sábado, 25 de outubro de 2025

PEROLAS DO ROCK N´ROLL - PROGRESSIVE ROCK - BARBARELLA - Same - 1975



Pérola vinda da Dinamarca, formada e ativa na primeira metade dos anos 70, contando com o baterista Terje Barnholdt (ex-Terje Jesper og Joachim). O grupo Barbarella lançou um único álbum em 1975, que teve relativo sucesso local e ganhou uma segunda versão no mesmo ano, com músicas e letras em inglês e nova capa, mirando vendas na Inglaterra e EUA. Infelizmente a banda fracassou e logo se desfez, caindo na obscuridade.
O disco homônimo é composto por 8 curtas faixas, que misturam rock progressivo com alguns traços comerciais e de fácil audição, trazendo uma atmosfera alegre e tranquila na maioria do tempo. Essa primeira versão tem apenas letras em dinamarquês, dando um diferencial ao som, o instrumental encontra os melhores momentos no sintetizador de Kaare Barkou, com ótimos solos, junto de percussão, flauta e guitarra. Destaque para as faixas "Dagene Går",  "Hvis Du Tror At Jeg Er Skør" e "Hun Maser Sig Ind".
Pérola recomendada para fãs de rock progressivo, apesar um pouco datado.




Gerner Bresson (vocal, flauta)
Henning Pold (baixo, vocal)
Terje Barnholdt (bateria, percussão)
Kaare Barkou (teclados, vocal)
Kenneth Carter (guitarra, vocal)

01 Barbarella 6:52
02 Dagene Går 3:44
03 50% Chance 2:46
04 Go’ Gammeldags Facon 5:14
05 Livet Er Osse For Mig 4:48
06 Hvis Du Tror At Jeg Er Skør 3:35
07 Hun Maser Sig Ind 6:03
08 Gå Gennem Gaderne 2:35






The La's - "The La's" (1990)

 

“A The La’s é a [banda] que está mais próxima do sublime.” 

O mais puro e original som saído diretamente de Liverpool e que marcou as gerações futuras de roqueiros. Quatro jovens rapazes, que, por um curto espaço de tempo, promoveram uma revolução na música pop. Não, não estamos falando dos Beatles. Outra banda da mesma cidade do noroeste da Inglaterra, guardadas as devidas proporções de abrangência e profusão, também teve papel fundamental para a linha evolutiva do rock feito na Terra da Rainha: a The La's

Se Paul, John, George e Ringo transformaram a música mundial em menos de 10 anos, a atuação deste outro quarteto, liderados por Lee Mavers (voz e guitarra), mais Peter "Cammy" Cammell (guitarra), Neil Mavers (bateria) e John Power (baixo, vocais), foi ainda mais meteórica. Tanto que, diferentemente dos primeiros, autores de 13 discos de estúdio nos libertários anos 60, a The La’s registrou apenas um histórico e irreparável álbum no início da instável e inconstante última década do século passado. Tempo suficiente, contudo, para seu rock sintético, melodioso e inspirado influenciar toda a geração do rock britânico dos anos 90, a qual teria na figura da Oasis a sua maior representação. Aliás, tanto a banda dos irmãos Gallagher quanto outras como BlurRide, Lemonheads e Supergrass, que, juntamente com a leva do grunge norte-americano, dominaram a cena rock noventista. O self-titled da The La’s, o qual completa 30 anos de lançamento, ao lado do igualmente estreante da Stone Roses, de um ano antes, ajudariam a formatar a estrutura que o britpop passaria a ter a partir de então. 

Esta perspectiva sonora passa, como não poderia deixar de ser, pelos originais rapazes de Liverpool. Melodias vocais apuradas, riffs criativos, reelaboração das bases do blues e a energia da Swingin’ London que remetem inevitavelmente a Fab Four. No entanto, o trunfo da The La’s vai além disso, uma vez que captam tudo aquilo que veio antes deles em termos de rock, como o glam, o punk, o pós-punk, o collage, o shoegaze e o indie. Isso faz com que o som do grupo, muito bem produzido pelo craque Steve Lillywhite junto com Mark Wallis, soe certeiro, objetivo, sem rodeios. Psicodélico na medida certa e com tudo no lugar: timbres, vocais, arranjos e instrumentação.

