sábado, 4 de abril de 2026

Progressivamente Fascinante: Um pouco da história do rock progressivo


rock progressivo, muitas vezes chamado simplesmente de “prog”, é um gênero musical notável por sua complexidade, ambição artística e disposição para explorar novos horizontes sonoros. Surgindo no final dos anos 1960 e atingindo seu auge na década de 1970, o rock progressivo redefiniu os limites da música popular, introduzindo elementos do rock, música clássica, jazz e até mesmo música folclórica em suas composições.

Vamos tentar mergulhar nas épocas douradas do rock progressivo e apresentar alguns álbuns-chave que marcaram esse período. Desde os pioneiros do gênero até os subgêneros e o impacto global, o objetivo é dar a você uma visão abrangente dos álbuns que contribuíram para a grandeza do rock progressivo.

As origens do rock progressivo

O rock progressivo tem suas origens na década de 1960, um período marcado pela efervescência da experimentação musical e cultural. Naquela época, várias bandas e músicos estavam ansiosos por desafiar as convenções das estruturas tradicionais do rock, seu objetivo era criar algo que transcendesse a simplicidade do gênero e oferecesse uma experiência musical mais complexa e intelectualmente estimulante. Uma das bandas pioneiras a abraçar plenamente essa abordagem foi a banda King Crimson. Em 1969, eles lançaram um álbum que se tornaria um dos pilares fundamentais do rock progressivo, intitulado In the Court of the Crimson King. Este álbum, conhecido por faixas emblemáticas como 21st Century Schizoid Man e Epitaph, deixou uma marca indelével na música. Combinando elementos de rock pesado com nuances clássicas e letras profundas, o álbum imediatamente cativou ouvintes de todo o mundo. Ele representou um marco importante na evolução do gênero, moldando o caminho para uma era de experimentação musical e inovação lírica que definiria o rock progressivo.

A ascensão

À medida que os anos 70 avançavam, o rock progressivo alcançou o seu auge, foi uma era marcada por uma significativa inovação e experimentação musical, liderada por bandas icônicas como Yes, Genesis e Pink Floyd. Em destaque, o álbum Close to the Edge do Yes, lançado em 1972, é frequentemente reconhecido como um marco do gênero. Com apenas três faixas extensas, incluindo a monumental Close to the Edge, o álbum demonstra a extraordinária habilidade instrumental da banda e sua capacidade de criar paisagens sonoras complexas e enfeitiçantes. A faixa-título, em particular, com suas várias seções, mistura elementos de rock, jazz e música clássica, exemplificando a tendência do rock progressivo em transcender os limites convencionais da música. Este período também viu a ascensão dos álbuns conceituais, com o Genesis elevando este conceito a novas alturas com The Lamb Lies Down on Broadway em 1974. Este álbum duplo, que narra a odisseia surreal de Rael, um jovem imigrante em Nova York, combina músicas intricadas com letras profundas, tornando-o uma experiência auditiva memorável e simbólica, refletindo temas como identidade, alienação e transformação.

Os anos 80

Enquanto os anos 70 se aproximavam do fim, o rock progressivo começou a diversificar-se em vários subgêneros, mostrando sua influência contínua e adaptabilidade.

Nos anos 80 o rock progressivo passou por uma fase de transformação e adaptação, refletindo as mudanças culturais e tecnológicas da época, enquanto a década anterior foi marcada por composições longas, complexas e muitas vezes conceituais, nos anos 80 viram o gênero se ajustar ao cenário musical em evolução, influenciado pelo surgimento da música eletrônica, do new wave e do pop.

Muitas bandas de rock progressivo dos anos 70 adaptaram seu som para se enquadrar mais no mercado mainstream da década de 80 e isso frequentemente significava músicas mais curtas, estruturas mais diretas e uma ênfase maior na melodia e no apelo comercial. Por exemplo, o Genesis, que começou como uma banda de rock progressivo nos anos 70, encontrou grande sucesso comercial nos anos 80 com um som mais orientado para o pop, especialmente após Phil Collins assumir como vocalista principal.

