sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Human Fortress - Stronghold (2025) Alemanha

 

Stronghold, o oitavo álbum de estúdio dos veteranos do Epic Power Metal alemão Human Fortress, lançado a 17 de outubro de 2025 pela Massacre Records, marca um ponto de viragem e um regresso triunfante para a banda.

Após o seu último álbum de estúdio, Reign of Gold (2019), o Stronghold apresenta-se como um trabalho mais direto e agressivo, resultante de uma mudança crucial na sua formação: a ausência de um tecladista a tempo inteiro levou a banda a concentrar-se mais no essencial.

O Som: Mais Pesado, Mais Épico, Menos Sinfónico
O álbum foi produzido pela própria banda e misturado e masterizado pelo famoso Alexander Krull (Atrocity, Leaves' Eyes), o que lhe confere um som potente e polido.

Domínio da Guitarra: A ausência proeminente dos teclados (que historicamente davam ao Human Fortress o seu toque sinfónico) permitiu que os guitarristas Todd Wolf e Volker Trost assumissem o controlo total. O resultado é um som mais agressivo e focado no riff, com mais peso do que os seus antecessores. A essência do Epic Heavy Metal está mais forte do que nunca, com riffs crunchy e linhas melódicas superiores.

Vocais de Mestre: O vocalista brasileiro Gus Monsanto (ex-Tears of Anger, ex-Revolution Renaissance) está impecável. A sua voz está um pouco mais distante do agudo típico do Power Metal, assemelhando-se a uma mistura entre o registo de D.C. Cooper e Ralf Scheepers. Monsanto entrega uma performance forte e comovente, encaixando-se perfeitamente nos temas mais sombrios do álbum.

Temas Sombrios e Profundos: Liricamente, o Stronghold explora o lado mais sombrio do ser humano, abordando a dor, a redenção e "o abismo da alma humana", o que complementa a sonoridade mais pesada.


Destaques das Faixas

"Stronghold" (Título): Uma abertura típica do Euro-Power Metal, cativante, melódica e com o tema principal reconfortante que os fãs esperam.

"The Abyss of Our Souls" (Single): Considerada uma "bomba épica para o ouvido", esta faixa de Metal Melódico capta a intensidade emocional e a narrativa dramática do álbum. É descrita como tendo um chorus que "não sai da cabeça".

"Pain" e "Silent Scream": Estas faixas tendem para um lado mais obscuro e pesado, fazendo lembrar bandas como os Mob Rules, enquanto outras como "Road to Nowhere" trazem um toque Hard Rock mais catchy.

"Mesh of Lies": Uma das faixas de destaque, com uma abundância de interação melódica de guitarra e uma bateria vigorosa, que mostra a banda no auge da sua forma.


O Veredicto

Stronghold é um baluarte sónico que equilibra a agressão moderna com o Metal clássico. Não reinventa a roda, mas cumpre o que promete: Power Metal melódico, épico e bombástico da mais alta qualidade alemã.

Para os fãs de longa data, a redução dos elementos sinfónicos poderá ser uma surpresa, mas a ênfase renovada nos riffs e a produção poderosa resultam num dos trabalhos mais firmes e coesos da sua carreira recente. O álbum reafirma o estatuto do Human Fortress como uma instituição respeitada do Epic Metal alemão.


Recomendado para: Fãs de bandas como Orden Ogan, Mob Rules, Kamelot (primeira era) e Helloween. Um álbum essencial para quem procura Power Metal pesado e catchy.



Temas:
Disc 1

1.Stronghold 03:21
2.The End of the World 03:55
3.Pain 04:07
4.Mesh of Lies 04:37
5.The Abyss of Our Souls 04:38
6.Under the Gun 04:43
7.Silent Scream 03:50
8.Death Calls My Name 04:07
9.Road to Nowhere 04:05
10.The Darkest Hour 04:38

Disc 2

1.Obey Another Lord 04:06
2.Pathfinder 03:53
3.Lost with the Wind 04:51
4.We Are Legion (Japan Bonus Track) 05:38

Banda:

Gus Monsanto - Vocals (2013-present)
Torsten "Todd" Wolf - Guitars (1999-present)
Volker Trost - Guitars (1999-present)
Andre Hort - Bass (2013-present)
Apostolos Zaios - Drums (2000-present)
Axel Herbst - Keyboards (2023-present)




The Southern River Band - Easier Said Than Done (2025) Austrália

 

Easier Said Than Done, o quarto álbum de estúdio dos rockers australianos The Southern River Band (TSRB), lançado a 17 de outubro de 2025 pela Civilians, é um trabalho gloriosamente cru, suado e totalmente descomprometido com as tendências modernas.

