01 Tintin Por Tintin (Osman – Ribamar de Lima) 02 Maniçoba do Vovô (Eraldo Alves – Osman) 03 Nuvem de Poeira (Osman – Ribamar de Lima) 04 Dama No Jogo (Osman – Ribamar de Lima) 05 Churrasco do Ari (Osman – Ribamar de Lima) 06 Fole do Véio Féle (Osman – Ribamar de Lima) 07 Deixa Eu Cantar Pra Você (Osman – Ribamar de Lima) 08 Pele Rosada (Osman – Ribamar de Lima) 09 Benzinho (Osman – Ribamar de Lima) 10 Toque de Baton (Osman – Ribamar de Lima – Geraldo)
Lembrei agora que disse a alguém que postaria algo do Amp. Aqui está o segundo álbum completo deles. Assim como o disco do Light, é uma sonoridade nebulosa e meio lo-fi de shoegaze/psicodélico ambiente, provavelmente melhor apreciada sob efeito de alguma substância, tarde da noite.
Death metal melódico sueco essencial. Em vez de enfatizar a brutalidade cativante ou a precisão mecânica como muitos de seus contemporâneos, o A Canorous Quintet criou uma música melancólica e nebulosa, quase tão próxima do death/doom gótico quanto do melodeath, com vocais rasgados e agudos que contribuem para a atmosfera sombria e obscura.
Anos antes de Tesseract, Periphery e suas legiões de discípulos fundirem a complexidade matemática e o metal alternativo sombrio e melódico, existia Elementary . Soa como se o Cave In hardcore e o Cave In alternativo tivessem feito um disco juntos. Infelizmente, os fãs do The End nunca deixaram de ansiar pela reverência a Calculating Infinity presente em seu EP de estreia, e a banda nunca encontrou um novo público para substituir o antigo. Assim, ambos os excelentes álbuns lançados pela Relapse foram amplamente ignorados ou odiados, e eles se separaram pouco depois do lançamento do segundo ( Elementary) . Que pena .
Lendária banda de vida efêmera e de sonoridade instigante, o "Saecvla Saecvlorvm" (expressão latina que significa "pelos séculos dos séculos") durou pouco mais de 3 anos (74-77) e conseguiu gravar apenas uma fita demo, que virou CD em 96. Liderada pelo violinista, vocalista e tecladista Marcus Viana (que mais tarde viria a formar o bem sucedido Sagrado Coração da Terra), esta banda mineira (de Belo Horizonte) soube misturar (e bem) musica erudita, com excelentes arranjos de piano e violino, com o bom e velho Rock, bem dentro do movimento Progressivo vigente na época. A banda se completava com Giácomo Lombardi (piano e voz), José Audísio (guitarra), Bob Walter (bateria), Edson Plá Viegas (baixo) e Juninho (baixo, apenas numa faixa). Marcus Viana teve contato com música desde que nasceu (seu pai foi um revisor e assistente de obras de Villa-Lobos), aos 13 anos iniciou estudos do violino, entre 72-73 viveu no estado da Pensilvânia/EUA onde participou de uma orquestra e começou a compor. De volta ao Brasil, tornou-se violinista da orquestra sinfônica mineira e, em paralelo, começou uma incursão pelo Rock Progressivo, inspirado pelo Yes e outros (o Prog-Rock estava no auge). Foi aí que ele ingressou no Saecvla Saecvlorvm, que contava com os também virtuosos Giácomo Lombardi e José Audísio.
