segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Reckless Love: crítica de Spirit (2013)

 



O hard rock escandinavo dos anos 2000 pode ser dividido em duas correntes: há os grupos que simplesmente reproduzem com fidelidade os clichês da década de 1980, não agregando nada de novo ao gênero, e há os que apontam para o futuro — com um pé cravado no passado, ok, mas não se deixando levar pela fórmula cujo desgaste levou à ruína no início dos anos 1990. Misturando o que há de melhor no passado e o que se salva no futuro, o Reckless Love acaba de lançar Spirit, seu terceiro  álbum em aproximadamente quatro anos de dedicação total do vocalista Olli Herman à banda que inicialmente o revelou. E não tem como não dar graças à Dio por ele ter metido o pé do Crashdïet, afinal, o saldo foi positivo para ambos os grupos.

Em matéria de som, Spirit é mais comercial e, com isso, mais palatável que seus antecessores Reckless Love (2010) e Animal Attraction (2011). Parece haver, por parte do quarteto, uma preocupação imensa com cada mínimo detalhe referente às canções. É perceptível o cuidado na execução de cada nota nos solos, bem como o alinhamento dos backing vocals, a uniformidade do som da cozinha e a voz, nos quesitos volume e altura. O visual glamouroso, obviamente, agride os olhares dos xiitas chapéu-e-bigode, mas basta deixar o preconceito de lado para ser levado pelo hard radiofônico aqui oferecido.

"Night on Fire", cujo clipe circula pela internet desde abril, abre o trabalho em clima de festa. A pegada meio selva/meio L.A. é um convite para farrear regado à uísque e... margaritas, talvez. Um bom amigo notou semelhanças com "Whenever Wherever" da Shakira e eu tive que concordar. Agora peguem "Unskinny Bop" do Poison, adicionem uma bateria mono a la Rick Allen, misture bem e você obterá algo como "I Love Heavy Metal". Nuances de AOR velha guarda marcam presença na primeira balada do álbum, "Edge of Our Dreams". Enquanto isso, "Favorite Flavor" remete diretamente ao tipo de som que você ouviria em Venice Beach a qualquer hora do dia duas décadas atrás.

O nível cai de leve em "Sex, Drugs & Reckless Love", a mais fraca do álbum, mas sobe a níveis alarmantes em "Dying to Live", que foi a que mais me chamou a atenção por aqui. A atmosfera por trás da canção é sinistra, emana uma maturidade que até então o Reckless Love não havia transparecido — não que Olli e seus amigos sofram de alguma síndrome de Peter Pan, apenas ouçam e comprovem. Na tentativa de soar como um mantra metaleiro, "Metal Ass" mais se aproxima de um Steel Panther, só que sem as boas sacadas que fazem dessa uma das bandas mais sensacionais da história. Na reta final, "So Happy I Could Die", oportunamente escolhida como segunda música de trabalho e mais uma balada, e "Hot Rain", onde o destaque vai todo para a interpretação light FM de Olli.
 Colunas portáteis

Ante o que foi lançado até agora em 2013, Spirit tem vaga garantida na minha lista dos melhores do ano. Talvez até vença na categoria hard rock do prêmio Marcelo Vieira. Mas independentemente disso, é um álbum vigoroso, que assegura o Reckless Love no Olimpo da farofa escandinava do novo milênio.


1. Night On Fire 
2. Bad Lovin' 
3. I Love Heavy Metal 
4. Favorite Flavor 
5. Edge Of Our Dreams 
6. Sex, Drugs & Reckless Love 
7. Dying To Live 
8. Metal Ass 
9. Runaway Love 
10. So Happy I Could Die
11. Hot Rain
 



Álbuns Clássicos: Blue Cheer - Vincebus Eruption (1968)

 



O Blue Cheer foi uma banda de curta duração, mas que durante sua existência influenciou um sem número de bandas inclusive o Black Sabbath que vira a lume poucos anos depois. Aos norte americanos é atribuído o título de criadores do heavy metal, pois o som pesado com guitarras distorcidas, bateria e baixo igualmente pesados seriam pelo menos as bases fundadoras do gênero que criaria raízes profundas no cenário alastrando-se pelas décadas subsequentes.



