"Postcard From Jamaica" foi o segundo single, lançado em 1967. Gravado em Nova York, assim como a maior parte do primeiro álbum. A foto da capa foi tirada no auge do inverno em Washington Square, Nova York.
Durante a estadia no Village, eles tocaram no Night Owl Cafe, se hospedaram no Albert Hotel e fizeram uma turnê pela Costa Leste com o Lovin' Spoonful.
O terceiro single (1967) e a última tentativa de emplacar outro sucesso antes da banda deixar a Kama Sutra foi
"Saga of the Low Down Let Down", composta por William Sievers.
Yeti foi mais um álbum importantíssimo para o meu desenvolvimento musical e para a minha apreciação do underground europeu. Depois de adquirir a reedição em LP pela Strand no meu último ano de faculdade, ouvi o álbum incessantemente durante o resto da década de 80. As audições tornaram-se mais esporádicas nos anos 90 e não tenho nenhum registro recente de tê-lo ouvido nos últimos 20 anos. Comprei o CD pouco depois do lançamento, o que me leva a crer que a última vez que o ouvi na íntegra foi em 2001 ou 2002. Álbuns cinco estrelas merecem mais atenção do que isso.
Para ser sincero, nunca me afeiçoei muito ao lado A. É o Amon Düül II em sua fase mais focada em canções, algo que eles aprimorariam posteriormente (veja minha resenha de Carnival in Babylon). As coisas ficam bem mais interessantes na empolgante "Archangels Thunderbird" e na jam de Krautrock com influências de raga indiana em "Cerberus". Aí a verdadeira festa começa, com o efeito das drogas em "Eye-Shaking King" e alguns interlúdios chapados em cada lado. Tudo isso culmina na monstruosa faixa-título, que ocupa todo o lado do disco. Essa é uma daquelas jams que definem o Krautrock, em vez de imitá-lo. É a jam perfeita que você imagina quando ouve o termo Krautrock Cósmico. E ela entrega isso de forma absolutamente belíssima. Quando as primeiras notas de guitarra amplificadas chegam às caixas de som, você sabe que não vai voltar a este planeta tão cedo. Ela simplesmente se entrega de corpo e alma , da mesma forma que o Ash Ra Tempel e o Guru Guru faziam em seus primeiros trabalhos. O encerramento relaxante com órgão é tão envolvente quanto a floresta de cristal na qual você entrou sem querer, mas da qual não quer sair. Não importa quantas bandas modernas tenham tentado replicar esse som, existe uma atmosfera intrínseca que simplesmente não pode ser reproduzida, independentemente da pureza de suas intenções. O lado B continua com tudo isso, e o encerramento com a voz feminina e poderosa de Renate, sem palavras, a bateria hiperativa e os solos de guitarra com efeito de phasing vão te deixar caído no chão. E o chão é exatamente onde você quer estar para curtir a suave jam de raga indiana com alguns dos integrantes originais da comuna Amon Düül, incluindo flauta. Boa noite.
Paradieswärts Düül (1971)
Durante a maior parte da minha vida como colecionador de discos, me senti meio que um apologista deste álbum. Amon Düül é o grupo original da comuna que mais tarde daria origem ao muito mais interessante Amon Düül II. Quase toda a sua produção musical vem de uma jam session de bateria do final dos anos 60 que parecia durar dias. Quatro álbuns foram extraídos dessas sessões, e todos se provaram difíceis de ouvir. Eles não foram concebidos para serem ouvidos em casa, e seu propósito era tanto a liberdade artística quanto a política de esquerda. Atividades semelhantes aconteciam nos lofts de Greenwich Village e Soho, em Nova York, durante esse período.
A exceção, claro, é Paradieswaerts Duul. Trata-se de uma gravação à parte, muito mais agradável e em sintonia com alguns dos grupos mais folk da época, como Emtidi, Broselmaschine e Hoelderlin. Com participações especiais de Amon Düül II e Xhol Caravan, a música flui de forma sinuosa, sem pressa, mas estranhamente satisfatória. Não tenho certeza se um álbum como este, fora de seu contexto histórico, mereceria tanta atenção. Mas é justamente esse aspecto de tempo e lugar que o torna cativante e uma parte importante de uma coleção completa de Krautrock.
