domingo, 5 de abril de 2026

Kadavar: crítica de Abra Kadavar (2013)

 



A simpatia ao som empoeirado, que faz a ponte sem escalas entre a década de 1970 e os dias atuais, é inerente à maioria dos fãs de hard rock. E, convenhamos, não poderia ser diferente, afinal o auge do gênero se deu naquela época. Ao resgatar essa estética sonora, as bandas que se aventuram por esse caminho apelam também para a memória afetiva, para o subconsciente do ouvinte, pinçando com destreza os principais elementos que fizeram história há quatro décadas atrás e os reembalando em novos sons.

Porém, o saudosismo puro e simples não tem força para se sustentar sozinho. Uma banda que apenas recicla ideias de terceiros não tem como ficar em pé. E é justamente esse aspecto que separa o joio do trigo quando analisamos o gênero. Se de um lado temos bandas diferenciadas como Graveyard e Rival Sons, que estão construindo carreiras próprias partindo de sonoridades clássicas para encontrar o seu próprio caminho, no outro extremo assistimos a um enxame de grupos que não trazem nada de novo e ficam apenas dando voltas ao redor do rabo - dos outros, e não dos seus.

O trio alemão Kadavar é um caso interessante. Formado em 2010 em Berlim, o grupo chamou a atenção com o seu disco de estreia, batizado apenas com o nome da banda e lançado em 2012. Nele, havia um hard rock turbinado com bem sacadas influências de krautrock, tudo embalado em uma sonoridade crua que beirava o tosco. Cortante e direto, o disco cativou fãs mundo afora e chamou a atenção de muita gente. O resultado é que o Kadavar retorna em 2013 com o seu segundo álbum, agora lançado pela gigante Nuclear Blast, o que deve garantir ainda mais evidência para o grupo.

De cara, chama a atenção o som mais claro e cristalino, jogando para baixo do tapete a sujeira predominante do primeiro disco. Além disso, houve um acréscimo de velocidade em relação à estreia. Em 2012, as  músicas do Kadavar eram arrastadas, sem pressa. Agora, vêm com andamentos mais rápidos em sua maioria. De modo geral, tem-se a impressão de estar ouvindo um Black Sabbath entupido de energéticos - e isso não é necessariamente um elogio. A sensação geral é que as coisas soam meio atropeladas, urgentes demais, sem dar tempo para que o que parece que vai acontecer, efetivamente, aconteça. Essa escolha faz com que as sutilezas, os detalhes, o algo mais, se perca pelo caminho.

De modo geral, o tracklist é fraco e inconsistente. A abertura, com “Come Back Life”, tem o seu melhor momento em um trecho que lembra “Take Me Out”, do Franz Ferdinand. “Abra Kadabra” é uma jam sem sentido e totalmente dispensável. Falta inspiração, tesão, faísca, combustão. No entanto, uma banda não perde totalmente o seu poder de um ano para o outro, e o Kadavar consegue acertar a mão em alguns momentos de Abra Kadavar. O principal deles é “Doomsday Machine”, uma senhora faixa que deixa claro o que esse segundo disco do trio poderia ter sido, mas não foi. “Dust” também agrada bastante com suas melodias, assim como a pra lá de lisérgica “Rhythm for Endless Mind”.

No entanto, de modo geral Abra Kadavar é um álbum decepcionante. Esperava algo bem mais convincente do Kadavar após o bom primeiro disco, e isso não aconteceu aqui, o que é uma pena. As composições são repetitivas, muitas vezes sem brilho, o que puxa o disco para baixo. Vamos aguardar o terceiro álbum desses alemães para enfim saber se eles fazem parte do trigo (como se imaginava) ou se não passam de mero joio.


 

Faixas:
1 Come Back Life
2 Doomsday Machine
3 Eye of the Storm
4 Black Snake
5 Dust
6 Fire
7 Liquid Dream
8 Rhythm for Endless Minds
9 Abra Kadavar
10 The Man I Shot








Queens of the Stone Age: crítica de ... Like Clockwork (2013)

 



O que é hype? No cenário atual, é algo mais importante que a  música em si. A promoção extrema de algo que ninguém ainda ouviu, de algo inédito, levando a uma expectativa gigantesca que produz opiniões definitivas e exageradas antes mesmo de o tal disco em questão ver a luz do dia. Hoje, as pessoas não ouvem mais música como ela deve ser ouvida. Não dão tempo para que a música aconteça. Ao clicar no botão de download e baixar um álbum, já elaboram a sua opinião sobre ele antes mesmo de escutar o trabalho com atenção. Nos dias de hoje, onde a maioria vive à velocidade da luz, tem acesso a tudo mas não tem recheio e conteúdo algum, importa muito mais o significado de dizer que está ouvindo, que gosta, que curtiu - ou odiou - tal disco, no lugar do que deveria realmente importar: ouvir a música pelo que ela é.

