segunda-feira, 10 de agosto de 2026

SEBASTIAN BACH - ANGEL DOWN (2007)


Angel Down é o terceiro álbum da carreira solo do vocalista canadense Sebastian Bach. Seu lançamento oficial aconteceu em 20 de novembro de 2007, através dos selos Merovingian Music, Get Off My Bach Productions, Caroline Records e EMI. As gravações ocorreram durante aquele mesmo ano, no Sound City Studios, em Hollywood, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta do renomado Roy Z.

Neste post, o M&S vai abordar pela primeira vez a carreira solo do vocalista Sebastian Bach com seu álbum Angel Down. Como é a tradição, vão abordar-se os fatos que antecederam o lançamento do disco para se seguir com o faixa a faixa.



Kid Wikkid

A carreira musical de Sebastian Bach (cujo nome é Sebastian Philip Bierk) começou efetivamente com o conjunto de nome Kid Wikkid.

Os membros do Kid Wikkid estavam baseados em Peterborough, no Canadá, onde o adolescente Bach morava. Ao ouvir a banda e sem saber de suas idades, Bach, de 14 anos, fez o teste para o grupo e foi contratado pelo guitarrista e líder da banda, Jason Delorme.

O Kid Wikkid voltou para Toronto e o pai de Bach acabou o autorizando a morar com uma tia.

Skid Row

O vocalista Sebastian Bach ganhou fama e reconhecimento internacional sendo o frontman da banda norte-americana Skid Row, pela qual fez enorme sucesso.

Entre os anos de 1987 e 1996, Bach gravou álbuns que fizeram muito sucesso comercial com o conjunto: Skid Row (1989), Slave to the Grind (1991) e Subhuman Race (1995).

Para conhecer um pouco mais sobre o Skid Row, humildemente, recomenda-se o post que foi feito sobre o álbum Skid Row, publicado nos primórdios do Blog.

Sebastian Bach

Saída do Skid Row

Após divergências sobre material musical, Bach foi demitido da banda em 1996.

No entanto, circularam rumores de que ele havia deixado o conjunto devido a seus colegas de banda sugerirem que o grupo não deveria tocar como abertura para o KISS. Seu companheiro de banda, Rachel Bolan, também estava em um projeto paralelo, uma banda punk chamada Prunella Scales que tocaria ao mesmo tempo em que o planejado show do KISS.

A ruptura entre Bach e os outros membros do conjunto o levou à sua saída do Skid Row. Curiosamente, quatro anos depois, o Skid Row foi um dos artistas de abertura para a turnê Kiss Farewell Tour, sem Bach, no ano 2000.

Diferentes Projetos

Em 1996, Bach formou o The Last Hard Men, com o guitarrista do Frogs, Jimmy Flemion, o guitarrista do Breeders, Kelley Deal, e o baterista do Smashing Pumpkins, Jimmy Chamberlin. O grupo gravou um álbum homônimo, pela Atlantic Records, que optou por não divulgá-lo.

Em 1998, o disco foi lançado pela gravadora de Kelley Deal, a Nice Records, sem muito alarde e com uma prensagem muito limitada de mil CDs.

Em 1999, Bach lançou seu primeiro álbum solo, Bring 'Em Bach Alive!, seu primeiro lançamento após sua saída do Skid Row. O trabalho consistia primordialmente de um álbum ao vivo das músicas de Bach no Skid Row, mas também apresentou cinco novas gravações de estúdio, incluindo o single “Superjerk, Superstar, Supertears”.

Em 2000, Bach começou a se apresentar em produções da Broadway. Ele fez sua estreia na Broadway com o papel principal em Jekyll & Hyde, em abril de 2000. Ele também apareceu como a personagem Riff Raff em The Rocky Horror Show, em 2001. (Nota do Blog: O teatro da Broadway (Broadway theater, em inglês) mais conhecido simplesmente como Broadway, refere-se às performances teatrais apresentados nos 40 teatros profissionais com 500 ou mais assentos localizados no distrito do Lincoln Center via da Broadway, no centro de Manhattan, Cidade de Nova Iorque. Junto com teatros do West End em Londres, os teatros da Broadway são amplamente considerados representantes do mais alto nível teatral em língua inglesa).