A banda de Perth solidifica o seu lugar como uma das melhores exportações de Rock & Roll da Austrália, entregando um álbum que é a essência do pub rock australiano e do classic rock americano dos anos 70 e 80.

O Som: Rock de Estádio com Boogie de Bar

O álbum, produzido pelo conceituado Nick DiDia (conhecido por trabalhar com Pearl Jam e Bruce Springsteen) e gravado ao vivo em estúdio em Byron Bay, capta pela primeira vez a energia inigualável que o TSRB exibe nos seus espetáculos.

Puro Rock & Roll: O álbum é um soco de 12 faixas que percorre a bravata do pub rock e a arrogância do glam-rock. Não há truques nem produção artificial; é guitarrada, groove e crueza, tal como o rock & roll deve ser.

Influências Clássicas: Os TSRB não escondem as suas influências, transformando-as numa "brilhante colagem musical":

Harmonias de Guitarra: Muitas faixas apresentam as famosas harmonias de guitarra no estilo Thin Lizzy, especialmente em canções como "One Last Dance".

O Boogie Australiano: O álbum tem a vibração e a pulsação do AC/DC e dos The Angels nos seus riffs mais diretos, juntamente com o boogie dos The Rolling Stones em faixas como "Bad Luck Baby, Bye Bye".

O Sleaze Americano: Há um toque de sleaze no estilo Aerosmith e The Black Crowes no Hard Rock com blues de "Suits Me Just Fine".

O Tuga Carismático: O vocalista Cal Kramer, com a sua atitude e o seu mullet icónico, lidera a banda com um rosnado e um sorriso. O seu canto, complementado pelo seu banter australiano bem-humorado, é a alma do álbum.


Destaques da Composição:


"Fuck You, Pay Me": Um hino de classe trabalhadora, duro e direto, que cumpre exatamente o que o título promete.

"Don't Take It To Heart": A abertura que arranca a toda a velocidade e estabelece o ritmo consistente do álbum.

"No Such Time": Uma faixa surpreendente, oferecida por ninguém menos que Bernard Fanning (Powderfinger). É um earworm melódico cheio de groove que se encaixa perfeitamente no ADN da banda.

"One Of These Nights (I'll Be Gone)": O encerramento do álbum, que mostra uma ternura inesperada. É uma balada mais suave e reflexiva, com toques de country, provando que a banda tem profundidade por baixo da bravata.


O Veredicto

Easier Said Than Done é um lembrete forte de que o verdadeiro rock & roll está vivo e a prosperar, feito com alma, suor e alguns palavrões. Embora alguns críticos considerem o som previsível (o que é inerente ao género), é uma previsibilidade que agrada, pois evoca o melhor da música rock das últimas décadas.

Para quem sente falta daquele som autêntico que parece ter saído de um amplificador Marshall a ferver num pub, este álbum é uma audição obrigatória.


Veredicto Final: Uma odisseia de Rock & Roll que deve ser ouvida alto. E depois ainda mais alto. Os TSRB estão a voar a bandeira do rock australiano a uma escala global e este álbum é o seu manifesto.

Recomendado para: Fãs de AC/DC, Thin Lizzy, The Black Crowes, The Darkness e para quem adora a energia do pub rock ao vivo. 

Temas:

01. Don’t Take It To Heart
02. Something’s Gotta Give
03. Bad Luck Baby, Bye Bye
04. It’s What It’s
05. One Last Dance
06. Suits Me Just Fine
07. All Over Town
08. No Such Time
09. Lay It On me
10. F**k You, Pay Me
11. We’ve Got Plans Tonight
12. One Of These Nights (I’ll Be Gone)

Banda:

Dan Carroll
Callum Kramer
Tyler Michie
Pat Smith




Preacher Stone - By The Horns (2025) USA

 

By The Horns, o mais recente álbum da banda de Southern/Classic Rock Preacher Stone, oriunda de Charlotte, Carolina do Norte (EUA), lançado em 2025, é um trabalho forjado na adversidade e entregue com uma honestidade de coração. O álbum sucede a V (2024), e, após a perda de um membro importante, a banda optou por seguir em frente com um som mais enxuto e direcionado pela guitarra, resultando num dos seus trabalhos mais fortes e vitais.

