quarta-feira, 3 de junho de 2026

Álbum da Semana: A Letter Home (2014) de Neil Young

 

Neste álbum, Jack White convence Neil a tocar uma série de covers acústicos dentro de uma cabine de gravação de vinil dos anos 40, operada por moedas. O resultado? O 28º melhor álbum de Neil Young. Não, falando sério, há algo reconfortante no Neil lo-fi. Eu não gostaria de ouvir isso em vinil/caixas de som excelentes, já que a qualidade da gravação é tão ruim; em vez disso, este é um álbum para tocar em volume normal ou baixo no seu celular na cama à 1h da manhã. Com esse método, você pode se convencer razoavelmente de que Neil habitou os fantasmas de Phil Ochs e Bert Jansch e está cantando para você enquanto você adormece.

O cara chegou a gravar um álbum nesse aparelho.

Alternativamente, você pode simplesmente encarar A Letter Home como um álbum que um lendário senhor de 68 anos abordaria com o coração. O que torna A Letter Home especialmente precioso é que Neil retrata a cabine de gravação antiquada como uma espécie de dispositivo mágico que lhe permite falar com sua falecida mãe. Isso adiciona uma nota de sinceridade ao que, de outra forma, seria um projeto excessivamente superficial. Também explica a divagação à la Biden (que eu adoro) da faixa de abertura e do início de “Reason to Believe”.

Em termos de escolha de músicas, "Changes", de Ochs, se destaca como um dos primeiros destaques, por sua melancolia apropriada ao tema. Outras faixas parecem remeter a memórias de sua juventude ("Crazy", de Willie Nelson) e/ou influências posteriores ("My Home Town", de Springsteen). A abordagem de Neil em relação a "Needle of Death" revela a influência melódica da música em sua própria "Ambulance Blues". Ouvindo o álbum 10 anos depois, não consigo deixar de pensar na fase de Bob Dylan em meados da década de 2010, quando ele revisitou standards do pop (incluindo o álbum triplo Triplicate ). Embora as escolhas de Young sejam um pouco mais contemporâneas, ambos os artistas passaram um tempo em meados da década de 2010 canalizando sinceramente a música de uma era passada. Nenhum dos projetos figura entre os melhores trabalhos dos respectivos artistas, mas são valiosos por sua singularidade e, principalmente, pela conexão genuína de seus criadores com as canções.

Ouça A Letter Home aqui .


Memórias, Momentos e Músicas: Joe Strummer – “Love Kills”

 

O filme “Sid & Nancy – O Amor Mata”, lançado em 1986, retrata a louca e destrutiva relação entre Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols e sua namorada Nancy Spungen. Dirigido pelo britânico Alex Cox, teve nos papéis principais Gary Oldman e Chloe Webb.

O filme mostra de forma nua e crua o mundo de sexo, drogas pesadas e punk rock do casal. Uma espiral de destruição que culmina com a morte de ambos. Na maior parte do tempo o filme está envolto numa atmosfera pesada e degradante, com alguns alívios tragicômicos, como na cena em que Sid espanta um bando de crianças só por dizer quem ele era. Gary Oldman, como sempre, mergulha no personagem a tal ponto que pensamos se tratar do próprio Sid Vicious na tela.

Gretchen (Courtney Love), Sid (Gary Oldman) e Nancy (Chloe Webb).

Antes de assistir ao filme, eu comprei sua trilha sonora por conter duas músicas do grande Joe Strummer (ex-líder de The Clash). A melhor delas é justamente a canção título: Love Kills. Em ritmo contagiante, a música conta poeticamente a trajetória de Sid e Nancy em seus dias finais nos EUA.

Joe Strummer, circa 1986.


Música com cenas do filme.

Memórias, Momentos e Músicas: David Bowie e Pat Metheny Group – “This Is not America”

 


No decorrer da década de 1980, David Bowie estava em franca atividade. É desta década seu álbum de maior sucesso comercial: “Let’s Dance”, 1983. Foi uma década de colaboração com outros artistas, participação em filmes e lançamento de singles. Em um determinado momento eu cheguei a pensar que ela estava desperdiçando material que poderia ter entrado em seus álbuns, e parece que eu tinha razão, pois seu último disco da década foi bem fraco: “Never Let me Down” de 1987. Só para citar algumas ótimas músicas que não entraram em seus álbuns:

Under Pressure, 1981. Com o Queen;
Absolute Beginners, 1986. Da trilha sonora do filme de mesmo nome;
Underground e As the World Falls Down, 1986. Da trilha sonora do filme “Labirinto”.