Em 28 de novembro de 2001, Bach apareceu no New York Steel, um concerto beneficente realizado para ajudar as vítimas do 11 de setembro. (Nota do Blog: Os ataques ou atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 (às vezes, referido apenas como 11 de setembro) foram uma série de ataques suicidas contra os Estados Unidos coordenados pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda em 11 de setembro de 2001. Na manhã daquele dia, dezenove terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros. Os sequestradores colidiram intencionalmente dois dos aviões contra as Torres Gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center, na cidade de Nova Iorque, matando todos a bordo e muitas das pessoas que trabalhavam nos edifícios).

No início de 2002, ele se tornou o apresentador do programa de TV, Forever Wild, da rede VH1. Naquele mesmo mês de outubro, Bach assinou um contrato para se apresentar na turnê nacional da produção Jesus Christ Superstar, interpretando o papel-título. Um vídeo em DVD de performances ao vivo chamado Forever Wild foi lançado em junho de 2004. Naquele mesmo ano, ele reprisou o papel-título em outra exibição de Jekyll & Hyde.

Em 2003, Bach fez um teste para o Velvet Revolver, antes da banda encontrar seu vocalista em Scott Weiland, mas foi recusado porque, segundo o guitarrista Slash, “Nós soamos como Skid Roses!”.

De 2003 a 2007, Bach teve um papel recorrente na série de TV Gilmore Girls, interpretando a personagem Gil.

Em 2005, Bach cooperou com Henning Pauly sendo o vocalista do Frameshift em um álbum chamado An Absence of Empathy, lançado em abril de 2005. Ele foi recomendado a Henning por James LaBrie, do Dream Theater.

Nos dias 12 de maio e 14 de maio de 2006, no aquecimento de shows do Guns N' Roses, no Hammerstein Ballroom, em Nova York, Bach se juntou a Axl Rose no palco para a música “My Michelle”. Ele se juntou a Rose e ao resto do conjunto, pela terceira vez, na noite seguinte (15 de maio) para cantar “My Michelle” mais uma vez.

Sebastian Bach

Bach também se juntou a eles durante o show no Pre-Download Festival, no Apollo Hammersmith, em Londres, cantando novamente “My Michelle”. Rose apresentou Bach dizendo que os dois reacenderam sua amizade na semana anterior, depois de 13 anos sem se falarem.

Bach estrelou com Ted Nugent, Evan Seinfeld, Jason Bonham e Scott Ian o reality show Supergroup, no canal VH1, em maio de 2006. Os músicos formaram uma banda chamada Damnocracy para o reality show, durante o qual eles viveram em uma mansão, em Las Vegas, por doze dias e criaram música.

Angel Down

Bach anunciou uma parceria com a gravadora EMI, para criarem em conjunto um selo de propriedade de Sebastian, e pelo qual seria lançado seu álbum Angel Down.

Embora fosse o terceiro lançamento solo da carreira de Bach, Angel Down é o primeiro álbum de estúdio do músico e também é o primeiro lançamento a apresentar todo o material original e gravado em estúdio. É também o primeiro lançamento de Bach desde Bach 2: Basics, de 2001.

Bach reuniu um time de peso para acompanhá-lo: ‘Metal’ Mike Chlasciak, mais conhecido por seu trabalho com o Halford, foi um dos guitarristas; enquanto Johnny Chromatic assumiu a outra guitarra. O incrível baixista Steve Di Giorgio (Sadus e Death, entre outros) e o baterista Bobby Jarzombek (também do Halford) completaram a banda.

Ele atraiu a atenção devido à participação do vocalista do Guns N 'Roses, Axl Rose, em três faixas e devido a aparição de Bach no programa Celebrity Rap Superstar, da MTV dos Estados Unidos.

As gravações ocorreriam no Sound City Studios, em Hollywood, na Califórnia, durante aquele mesmo ano. O famoso guitarrista e produtor Roy Z (Bruce Dickinson e Halford, entre outros) foi a escolha certeira para o papel da produção.

A arte da capa do álbum é uma foto de David Lees para a revista norte-americana Life, da enchente de 1966, em Florença, na Itália.

Vamos às faixas:

ANGEL DOWN

"Angel Down" começa com uma ambientação soturna, desaguando em um riff pesado e moderno, com vocais agressivos por parte de Bach. A instrumentação é bem pesada, apontando para um Heavy Metal atual. Ótima atuação da seção rítmica formada por Steve DiGiorgio e Bobby Jarzombek.

A letra menciona um anjo caído:

Angel Down
Angel Down from the barrel of a gun
I don't feel the same today
This soothing makes me very afraid



YOU DON’T UNDERSTAND

"You Don't Understand" possui uma pegada que remete ao Heavy/Power Metal, com andamento veloz e vocais mais suaves por parte de Bach. Os solos de guitarra são bem divertidos em um bom momento do disco.