Nos anos 80, emergiu uma nova geração de bandas de rock progressivo, muitas vezes referidas como neoprog. Essas bandas buscaram reviver o estilo e a abordagem do rock progressivo clássico, mas com uma sensibilidade moderna. Bandas como Marillion, Pendragon e IQ são exemplos deste movimento. O Marillion, surgindo na década de 80 com um estilo conhecido como neoprog, é um exemplo notável dessa evolução. Seu álbum de 1985, Misplaced Childhood, com faixas marcantes como Kayleigh e Lavender, apresenta um som mais melódico e emocionalmente ressonante, atraindo uma nova geração de ouvintes e demonstrando a habilidade do gênero em evoluir e manter sua relevância.

Foi um período de inovações tecnológicas significativas, especialmente no campo da música eletrônica. Sintetizadores e sequenciadores tornaram-se ferramentas comuns em muitas gravações de rock progressivo, permitindo aos músicos explorar novas texturas sonoras e paisagens musicais. Bandas como Rush e Yes incorporaram essas novas tecnologias em seus álbuns, como evidenciado em trabalhos como Power Windows (1985) de Rush e 90125 (1983) de Yes.

O rock progressivo dos anos 80 também foi marcado por uma maior fusão de gêneros. Elementos de jazz, música clássica, e até música eletrônica foram incorporados, criando sons únicos e inovadores. A experimentação continuou a ser um pilar do gênero, embora muitas vezes de maneiras diferentes das longas jam sessions dos anos 70. Apesar de algumas bandas de rock progressivo não terem alcançado o sucesso comercial massivo de seus contemporâneos do pop e do rock, elas deixaram um legado duradouro. O neoprog, em particular, ajudou a manter vivo o espírito do rock progressivo, influenciando as gerações futuras de músicos e mantendo uma base de fãs dedicada.

Em resumo, os anos 80 foram uma época de redefinição para o rock progressivo. Enquanto algumas bandas se adaptavam ao mainstream, outras mantinham o espírito original do gênero, todas contribuindo para a rica tapeçaria da história do rock progressivo.

O legado do rock progressivo continua a ser sentido até hoje, exemplificado de forma mais proeminente por The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, lançado em 1973. Este álbum, que não apenas definiu o gênero, mas também influenciou uma ampla gama de estilos musicais, continua sendo uma obra-prima atemporal. Com sua mistura de experimentação sonora, letras introspectivas e técnicas de produção inovadoras, The Dark Side of the Moon permanece como um testemunho do poder e da versatilidade do rock progressivo, admirado por gerações sucessivas de ouvintes e músicos. A influência duradoura deste álbum no cenário musical sublinha a importância e o impacto contínuo do rock progressivo na história da música.

O rock progressivo é um gênero inovador e revolucionário, que continuamente desafia as convenções musicais, proporcionando experiências auditivas profundamente memoráveis e enriquecedoras. Os álbuns mencionados são apenas uma pequena amostra da vastidão e diversidade que o rock progressivo tem a oferecer, representando uma era de experimentação audaciosa e criatividade sem limites. Ao celebrarmos os melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos, é crucial reconhecer que a jornada em busca de inovação e excelência musical está longe de terminar. Novas gerações de músicos e ouvintes continuam a ser profundamente inspiradas por esta rica tradição musical, assegurando que o legado do rock progressivo não apenas permaneça vivo, mas também continue a se expandir e evoluir, influenciando a música contemporânea de maneiras imprevistas e emocionantes. É uma jornada sonora que transcende o tempo, celebrando a ousadia, a complexidade e a expressão artística que definem o coração do rock progressivo.

Discos essenciais de rock progressivo

A ordem colocada não tem nenhum critério especial, mentira, dark side tinha que ficar em primeiro

– Pink Floyd – The Dark Side of the Moon (1973): Este álbum é uma obra-prima do rock progressivo, conhecido por sua exploração de temas como a saúde mental, a ganância e o envelhecimento. Sua produção inovadora e o uso de efeitos sonoros e sintetizadores definiram um novo padrão para a música conceitual.

– Yes – Close to the Edge (1972): Composto por apenas três faixas longas, este álbum é um tour de force de musicalidade complexa, incluindo a faixa-título de 18 minutos, que é uma das mais aclamadas da banda, exemplificando a habilidade dos músicos e a complexidade do gênero.

– Genesis – The Lamb Lies Down on Broadway (1974): Um álbum conceitual narrativo, centrado em torno da jornada surreal de Rael. Este trabalho é altamente teatral e é considerado um dos álbuns mais ambiciosos da banda.

– King Crimson – Red (1974): Album conhecido por sua abordagem intensa e experimental ao rock progressivo, com uma mistura de jazz, música clássica e rock pesado. É frequentemente citado como um precursor do movimento do metal progressivo.

