sábado, 1 de novembro de 2025

SCOTT JOPLIN

 


Scott Joplin nascido em Texarkana, uma cidade localizada no estado norte-americano do Texas, no Condado de Bowie, no dia 24 de novembro de 1868 foi um compositor e pianista americano. 
Além de ser considerado o ''pai do jazz'', Scott é também uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do ragtime clássico, com a possibilidade de admitir composições extensas, como óperas e sinfonias.

Nascido na primeira geração pós-escravidão, filho de pais pobres trabalhadores ferroviários, que chegaram a ser mendigos, seu pai Giles Joplin, ex-escravo da Carolina do Norte, tocava violino e sua mãe Florence Givens, uma mulher afro-americana de Kentucky, tocava banjo e cantava, quando criança, Scott Joplin ficou fascinado pelo piano e onde existisse um na vizinhança, lá ia estava ele. 

Scott foi o segundo de seis filhos (os outros eram Monroe, Robert, William, Myrtle e Ossie).

Sua mãe dava todo apoio que podia, entretanto, seu pai queria que o menino perseguisse empregos práticos que complementassem a renda familiar, essa desavença fez com que o casal se separasse, no início da década de 1880, sua mãe teve de se empregar em casas de família, pedia licença pra que o menino estudasse no piano da patroa, Scott foi abençoado com uma incrível capacidade de improvisar ao piano.
Julius Weiss

O jovem Scott era sério e ambicioso, estudando música e tocando piano após a escola.

Foi nesses momentos que conheceu de Julius Weiss, um professor de música de origem alemã que imigrou para o Texas no final da década de 1860 e foi empregado como professor de música para uma família de negócios, e impressionado pelo talento de Joplin, ofereceu aulas de piano e harmonia, gratuitamente.

Weiss ajudou Joplin a apreciar a música como "arte e entretenimento" e ajudou sua mãe a adquirir um piano usado.

Aos 16 anos, Joplin tocou em um quarteto vocal com três outros meninos em Texarkana, tocando piano. Além disso, ele ensinou violão e bandolim.

No final da década de 1880, ainda adolescente, deixou seu trabalho na ferrovia e viajou pelo sul americano como um músico itinerante, onde tocou em bares para ter o que comer.

Por volta dos 20 anos, tornou-se pianista, viajando pelo centro-oeste americano.

Joplin mudou-se para Sedalia no Missouri em 1894 e ganhou a vida como professor de piano. Lá ensinou os futuros compositores do ragtime Arthur Marshall, Scott Hayden e Brun Campbell. Em 1895 publicou sua primeira composição: "Please Say You Will".

Marshall - Hayden - Campbell

Em 1.899, a publicação de "Maple Leaf Rag" lhe trouxe fama, sendo a mais influente peça de sua obra, que também trouxe um rendimento constante para a vida, tornou-se a primeira peça instrumental a vender mais de um milhão de cópias de partituras, embora a música de Joplin fosse muito popular, ele recebeu royalties modestos durante toda a sua vida e não era considerado um compositor sério. 

O contrato estipulava que Scott receberia 1% sobre as vendas das partituras, cujo valor mínimo de vendas seria 25 centavos de dólar. Nesse mesmo ano, casa-se com Belle, a cunhada de Scott Hayden.

Em 1901, Joplin mudou-se para St. Louis, onde continuou a compor e publicar música. 

Ali, eles tiveram uma filha que morreu apenas alguns meses após o nascimento. 

O relacionamento de Joplin com sua esposa era difícil, pois não tinha interesse na música. Eles finalmente se separaram e se divorciaram.

Foi em St. Louis que Joplin produziu algumas de suas obras mais conhecidas, incluindo "The Entertainer", "March Majestic", e "The Ragtime Dance".

A partitura de sua primeira ópera A Guest of Honor foi confiscada em 1903, para pagamento de dívidas, juntamente com todos os pertences do compositor, e acabou por se perder.

Em junho de 1904, Joplin casou-se com Freddie Alexander de Little Rock, Arkansas, a jovem a quem dedicou "The Chrysanthemum". 

Ela morreu em 10 de setembro de 1904, de complicações resultantes de um resfriado, dez semanas após o casamento. 

