domingo, 16 de agosto de 2026

Grouper – Ruins (2014)

 


Silêncio agora. Na teoria, o que este álbum precisaria é de silêncio, silêncio total e absoluto, para uma correcta e frutuosa absorção do mesmo.

Mas, sejamos sinceros, será que alguém, no ano da graça de 2014, consegue ter 40 minutos de silêncio total à sua volta? Sem um carro a buzinar, uma ambulância a passar na rua, um telemóvel a tocar ou vibrar, uma televisão ligada? Sem ninguém à volta a chamar, sejam mulher, marido, filhos, pais? (incrível como a evolução nos levou a este ponto em que perdemos uma coisa tão importante como o silêncio, ainda mais agravado pela diversidade e quantidade de obras para serem apreciadas que necessitam de total concentração, mas adiante). Pois bem, eu também não conseguindo os tais 40 minutos, decidi enfrentar o touro pelos cornos e lancei-me na sua audição no pior sítio possível – no carro, no percurso casa – trabalho pela manhã. Tinha tudo para correr mal e chegar ao meu destino 40 minutos depois sem reter uma nota que seja, sem um gostinho do que é este Ruins. Segunda circular adentro, tudo parado, carros a forçar mudanças de via, aviões a passar por cima da cabeça. Isto enquanto decorria o primeiro minuto do álbum e recordo-me de começar a ouvir um piano e uma voz ao fundo. Instalou-se. O carro de trás buzinou para andar. Fiz-lhe um olhar chateado pelo retrovisor, mas ele tinha razão, o carro da frente já lá ia e eu parado, estático, e os das outras faixas a aproveitarem para se meterem. Andei uns metros e parei novamente. Senti os prédios à volta a desaparecerem e a serem substituídos por uma paisagem rochosa, um mar mexido lá ao fundo, a perder de vista. O piano a pairar, a voz a fazer-me levitar. O carro do lado, feito de metal, a desaparecer. Depois o do outro. O de trás a ser varrido. Ainda tenho algumas memórias do da frente, a chamar-me para ir atrás dele. Uma placa a dizer IC 19 em frente. Os sentidos a confundirem-se, o tacto agarrado a um volante, mas a visão a mostrar um campo verdejante, o olfacto a sentir o mar o ouvido no piano e na voz. Um labirinto onde entrei e onde não foi fácil encontrar a saída. Um farol que apareceu ao virar da encosta, a iluminar o mar e a terra. A história do General Holifernes, chefe máximo das tropas assírias sob o rei Nebuchadnezzar. O agarrar-se a algo com todas as forças. Uma força transcendente feita de ar. Sintra. Como é que cheguei aqui?


Allah-Las – Worship the Sun (2014)


O segundo disco dos Allah-Las, Worship the Sun, foi lançado a Setembro deste ano e passou(-nos) relativamente despercebido – o que, atendendo à forma como nos seduziu o primeiro (Allah-Las), indicia qualquer coisa. Não que seja um mau disco, digo-o já.

É verdade que a música dos Allah-Las não é fácil: joga com a contenção, com as sombras e a densidade enevoada dos instrumentos, que se parece voluntariamente distanciar dos rótulos que lhe atiram e dos fenómenos que lhe são contemporâneos (mesmo na música que esses mesmos rótulos parecem abarcar). Do homónimo Allah-Las, em 2012, saía algo que era por aqui descrito como «música de surf semi-depressiva», e que bem colava esse rótulo quando comparado com os outros mais genéricos que a crítica habitualmente lhe dirigia – do surf rock ao garage rock, terrenos muito delimitados para a visão exterior da banda.

