terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Rock Brasil: 10 obras primas, das décadas de 1960 e 1970, para você delirar



O Brasil na música sempre foi um país muito criativo e, portanto, não é verdade que só temos samba, pagode e axé. Temos por aqui rock do bom, mas o que me interessa nesse caso é aquele do passado que figurava nos anos 60. A beatlesmania saiu da pequena ilha de Albion e se espalhou como um vírus e foi infectando a juventude e no Brasil não foi diferente e uma série de bandas começaram a pipocar. Era uma época em que as garagens exportavam talentos que deixaram atrás de si uma discografia impecável e mesmo que as vezes essas se resumissem de um a dois álbuns estes sempre impressionavam. 



Os frutos das influências externas a nós foram resignificados, ou seja, ao invés dos nossos artistas apenas reproduzirem aquele rock n roll vibrante aqui o lance deu a famosa abrasileirada e ai rolou aquela miscelânea musical que podemos conferir nos diversos discos de rock brazukas. Eu pessoalmente falando sempre tive uma resistência, mas não por preconceito, mas musical porque achava leve demais e por isso não ouvia e passava longe mesmo preferia o som do Deep Purple, Black Sabbath e Led Zeppelin não por eles serem ingleses, mas porque faziam um som que mesclava feeling e técnica e isso resultava em discos pesados de arrasar o quarteirão inteiro sacou? 

Depois que eu fiquei mais velho é que os meus ouvidos e mente foram amolecendo e permitiram ter a necessidade de ouvir as bandas brasileiras das décadas de 1960 e 1970, e depois de audições bem detalhadas pude conferir rock, samba, jazz, folk, pequenos elementos de blues que forjavam sonoridades poderosas e ainda por cima psicodélicos com letras super bacanas e viajantes, enfim super chapadas de qualquer coisa. Agora depois de ter dito que eu disse o que posso lhes dizer é que vocês devem sempre ter a mente aberta para tudo ao que está ao seu redor é uma maneira de aprender e olha que nestes últimos não me faltaram lições e desafios novos e você o que aprendeu ou quer aprender? 



Os Mutantes - Os Mutantes
Data de lançamento: Junho de 1968 
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock 
Line-up: Rita Lee (v), Arnaldo Baptista (g, v) e Sérgio Dias (g, v).
Premiação: Desconhecida 
Produção: Manoel Barebein     



Este é um daquele discos que você ouve e não acredita no que está ouvindo e dúvida, pensa, pensa e pensa e mas depois que caí na real quando se dá conta que para esse super trio brasileiro não existe limites e barreira musicais era algo desconhecido nesse período da música não apenas aqui. E neste disco encontramos rock psicodélico, sertanejo, os elementos da tropicália e o experimental funcionando na mais perfeita harmonia e o som é um suave deleite. 

Participam do disco artistas como Gilberto Gil que aparece em "Bat Macumba" tocando a percussão e também co-autor da faixa. A faixa "Minha Menina" é de autoria de Jorge Ben e ele participa tocando guitarra acústica e fazendo vocais também, enfim é um dos hits do disco (tema do seriado Tapas e Beijos). Panis et Circensis (Pão e Circo) é o grande hit do álbum e foi composta pela dupla dinâmica Gilberto Gil e Caetano Veloso e nas mãos dos Mutantes ela ganhou uma versão matadora, mas o que vale é a crítica para os generais do regime militar. O experimentalismo dá as caras na fantasmagórica "Trem Fantasma". Para quem gosta de rock psicodélico e não conhece a melhor brasileira está aqui um convite. 

Data de lançamento: 1972 
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock/Mpb 
Line-up: Baby Consuelo (v, p), Paulinho B.C (v, p), Pepeu Gomes (g), Morais Moreira (v, v), Dadi Carvalho (bx) e Jorginho Gomes (bt)
Premiação: Desconhecida 
Produção: Eustáquio Sena, João Araújo 



Esse é outro disco brasileiro que nasceu clássico e é brasileiro com "B" maiúsculo. A banda pode ser o time de futebol que eles mesmo diziam e podiam também ser uma família daquelas bem grandes que anda para cima baixo juntos e que sempre juntam para todas as festividades.  Aqui começava a fabricar-se nomes de peso da cena musical brasileira como Pepeu Gomes, Baby Consuelo e Morais Moreira que na década de 1980 emplacaram carreiras consagradas em gêneros diferentes do começo. 

