segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ACQUA FRAGILE ● Mass, Media Stars ● 1974

 

Artista: ACQUA FRAGILE
País: Itália
Ano: 1974
Duração: 37:50

Neste segundo álbum dos italianos do ACQUA FRAGILE, temos um trabalho cativante e melódico, principalmente devido aos vocais em Inglês de Bernardo Lanzetti, cujo sotaque italiano quase não é percebido provavelmente devido a sua estadia de um ano no Texas, aos 14 anos de idade. Alguns anos mais tarde, ele retornaria por mais 6 meses, o que lhe deu uma certa experiência no idioma dos norte-americanos.

O disco abre com a ótima faixa "Cosmic Mind Affair". Os teclados soam incríveis, e os vocais são entusiásticos. Em alguns momentos lembra frases melódicas usadas pelo THE WHO. "Bar Gazing" tem violão e vocais que lembram muito GENESIS. "Mass-media Stars" tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo desde o início. Essa tem vocais e guitarras lembrado YES. "Opening Act" abre apenas com vocais, logo as melodias instrumentais seguem. "Professor" é mais uma faixa repleta de energia começando com a guitarra e a bateria se destacando. Os vocais lembram muito as harmonias usadas por GENTLE GIANT, como em "Free Hand" por exemplo. Finalmente "Coffee Song" encerra o álbum em grande estilo. Os vocais são acompanhados por uma guitarra acústica dedilhada, e o Mellotron se junta ao baixo e a bateria tornando-se proeminente. 

É um álbum muito bonito e o último da banda na década de setenta. Dois anos depois Lanzetti iria estrear seu lado Peter Gabriel no PREMIATA FORNERIA MARCONI no excelente álbum "Chocolate Kings", realizando um trabalho primoroso.

Faixas:
01. Cosmic Mind Affiar (7:22)
02. Bar Gazing (5:07)
03. Mass-Media Stars (6:55)
04. Opening Act (5:40)
05. Professor (6:49)
06. Coffee Song (5:57)

Músicos:
- Bernardo Lanzetti: guitarra e vocais
- Gino Campanini: guitarra, bandolin e backing vocals
- Piero Canavera: guitarras, percussão e vocais
- Franz Dondi: baixo
- Claudio Fabi: piano
- Maurizio Mori: teclados e vocais






ALUSA FALLAX ● Intorno Alla Mia Cattiva Educazione ● 1974

 

Artista: ALUSA FALLAX
País: Itália
Ano: 1974
Duração: 44:39

ALUSA FALLAX foi uma banda Italiana de Milão, que como várias outras de seu país teve o mesmo destino: lançar um único disco, mas não um simples disco, na verdade trata-se de uma verdadeira Obra Prima. Esse é um dos álbuns mais bonitos e atmosféricos de todos os tempos. Para quem gosta de Progressivo Sinfônico em especial o Italiano, não pode deixar de conhecer tal obra, e os que o conhecem (como eu) não pensam duas vezes em coloca-lo como um dos melhores já lançados na discografia Italiana (e quem sabe mundial).

Aqui nesta obra descrita, há generosas doses de flauta (Muito bem executada, um belíssimo trabalho), guitarra, um excelente vocal (um dos melhores do Prog Italiano), Saxofone e um ótimo trabalho de Órgão (que lembra demais os conterrâneos do BANCO DEL MUTUO SOCCORSO) estes instrumentos se destacam fazendo um disco homogêneo, sem uma musica ruim sequer, mas que com certeza tem seus destaques individuais (e como tem).

álbum conta com 13 musicas muito bonitas, as vezes complexas como "Carta Carbone" que é uma descarada musica com ritmos "caribenhos" inserida aqui, mas que em nada atrapalha, muito pelo contrário esta faixa é até muito boa, uma outra musica complexa é "Perche Ho Venduto il mio Sangue" que tem pouco mais de um minuto e meio, onde ha vários ruídos e uma narração ao fundo. Esta faixa na verdade vale mais como introdução para a musica seguinte.

Os destaques deste disco (que não são poucos): "Soliloquio" (excelente faixa de abertura, toda instrumental onde a flauta dá o tom e se destaca), "Non Fatemi Caso" (Ótima, onde já entra o excelente e rouco vocal), "Intorno alla mia Cattiva Educazione", "Riflessione al Tramonto", "É Oggi"(Maravilhosa, a segunda melhor do disco, é impressionante o que eles conseguem fazer em apenas 3 minutos e pouco de musica), "Cio Che Nasce con me", "Per iniziare una Vita" e finalmente "Splendida Sensazione" (Fantástica, a melhor do disco com excelentes duelos de guitarra de timbre mais pesado e flauta, já do meio para o fim da musica entra para complementar um ótimo saxofone, com certeza esta é uma das melhores musicas do Progressivo italiano).

