segunda-feira, 20 de julho de 2026

Em 20/07/1986: Legião Urbana lança o álbum Dois

Em 20/07/1986: Legião Urbana lança o álbum Dois.
Dois é o segundo álbum de estúdio da banda brasileira de rock alternativo Legião Urbana.
Foi lançado em 20 de julho de 1986 pela EMI. Ocupa a 21ª posição da lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil.
Em setembro de 2012, Dois foi eleito pelo público da rádio Eldorado FM, do portal Estadao.com e do Caderno C2+Música (dois últimos pertencentes ao jornal O Estado de S. Paulo) como o terceiro melhor disco brasileiro da história. Vendeu mais de 900 mil cópias no Brasil. "Tempo Perdido" fez grande sucesso e se tornou um dos grandes clássicos do Legião Urbana. "Eduardo e Mônica", "Índios" e "Quase sem Querer" fizeram sucesso.
Na época do lançamento, a crítica d'O Estado de S. Paulo elogiou o disco, afirmando: "Você morde e vê que ali tem carne. Sangrando. O gostinho de The Smiths no lado A, com o letrista e vocalista Renato Russo enchendo a boca em Daniel na Cova dos Leões ou Tempo Perdido, na verdade apenas prepara o terreno para a paulada do lado B, como Metrópole e Fábrica." No encarte, trazia uma foto de um casal abraçado de costas para a câmera e de frente para o mar. A imagem foi obtida por Ico Ouro Preto, ex-guitarrista da banda que virou fotógrafo.
Lista de faixas:
Todas as canções produzidas por Mayrton Bahia; exceto "Eduardo e Mônica", produzida por Renato Russo.
Dois – Edição em LP e CD.
1. "Daniel na Cova dos Leões": 4:00
2. "Quase Sem Querer": 4:42
3. "Acrilic on Canvas": 4:40
4. "Eduardo e Mônica": 4:32
5. "Central do Brasil" (instrumental): 1:34
6. "Tempo Perdido": 5:02
7. "Metrópole": 2:50
8. "Plantas Embaixo do Aquário": 2:55
9. "Música Urbana 2": 2:42
10. "Andrea Doria": 4:58
11. "Fábrica": 4:56
12. ""Índios"": 4:23
Duração total: 47:14.
Dois – Faixa escondida da versão em K7:
13. "Química": 2:22
Duração total: 49:36.
Créditos:
Renato Russo - vocais, teclado, violão, mixagem, produção
Marcelo Bonfá - bateria, percussão, glockenspiel
Dado Villa-Lobos - guitarra, violão, efeitos
Renato Rocha - baixo elétrico, teclado.



Em 20/07/1973: Mott the Hoople lança o álbum Mott.