Carnival in Babylon (1972)
Tenho um amigo no RYM que declara: "Desculpe, mas se você não gostar deste álbum, você é estúpido" . Isso me fez rir muito. Talvez eu não tivesse dito exatamente da mesma forma, mas, mesmo assim, há algo a se considerar nessa premissa. Na verdade, Carnival in Babylon mostra o Amon Düül II passando de uma banda de Krautrock chapada e focada em longas jams para compositores de rock progressivo reflexivos. Para falar a verdade, as músicas curtas dos três primeiros álbuns eram meros acréscimos e pareciam atrapalhar o que eles faziam de melhor. Ainda há alguns vestígios do passado deles aqui e ali, em particular em "Hawknose Harlequin", mas, fora isso, este álbum é muito mais sutil em seu brilho. Aliás, quando ouvi o LP pela primeira vez em meados dos anos 80 — depois de já ter os três primeiros álbuns — fiquei profundamente decepcionado. Só anos depois é que parei para entender que eles não eram mais a mesma banda do passado. Mais de 30 anos depois, cheguei à conclusão de que Carnival in Babylon está quase no mesmo nível de Tanz der Lemminge, algo que eu teria desprezado anos atrás. Menção especial deve ser feita aos guitarristas Weinzierl e Karrer, que tiveram performances exemplares nesta gravação.
O CD oferece duas longas faixas bônus, ambas modernas, que não são creditadas em nenhum lugar. Achei essas faixas muito mais interessantes do que o que o Amon Düül II vem lançando nos últimos tempos, e isso mostra que a banda poderia ter continuado relevante mesmo depois dos anos 70.
Phallus Dei (1969)
Vou deixar que um artigo de jornal de mais de quatro décadas atrás escreva a minha resenha hoje. O Süddeutsche Zeitung, que por acaso é o maior jornal diário por assinatura da Alemanha, segundo a Wikipédia, disse certa vez: "Amon Düül II é uma banda pop que não precisa se esquivar de comparações com Pink Floyd ou Velvet Underground, mas eles são muito melhores, mais influentes e mais progressistas do que seus equivalentes ingleses e americanos." Bom, acho que meu trabalho por aqui está feito.
Como mencionei abaixo, possuo a edição da Sunset. O que é ótimo nessa versão é a contracapa, que é hilária. A Sunset era conhecida por lançar música pop adulta. O que diabos eles estavam pensando quando colocaram o Amon Düül II no selo com o título nada disfarçado de Dick God? Eu sempre imaginei algum velho rabugento com um cachimbo, todo animado na loja de discos do shopping: "Olha, Edna, um álbum novo na Sunset! Preciso comprar!" . Imagine a cena lá em casa.
Boyzone foi um grupo vocal irlandês. O grupo era composto por Ronan Keating, Keith Duffy, Shane Lynch e Mikey Graham. O Boyzone foi um dos grupos de maior sucesso na Irlanda e no Reino Unido na década de 1990. Os seus dois vocalistas principais eram Ronan Keating e Stephen Gately.
O Boyzone foi formado em 1993 por Louis Walsh, que também é conhecido por empresariar Johnny Logan e Westlife.[1] Antes mesmo de gravar todo o material, fizeram uma aparição no programa The Late Late, do canal RTÉ . O grupo se separou em 1999, após ter lançado três álbuns de originais e uma coletânea.