O primeiro trabalho de Joplin com direitos autorais após a morte de Freddie, "Bethena", foi descrito por um biógrafo como "... uma peça encantadora e linda que está entre as melhores valsas do ragtime".

Em 1907 mudou-se para a cidade de Nova York, onde tentou encontrar um produtor para uma nova ópera, Treemonisha, que não foi bem recebida, esta peça é a mais antiga ópera conhecida, composta por um afro-americano.

Treemonisha tem como cenário uma antiga comunidade de escravos em uma floresta isolada perto da cidade de Texarkana, em setembro de 1884. 

O enredo se concentra em uma mulher de 18 anos, Treemonisha, que é ensinada a ler por uma mulher branca e, em seguida, lidera sua comunidade contra a influência de conjuradores que se alimentam de ignorância e superstição. A comunidade percebe o valor da educação e a responsabilidade de sua ignorância antes de escolher ela como professora e líder.

Joplin escreveu o libreto e a música da ópera, que segue em grande parte a forma de ópera europeia com muitas árias, conjuntos e coros convencionais.

Antigo Bellevue Hospital
Após contrair sífilis, Joplin ficou emocionalmente abalado e mentalmente afetado pela doença. Assim, passou seus últimos anos, especialmente a partir de 1915, em lenta deterioração física, sofrendo de um início de demência.

O músico finalmente sucumbiu à doença em 1º de abril de 1917, aos 48 anos, seis semanas após ter sido internado no Bellevue Hospital, em Manhattan.

Após sua morte em 1917, o ragtime perdeu espaço como formato de música popular, dando espaço a outros estilos.

Dorsey - Morton - Robinson
Mesmo assim, artistas como Tommy Dorsey em 1936, Jelly Roll Morton em 1939 e J. Russell Robinson, em 1947, lançaram gravações das composições de Joplin. Sendo "Maple Leaf Rag" a música encontrada mais frequentemente em registros de 78 rpm.

Durante sua breve carreira, escreveu 44 peças, foi considerado o "Rei do Ragtime". 

O ragtime foi, juntamente com o blues, uma das principais influências na fase inicial do desenvolvimento do jazz.

Joplin foi capaz de ampliar os seus talentos com a música que ouvia ao seu redor, misturando a música clássica tradicional com a música gospel afro-americana, bem como as músicas de plantação (cantos de trabalho dos negros das plantações de algodão, que são consideradas como a origem do blues), ritmos sincopados, blues e coros. Inventou, assim, uma nova maneira de compor.

Rifkin
Em Novembro de 1970, Joshua Rifkin, lança o álbum Scott Joplin Piano Rag que vendeu mais de um milhão de cópias, sendo o responsável por seu ressurgimento.

O músico escreveu: "Uma sensação penetrante de lirismo infunde seu trabalho, e mesmo em seu espírito mais elevado, ele não pode reprimir um toque de melancolia ou adversidade... Ele tinha pouco em comum com o jejum e uma escola chamativa de ragtime que cresceu após ele".

Em 1972, seu trabalho foi republicado e aclamado, tanto pelo público como pela comunidade acadêmica. 

Hill
Ainda neste ano a ópera Treemonisha foi finalmente produzida na íntegra.

Em 1973, o produtor George Roy Hill entrou em contato com Schuller e Rifkin separadamente, pedindo a cada um que escrevesse a partitura para um projeto no qual estava trabalhando: The Sting (Golpe de Mestre). 

Ambos os homens recusaram o pedido devido a compromissos anteriores. 

Hill contatou então Marvin Hamlisch que estava disponível, o músico adaptou a música "The Entertainer" de Joplin para o filme, e com esta música ganhou o Oscar de 1974.
Hamlisch
Essa versão alcançou o número 3 na Billboard Hot 100. Graças ao filme, o trabalho de Joplin tornou-se apreciado no mundo da música popular e clássica, tornando-se o "fenômeno clássico da década".
O filme

O selo

Em 1976, Joplin é agraciado postumamente com o Prêmio Pulitzer de Música, por sua contribuição à música.

Em 1977, a Motown Productions produz o filme Scott Joplin, que conta a história do músico.



Em 1983, o Serviço Postal dos Estados Unidos cria um selo em homenagem ao músico.