Em 20/07/1973: Mott the Hoople lança o álbum Mott.
Mott é o sexto álbum de estúdio da banda de rock britânica Mott the Hoople. Lançado em julho de 1973, e alcançou o 7 lugar na parada de álbuns do Reino Unido. "All the Way from Memphis", foi uma versão editada e lançada como single, recebeu um considerável airplay nas rádios americanas e capturou os fãs da banda no exterior, além de alcançar o UK Singles Chart.
Em 2003, Mott foi classificado o número 366 na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone, e 370 na lista revisada de 2012. Uma versão remasterizada e expandida foi lançada pela gravadora Columbia / Legacy da Sony nos Estados Unidos em 2006.
Lista de faixas:
Todas as músicas escritas por Ian Hunter.
Lado um:
1. "All the Way from Memphis" – 4:55
2. "Whizz Kid" – 3:05
3. "Hymn for the Dudes" – 5:15
4. "Honaloochie Boogie" – 2:35
5. "Violence" – 4:37
Lado dois:
6. "Drivin' Sister" – 4:42
7. "Ballad of Mott the Hoople
(26th March 1972, Zürich)" – 5:40
8. "I’m a Cadillac / El Camino Dolo Roso" – 7:40
9. "I Wish I Was Your Mother" – 4:41
Tempos das faixas do LP desde o lançamento no Reino Unido de 1973 (CBS 69038).
Os tempos de faixa publicados para o lançamento nos EUA (Columbia 32425) diferem ligeiramente.
Lançamento do CD de 2006:
1. "All the Way from Memphis" – 5:02
2. "Whizz Kid" – 3:25
3. "Hymn for the Dudes" – 5:24
4. "Honaloochie Boogie" – 2:43
5. "Violence" – 4:48
6. "Drivin' Sister" – 3:53
7. "Ballad of Mott the Hoople
(26th March 1972, Zürich)" – 5:24
8. "I’m a Cadillac / El Camino Dolo Roso" – 7:50
9. "I Wish I Was Your Mother" – 4:52.
Faixas bônus (reedição de 2006)
10. "Rose" – 3:56
11. "Honaloochie Boogie"
(Demo version) – 3:07
12. "Nightmare" (Demo) – 3:36
13. "Drivin' Sister" – 4:30 Live 1973.
Pessoal Mott the Hoople
Ian Hunter – vocais (todas as faixas, exceto ; piano (todas as faixas, exceto 5) ; violão (faixas 3, 7, 9) ; guitarra rítmica (Faixa 6) ;
echo vamper (Faixas 7, 9) ; arranjos
Mick Ralphs – guitarra solo (todas as faixas, exceto 9) ; backing vocals (faixas 1, 2, 4) ; órgão (Faixas 3, 5, 7, ; Moogotron (Faixa 2) ; bandolinas (Faixa 9) ; pandeiro (faixa 1) ;
violão (faixa ; vocais principais (faixa
Pete "Overend" Watts – baixo (todas as faixas) ; backing vocals (Faixa 4) ; baixo fuzz (faixa
Dale "Buffin" Griffin – bateria (todas as faixas) ; backing vocals (faixas 1, 3, 4, 6)
Pessoal adicional
Paul Buckmaster - violoncelo elétrico em "Honaloochie Boogie"
Morgan Fisher – piano, sintetizador , backing vocals em "Drivin' Sister" (ao vivo)
Mick Hince - sinos em "I Wish I Was Your Mother"
Andy Mackay - saxofone tenor em "All The Way from Memphis" e "Honaloochie Boogie"
Graham Preskett – violino "insano" em "Violence"
Thunderthighs (Karen Friedman, Dari Lalou, Casey Synge) – backing vocals em "Hymn for the Dudes".


 



Tesla – The Great Radio Controversy [1989]

 Tesla – The Great Radio Controversy [1989]

The Great Radio Controversy é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Tesla, lançado originalmente em 1° de fevereiro de 1989, através do selo Geffen Records. Mechanical Resonance, álbum de estreia da banda, foi lançado em dezembro de 1986, vendendo mais de 1 milhão de cópias nos Estados Unidos, muito graças às canções “Modern Day Cowboy” e “Little Suzi”, as quais tiveram boa circulação nas rádios especializadas em Rock e ajudaram na divulgação do trabalho. Há que se lembrar também que no ano de seu lançamento, 1986, o Glam Metal estava no auge nos Estados Unidos, fato que ajudou na popularização de Mechanical Resonance, embora este não se enquadre exatamente no estilo.

O sucesso do disco permitiu ao Tesla entrar em turnê como show de abertura para o Def Leppard, grupo que era um dos grandes nomes do Hard Rock nos anos oitenta. Nos primeiros dias de sua carreira, o Tesla tocou com gente como David Lee Roth, Alice Cooper e Poison, o que resultou na banda sendo categorizada como pertencente à cena de glam metal. Entretanto, os membros do Tesla se ressentiram dessa rotulação naquela época. Atualmente, a banda, de acordo com Troy Luccketta, não se importa em ser rotulado como parte daquela cena. 

Encarte contando sobre a grande controvérsia da invenção do rádio

O título do disco foi retirado da controvérsia sobre a identidade do inventor do rádio. É postulado que o engenheiro sérvio Nikola Tesla (que dá nome à banda) é o verdadeiro inventor do rádio, enquanto o italiano Guglielmo Marconi levou o crédito e é amplamente considerado como tendo inventado o equipamento. O encarte do disco original conta essa história.A produção ficou a cargo do produtor Steve Thompson (Guns N’ Roses e Madonna, entre outros) e de Michael Barbiero, que foi o produtor do primeiro trabalho da banda. O Tesla era composto por Jeff Keith nos vocais, Tommy Skeoch e Frank Hannon nas guitarras, Brian Wheat no baixo e Troy Luccketta na bateria.

“Hang Tough” abre o disco com potência e com peso. “Lady Luck” é mais convencional, bem na linha do Glam Metal oitentista. “Heaven’s Trail (No Way Out)” é mais cadenciada e com toque bluesy. “Be a Man” é um Hard oitentista padrão, com bons vocais de Keith. “Lazy Days, Crazy Nights” tem uma pegada mais Mötley Crüe, o que é um ótimo sinal. “Did It for the Money” é também uma canção mais padrão, seguindo o mesmo ritmo do álbum.“Yesterdaze Gone” é bem mais rápida e mais acelerada, sendo uma das melhores do disco.

