quarta-feira, 15 de julho de 2026

Álbum da Semana: Ultraviolence de Lana Del Rey (2014)

 

Em junho de 2014, eu tinha 19 anos e estava de volta da faculdade, após o meu primeiro ano. Estava desempregado e passava muitas noites acordado até depois das 3 ou 4 da manhã ouvindo música no porão da minha mãe. Era uma época ótima para o rap, e as típicas sessões de improviso no porão envolviam Main Attrakionz e Young Thug, mas eu também ouvia artistas como Beach House, Mazzy Star, Galaxie 500 e meus favoritos de sempre, Cocteau Twins. Menciono isso porque a minha paixão pelo dream-pop me preparou para curtir Ultraviolence .

Como eu não acompanhava Lana Del Rey de perto antes deste álbum, foi uma experiência surpreendente e incrível o quanto ele me cativou. Também achei a depressão que Lana expôs publicamente em relação à reação negativa a Born to Die (2012) realista e comovente. Essa foi uma era realmente única na primeira década das redes sociais, quando os artistas foram submetidos a uma forma nova e avassaladora de receber críticas sem filtro, e a entrevista ao The Guardian que acompanhou o lançamento deste álbum em 13 de junho de 2014 revelou Lana como alguém que não “gostava de ser uma estrela pop, [se sentia] constantemente alvo de críticas” e, o mais alarmante, “[não] queria estar viva”. Ultraviolence , então, foi uma virada dramática em todos os sentidos da palavra: uma demonstração teatral de tristeza intensa, um abandono do hip-hop pop de Born to Die e Paradise , e uma coleção uniformemente impactante de canções de rock sombrio.

The Black Keys não são muito parecidos com as bandas que mencionei no primeiro parágrafo, mas quando você combina a atmosfera rica e lenta da guitarra produzida por Dan Auerbach com a voz aveludada de Lana, o resultado é algo como um revival dream-pop marcado por cicatrizes, com referências clássicas do pop. “West Coast” gira em torno da tensão antes de explodir em uma interpolação em câmera lenta de “Edge of Seventeen”, de Stevie Nicks. “Ultraviolence” reelabora “He Hit Me (and It Felt Like a Kiss)”, do The Crystals, em uma homenagem distorcida a Kubrick. E, apropriadamente, o álbum tem uma escala cinematográfica. Enquanto Honeymoon (2015) e álbuns posteriores retratam uma mulher mais tranquila na casa dos trinta, Ultraviolence é um retrato estilizado da tristeza juvenil. Seu mito obcecado pela música americana, embora contenha raízes genuínas, é tematicamente expandido para efeito dramático. É assim que se chega a letras como “Eles acham que eu não entendo a liberdade dos anos setenta… Estou escrevendo romances como poesia beat sob efeito de anfetaminas” (“Brooklyn Baby”) ou a (aparentemente!) fútil “Sad Girl”. Mas o resultado final são canções ousadas, inventivas e pessoais que não se curvam (ou não se curvavam) a nenhuma fórmula de sucesso comercial (alguns dos maiores sucessos de 2014: “Happy”, de Pharrell; “Talk Dirty”, de Jason Derulo; “All About That Bass”, de Meghan Trainor).

Enquanto os álbuns mais recentes da Lana Del Rey (na minha opinião) são repletos de baladas minimalistas, Ultraviolence tem uma fluidez sólida com elementos que realçam a força de suas composições e vocais, em vez de deixá-las repetitivamente despojadas. A balada mais simples aqui, a penúltima "Old Money", é belíssima e bem-vinda após a atmosfera nebulosa das faixas anteriores. O encerramento com um cover de "The Other Woman" é a homenagem final e mais graciosa do álbum ao pop clássico, e a performance vocal de Lana na música é impressionante. Até as faixas menos conhecidas valem a pena serem ouvidas: a faixa bônus "Black Beauty" é uma balada emocionante, e a faixa bônus do iTunes "Is This Happiness?" me destrói completamente (queria que estivesse no Spotify!).

Em 2019, o reconhecimento da crítica à música de Lana atingiu o auge com o sucesso de Norman Fucking Rockwell!, mas Born to Die e Ultraviolence ainda me parecem seus melhores álbuns. Se você não curte o estilo dela, esses álbuns provavelmente não mudarão sua opinião mais do que qualquer outra coisa que ela tenha feito desde então. Mas, ao se entregar à sua dor, Lana brilhou em Ultraviolence , e este se destaca como um ponto alto único em sua carreira.