O Som: Rock Sulista, Direto e com Coração

Com apenas nove faixas e pouco mais de trinta e dois minutos, By The Horns é descrito como um triunfo "sem enchimento e só matador" (no-filler, all-killer). É uma masterclass em como fazer um álbum de rock clássico perfeitamente ritmado.

Foco no Riff: O álbum carrega a marca registada do Rock Sulista, mas com um foco renovado nas guitarras duelantes de Ben Robinson e Darrell Whit. A sonoridade é menos polida e mais suja e gritty, o que evoca o espírito de bandas como Lynyrd Skynyrd e Black Star Riders.

Vocal "Encharcado em Bourbon": A voz de Ronnie Riddle é um destaque constante, descrita como "gasta pelo uísque, mas com alma e garra". O seu estilo vocal, que combina o gravel com uma entrega calorosa, é o anfitrião perfeito para as histórias de "homem comum" da banda.

Ritmo Trovoador: A secção rítmica, com Jim Bolt no baixo e Josh Wyatt na bateria, é sólida e poderosa. Eles fornecem a batida forte e o groove necessários para sustentar as canções, sem nunca sobrecarregar os outros instrumentos.


Destaques das Faixas

"By The Horns" (Título): O abre-alas que arranca com um rugido, carregado de um riff matador e um refrão irresistível. Um hino boot-stomping que estabelece imediatamente o tom do álbum.

"Saddled And Rode": Uma faixa de alta octanagem que conjura a sensação de uma noite num bar enfumaçado, com muita atitude e solos de guitarra abrasadores que são uma marca registada da banda.

"The Devil You Know": Uma faixa com um groove mais profundo, remetendo aos Black Star Riders. É um "peso pesado" foot-stomping com um riff infeccioso e um cocky ritmo funk-rock que se encaixa perfeitamente na reputação da banda.

"Blessing And A Curse": Esta faixa mergulha em território bluesy, com ecos de bandas como os Bad Company, destacando o vocal soulful de Riddle.

"Think By Now": A faixa de encerramento é um rocker suado no estilo AC/DC, mas com um refrão melódico que quase rouba o espetáculo no final, terminando o álbum em alta.


O Veredito

By The Horns é uma prova da resiliência e da pura qualidade do Preacher Stone. Nascido da tristeza, mas transbordante de vitalidade, é um trabalho catártico e de afirmação da vida. A banda conseguiu, com a mudança de foco para um som mais orientado para a guitarra, subir a fasquia estabelecida pelo aclamado V.

O álbum é puro Southern Rock da velha guarda, rico em qualidade e boogie, que permite ao ouvinte "imersão e desligamento" do mundo, sem sacrificar a complexidade musical. Não é apenas bom Rock Sulista; é um excelente Rock Americano com coração, alma e grandes histórias.


Recomendado para: Fãs de Lynyrd Skynyrd, Black Stone Cherry, Blackberry Smoke e qualquer pessoa que aprecie um Classic Rock com groove e integridade. É um álbum para se ouvir repetidamente.

Temas:

By The Horns 03:12
Saddled And Rode 04:38
Writing On The Wall 03:32
The Devil You Know 03:39
Blessing And A Curse 04:10
Old Joe 03:34
The Last To Know 03:37
Come What May 03:57
Think By Now 03:37

Banda:

Ronnie Riddle – Lead vocals, harmonica and mandolin
Ben Robinson – Lead guitar and vocals
Josh Wyatt – Drums, percussion and vocals
Jim Bolt – Bass and vocals
Darrell Whitt– Guitar and vocals




Chris Darrow - Under My Own Disguise 1974

 