A letra fala sobre as consequências de uma vida violenta:

I'll take a bullet for you in the night
Is what we're fighting for wrong or right?
I lie awake in my tomb, so confused
Who wins the battle when we all lose?

A faixa foi lançada como single, mas não repercutiu em termos das principais paradas de sucesso desta natureza.



BACK IN THE SADDLE

Muito peso e um baixo pulsante são as marcas essenciais para esta versão criativa do clássico "Back in the Saddle". Os vocais de Bach e Axl Rose se complementam, mas o destaque é o peso incrível que DiGiorgio oferece à música.

A letra menciona uma vida fora da lei:

Come easy, go easy, all right till the rising sun
I'm calling all the shots tonight I'm like a loaded gun
Peelin' off my boots and chaps I'm saddle sore
Four bits gets you time in the racks I scream for more
Fools' gold out of their mines the girls are soaking wet
No tongue's drier than mine I'll come when I get back

A música, na realidade, trata-se de uma versão para o clássico, de mesmo nome, lançado originalmente pelo Aerosmith em seu clássico álbum Rocks, de 1976.

O vocalista do Guns N’ Roses, Axl Rose, participa desta versão. Ela foi lançada como single, mas não repercutiu em termos das principais paradas de sucesso desta natureza.



(LOVE IS) A BITCHSLAP

Já nesta faixa, o peso dá espaço para uma ambientação mais voltada ao Hard/Glam Metal. Os solos de guitarra são criativos e o ritmo é empolgante, em uma canção que aposta em uma pegada não tão pesada, mas muito maliciosa.

A letra é em tom de diversão:

Gettin' out of my mind,I'm gettin' out of my mind
Tryin' hard to push me one step over the line
I got the weight of the world on my back
I'll leave it all behind

“(Love Is) a Bitchslap” também conta com a participação de Axl Rose. A faixa foi lançada como single, atingindo a 4ª posição da principal parada sueca desta natureza.


STUCK INSIDE

"Stuck Inside" é uma composição curta, direta e com o baixo de DiGiorgio muito dominante. Os vocais são extremamente agressivos e o instrumental é bastante pesado em várias passagens.

A letra possui teor romântico:

I feel you taking on
Everything I said
That I Want
& then you said it's over




AMERICAN METALHEAD

"American Metalhead" é uma paulada. O riff é ótimo e contagiante e tudo é ainda melhorado por vocais precisos de Sebastian Bach, oscilando entre agressivos e suaves. As guitarras estão precisas e o resultado final é empolgante. Verdadeiro petardo.

A letra é uma ode ao fã de Heavy Metal dos EUA:

We breathe in terror,& breathe out the light
Live to survive,we are one tonight
We live we die we kill we rise

Trata-se de um cover para a música originalmente lançada pela banda Painmuseum, do guitarrista Mike Chlasciak.



NEGATIVE LIGHT

"Negative Light" é outra canção com instrumental bastante pesado e ritmo intenso. A bateria frenética de Jarzombek é acompanhada pelo pulsante baixo de DiGiorgio. Heavy Metal interessante.

A letra possui um sentido depressivo:

Negative light comes to me out of the shadows
Negative light gives me what I need
Negative light
the part of me I don't want you to see
Negative light gives me what I need



LIVE & DIE

"Live & Die" é mais cadenciada, mas não abre mão de uma sonoridade extremamente pesada e intensa. O refrão se apresenta com toques mais suaves, mas as guitarras são onipresentes. Outra música interessante.

A letra brinca com a dicotomia entre bem e mal:

Roll the dice begin again
Don't be afraid to win or lose
The money stays, but the pain stays with you
We are showered in dark
& scarred by the pain
Begin again

Outra vez, trata-se de um cover para a música originalmente lançada pela banda Painmuseum, do guitarrista Mike Chlasciak.



BY YOUR SIDE

"By Your Side" apresenta um início lento e arrastado e é a primeira vez que o disco se mostra semelhante ao que Bach fazia nos anos dourados do Skid Row. "By Your Side" é uma balada, suave e de melodia bonita, contando com linda atuação de Sebastian nos vocais.

A letra reflete um sofrimento amoroso:

You know I'll never let you go
You know I'll never hurt so bad
And if It takes a thousand years
I will be right there by your side
You know I'll never let you go
When I lost you I was blind
And everytime I catch me in tear
You are right there by my side

“By Your Side” também foi lançada como single, mas não repercutiu em termos de paradas de sucesso.