David Bowie e Pat Metheny

E a canção objeto deste texto: This Is not America, em parceria com o Pat Metheny Group para a trilha sonora do filme “A Traição do Falcão” (The Falcon and the Snowman) de John Schlensinger, lançado em 1985.

O clipe da música tocou muito na época na MTV e, em outras emissoras, e me chamou a atenção pelo fato de ser diferente do que Bowie estava fazendo naquela década, ou seja, música mais dançante. Ela é distinta pois foi composta em parceria com os músicos de jazz fusion Pat Metheny e Lyle Mays do Pat Metheny Group e nasceu como um tema instrumental, tendo Bowie colocado a letra posteriormente. O filme é baseado numa história real de um agente do FBI dos EUA, e seu amigo, que repassaram informações estratégicas secretas para a União Soviética.

A dupla que apimentou a Guerra Fria: Daulton Lee (Sean Penn) e Christopher Boyce (Timothy Hutton).

CLIPES



Clipe original:


Instrumental:



Gomez Addams – Let’s Blow Up the World (2026)


Gomez Addams – Let’s Blow Up the World (2026)

Tracklist:
01 – Let’s Blow Up the World
02 – Cosmic Brownie
04 – All Dressed Up
05 – Wellspring
06 – Funny Faces
07 – Living Here
08 – God’s Ear
09 – I Woke to Silver
10 – Heaven Vermont

Matt Jordan – Time Was On Our Side (2026)


Matt Jordan – Time Was On Our Side (2026)

Tracklist:
01 – Your Friends in Chicago
02 – Tell Me Something I Don’t Know
03 – Time Was On Our Side
04 – Yesterday Tonight
05 – Twist My Arm
06 – She Was
07 – Nothing With You
08 – Tear Down This Town
09 – Seventeen Last
10 – As Mine
11 – Ten Years Gone (Fast)

Arturo Sandoval – Sangu (2026)

Arturo Sandoval – Sangu (2026)

Tracklist:
01 – Scat
02 – Sangú
03 – La Ventura
04 – Days In The Sun
05 – Azulito
06 – Babalu Ayé
07 – With The People
08 – Panza
09 – New Paradise
10 – Rolling Hills
11 – Red Trumpet
12 – El Río Suena

BLARF – Film Scores for Films That Don’t Exist (2026)


BLARF – Film Scores for Films That Don’t Exist (2026)

Tracklist:
01 – The Final Shootout
02 – What’s For Dinner
03 – Stars Without Light
04 – Piano Concerto No. 0
05 – Mercury Dripping Down My Spine
06 – Run For Your Death
07 – Dead Ballerina
08 – 1869 Overture

The Sleeveens – National Anthem (2026)


The Sleeveens – National Anthem (2026)

Tracklist:
01 – If I Was A Casual
02 – I Was Born on Saturday Night
03 – Surprises
04 – My Pretend Boyfriend
05 – The Rat
06 – Town of Horseheads
07 – Ernest and Julio
08 – Cowboy Queen
09 – Six Counties Punk
10 – Long Black Summer
11 – High Babies, Low Babies
12 – National Anthem


Ara Malikian - Christmas Mood 2011

 

ARA MALIKIAN

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Ara Malikian o Fogo de Violino com “Christmas Mood
Ara Malikian, o violinista que nunca deixa ninguém indiferente, acaba de lançar Christmas Mood, um álbum natalino que foge completamente do óbvio. Esqueça os arranjos açucarados de sempre: aqui o Natal ganha alma armênia, swing cigano, tango porteño e até um toque flamenco inesperado – tudo filtrado pelo violino incendiário e pela personalidade única de Ara.
São 11 clássicos reinventados com energia contagiante: “My Favorite Things” vira uma viagem balcânica irresistível, “Jingle Bells” ganha ritmo endiabrado, “White Christmas” soa quase melancólico e profundo, enquanto “Rudolph, The Red-Nosed Reindeer” dança como se Paganini tivesse nascido em Sevilha.
Gravado com sua formação de luxo habitual – incluindo o pianista Iván “Melón” Lewis, o bandoneonista Claudio Constantini e o percussionista Georvis Pico –, o disco tem aquele calor de sessão ao vivo que só Ara sabe criar. 
Curiosidade: boa parte das faixas foi captada em takes quase improvisados, com os músicos trocando ideias em tempo real, exatamente como acontece nos palcos do “Royal Garage World Tour”.