No sentido horário: José Audísio, Marcus Viana, Bob Walter, Giácomo Lombardi, Juninho, e Edson Plá Viegas
O grupo acabou em 1977, nunca mais se falou da banda até 1996, quando foram encontradas as tais fitas demo (gravadas em set/76, no estúdio Bemol, um dos pioneiros da gravação no Brasil e o mais tradicional e antigo de Minas Gerais), que acabaram sendo tratadas e mixadas, transformando-se no álbum "Saecvla Saecvlorvm" (verdadeiro "tesouro perdido" nacional). O álbum acabou não saindo na época (em 1976) por problemas contratuais. Na verdade, a banda gravou estas fitas para a gravadora Warner, que havia se interessado por eles e até os contratado, mas ela exigiu que a duração das canções fosse reduzida e que a estrutura delas fosse simplificada para buscar a criação de hits (é mole?). O grupo recusou a proposta e quase imediatamente se desfez (eles fizeram alguns shows aclamados, tinham fãs, mas era o Brasil dos anos 70, ditadura, fechado para a maioria das bandas internacionais, Prog era algo restrito). Então, somente em 96 é que, através do selo Sonhos & Sons, de BH (de propriedade do próprio Marcus Viana), que as fitas foram resgatas e transformadas em CD, que finalmente foi lançado. Uma turnê de reunião foi anunciada, mas nunca realmente aconteceu. O disco tem cerca de 30 minutos, cinco faixas e várias restrições técnicas, visíveis na má equalização de alguns instrumentos. Mas na verdade isso acaba não fazendo muita diferença, dada a tamanha beleza de certas composições.
Este álbum (raridade total) revela uma bela fusão de música erudita com Prog-Rock sinfônico (pense Rock Progressivo Italiano), tudo acrescido como uma sensibilidade especial tipicamente brasileira e seu folclore único. A faixa-título ("Saecvla Saecvlorvm" de mais de 8 minutos) é maravilhosa, com lindo piano de Giácomo Lombardi e belo trabalho de violino e guitarra. A melodia é imitada por cantos gregorianos, uma intrincada sessão entre baixo, piano, violino e bateria se estabelece e a letra é cantada num clima bem viajante. O piano apresenta novos acordes, a base leva a faixa para outro clima e muda tudo para um ritmo forte e belos solos de guitarra e violino. O piano segue empurrando a canção seguido pelos passeios do violino. Surge, então, um órgão, sinos, viradas na bateria, um lindo tema na guitarra, retomando o tema do início e um último solo do violino. Imponente, majestosa, e melhor: o restante do álbum é tão bom quanto sua faixa de abertura, tudo exalando virtuosismo e talento. "Acqua Vitae" (de mais de 6 minutos) é uma poderosa canção, com maravilhoso piano, de alto nivel para o Prog nacional em meados de 70. A valorização do violoncelo e do violino de Marcus Vianna deixam o som do Saecvla bem pessoal em relação à outras bandas. "Eu quero ver o sol" (de mais de 5 minutos) é um Prog intenso, com letra viajandona e boa guitarra. Pra variar, os teclados são maravilhosos (simples e perfeitos). "Constelação de Aquarius" (menor, de pouco mais de 3 minutos) é um instrumental com vocalizações e um duelo violino x piano, seguido de um andamento forte bem dirigido pelo baixo e bateria. Grande faixa. O disco fecha com "Rádio no peito" (quase 6 minutos), um pouco mais convencional que as outras, mas bem elaborada, encerra bem a sequência de clássicos. Dada a dificuldade para recuperar estas canções e relançá-las, o album resultante é mais que sensacional, uma pena realmente não termos oportunidade de apreciar um trabalho mais completo e melhor produzido deste cometa (verdadeira "cult band") que cruzou os céus das Minas Gerais, no final dos anos 70. A partir daí, Marcus Viana iria fundar o Sagrado Coração da Terra, em 79, lançando o primeiro álbum em 84 e obter ótima repercussão (e também compor trilhas para filmes e novelas). Giácomo Lombardi se associaria à irmã, Roberta, que já comercializava produtos importados e tinha uma franquia de boutiques de moda, e juntos criariam a marca de roupas "Vide Bula" (nacionalmente conhecida). Infelizmente, ele morreu aos 68 anos em março deste ano.
Em 2007, houve uma reunião do Saecvla Saecvlorvm. Foi uma série de concorridos shows, tendo na formação Giácomo Lombardi, José Audísio, Marcus Viana, mais Jimmy Duchowny (bateria) e Léo Araújo (baixo), que resultou em um DVD gravado na Praça do Papa, em BH, no ano de 2007. Atualmente, Marcus continua com seu projeto solo, e também ao lado do Sagrado Coração da Terra, deixando o nome Saecula Saeculorum gravado para a eternidade como um dos principais nomes do Rock Progressivo brasileiro, mesmo com a breve existência.