 7:46

3. Love to Love You (And Tonight Pigs Will Fly) - 3:06

4. In the Land of Grey and Pink - 4:51

5. Nine Feet Underground – 22:43

(Todas as canções compostas por todos os membros do grupo).

Vocais de R. Sinclair e P. Hastings.


Letras:

Para conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:

https://www.letras.mus.br/caravan/


Considerações Finais


Caravan é uma das bandas mais adoradas de Rock Progressivo pertencente a chamada “Cena de Canterbury”, a qual denominava banda e músicos que tinham como elementos em comum em seus trabalhos elementos de música psicodélica, improvisações (derivado do jazz, estilo que serviu como base na carreira de muitos dos músicos) e a presença de humor nonsense em letras ou títulos de composições, além do compartilhamento de integrantes.


In the Land of Grey and Pink é um dos pontos mais altos deste excelente grupo progressivo, pois aponta para os fortes elementos que constituem esta cena musical. A influência psicodélica, em canções mais diretas, enquanto a veia Jazz-Fusion fica evidente nas canções maiores.


E a fantástica suíte “Nine Feet Underground” demonstra fidedignamente toda a categoria dos músicos que compunham a banda e os elementos diferenciais da mesma: alternâncias de sonoridades, dinâmica de movimentos, solos inspirados e melodias belíssimas.


Golf Girl” é contagiante, com uma leve influência pop que dá a ela uma sensibilidade única. A psicodelia come solta na atraente “Love to Love You (And Tonight Pigs Will Fly)” e a roupagem folk e bucólica de “In the Land of Grey and Pink” é marcante.


E claro, nossa preferida é a incrível suíte “Nine Feet Underground”, uma amostra perfeita da categoria de uma banda do porte do Caravan.


Enfim, não há muito mais o que ser dito. O Caravan é uma banda sensacional e até certo ponto desconhecida pela categoria que tem e In the Land of Grey and Pink é um de seus melhores trabalhos.


LUCIFER'S FRIEND - LUCIFER'S FRIEND (1971)



Lucifer’s Friend é o autointitulado álbum de estreia da banda alemã Lucifer’s Friend. Seu lançamento oficial aconteceu em janeiro de 1971, pelo selo Phillips. As gravações ocorreram em novembro de 1970, no TonStudio Maschen e no Windrose, ambos na Alemanha. A produção ficou a cargo de Herbert Hildebrandt.



A banda Stonewall, do vocalista John Lawton, separou-se durante uma turnê na Alemanha Ocidental em 1969. Enquanto o grupo voltava para casa, na Grã-Bretanha, Lawton decidiu ficar na Alemanha por um tempo.


Na Alemanha, Lawton conheceu Peter Hesslein, Dieter Horns, Peter Hecht e Joachim Reitenbach, todos membros de uma banda chamada The German Bonds.


Os cinco se uniram para gravar um álbum com o nome de banda, Asterix, em 1970, logo depois mudando seu nome para Lucifer's Friend.


Peter Hecht

Os primeiros álbuns do grupo seriam lançados pelo selo Vertigo Records na Europa, mas nos Estados Unidos esses álbuns foram lançados por uma série de pequenas gravadoras independentes (Billingsgate, Janus, Passport), muitas vezes um ano ou mais após seu lançamento na Europa.


Assim, apesar do airplay em alguns mercados e de um culto de seguidores, os discos da banda eram difíceis de encontrar e o sucesso comercial lhes escapava.


A banda finalmente assinou um contrato com a Elektra Records em 1977: lançou três álbuns com um som pop mais comercial, mas a essa altura o interesse pelo grupo havia diminuído; esses álbuns tiveram ainda menos sucesso do que os anteriores.


Lucifer’s Friend ficaria conhecido por mudar estilos musicais e influências em cada álbum. A estreia autointitulada, de 1970, continha letras sombrias e um estilo despojado de guitarra e órgão, soando semelhante a Deep PurpleUriah HeepLed Zeppelin e Black Sabbath. Este álbum ainda é procurado pelos fãs dos primórdios do heavy metal.


O disco


O álbum foi gravado nos estúdios TonStudio Maschen e Windrose-Dumont Time Studios, ambos na Alemanha, com produção de Herbert Hildebrandt e coprodução da própria banda.


Peter Hesslein

A arte da capa, bastante sombria (para a época), foi obra do Juligan Studio. Algumas prensagens originais vinham em um belíssimo LP Gatefold.


RIDE THE SKY


Com uma força e um peso impressionantes, “Ride the Sky” possui um riff principal matador e John Lawton arrasando nos vocais. Que música!!!


A letra fala em alto astral:


Hey world look out I'm coming

Friends pass me by and you saw me humming

Mars, Venus and stars

Shaking their heads at me

No more todays, tonight I'll be riding the sky


EVERYBODY’S CLOWN


Everybody’s Clown possui uma pegada que lembra o Deep Purple da Mark II, com os teclados e a guitarra bem proeminente, sendo um Hard Vigoroso.


A letra fala sobre mudança de perspectiva:


Stop the world I need a little time right now

In my head I'm so confused

Busy little people in their big machine

Haven't got the time to feel abused


KEEP GOIN’


Keep Goin’” tem um ritmo cadenciado, alternando momentos de clamaria com outros de intensidade absurda, com os teclados dominantes!


