sexta-feira, 26 de junho de 2026

Em 25/06/1971: The Who lança no Reino Unido a canção " Won't Get Fooled Again.

Em 25/06/1971: The Who lança no Reino Unido a canção " Won't Get Fooled Again.
Won't Get Fooled Again é uma canção da banda de rock inglesa The Who, foi escrita por Pete Townshend. Foi lançada como single em junho de 1971, alcançou top 10 no Reino Unido, enquanto a versão completa de oito minutos e meio aparece como a faixa final do álbum de 1971 (Who's Next), lançado em agosto daquele ano.
Pete Townshend escreveu a música como número de encerramento do projeto Lifehouse, e as letras criticam a revolução e o poder. Para simbolizar a conexão espiritual que havia encontrado na música por meio das obras de Meher Baba e Inayat Khan, ele programou uma mistura de características humanas em um sintetizador e o usou como principal instrumento de apoio ao longo da música. O The Who tentou gravar a música em Nova York em março de 1971, mas regravou uma tomada superior em Stargroves no mês seguinte usando o sintetizador da demo original de Townshend. No final das contas, Lifehouse como um projeto foi abandonado em favor de Who's Next, um álbum direto, onde também se tornou a faixa de encerramento.
Ela tem sido apresentada como um grampo do setlist da banda desde 1971, frequentemente como o set mais próximo, e foi a última música que o baterista Keith Moon tocou ao vivo com a banda. Sendo um sucesso, a canção alcançou elogios da crítica, aparecendo como uma das 500 melhores músicas de todos os tempos da Rolling Stones. Foi tocado por vários artistas, como Van Halen, que levou sua versão para o número 1 na parada de Rock Tracks do álbum da Billboard. Tem sido usado para vários programas de TV e filmes, e em algumas campanhas políticas. Em 2012, a Paste classificou a música em terceiro lugar na lista das 20 melhores músicas do The Who, e em 2022, a revista Rolling Stone classificou a música em primeiro lugar em sua lista das 50 melhores músicas do The Who.
Em 2021, a música foi classificada em 295º lugar na lista das 500 melhores músicas de todos os tempos da Rolling Stone. Em março de 2018, foi certificado Prata por 200.000 cópias vendidas no Reino Unido.
Pessoal:
Roger Daltrey - vocais principais
Pete Townshend - guitarra elétrica, violão,
EMS VCS 3, órgão Lowrey, vocais
John Entwistle - baixo
Keith Moon - bateria, percussão.



Em 26/06/1975: Bob Dylan lança o álbum The Basement Tapes


Em 26/06/1975: Bob Dylan lança o álbum
The Basement Tapes.
The Basement Tapes é o décimo sexto álbum de estúdio do cantor americano Bob Dylan o segundo com a banda. Lançado em junho de 1975 pela gravadora Columbia Records. Dois terços das 24 faixas do álbum apresentam Bob Dylan nos vocais principais apoiados pela banda e foram gravados em 1967, oito anos antes do lançamento do álbum, no lapso entre a gravação e o lançamento subsequente de Blonde on Blonde e John Wesley Harding, durante as sessões que começaram na casa de Dylan em Woodstock, Nova York, depois mudaram para o porão do Big Pink.
Embora maioria deles tenha aparecido em álbuns piratas, The Basement Tapes marcou seu primeiro lançamento oficial. Oito canções restantes, todas anteriormente indisponíveis, apresentam a banda sem Bob Dylan foram gravadas entre 1967 e 1975. Quando a gravadora Columbia Records preparou
o álbum para o lançamento oficial em 1975, oito canções gravadas exclusivamente pela banda em vários locais entre 1967 e 1975 foram adicionadas a 16 canções gravadas por Bob Dylan e banda em 1967. Overdubs foram adicionadas em 1975 com às canções de ambas as categorias.
The Basement Tapes aclamado pela crítica após o lançamento, alcançando o número sete na parada de álbuns da Billboard 200.
Posteriormente, formato do álbum de 1975 levou os críticos a questionar a omissão de algumas das composições mais conhecidas de Bob Dylan em 1967 e a inclusão de material da banda que não foi gravado em Woodstock.
Lista de faixas:
Todas as faixas são escritas por Bob Dylan.
Lado um:
1. "Odds and Ends" : 1:47
2. "Orange Juice Blues
(Blues for Breakfast)" : 3:39
3. "Million Dollar Bash" : 2:32
4. "Yazoo Street Scandal" : 3:29
5. "Goin' to Acapulco" : 5:27
6. "Katie's Been Gone" : 2:46
Lado dois:
1. "Lo and Behold!" : 2:46
2. "Bessie Smith" : 4:18
3. "Clothes Line Saga" : 2:58
4. "Apple Suckling Tree" : 2:48
5. "Please, Mrs. Henry" : 2:33
6. "Tears of Rage" : 4:15
Lado três:
1. "Too Much of Nothing" : 3:04
2. "Yea! Heavy and a Bottle of Bread" : 2:15
3. "Ain't No More Cane" : 3:58
4. "Crash on the Levee
(Down in the Flood)" : 2:04
5. "Ruben Remus" : 3:16
6. "Tiny Montgomery" : 2:47
Lado quatro:
1. "You Ain't Goin' Nowhere" : 2:42
2. "Don't Ya Tell Henry" : 3:13
3. "Nothing Was Delivered" : 4:23
4. "Open the Door, Homer" : 2:49
5. "Long Distance Operator" : 3:39
6. "This Wheel's on Fire" : 3:52
Nota: A versão em cassete inclui LP
lados 1 e 2 no lado 1 e LP lados 4 e 3
(nesta ordem) no lado 2.
Pessoal:
Bob Dylan - violão, piano, voz
Rick Danko - baixo, bandolim, vocais de apoio
Levon Helm - bateria, bandolim, baixo, voz
Garth Hudson - órgão Hammond, clavinete,
acordeão, saxofone tenor, piano
Richard Manuel - piano, bateria, gaita, voz
Robbie Robertson - guitarra elétrica, violão,
bateria, vocais de apoio.