Tesla em 1989: Brian Wheat, Frank Hannon, Jeff Keith Tommy Skeoch e Troy Luccketta

“Makin’ Magic” possui um bom refrão e uma curiosa alternância de momentos. “The Way It Is” é uma balada eficiente, com a roupagem daquela época. “Flight to Nowhere” segue o Glam Metal oitentista. “Love Song” é uma canção assinatura da banda, uma balada com classe. “Paradise” é mais uma balada, mas penso que esta é mais pálida. “Party’s Over” encerra o álbum com mais peso e mais agressividade. Embora a banda rejeitasse o rótulo Glam Metal, reflito que é impossível de se fugir dele para se definir a sonoridade do disco. Claro, o Tesla não faz o Glam Metal suave padrão de bandas como o Poison, mas traz uma musicalidade que não é tão diferente assim de bandas como o Cinderella, por exemplo. E nisto há ótimas canções como “Heaven’s Trail (No Way Out)” ou “Lazy Days, Crazy Nights”. Claro, a música de maior sucesso do disco é mesmo “Love Song”, uma balada de bom gosto que oscila entre leveza e mais intensidade. Um problema de The Great Radio Controversy é o excesso de canções e sua longa duração, que trazem uma certa saturação.

Um pouco mais do encarte de The Great Radio Controversy

Muito graças ao enorme sucesso de “Love Song”, o disco acabou indo muito bem, atingindo a 18ª colocação da principal parada norte-americana, a Billboard 200. Ainda beliscou o 34º lugar da parada britânica. Em 1990, o Tesla lançou Five Man Acoustical Jam, um álbum ao vivo com versões acústicas de sucessos como “Comin’ Atcha Live”, “Gettin’ Better”, “Modern Day Cowboy” e “Love Song”. O álbum também apresentou uma série de covers, mais notavelmente uma versão de “Signs”, um sucesso da Five Man Electrical Band. Em 1991, a banda lançou seu terceiro álbum de estúdio, Psychotic Supper.

A revista Rolling Stone coloca o disco na 11ª posição da sua lista 50 Greatest Hair Metal Albums of All Time, em 2015. O L.A. Weekly coloca o álbum na 18ª posição da lista de Chuck Klosterman, Favorite Hair Metal Albums, de 2011. O crítico Martin Popoff põe o trabalho no 415º lugar do seu The Top 500 Heavy Metal Albums of All Time. Segundo algumas estimativas, The Great Radio Controversy ultrapassa a casa de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Contra-capa do vinil

Faixas

01. Hang Tough
02. Lady Luck
03. Heaven’s Trail (No Way Out)
04. Be a Man
05. Lazy Days, Crazy Nights
06. Did It for the Money
07. Yesterdaze Gone
08. Makin’ Magic
09. The Way It Is
10. Flight to Nowhere
11. Love Song
12. Paradise
13. Party’s Over



The Jimi Hendrix Experience – Los Angeles Forum – April 26, 1969 [2022]

 

The Jimi Hendrix Experience – Los Angeles Forum – April 26, 1969 [2022]

A família e o legado de Jimi Hendrix não param de “desencavar” tesouros do (aparentemente inesgotável) arquivo musical deixado pelo guitarrista. Quase todo ano sai um disco novo com o nome do músico, sendo que um dos mais recentes é o registro de um show do Experience original (com Jimi nas guitarras e vocais, Noel Redding no baixo e backing vocals, e Mitch Mitchell na bateria) em Los Angeles, a 26 de abril de 1969, que saiu (lá fora, não há edição nacional disponível, pelo menos enquanto escrevo) em vinil duplo e CD simples no final de 2022, além de disponibilizado nas plataformas digitais. Introduzidos ao palco por Jimmy Rabbitt (popular DJ da rádio AM local KRLA, que transmitiu o concerto), a apresentação inicia com Hendrix se dirigindo ao público (como faria várias vezes ao longo da noite, pelo que se ouve no disco) e “comunicando” a todos que estavam “em um igreja agora… finjam que há um céu acima de nós”, e que o público esquecesse “sobre tudo o que ocorreu ontem, noite passada ou esta manhã… esqueça sobre tudo o que está ocorrendo lá fora, e vamos juntar nossos sentimentos agora”, numa introdução que Billy Gibbons, guitarrista do ZZ Top que assina um dos textos do encarte na condição de testemunha “ocular e auditiva” daquela noite, como se descreve (Gibbons estava na plateia como um “simples” espectador, apesar de sua banda de então, o The Moving Sidewalks, já ter dividido o palco com o Experience anteriormente), chamou de “muito oportuna e psicodélica”.