O quarteto liderado por L. Mavers: inconstância 
que lhes rendeu apenas um álbum

Rock, aliás, quando é bom, não tem muito o que se falar. Basta curtir. É o que faixas como a de abertura, “Son of a Gun” (rock no melhor estilo Buffalo Springfield), “I Can't Sleep” (cujo riff já ouvi de uma dita original banda brasileira...) e ”Timeless Melody” (mais Oasis, impossível) fazem: deixar quem as escuta sem palavras – porém, altamente empolgado. Que riffs grandiosos! A postura propositiva típica de um rock puro com seu saudável grau de afetação, mas despido de egocentrismo desnecessário. É rock bom e pronto! “Liberty Ship”, “Doledrum” e “Feelin'” são aulas de como fazer um country-rock. Igual pedagogia são as bluesers “I.O.U.” e “Failure”, esta última, com uma pegada do psychobilly da The Cramps. Nesta linha também, mas retrazendo a atmosfera picaresca de Syd Barrett, “Freedom Song”, outra excelente. Ainda, a balada “Looking Glass”, que encerra dignamente o álbum sob de uma melodiosa base de violão e os vocais saborosamente insolentes de Lee Mavers.

O conceito da The La's foi seguido, naqueles anos 90 de ascensão do tecno e da acid house, por outros artistas que não deixaram a música pop degringolar e repuseram o rock no seu lugar de destaque. Repetindo a "volta às raízes" que os Bealtes propuseram em “Let It Be”, os tarimbados R.E.M. (“Monster”, 1993) e Titãs (“Tudo ao Mesmo Tempo Agora”, 1991) seguiram a linha da The La’s de reencontrar a “pureza perdida”. Para novas bandas de então, como The StrokesThe Killers e Kings of Leon, pode-se dizer ainda mais fundamental a proposta desses irmãos dos Beatles. Seja de maneira mais conceitual ou por influência direta, o fato e que seu único e exemplar disco relembrou ao gênero rock, o qual recorrentemente se desvirtua demais de si mesmo, que “menos é mais”, que o “certo é o fácil”. Ter entendido este ensinamento talvez tenha sido o grande mérito da Oasis, cujo sucesso mundial provavelmente seria ameaçado caso a própria The La’s não ficasse somente no primeiro tiro, o que, mesmo cultuados, inegavelmente lhes limitou ao meio underground

Tá certo: é exagero comparar a The La’s aos autores de "Yesterday", afinal, esta disputa talvez seja somente cabível quando se fala em Rolling Stones. Mas que a The La’s é a segunda melhor banda de Liverpool (junto com a Echo & the Bunnymen, claro), isso é bem provável. Rankings como dos 40 grandes álbuns únicos de um artista/banda da Rolling Stone, em que o disco aparece em 13º, e da Pitchfork, no qual é apontado como um dos principais álbuns do britpop de todos os tempos, não deixam mentir. Por motivos pouco explicados, logo após lançá-lo, Mavers encheu-se e quebrou os pratos com os parceiros. A cara dos anos 90: instável e inconstante. Mesmo tendo havido esporádicos retornos posteriormente, o principal resultado daquilo que produziram fez com que virassem lenda, que é este incrível álbum. O primeiro e, como o próprio nome da banda sugere, “último”. E se não fosse o azar de terem nascido na mesma terra dos Beatles, eles seriam certamente os primeiros.