É aí que chegamos em ... Like Clockwork, o novo álbum do Queens of the Stone Age. Desde que foi anunciado há alguns meses, o novo trabalho da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Josh Homme é tratado como a nova vinda do Messias, o retorno do escolhido, o ó-do-borogodó. Antes de ouvi-lo, diversos jornalistas e formadores de opinião, a princípio sérios, já haviam decretado que tratava-se do disco do ano. Só que a coisa não é bem assim.

O sexto álbum do Queens of the Stone Age, produzido pelo próprio Homme, é um anti-climax, um balde de água fria, um disco descendente. Começa de maneira matadora com a ótima “Keep Your Eyes Peeled”, mas depois desaba ladeira abaixo como um carro desgovernado. “I Sat by the Ocean”, por exemplo, é uma composição infantil. “The Vampyre of Time and Memory” esbanja pretensão, mira o infinito mas só acerta o tédio. “If I Had a Tail” devolve um pouco a esperança, mas basta escutá-la algumas vezes para perceber que, quando muito, trata-se de uma composição apenas mediana.

O desfile de equívocos segue exuberante. “My God is the Sun” é rock alternativo genérico produzido por quarentões que acreditam que ainda têm vinte anos. “Kalopsia” vem vestida com uma suposta atitude que se revela inócua, sensação acentuada pelos longos trechos mais calmos - onde o ouvinte pode até mesmo tirar uma soneca, se preferir. “Fairweather Friends” traz um certo acento Beatle escondido no meio da distorção, mas não sobrevive se confrontada com um mínimo de exigência. “Smooth Sailing” é tão artificial quanto músicos bem sucedidos brincando de serem alternativos - e a pergunta é: alternativos a que, ao que e a quem? A eles mesmos? “I Appear Missing” não acrescenta nada, nem para o bem e nem para o mal.

No entanto, o encerramento com a faixa-título traz a tona o que não se ouve durante todo o disco. Nela, há sentimento, melodias bem construídas, um clima bem feito de melancolia que dá à faixa um sentido que, com exceção à música de abertura, está totalmente ausente nas demais composições.

As inúmeras participações especiais que batem ponto em ... Like Clockwork - a saber, nomes como Dave Grohl, Alex Turner, Trent Reznor, Elton John, Mark Lanegan e vários outros - dão ao Queens of the Stone Age o ar de uma espécie de plataforma que deveria transmitir autenticidade a todos os envolvidos. Porém, o tiro sai pela culatra, já que o decepcionante resultado final do trabalho não agrega nada a história de ninguém.

O que é o hype? O hype é vender, e acreditar cegamente, que um disco que você nunca ouviu na vida é a cereja do bolo que irá “salvar o rock” do momento “chato” em que ele está. O hype é acreditar no que o Pitchfork, o Consequence of Sound, a NME e outros sites e publicações “descolados” publicam como uma verdade absoluta e acima de qualquer discussão. O rock não precisa ser salvo. O rock não anda chato. O rock não está repetitivo. Quem precisa ser salvo é quem se contenta com pouco, se dá por satisfeito com discos como esse. Quem precisa ser salvo é aquele seu amigo indie, moderninho e que não gosta  das bandas clássicas, antigas, somente porque elas são clássicas e antigas. É esse vazio, essa opinião falsa baseada não no que se gosta, mas no que se “deve” gostar, no que os outros dizem do que você precisa gostar para parecer um cara legal.

... Like Clockwork é um disco fraco, vendido como a salvação da lavoura, mas que não se sustenta em pé.

Josh, na boa, que balde de água fria ...