Hendrix então anuncia que irão iniciar “com uma pequena jam escrita por uma dupla de caras suecos, (Bo) Hannson e (Janne) Karlsson, chamada ‘Tax Free’, mas acho que vamos chamá-la apenas de ‘jam'”. O início calmo da faixa, até então inédita na discografia do guitarrista (uma versão de estúdio só iria aparecer em 1972, no álbum póstumo War Heroes) pode até confundir aos mais desavisados, mas não demora muito para o maior guitarrista que já passou pela Terra começar a mostrar seus truques. Ao longo dos mais de quinze minutos de duração da jam, o trio alterna entre variações do riff principal da canção com momentos de improviso que só o talento e a genialidade de Hendrix poderiam proporcionar, com Redding segurando bem a base para (o frequentemente subestimado) Mitchell também “voar baixo” com suas viradas e conduções (o baterista também tem direito a um longo momento “solo” em parte da música). 

O Experience no palco do Forum de Los Angeles, em foto presente na parte interna da capa gatefold da versão em vinil de Los Angeles Forum – April 26, 1969

Dedicada “à namorada de alguém… não sabemos quem ela é neste momento, mas iremos descobrir depois do show, agora não sabemos sequer o seu nome…“, “Foxey Lady” vem na sequência (com direito a alguns solos improvisados ali pelo meio), seguida de uma marcante redenção para “Red House” (que nunca foi uma das minhas favoritas pessoais na carreira do guitarrista, e que aqui aparece com partes um pouco mais rápidas do que em outras versões que conheço, além de diversos improvisos ao longo de seus mais de onze minutos de duração). A sequência do concerto se dá com uma surpreendente versão de quase doze minutos para “Spanish Castle Magic”, também recheada de improvisos em sua porção central, a qual é seguida pela interpretação de Hendrix para “Star Spangled Banner”, o hino dos Estados Unidos, isto quatro meses antes da “famosa” versão apresentada em Woodstock (e, talvez por isto, não tão marcante quanto aquela, afinal Jimi ainda vinha aprimorando sua “versão manifesto” desta música naquela noite), a qual é “emendada” a uma versão de quase sete minutos para “Purple Haze” (outra faixa que aparece cheia de improvisos ao longo de sua duração).

Uma correta redenção de “I Don’t Live Today” (uma das minhas favoritas pessoais na discografia do guitarrista, e que já havia aparecido, com uma mixagem diferente, no box set The Jimi Hendrix Experience, de 2015) vem na sequência, naquela que é a faixa mais próxima de sua “versão de estúdio” apresentada ao longo da noite, que se encerra com uma interpretação de quase dezessete minutos para “Voodoo Child (Slight Return)”, a qual é intercalada por uma versão instrumental de “Sunshine Of Your Love”, do Cream, também recheada de improvisos, em uma apresentação que, nas palavras de Gibbons, “acendeu a casa inteira, para arrasá-la totalmente na sequência“, em tradução livre (a frase original é “lit the house up and tore it right down“, conforme presente no encarte). 

Contracapa da versão em CD de Los Angeles Forum – April 26, 1969

Aquela seria uma das últimas performances do Experience original (o trio se separaria efetivamente em junho daquele ano), e, como escrito acima, foi transmitida ao vivo por uma rádio local, embora as gravações deste disco (que apresentam uma qualidade excelente para a idade que possuem e por terem ficado “armazenadas” tanto tempo) tenham vindo, alegadamente, das fitas originais em oito canais feitas por uma unidade móvel posicionada no local naquela noite, e mixadas especialmente para este lançamento por Eddie Kramer, histórico produtor ligado à carreira de Hendrix desde a década de 1960. Los Angeles Forum – April 26, 1969 é um belo acréscimo à (ainda crescente) discografia de Jimi Hendrix, sendo extremamente recomendável a seus inúmeros fãs ainda existentes! Confira! 

Track List:

1. Introduction
2. Tax Free
3. Foxey Lady
4. Red House
5. Spanish Castle Magic
6. Star Spangled Banner
7. Purple Haze
8. I Don’t Live Today
9. Voodoo Child (Slight Return) (first part)
10. Sunshine of Your Love
11. Voodoo Child (Slight Return) (second part)


ROCK ART


 

Heavier Things (Aware / Columbia, 2003), John Mayer

 


É possível uma cena de filme influenciar o futuro de uma pessoa? Para o cantor e compositor John Mayer, foi exatamente isso o que aconteceu. Aos 13 anos, ao ver Michael J. Fox encenar o solo de “Johnny B. Goode” no filme De Volta para o Futuro, Mayer decidiu o que queria ser profissionalmente: guitarrista. 

