terça-feira, 21 de abril de 2026

Descivilização (Polygram, 1991), Biquíni Cavadão

 



Por Sidney Falcão

No início dos anos 1980, quatro colegas de colégio no Rio de Janeiro — Bruno Gouveia, Álvaro Birita, Miguel Flores e André Sheik — resolveram transformar um sarau estudantil em um projeto musical mais ousado. Com guitarras tímidas, teclados baratos e um entusiasmo desproporcional às habilidades técnicas, nascia ali o Biquíni Cavadão. O nome, sugerido por Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, já carregava ironia e descompromisso. A primeira composição, “Tédio”, viria a ser não só a carta de apresentação do grupo, mas também um manifesto de juventude inconformada. 

A fita demo caseira, com a música “Tédio” — que contou com Herbert na guitarra — chegou às mãos da Fluminense FM e, de lá, pulou para o imaginário de uma geração. Em 1985, a banda assinou contrato com a Polydor e gravou o compacto que trazia “Tédio” e “No Mundo da Lua”. O primeiro álbum, Cidades em Torrente (1986), emplacou quatro hits e ultrapassou a marca de 60 mil cópias. A Era da Incerteza (1987) e  (1989) confirmaram o potencial da banda, ainda que navegando entre a ingenuidade adolescente e uma busca crescente por maturidade. 

A cada disco, o Biquíni testava novos caminhos, mas sem perder a veia pop que o tornou radiofônico. A Era da Incerteza trouxe faixas como “Ida e Volta” e “1/4”, mostrando que os rapazes não eram fogo de palha. Já , de 1989, marcou a transição para temas mais adultos, com canções como “Meu Reino” e “Bem-Vindo ao Mundo Adulto”. Ainda assim, pairava sobre a banda a sombra do desgaste. O mercado fonográfico já mostrava sinais de saturação do rock brasileiro: gravadoras se reestruturavam, rádios buscavam novas tendências e muitos dos contemporâneos do Biquíni começavam a perder espaço. 

Esse contexto colocava o grupo diante de uma encruzilhada: continuar repetindo fórmulas e arriscar a irrelevância, ou buscar um novo fôlego criativo capaz de redefinir sua trajetória? 

Miguel Flores, André Birita, Carlos Coelho, André Sheik e Bruno Coelho: 
Biquini Cavadão em 1986, ano que a banda lançou seu álbum de estreia,
Cidades em Torrente.


Em 1990, a banda mergulhou em um processo de autocrítica radical. Canções já compostas para o quarto álbum foram descartadas, arranjos rasgados, ensaios abandonados. Durante meses, o Biquíni parecia paralisado, alimentando boatos de um possível fim. Para os integrantes, não fazia sentido lançar um novo trabalho se este não representasse uma evolução clara. 

No entanto, naquele mesmo ano de 1990, a gravadora lançou uma versão remix de uma das faixas do álbum , “Bem-Vindo ao Mundo”, que colocou o grupo de volta às paradas nas rádios do Rio de Janeiro. No ano seguinte, outra faixa de  foi lançada em versão remix: “Meu Mundo”, rebatizada de “Meu Reino ’91 (Um Lar em Brixton)”, que também alcançou algum sucesso. O emprego das batidas e programações eletrônicas nesses remixes parece ter acendido uma ideia na mente criativa do Biquíni Cavadão para conceber a proposta musical do próximo álbum. 

Foi nesse clima de crise que amadureceu a ideia de Descivilização. O álbum foi uma ruptura, um divisor de águas na carreira do Biquíni Cavadão. O título, provocativo, já trazia um questionamento profundo: o que chamamos de “civilização” seria, de fato, avanço ou apenas uma fachada que escondia o caos? 

Produzido por Mayrton Bahia, conhecido por sua capacidade de potencializar bandas em momentos decisivos, Descivilização nasceu como um trabalho coletivo e orgânico. O Biquíni mantinha sua peculiar “criação coletiva total”, em que todos opinavam em todos os aspectos: o baixista sugeria linhas de teclado, o tecladista mexia na levada da bateria, o vocalista interferia nos arranjos de guitarra. Essa dinâmica, caótica e democrática, deu ao disco uma textura única. 

As participações especiais também ampliaram as cores do álbum. Herbert Vianna emprestou sua voz em “Cai Água, Cai Barraco”, enquanto Roberto Menescal, ícone da bossa nova, deu seu toque elegante em “Arcos”. A sonoridade, mais pop, acessível e com apelo dançante, contrastava com a densidade das letras, que falavam de inconformismo, liberdade e crítica social. 

O músico e produtor Roberto Menescal: toque elegante me "Arcos".

Lançado em julho de 1991, Descivilização foi o primeiro lançamento em CD do Biquíni Cavadão. Enquanto a versão em LP do álbum vinha apenas com nove faixas, a versão em CD trazia onze, ao incluir os remixes de “Bem-Vindo ao Mundo” e “Meu Reino ’91 (Um Lar em Brixton)”, lançados antes do álbum. 

“Zé Ninguém” explode como um soco rítmico logo na abertura, transformando a invisibilidade social em hino de autoafirmação. A linha de baixo pulsante e a bateria eletrônica programada sustentam uma letra que denuncia desigualdade e corrupção, mas sem perder o humor irônico, convertendo o anonimato em bandeira de resistência. 

“Últimas Horas” mantém a energia pop dançante, mas mergulha no campo emocional com metáforas de tempestade que traduzem o fim de um amor. Sintetizadores e piano dialogam com a bateria, criando um clima ao mesmo tempo melancólico e esperançoso, equilibrando dor e memória. 