Em 1989, o nome de Joplin recebe uma estrela na St. Louis Walk of Fame.


Piano Rag - ouça












PIANO PORTRAITS - Rick Wakeman

 

Quando falamos em um disco de Rick Wakeman, o que nos vem à memória são as interpretações grandiloquentes dos anos 70, como Viagem ao Centro da Terra, Rei Arthur, ou as viagens sonoras do Yes.



Entretanto este disco é o inverso de tudo isto, trata-se de um álbum em que o músico interpreta músicas do pop rock e eruditas em um piano de cauda Steinway.

Agradável de ouvir e artisticamente interessante, as interpretações instintivas de Wakeman proporcionam às músicas uma inclinação progressiva. 

A ideia era de que as improvisações e interpretações não fugissem muito ao original.

O álbum foi gravado no The Old Granary Studio em Norfolk na Inglaterra, durante os meses de Julho e Agosto de 2016, e lançado pela Universal Music Group em 13 de Janeiro de 2017.

A ideia do álbum veio após uma apresentação ao vivo em Janeiro de 2016 na BBC, em que o músico interpretou um arranjo seu para a canção de David Bowie, Life on Mars, que falecera naquele mês.

Vários dias depois, um vídeo da apresentação alcançou mais de dois milhões de visualizações, o que fez com que Wakeman produzisse um single com uma versão para piano da "Space Oddity" também de Bowie, e "Always Together", de sua autoria.

O valor arrecadado com a venda do disco foi revertido ao Macmillan Cancer Support, uma das maiores instituições de caridade britânicas que fornece cuidados de saúde especializados, informações e apoio financeiro para pessoas afetadas por câncer.

Com o sucesso do disco e do vídeo, vários selos procuraram o músico sugerindo um álbum de piano solo. 

Na verdade, um velho projeto do britânico que sempre foi postergado.

A proposta da Universal Music Group foi a que Wakeman escolheu, e assim teve início o projeto PIANO PORTRAITS.

Foi o próprio Wakeman quem selecionou as músicas, canções que ele tocou ao longo de sua carreira.

Reinventar músicas de outros artistas com os arranjos diferentes sempre foi algo que o músico gostou de fazer desde os dias da faculdade.

Para desenvolver o trabalho, elaborou uma relação contendo 24 músicas, de modo que pudesse descartar aquelas que não ficassem de seu agrado, até chegar à seleção final contendo quinze canções.

Dentre as faixas descartadas havia uma suíte proposta para "Bohemian Rhapsody" do Queen, mas depois de três dias trabalhando nela, Wakeman não conseguiu desenvolver uma arranjo que o agradasse, afinal em seu entendimento a obra de Freddie Mercury já era definitiva.

As escolhidas foram aquelas de sua época de faculdade, canções que participou das gravações, músicas de seu gosto pessoal, uma solicitada pela gravadora e uma composição de sua autoria. As 15 faixas do álbum são:

1 - HELP – John Lennon & Paul McCartney


O arranjo para "Help!" dos The Beatles foi inspirado na versão feita em 1968 pelo Deep Purple, e alguns trechos há citações a Lucy in the Sky with Diamonds. 

John teria dito que não gostou da gravação, porque ele a escreveu como uma balada melancólica, mas foi alterada em virtude do filme homônimo.

Em uma entrevista à revista Playboy, Lennon disse também, que estava subconscientemente gritando por ajuda.

2 - STAIRWAY TO HEAVEN – Robert Plant & Jimmy Page

A canção foi lançada em 1971, no álbum sem título e conhecido com IV, é considerada um dos maiores rocks de todos os tempos. 

Wakeman sempre gostou, por ter uma grande melodia e como ele mesmo disse numa entrevista, “se você tem boas melodias, pode fazer qualquer coisa com elas, absolutamente qualquer coisa”. 

Ele afirma ter ouvido novamente a versão original e, apenas a interpretou como já era.

3 - LIFE ON MARS – David Bowie

A música foi lançada no álbum Hunky Dory de 1971.

A versão de Rick Wakeman foi descrita pela BBC Radio 2 como um cruzamento de um musical da Broadway com uma pintura de Salvador Dali.