Infelizmente após o lançamento deste magnifico trabalho em 1974 a banda veio a acabar por causa das baixas vendas, não conseguiram espaço no mercado fonográfico como a maioria das bandas Italianas da época. Mas felizmente deixaram gravado um maravilhoso disco, uma Verdadeira "Pedra Preciosa" dentro do Progressivo Italiano e Mundial. Material digno de uma Nota 10, este "Intorno alla mia Cattiva Educazione" está acima de qualquer suspeita. Altamente recomendado.

Faixas:
01. Soliloquio (2:58)
02. Non Fatemi Caso (4:28)
03. Intorno Alla Mia Cattiva Educazione (4:13)
04. Fuori di me,Dentro di me (3:03)
05. Riflessioni Al Tramonto (3:04)
06. Il Peso Delle Tradizioni (1:40)
07. Carta Carbone (3:36)
08. Perchè Ho Venduto Il Mio Sangue (1:43)
09. Per Iniziare Una Vita (4:20)
10. E' Oggi (3:05)
11. E' Così Poco Quel Che Conosco (2:32)
12. Ciò Che Nasce Con Me8 (4:12)
13. Splendida sensazione (5:45)

Músicos:
- Guido Gabet:guitar
- Massimino Paretti: keyboards
- Guido Cirla: bass
- Duty Cirla: percussion, vocals
- Mario Cirla: saxophon, flute


DE Under Review Copy (DUPLEX LONGA)

 

DUPLEX LONGA

Tudo começou em 1987, quando Mário Resende (violino, caixa de ritmos, flauta, cassetes, computador, electrónicas) e Carlos Raimundo (baixo, caixa de ritmos, cassetes, samplers, electrónica) pensaram em entrar no concurso Novos Valores da Cultura. Para tal, precisavam de ter um projecto viável e original, e pelo menos três músicas. Ambos faziam parte de diferentes grupos que partilhavam o mesmo local de ensaios. Mário Resende era violinista nos Seres, grupo que explorava sonoridades portuguesas em ambiente pop e Carlos Raimundo era baixista na banda Meliufell, praticantes de uma sonoridade pós-punk com influências do rock denominado na altura de gótico. Aproveitaram o feriado do 10 de Junho para começarem a acertar agulhas e a trocar ideias. Dias depois nascia a música "Primeira Viagem". Seguiu-se o tema "Tuareg", após um estudo dos vários estilos de música praticada no norte de África. Ainda faltava a terceira música e apareceu "Rio da Prata". Já podiam inscrever-se no concurso. Foram apurados e em Outubro tiveram a sua eliminatória. Não venceram mas mereceram uma menção honrosa. Para princípio de carreira, parecia promissor. Nos meses seguintes, dedicaram-se à criação de novos temas, e no ano seguinte participaram no 2º Concurso Novos Valores. Desta vez levaram o 2º Prémio, sendo o primeiro lugar para os K4 Quadrado Azul. Mas foi o suficiente para começarem a ter convites para concertos em todo o país, entrevistas em rádios e participações na televisão. Foram gravados dois video-clips com passagem no programa "Pop-Off" do Canal 2. Lembraram-se então de explorar outra forma de espectáculo: convidaram vários músicos a tocarem com eles de forma improvisada ou semi-improvisada. Assim, tiveram participações como Anabela Duarte (Mler Ife Dada), Rodrigo Amado (João Peste e o Acidoxibordel), Luís Desirat (Ena Pá 2000), Cramol (Coro Feminino), Vitor Rua e Jorge Lima Barreto, além de outros músicos. Em paralelo, criaram bandas sonoras para filmes ("Romance de uma Música" de João Ponces de Carvalho), passagens de moda, clips de publicidade, etc. Assim se passaram dois anos até que a editora MTM do Porto lhes propôs a edição do CD. Havia uma condição, sem a qual tal não seria possível. Era a gravação da master no próprio estúdio dos Duplex Longa, sendo apenas a passagem para DAT feita num estúdio profissional. Foram acordados todos os pormenores e, em 1992, foi editado o tão esperado disco dos Duplex Longa, "Forças Ocultas". Em 1995, convidaram Fernando Guiomar (ex-In Loco), guitarrista e compositor, a entrar para a formação, passando esta a ter três elementos base. Ainda fizeram novos temas com este, para além de procederem a novos arranjos de temas antigos de forma a poderem comportar a guitarra. Infelizmente, por motivos alheios à sua vontade, tiveram que pôr um ponto final na sua já longa carreira. A única esperança ainda, é que o projecto volte a renascer um dia, tudo dependendo da vontade e disponibilidade de cada um dos seus elementos originais.