– Emerson, Lake & Palmer – Brain Salad Surgery (1973): Este álbum combina rock, música clássica e eletrônica, destacando-se pela faixa Karn Evil 9, que ocupa quase todo o segundo lado do LP original.

– Jethro Tull – Thick as a Brick (1972): Apresentado como uma longa faixa contínua, este álbum é um exemplo quintessencial de um álbum conceitual, com letras satíricas e complexas composições musicais.

– Rush – “2112” (1976): O álbum é conhecido pela sua faixa-título, uma suíte de 20 minutos baseada em uma história de ficção científica. Ele marca uma virada significativa para a banda em direção a uma abordagem mais progressiva.

– Mike Oldfield – Tubular Bells (1973): Famoso por sua composição instrumental e pelo uso inovador de sobreposições de som, este álbum é um marco na música instrumental e progressiva.

– Pink Floyd – The Wall (1979): Tecnicamente no final dos anos 70, este álbum teve um grande impacto nos anos 80 e além. É um épico álbum conceitual que explora temas de isolamento e perda, conhecido por faixas como Another Brick in the Wall e Comfortably Numb. Este trabalho é uma fusão poderosa de música progressiva e storytelling.

– Rush – Moving Pictures (1981): Frequentemente citado como o trabalho mais acessível de Rush, com um equilíbrio perfeito entre o rock progressivo e o hard rock, destacando-se pela faixa Tom Sawyer.

– Marillion – Misplaced Childhood (1985): Este álbum é um pilar do neoprog, conhecido por suas letras poéticas e estruturas musicais complexas. Ele apresenta sucessos como Kayleigh e Lavender.

– Yes – 90125 (1983): Marcou uma mudança significativa no estilo da banda, com um som mais moderno e orientado para o pop, incluindo o hit Owner of a Lonely Heart.

– Genesis – Duke (1980): Este álbum inclui elementos de pop, ele mantém as raízes progressivas da banda com faixas mais longas e complexas, representando um ponto de equilíbrio na transição da banda para um som mais mainstream.

– King Crimson – Discipline (1981): Marcou uma reinvenção da banda com uma abordagem mais minimalista e influências de new wave e world music, destacando-se pela faixa Elephant Talk.

– Peter Gabriel – So (1986): Conhecido por sucessos pop como Sledgehammer, este álbum mantém elementos de rock progressivo, particularmente em sua abordagem de produção e estruturas musicais.

– Camel – Nude (1981): Album conceitual do grupo britânico Camel, conhecido por sua abordagem melódica e instrumentação sofisticada. Nude é baseado na história de um soldado japonês encontrado em uma ilha anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, acreditando que a guerra ainda estava acontecendo. Com uma mistura de instrumentais impressionantes e faixas mais orientadas para a letra, Nude destaca-se por sua capacidade de contar uma história coerente e emocionante através da música.

Perguntas Frequentes sobre Rock Progressivo

Como surgiu o rock progressivo?

O rock progressivo surgiu no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, combinando elementos do rock com a música clássica, jazz e experimental. Bandas britânicas como Pink Floyd e King Crimson foram pioneiras nesse gênero, criando músicas complexas e conceituais. Essa mistura de estilos trouxe novas texturas e narrativas ao rock, ampliando os horizontes musicais da época.

Quem é o pai do rock progressivo?

Embora não haja um único “pai” do rock progressivo, muitos creditam bandas como The Moody Blues e King Crimson por pavimentarem o caminho do gênero. King Crimson, especialmente, com seu álbum “In the Court of the Crimson King” de 1969, é frequentemente mencionado como um marco inicial do prog rock. Esses artistas influenciaram uma geração de músicos a explorar novas direções sonoras.

O que vem a ser rock progressivo?

Rock progressivo é um gênero musical que busca expandir os limites do rock convencional por meio de composições complexas, experimentação sonora e temáticas líricas elaboradas. Caracteriza-se por longas faixas, mudanças de tempo e instrumentação diversificada. É uma verdadeira jornada musical que desafia as fórmulas tradicionais, levando o ouvinte a novas experiências auditivas.

Qual o significado de rock progressivo?