Em “Cai Água, Cai Barraco”, o Biquíni une crítica social e humor ácido com a participação de Herbert Vianna. As guitarras de rock contrastam com o pop dançante, retratando enchentes, pobreza e violência urbana. O tom quase carnavalesco do título amplia a ironia, transformando tragédia em crônica urbana contundente. 

“Vento Ventania” é o ápice do álbum e, curiosamente, quase ficou de fora. Com um ritmo inspirado no dancehall jamaicano, a faixa é uma ode à liberdade. A metáfora do vento, transportando o desejo de transcendência e rompimento de limites, fez dela um hino nos shows, cantado em uníssono pelo público. 

“Bem-Vindo ao Mundo Adulto ’90” é o remix lançado em 1990 e incluído na versão em CD de Descivilização. Com uma base rítmica apoiada em sintetizadores e bateria eletrônica, essa versão ganhou nova vida, deixando a original para trás. Já “Descivilização”, faixa que dá nome ao álbum, funciona como manifesto: questiona progresso e civilização, propondo reflexão poética sobre a fuga da vida moderna e o retorno à essência humana e natural. 

Herbert Vianna no anos 1980: líder das Paralamas do Seucesso faz dueto nos vocais
com Bruno Gouveia em "Cai Água, Cai Barraco".

Carregado de metáforas, “Vesúvio” é um pop rock que evoca transformação e renovação, enquanto “Arcos” desacelera, flertando com a bossa nova através do violão de Roberto Menescal. Aqui, introspecção e memória urbana se encontram, revelando solidão e busca por sentido. 

“Impossível”, outro grande sucesso radiofônico do disco, mistura urgência e melancolia em teclados luminosos e guitarras incisivas, refletindo sobre o peso das lembranças amorosas. “Meu Reino ’91 (Um Lar em Brixton)”, segundo remix presente na versão em CD do álbum, insere batidas eletrônicas à melodia original, cujo resultado remete a “Sadeness (Part I)”, do Enigma, que fez enorme sucesso mundial entre 1990 e 1991. 

A última faixa, “A Cidade”, fecha o disco com poesia urbana. À madrugada, ruas e becos se tornam museu de experiências invisíveis, revelando estranheza e fascínio. É um encerramento que sintetiza a sensibilidade da banda: observar o mundo cotidiano com olhos atentos, transformando cada detalhe em narrativa sonora e emocional. 

No conjunto, Descivilização é um retrato vívido do Brasil e da alma humana: crítico, irônico, poético e dançante, equilibrando sofisticação musical e crônica social com rara destreza. 

Apesar de lançado em um momento de saturação do rock brasileiro, Descivilização encontrou seu espaço. “Zé Ninguém” e “Impossível” rapidamente alcançaram as rádios, mas foi “Vento Ventania” que, contra todas as expectativas: foi incluída na trilha sonora da novela Deus Nos Acuda, da TV Globo e se tornou a música do ano em 1992. O álbum levou o Biquíni Cavadão a apresentações em grandes palcos, incluindo o festival Hollywood Rock de 1993, ao lado de nomes internacionais como Alice in Chains e Red Hot Chili Peppers. 

A crítica, inicialmente reticente, acabou reconhecendo o salto qualitativo do grupo. Muitos compararam o disco a momentos de reinvenção de outras bandas — guardadas as devidas proporções — como Cabeça Dinossauro, dos Titãs, ou Selvagem?, dos Paralamas do Sucesso. Para o Biquíni, foi o disco que garantiu longevidade: sem ele, talvez a banda tivesse se perdido no esquecimento de tantas formações entre as inúmeras bandas do rock brasileiro dos anos 1980. 

Ao longo do tempo, Descivilização é lembrado não apenas por seus hits, mas por seu papel de ruptura. É um álbum que consolidou o Biquíni Cavadão como banda madura, capaz de unir pop e reflexão, leveza e crítica, melodia e inconformismo. Um retrato de uma juventude que, diante de um Brasil em transição, buscava na música um grito de liberdade.

 

Faixas

1. “Zé Ninguém” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

2. “Cai Água, Cai Barraco” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro) – participação especial Herbert Vianna (vocais)

3. “Últimas Horas” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

4. “Vento, Ventania” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

5. “Bem-Vindo Ao Mundo Adulto '90” Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro) – participação especial Fábio Fonseca (teclados adicionais)

6. “Descivilização” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

7. “Vesúvio” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

8. “Arcos” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro) – participações especiais Roberto Menescal (violão) e Barney (percussão)

9. “Impossível” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

10. “Meu Reino '91" (Um Luar Em Brixton)” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

11. “A Cidade” (Sheik, Bruno, Coelho, Miguel, Álvaro)

 

Biquini Cavadão: Bruno Gouveia (vocal), Miguel Flores (teclados), Carlos Coelho (guitarras, violões e vocais) e André Sheik (baixo) e Álvaro Birita (bateria e percussão eletrônica).


Ouça na íntegra o álbum Descivilização

"Zé Ninguém" (videoclipe oficial)


Al Stewart Year of the Cat (1976)

 

Quando Al Stewart invadiu as ondas do rádio com "Year of the Cat", a grande maioria dos ouvintes o considerou um sucesso instantâneo. Mas, na realidade, o cantor, compositor e multi-instrumentista passou uma década inteira gravando discos e acumulando horas em turnês antes de alcançar o estrelato.

Nascido na Escócia, Stewart era apenas um garotinho quando se mudou para a Inglaterra, onde sua carreira musical decolou. Seu primeiro trabalho, uma canção peculiar chamada "The Elf", tinha como lado B um cover de "Turn Into Earth", dos Yardbirds. Lançado em 1966, o single contou com a participação do guitarrista dos Yardbirds e futuro mestre da guitarra do Led Zeppelin, Jimmy Page. Embora os álbuns anteriores de Al Stewart tivessem sido elogiados pela crítica, talvez fossem um pouco incomuns demais para o consumidor médio de vinil. O folk britânico tradicional, permeado por aspirações de rock progressivo, com letras pitorescas envolvendo figuras e eventos históricos, tendia a ser sua especialidade.