OUR LOVE IS A LIE

A melodia de "Our Love Is a Lie" é repleta de malícia, contando com um ritmo cadenciado e bons vocais. A faixa permanece naquela curiosa fronteira entre o Hard e o Heavy, com uma sonoridade que remete ao Mötley Crüe.

A letra possui conotação sexual:

Semi-good lookin' seducer
Slither in the street
I gotta suck out the venom
Desire's killin' me

PS: não encontramos um vídeo da canção.



TAKE YOU DOWN WITH ME

Outro Heavy Metal bastante pesado e antenado com o que acontecia naquela época é o que se apresenta em "Take You Down With Me". O peso é onipresente com o baixo preenchendo todas as lacunas, oferecendo uma base extremamente pesada. Muito interessante.

A letra menciona guerra e sofrimento:

I try to understand
War,suffering & pain
Turning mankind against man
A generation is slain
Angel on my shoulder
Fighting for control over



STABBIN’ DAGGERS

"Stabbin' Daggers" mantem o peso, mas, desta feita, a musicalidade se demonstra mais cadenciada. O riff principal da canção é interessante, embora o destaque maior seja a forte presença da bateria de Jarzombek.

A letra é em sentido misterioso:

Circumstances beyond my control
Take advantage of my very soul
Time forgotten by all but one
Misbegotten son of broken love


YOU BRING ME DOWN

Nesta música, a proposta de uma sonoridade extremamente pesada com um andamento bem arrastado continua. As guitarras estão marcantes enquanto Sebastian Bach opta por mesclar vocais agressivos com outros mais suaves.

A letra é em sentido acusatório:

There is nothing more in this life to take away
Until my dying day
You bring me down
You bring me down
You bring me down



FALLING INTO YOU

A décima-quarta - e última - faixa de Angel Down é "Falling Into You". O álbum se encerra com uma composição que leva o ouvinte diretamente para o fim dos anos 80, pois possui a cara daquilo que o Skid Row fazia com extrema competência: baladas marcantes.

Novamente, a letra é em tom de final de romance:

You take me
Break me
Build me up and then forsake me
Our love is my world
Then you cut me down with one word
Strung out, it\'s true
Try to run but I\'m falling into you
You\'re the devil\'s deja vu

A música foi mais uma lançada no formato de single, mas que não repercutiu em termos de paradas de sucesso desta natureza.



Considerações Finais

Angel Down teve seus méritos reconhecidos ao menos pela crítica musical, embora não tenha sido um estrondoso sucesso comercial.

O álbum atingiu a modesta 191ª posição da principal parada norte-americana de discos, a Billboard 200. Também alcançou o 50º lugar na principal parada japonesa desta natureza.

O jornalista musical Paul Cashmere, do australiano Undercover, descreveu Angel Down como “O álbum de metal do ano, se não o do século 21 até agora”.

O crítico musical Stephen Thomas Erlewine, do site AllMusic, dá ao disco uma nota 4 (de 5), afirmando: “A única coisa é que Sebastian Bach nunca fez um disco tão feroz e divertido quanto Angel Down nos dias pré-Nirvana. Isto é mais pesado e ávido do que qualquer coisa que ele fez antes, tão bom que Bach está confiante em trazer o recluso número um do rock, Axl Rose, para três músicas, confiante de que o retorno atrasado de Axl não ofuscaria o que ele conquistou aqui”.

Por fim, Erlewine conclui: “Não é apenas um retorno; Angel Down é um álbum que justifica todas aquelas horas intermináveis que ele passou no reality show, já que ele é o único músico a se envolver, todo esse tempo, em música que soa mais divertida e vital do que (ele) fazia quando estava no topo das paradas”.

Em 27 de outubro de 2007, o single “Back in the Saddle” foi tocado na estação de rádio Q94.5 do Texas. De acordo com a emissora, os telefones tocaram incessantemente quando a canção foi ao ar e se tornou a faixa número 1 mais requisitada da emissora.

No entanto, como se afirmou, Angel Down estreou apenas no 191º lugar no Top 200 da Billboard, vendendo 6,4 mil cópias em sua primeira semana.

Bach também gravou backing vocals para a faixa “Sorry” no controverso Chinese Democracy, do Guns N' Roses, que seria lançado em novembro de 2008.

Bach passou o verão de 2008 em turnê com Poison e Dokken.

Um novo álbum de estúdio de Sebastian Bach seria lançado somente em 2011, com Kicking & Screaming.