O Boyzone fez um retorno em 2007, originalmente com a intenção de apenas fazer turnês. Stephen Gately morreu em 10 de outubro de 2009, de causas naturais, durante as suas férias que passava na ilha espanhola de Maiorca com o seu parceiro civil, Andrew Cowles.[2]
Em 2012, o Oficial Charts Company revelou os maiores artistas de venda de singles na história das paradas de música britânica, sendo que o Boyzone ficou no 29.º posto e fazendo do grupo o segundo boy group de maior sucesso na Grã-Bretanha até então, ficando apenas atrás do Take That.[3]
Até à data, o Boyzone lançou sete álbuns de estúdio e nove álbuns de compilação. Com base nas certificações da BPI, eles já venderam mais de 50 milhões de discos só no Reino Unido e mais 50 milhões no resto do planeta, incluindo a Ásia, somando mais de 100 milhões de cópias vendidas a nível mundial.[4] Após a volta e alguns álbuns lançados, o Boyzone lança em 2018 o ábum Thank you & Good Night e anunciou que após a turnê do álbum o grupo encerraria suas atividades de uma vez por todas. Em 25 de outubro de 2019, o Boyzone chegou ao fim.
"Robert Johnson foi o mais importante cantor de blues que já viveu."
Eric Clapton
Ele pode não ter sido o inventor do blues, mas com certeza é seu nome mais importante. Sei que existe um B.B. King, existe um Hooker, um Diddley, um Sonny Boy... Sei, sei. Mas nada se compara à técnica, à genialidade, à singularidade, à sua lenda. Robert Johnson é daqueles músicos inovadores na sua arte. Daqueles caras que são divisores de águas, tipo: até ali a coisa era assim, a partir dali... Johnson mudou a batida do gênero, mudou o tom tradicional, saiu do trivial, e tudo isso só com um violão, que diga-se de passagem, reza a lenda, era velho e de péssima qualidade. A propósito, não só o próprio R.J. por si só já é legendário, como muitos fatos que o cercam tem versões duvidosas e mal contadas: a começar pela sua data de nascimento, totalmente imprecisa, com registros de 1909, 1912, mas em princípio considerada oficialmente como 8 de maio de 1911; tem essa do violão, que além de ruim, diz-se, teria cordas enferrujadas quando Johnson fez as gravações (e no entanto, saiu o que saiu); outra é sobre as da versões de sua morte, prematura, aos 27 anos; uma delas atribuída a um uísque envenenado por um marido ciumento cuja esposa teria tido algo com Johnson; outra versão dá conta que teria levado um tiro por circunstâncias semelhantes; numa outra, pneumonia; em outra, sífilis; em outra ainda que teria sido encontrado urrando no corredor de um hotel e então ali morrido; o fato é que na certidão de óbito só consta "sem médico". Mas independente da causa mortis oficial, independente do modo como tenha acontecido, conta outra lenda, a mais impressionante e sobrenatural delas e a mais conhecida, que teria acontecido tão cedo, com apenas 27 anos de vida, por causa do resgate de uma dívida de Johnson com o demônio, que teria cobrado a alma prometida pelo cantor em um suposto pacto, que tivera o objetivo de obter talento e sucesso na carreira de cantor. Há uma outra ainda, vinculada à esta última, que sugere que haveria uma trigésima música (Johnson só gravou 29 canções) que teria ficado 'presa' em uma encruzilhada, onde o blueseiro teria feito seu trato maligno. Aliás, títulos como "Me & My Devil Blues" e "Crossroad Blues" que ajudam a alimentar a lenda. A história do pacto é tão conhecida, tão rodeada de uma aura fantástica e poética que inspirou, por exemplo, músicas como "Mississipi" de Celso Blues Boy e o filme "A Encruzilhada" que conta exatamente a história de um rapaz que procura a tal da 30° música de Johnson. Demais é o