The Donnas – Spend The Night [2002]

 

The Donnas – Spend The Night [2002]

Em 2002, The Donnas lançou Spend The Night, seu álbum mais bem sucedido e que contém seu maior hit, o rock “Take It Off”. Contudo, contrariando as expectativas da cena roqueira da época, o grupo ficou na promessa e encerrou as atividades após lançar apenas mais dois álbuns. Vamos lá entender melhor um pouco dessa história.

O The Donnas tem sua origem em 1993, em Palo Alto (California). As colegas de escola Maya Ford (baixista) e Allison Robertson (guitarrista) decidiram criar uma banda de rock formada somente por garotas. Ok, a ideia não era exatamente nova. O mundo do rock já havia nos presenteado com artistas do porte de The Runaways, Girlschool e L7. Agora… vamos combinar que a história começa a ficar interessante quando nos recordamos que estamos falando sobre garotas de 13 anos de idade, ainda cursando o ginásio.

Em entrevista presente no DVD bônus do álbum Spend The Night, a guitarrista comenta que não foi exatamente uma escolha. “Eu e Maya tocávamos instrumentos e queríamos ter uma banda para tocar no colégio, mas os garotos se recusavam a tocar com a gente. ‘Não queremos garotas’, ‘Hey, isso aqui é uma banda de rock’, sabe”? Depois de tantas negativas, as duas convenceram suas amigas Torry Castellano e Brett Anderson a aprenderem a tocar bateria e a cantar, respectivamente.

“Estávamos cursando a oitava série. Estudávamos no Jordan Middle School e eles tinham o Day On The Green, onde as bandas se apresentavam. Nós escolhemos quem eram as garotas que queríamos na banda e conversamos com elas. Nós perguntamos à ‘nossa baterista’ (…) Ela disse que sempre quis tocar bateria e alugou uma que era horrível. Soava como um monte de potes e panelas. Ela não tinha a mínima ideia de como tocar e tentava replicar o que fazíamos”, relembra Alisson Robertson em entrevista à Lollipop Magazine. “Nossa cantora demorou uma semana para aceitar. Ela tinha medo de soar horrível. Eu sabia que conseguiria porque já tinha visto ela cantando em cima do rádio. Quando topou, tínhamos três semanas para se preparar para o evento”.

 

As garotas chegaram a lançar 3 álbuns pela Lookout Records, gravadora conhecida por ter descoberto o Green Day.