Angel Down supera a casa de 100 mil cópias vendidas.



Formação:
Sebastian Bach - Vocal
"Metal" Mike Chlasciak - Guitarra
Johnny Chromatic - Guitarra
Steve DiGiorgio - Baixo
Bobby Jarzombek - Bateria e Percussão
Músicos Adicionais:
Axl Rose - Vocal em 03, Backing Vocal em 04 e 05
Adam Albright - Guitarra em 01
Ed Ross - Piano e Cordas em 09 e 14
Roy Z - Guitarra 02, 04, 09 e 10

Faixas:
01. Angel Down (Albright/Bach) - 3:48
02. You Don't Understand (Bach/Z) - 3:06
03. Back in the Saddle (Tyler/Perry) - 4:19
04. (Love Is) a Bitchslap (Bach/Z) - 3:08
05. Stuck Inside (Rose/Bach) - 2:57
06. American Metalhead (Chlasciak) - 4:02
07. Negative Light (Bach/Chlasciak/DiGiorgio) - 4:33
08. Live & Die (Chlasciak/Clayborne) - 3:53
09. By Your Side (Bach/Z) - 5:27
10. Our Love Is a Lie (Bach/Chlasciak/Z) - 3:20
11. Take You Down with Me (Bach/DiGiorgio) - 4:37
12. Stabbin' Daggers (Bach/Chromatic/Jarzombek) - 3:41
13. You Bring Me Down (Santolla) - 3:16
14. Falling Into You (Bach/Child) - 4:21

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/sebastian-bach/

Opinião do Blog:
É praticamente impossível não associar a figura do vocalista Sebastian Bach a do seu estrondoso sucesso comercial como o cantor do Skid Row. Bach era a cara da banda que explodiu calorosamente ao final dos anos 80.

Mas, neste Angel Down, o ouvinte desavisado pode até mesmo se assustar. Bach se apresenta com uma faceta quase que totalmente diversa daquela que o consagrou. O disco expande e extrapola, estratosfericamente, os limites musicais que consagraram o vocalista.

Para o seu terceiro álbum da carreira-solo, mas que, na prática, é o primeiro a contar com faixas inéditas e em estúdio quase que como por completo, Sebastian não foi apenas competente bem como extremamente habilidoso para se cercar de um time de peso.

As guitarras estão marcantes, abusando do peso e agressividade, nas figuras de Mike Chlasciak e Johnny Chromatic. A presença de Steve DiGiorgio é garantia de um exímio trabalho do baixo e Bobby Jarzombek é um dos destaques do disco.

Claro, Sebastian Bach brilha nos vocais, oscilando entre agressividade, suavidade e até mesmo arriscando alguns guturais. A participação de Axl Rose traz ainda mais sabor ao álbum, especialmente na versão divertida de "Back in the Saddle".

Deste modo, Sebastian Bach abraça o Heavy Metal vigorosamente em Angel Down. O disco se mostra agressivo, pesado e imponente e praticamente não remete à sonoridade que consagrou Bach nos anos 80. Fique claro o alerta: ouvintes desavisados podem se apavorar.

As letras são absolutamente comuns.

Pesada, vigorosa e sem soar datada, a audição de Angel Down é extremamente prazerosa para fãs de música mais pesada.

Conforme foi dito, a versão da clássica "Back in the Saddle" é um grande destaque do trabalho. No limiar entre o Hard e o Heavy, "(Love is) A Bitchslap" é uma faixa encantadora. "You Don't Understand" é pesada e "By Your Side" é uma bonita balada.

Mas o M&S elege as pauladas "American Metalhead" (em um cover genial) e a pesadíssima "You Bring Me Down" como suas preferidas no disco.

Enfim, abraçando desvergonhosamente o Heavy Metal e sem medo de se arriscar, Sebastian Bach se reinventou e mostrou uma nova faceta neste ótimo Angel Down. Pesado, moderno e vigoroso, o álbum apresenta o vocalista em um inspirado momento, muito bem acompanhado e demonstrando música de alto nível. Outro disco muito bem recomendado pelo Blog! 

WARLOCK - HELLBOUND (1985)


Hellbound é o segundo álbum de estúdio da banda alemã Warlock. Seu lançamento oficial ocorreu em 29 de maio de 1985, através dos selos Vertigo e Mercury. As gravações aconteceram entre fevereiro e abril daquele mesmo ano, no Country Lane Studios, em Munique, na Alemanha. A produção ficou por conta Henry Staroste e Rainer Assmann.