duelo de guitarras do garoto contra o demônio, que no filme é nada menos que Steve Vai. Mas voltando à obra de Robert Johnson, não há um álbum propriamente dito, já que todas as canções foram gravadas em 1936 e 1937 e na época as gravações era em compactos com uma ou duas músicas apenas. A compilação definitiva com todas as faixas (possíveis) e seus outtakes saiu em 1990 numa bela caixa em edição de luxo com dois CD's chamada "The Complete Recordings", e, amigos, esta caixa é fundamental. Ali está toda a essência do blues e o alicerce do rock. Tem ali toda a alma, a batida, o ritmo, a melancolia e a beleza. Todas as 41 faixas são bala, mas as minhas favoritas são "When You Got a Good Friend", "Sweet Home Chicago" e "They're Red Hot", só pra citar algumas. Robert Johnson é ainda hoje um dos nomes mais influentes do blues frequentemente citado e gravado por uma porrada de músicos de rock, nos seus mais variados estilos e qualidade, como Rolling Stones, Simply Red, Eric Clapton, White Stripes, Red Hot Chilli Peppers, Led Zeppelin, entre tantos outros. **********************************
FAIXAS: ROBERT JOHNSON- THE COMPLETE RECORDINGS (1936-1937) Disco 1 1. Kind Hearted Woman Blues 2:49 2. Kind Hearted Woman Blues (alternate take) 2:31 3. I Believe I'll Dust My Broom 2:56 4. Sweet Home Chicago 2:59 5. Rambling on My Mind 2:51 6. Rambling on My Mind (alternate take) 2:20 7. When You Got a Good Friend 2:37 8. When You Got a Good Friend (alternate take) 2:50 9. Come On in My Kitchen 2:47 10. Come On in My Kitchen (alternate take) 2:35 11. Terraplane Blues 3:00 12. Phonograph Blues 2:37 13. Phonograph Blues (alternate take) 2:35 14. 32-20 Blues 2:51 15. They're Red Hot 2:56 16. Dead Shrimp Blues 2:30 17. Cross Road Blues 2:39 18. Cross Road Blues (alternate take) 2:29 19. Walkin' Blues 2:28 20. Last Fair Deal Gone Down 2:39
Disco 2 1. Preaching Blues (Up Jumped the Devil) 2:50 2. If I Had Possession over Judgment Day 2:34 3. Stones in My Passway 2:27 4. I'm a Steady Rollin' Man 2:35 5. From Four Till Late 2:23 6. Hellhound on My Trail 2:35 7. Little Queen of Spades 2:11 8. Little Queen of Spades (alternate take) 2:15 9. Malted Milk 2:17 10. Drunken Hearted Man 2:24 11. Drunken Hearted Man (alternate take) 2:19 12. Me and the Devil Blues 2:37 13. Me and the Devil Blues (alternate take) 2:29 14. Stop Breakin' Down Blues 2:16 15. Stop Breakin' Down Blues (alternate take) 2:21 16. Traveling Riverside Blues 2:47 17. Honeymoon Blues 2:16 18. Love in Vain 2:28 19. Love in Vain (alternate take) 2:19 20. Milkcow's Calf Blues 2:14 21. Milkcow's Calf Blues (alternate take) 2:20
É mais uma daquelas artistas que a gente parece nunca estar preparado para perder.
A gente sabe que um dia esses mitos vão, a própria Rita já vinha bem debilitada, em virtude de um câncer, mas era difícil aceitar que uma hora aconteceria.
Bom, mas temos que aceitar. Temos que entender, nos consternar. Nos conformar com tudo o que já nos proporcionou, o legado de atitude que deixou e com a obra que construiu.
Obra que começou com "Fruto Proibido" de 1975, embora a cantora já tivesse dois álbuns lançados numa época meio enrolada com sua ex-banda, os lendários Mutantes, no curso de sua separação com Arnaldo Baptista e sua expulsão do grupo.
Uma pena, se formos considerar tudo o que construiu com os Mutantes, mas uma sorte considerando tudo o que ela podia fazer e mostrou-se capaz a partir dali.
"Fruto Proibido" é uma das grandes obras do rock brasileiro! Disco que escancara o rock de Rita, sua atitude, destrava sua ânsia por dizer coisas, por se revelar, por se mostrar mulher cheia de personalidade, reivindicações, desejos.