No ano de 1967, Eric Albronda e seu camarada Jerry Russel deram origem ao Blue Cheer ávidos de participar no cenário de San Francisco que na época vivia o começo, o auge do psicodélico cujos maiores representantes da cena local eram ninguém mais nem menos do que Grateful Dead e Jefferson Airplane. A dupla juntou-se a Dickie Peterson e caíram na estrada e foram parar em San Francisco, Califórnia. Com o tempo o grupo foi se ambientando no cenário e começou a circular pelos picos quentes daquela área e foram curtir uma noitada de rock n roll no Festival Pop de Monterrey, e depois de ver Hendrix demolindo tudo com sua guitarra mágica decidiram ser um power trio.


Ai começaram as operações de mudança na banda e o primeiro a cair fora foi Albronda um dos fundadores e no seu lugar entrou Paul Whaley, porém o ex-integrante não debandou totalmente com a mudança ele passou para o posto de produtor. O grupo ainda dispensou Hamaka e Badejo, e Jerre Peterson como não aprovou essa brusca mudança porque não se sentia a vontade sem os seus companheiros também pós o pé estrada. Finalmente a banda era um power trio cuja formação estabilizou-se com Dickie Peterson no baixo e vocais, Leigh Stephens na guitarra e na bateria Paul Whaley.

O som dos caras é baita de um blues pesado com guitarras distorcidas e cheia de feedback seguido de uma cozinha matadora e não menos pesada acompanha dos vocais crus de Peterson e pronto estava a caminho o heavy metal, ou seja, a inspiração para os demais seguirem no futuro. Contratados pela Philips, o power trio entrou em estúdio para gravar o seu primeiro álbum e mostrar para o mundo do que eles eram capazes de fazer com uma guitarra, um baixo, uma bateira e um microfone. A explosão sonora do Blue Cheer remete diretamente aqueles pubs enfumaçados com caras de cabelos cumpridos com a cabeça cheia de lsd, baseados, anfetaminas e caindo de bêbados pelos cantos.


Vincebus Eruption apesar de ser álbum pequeno, ou seja, resumido a seis faixas é verdadeiro show de demolição sonora, mas as faixas que integram o pacote este pacote altamente chapado e desgovernado metade covers como “Summertime Blues” de Eddie Cocham cuja versão é melhor que a original e até o presente momento apareceu uma roupagem tão selvagem quanto esta. Na sequência vem “Rock me Baby” outro cover, porém com uma roupagem cadenciada e ainda assim super pesada e atormentadora. Apesar de ser composto de metade covers a banda também sabia compor e Dickie Peterson assinou três faixas nesta pequena grande obra e a primeira delas é “Doctor Please” um arregaço sonoro de quase oito minutos de duração onde as guitarras de Whaley soltam faíscas, labaredas incendiárias onde a banda caminha pelas estradas tortuosas do LSD.

Em “Out of Focus” outra composição assinada por Peterson, o trio caprichou no groove seguindo a trilha de um riff inteligente e pesadíssimo. O último cover é “Parchman Farm” é transmutação do blues num monstro de vida própria como se fosse uma síntese e de fato era uma que estava bem diante dos olhos e ouvidos de quem quisesse e pudesse de fato ver entender o que estava acontecendo naqueles dias. Fechando a bolacha entra em cena “Second Time Around” vem com tudo através de guitarras distorcidas e o característico peso e os vocais profundos e cortantes de Peterson.  A recepção por parte dos fãs e a música eleita para ser o sucesso foi “Summertime Blues” que disparou na Billboard alcançando a 14º posição enquanto o álbum por sua vez atingiu em cheio a nada tímida 11º também nos charts da Billboard, a produção foi assinada por Abe “Voco” Kesh.  O grupo continuou causando erupções quentíssimas por onde passou e no mesmo ano ainda lançou Outsideinside, que já apresentava uma ligeira queda em relação ao predecessor e infelizmente essa queda se acentuaria nos demais álbuns até finalmente encerrar as suas atividades na década seguinte, porém se você ainda não conhece pode correr atrás deste clássico porque ele é indispensável para você entender o heavy metal e se estas palavras forem pouco leia o cartaz abaixo, pois ali tens um resumo fiel do que é o disco.