Em Acabou Chorare temos mpb, samba e baião dialogando com a música popular brasileira resultando numa sonoridade única, que encanta e emociona o ouvinte e o torna uma dependente deste material, mas aqui pode-se tranquilo porque este tipo de substância "química" é licita e saudável por isso quando você coloca o disco para trabalhar pode escutar lindas melodias que inclusive dão uma perambulada pelo free jazz, enfim estamos falando de um disco caseiro para os finais de semana quando você só quer descansar a cabeça depois de uma semana estafante e para isso deixe o álbum penetrar a sua mente e fazer a sua cabeça você não se arrepender, eu pelo menos não me arrependi. 

Ronnie Von - A Máquina Voadora 
Data de lançamento: 1970 
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock Psicodélico 
Line-up: Ronnie Von 
Premiação desconhecida
Produção: desconhecida 



Muitos vão estranhar e vão perguntar, reclamar e não aceitar e ser contra a inclusão deste disco, mas escondidos atrás de seus pré-conceitos e preconceitos, ou seja, completa falta de conhecimento não sabem que o Ronnie Von é um dos precursores do rock no Brasil é isso mesmo galera. Fã inveterado de Beatles, o cara leu a cartilha de "A" a "Z" e entrou no estúdio misturou a personalidade dele na bolacha e saiu de lá com a máquina voadora dele para mostrar a sua potência ensurdecedora. 

O disco é totalmente influenciado pela fase psicodélico dos garotos de Liverpool e ainda por cima é conceitual cujo tema é a aviação e tem como base intelectual, os livros de Antoine de Saint Exupéry, porém o principal é o Pequeno Principe. O disco não foi um sucesso de vendas muito pelo contrário foi um fracasso, mas é a trilha sonora para você pegar a estrada nas férias rumo a praia ao som de "A Máquina Voadora", "O Verão nos Chama" e também permite uma viagem lá nos confins da história em "Civilizações e Continentes" e tem também o seu clima romântico em "Seu Olhar no Meu", enfim é um disco para ouvir calmamente tomando uma breja totalmente relaxado na poltrona.   

Secos & Molhados - Secos & Molhados
Data de lançamento: 1973 
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock/Mpb 
Line-up: Ney Matogrosso (v), João Ricardo (vl), Gerson Conrad (vl), Marcelo Frias (bt), Sérgio Rosadas (f), John Flavin (g), Zé Rodrix (p), Willi Werdaguer (bx) Emilio Carrera (bt). 
Premiação: Disco de platina (ABPD) 
Produção: Moracy do Val 

Para mim este é um maiores discos de todos os tempos da história musical é uma obra prima sem igual, pois ele é rock, psicodélico, folk e tem baião e dá uma bola com o Glam Rock enfim é um som chapado de fábrica. Imagine três caras de caras pintadas e um deles o vocalista é um cara andrógino no mesmo gênero de Ziggy Stardust e é tão refinado, clássico como este e principalmente com identidade própria cantando músicas que te tocam no fundo da alma e te afagam o coração. 

Músicas como "Sangue Latino", "Patrão Nosso de Cada Dia" e "Rosa de Hiroshima" são de uma beleza incomparável, eles respiram o que é ser brasileiro, latino e te levam para passear dentro de um Brasil que você talvez pensou conhecer, mas que infelizmente não conhecia até então. Ney Matogrosso e os seus comparsas deram o tiro certo lá bem no meio do alvo e de tabela também me pegou em cheio bem no meio da minha cabeça e deram uma substancial mudada na minha vida deixe esta bala também te atingir. 


Som Nosso de Cada Dia - Snegs 
Data de lançamento: 1974
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock Progressivo 
Line-up: Manito (t, sx, f) Pedrão (g, bx) e Pedrinho Batera (bt) e Marcinha (c) 
Premiação: Desconhecida
Produção: Júlio Nagib 


O Brasil na década de 1970 teve uma ótima produção de álbuns no campo do Rock Progressivo. Bandas como Yes e Pink Floyd lideraram o gênero por toda década de 1970 e naturalmente tornaram-se o espelho para quem vinha atrás e o Som Nosso de Cada Dia foi tragado para dentro desse furacão. Os caras fizeram um disco com um som clássico e brasileiríssimo e no mesmo ano de lançamento de Snegs os caras abriram todos os shows da turnê brasileira, do Alice Cooper. A capa do álbum é super sugestiva e encontra uma faixa falando sobre o trago do suco elétrico que leva ao "paraíso". 