O M&S traz pela primeira vez o grupo alemão Warlock. Primeiramente, o Blog vai abordar as origens da banda para depois se passar para o álbum em si.


Doro Pesch

Dorothee Pesch nasceu em Düsseldorf, na Alemanha, em 3 de junho de 1964, filha única de Walter, um motorista de caminhão, e Barbara Pesch.

A primeira lembrança de Doro sobre a música rock é a canção “Lucille”, de Little Richard, que ela cantou quando tinha apenas três anos de idade. Ela aprendeu a tocar piano e começou a cantar aos dez anos de idade, quando foi exposta ao glam rock de bandas como T. Rex, Sweet e Slade. (Nota do Blog: Richard Wayne Penniman, mais conhecido por Little Richard, é um cantor, compositor e pianista dos Estados Unidos. Foi eleito pela Rolling Stone o 8º maior artista da música de todos os tempos).

Quando ela tinha dezesseis anos e depois de contrair uma forma de tuberculose com risco de vida, ela decidiu se dedicar mais tempo e energia para cantar, sem desistir de seu estudo de design gráfico.

Em 1980, ela foi aceita em sua primeira banda, chamada Snakebite, a qual tocava rock em um porão de Düsseldorf, usado como espaço de ensaio por muitos outros grupos underground. (Nota do Blog: Underground (subterrâneo, em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Também conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, para designar toda produção cultural com estas características, ou Cena Underground, usado para nomear a produção de cultura underground em um determinado período e local).

A primeira gravação com Doro nos vocais foi uma demo barata de 7 faixas lançada pelo Snakebite para sua promoção. Quando o Snakebite se separou, em 1981, Doro passou a cantar em bandas de garagem, como Beast e Attack, antes de formar o Warlock com Peter Szigeti, Rudy Graf, Thomas Studier e Michael Eurich, em 1982.

Doro Pesch

Warlock em formação

O primeiro núcleo da banda foi formado sob o nome de Snakebite em Düsseldorf, na Alemanha Ocidental, em 1980, e era composto por Doro Pesch nos vocais, Michael Bastian na guitarra, Frank Rittel no baixo e Thomas Franke na bateria, este último vindo da banda Stallion.

Franke foi logo substituído por Michael Eurich e, pouco antes de se separar, o Snakebite adquiriu o canhoto Peter Szigeti como segundo guitarrista, oriundo da banda Beast. Snakebite e Beast eram duas das muitas bandas que tocavam nos clubes e bares locais e gravavam demos baratas para promoverem sua música.

Pesch, Szigeti e Eurich fizeram testes com outros grupos, mas, em outubro de 1982, formaram uma nova banda, com Thomas Studier no baixo e o guitarrista Rudy Graf, o qual sugeriu o nome Warlock e chegou cheio de músicas.

A nova banda encontrou um gerente em Peter Zimmermann, quem organizou shows de abertura com o conjunto alemão Trance, contribuindo para construir uma sólida reputação do Warlock na cena underground local.

Warlock se estabelece e primeiro álbum

Depois de gravar uma demo com quatro faixas e enviá-la para várias gravadoras e revistas musicais, a banda conseguiu um contrato com a gravadora independente belga Mausoleum Records.

O baixista Frank Rittel se juntou ao Warlock antes do conjunto começar a gravar seu álbum de estreia, Burning the Witches, em 1984, com o produtor Axel Thubeauville, um caçador de talentos dos grupos de heavy metal alemães.

Burning the Witches foi gravado em apenas seis dias e remixado por Rainer Assmann e Henry Staroste antes do lançamento.

O disco foi bem recebido pelos críticos e pelos fãs e o Warlock fez uma turnê, pela primeira vez, fora da Alemanha para divulgá-lo, frequentemente ao lado de seus companheiros de gravadora, o Steeler.

Infelizmente, a má distribuição e o baixo financiamento para a turnê, por parte da gravadora, prejudicaram o potencial comercial do disco, deixando a banda profundamente insatisfeita com a Mausoleum Records.

Warlock nos palcos

Hellbound

No início de 1985, a banda assinou um contrato com uma gravadora maior, a Phonogram Inc.

Já em fevereiro de 1985, o Warlock se reuniria em Munique, no sul da Alemanha, no Country Lane Studios, para trabalhar no que se tornaria seu segundo disco, Hellbound.

Para a produção, os escolhidos foram Henry Staroste e Rainer Assmann. A arte da capa, simples, possui uma fotografia com o conjunto.