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The La's - Clipe de "There She Goes"


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FAIXAS:
1."Son Of A Gun" - 1:56
2. "I Can't Sleep" - 2:37
3. "Timeless Melody" - 3:01
4. "Liberty Ship" - 2:30
5. "There She Goes" - 2:42
6. "Doledrum" - 2:50
7. "Feelin'" - 1:44
8. "Way Out" - 2:32
9. "I.O.U." - 2:08
10. "Freedom Song" - 2:23
11. "Failure" - 2:54
12. "Looking Glass" - 7:52
Todas as composições de autoria de Lee Mavers



Kula Shaker - "K" (1996)

 


saudações à deusa Krishna
na canção "Govinda"



Cara, Kula Shaker é muito Beatles!

Mas calma, não precisam se exaltar os beatlemaníacos mais apressados. Não estou dizendo que é igual, não estou dizendo que é melhor. Não são os novos Beatles. Mas a vibe de "K", o disco de estreia desses ingleses é muito a cara do quarteto de Liverpool. A psicodelia, a "pureza", aquela energia com ares de rock sessentista, os vocais em dueto, os coros de fundo nos refrões, o experimentalismo, a produção com aquela sujeira quase artesanal das guitarras... Tudo está lá.

"Into the Deep", "Magic Theatre", "Hollow Man", dividida em duas partes igualmente viajandonas, e até "Grateful When You're Dead", que faz referência direta a outra banda (Grateful Dead), são provas incontestes dessa influência.

Isso sem falar no toque oriental, indiano, característico daquelas coisas que George Harrison, especialmente, gostava de fazer, e que dão a tônica praticamente de todo o álbum. A própria capa não deixa dúvidas, não. "Sleeping Jiva", instrumental executada toda com instrumentos típicos hindus; a lisérgica "Tattva" um transe rock'n roll; a celebração reverencial de "Temple of Everlasting Light"; e, especialmente, "Govinda", uma peça apoteótica, e a que melhor conjuga o psicodelismo rock'n roll com a sonoridade exótica e suas representatividades espirituais, são os melhores exemplos dessa revisita aquela rica fusão que Harrison já levara seus companheiros de banda a experimentar lá nos idos dos 60's.

Destaque também para o rock estridente da vibrante "303", para a balada folk "Start All Over, com cara de "Rubber Soul", e para o funk-rap-krishna psicodélico "Hey Dude", cuja semelhança, "por mínima que seja", com algum título de música dos Beatles que você conheça, provavelmente, não terá sido mera coincidência.

Imitação? Não. Eu diria inspiração. E os rapazes do Kula Shaker tiraram bom proveito da fonte nesse seu magnífico "K".


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FAIXAS:

  1. Hey Dude
  2. Knight on the Town
  3. Temple of Everlasting Light
  4. Govinda
  5. Smart Dogs
  6. Magic Theatre
  7. Into the Deep
  8. Sleeping Jiva
  9. Tattva
  10. Grateful when You're Dead / Jerry Was There
  11. 303
  12. Start All over
  13. Hollow Man

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Ouça:
Kula Shaker - K



Kraftwerk - "Trans-Europe Express" (1977)

 


"Os fundamentos da moderna música eletrônica dançante estão todos neste disco."



