terça-feira, 28 de outubro de 2025

Capital Inicial (Polygram, 1986), Capital Inicial

 

 

O início dos anos 1980 marcou uma revolução no rock brasileiro com a ascensão de uma nova geração de bandas e artistas do gênero, que trouxe uma nova identidade para a música jovem brasileira. Em meio ao fim da ditadura e à reabertura política, bandas como Blitz, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Legião Urbana emergiram com uma sonoridade moderna e letras que falavam diretamente à juventude da época.

 A explosão do daquela nova geração roqueira deve muito à fusão de referências internacionais – do punk ao new wave – com a realidade brasileira. As bandas passaram a abordar temas urbanos, questões existenciais e críticas sociais, estabelecendo uma conexão única com o público. O surgimento de programas de TV e rádios voltados ao rock ajudou a consolidar o gênero, enquanto as gravadoras enxergaram o potencial comercial do novo som. 

A nova geração do rock brasileiro nos anos 1980 não estava restrita ao Rio de Janeiro e a São Paulo, mas também se desenvolvia em outros centros urbanos do país, como Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, ainda que com intensidades diferentes. Nem mesmo a capital do país, Brasília, ficou de fora — muito pelo contrário, tornou-se um dos principais polos do rock nacional. O som das bandas da capital federal naquele momento era marcado pela influência do punk e pela forte crítica social em suas letras. 

O isolamento geográfico da cidade e o fato de ser a capital política do país criaram um ambiente propício para a contestação. Filhos de diplomatas, servidores públicos e militares, os jovens brasilienses encontravam na música uma forma de expressar sua insatisfação com a repressão da ditadura e com a monotonia da cidade planejada. Inspirados pelo punk britânico e americano, esses grupos adotaram um som direto, agressivo e com letras que refletiam a realidade política do Brasil. 

Daquela efervescência roqueira na capital federal, surgiram bandas que ajudaram a moldar o cenário roqueiro brasiliense, como o Aborto Elétrico e a Blitx 64, e que, além de influenciar outras bandas locais de menor expressão, dariam origem a grupos que ganhariam projeção nacional, como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial. A Legião Urbana traduzia as angústias existenciais da juventude, a Plebe Rude trazia um discurso politizado, enquanto o Capital Inicial equilibrava a rebeldia e o apelo pop. Brasília, que a princípio parecia improvável como cenário para um movimento musical, tornou-se o epicentro de uma revolução sonora que redefiniu o rock brasileiro. 

Aborto Elétrico com Renato Russo e os irmãos Fê e Flavio Lemos
no começo dos anos 1980. 

Com o fim do Aborto Elétrico em 1982, os irmãos Fê Lemos (bateria) e Flávio Lemos (baixo) juntaram-se a Loro Jones (guitarra), ex-Blitx 64, e chamaram uma amiga chamada Heloísa para assumir os vocais, formando assim o Capital Inicial. Enquanto isso, Renato Russo (1960-1996) seguiu um curto período se apresentando sozinho, mas ainda em 1982 formou a Legião Urbana com Eduardo Paraná, Marcelo Bonfá e Paulo Paulista. 

Em 1983, Heloísa deixou o Capital Inicial por pressão dos pais. O posto de vocalista foi assumido por Dinho Ouro Preto, um fã do Aborto Elétrico, que teve uma rápida passagem pela banda Dado & O Reino Animal, assim como Loro Jones, antes de integrar o Capital Inicial. A Dado & O Reino Animal incluía dois membros que entrariam para a Legião Urbana: Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. 

Depois de um período tocando no circuito alternativo de Brasília ao lado da Plebe Rude e da Legião Urbana, o Capital Inicial deixou a capital federal em meados dos anos 1980 e migrou para o Sudeste do Brasil, principal mercado musical do país, em busca de oportunidades. A Legião Urbana, a Plebe Rude e algumas outras bandas de Brasília menos conhecidas tomaram a mesma atitude. Em pouco tempo, Rio de Janeiro e São Paulo testemunharam uma “invasão brasiliense”. O Capital Inicial fez apresentações no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e no SESC Pompéia, em São Paulo. 

Em meio a tantos shows no eixo Sul-Sudeste do Brasil, em 1984, o Capital Inicial participou da coletânea Os Intocáveis, um disco lançado pela gravadora CBS reunindo novas bandas. No final daquele ano, a banda brasiliense assinou contrato com a CBS e lançou seu primeiro compacto, trazendo duas músicas: “Descendo o Rio Nilo” e “Leve Desespero”. Além do compacto, havia a promessa do lançamento do primeiro álbum da banda. 