Vamos às faixas:

HELLBOUND

A bateria de Michael Eurich frenética anuncia o ritmo acelerado da faixa-título, "HellBound". Guitarras conduzindo um riff veloz e pesado se casam perfeitamente com os vocais agressivos de Doro Pesch. Heavy Metal em essência!

A letra é sobre magia:

I swear... I've been under a spell
The time is right
I will flee from this hell
Ooh everywhere I see
Ghosts all around
(I'm hellbound) (I'm hellbound)



ALL NIGHT

O peso continua em alta na segunda faixa do disco, "All Night". Desta feita, a banda aposta em um ritmo mais cadenciado e contido, com o baixo de Frank Rittel no comando. O refrão é empolgante, contando com uma atuação impecável de Doro. Um verdadeiro clássico!

A letra fala sobre paixão:

I feel the danger
I can't break loose
You are the son of the devil
I'm longing for you


“All Night” foi lançada como single para promover Hellbound, mas não repercutiu em termos das principais paradas de sucesso.


EARTHSHAKER ROCK

A velocidade alucinante da seção rítmica, no início da música, revela uma inegável influência da NWOBHM e do, então, nascente Power Metal. As guitarras estão bem presentes, mas o destaque é o perfeito trabalho de Doro.

A letra é uma ode ao Heavy Metal:

Higher, higher
Set your light on fire
You get higher
Bang your head, bang your head



WRATHCHILD

"Wrathchild" permanece naquela linha tênue e efêmera entre o Hard e o Heavy. Sua pegada é cativante e o ritmo cadenciado também envolve. Os vocais agressivos de Doro são muito bons, em um dos grandes destaques do disco.

A letra fala sobre um destino:

This is your story
It's all about you
Yeah it's all about you
- Wrathchild
You beat up everyone in your way
- Never satisfied
With a wall all around you


DOWN AND OUT

"Down and Out" possui uma melodia que remete a bandas como o Dokken, o que é ótimo. O trabalho dos guitarristas Rudy Graf e Peter Szigeti é realmente cativante. O baixo de Rittel continua ditando o ritmo.

A letra menciona medo e condenação:

When you start to explain
That you did it just for me
I tell you straight: "Too far out !"
Forget all your fears
Cry out all your tears
It's the only chance to save your soul


OUT OF CONTROL

"Out of Control" continua a pegada mais pesada e intensa do álbum. Indo direto ao ponto, a canção se mostra pesada e com guitarras afiadas, contando com um riff principal bem interessante. Os solos de guitarra são bem legais.

A letra é sobre guerra:

Out of control
I can hear the warlord calling :
Give your soul



TIME TO DIE

"Time to Die" se revela como outra música que remete à urgência da NWOBHM ao mesmo tempo que apresenta a velocidade do Power Metal, especialmente na atuação frenética da seção rítmica. Doro é ótima, mais uma vez.

A letra possui uma temática aterrorizante:

Tonight it's time to die
The shadows take me
To the damned in the darkness
Tonight it's time to die
All my nightmares will come true



SHOUT IT OUT

"Shout It Out" flerta fortemente com o Hard Rock oitentista, apresentando uma canção pesada, mas cadenciada e, ao mesmo tempo, repleta de uma melodia muito malemolente. Os solos de guitarra são muito legais.

A letra pode ser inferida como uma mensagem sobre determinação:

So pave the way for
Pave the way for
What you wanna do
So do it
What you wanna do
So go and do it
Try to find your destination
Things can get you so high
When you know what's life
Then you can get enough



CATCH MY HEART

A nona - e última - faixa de Hellbound é "Catch My Heart". Uma introdução mais suave e bem arrastada apresenta uma faceta mais contida do grupo e uma atuação comovente de Doro. A balada encerra o disco de um modo diferente, mas não menos comovente. O solo de guitarra é muito bom.

A letra possui uma mensagem melancólica:

Tomorrow sleeps in the same old lonely places
Just an empty dream filled with yesterday's faces
Can you tell me, where are my memories?


Considerações Finais

A qualidade de Hellbound auxiliou ao Warlock em estabelecer uma base de fãs no Heavy Metal, especialmente na Europa.

O disco atingiu a modesta 53ª posição na principal parada alemã desta natureza, não repercutindo em termos das principais paradas mundiais, a britânica e a norte-americana.

Em retrospectiva, os críticos especializados têm o álbum em boa conta. O canadense Martin Popoff, em seu renomado Collector's Guide to Heavy Metal, dá ao trabalho uma nota 6 em 10. Já o site AllMusic atribui a nota 3 (em 5) ao trabalho.