Filho de um diretor escolar e de uma professora de inglês, John Mayer nasceu em 16 de outubro de 1977, em Bridgeport, Connecticut, mas cresceu na vizinha Fairfield. Até aquela cena do filme, a guitarra elétrica era um mistério para o garoto; a partir dali, tornou-se obsessão. Não demorou para que seu pai alugasse uma guitarra, e Mayer passou a dedicar horas aprendendo acordes e dedilhados. O presente de um vizinho — uma fita de Stevie Ray Vaughan — fez o jovem mergulhar no blues, iniciando uma “caçada genealógica” que o levou a Buddy Guy, B.B. King, Freddie King, Albert King e Jimi Hendrix. 

Após breve passagem pela Berklee College of Music, em Boston, Mayer percebeu que a sala de aula não era suficiente. Em 1998, mudou-se para Atlanta, formou o duo LoFi Masters com Clay Cook e logo depois iniciou carreira solo. O EP Inside Wants Out chamou atenção, mas foi em 2001, com o lançamento de Room For Squares, que Mayer explodiu no mainstream. O disco vendeu pouco mais de 5 milhões de cópias, rendeu um Grammy por “Your Body Is a Wonderland” e o alçou ao posto de astro pop. Mas o sucesso trouxe um dilema: Mayer queria ser levado a sério como compositor e guitarrista, não apenas como galã de rádio. 

Dois anos depois, em setembro de 2003, surgia Heavier Things. Como o título sugere, o álbum buscava profundidade maior, mesmo sem perder a leveza melódica que já era sua marca. Um passo adiante para provar que Mayer não seria uma moda passageira, mas um artista disposto a amadurecer diante das câmeras, dos microfones e, sobretudo, da própria consciência. 

Produzido por Jack Joseph Puig, conhecido pelo polimento técnico e pelo equilíbrio entre clareza e emoção, Heavier Things trouxe uma sonoridade mais elaborada do que o trabalho anterior. Mayer gravou partes do disco em seu apartamento em Nova York, o que lhe deu liberdade criativa, mas contou também com sessões no prestigiado Avatar Studios. A Columbia Records, ciente do risco de saturar o público, optou por uma campanha de marketing discreta. Nada de exagero: Mayer seria apresentado como cantor e compositor legítimo, mais preocupado com a música do que com a fama. 

Em termos de arranjo, o álbum incorporou metais, loops e camadas discretas de estúdio que enriqueceram o pop acústico de Mayer sem descaracterizá-lo. O próprio título, Heavier Things, foi escolhido pelo artista por sua ambiguidade: “coisas pesadas”, mas também algo sem definição fixa, um termo que, segundo ele, poderia soar ao mesmo tempo profundo e banal. 

Capa do primeiro álbum de John Mayer, Room for Squares.

Enquanto Room for Squares falava em tons juvenis sobre amores e descobertas, Heavier Things caminha em direção à introspecção, à busca por clareza e ao confronto com a incompletude. Mayer equilibra canções leves com faixas que questionam sua própria identidade, sua espiritualidade e o sentido da vida. É um disco de contradições: ambicioso e minimalista, pop e filosófico, romântico e irônico. 

“Clarity” abre o álbum como quem ergue a cortina e deixa a luz entrar lentamente. O trompete de Roy Hargrove, músico convidado, colore a melodia em tons dourados, enquanto a bateria de Questlove (do The Roots), fluida e meio jazzística, estabelece um ritmo que parece respirar. John Mayer canta como se tentasse segurar o instante entre os dedos, sabendo que ele inevitavelmente escapa. É uma introdução contemplativa, um convite a parar o tempo por alguns minutos. 

Em seguida, “Bigger Than My Body” rompe essa serenidade com energia elétrica, transformando a inquietação em música. Inspirada por um show do Coldplay, a faixa é movida pelo desejo de ultrapassar limites. O uso do pedal AdrenaLinn cria uma textura cintilante, que amplifica o sentimento de urgência. Mayer soa impaciente e ao mesmo tempo confiante, como quem escreve um manifesto pessoal de crescimento. É pop carregado de esperança, feito para soar grande. 

“Something’s Missing” mergulha no oposto: o vazio inexplicável. O arranjo é discreto, a voz melancólica, a letra repleta de imagens triviais que escondem angústia. O refrão não explode — apenas se arrasta como quem se questiona sem encontrar resposta. Mayer fala do incômodo de se ter tudo e ainda assim sentir falta de algo, tocando na ferida da insatisfação contemporânea. 

