
Após o sucesso de crítica e surpresa do seu álbum de estreia homônimo, Os Mutantes retornaram em 1969 com Mutantes , seu segundo álbum, que confirmou e ampliou a inventividade do trio. O primeiro disco já havia estabelecido o grupo como uma das principais figuras da psicodelia tropical, misturando pop vibrante, experimentação sonora e fantasia desenfreada. Surpreendeu os ouvintes com sua capacidade de combinar influências internacionais com o sabor local, lançando as bases para um universo musical único.
Com seu segundo álbum, Os Mutantes fazem mais do que surpreender: eles afirmam plenamente sua identidade. Ainda composto por Sérgio Dias na guitarra, Arnaldo Baptista no baixo e teclados, e Rita Lee nos vocais, o trio agora conta com a participação de Dinho Leme na bateria, trazendo mais potência e coesão aos voos rítmicos e criativos do grupo. Os brasileiros levam a experimentação, o humor e as colagens sonoras ainda mais longe, explorando territórios ainda mais ousados e inventivos.
Mutantes começa com a orquestrada “Dom Quixote”, uma verdadeira epopeia medieval e cinematográfica sob efeito de ácido, que abre o álbum num frenesim cósmico ao mesmo tempo ridículo e pomposo, misturando efeitos sonoros, guitarra fuzz, sequências a cappella, música honky-tonk e colagens sonoras audaciosas. Permanecemos nesse cenário teatral fantástico e orbitante com “Não Vá Se Perder por Aí”, que evolui num registro garage-folk, misturando energia bruta, melodias cativantes e a excentricidade típica do trio. A nebulosa “Dia 36” nos leva por nebulosas sonoras, enquanto “2001” se transforma numa odisseia tropical verdadeiramente alucinatória. Retornamos ao tropicalismo infundido com fuzz em “Algo Mais” para introduzir “Fuga Nº II dos Mutantes”, onde a voz de Rita Lee nos deslumbra.
Uma versão da música da cantora italiana Mina, a burlesca "Banho de Lua" nos leva a uma viagem só de ida para a lua, uma mistura de leveza, humor e pop delirante. "Rita Lee" nos mergulha em um bar de piano imaginário, um retrato caprichoso e descritivo da cantora, em algum lugar entre a descontração, a intimidade e uma atmosfera silenciosa. A folk e assombrosa "Mágica" nos transporta mais uma vez para o outro lado do universo. "Qualquer Bobagem" é como uma balada nebulosa e misteriosa onde o órgão adiciona uma certa profundidade.
Com Mutantes , o trio confirma seu gênio peculiar e psicodélico, mesclando experimentação sonora com o toque brasileiro. Um álbum ousado, estimulante e atemporal.
Títulos:
1. Dom Quixote
2. Não Vá Se Perder Por Aí
3. Dia 36
4. 2001
5. Algo Mais
6. Fuga N. II Dos Mutantes
7. Banho De Lua = Tintarella Di Luna
8. Ritta Lee
9. Mágica
10. Qualquer Bobagem
11. Caminhante Noturno
Músicos:
Rita Lee: Vocais
Sérgio Dias: Vocais, Guitarra
Arnaldo Baptista: Baixo, Vocais
+
Maestro: Bateria
Zé do Rancho: Viola Caipira, Hurdy-gurdy
Cláudio César Dias Baptista: Efeitos Eletrônicos
Produção: Manoel Barenbein


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