“Ah, mas já tem um Kraftwerk nos AF, não viste ? é o "Radio-Activity"!” Vi sim, criatura, mas aonde é que tá escrito que cada artista só pode ter um Álbum Fundamental, hein ? Bom, devo dizer que meu primeiro contato com esta obra foi através de uma fita que não sei quem me emprestou e no final das contas não cheguei a escutar. Tempos depois resolvi comprar no setor de discos das lojas Renner, ali no centro de Porto Alegre, subsolo. Cheguei em casa e coloquei o LP para tocar. E é um disco bárbaro de somente 7 faixas ! Como todo álbum fundamental tem começo, meio e fim e cada música cumpre essa função magistralmente.  Este disco é o resultado de 5 álbuns anteriores, e pode-se notar escutando-os (que comprei todos depois desse) que a base das idéias já estavam contidas lá, mas lhes faltavam recursos técnicos e tecnológicos para chegar ao ponto que chegaram nesse disco. Os fundamentos da moderna música eletrônica dançante, sequenciadores, batidas, climas estão todos ai nesse disco de 77. Inicia com “Europe Endless”, que serve como cartão-de-visitas do disco. Esta música lança os fundamentos de toda uma geração que iria despontar como astros pop 10 anos depois. Tem um “linha de baixo” marcante e pontilhada por sequenciadores e uma bateria eletrônica que vão dando o clima de viagem que marca todo o disco. Em seguida vem “Hall of Mirrors” a música da Starsax “o calçado da geração jeans” como era conhecida a música no Rio Grande do Sul, pois era a trilha sonora de um comercial de sapatos para o público jovem na década de 80. É uma música bem mais lenta que a anterior mas que possui um clima muito bem elaborado e que se for possível deve ser escutada com fones de ouvido pra sentires os efeitos passeando pela tua cabeça. E o lado A do disco termina com “Showroom Dummies” que é uma música bem estranha, que se pode considerar o primeiro “reggae eletrônico” do mundo, por falta de definição melhor. Vira-se o disco e começa o lado B com “Trans-Europe Express” que com sua batida hipnótica e teclados que de vez em quando marcam climas um tanto sinistros, mas ótimos e uma voz que repete Trans-Europe Express e vai narrando por onde esse trem já teria passado. E esta música já emenda na “Metal On Metal” que essa sim, mãe de todos os sons que nos anos 90 viriam se chamar de industriais etc e tal. Toda pessoa que já foi a uma indústria percebeu que as máquinas possuem um ritmo de trabalho e um som e é isto que essa música faz, reproduz o ritmo industrial pela música. Para mim é a música mais linda deste disco. Depois dessa faixa bem marcada, vem um exercício musical eletro-clássico chamado “Franz Schubert”, muito interessante e que serve de ponte para a musica final do disco (ou vinheta) que é a “Endless Endless”. Termina o disco e eu me levanto e aplaudo de pé !

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FAIXAS:
1. "Europe Endless" (9:35)
2. "The Hall of Mirrors" (7:50)
3. "Showroom Dummies" (6:10)
4. "Trans-Europe Express" (6:52)
5. "Metal on Metal" (6:44)
6. "Franz Schubert" (4:25)
7. "Endless Endless" (0:55)

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Ouça:
Kraftwerk Trans-Europe Express



Amon Düül II - Kobe

 


Nenhuma das músicas contidas nestes discos é nova: eles apresentam apenas uma faixa longa por álbum, uma mistura de trechos de jams lançados e inéditos de 1969/1970; a maioria dos temas é bem conhecida dos fãs do Düül, mesmo que os títulos sejam enganosos e não os mencionem.

Historicamente, isso pode ter alguma importância para o material inédito, que brevemente sugere o método de composição do Düül II nos velhos tempos: jams espontâneas são então organizadas em partes com a adição de material previamente composto para forjar músicas como Soap Shop Rock (da qual também temos algumas partes aqui).


De qualquer forma, a estrutura da peça é ofensivamente enganosa, com edições de áudio contínuas e temas de mixagem que não se encaixam em nada, o que significa que o resultado é duvidoso, confuso, dilatado, chato e parece não levar a lugar nenhum. A completa ausência de partes cantadas torna ainda mais difícil acompanhar a audição completa. (Por Lord_Corkscrew 14 de janeiro de 2009)


Álbum de estúdio, lançado em 1996

 Lista de faixas

1. Hallimasch (11:29)
2. Kupplungen (13:25)
3. Kronwinkel 13 - Der Große Herd (11:03)
4. Verwandschaft (0:24)
5. Trabbi-Town (14:47)
6. Tramin BF 309 (14:33)

Tempo total: 65:41

Formação 

* Créditos não disponíveis no momento *


Informações sobre lançamentos

Um remix de material antigo

Arte: Akifumi Nakajima




Neu! (1972)

 

Um som Brand Neu!