Embora o sétimo álbum de estúdio de Stewart,  Year of the Cat  (Janus Records), tenha se mantido fiel à fórmula, esses elementos foram amplificados em um brilho pop-rock reluzente sob a orientação do aclamado produtor e músico Alan Parsons. Dotado de uma voz calorosa e amigável no estilo de George Harrison e Donovan, Stewart interpreta o material de  Year of the Cat  com maestria, contando histórias com maestria. Repletas de personalidade e vivacidade, as composições envolventes ganham vida enquanto Al Stewart entrelaça sua voz melodiosa às palavras e à música.

No início de 1977, a faixa-título do álbum – que fala de um caso de amor em Casablanca – entrou para o Top 10. Impulsionada por uma sequência de elegantes floreios de piano, "Year of the Cat" gradualmente se transforma em uma sinfonia emocionante, complementada por solos de saxofone e guitarra vibrantes. Uma ode ao comandante naval inglês Lord Richard Grenville, "Lord Grenville" se apresenta como uma peça de ritmo moderado, baseada no piano e repleta de ritmos envolventes, enquanto o ritmo animado de "On the Border" é marcado por cativantes riffs de guitarra espanhola.

Gerada pelo som grave e potente de um órgão Hammond, "Sand In Your Shoes" ressoa brilhantemente com a sensibilidade folk-rock dos anos 60, e então há a hipnotizante "One Stage Before" que adiciona uma dose de efeitos psicodélicos à mistura para efeitos extras. A piloto britânica da Segunda Guerra Mundial, Amy Johnson – que desapareceu misteriosamente no mar – é o tema de "Flying Sorcery", que desliza com beleza e graça, e oferece uma dose de solos de gaita blues, enquanto "If It Doesn't Come Naturally, Leave It" surge com uma batida animada e refrões contagiantes, e "Broadway Hotel" é embelezada por um coro de violinos melancólicos.

Uma síntese impressionante de música folk, clássica, pop e rock,  Year of the Cat  demonstra com maestria a capacidade de Stewart de compor, cantar e tocar canções sofisticadas com elegância e sinceridade. Há muita mobilidade e flexibilidade aqui, mas o álbum é orquestrado com maestria e flui em um ritmo informal.

Após o sucesso fenomenal de  Year of the Cat , Al Stewart emplacou mais alguns singles de sucesso, como "Time Passages", "On the Radio" e "Midnight Rocks", e continua criando música de qualidade até hoje. Mas não há dúvida de que  Year of the Cat  permanece seu trabalho mais forte e é tão essencial agora quanto era naquela época.



Al Stewart: The Year of Al Stewart – Orange (1972), Past, Present & Future (1974) & Modern Times (1975)

 

Al Stewart alcançou a imortalidade no soft rock com seu sucesso de 1976, "Year of the Cat", que chegou ao Top 10 das paradas pop e adulta contemporânea. Mas o artista e compositor nascido em Glasgow e criado em Bournemouth já gravava há uma década como um dos principais nomes do revival do folk britânico quando alcançou o sucesso nas rádios. O selo Esoteric Recordings, da Cherry Red, relançou recentemente os terceiro, quarto e quinto álbuns de Stewart, lançados pela gravadora britânica CBS Records, em edições remasterizadas.

A CBS era a casa de Stewart desde seu álbum de estreia em 1967,  Bedsitter Images . (Antes disso, ele havia lançado um single pela Decca em 1966.) O uso que Stewart fazia da história como trampolim para suas letras lhe conferia uma voz singular nos círculos folk, assim como sua disposição para incorporar texturas do rock, como a guitarra elétrica, e sua tendência à composição confessional, mais associada ao crescente movimento de cantores e compositores. Stewart havia colaborado com o produtor Roy Guest em seus três primeiros álbuns, mas o desejo por uma mudança na abordagem sonora o levou primeiro a Gus Dudgeon (David Bowie, Elton John). 

O atarefado Dudgeon produziu um single para Stewart em 1970, "The News from Spain" / "Elvaston Place". Mas John Anthony (Genesis, Lindisfarne, Van Der Graaf Generator) foi então contratado para produzir o álbum que se tornaria  Orange . Entre os músicos recrutados por Anthony estava ninguém menos que Rick Wakeman, do Yes, nos teclados. Membros do Quiver (incluindo o baixista Bruce Thomas, posteriormente do The Attractions) participaram das gravações, assim como Brinsley Schwarz no violão e Roger Pope na bateria. Com essa banda incrível, Anthony e Stewart enfatizaram a vertente rock da equação folk-rock. 

Frequentemente considerado um álbum de transição para Stewart,  Orange  não entrou nas paradas musicais após seu lançamento em janeiro de 1972, mas hoje é bem conceituado entre os primeiros trabalhos do artista. Remasterizado (como todos os três títulos desta série) por Paschal Byrne a partir das fitas master originais da CBS,  Orange  foi expandido com os lados A e B do single produzido por Gus Dudgeon.

Em outubro do ano seguinte, Stewart lançou  Past, Present and Future , novamente em colaboração com John Anthony. O amor de Stewart pela história inspirou o álbum conceitual, no qual cada uma das oito faixas explorava um período, evento ou figura histórica específica. O profeta do século XVI foi o tema de “Nostradamus”. A história mais recente inspirou “The Last Day of June 1934” e “Roads to Moscow”, ambas narrando eventos que antecederam e ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto “Post-World War II Blues” é uma exploração abrangente que leva os ouvintes desde o nascimento de Stewart (“Eu era um bebê do pós-guerra em uma pequena cidade escocesa…”) até o final tumultuado da década de 1960 (“Agora, todos os dias parecem trazer más notícias…”). 