O termo “rock progressivo” reflete a intenção de progressão e evolução dentro do gênero rock. Ao contrário das canções pop tradicionais, que seguem estruturas previsíveis, o rock progressivo se propõe a inovar e explorar territórios musicais desconhecidos. É um gênero que valoriza a criatividade e a complexidade, buscando sempre “progredir” musical e artisticamente.

Como identificar rock progressivo?

Para identificar o rock progressivo, preste atenção em arranjos intrincados, mudanças de ritmo, letras conceituais e uma fusão de estilos musicais. Instrumentos como sintetizadores e guitarras elétricas são comuns, assim como solos extensos e passagens instrumentais. Se uma música parece levar você por uma jornada ou contar uma história elaborada, é provável que seja prog rock!



Mundo Melhor (1976), de Beth Carvalho, é um álbum marcante do samba


Mundo Melhor (1976), de Beth Carvalho, é um álbum marcante do samba que ajudou a consolidar sua carreira. O disco reúne composições de grandes nomes como Cartola e Nelson Cavaquinho, destacando-se pela valorização do samba de raiz.
Entre as faixas, “As Rosas Não Falam” ganhou grande importância por ser a primeira gravação da canção. Com arranjos tradicionais e interpretações expressivas, o álbum reforça o papel de Beth como uma das principais vozes do samba e divulgadora de grandes compositores.



O disco “Yoyo” (1987), da banda Bourgeois Tagg, é um trabalho que representa bem o pop


O disco “Yoyo” (1987), da banda Bourgeois Tagg, é um trabalho que representa bem o pop sofisticado do final dos anos 80. Produzido por Todd Rundgren, o álbum traz uma sonoridade mais refinada e ambiciosa, combinando elementos de pop rock com arranjos elaborados e forte cuidado na produção.
Musicalmente, o disco transita por diferentes estilos, incluindo synth-pop, funk e influências de new wave, criando um clima variado e dinâmico. As músicas alternam entre momentos mais dançantes e outros mais introspectivos, com destaque para as harmonias vocais e os arranjos ricos, que dão ao álbum uma identidade única dentro da época.
O maior destaque é “I Don’t Mind at All”, uma balada elegante que acabou se tornando o principal sucesso da banda. Mesmo sem grande impacto comercial geral, “Yoyo” conquistou status cult ao longo do tempo, sendo lembrado como um disco criativo e diferenciado dentro do cenário pop dos anos 80.



O LP “Elasticity”, de "Serj Tankian", lançado em 2021, é um trabalho que nasce de ideias originalmente pensadas para um possível retorno do System of a Down


O LP “Elasticity”, de "Serj Tankian", lançado em 2021, é um trabalho que nasce de ideias originalmente pensadas para um possível retorno do System of a Down. Como esse material acabou não sendo desenvolvido em conjunto com a banda, Tankian decidiu moldá-lo em carreira solo, preservando a intensidade e o espírito crítico que marcaram sua trajetória.
Musicalmente, o disco equilibra peso e experimentação, trazendo guitarras fortes e estruturas próximas do metal alternativo, mas também momentos mais atmosféricos e melódicos. Faixas como “Elasticity” e “Your Mom” carregam aquela energia caótica e politizada típica do vocalista, enquanto outras exploram arranjos mais sutis, mostrando sua versatilidade como compositor.
Liricamente, o EP mantém o tom engajado que é marca registrada de Tankian, abordando temas sociais, políticos e existenciais com uma abordagem direta, porém artística. “Elasticity” funciona quase como uma ponte entre o universo do System of a Down e a liberdade criativa de sua carreira solo, sendo uma obra curta, mas intensa, que reforça sua identidade única dentro do rock contemporâneo.



UNBURIER – As Time Awaits EP

 

Quando se trata de exibir os aspectos mais técnicos de seu som, os ingleses do Unburier, mestres do death metal, não perdem tempo. A introdução da faixa principal deste EP, "Continuum", começa com uma assinatura de tempo que muda constantemente, levando a extrema intensidade da banda para longe das raízes tradicionais do death metal e para o território de uma fusão de death metal progressivoA música se mostra uma ótima vitrine para a banda , destacando o baterista Kim Hughes, que transita com facilidade entre riffs potentes e ritmos pesados ​​e envolventes. A inclusão de algumas pausas inesperadas acentua ainda mais a abordagem progressiva da banda.

