segunda-feira, 1 de junho de 2026
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Recordando o Maxi-Single ''Amor'' dos Heróis do Mar de 1982.
Skid Row – Subhuman Race [1995]
![Skid Row – Subhuman Race [1995]](https://d2q9lgeqx691v0.cloudfront.net/content/2025/05/skid-row00.jpg)

Subhuman Race é o terceiro álbum de estúdios da banda norte-americana Skid Row, lançado em maio de 1995, através do selo Atlantic. Slave to the Grind, segundo disco do Skid Row, foi lançado em junho de 1991 e estreou em primeiro lugar na Billboard 200, alcançando o status de platina-dupla (2 milhões de cópias vendidas) sem nenhum single de sucesso nas rádios.
Após o fim da turnê Slave to the Grind (em fevereiro de 1993, na Austrália) na qual a banda novamente abriu para o Guns N’ Roses, o Skid Row entrou em um hiato prolongado por recomendação de seu empresário Doc McGhee em uma espécie de “esperar o movimento grunge desaparecer”. Em 1994, a banda retornou ao estúdio com o produtor Bob Rock para gravar seu terceiro álbum Subhuman Race. Lançado durante o declínio do hard rock e do heavy metal, Subhuman Race marcou uma mudança significativa no som da banda, com Bob Rock substituindo Michael Wagener como seu produtor, e assemelhando-se a uma mistura de heavy metal com influências de grunge, alternativo, punk rock, thrash metal e groove metal. Também foi considerado um álbum mais sombrio que trabalhos anteriores.


A banda era formada por Sebastian Bach nos vocais, Scotti Hill e Dave ‘Snake’ Sabo nas guitarras, Rachel Bolan no baixo e Rob Affuso na bateria. Este é o último álbum do Skid Row com o vocalista Sebastian Bach e o baterista Rob Affuso, e o último a ser lançado pela Atlantic. Com vocais mais agressivos de Bach e um peso maior que o habitual no Skid Row, “My Enemy” começa bem o álbum.
“Firesign” é mais cadenciada, entretanto, não abre mão do peso. Pode parecer exagero, mas em “Bonehead”, o Skid Row flerta até com o Thrash Metal. “Beat Yourself Blind” traz uma sonoridade pesada, bem dos anos 1990s. “Eileen” lembra mais a musicalidade original do grupo. “Remains to Be Seen” é uma música com a cara dos anos 1990, com peso e agressividade. A faixa-título é bem pesada e com forte
influência do metal noventista.


“Frozen” segue a mesma pegada, uma faixa intensa e com boas doses de peso. “Into Another” é mais suave, uma balada agradável, mas nada memorável. “Face Against My Face” tem mais cara de Rock alternativo, sendo bem mediana. “Medicine Jar” segue a sonoridade majoritária do disco, com bastante peso. “Breakin’ Down” é uma canção que também flerta com o alternativo, sendo bonita. “Iron Will” é uma faixa intensa que encerra o disco.
Subhuman Race marca um ponto de viragem na carreira do Skid Row e do seu então vocalista, Sebastian Bach. Ao abraçar diferentes sonoridades, a banda experimenta bastante ao longo das 13 faixas. Ela deixa de lado o Hard/Glam, e explora especialmente o Heavy Metal e o Rock alternativo. Isto origina faixas incríveis como “Bonehead” e “My Enemy”, e até “Brekin’ Down”, também muito boa. Outras como “Face Against My Face”, são esquecíveis, mas o resultado final acaba sendo positivo.