Disco que já traz alguns dos grandes hits de sua carreira como "Agora Só Falta Você", que soa quase como um recado para sua ex-banda ("Um belo dia resolvi mudar /e fazer tudo o que eu queria fazer /me libertei daquela vida vulgar / que eu levava estando junto a você") ; a irreverentíssima "Esse tal de Roque Enrow", parceria com "O Mago" Paulo Coelho; a auto-reveladora e feminista "Luz Del Fuego", a desafiadora faixa que dá título ao disco, "Fruto Proibido", ("quem foi que disse que eu devo me cuidar"); e a que se tornaria praticamente um "hino" de sua carreira, "Ovelha Negra", alcunha que, de certa forma, sempre a acompanhou por sua rebeldia e atitude.
Só nos resta agradecer por coisas como essa, por álbuns como este, por suas letras, por seu doboche, por ter sido até o fim essa ovelha negra inspiradora para todos os rebeldes.
Vai em paz, Rainha Mutante!
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FAIXAS:
1. "Dançar pra não Dançar" (Rita Lee) 4:13 2. "Agora só Falta Você" (Luis Sérgio Carlini / Rita Lee) 3:25 3. "Cartão Postal" (Paulo Coelho / Rita Lee) 3:25 4. "Fruto Proibido" (Rita Lee) 2:04 5. "Esse Tal de Roque Enrow" (Paulo Coelho / Rita Lee) 3:53 6. "O Toque" (Paulo Coelho / Rita Lee) 5:20 7. "Pirataria" (Lee Marcucci / Rita Lee) 4:29 8. "Luz del Fuego" (Rita Lee) 4:42 9. "Ovelha Negra" (Rita Lee) 5:39
E quando a chuva molhar o jardim, ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol.”
Rita Lee, da música "Baila Comigo"
São poucos os discos que sei as letras de cor e as canto corretamente, ou seja, como ela foi escrita. Geralmente curto a melodia em alguns, noutros sei parte da letra e na maioria das vezes troco a letra de todos e invento harmonias paralelas de vozes e sons ao que estou escutando. Cresci assim e já aceitei que é uma maneira pessoal minha de escuta.
Porém, o disco “Lança Perfume” é um desses discos que faz parte da minha história musical de vida. Ganhei o LP por muita insistência. Enchi o saco da minha avó paterna Hedy que, depois de vencida, deixou uma quantia alta na loja de discos dentro de um supermercado, que ficava na rua em que morávamos, em meados dos anos 80. Eu estava fazendo aniversário de 7 anos e esse foi o meu presente. Um LP recém-lançado da Rita Lee! Isso era uma fortuna numa época em que LPs eram um investimento alto para famílias de classe média. Minha avó, católica e muito reservada a determinadas sonoridades, ficou chocada quando um dia entrou na nossa casa e me viu cantando a faixa-título “Lança Perfume”. Comentou com a minha mãe: “Mas, Tia Anita, ela está cantando uma música que diz 'de quatro no ato'?!” Constrangida por não ter sabido o conteúdo das canções e ter me dado o LP, teve a resposta da minha mãe Anita, que sempre foi libertária e ousada: “ Posso imaginar o choque da vó, pois, um ano antes, ela havia me dado o disco do Pde. Zezinho!
Agradeço até hoje o presente da vó, porque, lá em casa, o LP se tornou a playlist das nossas manhãs. Minha irmã, que é 4 anos mais nova do que eu, também capricorniana como a Rita, recorda até hoje com alegria que praticamente furamos o bolachão de tanto que escutávamos. Ele passou a ser utilizado em playback em festas de aniversário da nossa família e nas festas de Natal, sempre com aplausos entusiasmados dos familiares.
A Rainha do Rock Brasileiro, que comemora 40 anos de seu "Lança Perfume"
Cada canção para mim é como um hit, está no universo imaginário da minha geração e estourou em mercados da América do Norte e Europa. Imaginem: estamos falando de 1980 e, nessa época, o mundo era menos interligado, não tínhamos essa rapidez de comunicação e nem as plataformas compartilhadas para promover os discos. Mesmo assim, é indissociável pensar em música nos anos 80 sem citar esse disco da Rita. Ela é a roqueira que nos representa desde antes e desde então. Quando soube essa semana de uma LIVE BATE PAPO sobre os 40 anos desse LP, que acontecerá hoje, 07/05, às 19h30, no @litaree_real, mediado por Guilherme Samora (que assessora a Rita faz uns anos) e com as participações de Mel Lisboa (que fez a Rita no teatro) e outros convidados, tais como Pedro Bial, Rita Cadillac e Ronnie Von, minha vivência emocional com esse disco veio à tona e então decidi compartilhar com vocês.