O Neu! havia reservado apenas quatro dias de estúdio para gravar seu primeiro LP. No entanto, dois dias depois, eles mal tinham algo que valesse a pena usar. O baterista Klaus Dinger e o multi-instrumentista Michael Rother participaram de uma versão inicial do Kraftwerk (bateria e guitarra) em 1971 e, apaixonados pela sensação de tocar aqueles ritmos repetitivos e mecânicos ao vivo, formaram sua própria banda. Chamavam-se Neu! e seu objetivo era simples assim: fazer um tipo de música totalmente novo, diferente de tudo o que já havia surgido. Reunidos com o produtor do Kraftwerk, Conny Plank, em um estúdio em Düsseldorf, Dinger e Rother esperavam por mágica. Com metade do tempo perdido, eles estavam com dificuldades.  


Então Neu! reduziu as coisas à mais pura simplicidade: Dinger na bateria, Rother no baixo. Começaram a tocar os ritmos mais simples — Dinger comandando a batida 4/4 constante e irrestrita que se tornaria sua marca registrada — e, lentamente, aumentaram a tensão, o andamento e a intensidade.
 Como uma locomotiva ganhando velocidade ou um carro oscilando pelas linhas irregulares da rodovia, era a música que viajava; sua constância mecanizada trazia consigo, ironicamente, uma sensação de liberdade absoluta.

Nessa libertação, em uma música chamada "Negativland", Dinger e Rother encontraram o som do Neu! e fundaram um ritmo, um disco e, se quisermos defini-lo liberalmente, um movimento inteiro. Para muitos, o krautrock nasceu no Neu! e, depois disso, a música mudaria para sempre.

Into the Forever

Though, "Negativland" foi o momento Eureka! para Neu! (e embora a música tenha dado nome a uma banda americana de caçadores de direitos autorais quase tão infame e influente quanto o Neu!), ela não foi, e ainda não é, a música definidora de seu LP de estreia.

Essa honra pertence à salva de abertura de dez minutos do Neu!, "Hallogallo", que simplificou as ideias cristalizadas em "Negativland" e aproveitou essa noção de "movimento" à perfeição absoluta. Iniciando o Lado A, "Hallogallo" emerge do abismo, com o ritmo "motorik" oscilante de Dinger pulsando para a frente, enquanto Rother cria tons de guitarra harmonizados e fragmentos de cordas esfoladas com um efeito silenciosamente cósmico.

Essas duas músicas são os cortes definidores do Neu!, e ainda hoje são as músicas definidoras de toda a discografia da banda; lugares onde qualquer musicólogo que queira explorar a história do krautrock começa.

Isso significa que muitos ignoram as músicas mais nebulosas e menos dinâmicas do álbum; Interlúdios experimentais como a atmosfera inquieta, meio atonal e estrondosa de gongos de "Sonderangebot", a paisagem marinha sonora de "Im Glück" ou a delirante e bizarra "canção de amor" de Dinger, "Lieber Honig", uma balada de arte marginal automitologizante que rivaliza com Skip Spence ou Vincent Gallo.

A batida de Dinger está visivelmente ausente de qualquer uma dessas músicas, mas elas não são meras peças de preenchimento. Em vez disso, sua estranheza confere ao álbum uma sensação de aventura genuína, como se o Neu! pudesse virar em qualquer direção a qualquer momento. Às vezes, a vida é uma estrada e eles querem segui-la, outras vezes a jornada é para os reinos mais assustadores do interior. De qualquer forma, é uma viagem que vale a pena fazer.

Faixas:
1. Hallogallo (10:07)
2. Sonderrangebot (04:51)
3. Weissensee (06:45)
4. Jahresübersicht - Im Glück (06:53)
5. Jahresübersicht - Negativland (09:33)
6. Jahresübersicht - Lieber Honig (07:18)

Neu! são:
Michael Rother — guitarra, baixo
Klaus Dinger — banjo japonês, bateria,guitarra




sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Harmonia 'Musik Von Harmonia' (1974)