Porém, um desentendimento entre o Capital Inicial e a CBS acabou anulando a possibilidade do lançamento do álbum. Os integrantes se recusaram a se apresentar nos programas de TV de Hebe Camargo (1929-2012) e Flávio Cavalcanti (1923-1986), o que gerou um clima tenso entre os dois lados. A banda preferiu deixar a gravadora.

 

Capa do primeiro compacto do Capital Inicial, lançado pela CBS, em 1985, com as
músicas "Descendo O Rio Nilo" e "Leve Desespero".

Em 1986, o Capital Inicial assinou contrato com a Polygram. Já no começo do ano, entrou em estúdio para gravar seu primeiro álbum, concluído em março. O desafio era preservar sua identidade sem abrir mão da qualidade técnica exigida pelo mercado. A solução veio na forma de um som polido, mas sem perder a energia visceral herdada do punk rock. 

Musicalmente, o disco equilibrava o peso das guitarras com melodias acessíveis e letras que traduziam o cotidiano urbano. A influência do punk britânico, especialmente de Sex Pistols e The Clash, era evidente na urgência dos arranjos. Ao mesmo tempo, havia um flerte com a new wave e o reggae, emulando The Police. Esse hibridismo aproximava o Capital Inicial de contemporâneos como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso, sem, no entanto, diluir sua identidade. 

O grande dilema era encontrar um ponto de equilíbrio entre autenticidade e viabilidade comercial. As gravadoras buscavam hits fáceis, enquanto a banda queria manter a crueza de suas composições. Mesmo assim, o álbum de estreia do Capital Inicial conseguiu dialogar com um público amplo sem se render a fórmulas prontas. Nesse desafio enfrentado pela banda, a presença de Bozo Barretti (que tocou teclados no álbum) foi fundamental para encontrar esse ponto de equilíbrio.

Formação do Capital Inicial do primeiro álbum: Dinho Ouro Preto,
Fê Lemos, Loro Jones e Flávio Lemos.

Entre críticas sociais, letras urbanas e uma energia punk filtrada pelo pop, o primeiro e autointitulado álbum do Capital Inicial captou a inquietação de uma geração de jovens de um país recém-saído de 20 anos de ditadura militar. O disco trazia canções próprias da banda, além de algumas do repertório do Aborto Elétrico, conhecidas apenas pelo público alternativo de Brasília, mas que a partir de então ganhariam projeção e se tornariam clássicos do rock brasileiro. 

O álbum começa com “Música Urbana”, o “cartão de visitas” do Capital Inicial e seu primeiro grande sucesso. Uma das canções do Aborto Elétrico presentes neste disco, tem uma melodia marcante e um lirismo melancólico que capturam a solidão juvenil. Seus versos retratam a monotonia, o desencanto urbano, a alienação e a indiferença diante do caos das grandes cidades. 

O punk rock “Veraneio Vascaína” é uma das faixas mais emblemáticas do disco, sendo mais uma herança do Aborto Elétrico. Através de versos fortes e violentos, denuncia a brutalidade policial na ditadura militar, descrevendo abusos, impunidade e o medo causado pelas forças repressivas nas periferias. 

O álbum de estreia do Capital Inicial termina em grande estilo com “Fátima”, outra canção do repertório do Aborto Elétrico. A crítica social embutida nos versos e a melodia quase hipnótica transformam a faixa em um comentário preciso sobre o contexto político do Brasil na época.

 

Faixas

Lado A.

  1. "Música Urbana" (Fê Lemos, Flávio Lemos, André Pretorius, Renato Russo)
  2. "No Cinema" (Fê Lemos, Flávio Lemos, Loro Jones)
  3. "Psicopata" (Fê Lemos, Flávio Lemos, Pedro Pimenta, Loro Jones)
  4. "Tudo Mal" (Fê Lemos, Rogério Lopes de Souza, Loro Jones)
  5. "Sob Controle" (Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto, Loro Jones)
  6. "Veraneio Vascaína" (Renato Russo, Flávio Lemos) 

Lado B.