Elis com o figurino inspirado em Rita Lee
Rita Lee sempre foi um exemplo para mim e tenho a gratidão de através dos anos de escuta e de leitura (com os livros que ela tem lançado recentemente) saber mais das ideias, da vida e do que é essencial para ela. Rita com seu talento revolucionou a história da música brasileira, inspirou artistas e mulheres da sua geração e me inspira diariamente. Faz uns anos soube que Elis Regina teve uma amizade muito íntima com ela quando foi morar e produzir em São Paulo. Em uma entrevista, Elis disse ter visto Rita “lamber o microfone” e completou: “Passei anos da minha vida com vontade de fazer isso e com medo de ser eletrocutada”. Há também uma história sobre o figurino do último show de Elis, que foi copiado do figurino que é capa desse LP: o macacão transpassado com plissado. Elis viu Rita vestindo-o e ficou louca para ter um igual, porque Rita tem essa porrada de estilo saindo por todos os poros. Elis vestiu um macacão semelhante assinado por Clodovil em “Trem Azul”, seu último show, em 1981, realizando a vontade de chegar próxima a estética da Rainha do Rock Brasileiro.
Eu continuo escutando e lendo Rita. Uns anos atrás, quando adotamos uma gatinha ruiva que chegou em nossa casa para nos dar muito amor e alegria, imediatamente pensei em Rita e ela ganhou o nome de Lee, que já se foi para colorir o céu dos lovecats. Rita é parte de 40 anos da minha existência e isso é muito forte e lindo. Quero continuar tendo saúde para gozar no final e, quem sabe, fugir para Shangrilá com o meu Roberto de Carvalho (Daniel Rodrigues) e brotar para um banho de Sol divino!
FAIXAS: 1. "Lança Perfume" - 05:15 2. "Bem-Me-Quer" - 04:19 3. "Baila Comigo" (Rita Lee) - 05:30 4. "Shangrilá" - 02:53 5. "Caso Sério" - 05:31 6. "Nem Luxo, Nem Lixo" - 05:05 7. "João Ninguém" - 03:38 8. "Ôrra Meu!" (Rita Lee) - 03:56 Todas as composições de autoria de Rita Lee e Roberto de Carvalho, exceto indicadas *********
É preciso ter tomates para se conseguir ficar nu à frente de alguém. Em modo “pelota total”, deixando sair tudo o que esteja minimamente relacionado com o nosso ego (tantas vezes gravemente inflamado) e com a necessidade muito grande que temos de não nos sentirmos sozinhos. Num planeta de poses e comportamentos, pouco ou quase nenhum espaço existe para dar a conhecer todas as caganitas de fragilidade e insegurança que só à noite, na cama antes de adormecer, nos apercebemos que enchem grande parte dos nossos refegos. Um cigarro aceso não tem de ser uma fonte de confiança momentânea, um copo na mão não precisa de ser uma afirmação de identidade e uma boca ou piadola talvez não seja a melhor maneira de disfarçar que na realidade não somos assim tão bons, tão fortes, tão bonitos ou tão confiantes como queremos dar ideia que somos. Nada é assim tão simples ou instantâneo. Admitir coisas deste género não é fácil. As conversas que tantas vezes temos connosco próprios custam mais quando nos saem por entre os lábios, sibilando por entre a cremalheira semicerrada de embaraço. Chegar ao ponto onde tudo isso, essa espécie de confissão ou o que quer que queiram chamar, é vomitado sem censuras pode muito bem ser o marco a partir do qual podemos admitir que sim, temos umas bolas douradas, dignas de serem levantadas num pódio pelo Cristiano Ronaldo.