Quero ler algumas das notas do encarte, escritas por um amigo da banda, Asmus Tietchens, que também faz música eletrônica desde 1965. Ele diz: "Foi uma sensação quando as revistas musicais anunciaram, em 1973, que Dieter Moebius, Hans-Joachim Roedelius e Michael Rother planejavam trabalhar juntos. Sob o nome CLUSTER, Moebius e Roedelius já ocupavam um lugar indispensável na cena da música eletrônica a partir de 1969. Rother era conhecido como um dos pais fundadores de 1971, além de membro extravagante da banda NEU! No entanto, a perspectiva de os três unirem forças parecia delicada demais para ser verdade. Naquela época, o álbum "Zuckerzeit" do CLUSTER ainda não havia sido lançado.
lançado, e assim os ouvintes em potencial tiveram que se perguntar sobre o que Roedelius e Moebius estavam realmente vindo produzir ao se entregarem a experimentos rítmicos. O fato de que eles estavam buscando música rítmica era claro como o dia, e o próprio nome de Michael Rother representava uma garantia disso. Suas composições, bem como sua maneira inconfundível de tocar guitarra e teclado, poderiam de fato ser consideradas cruciais para o sucesso do projeto NEU! As pessoas mal podiam esperar para ouvir HARMONIA, como os três se autodenominavam. Foi já em 1973 que o HARMONIA começou a fazer shows antes de finalmente lançar seu primeiro álbum com o título simples "Musik Von Harmonia" (Música por Harmonia). Ele continua dizendo: "Musik Von Harmonia é um álbum bonito e elegante, minimalista e animado, que é quase completamente tocado "à mão", exceto pelo fato de que eles usaram uma bateria eletrônica automática. Assim como CLUSTER e NEU!, eles se viraram sem sequenciadores híbridos ou sintetizadores gigantescos, mas se concentraram em reagir de forma sensível uns aos outros, bem como em criar o que pareciam sons e ruídos extremamente estranhos". Além disso, "Musik Von Harmonia é música pop experimental no sentido literal das palavras. No que diz respeito às estruturas e peças harmoniosas e rítmicas (pop), aos sons e ruídos requintados, bem como aos seus arranjos (experimental), não há dúvida alguma sobre isso". "Watussi" nos saúda com aquela batida familiar e aqueles sons agudos pelos quais HARMONIA seria conhecida. Outros sons se juntam a esta faixa motorizada. "Sehr Kosmisch" é a minha favorita. É bastante sombria, com batidas que lembram batimentos cardíacos, além de pulsos e ondas. Piano e sons agudos antes dos 4 minutos e meio, conforme o clima muda um pouco. Um ritmo distante vai se formando até dominar. Termina, porém, antes dos 7 minutos, tornando-se espacial com piano esparso. Uma batida por volta dos 9 minutos e meio pulsa enquanto o piano para e os sons espaciais continuam. "Sonnenschein" tem uma batida forte com todos os tipos de sons ajudando. Algo cativante, eu gosto! Ela para abruptamente. "Dino" é outra faixa com som motorizado e eu também gosto da guitarra. "Ohrwurm" tem esses sons mecânicos que se movem em torno de Starngley enquanto outros sons pairam e pulsam. É um tanto sinistro e sombrio. "Ahoi!" é pastoral, com violão dedilhado e outros sons auxiliando. Aos 3 minutos e meio, uma paisagem sonora diferente surge e substitui a primeira rapidamente. "Veterano" é uma faixa acelerada com um ritmo imponente novamente. Piano e batidas lideram o caminho enquanto a guitarra toca por cima. "Hausmusik" tem piano e percussão se destacando no início, mas um minuto depois, um som diferente surge e eventualmente toma conta da paisagem sonora anterior.É rítmico, mas espacial, e então o piano retorna enquanto essa paisagem sonora rítmica desaparece. Há uma vibe melancólica nesta faixa

Um ótimo começo para esses caras e a magia continuará em seu segundo lançamento "Deluxe".