 

O grupo adotou, então, o nome de Ragady Anne e começou a ensaiar noite após noite. Como tudo foi feito na correria, não houve tempo para criar um repertório e elas fizeram o primeiro show com covers. Entre as escolhidas, estavam “American Society” (L7) e “Riding on the Rocket” (Shonen Knife). “Lembro que queria criar um nome legal para mostrar aos garotos quão legais nós éramos. Todos eles tinham bandas com nomes horríveis: Verbal Constipation, Pablo, Purple Butterflies, Groove Handle”…

Não deu certo. Os garotos diziam à elas que a banda era medonha e começaram a chama-las de ragadies (sarna). Depois de 2 anos, elas mudaram o nome para Electrocutes e, com esse nome, gravaram seu primeiro álbum: Steal Your Lunch Money. O disco que tem um som sujo, rápido e direto, beirando ao hardcore, só chegaria ao mercado em 1999.

Em 1996, nasceu o The Donnas. A ideia era ser um projeto paralelo ao Electrocutes. As garotas encaravam como uma brincadeira e ficaram bravas quando viram que o Donnas estava crescendo e o Electrocutes, não. “Fizemos um show como Electrocutes, em São Francisco, junto com uma banda surf que se vestia igual ao Jornada nas Estrelas, o Vulcan Ears. E ali conhecemos um rapaz chamado Darin. Ele veio falar com a gente super animado, dizendo que tinha escrito várias canções que ele visionava sendo gravadas por garotas. Ele nos ensinava como tocá-las, gravava e lançava. Foi assim que nasceu o primeiro single das The Donnas”.

Não apenas o primeiro single, mas todo o primeiro álbum foi criado por Darin. Foi somente no segundo disco, American Teenage Rock n Roll Machine, que as garotas começaram a compor e a imprimir sua identidade. Enquanto o primeiro álbum soava como Ramones puro, os discos lançados pelo selo Lookout (American Teenage Rock n Roll Machine, Skintight e, especialmente, Turn 21) traziam uma bem vinda influência de hard rock nas composições.

 

The Donnas: Torry Castellano, Allison Robertson, Maya Ford e Brett Anderson.

As garotas passaram a flertar o punk rock que faziam com o hard rock dos anos 70 e 80, incorporando referências de Motley Crue, Kiss, Joan Jett e AC/DC em seu som. Se em canções como “You Make Me Hot”, a influência já era notável (não há como negar que o lick de guitarra foi chupado de “Too Fast For Love” do Motley Crue), tudo ficou ainda melhor em Spend The Night, o primeiro álbum do grupo lançado por uma multinacional, a Atlantic.

Em outra entrevista ao Lollipop Magazine, Donna R comentou sobre as gravações do disco. “A gravadora nos deu 3 meses, mas nós terminamos em 3 semanas. Poderíamos ter trabalhado por mais tempo, se quiséssemos. O que gosto nele é que ele tem uma sujeira, soa como tocamos em nossos shows. Eu amo fazer tomadas extras, mas porque gosto da textura. Não é para esconder algo ou para tocar algo que não vamos conseguir reproduzir ao vivo. Nossa obsessão sempre foi fazer com que nossos álbuns soassem o mais próximo possível ao que fazemos no palco”.

Indiscutivelmente, as guitarras de Alisson eram o grande diferencial do The Donnas. A banda tinha o time perfeito. Torry era consistente e tocava com vontade. Brett era graciosa e conhecia bem suas limitações vocais, mas quem se destacava era mesmo a guitarrista. Não apenas pelo timbre que tirava, mas principalmente pelos riffs espertos que construía e pelos solos simples, porém precisos. Lembro que a primeira vez que escutei o disco, em vários momentos seus solos me traziam um ‘q’ de Ace Frehley. Não foi nenhuma surpresa, para mim, quando vi uma entrevista onde ela declarava ter o Kiss como sua banda preferida e Ace como seu maior ídolo.

Capa do single de “Take It Off”, maior sucesso comercial da banda.

O disco começa com a contagiante “It´s On The Rocks”, antes de seguir para os (ótimos) singles “Take It Off” e “Who Invited You”. De cara, notamos mais uma mudança. Brett Anderson havia evoluído enquanto vocalista. Embora continuasse cantando em uma região baixa, a executava com maior segurança, principalmente se comparado aos 3 primeiros discos. “All Messed Up”, “Dirty Denim” e “You Wanna Get Me High” seguem a sonoridade alto astral mantendo o clima de festa.