Subhuman Race ficou com a 8ª colocação na principal parada britânica enquanto atingiu a 35ª posição da sua correspondente norte-americana. Para promover o Subhuman Race, o Skid Row apoiou o Van Halen (em sua turnê Balance) na América do Norte. Após o álbum e a turnê, o grupo lançou um EP ao vivo (inclusive aqui no Brasil) intitulado Subhuman Beings on Tour, com performances ao vivo da turnê. A banda praticamente não tocou nenhuma música de Subhuman Race desde a turnê do álbum em 1995-1996, embora Bach as tenha tocado ocasionalmente em suas turnês solo, incluindo “Beat Yourself Blind”, “Frozen” e os singles “My Enemy”, “Into Another” e “Breakin’ Down”. “Beat Yourself Blind” foi a única música deste álbum a ser tocada ao vivo desde a saída de Bach, até ZP Theart tocar “Medicine Jar” em 2018, enquanto “Remains to Be Seen” nunca foi tocada ao vivo.


Como o álbum estreou na 35ª posição na Billboard 200, e nela permanecendo por nove semanas, isto representou uma queda significativa em relação à estreia no 1º lugar de Slave to the Grind. Em julho de 1999, Subhuman Race havia vendido 165 mil cópias, ficando significativamente atrás de seus trabalhos anteriores. Subhuman Race recebeu críticas mistas a positivas dos jornalistas musicais. Nesse ponto, a banda passou a se apresentar em locais menores e seus vídeos raramente eram exibidos na MTV, em parte por causa do aumento da popularidade do grunge e do subsequente declínio do estilo de heavy metal dos anos 1980.
Eventualmente, Sebastian Bach foi demitido da banda no final de 1996, após uma discussão com Rachel Bolan, que recusou uma vaga de abertura na turnê de reunião do Kiss, embora Bach já a tivesse garantido. Os outros membros da banda disseram a Bach que o Skid Row era grande demais para ser uma banda de abertura e que eles não fariam o show. Bach então deixou uma mensagem na secretária eletrônica de Snake dizendo-lhes que a banda nunca seria grande demais para abrir para o Kiss, junto a uma série de insultos; isso resultou em Snake dizendo a Bach que ele nunca mais trabalharia com ele. Portanto, o Skid Row nunca mais teve a importância a qual possuía na virada dos anos 80 para os 90, e Sebastian Bach se lançou em uma carreira solo bem voltada para o metal.

Faixas
1. My Enemy (Hill/Affuso/Bolan) – 3:38
2. Firesign (Bach/Hill/Bolan/Sabo) – 4:54
3. Bonehead (Bolan/Sabo) – 2:16
4. Beat Yourself Blind (Bach/Hill/Bolan/Sabo) – 5:02
5. Eileen (Bach/Affuso/Bolan/Sabo) – 5:36
6. Remains to be Seen (Hill/Bolan/Sabo) – 3:34
7. Subhuman Race (Hill/Bolan/Sabo) – 2:40
8. Frozen (Bolan/Sabo) – 4:43
9. Into Another (Bolan/Sabo) – 4:02
10. Face Against My Soul (Bach/Affuso/Bolan/Sabo) – 4:20
11. Medicine Jar (Hill/Bolan/Sabo) – 3:36
12. Breakin’ Down (Sabo) – 4:30
13. Iron Will (Hill/Affuso/Bolan/Sabo) – 7:43
10 discos essenciais – Pós-punk
Surgido no final dos anos 1970, o pós-punk foi uma reação à simplicidade crua do punk rock. Em vez de seguir os três acordes da rebeldia, buscou expandir as possibilidades sonoras com experimentações, letras profundas e uma gama ampla de influências. Se o punk gritava revolta, o pós-punk murmurava desilusão, com ritmos fragmentados, guitarras cortantes, baixos inspirados no dub e sintetizadores gélidos.
O gênero surgiu no Reino Unido por volta de 1977–1978, quando bandas como Public Image Ltd. (liderada por John Lydon, ex-Sex Pistols), Magazine e Wire começaram a ultrapassar as limitações estéticas do punk. Mantinham sua energia, mas incorporavam art rock, funk, reggae, música eletrônica e até jazz. Nas letras, predominavam o existencialismo, o intelectualismo e um pessimismo urbano.