Adentrando o cerne da música, as guitarras gêmeas de Ben Champion e Blake Hibberd ganham muito mais destaque, adotando uma abordagem clássica de thrash metal. Como as mudanças de compasso continuam interessantes, a música oscila de forma brilhantemente perturbadora sob o rugido vocal de Ben. Neste ponto, por mais que o foco esteja nos aspectos mais progressivos do som do Unburier, aqueles que não curtem death metal provavelmente começarão a se desligar. Seria uma pena, pois Ben e Blake também equilibram a intensidade em outros momentos com alguns solos absolutamente matadores, que pendem um pouco mais para o metal tradicional, dando a "Continuum" um núcleo melódico maior – pelo menos em termos relativos. A abordagem brilhantemente inquieta do Unburier significa que o final de uma música já excelente apresenta sons ainda mais intensos quando a sonoridade pneumática dá lugar a um riff thrash clássico, que sublinha um dos solos já mencionados, e uma breve explosão de riffs pesados ​​e profundos sugere que a banda é capaz de coisas ainda mais pesadas. Há tanta coisa condensada nesses cinco minutos, mas nunca de uma forma que faça o Unburier parecer disperso . Esses caras são entrosados, e se algo aqui chamar sua atenção, com certeza você vai querer continuar ouvindo.

'Abyssal Uncertainty' – um título clássico de thrash/death metal, diga-se de passagem – começa com um riff à la Slayer antes de mergulhar num grindcore puro digno da lendária banda Death, intercalado com uma bateria pneumática ao estilo Suffocation. O vocal hardcore de Ben continua sendo uma escolha mais interessante do que a típica voz de death metal , e com um ótimo trabalho de guitarras gêmeas quebrando os aspectos mais pesados ​​de um arranjo complexo, a faixa rapidamente se mostra tão interessante quanto a de abertura. Embora os timbres limpos das guitarras gêmeas se destaquem bastante e se tornem um dos elementos mais dominantes, uma audição mais atenta revelará uma ótima interação entre Kim (que continua arrasando na bateria) e o baixista Stan Mitchell, além de mostrar como o Unburier consegue lidar bem com passagens de death metal mais "tradicional". Há menos influência progressiva nesta faixa em geral, mas o trabalho inventivo de guitarras solo garante que a performance ainda tenha potencial para alcançar um público mais amplo. Tudo é executado de forma brilhante, mas em termos de pura força, as passagens de death metal mais puro dentro desta apresentação são difíceis de superar.

Por fim, 'Survive The Venom' leva toda a banda a um frenesi, primeiro martelando uma mistura de groove e death metal que soa como uma referência à era 'New American Gospel' do Lamb of God, depois se inclinando para seus sons de death metal progressivo preferidos, mas eventualmente chegando a um ponto que compartilha uma mistura extrema de metal progressivo – coroada por solos absolutamente incríveis – e death metal melódico que consegue jogar todas as influências do Unburier em um arranjo realmente interessante que raramente se aquieta, mas ao mesmo tempo parece insanamente focado.

Em certos momentos, 'As Time Awaits' se aproxima mais de um som de death metal progressivo complexo do que do death metal puro, e nenhuma das faixas se baseia em vocais guturais extremos, então é improvável que agrade aos puristas ou àqueles que preferem um death metal com uma pegada mais retrô. No entanto, o que o álbum faz, faz com maestria, e o desejo da banda de misturar riffs extremos com um toque (relativamente) melódico cria algo com um som clássico próprio. Para o fã de metal extremo com gostos um pouco mais ecléticos, esta é uma audição curta que provavelmente será considerada tempo muito bem gasto.

TOMBSTONES IN THEIR EYES – You Don’t Have To Love Me / Everybody’s Dead

 

 A banda americana de deep psych/shoegaze Tombstones In Their Eyes lançou não apenas um dos melhores álbuns do ano, mas um dos melhores de sua carreira. Algumas faixas podem parecer um pouco repetitivas se ouvidas de uma só vez, mas o domínio dos riffs e a habilidade da banda em criar uma atmosfera envolvente permitem que o material de 'Under Dark Skies' funcione brilhantemente quando apreciado no clima certo.