Resumido a sete faixas, Snegs é pura viagem, alucinação por um mundo paralelo onde as pessoas encontram-se com um mundo de variadas matizes. Faixas como Sinal da Paranóia, Bicho do Mato, Snegs de Biufrais e a Som Nosso de Cada Dia são os hinos de todos viajantes da alma no tempo e no espaço em busca de um sentido para vida e para quem ouve não o confunda com um livro de auto ajuda, mas espere dele muitas outras coisas e uma delas é fazer a sua cabeça daquele jeito com aquelas coisinhas que todo mundo gosta, mas não assume.  

O Peso - Em Busca do Tempo Perdido 
Data de lançamento: 1975
País de origem: Brasil 
Estilo: Hard Rock 
Line-up: Luís Carlos Porto (v), Gabriel O´meara (g),Constant Papinianu (t), Carlinhos Scart (bx) e Geraldo D´arbilly e Carlos Graça (bt)
Premiação: Desconhecida 
Produção: Guti Carvalho   

Já mostrei discos de rock brasileiro de vários matizes e agora está na hora de mostrar o hard rock pegado no blues para ser escutado no talo, ou seja, é para você ligar o toca discos e virar o volume no último e que se dane que não gostar do som. O Peso é um dos nossos representantes do Hard Rock e uma das bandas mais importantes da década cujo seu primeiro e último álbum Em Busca do Tempo Perdido mostra e comprova o talento que o Brasileiro tem para música nos mais variados estilos e é uma pena que o rock pesado não seja valorizado como merece. 

Neste disco, o grupo caprichou na sonoridade arrojada e bem equilibrada com guitarra pesada falando o idioma corrente dessa vertente sonora e com os demais integrantes afiados exprime no álbum a essência do rock que você pode conferir em "Sou Louco por Você", "Blues", "Lúcifer", "Cabeça Feita" e na faixa título. Esse é um disco que coloca a tua cabeça para funcionar daquele jeito e é um pecado você deixa-lo de fora de seu aparelho de som e estante.    


Made in Brazil - Made in Brazil 
Data de lançamento: 1974 
País de origem: Brasil 
Estilo: Hard Rock 
Line-up: Celso "Kim" Vecchione (g), Osvaldo Vecchone (bx), Cornelios Lucifer (v), Rolando Castelo Júnior (bt), Fenilli (p) e Scavazini (t)
Premiação: Desconhecida 
Produção: Celso e Osvaldo Vecchione 


Uma banda que conta Osvaldo Vecchione e Cornelios Lucifer não pode ser ruim e a maior prova disso é o primeiro álbum do Made in Brazil, os paulistanos já saíram de cara incendiando o cenário rock com um hard rock calcado no blues mostrando faixas rápidas com encantadores riffs de guitarra e um vocalista possuído fã de soul que detonava em cima do palco. A banda dos irmãos Vecchione brilhava mais do que a estrela do baixo do Osvaldo e esse brilho refletia nas canções bombásticas no estilo Zeppelin. 

Pouquíssimas bandas tiveram o mesmo poder de sedução que esses paulistas tiveram e um dos segredos era saber escrever letras em português que combinassem com a sonoridade pesada, elétrica e distorcida do rock. Se você ainda não conhece, mas se conhece resiste ao som dos caras por não gostar do lance em português reveja os seus conceitos e tente procurar um ponto em comum e olhe que ali tem vários. 

A Bolha - Um passo a frente 
Ano de lançamento: 1973 
País de origem: Brasil 
Estilo: Hard/Progressivo 
Line-up: Pedro Lima (g), Renato Ladeira (or, g, v), Arnaldo Brandão (vx, v) e Gustavo Schroeter (bt) 
Premiação: Desconhecida 
Produção: Fabian Ross  


Na década de 1960 estes caras foram o The Bubbles e até se apresentaram no Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, ao lado de Gilberto Gil. Na década de 1970, o The Bubbles mudou de sonho e virou a bolha. Essa bolha é muito bacana, os caras tem um som descolado o som é uma mistura efusiva de hard e progressivo muito bem tocada. 