Um dos primeiros e mais influentes discos do estilo foi Metal Box (1979), do Public Image Ltd., que desmontava a estrutura do rock com linhas de baixo pesadas e arranjos abstratos. Unknown Pleasures (1979), do Joy Division, adicionou uma atmosfera sombria e introspectiva que moldaria a estética emocional do gênero. Na mesma época, The Cure, Siouxsie and the Banshees e Bauhaus apontaram para um caminho mais gótico, dando origem ao goth rock (rock gótico).
O pós-punk tornou-se rapidamente um terreno fértil para a inovação. Ainda no Reino Unido, Gang of Four unia teoria marxista a riffs cortantes de eguitarra. The Fall, com o vocal errático de Mark E. Smith (1957-2018), seguia uma rota abrasiva. Já nos EUA, enquanto os Talking Heads misturavam arte e ritmos africanos, bandas como Television, Pere Ubu e Mission of Burma deram ao gênero uma identidade americana peculiar.
O auge do pós-punk ocorreu entre 1979 e 1983, quando diversas bandas chegaram ao público mainstream. Mas, a partir de meados dos anos 1980, muitas se dissolveram ou migraram para um som mais comercial, próximo ao new wave. O termo “pós-punk” caiu em desuso, mas sua influência persistiu no rock alternativo, no indie e até na música eletrônica.
No início dos anos 2000, bandas como Interpol, The Rapture e Franz Ferdinand trouxeram o pós-punk de volta, com um olhar contemporâneo e nostálgico. Hoje, o legado do estilo segue vivo em nomes como IDLES, Dry Cleaning e Protomartyr, que mantêm acesa sua chama inquieta.
Abaixo, segue dez álbuns que ajudam a compreender o pós-punk.
Real Life (Virgin Records,1978). Magazine. Real Life é o álbum de estreia do Magazine, banda britânica liderada pelo vocalista Howard Devoto, ex-Buzzcocks. O disco combina a energia do punk com elementos de art rock e sintetizadores, criando uma sonoridade sofisticada. Faixas como "Shot by Both Sides", "The Light Pours Out of Me" e "Motorcade" destacam-se por suas composições complexas e letras introspectivas. O álbum foi bem recebido pela crítica e é considerado um dos primeiros e mais influentes registros do pós-punk.
The Modern Dance (Blank Records, 1978), Pere Ubu. Primeiro álbum de estúdio da banda americana Pere Ubu, The Modern Dance é amplamente reconhecido por sua abordagem experimental dentro do pós-punk. Combinando elementos de punk, art rock e música eletrônica, o disco apresenta faixas como "Non-Alignment Pact", "Modern Dance" e "Street Waves", caracterizadas por estruturas não convencionais e atmosferas desafiadoras. A sonoridade única do álbum influenciou uma série de artistas e bandas posteriores, consolidando o Pere Ubu como uma força inovadora no cenário musical. Embora não tenha sido um sucesso comercial, The Modern Dance é considerado um marco na história do pós-punk e da música experimental.
Entertainment! (EMI, 1979), Gang of Four. Considerado uma das obras mais influentes do pós-punk, Entertainment!, álbum de estreia da Gang of Four, não só foi referência para bandas europeias e americanas desse segmento como também para bandas do rock brasileiro dos anos 1980 como Legião Urbana, Titãs, Ira!, Picassos Falsos e Fellini. Combinando letras politizadas com uma sonoridade que mescla punk, funk e dub, o disco apresenta faixas como "Damaged Goods", "Anthrax" e "I Found That Essence Rare". A crítica elogiou a abordagem inovadora e a energia crua do álbum, que, embora não tenha alcançado grandes números de vendas, consolidou-se como uma referência para bandas posteriores e figura em diversas listas de melhores álbuns da década de 1980.