Dois anos volvidos, a recepção deste Worship the Sun poderá eventualmente ser ingrata; com algum tempo passado (não muito, mas ainda assim algum) e a surpresa que nos tinha causado o disco de estreia, o sentimento que este novo lançamento me deixa é agridoce: há, enfim, o lado positivo, com momentos nostálgicos como a faixa-título, que me recorda aquelas músicas tristemente coloridas da segunda metade dos 60s, ajustada à marca Allah-Las; as bonitas notas de guitarra ouvidas em «Recurring» quando a preguiça sonhadora se parece eternizar; a singularidade criativa da instrumental «Ferus Gallery» e a portentosa linha de guitarra de «No Werewolf». Mas há também um lado negativo que me ensombra a crítica: a sensação de que este seria o momento ideal para lançar um disco de qualidade altíssima, sem oscilações e com grandes canções, mesmo que não fugindo sobremaneira ao registo dos Allah-Las; e o início do disco, com as três primeiras faixas, torna a audição mais difícil, porque passamos os primeiros oito minutos e qualquer coisa a sentir que já ouvimos isto deles (e, o que adensa a coisa, que já lhes ouvimos isto a ser feito melhor).

«Better than Time» é a canção-chave desta canção: a décima segunda faixa é aquela que nos faz realmente ter pena que todo o disco não se assemelhe a ela: mais polida, com a mesma marca de distância e relaxamento pós-qualquer-coisa, embora com uma melodia intocável, de refrão certeiro e cantável; contudo, além disto, acerto total na criação desse lugar de fuga à vida diária e à música que ouvimos diariamente, que sempre caracterizou os Allah-Las.

Este é, acima de tudo, um disco complicado, com o jogo de expectativas a influenciar na análise de um disco que, por si só, será seguramente bom. E é um disco, é certo, em crescendo. Mas senti sempre que a competência e o impecável bom gosto destes músicos merecia uma maior ambição – talvez na produção, não sei. Até certo ponto, perde-se o sentido de relevância que a estreia prometia; se este é um disco que não tem propriamente tempo e viaja através do passado e da distância, pessoalmente teria sonhado com uma viagem ainda mais conseguida.


Mare – Mare (2004)

 

Um dia, há muitos anos, fiz uma lista das bandas que teria obrigatoriamente de ver ao vivo. Ao longo de pouco mais de 15 anos a ver concertos e a guardar religiosamente cada bilhete, cada pulseira, cada flyer ou até meio maço de tabaco assinado pelo Scott Kelly numa tarde de calor intenso em França, fui riscando nomes. De tempos a tempos vou acrescentando nomes novos, mas há um que continua na lista, imaculado e não riscado – Mare. Deixem-me roubar-vos uns minutos e falar-vos dos Mare.

Os Mare entraram na minha vida como entram tantas bandas nas nossas vidas: um amigo disse «tens de ouvir isto». Passaram 10 anos desde a edição do EP homónimo destes tipos do Canadá, e ainda hoje encontro pouquíssimas pessoas que os conhecem, à parte do amigo que mos apresentou e dos amigos a quem os apresentei.

Histórias de lado, os Mare eram um quarteto do Canadá com histórico no mathcore (o vocalista, Tyler Semrick-Palmateer, vinha dos The End), com um EP self titled no bolso que a Hydra Head editou em 2004. Este homónimo tem tanto de curto como de poderoso. Têm dúvidas? «Anisette», a primeira faixa, ainda hoje é das músicas mais pesadas e com o efeito murro no estômago mais angustiante, mais arrepiante e mais sofrido que já ouvi. Mas se «Anisette» nos arrasta aos pontapés sem qualquer tipo de misericórdia, «They Sent You» é celestial, com os momentos iniciais a fazer lembrar os maudlin of the Well e os Kayo Dot, mas a levar a abordagem ao jazz ou até aos próprios detalhes da instrumentação clássica a outro nível, já para não falar da afinação destruidora das guitarras, num sludge doom de nos fazer cair o queixo. «They Sent You» soa grande e cresce ainda mais para se tornar gigante e devastadora, uma espécie de tempestade que inevitavelmente vai acalmar. E acalma, e temos tempo para respirar em «Tropics», onde os Mare parecem largar este sludge carnívoro com que nos abalroaram de início. É a segunda face de Tyler Semrick-Palmateer, num registo arrastado, menos intenso, não menos dramático. Mas «Tropics» leva-nos de volta para os arrepios da faixa de abertura para «Palaces», e estende-se num devaneio que culmina com o regresso de Semrick-Palmateer a plenos pulmões, a levar tudo à frente sem cerimónia, e, sem deixar de ser inexplicavelmente bela na sua fúria, conduz-nos até «Sun For Miles», a embalar-nos durante três minutos, a fazer-nos acreditar que acaba tudo bem, mas não se deixem enganar: ao fim de 20 e poucos minutos de pancada, os Mare não têm pena de ninguém.