 

Faixas:
1 Keep Your Eyes Peeled
2 I Sat by the Ocean
3 The Vampyre of Time and Memory
4 If I Had a Tail
5 My God is the Sun
6 Kalopsia
7 Fairweather Friends
8 Smooth Sailing
9 I Appear Missing
10 Like Clockwork






Queensrÿche: crítica de Frequency Unknown (2013)

 




Queensrÿche protagonizou no ano passado uma novela de separação das mais vergonhosas dos últimos anos, superando inclusive toda a exposição que o Dream Theater se submeteu quando da saída de Mike Portnoy (afinal de contas, o baterista não tentou cuspir em ninguém), resultando na dissolução da banda e, por decisões legais, a existência de dois Queensrÿche: um liderado pelo vocalista Geoff Tate e o outro com os membros remanescentes, mais o recém contratado vocalista Todd La Torre.


Pois bem, o Geoff Tate’s Queensrÿche não demorou para recrutar um lineup respeitável e anunciar o lançamento do primeiro álbum, batizado de Frequency Unknown, uma obra que levantou controvérsias desde a sua capa, até a produção final, e vem sendo considerado um dos piores discos já feitos pela banda.


"Cold", a primeira faixa liberada para audição, apesar de todas as reclamações geradas por causa da mixagem desleixada, apresentava certo apelo musical e cumpria bem o seu papel de divulgação do álbum, com riffs e melodias simples, uma progressão natural se analisarmos o que o Queensrÿche havia feito em Dedicated to Chaos (totalmente direcionado por Tate, aliás). Uma faixa mediana, mas que mantinha a esperança de que o disco trouxesse ideias melhores, certo? Ledo engano.


Desencontrada e definitivamente sem nada a acrescentar sob nenhum aspecto, a excessivamente distorcida "Dare" é um hard rock mal gravado e sem a inspiração necessária, assim como a vexatória semi-balada "Give It to You", aonde você passa a duvidar severamente da qualidade vocal de Geoff Tate atualmente, tamanha a quantidade de efeitos utilizada para maquiar a sua voz no processo de mixagem. A fraquíssima "Slave" remete aos primórdios do Queensrÿche, quando os elementos de heavy rock e metal tradicional eram bem mais presentes, com um instrumental bem construído, mas sem o acompanhamento melódico necessário.


"In the Hands of God" segue o mesmo caminho e tem interessantes ideias, com um grande potencial, mas novamente os problemas de produção fazem com que soe como uma gravação amadora, e atrapalham um pouco a identificação de todos os seus elementos. A cadenciada "Running Backwards", que remete vagamente ao Savatage em seu período transacional, é um dos raros realmente bons momentos em Frequency Unknown, bem diferente da enfadonha "Life Without You", que parece ter saído de algum lugar do início dos anos noventa, com esquisitas passagens de guitarra e melodias vocais recicladas que parecem sequer encaixar com o que o resto da banda está tocando.

Apesar do grande potencial e com um bonito instrumental, o resultado final de "Everything" se assemelha a uma sucessão de coitos interrompidos, com diversas passagens que poderiam ter sido realmente memoráveis se tivessem recebido maior atenção e desenvolvidas com maior cuidado. Sensação semelhante pode ser encontrada em "Fall",  música que parece crescer ao longo de seus poucos minutos, mas no final, sem qualquer destino considerável. Apenas o encerramento do álbum com "The Weight of The World" é mais um dos poucos momentos que chamam a atenção, com um interessante desenvolvimento musical, digno dos músicos que participam desse projeto.


Porém, o saldo final de Frequency Unknown chega quase a ser incompreensível, tamanho é o desencontro musical que pode ser ouvido ao longo das dez faixas nessa nova fase de um dos Queensrÿche (e não estamos sequer considerando as regravações de quatro clássicos que acompanham o tracklist original – e a medida soa como uma péssima jogada para tentar vender mais discos, depois de toda a confusão da separação da banda). As composições soam incompletas, feitas às pressas, deixando uma impressão que as primeiras demos foram simplesmente gravadas da forma mais básica possível, deixando de lado importantes detalhes que poderiam engrandecer e amadurecer as ideias do álbum.


Além disso, com uma produção digna de pena e uma mixagem que virou motivo de piada pela própria banda, também é perceptível como Geoff Tate parece estar com as suas habilidades vocais ainda mais prejudicadas, muito, mas muito aquém em relação ao que foi ouvido no último do Queensrÿche como uma banda só, o excessivamente apelativo Dedicated to Chaos (que mesmo com todas as suas falhas, ainda é muito superior a esse novo disco).


Frequency Unknown falha miseravelmente em praticamente todos os aspectos, com raros momentos aproveitáveis, e, mesmo que as alcunhas de “pior disco já gravado” sejam um tanto quanto exageradas, eles quase chegaram lá. Que os próximos passos sejam melhores.