Metal Box (1979), Public Image Ltd. Após deixas os Sex Pistols em 1978, Johnny Rotten assumiu seu nome de batismo, John Lydon, funda em maio do mesmo ano a banda pós-punk Public Image Ltd. ( ou PiL), e mergulha de cabeça em sons experimentais, com influências de dub e krautrock. Metal Box, segundo álbum de estúdio do Public Image Ltd., é uma obra seminal do pós-punk, marcando uma ruptura radical com o punk tradicional. O álbum é notório por sua embalagem original: três discos de vinil em uma lata metálica, simbolizando sua abordagem não convencional. Faixas como "Albatross", "Poptones" e "Careering" destacam-se por suas estruturas desafiadoras e atmosferas densas. Apesar de não alcançar grande sucesso comercial, o álbum foi aclamado pela crítica e é frequentemente citado como um dos mais influentes do gênero do pós-punk, figurando em listas como a dos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos" da revista Rolling Stone.
Unknown Pleasures (Factory Records,1979), Joy Division. Marco do pós-punk, Unknown Pleasures é o álbum de estreia do Joy Division, e logo de cara, apresenta elementos que caracterizariam a banda britânica como a sonoridade sombria e minimalista, e a voz melancólica de Ian Curtis. Faixas como "Disorder", "She's Lost Control" e "New Dawn Fades" exemplificam a atmosfera introspectiva e a inovação sonora do grupo. O álbum ganhou reconhecimento ao longo do tempo, influenciando inúmeras bandas e sendo considerado um clássico cult.
Y (Radar Records,1979), The Pop Group. Produzido por Dennis Bovell, Y, álbum de estreia do The Pop Group, traz uma fusão ousada de punk, funk, dub e experimentalismo. Faixas como "She Is Beyond Good and Evil", "Thief of Fire" e "We Are Time" desafiam convenções musicais com suas estruturas irregulares e letras politizadas. Embora tenha recebido críticas mistas inicialmente, Y é agora considerado um marco do pós-punk, influenciando uma geração de músicos e sendo incluído em listas de álbuns essenciais da década de 1970. Sua abordagem inovadora e energética continua a ressoar com novos ouvintes e críticos.
Crocodiles (Korova, 1980), Echo & the Bunnymen. Em seu primeiro álbum de estúdio, Crocodiles, a banda Echo & The Bunnymen estabelece a base para o seu som característico. Com faixas como "Rescue", "Pictures on My Wall" e "Villiers Terrace", o disco apresenta uma combinação de guitarras atmosféricas, linhas de baixo envolventes e vocais expressivos de Ian McCulloch. A sonoridade do álbum é marcada por uma mistura de melancolia e energia, criando uma atmosfera única dentro do pós-punk. Crocodiles alcançou a 17ª posição nas paradas britânicas e foi posteriormente certificado com disco de ouro. O álbum é amplamente reconhecido como uma das estreias mais impactantes do gênero, figurando em listas como a dos "1001 Álbuns que Você Deve Ouvir Antes de Morrer".
In the Flat Field (4AD, 1980), Bauhaus. Frequentemente citado como o ponto de partida do rock gótico, In the Flat Field, álbum de estreia do Bauhaus, possui uma sonoridade crua e intensa. Por meio de faixas como "Double Dare", "God in an Alcove" e a faixa-título "In the Flat Field", o álbum combinam guitarras distorcidas, linhas de baixo pulsantes e a voz dramática de Peter Murphy. A atmosfera sombria e teatral do álbum estabeleceu uma nova estética dentro do pós-punk, influenciando inúmeras bandas subsequentes.
Juju (Polydor, 1981), Siouxsie and the Banshees. Juju é frequentemente considerado o ápice criativo do Siouxsie and the Banshees. Combinando a energia do pós-punk com uma atmosfera sombria e gótica, o álbum apresenta faixas como "Spellbound", "Arabian Knights" e "Night Shift", que exemplificam sua sonoridade distinta. A produção é marcada por guitarras angulares, ritmos tribais e a voz hipnótica de Siouxsie Sioux. O álbum foi bem recebido pela crítica e alcançou sucesso comercial moderado, consolidando-se como uma influência significativa para o desenvolvimento do rock gótico.