Rick Wakeman participou da gravação original desta canção.


4 - I’M NOT IN LOVE – Eric Stewart & Graham Gouldman

A ideia de incluir "I'm Not in Love" não foi de Wakeman, mas "alguém da Universal". 

Rick gostava da banda, mas não da música. 

Lançada em maio de 1975 no álbum The Original Soundtrack da banda inglesa 10CC. 

Destaca-se pelo uso dos vocais de apoio superpostos.

5 - WONDEROUS STORIES – Jon Anderson

Canção lançada pelo grupo Yes em 1976, faixa do álbum Going for the One - oitavo da banda. 

Composta pelo vocalista Jon Anderson, quando o grupo estava na Suíça se preparando para as gravações do novo álbum.

“A Universal disse que eu deveria colocar uma música do YES, que eu tivesse participado, e eu escolhi esta canção, porque têm essas boas lembranças para mim e me trouxe de volta para a banda” disse Wakeman.

6 - BERCEUSE – Gabriel Fauré

Trata-se Berceuse for Violin and Piano in D major, Op. 16 que foi arranjada por Wakeman, mas mantendo-se bastante fiel ao original.

É uma composição musical que se assemelha a uma canção de ninar.

7 - AMAZING GRACE


Um hino cristão publicado em 1779, com letra do poeta inglês e clérigo anglicano John Newton.

Também num arranjo bem pensado do tecladista.



Opus 20 do compositor é um balé escrito entre 1875-76. Apesar do fracasso inicial, atualmente é um dos mais populares de todos os balés.

9 - MORNING HAS BROKEN

É um hino cristão popular e bastante conhecido, publicado pela primeira vez em 1931. 

Ele tem letra da inglesa Eleanor Farjeon.

Cat Stevens incluiu uma versão em seu álbum de 1971, Teaser and the Firecat, que devido a popularidade acabou tornando-se identificada como sendo de Stevens. Rick Wakeman participou da gravação da música neste álbum.

10 - SUMMERTIME – George Gershwin

É uma ária composta em 1934 para a ópera Porgy and Bess de 1935. 

As letras são de DuBose Heyward, o autor do romance Porgy em que a ópera foi baseada, embora a música também seja creditada a Ira Gershwin.

11 - SPACE ODDITY – David Bowie

Lançada como single em 11 de julho de 1969. Foi a primeira faixa de seu segundo álbum de estúdio, David Bowie. 

A versão do álbum "Space Oddity" foi gravada em Trident Studios, em 20 de junho de 1969, contou com a participação de Rick Wakeman, um ainda desconhecido músico de estúdio que mais tarde alcançaria fama com a banda de rock progressista YES.

12 - DANCE OF THE DAMSELFIES

Composição do próprio Rick Wakeman, a mais extrovertida do álbum.



Talvez a peça mais conhecida do compositor francês, trata-se do terceiro movimento da SUITE BERGAMASQUE composta por volta de 1890.

14 - I Vow to Thee, My Country

Sir Cecil Spring Rice
Gustav Holst
Um hino patriótico britânico criado em 1921, quando um poema de Sir Cecil Spring Rice foi musicado por Gustav Holst. 

O texto foi escrito em 1908 ou 1912, intitulado Urbs Dei ("A Cidade de Deus") ou The Two Fatherlands. 

O poema descrevia como um cristão deve suas lealdades tanto à sua pátria quanto ao reino celestial. Gustav Holst adaptou a música Jupiter de sua suíte The Planets para musicar o poema.

15 - ELEANOR RIGBY – John Lennon & Paul McCartney

Escrita originalmente por Paul, mas creditada à dupla de compositores, foi lançada em 1966 no álbum Revolver. 

A canção demonstrava a transformação dos Beatles para uma banda mais experimental, baseada em estúdio. 

Talvez a versão mais complexa feita pelo britânico, quase irreconhecível com muitas variações no tema.


Após o lançamento, o álbum entrou no UK Albums Chart no número 7, marcando a posição mais alta de Wakeman no gráfico, desde The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table (1975) que alcançou o número 2.

Na segunda semana, o álbum escalou uma posição para o número 6. 

Desde o lançamento do álbum, Wakeman disse que estava "genuinamente entusiasmado com isso".




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