Em 1973, eles lançaram o primeiro disco intitulado "Um Passo a Frente". Este álbum é mais do que um passo para frente é uma visão de gênio que se desenrola a medida que este disco vai para frente, ou seja, não tem uma música ruim. As canções são cantadas em português, porém existem algumas cantadas em inglês e ai é que está um dos segredos desse disco, pois para fazer letras em português para um cuja predominância é o inglês exige talento e este você confere em "Um Passo a Frente", "Razão de Existir" e a "Esfera".


Raul Seixas - Gita 
Data de lançamento: 1974 
País de origem: Brasil
Estilo: Rock 
Formação: Raul Seixas (v, g), Luis Cláudio Rick Ferreira, Tony Osanah, Alexandre (g), Luizão, Ivan, Sérgio Barroso, Juan Roberto Capobianco, Paulo César Barros (bx), Mamão, Paulinho, Gustavo (bt), Zé Roberto, Miguel Cidras (t).  
Premiação: Disco de ouro (ABPD) 
Produção: Marco Mazzola

Naqueles tempos o autor da Alquimista ainda não era o xarope que se tornou e por isso a parceria entre Paulo Coelho e Raul Seixas foi bem sucedida e marcou época no rock nacional. Gita é um disco para você ouvir bebendo e fumando o que você quiser, enfim é recheado de pérolas com dois pés em algo sagrado, místico. O ponto alto numa época de tortura e morte praticado por um governo sanguinário através dos aplausos de sociedade alienada é claro que necessitava-se de uma Sociedade Alternativa como válvula de escape e "Faça tudo o que você quiser e será da lei" seria uma alento no meio das trevas. 

Para mim é um dos maiores de todos os discos de rock de todos os tempos. O baiano nada em outras praias além do rock e é ai que o disco se sobre saí, pois o cara vai buscar o folk, o baião, bolero, progressivo e monta um algo genuinamente brasileiro transbordando originalidade. Quando você bota o disco para rodar é de cair o queixo do começo ao fim, e diga-se de passagem a faixa título é maravilhosa tanto na letra quando na melodia. Bom agora vou tomar "O trem das 7" para ir para casa ouvir este disco boa noite.    


Terreno Baldio - Terreno Baldio 
Data de lançamento: 1976
País de origem: Brasil 
Estilo: Rock Progressivo 
Line-up: João Kurk (v, f, p), Mozart Mello (g), Roberto Lazzarini (t), João Ascenção (bx) e Joaquim Correia (bt, p)
Premiação: Desconhecida 
Produção: Cesare Benvenuti e Arnaldo Sacomani  


Essa para mim é uma das melhores bandas que já surgiram no progressivo em todos os tempos. A estreia é clássica tanto musicalmente quanto liricamente falando. Esses caras já faziam algumas críticas interessantes ao mundo moderno e também concordo quando dizemos que a automatização do mundo e das pessoas produz pessoas cada vez mais robotizadas no sentido pleno, mas voltemos ao que interessa, a música desse baita álbum onde os caras se equiparam a trovadores é só conferir a balada "Loucuras de Amor". 

Para sair do ar e entrar no Terreno Baldio ouça "Grito" essa faixa captura a essência do rock progressivo e é mais do que um grito simples é o grito no estilo de Edward Munch, ou seja, no desespero social do caos e da lama nos levando a vida nas várias forma de violência. As demais são pequenas pérolas e você pode se abrigar nas "Asas Azul" e sair pelos céus de verão curtindo os raios do sol e tranquilidade da brisa fresca e para relaxar fique em paz ao som de "A Volta", "Este é o lugar".   




10 álbuns capitais do thrash metal para você derreter os miolos

 




O Thrash metal é um dos sub gêneros mais agressivos e violentos que surgiram dentro do heavy metal nos anos 90, pois combinava a velocidade, o peso absurdo com guitarras flamejantes e uma cozinha altamente explosiva ao hardcore que por usa vez também guardado dentro de si muito ódio e revolta contra o status quo. O gênero nasceu nos EUA e inicialmente teve os seus grandes representantes no Metallica e no Slayer, mas pouco tempo depois outras bandas vieram, inclusive na Europa, e tornaram-se ícones e cada uma tinha a sua identidade. 



Agrupar os loucos, desajustados do bairro não foi difícil ainda mais naqueles tempos cujo lema era transgredir de qualquer forma independente do resultado. Listar uma pequena quantidade de clássicos não é fácil ainda por ser uma tarefa subjetiva e por isso não tem regras na escolha deste ou daquele álbum, porém o que vale a pena é ouvir, conhecer e divertir-se como senão fosse existir o dia seguinte e assim sendo caia de cabeça nesta pequena lista. 


