A longevidade do Yes é um fenómeno que desafia a lógica da indústria musical. Mais de cinquenta anos após o seu período de maior influência, a banda não só se recusa a ser uma mera "banda de tributo a si própria", como insiste em olhar para a frente com Aurora (2026). Num momento em que a saúde de Steve Howe trouxe incertezas às digressões, a entrega deste álbum funciona como o melhor tónico possível: uma declaração de relevância artística num mundo que mudou drasticamente desde Close to the Edge.
Avaliação: Yes – Aurora (2026)
A "Yesificação" como Identidade
Roger Dean volta a assinar a capa, garantindo o selo visual de autenticidade, mas é na música que o Yes de 2026 se afirma. É fútil comparar este trabalho com as obras-primas da década de 70; o Yes de 2026 é uma fera diferente, consciente do seu peso, mas decidida a não se tornar um museu. O álbum abre com uma "fanfarra Disney" peculiar, um gesto de otimismo que serve de porta de entrada para a famosa "yesificação": versos ligeiramente obscuros, harmonias angelicais e uma produção que respira o espírito clássico com tecnologia moderna.
As Facetas da Evolução
Faixa | Estilo | Destaque |
"Aurora" (Faixa-título) | Fanfarra/Otimista | Um início que abraça a pomposidade clássica da banda. |
"Ariadne" | Orquestral/Medieval | A precisão cirúrgica de Downes e Howe em perfeita sintonia. |
"Countermovement" | Épica (13 min) | Onde a banda prova que o formato "épico longo" ainda é o seu forte. |
"Outside The Box" | Experimental | Ecos de Arriving UFO com o toque excêntrico de Downes. |
"All Hands On Deck" | Náutica/Rock | Uma surpresa rítmica que flerta com um peso pouco habitual. |
"Emotional Intelligence" | Espontânea/Relajada | Davison brilha aqui, livre do peso das comparações. |
"Jambustin'" | Divertida/Simples | O Yes descontraído, lembrando a era The Ladder. |
O Triunfo da Simplicidade
Surpreendentemente, o coração de Aurora não reside nas faixas complexas, mas na espontaneidade. É nas canções mais diretas, como "Emotional Intelligence" e "Jambustin'", que Jon Davison parece finalmente encontrar o seu lugar, cantando com uma descontração que retira a pressão das expectativas históricas.
Steve Howe continua a ser o mentor deste espírito. O seu trabalho acústico é, como sempre, sublime, e a forma como ele conduz a banda — ora explorando texturas épicas em "Countermovement", ora permitindo que a banda se divirta com temas mais leves — mostra uma "progressão" real. A letra náutica de "All Hands On Deck" pode parecer inusitada, mas serve para confirmar que o Yes de 2026 não tem medo de ser "bobo" se isso significar manter a criatividade em movimento.
"Aurora é um álbum que preenche todos os requisitos que um fã do Yes espera, mas que guarda surpresas na manga ao abraçar a simplicidade. É uma fera diferente, sim, mas é uma fera que ainda sabe rugir."
O Veredito Final
Aurora é o trabalho mais robusto do Yes em muitos anos. Ao equilibrar a sua pomposidade clássica com uma vontade renovada de experimentar, o grupo entrega um álbum que honra o seu legado sem se tornar refém dele. Pode não ser o novo Tales from Topographic Oceans, mas é uma prova cabal de que a chama progressiva ainda queima forte nos corredores desta instituição.
Nota: 8.5/10
Destaques: "Countermovement", "Ariadne", "Emotional Intelligence".
Recomendado para: Fãs de longa data que apreciam a capacidade de renovação da banda e entusiastas do Rock Progressivo que valorizam a melodia acima da exibição técnica gratuita.