Em 2026, os Tombstones continuaram a promover o álbum com a ajuda da faixa "You Never Have To Love Me", com influências dos Beatles, lançada como single digital. Um dos destaques de "Under Dark Skies", a música evoca fortemente o final dos anos 60 desde o início, e a sutil mistura de violão e voz filtrada no primeiro verso a faz soar como aquele tipo de canção que você sempre conheceu. Conforme a melodia e o volume aumentam, a influência dos Beatles rapidamente diminui, e os tons psicodélicos mais sombrios – em sintonia com o som tradicional dos Tombstones – assumem o controle. Isso soa igualmente interessante, mas de uma maneira diferente. A forma como o guitarrista Paul Boutin entrelaça solos de guitarra com uma pegada shoegaze à performance vocal carregada de efeitos de John Treanor – um produto típico de estúdio – cria um som grandioso, que lentamente transporta o ouvinte para um mundo inquietante. Apesar do ritmo praticamente não mudar ao longo da performance, essa faixa, com sua sonoridade um tanto densa, porém muito psicodélica, nunca se torna cansativa. Embora o resultado final pareça mais influenciado pela atmosfera do que por refrões grudentos, acaba por se fixar na memória do ouvinte.

Para um impacto ainda maior, "You Never Have To Love Me" foi combinada com a faixa inédita "Everybody's Dead" para criar uma dose dupla de psicodelia profunda muito interessante. "Everybody's Dead" revela um lado mais sombrio do som dos Tombstones com efeito imediato, quando sons de reverberação pulsantes criam uma camada de ruído, antes de uma guitarra profunda e monótona estabelecer um pano de fundo denso. Isso é um pouco enganoso, no entanto: assim que a melodia principal emerge, este lado B logo se firma como uma das músicas mais acessíveis do catálogo dos Tombstones.

Um riff em andamento médio e uma batida constante estabelecem uma atmosfera indie pesada, quase como uma versão semi-gótica de músicas antigas do Ride, e conforme a música avança, sua abordagem relativamente simples se torna ainda mais eficaz. Contra a parede de efeitos de guitarra, uma segunda guitarra adiciona um solo muito melódico, onde as notas profundas e vibrantes trazem um toque quase cinematográfico à faixa. Unindo tudo, o vocal de John adiciona ainda mais um toque tradicional do Tombstones, espreitando sob uma profusão de efeitos de estúdio, quase como se contribuísse para as camadas musicais em vez de trazer um refrão marcante, mas quando ouvidos em conjunto, tudo funciona brilhantemente.

Embora nenhuma dessas faixas utilize o som marcante de guitarra blues presente na brilhante faixa-título do álbum, elas, de muitas maneiras, exibem a maioria das melhores características musicais de Tombstones In Their Eyes, criando uma audição curta e impactante, ideal para quem não conhece a banda. Para os fãs, a promessa de uma nova música já será motivo suficiente para garantir a adição à sua coleção digital, tornando isso uma situação vantajosa para todos.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

DRAGON WELDING – This Maintenant / Instrumental

 

Com "Up & Away", o Dragon Welding lançou um dos melhores singles de 2025. A essência mecânica da faixa, combinada com um refrão repetitivo, criou algo tão incrivelmente cativante que se tornou impossível resistir. Certamente foi uma daquelas músicas que ficam na cabeça do ouvinte muito tempo depois de terminar, gerando grandes expectativas para o álbum "The Naughty Step".

Por si só, 'The Naughty Step' trouxe muitos motivos para se apreciar. Embora a maior parte do disco não fosse tão imediata quanto 'Up & Away', seu melhor material tinha um toque mais comercial do que os trabalhos anteriores do Dragon Welding, levando os sons sintetizados de uma das bandas mais cult do Reino Unido para lugares mais melódicos.

Para dar início à jornada do Dragon Welding em 2026, "This Maintenant" apresenta uma pegada mais rock, que se manifesta através de uma guitarra proeminente que adiciona um toque vibrante, quase industrial, ao som da banda. Apesar dessa leve mudança, a essência da faixa é tão contagiante quanto a brilhante "Up & Away". Aproveitando ao máximo o talento do Dragon Welding para criar refrões fáceis de grudar, a música conta com dois: o vocalista Nik Cockshott salpica um verso incisivo com o refrão repetido "Do you remember me now?", uma pergunta direta que se encaixa perfeitamente com um riff pulsante de base eletrônica, que por si só já soa bastante incisivo, antes de deslizar para um refrão onde um "on and on and on" repetido busca atrair o público com o mínimo de esforço.