Pornography (Fiction Records, 1982), The Cure. Com uma sonoridade densa e angustiante, Pornography reflete o estado emocional turbulento da banda durante sua gravação. Faixas como "One Hundred Years", "A Short Term Effect" e "Cold" exemplificam a atmosfera opressiva e introspectiva do disco. Apesar de não ter sido amplamente aclamado pela crítica na época de seu lançamento, Pornography alcançou a oitava posição nas paradas britânicas e, com o tempo, ganhou status de clássico cult. Sua influência é evidente em diversos grupos do gênero gótico e pós-punk, consolidando-se como uma obra fundamental na discografia da banda.
Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro (Warner, 2000) Nando Reis
No início dos anos 2000, Nando Reis vivia uma encruzilhada. Ainda era um Titã, mas a convivência dentro da banda se tornava cada vez mais desgastante. Depois da densidade de Titanomaquia que gerou divergências suas com os suas com os seus companheiros de banda a partir de então, Nando percebia que sua pulsão criativa seguia por outro caminho: mais íntimo, romântico, repleto de imagens que nasciam da memória, da infância, da vida em família. Esse contraste entre o peso dos Titãs e a delicadeza das canções que floresciam em seu violão fez nascer Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro, segundo álbum solo do cantor e compositor, lançado em 2000.
O título já sugere uma busca, quase uma fábula: o arco-íris como metáfora para a pluralidade de cores sonoras e o pote de ouro como a promessa de reconhecimento. Curiosamente, esse pote só seria encontrado anos depois, quando Nando enfim consolidou sua carreira solo após sair definitivamente dos Titãs, em 2002. Mas o disco de 2000 é o momento em que o arco-íris aparece inteiro no céu: todas as tonalidades de sua identidade musical já estavam ali, mesmo sem o brilho imediato do sucesso.
Gravar um disco de baladas apaixonadas em Seattle parecia uma contradição. A cidade que pariu Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam, berço do grunge, abrigaria um projeto mais próximo de Neil Young, R.E.M. e do folk-pop do que da distorção desesperada. Mas é justamente nesse contraste que o álbum encontra sua força.
A parceria com Jack Endino, produtor de Bleach do Nirvana, deu a Nando a moldura sonora que procurava. Endino não domesticou as canções, mas também não as revestiu de sujeira grunge: abriu espaço para que a voz doce e rouca do cantor se misturasse a violões de aço, teclados vintage e texturas que evocam tanto os anos 1970 quanto a modernidade dos anos 1990. Ao lado dele estavam músicos de peso: Barrett Martin (ex-Screaming Trees, depois no R.E.M.), que trouxe bateria, vibrafone e até instrumentos étnicos; Peter Buck (guitarrista do R.E.M.), que acrescentou bandolim e viola de 12 cordas; e Alex Veley, tecladista que enriqueceu a tapeçaria com Hammond, Wurlitzer e Fender Rhodes.
Esse encontro resultou num álbum híbrido: brasileiro na alma, americano na sonoridade. Um disco em que a delicadeza das letras se apoia numa instrumentação vigorosa, capaz de unir folk, rock alternativo, MPB e até toques de soul.
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| Nando Reis, o produtor Jack Endino de camisa branca e músicos no estúdio durante o processo de gravação do álbum em 2000. |
O disco oscila entre um romantismo quase pueril e um lirismo maduro. As imagens de Nando – estrelas, sapatos, frases azuis, arco-íris – podem soar simples, mas carregam uma carga emocional de grande intensidade. Essa estética do cotidiano em hiperclose, como se fotografasse detalhes que outros não percebem, dá ao álbum sua marca pessoal.