Faixas:
01. Cold
02. Dare
03. Give It To You
04. Slave
05. In The Hands of God
06. Running Backwards
07. Life Without You
08. Everything
09. Fall
10. The Weight of the World
11. I Don’t Believe In Love
12. Empire
13. Jet City Woman
14. Silent Lucidity





Lynn Miles – A Bouquet of Black Flowers (2026)

 

Lynn Miles pode ainda não estar entre os seus 'dez melhores compositores canadenses', mas A Bouquet of Black Flowers pode estar prestes a mudar isso. Com três prêmios de Compositora do Ano em Inglês pela Canadian Folk Music e um prêmio JUNO de Melhor Álbum de Música Tradicional e Raízes: Solo no currículo, a música de Miles, embora não seja desconhecida, merece maior reconhecimento. Em 2008, ela começou a regravar canções selecionadas de seu catálogo antigo com voz e violão, ou acompanhamento de piano. Os quatro volumes resultantes da série Black Flowers foram lançados ao longo dos seis anos seguintes. Quinze das quarenta canções dessa série foram escolhidas e remasterizadas para A Bouquet of Black Flowers . Esta síntese de uma carreira musical que se aproxima do seu 40º aniversário é uma introdução perfeita para qualquer pessoa…

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…ainda não tive a oportunidade de vivenciar sua música.

Destiladas à sua essência e entregues com intimidade, as canções tristes que compõem o repertório de Miles Davis abordam, em grande parte, assuntos do coração. Sejam doces, ternas, destemidas ou (principalmente) despedaçadas, há menções suficientes a esse órgão vital para preencher o programa de uma conferência de cardiologia. "Map Of My Heart" revela uma estrutura de quatro câmaras em um tom de "azul melancólico", com um espaço para cada uma das seguintes funções: perdão, esquecimento, misericórdia e arrependimento. Essas canções ressoarão com ouvintes que já receberam e/ou doaram um coração partido, e talvez até mesmo com os poucos azarados diagnosticados com cardiomiopatia de Takotsubo (também conhecida como síndrome do coração partido). Nem tudo é sofrimento, porém. Há temas de resiliência, sobrevivência e até mesmo otimismo em "After All", "I'm Still Here" e "Look Up".

Há algumas mudanças de calçado dignas de nota. Em "Surrender Dorothy", sapatos vermelhos brilhantes trilham um caminho amarelo que leva a lata enferrujada, palha queimada, desgosto e um cachorro com pulgas. Miles calça seus patins para "Hockey Night In Canada", a faixa mais antiga do álbum. Gravada originalmente para " Chalk This One Up to the Moon" , de 1991 , a música foi inspirada tanto pelas manhãs em que ficava à beira da pista assistindo seu irmão correr atrás do disco em temperaturas abaixo de zero, quanto pelas noites da infância dominadas pela cobertura televisiva do esporte nacional de inverno. Na hierarquia das canções de hóquei, esta é, para usar a expressão, "a melhor". É também uma das poucas a mencionar o Zamboni, uma máquina de recapeamento de gelo. "Hockey Night In Canada" poderia ser uma parente não tão distante de "River", de Joni Mitchell, cuja frase é citada em "Last Night", música do álbum "Slightly Haunted" de Miles.

Em destaque e em plena forma do início ao fim, a voz de Miles por vezes lembra Janis Ian ou Eliza Gilkyson. A instrumentação delicada cria uma estrutura em torno da qual seus tentáculos melódicos se entrelaçam. Há beleza e calor em abundância aqui, ainda que nem sempre alegria, mas a maioria de nós já se hospedou, em algum momento, em um certo hotel no fim de uma rua solitária. O efeito reconfortante de canções de tom melancólico é um fenômeno bem conhecido, e a coleção introspectiva de Miles irá conectar-se com ouvintes que se sentem profundamente solitários. Há consolo a ser encontrado nesta seleção criteriosa feita por uma porta-voz daqueles com um coração doce e terno

Maria Taylor – Story’s End (2026)

 

Maria Taylor começou a trabalhar em Story's End — seu mais recente LP — há seis anos, com algumas demos intimistas e minimalistas em seu estúdio caseiro. Não havia pressa para lançar um sucessor de seu álbum homônimo de 2019, mas as rupturas em seu casamento e em uma amizade próxima a fizeram revisitar essas canções.
O resultado é belo e comovente. Canções sobre casamentos e amizades em crise convivem com momentos de otimismo e renovação, tornando Story's End um diário emocionalmente poderoso com uma trilha sonora exuberante. A faixa de abertura, que dá título ao álbum, apresenta a voz suave de Taylor flutuando sobre um piano melancólico antes da entrada de cordas — e, eventualmente, da bateria. É uma abertura profundamente tocante.