O Warlock, então, começou a receber atenção da mídia e apareceu em programas de TV, no Reino Unido e na Alemanha. Sua primeira turnê europeia completa os levou ao Camden Palace Theatre, em Londres, na Inglaterra, onde o show foi filmado para o primeiro vídeo do Warlock, Metal Racer.

A performance ao vivo do Warlock foi bem recebida com uma crítica da revista britânica Kerrang! e o grupo sendo eleito ‘Best New Band’ de 1985, em pesquisa dos leitores daquela revista.

Doro Pesch também foi eleita a melhor cantora pelos leitores da revista de música Metal Forces, no final daquele ano.

A banda tocou no Metal Hammer Festival, em Loreley, na Alemanha, em setembro, ao lado de Metallica, Venom, Running Wild, Pretty Maids, Nazareth e Wishbone Ash.

Mais tarde, naquele mesmo ano, após a turnê de Hellbound, o guitarrista Rudy Graf deixou o conjunto e foi substituído por Niko Arvanitis, um ex-companheiro de banda de Rittel no Stormwind.

True as Steel, terceiro álbum do Warlock, seria lançado em 18 de agosto de 1986.



Formação:
Doro Pesch - Vocal
Rudy Graf - Guitarra
Peter Szigeti - Guitarra
Frank Rittel - Baixo
Michael Eurich - Bateria

Faixas:
01. Hellbound (Szigeti/Staroste/Pesch/Rittel/Eurich/Graf) - 3:42
02. All Night (Szigeti/Staroste/Maué/Graf/Rittel/Eurich/Pesch) - 4:06
03. Earthshaker Rock (Graf/Rittel/Pesch/Szigeti/Eurich) - 3:27
04. Wrathchild (Szigeti/Staroste/Pesch/Rittel/Eurich/Graf) - 3:35
05. Down and Out (Graf/Rittel/Pesch/Szigeti/Eurich) - 4:06
06. Out of Control (Graf/Staroste/Pesch/Maué/Rittel/Szigeti/Eurich) - 4:50
07. Time to Die (Graf/Staroste/Pesch/Rittel/Szigeti/Eurich) - 4:28
08. Shout It Out (Szigeti/Staroste/Pesch/Rittel/Eurich/Graf) - 4:20
09. Catch My Heart (Szigeti/Maué/Pesch/Rittel/Eurich/Graf) - 4:55

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://www.letras.mus.br/warlock/

Opinião do Blog:
Quem acompanha o RAC desde o seu início sabe que o Blog começou praticamente como um site voltado ao Heavy Metal. Então, é até estranho que o Warlock tenha demorado tanto tempo para aparecer por aqui.

Mas, como se diz, "antes tarde do que nunca". E, finalmente, o M&S traz a banda que revelou a grande vocalista Doro Pesch para um post especial.

O Warlock apresenta uma formação com muito talento. Rudy Graf e Peter Szigeti formam uma afiada dupla de guitarristas. O baixo de Frank Rittel é um elemento dominante e a bateria de Michael Eurich é um dos destaques do disco.

Claro, a fantástica Doro Pesch é o maior destaque do trabalho. Sua capacidade de interpretação aliada a sua voz incrível são os grandes diferenciais da banda. Em Hellbound, Doro está em uma grande performance.

Aliás, Hellbound apresenta o Warlock com seu Heavy Metal agressivo e vibrante. Mas, longe de ser unicamente constante, o disco mostra influências marcantes da NWOBHM e Power Metal em sua sonoridade. O grupo, também, flerta com o Hard e o Glam Metal, como em "Down and Out".

As letras são na média em geral.

Um álbum de qualidade homogênea traz canções empolgantes para fãs de sonoridade Heavy Metal tradicional.

Pauladas como "Hellbound" e "Wrathchild" conquistam facilmente 'headbangers' tradicionais. "Catch My Heart" é bem mais que uma balada comovente.

Mas o M&S elege a sensacional "All Night" e o petardo "Shout It Out" como suas prediletas no disco.

Concluindo, o Warlock não tenta recriar a roda, mas apresenta um Heavy Metal muito bem tocado e verdadeiramente empolgante em Hellbound. Suas composições são muito bem constituídas e, de quebra, traz a atuação impecável da fantástica Doro Pesch. Tanto a banda quanto o álbum são muito bem recomendados pelo Blog.

Destaque

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