“Dessa Vez” abre o álbum em tom de serenidade enganosa, como quem acende a luz de um quarto em penumbra e revela o espaço aos poucos. O bandolim de Peter Buck, delicado como um traço impressionista, encontra o violão de Nando num diálogo que parece caminhar em círculos, sempre retornando à primeira centelha de um amor. Há uma leveza que não disfarça a intensidade: é a promessa de recomeço, de redescoberta, de renovação constante.
“All Star” transforma um tênis gasto em símbolo eterno. A simplicidade cotidiana vira poesia quando atravessada pelo amor; a harpa de Cristina Braga, cintilante, cria uma atmosfera quase sobrenatural, como se o objeto fosse transfigurado em relíquia. A canção é direta, sem ornamentos desnecessários, mas a delicadeza da entrega a faz soar universal, capaz de alcançar qualquer ouvido que já tenha amado.
“Hey, Babe” rompe a suavidade e convoca a festa. A voz de Cássia Eller surge rasgando o espaço, enquanto Rogério Flausino empresta brilho pop. O que começa como folk logo se expande em groove, teclados pulsantes, guitarras ascendentes, percussão urgente. É a celebração do encontro em sua forma mais elétrica, o momento em que o disco respira com intensidade roqueira.
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| A faixa "Hey, Babe" conta com as participações especiais de Rogério Flausino e Cássia Eller. |
“Frases Mais Azuis” é onde a parceria com Peter Buck se torna incontornável. A guitarra clara, cristalina, assume papel de guia, conduzindo a melodia como um rio sereno. Nando despeja poesia em versos que oscilam entre melancolia e luminosidade, criando um folk-rock que poderia facilmente habitar um disco do R.E.M.
“O Vento Noturno do Verão” sopra com delicadeza tropical, carregando perfumes da MPB. Feita para Gal Costa, traz a sensação de noites mornas, banhadas em sofisticação harmônica. É canção de atmosfera, de imagens sensoriais, mais contemplação do que narrativa.
Na faixa-título, “Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro”, Nando alcança sua essência lírica. Ingênua em superfície, devastadora em profundidade, a canção cresce com guitarras de sabor alt-country e traduz o manifesto do álbum: a busca incessante pelo amor total, mesmo que ele permaneça inalcançável.
“Nosso Amor” surge como balada folk rock com raízes em Seattle, mais crua, mais urgente. A melodia parece simples, mas carrega tensão subterrânea que explode na execução. É o romantismo vestido em couro, feito de ternura e nervo.
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| Detalhe da imagem da contracapa do álbum. |
“No Recreio” resgata o amor como refúgio, casa, abrigo. A batida folk acelerada imprime urgência, como se o sentimento precisasse ser vivido agora, sem demora. É a promessa de pertencimento eterno, de mãos dadas contra o tempo.
“Relicário” encerra o disco como peça rara, inventário da memória afetiva. As cordas de Glauco Fernandez a envolvem em aura espiritual, enquanto a voz de Nando ecoa quase em oração. Mas foi no timbre rasgado de Cássia Eller que a canção se tornou definitivo clássico. O fim do álbum, paradoxalmente, abre para a eternidade.
Apesar da força estética do álbum, Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro não projetou Nando ao estrelato solo imediato. A consagração viria apenas em 2003, com A Letra A, já livre dos Titãs.
O “pote de ouro” do sucesso viria depois, em 2003, com a consagração através do disco A Letra A, já livre dos Titãs. Mas em Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro estão as cores que o anunciavam. Ao revisitar o disco hoje, percebe-se que a busca de Nando não era por reconhecimento imediato, mas por autenticidade. E nesse sentido, Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro é um triunfo silencioso: o momento em que um artista, ainda preso a uma banda gigante, já se libertava pelas próprias canções.
Faixas
Todas as faixas escritas por Nando Reis.
- "Dessa Vez"
- "All Star"
- "Hey, Babe"
- "Quem Vai Dizer Tchau?"
- "Frases Mais Azuis"
- "O Vento Noturno do Verão"
- "Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro"
- "Nosso Amor"
- "Eles Sabem"
- "No Recreio"
- "Relicário"
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