Clima que transparece, inclusive, nas letras das canções. As meninas não tentavam reinventar a roda, não traziam temas profundos, não era um texto difícil. Pelo contrário, apostavam em temas usuais no cenário hard rock: diversão, relacionamento e afins. Na segunda metade do álbum, os grandes destaques ficam por conta de “Pass It Around”, “Please Don´t Tease” e “5 O´ Clock In The Morning”.

Spend The Night é, sem dúvidas, o trabalho mais forte das garotas e um dos trabalhos mais bacanas das bandas de rock daquela geração. O disco bebia na fonte das bandas dos anos 70 e 80, sem soar caricato ou datado. As músicas eram excelentes, arrisco a dizer que não tinha nenhum filler por aqui. E o grupo tinha uma magia. O DVD que acompanha o álbum, contudo, é não mais do que ok. A entrevista é bem superficial e serve apenas para mostrar um pouco da personalidade das garotas. Não é por aqui que você vai conhecer a história delas ou compreender as mudanças de direcionamento. O clipe de animação é bem feitinho, enquanto o making of das gravações do disco aposta mais nas brincadeiras que faziam entre si, do que como o álbum, de fato, foi gravado. Como, na época, tínhamos poucas imagens delas aqui no Brasil, acabava sendo um ítem curioso na coleção.

CD autografado pelas meninas, durante a primeira passagem do grupo pelo Brasil.

Infelizmente, a banda não teve sorte. O trabalho seguinte – Gold Medal – não teve boa aceitação e contou com algumas complicações. A primeira prensagem do CD saiu com erro, vinha com o final de uma música cortada. Além disso, o time responsável por trabalhar o grupo foi cortado da gravadora durante o período de divulgação e os novos profissionais não tinham ideia do que fazer com as garotas. A Atlantic entrava em uma nova era e tentava convencer as integrantes à se tornar um grupo pop. A saída do cast era inevitável.

As meninas ainda insistiram no projeto e fundaram a Purple Feathers, por onde lançaram o ótimo Bitchin´, antes de ter que encarar mais um problema. Durante a excursão – que trouxe o grupo duas vezes ao Brasil (eu assisti a primeira) – Torry Castellano foi obrigada a largar a banda devido à um problema crônico no ombro, causado por utilizar técnica errada ao tocar. Somou tudo isso ao problema de alcoolismo de Brett e a queda na procura por shows e as garotas anunciaram, em 2012, o fim do The Donnas. Uma pena! Esse é um grupo que faz bastante falta na cena.

 

Faixas:

01) It´s On The Rocks

02) Take It Off

03) Who Invited You

04) All Messed Up

05) Dirty Denim

06) You Wanna Get Me High

07) I Don´t Care (So There)

08) Pass It Around

09) Too Bad About Your Girl

10) Not The One

11) Please Don´t Tease

12) Take Me To The Backseat

13) 5 O´ Clock In The Morning 

DVD: 

01) Andy Dicks Interviews The Donnas

02) The Donnas Spend The Night: A Five Month Slumber Party

03) Do You Wanna Hit It (Animated Music Video)



quinta-feira, 25 de junho de 2026

Danado de Bom (RCA,1984), Luiz Gonzaga

 


Nos primeiros anos da década de 1980, Luiz Gonzaga parecia condenado a viver apenas da memória. O artista que, nos anos 1940 e 1950, havia monopolizado as prensas da RCA e era capaz de transformar a sanfona em emblema nacional, via-se reduzido a um circuito regional, tocando quase sempre para plateias nordestinas. O mercado fonográfico estava saturado de pop internacional, a MPB urbana dominava o gosto das gravadoras, e até os forrós de raiz cediam espaço a arranjos diluídos e guitarras envernizadas que soavam estranhas ao velho baião.

A situação era dramática: há quatro anos Gonzaga dava prejuízo à RCA, e seu nome figurava na lista de artistas prestes a serem dispensados. Foi nesse momento que surgiu a figura de Oséas Lopes, ex-Trio Mossoró, então produtor da gravadora. Lopes acreditava que Gonzaga ainda tinha uma voz poderosa a oferecer, mas que precisava ser resgatada em sua pureza, sem os disfarces de modernização. Assumindo a produção do novo disco, prometeu aos executivos da gravadora que o sanfoneiro poderia voltar a vender bem se fosse ouvido em sua essência.