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Taylor, que também faz parte da dupla Azure Ray , convidou diversos colaboradores para dar corpo ao álbum, incluindo Conor Oberst, que contribui com vocais de apoio na emocionante "Sorry I Was Yours", além de Nik Freitas, Mike Bloom e Sally Dworsky. "Tricky", com a interpretação onírica e quase hipnótica de Taylor, soa como uma mistura de Mazzy Star e Cocteau Twins. Já "Never Thought I'd Feel New" se destaca como a maior fonte de otimismo do álbum — uma canção indie pop lindamente nebulosa e de ritmo moderado sobre se libertar dos próprios pensamentos e manter uma atitude positiva. É também uma faixa que, segundo Taylor, levou cinco anos para ser finalizada.

Perto do final do álbum, a belíssima "Nathaniel" — facilmente uma das faixas de destaque — é também uma das poucas canções que não parece se concentrar na própria Taylor. Embora a bateria e o piano se mantenham constantes do início ao fim, o crescendo gradual das cordas cria uma sequência inesquecível de quatro minutos, complementando perfeitamente seus vocais sem jamais os sobrepor.

O álbum encerra com “Change Is Coming Soon (Green Butterfly Sequel)”, um final ideal tanto musical quanto liricamente, que une um álbum profundamente comovente e, ao mesmo tempo, sugere algo melhor no horizonte após um período claramente sombrio de sete anos entre lançamentos. É um final apropriado para um disco em que Taylor não apenas documenta a perda, mas também aprende, aos poucos, a superá-la; um álbum belo e tocante ao qual você sempre voltará.

Richard Ashcroft – Live Vol. 1 (2026)

 

Se 2025 foi o ano em que o Reino Unido reconquistou sua coroa do rock 'n' roll com a reunião do Oasis, 2026 é oficialmente o ano em que Richard Ashcroft nos lembrou por que ele sempre foi o coração pulsante do movimento. Logo após sua participação memorável como convidado especial da turnê Oasis Live '25, Ashcroft lançou Live Vol. 1, uma coletânea que abrange toda a sua carreira e soa menos como um álbum ao vivo comum e mais como uma volta triunfal.
Gravado durante sua triunfante série de shows após a euforia nos estádios do ano anterior, Live Vol. 1 captura Ashcroft em sua forma mais potente. Desde os primeiros acordes, fica claro que sua voz não envelheceu nada; pelo contrário, ganhou uma profundidade profunda e marcante que adiciona novas camadas a clássicos como "The Drugs Don't Work" e "Sonnet".
A produção atinge um equilíbrio perfeito.

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É cru o suficiente para sentir o suor da primeira fila, mas polido o bastante para deixar os crescendos orquestrais de “Bittersweet Symphony” respirarem com uma escala cinematográfica.
A setlist de 13 faixas é uma aula magistral de ritmo. Ashcroft se apoia fortemente nos grandes sucessos — “Lucky Man” e “History” soam absolutamente grandiosas — mas não ignora sua evolução solo.
Os verdadeiros destaques, no entanto, são as inclusões de seu álbum de estúdio de 2025, Lovin' You. Faixas como “Oh L'Amour” e “Lover” se encaixam perfeitamente em seu repertório, provando que Ashcroft não é apenas um artista consagrado; ele ainda está compondo hinos capazes de lotar estádios.
Live Vol. 1 não é apenas para os fãs fervorosos que estavam lá em 1997. É um testemunho do poder duradouro de um compositor que sempre foi transparente em suas canções. Aqui não há truques — apenas um homem, um violão e um catálogo de canções que definiram uma geração.
Enquanto Ashcroft se prepara para ser a atração principal de festivais como o Rock N' Roll Circus no final deste verão, este álbum serve como o lembrete perfeito: o "Homem da Sorte" ainda está no auge de sua carreira.

Destaque

PAUL McCARTNEY - TOO MUCH RAIN

  “Too Much Rain” é a sétima faixa do álbum de Chaos and Creation in the Backyard , lançado por Paul McCartney em 2005. Foi gravada no Geo...