Esse clima se desdobra em “New Deep”, mas agora temperado com sarcasmo. John Mayer ironiza a busca por profundidade espiritual, chegando à conclusão de que talvez a apatia seja o novo sentido das coisas. “Numb is the new deep” (“Ser insensível é a nova profundidade”), canta Mayer, rindo de si mesmo. O instrumental é contido, quase minimalista, reforçando o caráter de comentário existencial feito com uma sobrancelha levantada. 

Detalhe da arte de duas das páginas do encarte do álbum Heavier Things.

“Come Back to Bed” muda o registro e se aproxima do soul. Os metais entram quentes, o groove é suave e a voz de Mayer pede, implora, deseja. Não é só um chamado para o corpo, mas para a alma do outro: um amor que faz falta em todos os níveis. A vulnerabilidade é escancarada, e a canção se torna um dos momentos mais maduros do disco. 

Na contramão do glamour, “Home Life” apresenta Mayer fantasiando com a vida doméstica. O desejo por rotina, estabilidade e aconchego surge em contraste com a fama global que ele experimentava. É quase paradoxal ouvir um artista em ascensão cantar sobre o sonho de simplicidade, mas é justamente nessa contradição que a música encontra sua força. 

“Split Screen Sadness” chega carregada de melancolia cinematográfica. A metáfora da tela dividida traduz a distância entre duas pessoas que já não se encontram mais, vivendo cada uma em seu próprio enquadramento. As camadas instrumentais crescem e recuam, como ondas emocionais. Mayer canta com honestidade brutal, confessando que teria preferido uma luta até o fim a uma despedida silenciosa. 

Com “Daughters”, tudo se reduz ao essencial. Apenas violão, voz e um toque de percussão discreta. É simples, direta, quase um sussurro que acabou ecoando pelo mundo inteiro. A letra, voltada para os pais e mães, se transformou em mensagem universal. Não por acaso, essa faixa lhe rendeu o Grammy de “Canção do Ano” em 2005. Uma balada pequena em arranjo, mas imensa em alcance. 

“Only Heart” devolve a leveza ao álbum. As guitarras ganham brilho retrô, o ritmo se solta e Mayer parece brincar em estúdio. É pop com atitude, menos preocupado em soar profundo e mais interessado em liberar energia. Uma pausa ensolarada depois da intensidade emocional que veio antes. 

Por fim, “Wheel” fecha o disco como reflexão serena. A metáfora da roda — ciclos que começam, terminam e retornam — serve de base para uma despedida tranquila. John Mayer canta sobre o amor que dá e que, acredita, um dia voltará. A faixa termina em voz quase solitária, deixando o ouvinte suspenso, como se a roda ainda girasse sem destino final.

John Mayer  posa com os dois troféus conquistados  nas categorias de  
"Melhor Performance Vocal Pop Masculina " e "Canção do Ano" (por "Daughters")  
na 47ª edição do Grammy Awards, em Los Angeles, em  fevereiro de 2005.

Lançado em 9 de setembro de 2003, Heavier Things estreou em primeiro lugar na Billboard 200, vendendo mais de 317 mil cópias na primeira semana. No total, alcançou disco triplo de platina nos Estados Unidos e certificados em países como Canadá, Austrália e Reino Unido. 

A crítica, porém, foi dividida. A Billboard afirmou que John Mayer se consolidava como cantor e compositor legítimo, enquanto a Rolling Stone o chamou de “mais sofisticado” que em Room for Squares. A Spin, por outro lado, considerou o álbum excessivamente polido. O Entertainment Weekly ironizou a pretensão do título do disco, mas reconheceu canções de impacto como “Bigger Than My Body”. 

O Grammy para “Daughters” elevou o status do disco. Mayer dedicou o prêmio à avó falecida, mas confessou, anos depois, achar que Alicia Keys merecia mais. De toda forma, Heavier Things lhe deu reconhecimento não apenas como pop star, mas como compositor capaz de dialogar com temas universais. 

Heavier Things foi a ponte entre o Mayer romântico de Room for Squares e o artista maduro de Continuum, lançado em 2006. Aqui, ele experimentou arranjos mais ricos, ousou no lirismo e mostrou que sua música poderia abarcar tanto o pop radiofônico quanto reflexões existenciais. 