Ouça Ultraviolence aqui .

Live Aid: 41 anos do Dia que deu ao Rock o seu Dia

 

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Com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar no combate à fome na Etiópia, os roqueiros Bob Geldof (Boomtown Rats) e Midge Ure (Ultravox) organizaram um festival de rock que reuniu um elenco impressionante de músicos e bandas.  Os concertos ocorreram em 13/07/1985 em Londres e na Filadélfia, e foram vistos, além das pessoas presentes aos estádios, por uma plateia estimada de 2 bilhões de pessoas no mundo, graças à transmissão de televisão.

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Bob Geldof e Midge Ure

Tudo teve início na gravação de uma música beneficente de Geldof e Ure, chamada Do They Now It’s Christmas, no final de 1984, executada por uma constelação de músicos britânicos e irlandeses sob o nome de Band Aid. Aliado ao sucesso estrondoso, e inesperado, do clipe e do single, Boy George (Culture Club) deu a ideia de ampliar o alcance e organizar um concerto para arrecadar mais fundos.

Foi um grande momento em minha vida poder acompanhar pela televisão a evento de tal magnitude. O pessoal da década de 60 e 70 ainda estava em grande forma e os novos, à época, tiveram a grande chance de ser firmar. Assim veteranos como Phil Collins, Bryan Ferry, David Gilmour, Queen, David Bowie, The Who, Elton John, Paul McCartney, Joan Baez, B. B. King, Black Sabbath, Mick Jagger, Led Zeppelin dividiram espaço com as mais recentes, algumas nem tanto, estrelas do rock como Sting, U2, Dire Straits, Pretenders, Madonna, The Cars, Power Station, Duran Duran, etc….

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Em determinado momento, Phil Collins disse que aquele dia deveria ser considerado o “Dia Mundial do Rock”. E assim, já na década de 90, a data passou a ser conhecida desta forma – por uma campanha de duas rádios paulistanas de rock – no Brasil. Sim! Só no Brasil!

VÍDEOS


Led Zeppelin


David Bowie


The Who



Mick Jagger


Style Council


Dire Straits


Paul McCartney


“Você Conhece?” Aunt Mary

 

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Mais um grupo pouco divulgado do qual tomei conhecimento, e gostei,

O Aunt Mary é oriundo da Noruega e, durante a década de 1970, lançou três álbuns muito bons que partiram do hard rock em direção ao rock progressivo. Após sua dissolução em 1973, aconteceram várias reuniões ao longo dos anos, principalmente para shows.

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A música da ‘Tia Maria’ tem aquela combinação que eu tanto prezo: o peso do hard rock e as melodias do progressivo sinfônico. Esta mistura é mais evidente no terceiro álbum “Janus”, de 1973.

Uma curiosidade: o Aunt Mary também fez uma versão rock para a peça clássica “Na Gruta do Rei da Montanha” do compositor norueguês Edvard Grieg.

 

MÚSICAS











“Alagados” dos Paralamas do Sucesso: A Canção dos Excluídos

 

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Após a diversão festeira de seus dois primeiros álbuns, os Paralamas do Sucesso partiram para uma temática mais politizada em “Selvagem?”, seu terceiro disco, lançado em 1986. Este álbum incorpora elementos de MPB, ritmos nordestinos e a adição de metais ao rock + reggae + ska original da banda.

A faixa de abertura, Alagados, pode enganar os mais incautos por seu ritmo contagiante, mas se prestarmos bem atenção em sua letra veremos que se trata de uma contundente crítica às desigualdades sociais no Brasil e no mundo. E tal situação não mudou muito desde então e até os nossos dias.

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Capa do álbum “Selvagem?”

A canção descreve a difícil realidade dos moradores das favelas brasileiras em um contexto de crise econômica pela qual o país passava durante da década de 1980. Será que isto mudou de lá para cá?

Todo dia o sol da manhã vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo, quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia

O duro despertar e enfrentar a realidade cruel da favela.

E a cidade que tem braços abertos num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

Alusão à cidade do Rio de Janeiro e sua dubiedade de ser uma cidade paradisíaca para os privilegiados e um inferno para os mais desprovidos. A estátua do Cristo Redentor está de braços abertos, mas a cidade cerra seus punhos contra os excluídos e lhes nega oportunidades de melhoria.