Essa essência, segundo Onildo Almeida, amigo e compositor pernambucano, estava justamente em abandonar a maquiagem sonora e retornar ao que fazia de Gonzaga único: a força do matuto, do chapéu de couro, da sanfona como guia. Foi nesse clima de urgência e fé que nasceu Danado de Bom, lançado em 1984. Um álbum que, além de devolver Gonzaga ao centro do debate cultural brasileiro, lhe trouxe algo inédito: o primeiro Disco de Ouro de sua carreira.

Se Danado de Bom tem uma espinha dorsal, ela atende pelo nome de João Silva. O compositor de Arcoverde, estado de Pernambuco, filho de casa de taipa, autodidata, já vinha colaborando com Gonzaga desde os anos 1960, mas foi aqui que suas composições se tornaram centrais. Das treze faixas do disco, quatro eram suas — e coincidentemente, as mais executadas no rádio.

Silva entendia como poucos o ritmo, a cadência e a linguagem popular que Gonzaga queria recuperar. Era um compositor de feira e de festa, alguém que transformava a fala coloquial em refrão coletivo. “Pagode Russo”, que havia sido lançado como instrumental em 1947, renasceu com letra matuta, brincando com as palavras e o riso do povo. “Danado de Bom” virou quase um slogan, uma declaração de vitalidade. “São João Sem Futrica” e “Sanfoninha Choradeira” completavam o arsenal, reafirmando que o forró ainda tinha chão, sanfona e coração para atravessar gerações.

Em um movimento astuto, Luiz Gonzaga abriu o álbum Danado de Bom com "Pagode Russo". Embora a melodia já fosse conhecida desde os anos 1940, a nova letra de João Silva a transformou em um hino de festa, com a sanfona de Gonzaga servindo não apenas como instrumento, mas como a gargalhada e o som dos pés batendo no chão. Essa canção define o tom do disco: uma celebração da vida e da música que sempre esteve presente em sua obra.

Compositor João Silva, autor de "Pagode Russo", "Danado de Bom",
"Sanfoninha Choradeira" e "São João Sem Futrica". 

Na sequência, em "Respeita Januário", ele faz um pot-pourri com três de seus sucessos: a própria "Respeita Januário", "Riacho do Navio" e "Forró no Escuro", com a participação de Raimundo Fagner. A presença do músico cearense dá um frescor a essas músicas clássicas, reforçando a conexão entre mestre e discípulo e mostrando a longevidade da música do “Rei do Baião”.

A faixa-título, "Danado de Bom", é a alma do disco. É Gonzaga rindo de sua própria jornada, de sua resistência. O refrão, que se espalhou pelo país, celebra sua volta triunfal aos holofotes, com uma participação especial de Elba Ramalho na introdução, unindo gerações em um só som.

A emoção atinge o auge em "Pense N'eu", o dueto com seu filho, Gonzaguinha. A música, que já era uma canção de afeto, se torna um símbolo de reconciliação e esperança nas vozes de pai e filho. A letra, com seus versos de mudança, reflete o contexto político da época, com a luta por eleições diretas no Brasil. Essa faixa é um lembrete de que, por trás da grandiosidade artística, existia uma relação humana, complexa e amorosa.

Em "Nessa Estrada da Vida", Gonzaga retorna ao tema do homem simples e sua jornada, com a sanfona funcionando como uma companheira fiel que ecoa as realidades da vida. Em seguida, "Regresso do Rei" é uma ode ao retorno ao sertão, uma celebração das raízes e da resistência nordestina. A canção é um testemunho da memória afetiva e da importância de Gonzaga como o verdadeiro rei do baião.

A parceria com Elba Ramalho retorna em "Sanfoninha Choradeira", uma canção que une a voz do veterano à da juventude. A melodia é pura ternura, com a sanfona "chorando" de alegria e saudade, revelando segredos do coração em um dueto cheio de paixão e desejo. A alegria continua com "Casamento de Rosa", um clássico forró que reafirma a tradição do Rei do Baião e celebra a festa sertaneja em toda a sua riqueza.

O álbum segue com a celebração junina de "Aproveita Gente" e "São João Sem Futrica", que exaltam a dança e a festa comunitária do sertão, mostrando a autenticidade das celebrações do interior em contraposição às urbanas. O disco então toma um rumo mais reflexivo com "Terra, Vida E Esperança", uma faixa sobre a dureza do sertão, a seca e a fome, mas que também traz a fé na chuva e na fartura.