O disco provou que Mayer não era apenas o autor de um hit adolescente, mas alguém disposto a dialogar com o blues, o soul e, ao mesmo tempo, com as inquietações de sua geração. Foi nesse equilíbrio entre leveza e peso, ironia e sinceridade, que Heavier Things se tornou essencial.

 

Todas as faixas escritas e compostas por John Mayer, exceto onde indicado.

 

1."Clarity"                  

2."Bigger Than My Body"                  

3."Something's Missing"                   

4."New Deep"                        

5."Come Back to Bed"                       

6."Home Life" (Mayer; David LaBruyere)    

7."Split Screen Sadness"                   

8."Daughters"                        

9."Only Heart"                       

10."Wheel"

 

John Mayer — vocal em todas as faixas, guitarras em todas as faixas

David LaBruyere — baixo em todas as faixas, exceto a 8

Jamie Muhoberac — teclado em todas as faixas, exceto a 9

Lenny Castro — percussão em todas as faixas, exceto 6, 9 e 10


"Clarity" (videoclipe oficial)

"Bigger Than My Body" (videoclipe oficial)

"Something's Missing"

"New Deep"

"Come Back to Bed"

"Home Life"

"Split Screen Sadness"

"Daughters" (videoclipe oficial)

"Only Heart"

"Wheel"

Matanza lançou o compacto em vinil "Assim Começa a Bebedeira" em 2016,


Matanza lançou o compacto em vinil "Assim Começa a Bebedeira" em 2016, pela gravadora Deck/Polysom, como um lançamento especial para colecionadores. O disco marcou o primeiro compacto de 7 polegadas da banda e chegou um ano após o álbum Pior Cenário Possível, trazendo uma faixa inédita e uma homenagem a uma das maiores influências do grupo.
No lado A está "Assim Começa a Bebedeira", composição do guitarrista Donida. A música reúne todos os elementos que consagraram o chamado "countrycore" do Matanza: riffs pesados, levada acelerada, humor ácido e uma narrativa divertida sobre uma noite de bebedeira que se estende até a manhã de segunda-feira, transformando uma discussão de bar em uma verdadeira celebração do caos etílico. A faixa foi gravada no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, e tornou-se rapidamente uma das favoritas dos fãs.
O lado B apresenta uma versão de "Boys From the County Hell", clássico da banda irlandesa The Pogues. A gravação ganhou ainda mais peso com a participação especial de Billy Graziadei, da banda Biohazard. A escolha da música evidencia a forte influência do punk, do folk e do rock de raiz na sonoridade do Matanza, elementos que sempre fizeram parte da identidade do grupo.
Curiosidade: este compacto foi um dos últimos lançamentos inéditos do Matanza antes do encerramento de suas atividades, em 2018. Além de agradar aos colecionadores de vinil, serviu como uma homenagem às raízes musicais da banda e reforçou a ligação entre o country, o punk e o heavy metal que definiu sua carreira.



Lançado em 1983, Madonna marcou a estreia de Madonna


Lançado em 1983, Madonna marcou a estreia de Madonna e deu início a uma das carreiras mais influentes da história da música pop. Misturando dance-pop, pós-disco, synth-pop e a energia da cena clubber de Nova York do início dos anos 1980, o álbum apresentou uma artista que já demonstrava forte personalidade e visão artística. Embora a produção principal tenha ficado a cargo de Reggie Lucas, Madonna interferiu ativamente no resultado final, chegando a chamar John "Jellybean" Benitez para remixar algumas faixas, insatisfeita com parte do trabalho inicial.
Musicalmente, o disco é construído sobre sintetizadores, baterias eletrônicas e linhas de baixo marcantes, criando um som dançante que envelheceu muito bem. As letras abordam temas como romance, desejo, independência e diversão, sempre com um tom leve e sedutor. Faixas como "Holiday", "Lucky Star", "Borderline", "Burning Up" e "Everybody" transformaram Madonna em uma sensação das pistas de dança antes mesmo de ela dominar as paradas de sucesso. "Holiday" tornou-se seu primeiro grande hit internacional, enquanto "Borderline" e "Lucky Star" consolidaram sua presença na MTV, onde seu visual e atitude passaram a influenciar uma geração inteira.
Madonna de 1983 é um dos discos de estreia mais importantes da música pop. Seu sucesso foi gradual, impulsionado pela sequência de singles, até alcançar grande repercussão comercial e abrir caminho para a explosão mundial da cantora nos anos seguintes. Mais do que um simples primeiro álbum, ele estabeleceu as bases do estilo que faria de Madonna a "Rainha do Pop": domínio da cultura dance, preocupação com a imagem, talento para criar refrões memoráveis e uma capacidade incomum de antecipar tendências.