“Warren Harding” recebeu esse nome em homenagem ao presidente americano que governou de 1921 até sua morte em 1923. Para o álbum Past, Present and Future, Stewart contou novamente com Tim Renwick na guitarra, John Wilson na bateria, Rick Wakeman nos teclados e Bruce Thomas no baixo, entre outros. BJ Cole se juntou à banda para adicionar seu característico pedal steel, e Richard Hewson contribuiu com os arranjos de cordas e baixo. O álbum rendeu a Stewart sua primeira entrada na  Billboard  200 dos EUA, alcançando a posição 133 e se tornando seu disco mais vendido até hoje. A reedição da Esoteric Records adiciona três faixas bônus: as versões single de “Terminal Eyes” e “Nostradamus”, além do single não incluído no álbum “Swallow Wind”.

Em 1975, com  Modern Times,  Stewart estava às vésperas do lançamento de  Year of the Cat . Seu último álbum pela CBS e sua primeira colaboração com o produtor e engenheiro de som Alan Parsons,  Modern Times  foi gravado nos estúdios Abbey Road, então de propriedade de Parsons. 

O visionário do estúdio, Parsons, incentivou o artista a explorar mais as sobreposições de faixas e trouxe novas texturas ao som de Stewart. Ao contrário de grande parte (mas certamente não toda)  de Past, Present and Future ,  Modern Times  estava mais enraizado na própria vida de Stewart. O pequeno sucesso americano "Carol" foi baseado em um encontro em Nova York com uma "ex-groupie", e "What's Going On" foi um retrato pouco lisonjeiro que Stewart fez de uma cantora com quem tinha contato. 

“Apple Cider Re-Constitution”, assim como  “Post-World War II Blues” do Past , levou Stewart de volta à sua infância. Outras referências no álbum incluíram o escritor Kurt Vonnegut e até mesmo Jean-Paul Sartre, que inspirou o título do álbum. A faixa “Modern Times” teve Dave Mudge como coautor; Stewart revela nas notas do encarte que se baseou em uma composição inédita de Mudge, “Lowly Low”. Tim Renwick mais uma vez desempenhou um papel de destaque com sua guitarra; o baterista Gerry Conway (Cat Stevens, Fairport Convention) estava entre os músicos de apoio.  

A composição forte e acessível, aliada à produção dinâmica de Parsons, garantiu a Stewart a 30ª posição na  Billboard  200, sucesso que ele consolidaria ao voltar a trabalhar com Parsons em  Year of the Cat . Nenhuma faixa bônus foi adicionada a esta edição.





Al Di Meola Splendido Hotel (1980)

 

Sempre que este álbum é mencionado, refiro-me a duas músicas que o caracterizam: “Two To Tango” e “Isfahan”. A primeira é basicamente uma empreitada musical entre dois gênios: Al Di Meola no violão e Chick Corea no piano. Lembro-me da primeira vez que ouvi essa música; ela foi me conquistando aos poucos, pois na época eu era mais fã de rock do que de fusões de jazz e rock. Quanto mais eu ouvia o CD, mais me conectava com os acordes e notas produzidos por Al e Chick – é simplesmente fantástico. A música é executada com um número mínimo de instrumentos, mas cria uma harmonia incrível entre os dois do início ao fim. Para mim, o som do piano de Chick sempre evoca muita emoção, mesmo em seu estilo jazzístico, como no álbum “The Mad Hatter”. A singularidade de “Isfahan” se manifesta vividamente na nuance oriental da música, que combina o trabalho de Al no violão, bandolim e violoncelo, entrelaçados com a harmonia do violino, violoncelo e piano. A interpretação do Coro de Meninos de Columbus reforça a nuance oriental. A canção tem um ritmo bastante lento, resultando numa música muito rica em texturas e nuances.

Seria simplista demais dizer que apenas essas duas músicas valem a pena ouvir, já que a faixa de abertura, “Alien Chase On Arabian Desert” (8:59), nos presenteia com uma fusão de jazz e rock pesado, que de certa forma lembra o estilo de Return To Forever. O longo e impressionante solo de guitarra elétrica enriquece a composição. Podemos compará-la com a música “Compadres”, do álbum “Touchstone” de Chick Corea. Sim, é basicamente esse tipo de música. Eu particularmente adoro essa faixa porque ela tem mudanças frequentes de ritmo e estilo. A faixa seguinte, “Silent Story In Her Eyes” (7:35), é outra boa opção para apreciar, pois demonstra o virtuosismo de Meola, mesmo que de forma bastante discreta. “Roller Jubilee” (4:44) tem um estilo pop com influências de jazz, graças ao trabalho de violão de Al combinado com marimba.

"Al Di's Dream Theme" (6:50) começa de forma bastante simples, com um andamento moderado e solos de guitarra como introdução. Mas, a partir de 1:18, a música se transforma em uma faixa energética e com um andamento mais rápido, com um solo de guitarra elétrica impressionante acompanhado por uma excelente seção rítmica dominada por bateria, percussão e teclado. O trabalho de guitarra veloz de Mr. Meola é único e leva a música a um ritmo animado, com frequentes mudanças de andamento acompanhadas pelo teclado. A faixa seguinte, com um andamento ainda mais acelerado, é "Dinner Music Of The Gods" (8:33). Esta é a minha faixa favorita do álbum. Possui um arranjo complexo e mudanças de andamento frequentes e dinâmicas, com uma harmonia entre o solo de guitarra elétrica e o teclado. É realmente uma ótima música!