Na reta final do disco, o clássico "Adeus, Iracema" ganha uma nova vida com a participação de Dominguinhos e Gonzaguinha. A jangada, a saudade e a poética despedida da terra natal transformam a música em um momento de passagem, de continuidade.

Por fim, o álbum Danado de Bom se encerra com a homenagem pessoal de "Lula, Meu Filho", uma canção carregada de afeto e simplicidade, um lembrete de que, por trás do ícone, havia um pai que incentivava seu filho a não se esquecer de suas raízes. O disco é uma joia atemporal, que combina a vitalidade e a inovação de um artista que, em 1984, mostrou que o rei ainda estava no trono.

Filho e pai: Gonzaguinha faz dueto com Luiz Gonzaga na
emocionante "Adeus, Iracema".

O lançamento de Danado de Bom foi recebido com surpresa. A crítica, que havia relegado Gonzaga a um folclore distante, reconheceu nele a força de um artista que sabia se reinventar sem trair sua raiz. A imprensa destacou o retorno vigoroso do forró tradicional e a importância das parcerias com João Silva, Elba Ramalho, Fagner, Dominguinhos e Gonzaguinha, que davam ao álbum o caráter de encontro de gerações.

Comercialmente, foi um estouro. O álbum Danado de Bom vendeu 100 mil cópias em menos de três meses de lançamento, dando a Luiz Gonzaga o seu primeiro Disco de Ouro. Mas as vendas foram além: ultrapassou a marca de 600 mil e, em pouco tempo, o álbum chegou a vender pouco mais de 1,3 milhão de cópias, algo inédito na longa trajetória de Gonzaga. As vendas extraordinárias do disco foram puxadas pelos sucessos radiofônicos das faixas “Pagode Russo”, “Sanfoninha Choradeira”, “Pensa N’Eu”, o pot-pourri com Fagner e a faixa-título.

O sucesso comercial de Danado de Bom levou Luiz Gonzaga a receber o Prêmio Shell, até então entregue apenas a nomes como Pixinguinha, Dorival Caymmi e Tom Jobim, e ganhou o Nipper de Ouro, homenagem internacional da RCA. Não bastassem esses prêmios, o disco salvou seu contrato com a gravadora, provando que ainda havia público — e muito — para o som da sanfona.

Danado de Bom foi o ponto de inflexão que garantiu a Gonzaga mais uma década de vitalidade artística. Mostrou que, mesmo em meio ao domínio do pop estrangeiro e das experimentações urbanas da MPB, o baião tinha fôlego e público.

Mais do que um sucesso de vendas, o álbum se tornou símbolo de resistência cultural. Foi a vitória de um septuagenário que, em vez de se acomodar na nostalgia, reafirmou sua atualidade. Foi também a consagração de João Silva como parceiro decisivo, responsável por fornecer a Gonzaga algumas de suas últimas grandes canções.

Quando se fala em discos de retorno na música brasileira, de superação, poucos têm a força simbólica de Danado de Bom. Ele é, ao mesmo tempo, celebração e reinauguração, testemunho de que a música popular não precisa se render às modas passageiras para continuar relevante. Gonzaga, com seu chapéu de couro e sua sanfona, provou em 1984 que ainda era capaz de incendiar o Brasil inteiro — danado de bom como sempre foi.

Faixas

Lado 1

01. "Pagode Russo" (Luiz Gonzaga / João Silva)

02. "Respeita Januário" (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira), "Riacho do Navio" (Luiz Gonzaga / Zé Dantas), "Forró no Escuro" (Luiz Gonzaga): participação especial de Fagner

03. "Danado de Bom" (Luiz Gonzaga / João Silva)

04. "Pense N’eu" (Gonzaguinha) Participação: Gonzaguinha

05. "Nessa Estrada da Vida" (Valdi Geraldo / Aparecido José)

06. "Regresso do Rei" (Luiz Gonzaga / Onildo Almeida)

 

Lado 2

07. "Sanfoninha Choradeira" (Luiz Gonzaga / João Silva) Participação: Elba Ramalho

08. "Casamento de Rosa" (Luiz Gonzaga / Zé Dantas)

09. "Aproveita Gente" (Onildo Almeida)