Lançado em 25 de março de 1977, Works Vol. 1 é o quinto álbum de estúdio do Emerson, Lake & Palmer


Lançado em 25 de março de 1977, Works Vol. 1 é o quinto álbum de estúdio do Emerson, Lake & Palmer e um dos projetos mais ambiciosos da história do rock progressivo. Editado como um LP duplo pela Atlantic Records, o disco surgiu após um hiato de quase três anos da banda. Em vez de seguir a fórmula tradicional, o trio decidiu dividir o álbum de forma inédita: cada integrante ocupou um lado do vinil com composições próprias, enquanto o quarto lado reúne o grupo tocando em conjunto.
A proposta evidencia a personalidade musical de cada integrante. Keith Emerson abre o álbum com o monumental "Piano Concerto No. 1", uma obra de cerca de 18 minutos gravada com a London Philharmonic Orchestra, refletindo sua forte influência da música erudita. A peça demonstra seu virtuosismo ao piano e sua habilidade como compositor, aproximando o rock da música clássica de maneira ousada.
O segundo lado pertence a Greg Lake, que apresenta um conjunto de canções mais melódicas e acessíveis. Entre elas destaca-se "C'est la Vie", uma delicada balada acústica que se tornou um dos maiores sucessos da carreira do ELP, além de faixas como "Hallowed Be Thy Name" e "Closer to Believing", que evidenciam seu talento como cantor e compositor.
No terceiro lado, Carl Palmer explora diferentes estilos, misturando rock, jazz e música clássica. Faixas como "L.A. Nights", "New Orleans" e uma releitura de "Tank" destacam sua técnica impressionante na bateria e sua versatilidade musical.
O quarto lado reúne novamente o trio e traz duas composições memoráveis. A primeira é "Fanfare for the Common Man", adaptação da obra de Aaron Copland, que se tornou um dos maiores clássicos do ELP graças ao marcante riff de sintetizador de Keith Emerson e ao poderoso trabalho rítmico de Carl Palmer. O álbum encerra com "Pirates", uma longa suíte sinfônica que combina orquestrações, mudanças de andamento e interpretações dramáticas, considerada por muitos fãs uma das obras-primas da banda.



Lançado em 24 de maio de 1988, OU812 é o oitavo álbum de estúdio do Van Halen e o segundo com Sammy Hagar nos vocais


Lançado em 24 de maio de 1988, OU812 é o oitavo álbum de estúdio do Van Halen e o segundo com Sammy Hagar nos vocais, consolidando a nova fase da banda iniciada com 5150 (1986). O disco foi gravado no lendário 5150 Studios, de Eddie Van Halen, e produzido pela própria banda em parceria com o engenheiro Donn Landee. O resultado foi um álbum que equilibrou hard rock, melodias marcantes e um refinamento na produção, alcançando o primeiro lugar na Billboard 200 e vendendo mais de quatro milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.
Musicalmente, OU812 mostra um Van Halen mais maduro, combinando o virtuosismo da guitarra de Eddie Van Halen com refrões acessíveis e maior presença dos teclados. Ao mesmo tempo, o álbum preserva a energia característica da banda, graças ao trabalho preciso de Alex Van Halen na bateria e às linhas de baixo e harmonias vocais de Michael Anthony. A química entre os quatro músicos consolidou a chamada fase "Van Hagar", que renderia alguns dos maiores sucessos comerciais do grupo.
Entre os destaques está "When It's Love", uma poderosa power ballad que alcançou o Top 5 da Billboard Hot 100 e se tornou um dos maiores sucessos da carreira da banda. Também merecem atenção "Finish What Ya Started", que surpreende pela influência do country e do blues em sua construção; "Black and Blue", um hard rock vigoroso impulsionado pelos riffs de Eddie; "Mine All Mine", que abre o álbum com sintetizadores grandiosos; e "Cabo Wabo", inspirada no famoso bar de Sammy Hagar em Cabo San Lucas, no México.
Apesar do forte apelo comercial, o álbum também traz momentos mais pesados, como "A.F.U. (Naturally Wired)" e "Source of Infection", que evidenciam a impressionante técnica de Eddie Van Halen. O encerramento fica por conta de "A Apolitical Blues", versão da banda Little Feat, única regravação lançada pelo Van Halen durante a era Sammy Hagar.



Destaque

Aretha Franklin - Aretha (1986)

  Não se deixe enganar pelo título genérico; este é um novo álbum de Aretha Franklin de 1986, um sucesso moderado, notável por conter cinco ...