Data de lançamento: 07 de outubro 1986
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Tom Araya (v, bx), Jeff Hanneman (g), Kerry King (g) e Dave Lombardo (bt) 
Premiação: Disco de ouro (RIAA) 
Produção: Rick Rubin e Slayer 


O Slayer em 1983 começa arrasador com o satânico Show no Mercy, os caras tinham aquele som vibrante, pesado e intenso que além da postura dos caras estava apoiado em letras que abordavam desde o ocultismo até os serial killers e assim sendo não foi difícil encontrar o seu lugar ao sol e tornar-se uma sensação para os headbangers e um pesadelo para sociedade. No segundo álbum, Hell Awaits (1985), a mudança foi radical e agora o grupo estava mergulhado no mais absoluto thrash metal no nível altíssimo de peso e intercurso com o hardcore mostrava que não havia limites, mas ainda assim faltava algo mais. 

Em 1986, o terceiro daria o passo derradeiro com o lançamento de Reign in Blood e todo o peso, agressividade e a ilimitada criatividade e a mistura do metal com o hardcore mostram de "a" até "z" que não havia qualquer limite nesse fusão e o produto final é um álbum onde está encerrada toda a alma, a identidade do grupo, enfim era o início do auge e em grande estilo. Um disco curto com pouco mais de vinte oito minutos que pareciam ser uma eternidade e que de fato dizia muita coisa e uma delas é o permanente convite que ele faz aos futuros candidatos que é ouvi-lo e tentar compreender.  

Metallica - Master of Puppets 
Data de lançamento: 21 de fevereiro de 1986
País de origem: EUA
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: James Hatfield (v, g), Kirk Hammet (g), Cliff Burton (bx) e Lars Ulrich (bt)
Premiação: Seis discos de platina (RIAA)
Produção: Flemming Rasmussen e Metallica 


O Metallica desde o seu começo com Kill ´em All deu saltos grandes seja em números de fãs de vendas dos seus álbuns e na sua evolução musical também, ou seja, de um álbum para o outro o grupo mostrava composições mais maduras e mais pesadas em relação aos seus antecessores. Ride the Lightning (1984) apesar de já apresentar os futuros daquele incipiente subgênero ainda caminhava junto o heavy metal tradicional, porém apresentava os seus diferenciais em relação ao cenário que nessa época já começa ver o surgimento um pouco discreto de outros conjuntos de peso.

Master of Puppets é transição completa da mescla do seu antecessor. Trata-se de um álbum avassalador, selvagem e sem limites e tamanho é o absurdo apresenta no peso das composições que apresentavam um lado mais refinado sem deixar de carregar outra marca daquela época o lado sombrio e violento que você pode se descabelar ao ouvir Battery, Master of Puppets e as demais. Reviver o passado é sempre saudável, mas com o Metallica é mais do que isso é querer se abrigar nele e exigir que os tempos que não vivemos voltem tal e qual foram.

Megadeth - Rust in Peace 
Data de lançamento: 21 de Setembro de 1990 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Dave Mustaine (v, g), Marty Friedman (g), David Ellefson (bx) e Nick Menza (bt)
Premiação: Disco de platina (RIAA)
Produção: Mike Clink & Dave Mustaine 


Depois que o Mustaine foi chutado do Metallica jurou vingança, mas ela seria uma banda tão boa, ou melhor. De fato ele conseguiu criar uma banda boa e competitiva, mas melhor infelizmente não deu certo e o jeito foi ficar na segunda posição como querem alguns. Dave Mustaine e seu fiel escudeiro David Ellefson lançaram ótimos discos e canções clássicas que não podem faltar em qualquer atividade da banda, ou seja, desde o show arrasa quarteirão, um disco ao vivo ou uma coletânea.

No começo da década de 1990, os caras emplacam Rust in Peace que é aquele disco que faltava para coroar a banda como um dos mestres do Thrash metal. Hardcore e metal unidos à técnica vista em Holy Wars que carrega peso, velocidade absurdas e faz até o careta da escola ou vizinho chato baterem cabeça. Este álbum é daquele que você vicia na hora e você vira os lados incansavelmente batendo cabeça. O heavy metal estava nos seus últimos momentos de popularidade, mas com este álbum ainda dava para ter esperanças de que teríamos uma década de surpresas, mas infelizmente o que vimos foram lágrimas e tristeza de um tempo que não volta mais, porém você ainda poderá reviver aqueles bons momentos com este álbum insano.   