10. "São João Sem Futrica" (João Silva / Zé Mocó)

11. "Terra, Vida E Esperança" (Jurandy da Feira)

12. "Adeus, Iracema" (Luiz Gonzaga / Zé Dantas) Participação: Dominguinhos / Gonzaguinha

13. "Lula, Meu Filho" (Luiz Gonzaga / Aguinaldo Batista)



"Danado de Bom" - Luiz Gonzaga e 
Elba Ramalho (Luiz Gonzaga Especial - 
Danado de Bom, TV Globo,1984)

 
"Respeita de Januário"/"Riacho do Navio"/
"Forró no Escuro" - Luiz Gonzaga e Fagner 
(Luiz Gonzaga Especial - Danado de Bom
TV Globo,1984)

"Pagode Russo" - Luiz Gonzaga
(Luiz Gonzaga Especial - Danado de Bom
TV Globo,1984)

"Danado de Bom" - Luiz Gonzaga
(Luiz Gonzaga Especial - Danado de Bom
TV Globo,1984)

"Pensa N'Eu" - Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
(Luiz Gonzaga Especial - Danado de Bom
TV Globo,1984)

"Terra, Vida e Esperança" - Luiz Gonzaga
(Luiz Gonzaga Especial - Danado de Bom
TV Globo,1984)

ROCK ART


 

O disco The Strand da banda The Strand, lançado originalmente em 1980, é uma daquelas obras cult que ficaram esquecidas por décadas


O disco The Strand da banda The Strand, lançado originalmente em 1980, é uma daquelas obras cult que ficaram esquecidas por décadas antes de serem redescobertas pelos fãs de rock, west coast e rock melódico. A faixa de abertura, “Rock It Tonight”, já mostra bem a proposta do grupo: guitarras limpas, refrões marcantes, teclados sofisticados e uma sonoridade muito ligada à cena californiana do final dos anos 70 e início dos anos 80. Apesar da qualidade musical, o álbum não alcançou grande sucesso comercial na época, tornando-se posteriormente uma raridade bastante valorizada entre colecionadores e apreciadores do gênero.
Um dos grandes diferenciais do trabalho é a participação de músicos ligados ao universo do Toto. O álbum foi produzido por Jeff Porcaro, um dos músicos mais respeitados da cena de Los Angeles. A produção traz aquele refinamento típico do chamado West Coast Sound, combinando rock melódico, pop sofisticado e arranjos extremamente bem construídos. Faixas como “Long Hot Summer”, “Prisoners In Paradise” e “Can't Look Back” reforçam a impressão de que a banda tinha potencial para alcançar um público muito maior do que alcançou.
Com o passar dos anos, o álbum ganhou status de joia perdida do AOR americano, especialmente após sua reedição em CD pela Rock Candy Records. Hoje, The Strand é frequentemente citado por fãs do estilo ao lado de bandas e projetos como Airplay, Player e Dakota. “Rock It Tonight” continua sendo uma das músicas mais representativas do álbum, resumindo perfeitamente o clima elegante, melódico e altamente produzido que marcou parte da música norte-americana do início dos anos 80.



O LP Dance Of The Flames, do grupo britânico Incantation, foi lançado em 1983 e se tornou um dos trabalhos mais conhecidos da banda


O LP Dance Of The Flames, do grupo britânico Incantation, foi lançado em 1983 e se tornou um dos trabalhos mais conhecidos da banda após o sucesso de Cacharpaya (Panpipes of the Andes). O álbum alcançou a 61ª posição nas paradas britânicas, consolidando a popularidade do grupo no Reino Unido.
Formado por músicos radicados em Londres e inspirados pela música folclórica dos Andes, o Incantation misturava instrumentos tradicionais sul-americanos, como flautas de pã, quenas e charangos, com arranjos contemporâneos. Em Dance Of The Flames, essa sonoridade cria uma atmosfera envolvente e contemplativa, marcada por melodias instrumentais que evocam paisagens andinas e tradições indígenas.
Entre as faixas de destaque estão “Dance of the Flames”, “Canarios”, “The Man From Humahuaca” e “Festival of Yotala”. O repertório explora ritmos e temas tradicionais da América do Sul, mantendo um clima sereno e ao mesmo tempo vibrante.
Curiosidade: a banda recebeu o nome Incantation por inspiração na palavra “Inca” e ganhou notoriedade por levar a música andina ao público europeu. Alguns de seus integrantes também participaram de trilhas sonoras de filmes famosos, como Willow, Field of Dreams e The Mission.