Joshua Tillman pode não perceber a referência ao português tri-bola de ouro, mas no que toca a compreender o que é sentir que o mundo inteiro nos entra pela casa a dentro, isso sabe perfeitamente o que é, não fosse I Love You, Honeybear um santo graal de transparência emocional, em que, findados 45 minutos de folk florido, recebemos um livro de instruções sobre como se deve viver o amor. Não é o convencional nem o hollywoodesco. É um mais simples, sólido, onde não há problema em se admitir que lá no fundo (entre o sítio que nos faz gostar de bola e o que nos faz gostar de cerveja), nós, homens, temos muito de criançola narcisista, de ego frágil e alma insegura. Aqui nada disso faz mal – o amor que se fala em “I Love You, Honeybear” (a primeira música do disco) ou em “When You’re Smiling Astride Me”, por exemplo, não quer saber disso para nada. Ou melhor, sabe disso muito bem mas percebe que isso não define, enfeita. O conceito meio clichê de que “quem gosta a sério, gosta tal e qual como somos” é então a premissa principal deste segundo álbum de originais do ex-baterista dos mitícos Fleet Foxes.
“Mas espera lá, isto não era suposto ter alguma coisa a ver com o facto de todos termos um pouco de cagões?” – correcto. Descobrir “a nossa pessoa” está infimamente ligado com isto que provavelmente podem já ter pensado. Mas tudo a seu tempo.
O paizinho John Misty apresenta-se melhor que nunca, maturo mas sempre com um cheirinho de arrogante palerma – não fosse esse o fator responsável por grande parte do seu carisma. Fear Fun, o seu primeiro álbum como FJM, foi uma excelente rodela, mas agora que esta segunda chegou, percebemos que muita coisa mudou entre os três anos que passaram desde o lançamento de um e do outro, mas uma marcou mais que todas as outras – o casamento. Depois de um primeiro registo mais difuso, onde se disparava por todos os lados emoções soltas de quem andava meio perdido, I Love You Honeybear é um trabalho mais coerente, concentrado, onde este confuso man-child descobre o que realmente é importante. Num registo instrumental de forte influência folk, rock, americana e mel “a la Beatles”, arranjos complicados, cheios de pormenores – sob a forma de cordas, bateria ou teclados, por exemplo -, vão se alternando por baladas mais simples, como se ouve em “Bored In The USA” (bonito piano) ou em “I Went To The Store One Day” (um monumento). Mas o som, que não peca por calor aconchegante, nem é o principal.
“There’s no need to fear me / Darling, I love you as you are when you’re alone / I’ll never try to change you / As if I could, and if I were to, what’s the part that I’d miss most?” são as palavras que marcam o início de “When You’re Walking Astride Me”. Letras como estas pintam de cor-de-rosa todo o disco. Não são complicadas nem altamente poéticas mas traduzem a coerência cristalina de quem sabe o que quer dizer. Cada música conta uma história, todas elas muito pessoais, e cada história é um desabafo de quem finalmente descobriu de quem gosta, percebeu as melhores formas de o mostrar, sabe que o que quer é para sempre e que não tem medo de mostrar que não é perfeito – muito pelo contrário.
FJM descobriu que não faz mal mostrar o que o apoquenta quando está longe (“Nothing Good Ever Happens At The Gooddamn Thirsty Crow”), que é na boa admitir que a nossa vida está feita num caco de vícios, inseguranças e outras coisas menos boas e poluentes. Quando se gosta a sério, gosta-se de tudo: está confirmado o tal clichê manhoso, se bem que num formato que de manhoso não tem nada.
Reunidas neste disco estão todas as lições que quem ama no século XXI precisa de saber. Divididas por 11 músicas, cada uma delas deixa-nos ver, no final, que gostar não precisa de ser uma coisa má, que ainda há beleza nos sentimentos que se partilham com alguém de quem se gosta. Que há sempre tempo (ou esperança, como queiram) para encontrar a/o nossa/o Honeybear.