“Splendido Sundance” (4:51) demonstra um excelente trabalho solo de violão acústico com estilos diferentes nos canais esquerdo e direito. Excelente composição. “I Can Tell” (4:01) é a parte mais fraca deste álbum, pois se desvia do trabalho típico de AL – é uma canção pop R&B. “Spanish Eyes” (5:11) tem um andamento relativamente estável com solos de guitarra. “Bianca`s Midnight Lullaby” (1:54) encerra o álbum com um solo de violão acústico de AL.

Os primeiros trabalhos de Al Di Meola são tão únicos que, se você conhece o estilo, consegue identificar qualquer outra música que nunca ouviu antes – especialmente a maneira como ele toca guitarra. Na minha opinião, não existe nenhum guitarrista que toque de forma semelhante ao Al. Você ainda pode apreciar esse estilo neste álbum, pois muitas músicas demonstram a característica a que me refiro. Esta é uma excelente adição a qualquer coleção de música progressiva.



Serpentina Satelite - Mecánica Celeste (2010)

 

Continuamos com mais um excelente rock progressivo do Peru, inclusive para exportação (mais uma banda do mesmo estilo). Uma demonstração impressionante de psicodelia na linha de Hawkwind e Krautrock, mas mais próxima do Stoner Rock e vinda do Peru, o que me faz pensar em mais de uma conexão: que fatores a opressão na Alemanha nas décadas de 60 e 70 têm em comum com a situação no Peru no início da década passada? Bem, eu poderia especular sobre muitas coisas, mas primeiro, vamos nos concentrar na música. Serpentina Satellite apresenta um som Krautrock influenciado por improvisações de space rock e elementos psicodélicos selvagens, crus, densos e viscerais. Arrasando, outro grupo do Peru chega na linha espacial lisérgica, a mesma cunhada por aquelas bandas peruanas que temos apresentado há algum tempo.

Artista: Serpentina Satellite
Álbum: Mecánica Celeste
Ano: 2010
Gênero: Rock psicodélico eclético
Duração: 43:42
Nacionalidade: Peru

Composições longas, densas e de desenvolvimento lento, seguidas por um crescendo ascendente de guitarras estridentes, eletrônica, reverb, efeitos, cacofonias assíncronas e improvisações frenéticas — sete faixas tântricas impulsionadas por uma energia lisérgica que transmite uma sensação de jornada, de distância percorrida.
"Mecánica Celeste" é uma abordagem conceitualmente única da psicodelia, concebida pela manipulação de canções religiosas tradicionais, panfletos ideológicos e políticos e poesia com guitarras densas e pesadas, drones espirais, sons wah-wah espaciais, ritmos hipnóticos, sons eletrônicos e vocais diferidos para criar uma experiência de fusão arrebatadora. O álbum culmina em riffs quase "metal", dando à banda uma nova abordagem ao reino do space rock: Serpentina Satélite tentou alcançar o céu, mas acabou no espaço.
Eis algo para mantê-lo maravilhado com todo o rock progressivo latino-americano que floresce por aqui. Eles já estão surpreendendo pessoas em outras partes do mundo; agora é a nossa vez de descobri-los.

A conclusão cerimonial de "Mecanica Celeste", um álbum que se assemelha a um ritual com cantos psicodélicos, espacial, sombrio e musicalmente etéreo, também é meticulosamente elaborada. Um álbum perfeito para alçar voo em uma daquelas noites que te convidam a passar a eternidade navegando pelo blog. Novamente, altamente recomendado para quem curte psicodelia, stoner rock, krautrock e muito mais. E também um vislumbre de toda a imaginação que fervilha nessas terras, talvez bastante similar à Alemanha dos anos 70, mas na América do Sul.

Mas é melhor você ouvir, não é?




Um pouco de história e depois mergulhamos direto no álbum:
A banda se formou no final de 2003 em Lima. A música é predominantemente instrumental, embora haja poesia e letras, mas com uma voz que contribui mais como uma recitação do texto. Desde a sua criação, a banda vem aperfeiçoando seu próprio estilo em diferentes etapas. Da cidade crua de Lima, surgiu um terreno fértil que acabou se tornando uma praga sinuosa e abrangente.
No final de 2004, a banda produziu de forma independente seu primeiro EP, "Long Play", que incluía cinco músicas e foi lançado apenas no Peru como uma produção independente. Diversas apresentações em festivais e casas de shows underground se seguiram nos anos seguintes na região de Lima, com a banda como principal atração.
A banda cruzou o Atlântico muito rapidamente, levando sua psicologia cósmica e ensolarada das terras altas peruanas para um público europeu que, com razão, ficou cativado.
Em 2008, seu próximo álbum foi lançado mundialmente, recebendo excelentes críticas em todos os lugares. Explorando as raízes da psicodelia e do space rock, "Nothing To Say" foi finalizado na Alemanha com a melhor masterização possível.
Após o sucesso de "Nothing to Say", a banda retornou ao seu Peru natal para gravar seu álbum mais ambicioso e completo, e de lá o lançou para o mundo. Mas... qual o estilo que essa banda toca que a torna tão popular? Serpentina Satellite possui uma mistura muito especial que agrada a todos que curtem rock, space rock e krautrock. Também é interessante para os amantes do rock psicodélico e até mesmo do stoner rock ou desert rock. Seu estilo é uma combinação perfeita de todos esses elementos, nas doses certas e com a necessária qualidade arrebatadora.