O LP I Prefer the Moonlight, de Kenny Rogers, foi lançado em 1987


O LP I Prefer the Moonlight, de Kenny Rogers, foi lançado em 1987 e representa uma das últimas grandes fases da carreira do cantor durante sua passagem pela gravadora RCA Records. O álbum combina country contemporâneo com elementos de pop adulto, uma fórmula que ajudou Rogers a conquistar tanto o público country quanto as paradas de sucesso internacionais. Foi seu vigésimo álbum de estúdio e o último trabalho inédito lançado pela RCA.
Entre os destaques do disco estão a faixa-título "I Prefer the Moonlight", que alcançou o segundo lugar nas paradas country dos Estados Unidos, e o dueto "Make No Mistake, She's Mine" com Ronnie Milsap, vencedor do Grammy de Melhor Colaboração Country com Vocais. Outra canção de sucesso foi "The Factory", que também figurou entre os maiores sucessos country da época.
Musicalmente, o álbum apresenta uma produção refinada típica dos anos 1980, com teclados, arranjos sofisticados e vocais emotivos. Participações especiais de artistas como Kim Carnes e Juice Newton enriquecem ainda mais o trabalho.
O disco alcançou a 18ª posição na parada americana de álbuns country e consolidou mais uma vez a capacidade de Kenny Rogers de se reinventar sem abandonar suas raízes musicais. Embora não tenha atingido o mesmo impacto comercial de clássicos como The Gambler, é considerado um álbum sólido e muito apreciado pelos fãs do country-pop dos anos 1980.
Curiosidade: a canção "I Prefer the Moonlight" conta com vocais de apoio de Kim Carnes, a mesma cantora que fez enorme sucesso com o hit "Bette Davis Eyes". A música tornou-se um dos últimos grandes sucessos de Kenny Rogers na década de 1980.



O LP Now, lançado em 1981 pelo grupo vocal de jazz e pop The Hi-Lo's, marcou o retorno do quarteto aos estúdios após um longo período sem gravar álbuns inéditos


O LP Now, lançado em 1981 pelo grupo vocal de jazz e pop The Hi-Lo's, marcou o retorno do quarteto aos estúdios após um longo período sem gravar álbuns inéditos. Conhecidos por suas harmonias vocais sofisticadas e arranjos inovadores, os Hi-Lo's atualizaram seu repertório neste trabalho ao interpretar canções contemporâneas ao lado de clássicos da música popular.
O álbum traz versões refinadas de músicas como “Just the Way You Are”, de Billy Joel, “After the Love Has Gone”, sucesso do grupo Earth, Wind & Fire, além de standards como “Every Time We Say Goodbye” e “The Night We Called It a Day”. A combinação de harmonias vocais precisas com arranjos orquestrais elegantes demonstra a capacidade do grupo de se adaptar aos novos tempos sem perder sua identidade artística.
Embora não tenha alcançado grande sucesso comercial, Now é considerado uma obra valiosa para admiradores de vocal jazz e grupos de harmonia, evidenciando a maturidade musical dos Hi-Lo's e a permanência de sua influência sobre gerações posteriores de conjuntos vocais.
Curiosidade: o líder e arranjador do grupo, Gene Puerling, é frequentemente citado como uma das maiores influências para grupos vocais modernos, incluindo The Manhattan Transfer e Take 6.



Maiden Japan é um registro histórico da fase inicial do Iron Maiden. Gravado ao vivo em Nagoya, Japão, em 1981


Maiden Japan é um registro histórico da fase inicial do Iron Maiden. Gravado ao vivo em Nagoya, Japão, em 1981, durante a turnê de Killers, o EP marca a última gravação oficial de Paul Di’Anno com a banda antes da chegada de Bruce Dickinson.
Com versões explosivas de “Running Free”, “Remember Tomorrow”, “Killers” e “Innocent Exile”, o disco captura toda a energia crua e agressiva do Maiden no início de sua trajetória. Além da importância musical, algumas edições com a capa original tornaram-se peças raras e muito valorizadas por colecionadores.
Um item essencial para fãs do Iron Maiden e para qualquer coleção de vinil.



Destaque

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