Lista de músicas: 

01 Summertime Blues 
02 Rock me Baby 
03 Doctor Please 
04 Out of Focus 
05 Parchment Farm 
06 Second Time Around







Grace, o estado de graça de Jeff Buckley.

 




Durante a manhã, o pensamento sobre o que iria escutar a noite voltou a me assombrar e então pensei que poderia comprar mais um disco, mas que disco seria esse? Então pûs a minha cachola para funcionar e depois de uns bons minutos pensei num álbum do Bob Dylan em outros dois do Johnny Cash e outro de um cara que havia escutado outro dia e cuja audição foi paixão a primeira audição e decidi ir para a FNAC no intervalo para o almoço. Na tal hora desliguei o meu computador e pûs os meus livros e outros apetrechos na pasta e me mandei o mais rápido possível para o shopping e depois de mais de cinco minutos estava estacionando o carro e em mais três já estava dentro do estabelcimento rumo a livraria.

Quando cheguei nem parei fui direto a seção dos discos e já fui pegando o que interessava e mais alguma coisinha e fui olhando os preços e passando no leitor dos fones para conferir, o do Bob Dylan descartei de cara por se uma trilha sonora cuja música principal fez sucesso com o Guns n Roses em 1992, porque não estava cadastrado e disco que não escuto antes não compro. Passei para os do Johnny Cash e como gostei muito joguei na sacola e depois passei para outro legal também, o Grace Under Pressure, do Rush só que descartei também porque não estava a fim de ouvir new wave. Ai peguei o tal disco anônimo que na verdade é o Grace, do Jeff Buckley e quando o coloquei para escutar fui adbuzido imediatamente para atmosfera do disco e nem pensei mais joguei-o para dentro da sacola e continiuei procurando mais alguns para levar, mas como o tempo estava ficando escasso deixei de lado e nem passei nos livros fui direto para o caixa e quando cheguei no caixa para pagar os discos tive uma surpresa desagradável não dinheiro suficiente para pagar a compra sem afetar o meu almoço e assim sendo não rolou e foi fácil escolher dessa vez, os discos do Johnny Cash ficaram na saudade esperando por dias melhores nesse caso até amanhã, sábado.

Depois de feito o pagamento, almocei em grande estilo um baita de um prato de comida caseira e me retornei para o segundo round do dia, mas dessa vez foi diferente dos demais dias porque pelo menos tinha um sorriso no rosto não por ter que fazer dinheiro para outra, mas porque teria algo único, exclusivo para fazer depois do expediente, que eu não via a hora de encerrar-se e depois de contar minuto a minuto, segundo por segundo pronto estava encerrado o pesado dia de sexta feira e depois de meia hora finalmente em casa com fast food na mão e sacola na outra e depois devorar os lanches me dirigi para o aparelho de som que liguei sem parcimônia nenhuma e fiu logo abrindo o disco e colocando-o e posteriomente acionando o play e me refastelei na poltrona com um gigante copo de coca cola cheio com limão e gelo.

Quando comecei a escutar o disco voltei lá na década de 1990 para reviver durante pouco mais de cinquenta minutos a minha adolescência. Naquela época, o Nirvana, o Pearl Jam e o Red Hot Chilli Peppers nadavam de braçadas e ditavam a nova onda do rock no caso o grunge, eles lançaram ótimos trabalhos é verdade só que havia mais coisas rolando concomitante e é exagero e uma tremenda injustiça dizes, pensar que a década de 1990 teve o grunge e que o rock estava morto, enfim coisas de gente que sabe-se lá o que andou fumando, bebendo.

Grace, do Jeff Buckley é um reflexo do que a década de 1990 ofereceu em termos de música, de possibilidades, de viagens ilimitadas infelizmente mal compreendidas por um público saudosista, magoado e rancoroso com a derrocada do metal. Em relação ao grunge, ao Nirvana e ao seu Nevermind que nessa altura já havia entrado para história, o que se pode dizer que Grace é aquele álbum que oferece a outra via para o rock cativante do início ao fim, ele realmente te tira do ar e te faz passear infinitamente por ai na memória. Rock, jazz, folk entrelaçados como verdadeiros amantes desesperados tocados por Jeff Buckley e seus companheiros Mike Grodahl e Michael Tighe pariram uma obra seminal que fez até astros cinquentões como Lou Reed, David Bowie entre outros trocar os babadores várias e várias vezes. Os temas das canções não são nada felizes e canta-se sobre estado de graça, de não temer a morte, sobre adeus num clima sombrio, melancólico, dark para definir a atmosfera dessa obra de gênio.