Anthrax - Among the Living 
Data de lançamento: 22 de março de 1987
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Joe Belladona (v), Ian Scott (g), Dan Spitz (g), Frank Bello (bx) e Charlie Benante (bt)
Premiação: Disco de ouro (RIAA) e Disco de platina (BPI)
Produção: Anthrax e Eddie Kramer 



O Anthrax é uma das grandes bandas desse cenário e não é a toa em 1985, os caras mandaram ver com o lançamento de Spreading the Disease um disco que mostra uma banda em pleno exercício do Thrash metal quebrando tudo com uma dose de crítica social e política também, mas com um ótimo senso de humor. Apesar de estar em evidência e ter um ótimo som faltava mais alguma coisa um disco que quebrasse fronteiras e os catapultasse de uma vez para dentro do estilo a fim de fazer frente aos medalhões.

Among the Living é o disco que deu visibilidade a banda e a colocou no topo e tornando-a conhecida em todos os lugares possíveis. Faixas como: Caught in a Mosh, I am the Law, Indians, Amomg the Living e A.D.I./Horror of It All eram tudo o que faltava para confortar os ouvidos alheios nessa corrida alucinada. É impossível ouvir uma vez só, é impossível não pirar, bater cabeça até a exaustão, pois esta obra prima é uma marco que deve ser sempre reverenciado, e sem qualquer moderação porque não ressaca de qualquer espécie.   

Overkill - The Years Decay 
Data de lançamento: 13 de outubro de 1989 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Bobby Blitz (v), Bob Gustafson (g), D.D Verni (bx) e Sid Falk (bt)
Premiação: Inexistente 
Produção: Terry Date e Overkill



Um disco cuja capa mostra um cenário sombrio com uma caveira de boca aberta, com dentes enormes e embaixo está escrito “The Years Decay” no mínimo remonta a filmes de terror, mas neste caso estamos falando do Overkill uma das grandes do Thrash metal. Aqui não importa se os caras são injustiçados, mas sim o grande disco que eles lançaram no cerrar de cortinas da década de 1980, e pode-se dizer que encerraram a década com chave de ouro.

Os chegaram em 1985 com o excelente “Feel the Fire” um som Thrash com forte apelo hardcore assim como faziam as demais bandas do cenário. Depois entraram de cabeça no Thrash deixando para trás o som primitivo do primeiro com “Taking Over”, que pode ser considerado um marco na carreira dos caras e continuação veio com “Under the Influence” em 1988 e mais uma vez os caras quebraram tudo e o auge dos caras é lógico que esta registrado em “The Years Decay”, pois as características vitais do estilo e do grupo desfilam através de Time to Kill, Elimination, The Years of Decay e fecha magistralmente com Evil Never Dies que é uma prova viva da insanidade em forma de notas musicais que agridem os ouvidos sem precedentes, enfim o disco é cara de uma década brilhante.

Testament - The New Order 
Data de lançamento: 05 de maio 1988 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Chuck Billy (v), Alex Skolnick (g), Eric Peterson (g), Greg Christian (bx) e Louie Clemente (bt)
Premiação: Inexistente
Produção: Alex Perialas  


No dia em que Cliff Burton morreu, o Testament assinou o seu contrato com a Megaforce e em 1987 estreou com The Legacy, um álbum selvagem, enfurecido e de certa maneira mal humorado, mas com um charme e um poder de sedução sem igual, pois a atração do álbum era imediata e parecia um imã e também um vírus que se espalhava e a patologia causada era uma absurda e incontrolável vontade ouvir aquele som pesado, veloz, agressivo e violento e atormentador também.

Além de não fazer concessões para nada e nem ninguém, os caras entravam com os dois pés no peito de quem estivesse pelo caminho e você sente essa energia abissal quando rola a “The New Order” que anuncia o apocalipse sonoro desse quinteto mágico, mas é claro que o disco não é só isso, ele apresenta outros números avassaladores como “Trial by Fire” e ainda te faz bater cabeça freneticamente em “Into the Pit”, “Disciples of the Watch” e te deixa em estado de alucinação com “A Day of Reckoning”, enfim é uma aula compulsória da qual você não pode abrir mão.  