Letra fala sobre perseverança:


Keep going they're hot on your heels

The longer you rest now the harder it feels

Nobody will open the door

Even your friends won't know you no more


TOXIC SHADOWS


Toxic Shadows” oscila em termos de sonoridades, com uma pegada jazz em algumas passagens, mostrando uma influência prog e uma atuação impecável de Lawton nos vocais.


A letra possui um certo fatalismo:


I smell coal dust in your hair

You who bakes in A house of fire

with your feeling finger

Take my hard rock, put it there

Ooh babe just a little bit higher


John Lawton

FREE BABY


Em “Free Baby”, os teclados são bem proeminentes e toques de rock espacial são muito presentes.


A letra fala sobre uma dama livre:


Hey baby is IT mine or someone else's bed

you're sleep tonight

Tell me baby, if it's someone else, make sure

that he will treat you right

When you're on your own you play around


BABY YOU’RE A LIAR


Baby You’re a Liar” é curta, direta, indo certeira ao ponto, com um grande trabalho do órgão e das guitarras. Que porrada!


A letra é sobre uma garota mentirosa:


Now I've had the time to think about

where I went wrong

I know I'd run a mile to do it all once more

Spending lonely nights with someone

that I know I'll never love

Wishing things was like they were before

But I've gotten wiser to you babe

Baby I'M a liar and I fell I for you

Baby couldn't get no higher with you - no, no, no

Baby now you've gone away from me

it's all over, don't bother waiting


IN THE TIME OF JOB WHEN MAMMON WAS A YIPPIE


In the Time of Job When Mammon Was a Yippie” traz uma pegada mais pesada e direta, na qual a potência das guitarras é fundamental.


A letra é divertida:


Mary said to Joe there ain't no play

that's easy

You want to see them fall for the tricks

All we got to do is let them take it easy

And make like he's working for kicks


LUCIFER’S FRIEND


A faixa-título encerra o trabalho de forma poderosa, unindo Hard e Prog, com exuberância instrumental e vocais matadores de Lawton.


A letra tem um tema de horror:


Fear and fright since yesterday night

The little man knocked at my window

The hour he'd want but he had to run

But he'll BE back again

Since yesterday night, I lived in fear of fright

I still hear his voice shouting

through the night


Considerações Finais


Apesar de sua inegável qualidade, a estreia do Lucifer’s Friend não fez qualquer barulho em termo das principais paradas de sucesso, a britânica e a norte-americana.


A ótima “Ride the Sky” foi lançada como single, mas obteve os mesmos resultados do disco.


Atualmente, o disco é reconhecido como uma peça influente no desenvolvimento do Heavy Metal e é um item muito procurado por fãs dos primórdios do Heavy Metal e |Hard Rock. Críticas contemporâneas enaltecem o trabalho, como o site AllMusic, por exemplo.


O segundo álbum do grupo, Where the Groupies Killed the Blues, seria lançado em 1972.



Formação:

John Lawton – Vocal

Peter Hesslein – Guitarra solo, Percussão

Peter Hecht – Órgão, Piano, Trompa (em "Ride the Sky")

Dieter Horns – Baixo

Joachim Rietenbach – Bateria, Percussão


Faixas:

01. Ride the Sky - 2:55

02. Everybody's Clown - 6:12

03. Keep Goin' - 5:26

04. Toxic Shadows - 7:00

05. Free Baby - 5:28

06. Baby You're a Liar - 3:55

07. In the Time of Job When Mammon Was a Yippie - 4:04

08. Lucifer's Friend - 6:12


Letras:

Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/lucifers-friend/


Opinião do Blog:

A ausência de sucesso comercial e de reconhecimento poderia indicar que a banda Lucifer’s Friend seria algo menor ou descartável. Porém, a realidade se trata exatamente o oposto.


Este disco de estreia do grupo alemão se trata de um item essencial e praticamente obrigatório para os amantes dos primórdios do Hard Rock e do Heavy Metal. As guitarras cortantes de Peter Hesslein em associação com os teclados de Peter Hecht trazem à memória, bandas como o Deep Purple e o Uriah Heep praticamente de modo imediato.


Toda esta massa sonora é recheada pela atuação vocal soberba do grande John Lawton, um vocalista muito competente e bastante talentoso, mas muitas vezes esquecido e subestimado. Este álbum é um retrato fiel do talento de Lawton.


Everybody’s Clown”, “ Toxic Shadows” e a faixa-título mesclam o Heavy Rock com arranjos complexos, dando uma amostra da sonoridade mais intrincada que o grupo exploraria no futuro. “Keep Goin’” é uma porrada, bem como a excelente “Baby You’re a Liar”.


Mas a nossa favorita é mesmo a impactante “Ride a Sky”, uma canção com o poder metálico de grupos como o Black Sabbath e a voz impressionante de Lawton.

Lucifer’s Friend iria alternar a sua sonoridade durante sua existência, com trabalhos posteriores mergulhando o grupo em experimentos mais voltados ao Rock Progressivo ou mesmo ao Jazz Fusion. Entretanto, escolhemos a pesadíssima estreia do grupo para apontarmos como esta banda merece um resgate urgente.

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