O disco tem dez composições das quais três são covers de Leonard Cohen, Nina Simone e mais uma peça religiosa. As composições próprias do autor transcendem o gênero e levam o pop para um nível ainda mais alto do que já conhecerá até ali, porém a imprensa não viu o disco com bons olhos e tanto é fato que a Rolling Stones o classficou como um disco mediano chamando o Jeff Buckley de imaturo, mas fazer o que quando a imprensa é tapada.  Um disco que reunia em si uma combinação incomum de estilos e ainda por cima vociferando poesia de alto nível. 

Esse foi o primeiro e último disco de Buckley que morreu tragicamente afogado enquanto nadava no rio Wolf e nesse 29 de maio de 1997 mais um capítulo encerrava-se na história do rock, mas que deixava o seu legado escrito para um homem que provavelmente hoje seria um astro, mas na época preferiu tocar em lugares menores. Essa breve carreira marcada por essa álbum espetacular, genial mostra que tanto faz estar nessa ou naquela posição nas paradas, pois o que de fato importa na música é paixão em fazer música e participar o público da sua interminável e louca paixão pela obra, arte infinita que atropela o mundo hipócrita é esse o diferencial gritante e obstinado de Grace, pois aqui o importante é estar sempre em estado de graça porque a vida é uma dádiva que deve ser aproveitada e cada momento deve ser único, insano nos seus altos e baixos.    

Lista de músicas: 

01 Mojo Pin 
02 Grace 
03 Last Goodbye 
04 Lilac Wine 
05 So Real 
06 Hallelujah 
07 Lover, You Should´ve Come Over
08 Corpus Christi Carol
09 Eternal Life 
10 Dream Brother 




Guia do Colecionador: Os 10 Melhores Álbuns de 1967

 



Nunca fui muito fã de fazer, mas sempre publiquei listas aqui, porém explico porque me incomoda fazê-las. Quando você faz uma lista é compulsório resumir a determinado número e não cometer injustiças é um milagre, pois sempre sabemos que limitar é preciso e nem sempre sai a contento. Hoje assistindo aos jogos da copa me veio à ideia de fazer listas dos melhores discos de cada década, mas só que ano por ano e resolvi começar pela década de 1960 e no caso o ponto de partida será o ano de 1967 por razões óbvias.


As listas de cada ano vão contar com dez álbuns que considero os melhores de cada ano das décadas escolhidas, e neste caso, a princípio farei sobre as décadas de 1960, 1970 e 1980, mas dependendo poderia estica-las e quem sabe chegar até a atualidade, pois engana-se quem pensa que nos tempos atuais estamos resumidos a artistas ruins que só sabem copiar o que foi feito no passado e isso não é verdade.

Tudo o que estiver nestas listas obedecem estritamente ao meu gosto pessoal e, portanto, o que interessa é discutir o que está ali publicado, pois é muito chato receber reclamações através de ofensas pessoais. Enfim, o que interessa é partilhar informações sobre música cujo gosto é algo puramente subjetivo e no caso dos comentários sobre os álbuns não contarei as histórias que os cercam e sim as minhas impressões. Bom o convite está feito espero que gostem e deixem suas contribuições. 


Cream - Disraeli Gears 
País de origem: Inglaterra 
Ano de lançamento: 1967
Estilo: Rock 
Line-up: Eric Clapton (g), Jack Bruce (bx, v) e Ginger Baker (bt)
Produção: Felix Pappalardi 

A primeira vez que ouvi o Cream foi através de uma fita gravada, pois no final dos anos 90 não havia relançamentos brasileiros e os importados eram caríssimos. Ouvi tanto a fita que não parava de pensar um minuto sequer e até sonhava com o disco. Quando o consegui em versão nacional também comprei o Fresh Cream (1966) um disco diferente por ser calcado estritamente no blues e no caso do segundo apesar de manter-se igualmente no blues apresenta evoluções que musicalmente o tornam superior ao antecessor. Psicodélico, rock, blues formam uma sonoridade singular pouquíssimas vezes registradas em discos disponível para a galera pirar. Esse disco é uma referência no gênero e isso fica evidente quando você se aventura no disco e passa por "Strange Brew", a emblemática "Sunshine of your love", a questionadora "World of Pain" e as "Dance the Night Away" e "Tales of Brave Ulysses" que são igualmente matadoras dando as pistas para o coração psicodélico do grupo que abriu portas e mais portas para um futuro não distante.    