Data de lançamento: 20 de março de 1991 
País de origem: Brasil
Line-up: Max Cavalera (v, g), Andreas Kisser (g), Paulo Xisto Júnior (bx) e Igor Cavalera. 
Premiação: Disco de ouro (IMI)
Produção: Scott Burns 



O Brasil antes do Sepultura chegar era conhecido pelo carnaval, samba e futebol e neste caso o maior representante do país era o Pelé. Só que o grupo surgido nas Minas Gerais assombrou o mundo ocidental com o seu surgimento primeiramente praticando um Death Metal digno de nota, mas de produção terrível e está registado nos discos Bestial Devastation (1985) e no Morbid Vision (1986) que apesar de ter uma produção terrível ainda rendeu Troops of Doom, o maior clássico de primeira fase.

Em 1987, os caras vieram no Thrash Metal com Schizophrenia, mas o disco fugia do convencional, pois trazia registrado velocidade, peso, agressividade incomuns e totalmente anti comercial e uma novidade são os vocais guturais até então inexistentes no nesse estilo e em 1989, a banda começa apresentar sons cada vez mais desenvolvidos mas mantendo os seus diferenciais e Beneath the Remains já chegou quebrando a banca e dizia que o próximo seria ainda mais avassalador. O Sepultura em 1991, soltou o seu maior álbum Arise e nele está a versão definitiva daquele amalgama criado na década anterior. A aula de insanidade começa com a faixa título e vai abrindo caminho com Dead Embryonic Cells, Desperate Cry, Subtraction e Infected Voice. Esse disco levou o Sepultura para tocar e conquistar plateia em lugares jamais imaginados e inclusive tornou a banda um dos ícones da terra do calor, das praias e do carnaval uma referência onde não era no heavy metal e abriu as portas para uma galera que veio depois para dar o seu testemunho, mas pena que os dias de hoje sejam apenas uma caricatura do que a banda foi um dia.   

Destruction - Eternal Devastation 
Data de lançamento: 12 de julho de 1986
País de origem: Alemanha 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Marcel Schimier  (v, bx), Mike Sigfried (g) e Tommy Sandman (bt)
Premiação: Inexistente
Produção: Manfred Neuner 



O Thrash metal se espalhou pelo mundo como um vírus e foi infectando a Europa através de bandas como Metallica e Slayer, os maiores expoentes do gênero naquele momento. Na Alemanha lugar sagrado para o heavy metal, pois deu de presente para o mundo Scorpions, Accept e por ai vai, porém o que havia de mais bruto, agressivo e antissocial estava chegando para dizer que o estilo não era apenas coisa de americano. O Destruction entrou em cena com o mini álbum Sentence of Death, em 1984, e o recheio era metal ou melhor dizendo Thrash metal cuja potência ia lá à estratosfera. Em 1985, a coisa tomou forma e o power trio volta a atacar com Infernal Overkill e desta vez o tiro foi certeiro.

Porém faltava o artefato final para poder devastar de vez com o público crescente e ai entra em cena Eternal Devastation, um disco cheio de características duras e inflexíveis regados de uma dose extra de metal com hardcore. O grupo apostou toda a sua criatividade em faixas matadoras como a ateia Curse the Gods uma ótima crítica juvenil as religiões e o furacão alemão continuou a sua devastação com Life Without Sense, United by Hatred e Eternal Ban, enfim todas elas refletiam bem o clima tenso na Europa (devido à polarização capitalismo/comunismo que atingiu principalmente a Alemanha que naquela altura tinha um muro rasgava o país ao meio) e o grupo conseguiu tirar proveito dessa situação a seu favor dando bofetadas e mais bofetadas mundo a fora.      

Sodom - Persecution Mania 
Data de lançamento: 01 de dezembro de 1987
País de origem: Alemanha
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Tom Angelripper (v, bx), Frank Blackfire (g) e Chris Witchhunter (bt)
Premiação: Inexistente 
Produção: Sodom


Um soldado mascarado segurando um fuzil pronto para uma guerra nuclear, era assim que o Sodom encontrava-se quando lançou os álbuns No Sign of Evil (1984) e Obsessed by Cruelty (1986) ambos apesar de trazer uma produção ruim andavam numa linha mais próxima do black metal e apresentavam um som extremo, que segundo o líder do grupo sempre teve fixação por sons extremados que expressassem todo o furor da banda em cima do palco, pois os caras estavam partindo para uma guerra.