  1. "Gritos" (Fê Lemos, Dinho Ouro Preto, Loro Jones, Guta)
  2. "Leve Desespero" (Fê Lemos, Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto, Loro Jones)
  3. "Linhas Cruzadas" (Fê Lemos, Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto, Loro Jones)
  4. "Cavalheiros" (Fê Lemos, Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto)
  5. "Fátima" (Renato Russo, Flávio Lemos)

 

Capital Inicial: Dinho Ouro Preto (voz), Loro Jones (guitarra e violão), Flávio Lemos (baixo) e Fê Lemos (bateria).

"Música Urbana"

"No Cinema"

"Psicopata"

"Tudo Mal"

"Sob Controle"

"Veraneio Vascaína

"Gritos"

"Leve Desespero"

"Linhas Cruzadas"

"Cavalheiros"

"Fátima"

Sílvia Pérez Cruz - 11 de novembre (2012)

 

O primeiro álbum solo de Sílvia Pérez Cruz , 11 de novembre , não é um álbum de flamenco, folk ou jazz, embora se baseie nesses e em outros tipos de música para criar algo único, cheio de emoção e carinho para cada uma de suas canções. Belíssimo.
Depois de se destacar como vocalista do grupo feminino Las Migas , com quem trabalhou por mais de seis anos e lançou o aclamado debut Reinas del matute (2010), deixou o grupo há três anos para se dedicar à composição, produção e gravação deste primeiro álbum solo. Àquela altura, já havia se aventurado em uma ampla gama de projetos musicais, desenvolvendo trabalhos diversos e surpreendentes em paralelo, projetos que sempre foram bem recebidos pelo público e aclamados unanimemente pela crítica especializada. Talvez seu projeto musical mais potente tenha sido o dela com Javier Colina TríoEn la imaginación (2011), no qual revisitaram clássicos da música cubana, acompanhados por Marc Miralta na bateria e Albert Sanz no piano.
Embora Pérez Cruz já compusesse suas próprias canções há algum tempo, foi preciso um acontecimento dramático em sua vida para que ela percebesse que precisava embarcar em sua própria jornada imediatamente. Seu pai, Castor Pérez, um conhecido cantor de habanera, faleceu aos 54 anos, vítima de um ataque cardíaco, um dia antes de seu aniversário, 11 de novembro de 2010. Sílvia dedica este álbum a ele, que a apresentou à música desde jovem, descobriu sua voz prodigiosa e a incentivou a seguir carreira, marcando o aniversário dele como o momento em que decidiu que não deveria esperar um segundo para concluir este projeto.


Composto e arranjado inteiramente pela própria Sílvia — incluindo os arranjos de sopro, cordas e vocais — e coproduzido por ela com Raül Fernández Refree, o álbum a apresenta tocando violão, piano, clarinete e saxofone. Neste álbum, ela não só deslumbra mais do que nunca com sua voz, como também se mostra uma compositora e arranjadora imaginativa, capaz de esbater as fronteiras que tradicionalmente enquadram gêneros tão diversos como o jazz, o cançó catalão, o flamenco, o fado e a música brasileira, misturando inclusive as diferentes línguas que os caracterizam (catalão, espanhol, galego e português).
Em catalão, adapta poemas de Feliu Formosa, Maria Cabrera e Maria-Mercè Marçal. Em espanhol, destaca-se em "Iglesias" — com uma referência a "Moon River", de Henry Mancini —, "Días de paso" e "Memoria de pez". Em português, ela canta "Não sei" e "O meu amor é Glória", samba dedicado à avó, à mãe e à irmã — as três se chamam Glória, e as duas últimas cantam em "Folegandros". Em galego, ela canta "Meu meniño" com os tios, que divide o meio do álbum com outra canção de ninar, "Nonnon", esta instrumental.
Um álbum lindo, fascinante e necessário.

tracks list:
01. Lietzenburgerstrasse 1976
02. Pare Meu
03. Iglesias
04. Não Sei
05. Días De Paso
06. Covava L'ou de la Mort Blanca
07. Meu Meniño
08. Nonnon
09. Memoria De Pez
10. Dilúvio Universal
11. O Meu Amor é Glòria
12. Folegandros
13. 11 de Novembre






The Souljazz Orchestra - Solidarity (2012)

 

A Souljazz Orchestra é um grupo canadense multicultural de Ottawa que passou mais de uma década aprimorando seu som característico: uma explosão percussiva de ritmos soul, jazz, afro, latinos e caribenhos, apoiada por um arsenal de teclados analógicos no estilo dos anos 1960 e 1970.
Solidarity é seu mais recente esforço (após seu excelente lançamento de 2010, Rising Sun ) e é lançado pela Strut Records, sediada no Reino Unido. Apresenta uma gama única de artistas conectados ao grupo através da vibrante cena underground do Canadá, vindos de uma variedade de origens - do Senegal ao Brasil e à Jamaica - que catalisam o intercâmbio artístico e permitem que o grupo permaneça enraizado nas tradições musicais enquanto expande os limites dos estilos soul, jazz, reggae, tropical e afrobeat (reinterpretando cada gênero de uma forma nunca antes ouvida), unificados por uma mensagem subjacente de mudança social e interculturalidade.
Ritmos emocionantes e inclassificáveis, com a rara capacidade de pular todos os clichês da fusão musical.