O álbum evoca todas as grandes bandas psicodélicas dos últimos quarenta anos, desde bandas dos anos 70 como Ash Ra Tempel , Amon Düül II e Hawkwind ; passando por algumas bandas dos anos 80 como Monster Magnet e Loop , ou um toque de garage rock dos anos 90, mas acima de tudo, há uma dose generosa de stoner rock cru, denso e afiado.
Sons do espaço sideral misturados com riffs intoxicantes e incendiários mantêm a banda quase completamente no ar por 43 minutos de exploração em voo livre.

"Mecanica Celeste" mostra o Serpentina Satélite expandindo seu repertório, com duas guitarras travando um duelo contínuo, uivando incessantemente. O álbum começa sutilmente, mas logo se aventura em um território mais vigoroso e estrondoso, atingindo seu ápice com a faixa-título. Os vocais, do baixista, são esparsos, e a instrumentação em geral soa como se eles estivessem se divertindo muito. A música central "Imaginez Quel Bonheur ce Sera de Voir Nos Chers Disparus Ressuscités!" (que se dane o nome!) é algo como um interlúdio ritualístico, cujo título é a tradução do francês de algo como: "Imagine que alegria será ver nossos entes queridos mortos ressuscitados."

"Ai Apaec" é uma faixa perfeita para dar continuidade a essa jornada, com uma abertura um tanto melancólica, mas ainda assim muito baseada na estrutura de jams fluidas, como se levadas por uma brisa estrelada. Perto do final da música, o som se dissipa, restando apenas um zumbido do amplificador, que serve como uma descida ainda mais íngreme para a abertura cantada de "Sendero". Com 9:29, é a música mais longa do álbum, passando de uma cadência militar para sua virada característica no meio, quando a banda entra em um som psicodélico pesado e reverberante. "Sendero" é provavelmente a faixa mais memorável de "Mecanica Celeste", mas não é como se a Serpentina Satélite estivesse tentando compor a música perfeita, seja nesta faixa ou no resto do álbum. Simplesmente acontece como costuma acontecer quando os membros da banda têm química e se sentem bem tocando juntos; as melhores coisas simplesmente acontecem. Basta deixar tudo se acalmar e a melhor parte chega, da mesma forma que as frutas amadurecem e, em determinado momento, ficam mais saborosas do que nunca.
 

Lista de Tópicos:
1. Fobos
2. Sangue de Grau
3. Mecânica Celestial
4. Imaginez Quel Bonheur Ce Sera De Voir Nos Chers Disparus Ressuscités!
5. Ai Apaec
6.


Escalação do Sendero:
- Aldo Castillejos / bateria
- Félix Dextre / baixo
- Flavio Castillejos / vozes
- Dolmo / guitarras
- Renato Gómez / guitarras



Esvedra - El Circo de los Fenómenos (2015)

 

Mais uma vez, mergulhamos nos destaques da cena underground aqui no blog. Desta vez, voltamos ao Peru para apresentar a banda Esvedra, agora com seu segundo álbum, um disco baseado nas deformidades de pessoas que eram usadas como principal atração em antigos circos. Um circo que trazia alegria aos corações e ouvidos... e uma banda para recomendar a todos que queiram explorar os novos sons que emergem da América Latina. E não é só isso — temos mais Esvedra para compartilhar! Ah, e este álbum também está disponível para download graças à generosidade dos músicos.

Artista: Esvedra
Álbum: The Circus of the Phenomena
Ano: 2015
Gênero: Rock Progressivo
Duração: 36:20
Nacionalidade: Peru


Houve uma época maravilhosa em que a maioria das bandas underground oferecia sua música gratuitamente, ou com a opção de contribuir livremente com uma quantia em dinheiro, como uma gorjeta, para os músicos que compartilhavam sua arte. Depois, tudo mudou, e as bandas, em geral, começaram a cobrar por seu trabalho, mas ainda temos algumas exceções, graças ao Deus da música e do som. E Esvedra é uma dessas exceções, ainda oferecendo seus álbuns gratuitamente ou com a opção de pagar o valor que você achar apropriado...
 
Originária do Peru, esta banda lançou seu segundo álbum, após a estreia  com "Siddharta", que já apresentamos aqui no blog.
Conheça os músicos...

Vamos falar sobre o conceito do álbum:
Esvedra, uma banda de rock progressivo com influências de rock and roll e psicodélico, é uma banda que tenho orgulho de chamar de lar em Huancayo.
Este mês, a banda lançou seu novo álbum, "El circo de los Fenómenos" (O Circo dos Fenômenos), um álbum baseado nas deformidades das pessoas que eram usadas como principal atração em antigos circos.
Este álbum contém quatro faixas fantásticas, com a faixa-título, "El circo de los Fenómenos", com quase 17 minutos de duração. Esta música reflete perfeitamente o estilo característico da banda, que eles mantêm desde seu álbum de estreia, "Proyecto Siddhartha", outro sucesso, com muitas cópias vendidas internacionalmente.
O lançamento do álbum aconteceu no Ministério da Cultura em Huancayo, com apresentações de várias bandas locais abrindo o evento.
Recomendo muito esta banda para qualquer pessoa que queira explorar novos gostos e sons; Esvedra certamente levará você a uma jornada por territórios luminosos e inexplorados.
Renan Ortiz:

Essa foi a introdução, vamos ao álbum. Mas temos um comentário do nosso sempre presente e involuntário comentarista, que nos diz o seguinte sobre este álbum...