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de TV
A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê

O refrão primeiro faz um paralelo entre cidades de mesma característica de ser um paraíso turístico em contraste com a dura vida nas favelas: Alagados (Salvador – Brasil); Trenchtown (Kingston – Jamaica) e Favela da Maré (Rio de Janeiro – Brasil).

Em seguida os versos que causam dúvida quando escutamos: A esperança não vem do mar / NEM das antenas de TV. Aqui muitos (inclusive eu durante algum tempo) escutam “Vem das antenas de TV”. Não adianta esperar um milagre ‘vindo do mar’, uma nova expedição de Cabral? Nem adianta esperar algo das emissões televisivas fora da realidade e escapistas. O recado é não adianta esperar que nada caia do céu, temos que ir à luta e conquistar a almejada justiça social.

Por fim a questão: de onde vem a fé que alimenta a arte de sobreviver em condições tão adversas?

 

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VÍDEOS


Vide clipe:


Áudio com mais qualidade:


terça-feira, 14 de julho de 2026

“Você Conhece?” Armageddon

 

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O Armageddon é um daqueles grupos que tinha tudo para estourar, mesmo no concorrido cenário roqueiro da década de 1970. Contando com músicos experientes – Keith Relf (Yardbirds, Renaissance), Bobby Caldwell (Captain Beyond), Martin Pugh (Steamhammer) e Louis Cennamo (Renaissance, Steamhammer) – a banda nasceu em 1974 com a aura de supergrupo.

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Keith Relf (ao centro), Louis Cennamo, Bobby Caldwell e Martin Pugh

Porém algo não deu certo e eles tiveram uma curta carreira na qual lançaram apenas um álbum e fizeram pouquíssimas apresentações ao vivo. Em 1976 o grupo já não existia mais. Apesar do relativo sucesso do álbum homônimo, “Armageddon” de 1975, problemas com a promoção do grupo pelos empresários e questões de saúde, asma e enfisema, de Keith Relf, foram alegados posteriormente pelo fato de não terem decolado. A trágica morte de Relf, eletrocutado por uma guitarra, poucos meses depois do fim da banda, sepultou de vez qualquer pretensão de retorno.

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Keit Relf (centro) na época dos Yardbirds

Apesar de tantos problemas, o Armageddon deixou um excelente álbum de hard rock como legado. Um inspirado trio de instrumentistas, com Relf cantando como nunca, nos presenteia com um rock pauleira de primeira linha.

MÚSICAS







Zephyr Kuroi – Let’s Enjoy This Plane (2026)

Zephyr Kuroi – Let’s Enjoy This Plane (2026)

Tracklist:
01 – Mornings
02 – Ash
03 – Cold
04 – Pads
05 – Cream
06 – Dreams
07 – Sleeeeep
08 – Flok
09 – Honey
10 – Sun And Moon
11 – Mystics
12 – Scape
13 – Toyota
14 – Top
15 – Try It
16 – Treasure
17 – Vocal
18 – Vinyl Days
19 – Weird
20 – White
MUSICA&SOM ☝


Lemongrass – Serenity (2026)

Lemongrass – Serenity (2026)

Tracklist:
01 – Song Of Your Tenderness
02 – Dream Away
03 – Blue Day
04 – Balearic Sunset
05 – Forward Into The Past
06 – Dinner Lights
07 – Campfire
08 – Secrets
09 – Infinity
10 – Silent Treasures

The Cruel Intentions – All Hail Hypocrisy (2026)

The Cruel Intentions – All Hail Hypocrisy (2026)

Tracklist:
01 – Beating in My Chest
02 – Living Out of Line
03 – All Hail Hypocrisy
04 – Triple Threat
05 – Wasteland
06 – When Eden Burn
07 – Pseudo Genius
08 – Bad Addiction
09 – Porridge Head
10 – Watcha Gonna Do
11 – Cashed Out


Skydiggers – West Montrose (2026)


Skydiggers – West Montrose (2026)

Tracklist:
01 – Alice Graham
02 – Dark Hollow
03 – Shimmy Up Those Words
04 – Alberta
05 – Leslie
06 – The Mountain
07 – Just Over This Mountain
08 – Blue Railroad Train
09 – This Old Town
10 – Well Alright

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...