Jimi Hendrix - Are You Experience? 
País de origem: EUA 
Ano de lançamento: 1967 
Estilo: Rock 
Line-up: Jimi Hendrix (g, v), Mitch Mitchell (bt) e Noel Redding (bx) 
Produção: Chas Chandler 


Imagine um disco ácido, psicodélico, blues e rock pesado tocado por um guitarrista virtuoso que despeja toneladas de peso, feeling através de riffs e solos animalescos, ou seja, púra selvageria com forte apelo sexual. Esse cara só pode ser Jimi Hendrix e esse disco de que estou falando só poder Are You Experience? Aqui são várias as experiências permitidas porque para ficar parado na desse álbum não tem regras e nem limites, ou seja, ele te aceita e te quer como você é. As experiências a que ele te convida, a participar é sobre a tua libertação contra as amarras opressoras da sociedade, é para desafiar tudo, é um estilo de vida isso aqui, saca? Viagens altas, bem altas!!! através de músicas espirituais, loucas como a faixa título, "I Don´t Live Today" (afinal de contas quem é que vive de fato a própria vida?), "Maniac Depression", "Fire" (sobre a necessidade imediata de alguma dose violenta de emoção), "Foxy Lady" (uma das músicas mais sedutoras e excitantes) e a incendiária "Purple Haze" também apelando para o lado sexual, emocional, enfim é um disco mais potente que o próprio LSD ou qualquer outra substância.  

The Doors - The Doors 
País de origem: EUA 
Ano de lançamento: 1967 
Estilo: Rock 
Line-up: Jim Morrison (v), Ray Manzerek (or), Robby Krieger (g) e John Densmore (bt). 
Produção: Paul Rothchild  


Esse é daqueles disco seminais onde você fica pensando quando quatro caras juntam-se e pegam o blues, o jazz, o rock e adicionam alguns elementos da música latina (bossa nova) e ligam o liquidificador e pronto temos um amalgama poderoso e forte perfeito para transmitir poesia caótica, que fala sobre amor, dor, morte, revolta. The Doors é daqueles discos que cativam de imediato é uma revolução dos sentidos quando os fones estão na sua cabeça e música como "Break on Through (to the other side)", "Light my Fire", "The End" (que nos mostra o fim de tudo o que conhecemos e nos mostra o nascimento de uma outra vida livres de os pré-conceitos e preconceitos) invadem a sua mente através dos fones de cabeça ou não. A música desse álbum realmente entra na cozinha da sua alma e te emancipa das imbecilidades que o mundo te oferece e te põe para pensar no meio do caos e da desordem, o que vale ou não a pena. 

País de origem: Inglaterra 
Ano de Lançamento: 1967 
Estilo: Rock Psicodélico 
Line-up: Paul McCartney (bx, v), John Lennon (g, v), George Harrison (g, v), Ringo Starr (bt, v)
Produção: George Martin 
       
Numa bela tarde de inverno fui na casa de um amigo para trocar umas ideias sobre a noitada e o cara me mostrou os discos que tinha acabado de ganhar do pai dele e me convidou para escutar e perguntou se por um acaso, eu teria uma fitinha básica para gravar e respondi que não tinha e que depois compraria uma e gravaria o que me interessa-se depois. Ouvimos os discos em ordem cronológica e quando chegou no oitavo álbum foi paixão a primeira vista e audição. Eu fui abduzido, conquistado pela sonoridade daquele disco e a partir de então Beatles entrou para minha vida e para o meu coração e nunca mais saiu e tanto é fato que comprei esse disco em K7, CD e LP. Eu viajava em "Day in the Life" e de fato foi um dia na vida de forma inesperada que este disco caiu como uma luva na minha vida e fora as piradas em "Getting Better", "Fixing a Hole", "Lucy in the Sky With Diamonds" (essa foi perfeita para mim e cada vez que tocava era como estivesse em estado de graça) e "With a Little Help From my Friends" (essa era faixa o tema da turma). Esse é um disco mágico que em minha humilde opinião todos deveriam pelo menos conhecer porque a magia dele nunca morre. 


Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn 
País de origem: Inglaterra 
Ano de lançamento: 1967
Estilo: Psicodélico 
Line-up: Sid Barret (g, v), Roger Waters (bx), Richard Wright (t) e Nick Mason (bt)  
Produção: Norman Smith 


Dessa fase psicodélica esse foi o primeiro álbum que eu comprei para escutar. Na época estava acostumado com álbuns como The Wall (1979) e Dark Side of the Moon (1973) e estranhei demais até cheguei ao cúmulo de deixa-lo de lado por um tempo, porém a curiosidade falou mais alto e me impeliu a ouvi-lo e a digestão confesso que foi difícil, mas quando comecei a entender qual era o lance fui imediatamente seduzido por esta obra prima. O impacto de faixas como a viajante "Astronomy Domine", a fantasmagorica "Lúcifer Sam" e a hipnótica "Interstellar Overdrive" me catapultaram para outra dimensão. Quantas viagens curti através da Matilda Mother é um mundo indescritível de emoções, sentimentos inexplicáveis que obrigam a viajar na profundidade dessa incrível banda para pode entende-la. 


Love - Forever Changes 
País de origem: EUA 
Ano de lançamento: 1967
Estilo: Rock Psicodelico 
Line-up: Arthur Lee (g, v), Johnny Echols (g), Bryan MacLean (g), Ken Forsi (bx) e Michael Stuart (bt) 
Produção: Bruce Botnick, Arthur Lee  
      
Esse é daqueles que eu conheci via internet assim como muitos outros que me eram desconhecidos, mas deixou de ser virtual para ser físico no ano passado e neste mês de junho já faz um ano que entrou para o time da minha prateleira. Neste disco o que mais chama a atenção são os arranjos e se você compara-lo com Love (1965) e Da Capo (1967) nota com clareza a evolução, ou seja, amadurecimento musical e isso é fundamental para uma banda de rock ainda mais na década de 1960. Quando comecei a ouvir o disco desde "Alone Again Or" já entendi que tratava-se de música de alto nível e a baladinha "Andmoreagain" é um dos pontos altos por ser emocional, mas sem aquele romantismo exagerado. "The Red Telephone" é um outra música ótima e que te põe em contato direto com as profundezas de tua mente, pois refletir é necessário sempre. As demais faixas obedecem ao mesmo nível das já citadas. Forever Changes é daqueles discos que a cada audição está sempre mudando aos nossos ouvidos, mas nós ouvintes jamais escapamos incólumes.     ´


The Byrds - Younger Than Yesterday 
País de origem: EUA 
Ano de lançamento: 1967 
Estilo: Rock/Pop 
Line-up: Jim McGuinn (g, v), David Crosby (g, v), Chris Hilman (bx, v) e Michael Clarke (bt)
Produção: Gary Usher  

Esse é o meu preferido dos Byrds, mas não foi o primeiro disco porque descobri os americanos através de uma coletânea numa época que os discos de estúdio eram impossíveis de se achar. Por isso considero os cds uma sacada de gênio porque permitiram-me conhecer várias bandas dessa época e os The Byrds foram exatamente uma delas. Em relação aos primeiros discos Younger Than Yesterday é um grande passo a frente, pois o quarteto deixava de lado aquele pop tocado por seus contemporâneos para alçar vôos maiores para outras direções. Essa evolução natural levou o grupo a se aventurar no psicodélico, no raga rock e a dar passos em direção ao country, ou seja, o grupo estava em ponto de transição que se evidencia em "So You Want to be a Rock n Roll Star", "My Back Pages", "Why" e "Have You Seen Her Face". Esse é um grandes marcos da banda, do rock, enfim uma obra prima para você se divertir e divagar sem parcimônia sobre o passado, o presente e o futuro. 


Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow 
País de origem: EUA 
Ano de lançamento: 1967 
Estilo: Rock Psicodélico 
Line-up: Grace Slick (v, p, or), Martin Balin (g, v), Paul Kantner (g, v), Jorma Kaukonen (g, v), Jack Casady (bx) e Spencer Dryden (bt)
Produção: Rick Jarrard 

Eis aqui o sonho hippie em formato sonoro. Surrealistic Pillow é o retrato do período psicodélico, do paz e amor e a expressão máxima cunhada por eles naqueles tempos era a faixa "Somebody to Love" e eles estavam certos, pois todos precisamos de amor e como dizia Allen Ginsberg em um de seus poemos "O amor é o preso do mundo que em nós constrói pensamentos e nos torna humanos e é a essência da vida" e dele até hoje precisamos assim como precisava-se naquela época nada tranquila para os jovens ao redor do mundo. Falando em em psicodélico e essa palavra remete diretamente as experiências alucinógenas através do LSD cujo guru Timothy Leary preconizava o uso para se alcançar outra realidade, o Jefferson Airplane nos entrega as suas experiência através de White Rabbit. Esse é realmente um disco pesado em todos os sentidos e por isso mesmo paro por aqui e se você leitor quiser saber mais sobre ele vá ouvi-lo. 


Rolling Stones - Satanic Majesties Request
País de origem: Inglaterra 
Ano de lançamento: 1967
Estilo: Rock  
Line-up: Mick Jagger (v), Keith Richards (g), Brian Jones (g), Bill Wyman (bx) e Charlie Watts (bt) 
Produção: Rolling Stones 

Se existiu uma banda que viveu o rock e ultrapassou todos os limites dos excessos promovidos pelo dinheiro, pelas drogas e mais uma série de mulheres bonitas e gostosas esses caras foram os Stones, a banda mais quente da terra quer queiram ou não. Esse aqui é a aventura do super quinteto britânico no psicodélico, mas infelizmente não recebeu os créditos que merecia. Aproveito para dizer que nada tem haver com Sgt. Peppers, dos Beatles, mas Paul McCartney e John Lennon participaram deste álbum em "Sing This All Toghter". Esse foi o segundo disco dos Stones que caiu diretamente no meu colo, a primeira audição foi arrebatadora, enfim uma paixão imediata e desde então Majesties é o meu companheiro quase inseparável. Explorando esse disco de maneira incansável você vai encontrar pérolas como "Citadel", "She's a Rainbow" (é para oferecer para a namorada, esposa), "in Another Land" (ávido de uma mão amigo em algum deserto da mente) e termina majestosamente na galática e protótipo para o space rock "2000 Light Years From Home". Quando você estiver com esse disco esqueça tudo porque nada se iguala ou se parece com Majesties Request Satanic, pois o que mudará é a forma com você irá lidar com o portador de luz em pessoa que habita dentro de você.  


Traffic - Mr. Fantasy 
País de origem: Inglaterra 
Ano de lançamento: 1967 
Estilo: Rock Psicodélico 
Line-up: Steve Winwood (bx, g, v), Dave Mason (g), Jim Capaldi (bt, v) e Chris Wood (fl, or, sx)
Produtor: Jimmy Miller
  
Banda bacana e um disco clássico da década de 1960, também representando o psicodélico com um som de primeira linha. Esse é um daqueles álbuns de estréia que seduzem, encantam o ouvinte de imediato e nem adianta resistir que não há a mínima chance de defesa para as melodias cativantes criadas para os riffs de guitarra e as nuances embaladas por cítaras, órgãos, mellotrons e inúmeros instrumentos característicos do psicodélico. Mr Fantasy faz justiça ao nome e as fantasias aqui convites para mundos artificiais que você mesmo constrói através de melodias cativantes, ácidas em certos momentos que são tão cruciais como as escolhas que fazemos e "Heaven Is Is Your Mind" é um alerta para que entendermos que o céu e tudo o que desejamos de bom está em nós, ou seja, nas nossa mentes e "House for Everyone" é aquela casa que procuramos para nos proteger do mundo hostil que a todo custo tenta nos corromper, e enquanto ao resto deixo para você desbravar leitor. 




Destaque

Luther Allison Live in Chicago 1995

  DISCO 1 01. Intro 02. Soul Fixin' Man 03. Cherry Red Wine 04. Move From the Hood 05. Bad Love 06. Put Your Money Where Your Mouth Is 0...