Em 1987, o trio alemão de um grande passo e entrou de cabeça numa sonoridade pesada, agressiva com tudo o que faz uma banda ser Thrash metal na sua mais profunda particularidade e o Sodom conseguiu em Persecution Mania exprimir o lado mais brutal de forma clara e profunda e nas letras fica claro esse perfil, pois a guerra sonora começa Nuclear Winter um título forte cuja sonoridade pesada deixa claro o que espera pelo ouvinte no decorrer dessa obra de arte. O disco segue seu caminho arrebentado cabeças, amplificadores com Electrocution, Persecution Mania, Enchanted Land e encerra as suas atividades bélicas com Bombenhagel uma perfeita mistura de hardcore punk (outra influência marcante do grupo que renderia frutos posteriormente). Essa é uma daquelas guerras que você não pode e nem quer vencer aliás quer, faz questão de ser derrotado em todas as instâncias, ou seja, é uma bomba nuclear que cai bem no meio de sua cabeça diariamente. 


Kreator - Pleasure to Kill 
Data de lançamento: 00 novembro de 1986 
País de origem: Alemanha 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Mile Petroza (v, g), Roberto Fioretti (bx) e Ventor (bt)
Premiação: Inexistente 
Produção:  Harris Johns e Ralf Hubert



Essa é uma das bandas mais bacanas de todos os tempos e comprova o que todos já sabem, a Alemanha é um dos celeiros do heavy metal e o Kreator assim como muitas outras são a nata, a elite. Pleasure to Kill é o segundo álbum dos caras e em relação ao seu antecessor é muito mais bruto e ainda menos lapidado, ou seja, é pura agressão sonora ao extremo, é pura pancadaria sem limites. 

Os caras se tornaram a maior expoente e promissora banda de thrash metal da Alemanha deixando o resto atras num rastro de poeira enorme. Pleasure to Kill é aquele álbum brutal para você ouvir no talo e mandar se foder os otários e quem mais estiver pela frente atrapalhando. O massacre começa com artilharia pesada de "Ripping Corpse" e continua bombardeando "Death is Your Saviour" e o ataque sonoro de "Pleasure to Kill" vem aniquilando as fileiras enrustidas e termina a batalha conquistando seus novos súditos ao som das bombas "Riot of Violence", "The Pestilence" e Command of the Blade"e "Under the Guilhotine". Não existe recomendações contrárias quanto a dosagem de audição, mas recomenda-se que pelo menos o candidato tenha estomago.


   



Jeremy Ivey – It’s Shape Will Reveal Itself (2026)

 

O cantor e compositor Jeremy Ivey lançou seu novo álbum, Its Shape Will Reveal Itself , pela Soggy Anvil Records. O disco é uma coleção intimista, gravada em casa, que prioriza o calor, a imperfeição e a emoção crua em vez do brilho polido de estúdio.
Junto com o lançamento do álbum, Ivey compartilhou seu primeiro single, “Edge of Darkness”, gravado ao vivo com um único microfone com sua esposa, Margo Price. A faixa estreou no Back In The Garage, um projeto de sessões acústicas fundado por Luke Pelletier e seu irmão Tristan Pelletier. Originalmente não destinado ao lançamento público, o álbum foi gravado na casa de Ivey em um gravador de rolo Tascam 388 reformado, dando às músicas um calor analógico e autêntico.
“Recentemente, reformei um antigo Tascam 388…

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…gravador de fita de rolo, então, durante o verão e o outono, gravei demos básicas de novas músicas em casa. Toquei todos os instrumentos, exceto a bateria — meu grande amigo Dom Billett cuidou disso”, diz Ivey. “A princípio, eu não tinha planos concretos de lançar nada daquilo. Mas, como não custou muito para produzir, pensei que não tinha nada a perder. Quando o pessoal da Soggy Anvil Records sugeriu lançá-lo, eu aceitei com pura empolgação.”

“Não há nenhum grande arco narrativo aqui, nenhuma faixa provocativa, nenhuma declaração política polêmica”, acrescenta. “Nada de clickbait, nenhuma fofoca reveladora, nenhuma história sobre produtores gurus meditando com monges nos Andes. São apenas algumas gravações caseiras com falhas visíveis — ligeiramente desafinadas, insones e trêmulas, com chiados e ocasionais faltas de jeito. Chama-se 'Sua Forma Se Revelará', e, no mínimo, é honesto e vulnerável.”

Destaque

Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD)

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