Pessoal :
Zakari Frantz (sax alto, percussão, vocais)
Ray Murray (sax barítono, percussão, vocais)
Steve Patterson (sax tenor, percussão, vocais)
Pierre Chrétien (teclados, percussão, vocais)
Philippe Lafrenière (bateria, percussão, vocais)
Marielle Rivard (percussão, vocais)

tracks list:
01. Bibinay (feat. El Hadji "Élage" M'Baye)
02. Kelen Ati Leen
03. Cartão Postal (feat. Rômmel Teixeira Ribeiro)
04. Ya Basta
05. Jericho
06. Serve & Protect (feat. El Hadji "Élage" M'Baye)
07. Conquering Lion
08. Kingpin
09. Tanbou Lou
10. Nijaay






Bako Dagnon - Titati (2007)

 

Bako Dagnon é uma das lendas vivas do Mali, um griot dos griots, uma memória viva da cultura ancestral Mandingo. Tanto que o grande Ali Farka Touré a consultava regularmente, elogiando seu conhecimento da história do país. Em Titati, podemos apreciar seu aguçado senso melódico e uma das maiores vozes africanas de todos os tempos.
Após 35 anos de carreira, Titati (2007) foi sua revelação mundial, uma obra que a consolidou entre os grandes artistas africanos. No interior, podemos ouvir 12 canções impecáveis ​​que expõem as tradições da cultura Mandingo, produzidas pelos músicos François Bréant e Ibrahima Sylla (Syllart Productions). A produção primorosa se baseia no respeito aos sons acústicos inconfundíveis de violões (tocados com maestria por Mama Sissoko e Fanta Mady Kouyate), flautas, arranjos de cordas de inspiração árabe, belos coros femininos, um contrabaixo e um djembe. Mas a voz potente e afinada de Bako Dagnon é a verdadeira protagonista do álbum, resultando na atmosfera mágica de grandes obras-primas. O frescor que exala ao longo da obra talvez se deva à técnica de gravação direta, tão amplamente utilizada na África, com todos os músicos no estúdio ao mesmo tempo.
Tanto em Titati quanto em Sidiba (lançado em 2009, continuação de Titati ), as histórias contadas são tradições orais, transmitidas de geração em geração pelos griots. Uma oportunidade única de vivenciar intimamente as melodias originais que podem ser ouvidas em qualquer lar malinês. Um verdadeiro privilégio.

lista de faixas :
01. Donsoké (com Kerfala Kanté)
02. Toubaka
03. Lassidan
04. Sansando Minata
05. Noumou
06. Bounteni
07. Titati
08. Salimou
09. Saliya
10. Ikérifayé
11. Télemba
12. Bélébélé




Wireless Frank.n.Stein – Journey To The Wasteland – 2025

 


Genre: Heavy/Doom Metal
Country of Artist (Band): Germany
Year of Release: 2025

01. Disconnected (Intro)
02. Electric Monster
03. New World Order
04. Eternal Sleep
05. Sound Of Darkness
06. Call Of The Sea
07. Grimms Child
08. Journey To The Wasteland
09. Legion Of Doom
10. Said And Done




Hyperstrike – The Beast Inside (EP) – 2025

 


Genre: Power Metal
Country of Artist (Band): USA
Year of Release: 2025

01. Roadking
02. The Beast Inside
03. Lost Medicine

MUSICA&SOM ☝



heavyairecords [ex metalgorithm ] – AI Discography Extended part 3



Genre : Heavy Metal
Year : 2025
Country : AI

MUSICA&SOM ☝

Destaque

David Bowie - Reality - Released Year 2003

  1. New Killer Star 2. Pablo Picasso 3. Never Get Old 4. The Loneliest Guy 5. Looking for Water 6. She'll Drive Me Crazy 7. Days 8. Fal...