DISCOGRAFIA

 
FORÇAS OCULTAS [CD, MTM, 1992]

CASSETES
Demo Tape 1988 (4 Temas, 16:22)


domingo, 4 de janeiro de 2026

CAPAS DE DISCOS - 1969 Bátiz And Hair - Javier Bátiz Con Los Fink Chorus

 


L.P México - Orfeon Videovox S.A - LP-12-658.


Contracapa

Etiquetas lados 1 y 2.




CAPAS DE DISCOS - 1969 The Kaleidoscope - Kaleidoscope

 


LP México 2011 - Orfeon Videovox SA - LP 12-666 / CSM-002.


Contracapa.

Identifique os lados 1 e 2.

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CAPAS DE DISCOS - 1969 Is This What You Want? - Jackie Lomax

 


LP EUA - Apple Records - ST-3354.


Contracapa

Interior.

Etiquetas lados 1 e 2.




Desire (Columbia Records / 1976), Bob Dylan

 



Não se entra em Desire como quem entra em uma sala de estar. O disco é uma tenda cigana, um palco iluminado por tochas em uma estrada poeirenta onde se encenam crimes, lamentos, perseguições e amores irrecuperáveis. Gravado em meio à efervescência da turnê Rolling Thunder Revue e lançado em janeiro de 1976, Desire é mais que um disco de Bob Dylan: é um estado febril. Um delírio musical que funde o jornalismo gonzo com a poesia mística, o cancioneiro popular com o teatro de guerra. 

Dylan vinha do desmonte emocional de Blood on the Tracks (1975), um divórcio musicado, um ajuste de contas com a própria alma. Em Desire, a dor continua, mas se projeta para fora. É uma dor que narra, que dramatiza, que recria mitos. Para isso, Dylan se cerca de cúmplices. Jacques Levy (1935-2004), dramaturgo e letrista, entra como parceiro em quase todas as composições. Scarlet Rivera, com seu violino abrasado, traz um exotismo febril que atravessa o disco de ponta a ponta. Emmylou Harris, com sua voz etérea, contraponta o tom profético do bardo com uma doçura terrena. 

Mas Desire não quer conforto. Quer intensidade. Quer transformação. É um disco que irrompe, que desafia o ouvinte a entrar no jogo de espelhos que Dylan encena. 

Apresentação de Bob Dylan no concerto Rolling Thunder Rview, em benefício
da defesa do pugilista Rubin "Hurricane" Carter, em 8 de dezmebro de 1975,
no Madison Square Garden, em Nova York.

Canções como paisagens em combustão 

O álbum começa com “Hurricane”, canção “quilométrica” que é um soco: "Tiros de pistola ecoam na noite do bar”. Com essa frase, Dylan joga o ouvinte dentro de um tribunal. “Hurricane” é a crônica indignada do caso Rubin Carter, pugilista negro acusado injustamente de assassinato. A canção é jornalismo, é protesto, é narrativa cinematográfica. Em oito minutos, Dylan transforma a balada folk em panfleto e a panfletagem em ópera. 

Em “Isis”, começa o Dylan xamânico. Uma odisseia surrealista entre montanhas geladas e templos esquecidos, onde o casamento vira rito iniciático e a mulher amada se confunde com uma deusa. A percussão seca e o piano hipnótico criam uma atmosfera ritualística. É Dylan em seu papel mais teatral: o contador de fábulas que embaralha tempo, geografia e simbolismo. 

Depois do delírio, o sarcasmo. “Mozambique” é uma balada folk que celebra uma praia paradisíaca enquanto o país real sangrava em guerra civil. Críticos se dividiram: seria Dylan debochando da ignorância norte-americana? Ou apenas relaxando? A leveza disfarça a ambiguidade. 

“One More Cup of Coffee (Valley Below)” traz violinos lamentosos, um ritmo arrastado como uma procissão. Dylan canta para uma mulher cuja alma pertence às estrelas. A canção ecoa tradições do Oriente Médio, com influências de música cigana e judaica. Uma despedida em forma de ladainha, ao mesmo tempo amorosa e resignada. 

Bob Dylan e o dramaturgo e letrista Jacques Levy em 1975: parceiros em quase
todas as faixas do disco.

Oh, Sister” traz Dylan e Emmylou Harris num dueto que soa como se cantassem de dentro de uma capela abandonada. Uma canção fraternal e ambígua, que pode ser lida tanto como invocação religiosa quanto como um drama incestuoso. O violão limpa, o violino, a gaita e os vocais entrelaçados criam um clima de suspensão emocional. 