Hoje vamos analisar mais de perto a banda peruana ESVEDRA, uma das figuras mais proeminentes da cena rock provincial, especificamente de Huancayo. O grupo já havia feito uma estreia muito interessante com seu álbum conceitual "Proyecto Experimental Siddhartha" no final de 2013. Seu segundo álbum, "El Circo De Los Fenómenos", foi gravado e mixado no FOA e lançado no blog da banda no Bandcamp em março de 2015. O lançamento físico aconteceu no início de 2016, distribuído pela Sonidos Latentes. O estilo heavy-progressivo cultivado por este trio — composto por Gonzalo Escobar [guitarra], Edgar Gutiérrez [baixo] e Luis Sarapura Garrido [bateria e percussão] — encontra novos caminhos de revitalização sonora ao longo do repertório de "El Circo De Los Fenómenos": vamos aos detalhes a seguir.
O repertório do álbum começa com uma faixa de título conciso, "El Blues", e é exatamente isso: um blues. O trabalho do trio com o tema básico desta canção pode ser descrito como uma releitura do estilo clássico do Jeff Beck Group, infundida com nuances das facetas mais acessíveis de Led Zeppelin e Uriah Heep. Esta faixa é inegavelmente cativante, e é apreciável que, em algumas passagens, ela se incline para um groove jazzístico mais discreto, adicionando um toque de diversidade. A segunda faixa é "Los Belkings (Homenaje)", que é de fato uma homenagem ao legado de Los Belkings, uma banda peruana que, entre meados dos anos 60 e o início dos anos 70, lançou as bases para uma cena de rock-fusion no Peru com sua mistura de rock, ritmos caribenhos, jazz e elementos andinos. A banda foi uma sensação em sua época para os fãs de música popular moderna, e o pessoal do ESVEDRA presta homenagem a eles com este álbum de pouco menos de 9 minutos e meio, traduzindo (e às vezes distorcendo) a energia vibrante que caracterizou a banda que estão homenageando com um estilo stoner-progressivo ágil. O ponto alto do álbum está em sua terceira faixa: a suíte homônima, que ocupa ambiciosos 16 minutos e 45 segundos e pode ser descrita como a colheita das sementes plantadas em seu álbum de estreia. Começa com uma seção tranquila que lembra o Pink Floyd da era 1969-1971, e então segue para uma breve passagem graciosa que poderia ter sido mais longa para explorar completamente seu brilho. De qualquer forma, outra seção lenta surge imediatamente, ostentando um lirismo muito agradável do qual se projeta uma força racionalmente aprimorada, complementando a atmosfera inicial da suíte. Por vezes, surgem breves passagens repletas de energia intensa e pulsante, mas sua principal função é servir de ponte para outra seção, igualmente longa; assim, a extensa terceira parte se apoia no ritmo robusto e deliberado que prevaleceu, agora flertando abertamente com o pós-rock, ao mesmo tempo que adota nuances de hard rock progressivo. Quando a guitarra se envolve em uma névoa solipsista, significa que o trio está preparando um epílogo devastador e eletrizante para os dois minutos finais.
O álbum encerra com "Capitán Santiago Viajando A Través De la Luz Por Espacios Desconocidos" (Capitão Santiago Viajando Através da Luz Por Espaços Desconhecidos), uma faixa marcante que remete ao legado das lendárias bandas argentinas PESCADO RABIOSO e ALMENDRA, sempre com um toque de stoner rock cuidadosamente elaborado. O desenvolvimento melódico e as alternâncias entre o swing extrovertido e as seções contidas são meticulosamente trabalhados: esses dois fatores contribuem efetivamente para um final agradável e empolgante para o álbum. Embora esta resenha esteja um pouco atrasada, devemos concluir com uma avaliação positiva de "El Circo De Los Fenómenos" (O Circo dos Fenômenos), um álbum que demonstra a contínua exploração do estilo musical heavy-progressivo do ESVEDRA, mantendo ao mesmo tempo um som inovador: parabéns a este trio de Huancayo por esta conquista.
 

 

Los Esvedra lançaram um álbum com músicas que, pessoalmente, considero bastante irregulares, já que algumas faixas parecem não se encaixar no som geral. Por exemplo, eu encurtaria bastante a introdução de "El Blues" (ela não parece ter nenhuma relação com o resto do álbum, então não acho que precise ser tão longa), e cortaria algumas outras partes, resultando em um álbum 10 minutos mais curto, mas de altíssima qualidade.

Por ora, deixo vocês com o álbum para que tirem suas próprias conclusões, em mais uma de nossas já conhecidas viagens pela cena musical underground do mundo todo.

Assim, neste álbum, o grupo, que se destaca pela combinação mágica de canções, entrega mais uma obra altamente recomendada que temos o prazer de compartilhar com vocês, disponível para download gratuito no Bandcamp.
Psicodelia, metal e hard rock tradicional são os três ingredientes com os quais o grupo combina sua abordagem única , focando em nuances em vez de virtuosismo instrumental. O álbum mostra uma banda transitando entre a vitalidade do rock e do blues rock e uma languidez cósmica que lembra a melancolia do Pink Floyd . Embora eu não tenha gostado particularmente deste álbum, ele demonstra a criatividade musical presente na música underground em todos os lugares e, ainda assim, é uma obra verdadeiramente notável.