Tracklist:

 1. Watussi 06:00
 2. Sehr Kosmisch 10:59
 3. Sonnenschein 03:57
 4. Dino 03:33
 5. Ohrwurm 05:10
 6. Ahoi! 05:15
 7. Veterano 03:59
 8. Hausmusik 04:33

TotalTime:43:30

 Dieter Moebius - synthesizer, guitar, electronic percussion, nagoya harp, vocals
 Hans-Joachim Roedelius - organ, piano, guitar, electronic percussion, vocals
 Michael Rother - guitar, piano, organ, electronic percussion, vocals
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Harmonia is a Krautrock supergroup from Germany. They formed as a collaboration between Michael Rother of Neu! and Hans-Joachim Roedelius and Dieter Möbius of Cluster and later included the British musician Brian Eno.

MUSICA&SOM ☝




Guru Guru - 1970 - UFO

 

Um grupo de músicos de free jazz enfeitiçados pelo rock'n'roll (e,
 bem, pelo acid também), o Guru Guru aplicou sua
formação experimental, interpretativa e improvisada ao rock psicodélico.
Seu álbum de estreia — batizado, sem ironia, de UFO — mergulha de cabeça nos
confins da galáxia sonora conhecida; a banda toca todos os tipos de
 sons malucos com uma formação absolutamente normativa de guitarra, baixo e
bateria. A faixa-título de 10 minutos do álbum é um mergulho destemido em
 estados de transe totalmente livres e completamente bizarros, e é seguida pela
 faixa final frita e estranguladora de flauta "Der LSD Marsch", cujo título é um
 bom exemplo dos hábitos de consumo do Guru Guru,
tanto na época quanto no futuro.
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5 estrelas O disco de estreia do Guru Guru, UFO, é uma verdadeira experiência krautrock e oferece todos os aspectos que poderíamos esperar de um disco krautrock: acid rock, viagens espaciais e originalidade.

O lado um é repleto de jams de acid rock que lembram um pouco as experiências ao vivo de Jimi Hendrix, mas sem a parte do blues. A bateria tem um toque industrial e este trio de krautrockers toca de forma muito coesa e interativa. É incrível que a duração deste lado seja de cerca de 18:30, sem muita variação sonora, mas continuamente emocionante. Depois de ouvir pela primeira vez, minha esposa me disse: "Nossa, a guitarra parece uma garota tendo um orgasmo!". Bem, essa música se chama "Girl Call": acho que era esse o significado!

O segundo lado começa com a faixa-título UFO. Esta faixa de 10 minutos é uma verdadeira obra de arte. Não é música nem composição: parece que há um OVNI pousando no seu quintal! Certa vez, um amigo meu estava ao telefone enquanto ouvia este disco e ele me perguntou se eu estava sentado em um trem por causa do som de fundo. Bem, é um pouco sobre isso que esta faixa fala: alguns sons sobrenaturais criados por equipamentos eletrônicos, misturados com fitas de sons de trens e máquinas. Esta é uma verdadeira viagem espacial de uma forma que eu nunca tinha ouvido antes. A última música soa como as músicas do primeiro lado; rock ácido tocando da melhor forma.

Eu realmente adoraria o jeito único de viagem espacial da faixa-título, e as partes ácidas de spacerock são mais do que perfeitas. Esta originalidade e consistência do disco serão recompensadas com nada menos que cinco estrelas!
the philosopher | 5/5 | 2012-1-30


 Lista de faixas

1. Stone In (5:43)
2. Girl Call (6:21)
3. Next Time See You At The Dalai Lhama (5:59)
4. Ufo (10:25)
5. Der LSD / Marsch (8:28)

Tempo total: 36:56

 Músicos

- Ax Genrich / guitarra, efeitos
- Uli Trepte / baixo, eletrônica
- Mani Neumeier / bateria elétrica, prato, gongo, eletrônica, fita, vocais





Destaque

Kleiton & Kledir – Kleiton & Kledir (1980)

  O álbum de estreia homônimo da dupla Kleiton & Kledir (1980), lançado pela Ariola, consolidou a carreira dos irmãos gaúchos após o fim...