Entre a música mecânica e a forte presença da repetição, é fácil reconhecer esta faixa como sendo do Dragon Welding, mesmo antes de considerarmos o vocal muito natural de Cockshott. O fato de a música estabelecer um ritmo sólido e quase não mudar — permitindo que a ascensão e queda da guitarra e um breve aumento de raiva no vocal criem algo que se assemelhe a uma leve mudança de humor — também reforçará uma sensação de familiaridade para os fãs. Em suma, este é um retorno que realmente gera esperança para futuras faixas interessantes, sejam elas singles digitais fáceis de assimilar ou um lançamento completo mais ousado.

Agregando um valor extra, o download de 'This Maintenant' vem com uma versão instrumental alternativa da faixa. O interessante é que, embora a gravação principal pareça depender bastante do refrão para se destacar, a versão instrumental mostra que a música em si é muito forte. Sem vocais, o som relativamente rápido e mecânico demonstra com que facilidade o Dragon Welding abraçou o estilo semi-industrial. Para preencher o espaço deixado pela ausência dos vocais, uma melodia de sintetizador adicional é adicionada, combinando o riff de guitarra vibrante com um som eletrônico desconexo que lembra um sample de um antigo jogo de computador de 8 bits, e uma camada extra de baixo sintetizado traz um tom muito mais profundo e sombrio à melodia principal. Essas mudanças são relativamente sutis, considerando tudo, mas proporcionam aos ouvintes uma experiência suficientemente diferente para que tudo valha a pena.

Embora seja pouco mais que um retrato musical, é bom ter o Dragon Welding de volta, quase exatamente um ano após o lançamento de 'The Naughty Step'. Para aqueles que perderam aquele álbum e seus singles, este certamente será um ponto de partida eficaz para o mundo meio frio e ligeiramente retrô da banda.


DE Under Review Copy (EVERGROUND)


As Everground foram a primeira rriot girl rock portuguesa, denotando influências de bandas como Babes In Toyland, L7 ou UT mas um pouco mais naives. Consitituídas por Carla Branco (aka Suspiria voz, guitarra), Tânia Cardoso (baixo), Joana Viana (bateria) e Sílvia Fernandes (guitarra). Suspiria começou a tocar em 1994 e já tinha um par de temas compostos quando formou o grupo que pretendia que fosse constituído apenas por raparigas. Pretendia igualmente que a sonoridade fosse pesada e agressiva. Foi assim que, em 1995, surgiram as Everground que começaram a compôr e imediatamente se fizeram à estrada. Consta que saltaram a fronteira e foram até Barcelona tocar no Festival BAM. Editaram então uma demo tape que foi posteriormente adaptada pela Bee Keeper que a inseriu no seu catálogo. Não tardou muito para que a mentora do selo as convidasse a gravar um EP para o mesmo. Nasceu assim a edição vinílica de "EP" que teve duas prensagens, uma normal com capa vermelha e uma edição mais limitada com capa executada em pano. A edição, partilhada, coube à Bee Keeper e à Milkshake. Após a dissolução do colectivo, Supiria tornar-se-á baterista da banda Kiute Loss, um combo de punk experimental formado também por James Jacket, Peter Shamble e Eve Von Schiller. No final de 1998 fundará as Women Non-Stop, em conjunto com Corrine Dumas e Paulo Eno e estará ligada ao surgimento da Jeanette Plat Corporation, um grupo que se propunha estimular as pessoas a terem um papel activo no movimento artístico. Realizou diversas conferências em clubes punk, universidades e escolas de educação especial sobre a temática "Não é um problema ser rapariga". Mais tarde fará parte dos Les Baton Rouge (1998), Suspicious (2005) e Mediatic Slaves (2005-2007).


DISCOGRAFIA


ACID CANDY [Tape, Bee Keeper, 1996]

 
EVERGROUND EP [7"EP, Bee Keeper, 1997]


EVERGROUND EP [Edição Especial] [7"EP, Bee Keeper, 1997]

COMPILAÇÕES

 
NOISE SESSIONS [CD, Garagem, 1997]

PLEASE STOP THIS NOISE IN MY HEAD 02 [Tape, Som Sónico, 1998]

 
CAIS DO ROCK 02 [CD, Low Fly Records, 1998]

 
SANTOS DA CASA [CD, Coimbra B, 1998]

Destaque

PAUL McCARTNEY - TOO MUCH RAIN

  “Too Much Rain” é a sétima faixa do álbum de Chaos and Creation in the Backyard , lançado por Paul McCartney em 2005. Foi gravada no Geo...