No apropriadamente intitulado  Under My Own Disguise ,  sucessor de  Chris Darrow , de 1973 , o experiente roqueiro country do sul da Califórnia continua a soar mais como um ex-membro de um grupo do que como um artista solo atual. Seu barítono robusto, embora indistinto, é mixado, não mais alto que os instrumentos musicais, o que confere ao álbum um som subproduzido.  Under My Own Disguise  não se preocupa tanto quanto  Chris Darrow  em explorar o ecletismo do artista; não há toques japoneses ou de música de câmara desta vez, apenas diferentes lados dos estilos country e blues, em sua maior parte. ( Darrow  inclui um cover do hit dos  Ink Spots dos anos 1940  , "Java Jive", outra referência inovadora ao passado distante, assim como "Hong Kong Blues" em  Chris Darrow ). Ele também toca um instrumental de rag, "Live or Die Rag", e continua a exibir a influência da  Allman Brothers Band  em "Maybe It's Just as Well". Em termos de country-rock, este se aproxima mais de  Gram Parsons  do que de  Poco  ou  Eagles , o que significa que se inclina mais para o country do que para o rock. Mas  Darrow  não causa tanta impressão como vocalista quanto  Parsons ; ele parece um músico acompanhante em seu próprio álbum. 





Randy Holland - Cat Mind 1972

 

Existem muitos tipos diferentes de discos. Alguns te prendem quase imediatamente e resistem ao teste do tempo ou então desaparecem tão facilmente quanto surgiram. O álbum  Cat Mind, de Randy Holland, de 1972  , é o outro tipo; aqueles discos incomuns e às vezes irregulares que exigem mais de uma audição para serem apreciados completamente. Lançado pelo selo independente Mother Records, provavelmente pode-se dizer que Cat Mind nunca teve a chance de um verdadeiro sucesso comercial. Mas, caramba, não estamos interessados ​​no sucesso comercial aqui, estamos atrás de bons discos, onde quer que tenham ido parar e em qualquer condição. E  Cat Mind  é um bom disco











Procol Harum - Exotic Birds And Fruits 1974

 

O sétimo álbum de estúdio do  Procol Harum , Exotic Birds and Fruit , foi lançado em abril de 1974. Em sua versão original, o LP continha quatro músicas no lado um — "Nothing But the Truth", "Beyond the Pale", "As Strong as Samson" e "The Idol" — todas apresentando alguns dos melhores trabalhos posteriores da banda. Eles haviam se distanciado um pouco do híbrido orquestral de seu álbum anterior,  Grand Hotel , embora "Nothing But the Truth" ainda ostentasse um arranjo de cordas. A adocicação foi substituída por uma potência extra nos instrumentos restantes, tornando este um dos sets mais pesados ​​do grupo. E o letrista  Keith Reid , tendo explorado a decadência elegante em  Grand Hotel , foi extraordinariamente direto em suas prescrições sociais. É verdade que as palavras ainda continham referências literárias a tudo, de  Shakespeare  à mitologia antiga, mas, como  Reid  declarou logo de cara, desta vez ele estava interessado em "Nothing But the Truth". Ele expressou essa verdade com a maior eloquência em "As Strong as Samson", uma declaração política explícita, se for dita em termos gerais. A música também era deprimente, e o compositor/cantor/pianista  Gary Brooker  lhe deu uma melodia adorável e melancólica. A desilusão foi completada com a última música do primeiro lado e seu slogan: "Apenas mais um ídolo transformado em barro". Em contraste com a obra-prima que era o lado um, o lado dois do LP era irregular, contendo canções de segunda categoria, sendo a melhor delas talvez a mais leve, "Fresh Fruit", uma música que deu  a Brooker  a chance de exercitar seus talentos de piano de bar. Nesta reedição do CD, o comentarista  Patrick Humphries  sugere que a roqueira "Butterfly Boys" pode ter sido dirigida aos executivos da gravadora da banda, a Chrysalis Records. Se sim, eles devem ter ficado descontentes, pois  Brooker  gritou: "Dá um tempo! Nós temos as migalhas... você tem o bolo." A reedição adiciona duas faixas bônus, a primeira sendo o lado B, que não faz parte do LP, "Drunk Again" ( Reid  escreve tanto sobre bebida que chega a dar medo do fígado dele), um rock que permite  a Brooker  revelar seu  Jerry Lee Lewis interior . A segunda é uma mixagem alternativa de "As Strong as Samson", em tom mais grave que a versão original. Como parece ser a mesma versão, só que um pouco mais lenta (e 17 segundos mais longa), isso pode explicar o fato de estar em Ré bemol.




Destaque

Kleiton & Kledir – Kleiton & Kledir (1980)

  O álbum de estreia homônimo da dupla Kleiton & Kledir (1980), lançado pela Ariola, consolidou a carreira dos irmãos gaúchos após o fim...