A faixa seguinte, “Joey”, talvez seja a faixa mais controversa da carreira de Bob Dylan. Uma longa e arrastada balada sobre Joe Gallo (1929-1972), mafioso de Nova York. Dylan o pinta como vítima do sistema, um fora-da-lei romântico. A imprensa torceu o nariz; a esquerda ficou indignada. Mas a narrativa é tão envolvente que é difícil escapar da hipnose moral que a canção propõe. 

Romance in Durango” traz maracas, castanholas e um Bob Dylan meio bandido, meio Don Juan. A canção é um western latino, falado metade em espanhol, metade em inglês. Um casal foge da justiça no México, entre desertos e fantasmas. O dueto vocal de Dylan e Emmylou Harris emprega à canção um tom melodramático. Contudo, Scarlet Rivera brilha aqui, como se seu violino traduzisse o calor e a poeira da cena. Em 1987, “Romance in Durango” foi regravada em português no Brasil por Raimundo Fagner, com o título “Romance no Deserto”, dando também nome ao álbum lançado naquele ano. 

Black Diamond Bay” é marcada por uma narrativa fragmentada, em terceira pessoa, com uma multiplicidade de personagens e um desastre iminente. Lembra um conto de Graham Greene (1904-1991) com direção de Fellini (1920-1993). No fim, descobre-se que tudo foi visto pelo narrador na televisão. A ironia é aguda: a tragédia virou notícia, e a notícia, nada. 

Fechando o álbum, “Sara”, a canção mais dolorosamente direta que Dylan já escreveu. Um pedido de reconciliação com sua esposa, Sara Lownds, que assistia à gravação em silêncio. Dylan cita momentos da vida a dois, relembra viagens e promessas, e se despede como quem se ajoelha. É um final sem catarse, mas com amor. Amor verdadeiro, ainda que maldito. 

Detalhe da contracapa do álbum Desire.

Repercussão, vendas e papel na mitologia Dylan

Desire alcançou o topo da Billboard e vendeu mais de dois milhões de cópias só nos Estados Unidos. Foi disco de platina rápido. Mas o sucesso comercial veio acompanhado de uma recepção crítica dividida. “Hurricane” foi celebrada como um manifesto urgente, mas “Joey” virou motivo de piada. Alguns viram Dylan como um oportunista em causas alheias; outros, como um gênio ainda inquieto, reinventando a canção como narrativa polifônica.

A verdade é que Dylan, mais uma vez, recusou o papel que lhe haviam reservado. Se esperavam dele introspecção e luto, ele ofereceu teatro e explosão. Se Blood on the Tracks era um quarto escuro com uma vela acesa, Desire é uma arena ao ar livre com fogueiras dançantes.

Em termos de carreira, o álbum consolida a fase performática de Dylan. A turnê Rolling Thunder Revue, com sua estética de carnaval itinerante, é a extensão visual e conceitual do disco. O cantor se torna personagem: com o rosto pintado de branco, como um pierrot exausto, Dylan desfila sua trupe por pequenas cidades, tocando em ginásios e teatros locais, reencenando Desire como se fosse um musical de estradas.

O legado de um disco em constante combustão

Passado tanto tempo desde os eu lançamento, Desire ainda intriga. É um disco que resiste à classificação, que se insinua como farsa e termina como confissão. Sua sonoridade quente, suas letras hiperbólicas, seu senso de drama e sua ousadia narrativa continuam a desafiá-lo dentro da própria discografia de Dylan.

Mais do que um álbum, Desire é um espelho em chamas: reflete quem olha, mas em chamas, distorcido, sublime. Um Dylan em trânsito entre o mito e o homem, entre o palanque e o travesseiro. Um disco que ainda pergunta mais do que responde. E cuja pergunta ecoa: o que é mais verdadeiro? O fato? Ou a canção sobre ele?

 

Faixas

Todas as faixas por Bob Dylan e Jacques Levy, exceto as indicadas. 

Lado 1

  1. "Hurricane" – 8:33
  2. "Isis" – 6:58
  3. "Mozambique" – 3:00
  4. "One More Cup of Coffee (Valley Below)" (Dylan) – 3:43
  5. "Oh, Sister" – 4:05 

Lado 2

  1. "Joey" – 11:05
  2. "Romance in Durango" – 5:50
  3. "Black Diamond Bay" – 7:30
  4. "Sara" (Dylan) – 5:29 


Ouça na íntegra o álbum Desire.


Destaque

Gong -Live Au Bataclan 1973 [progrock]

  Ao vivo, CD lançado em 1990 Excelente álbum ao vivo do Gong com um Pierre Moelen em forma excepcional. Duas das faixas, "You Can'...