 
Você pode ouvir e baixar o álbum na página deles no Bandcamp:
https://esvedra.bandcamp.com/album/el-circo-de-los-fen-menos

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Lista de faixas:
1. The Blues
2. The Belkings (Tributo)
3. The Circus of Freaks
4. Captain Santiago Traveling Through Light in Unknown Spaces

Formação:
- Luis Sarapura / bateria
- Edgar Gutiérrez / baixo
- Gonzalo Escobar / guitarra e sintetizador



Edensong - Our Road to Dust (2025)

 

Continuamos com os álbuns (quase) desconhecidos e altamente recomendados, e nessa linha temos o terceiro e último álbum de uma banda americana que eu realmente gosto e cujos álbuns já apresentamos aqui. Eles estão de volta depois de vários anos para lançar seu melhor trabalho até agora, e também um dos grandes álbuns deste grande ano, 2025. Aclamado como "um grande exemplo de rock progressivo contemporâneo" por Ian Anderson, do Jethro Tull, o álbum encanta o público com sua fusão de gêneros, apresentando uma poderosa seção rítmica, uma flauta que varia de serena e melódica a vanguardista, harmonias vocais exuberantes e um toque de ambição orquestral. Podemos dizer que eles têm algo para todos os gostos, mas sua mistura soa única e incomparável, às vezes selvagem e outras vezes muito elegante e refinada. É quase como uma versão musical do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, com delicadas passagens folk, momentos intensos de hard rock progressivo, mas sempre com uma forte base folk. Ideal para começar a semana com a melhor música que você pode imaginar, ou até mesmo ouvir. Tudo o que resta é você curtir e se maravilhar com o lançamento mais recente do Edensong.

Artista: Edensong
Álbum: Our Road to Dust
Ano: 2025
Gênero: Heavy prog / Eclectic progressive
Duração: 41:53
Referência: Rate Your Music
Nacionalidade: EUA


Esta banda está na ativa há mais de 20 anos e teve vários membros que entraram e saíram. Portanto, com apenas três álbuns lançados nesse período, não espere muito deles tão cedo. Eles já fizeram shows de abertura para diversos artistas, incluindo Ozric Tentacles , Pain of Salvation , Neal Morse Band e Änglagård , e realizaram suas próprias turnês como atração principal pelos EUA, Inglaterra e Canadá.
Agora, eles estão de volta com seu primeiro álbum desde o lançamento do aclamado "Years in the Garden of Years", de 2016. Este novo lançamento incorpora o som ambicioso, detalhado e eclético que eles cultivaram ao longo dos anos, mas é muito mais pesado, focado e repleto de refrões melódicos cativantes. A banda passou quase uma década desenvolvendo o material para este álbum, e temos em mãos um produto verdadeiramente refinado.

Mais de 40 minutos bem aproveitados; pérolas como esta não aparecem com frequência, e é preciso procurá-las. A grande vantagem é que eu já fiz isso para você, sem cobrar nada.

As influências em sua música são tanto antigas quanto modernas, resultando em uma coleção diversificada de melodias. A inclusão de flautas em algumas faixas traz uma comparação óbvia com artistas como Jethro Tull e Camel . Outros instrumentos incomuns incluem banjo, violino, guitarra portuguesa e o já clássico Mellotron, criando uma produção um tanto eclética, mas cujos componentes principais são passagens inspiradas na música folclórica e uma vibrante gama de hard rock progressivo, energético e, por vezes, beirando o metal progressivo. No entanto, elementos da música folclórica estão sempre presentes, seja como um breve interlúdio ou um motivo instrumental, nunca nos deixando esquecer que essas aventuras musicais também têm uma base folclórica. 

A diversidade das composições torna-se evidente à medida que o álbum avança. Em meio aos momentos intensos , onde chegam a flertar com o djent, com riffs espasmódicos e refrões consistentemente fortes, encontramos diversas passagens acústicas, onde o violão e a flauta são ingredientes vitais, e também uma sucessão de passagens mais oníricas, quase bucólicas, com o que parecem ser referências muito deliberadas a Ian Anderson. No entanto, na maior parte do tempo, a banda opta por evitar os arranjos mais à la Jethro Tull . Encontramos também uma canção que parece mais inspirada pela música clássica em estrutura, forma e execução, com algumas texturas orquestrais, mas onde o estilo e a expressão geral são de natureza completamente diferente.

Encontramos também trechos onde a seção rítmica, em particular, apresenta uma sonoridade jazzística, e, em outro nível, vocais principais e harmonias vocais muito atraentes que devem satisfazer os fãs do rock progressivo clássico. A parte mais pesada do álbum também tende a incluir elementos que exigem um pouco de reflexão para serem assimilados.

Inovador, moderno, energético e extremamente divertido. Por último, mas não menos importante, devemos mencionar a faixa mais longa, que também dá título ao álbum, "Our Road to Dust". Esta faixa é relaxante, com ocasionais explosões de vivacidade, onde a atmosfera é reforçada pela adição do violino. Perto do final da música, o ritmo e a intensidade aumentam para um final emocionante e poderoso, encerrando um álbum digno de aplausos entusiasmados.

Edensong
 lançou uma pequena bomba progressiva com um som peculiar, uma visão incomum que explode em sua cara, oferecendo uma mistura concentrada que combina o poder do hard rock progressivo com uma melancolia devastadora.




Há muitas mudanças. As múltiplas alterações de ritmo e estilo são executadas com maestria. Este é um daqueles álbuns que agradará a um público mais amplo interessado em rock progressivo, especialmente aqueles que normalmente apreciam rock progressivo pesado e rock progressivo com forte influência folk.

Você pode ouvir o álbum na página deles no Bandcamp:
https://lasersedge.bandcamp.com/album/our-road-to-dust


 

Lista de faixas:
1. Of Ascents (1:36)
2. The Illusion of Permanence (6:10)
3. These Old Wounds (6:36)
4. Black Crow (4:51)
5. Hall of Statues (5:27)
6. Book of Complaints (3:27)
7. Of Ascents (Reprise) (2:02)
8. Wykkr Bäsct (3:48)
9. Our Road to Dust (7:56)

Formação:
- James Byron Schoen / guitarras, vocais
- TD "BenBen" Towers / baixo, vocais
- Barry Seroff / flautas
- Nick DiGregorio / bateria, percussão




Destaque

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