Após este EP, falou-se num longa-duração. A expectativa era grande, se o EP era assim, um longa-duração seria sublime. Eu esperei, esperei até perceber que isso não iria acontecer e, como tal, os Mare iriam continuar por riscar na minha lista (ir ao Canadá vê-los não me ficava nada em caminho).

Passaram 10 anos desde que os ouvi pela primeira vez e não voltei a encontrar nenhum trabalho com tamanha intensidade, com tamanho peso e que me deixasse arrepiada e deslumbrada de todas as vezes que o oiço, e, sempre que o faço, esforço-me para encontrar pontos fracos; não consigo. É um 10 em 10.


MAGLORE | Fluxo Natural

 

A banda brasileira Maglore edita Fluxo Natural, seu sexto álbum de estúdio. Com uma estética mais moderna do que a dos lançamentos anteriores e influenciado principalmente pela sonoridade dos anos 80, com apontamentos da década de 70, o álbum mantém o compromisso central da banda com a canção. Ao mesmo tempo, alarga as influências do seu universo sonoro característico, que cruza indie, rock brasileiro, folk e MPB. 

Com lançamento pelo selo LOCO Records, os temas começaram a ganhar forma em 2024 em intervalos das digressões, com o trabalho sendo gravado entre maio e abril deste ano no Estúdio Kapa, na casa de Teago Oliveira, vocalista e guitarrista do grupo que é formado também por Lelo Brandão (guitarra e teclado), Lucas Gonçalves (baixo e voz) e Felipe Dieder (bateria). 

"O título do álbum explica um pouco o caminho filosófico que ele percorre: Fluxo Natural significa que os obstáculos da vida são matéria-prima para algo maior. Não se trata apenas de aceitação, mas também de escolhas", argumenta Teago Oliveira. 

"A mensagem mais profunda do disco é a do amor como algo que permanece. Não apenas num sentido romântico e, mesmo perante imagens densas – impérios caindo, corpos modificados, chuva de concreto, pesadelos – o amor surge como âncora, como elo central.

 "É um disco de rock brasileiro", explica Teago. "Tem uma forte dimensão sensorial, tanto física como geográfica: fala-se muito de rios, mar, luar, outono, chuva e sol. Mas fala-se também de sonho, fé, infância, de um futuro possível, de malandragem e da capacidade de transformar a lama em banquete. Existe um microuniverso do pensamento brasileiro que talvez estejamos a perder, mas que escolhemos trazer para este disco", conclui.



SALMA JÔ LANÇA "HOTEL", PRIMEIRO SINGLE APÓS PAUSA DA CARNE DOCE

 

A artista brasileira Salma Jô estreia a sua carreira a solo com o single “Hotel”, que chega às plataformas digitais no dia 18 de agosto. A faixa é o primeiro lançamento oficial após o encerramento das atividades da Carne Doce, banda que ela fundou e liderou por mais de uma década ao lado de Macloys Aquino, seu companheiro, que assina a produção da nova música. 

“Hotel” é uma canção debochada que usa clichês do pop (o prazer, o luxo e a ostentação) para fazer de um hotel de centro um cenário de fantasia e desejo. Na letra, Salma retoma seu estilo confessional e irônico, agora de forma ainda mais direta e despojada, com influência da música eletrónica. 

O instrumental, com guitarra, drum machine e sintetizador, tem clima dançante e soturno, flertando com o pós-punk, à deriva pela noite goianiense. Na faixa (e nos concertos), Salma assume synth e beats. Mac cuida das guitarras e da produção. 

O single foi gravado na casa do casal por Gabriela Charleaux, mixado por Guigo Berger e masterizado por Mauricio Gargel. Na capa, a artista em close sob o neon do Goiânia Palace Hotel, prédio histórico com arquitetura art déco no Centro de Goiânia, na entrada da Rua 8, ponto mais pulsante da vida noturna e cultural do centro da cidade. 

“Hotel” é o ponto de partida de uma nova fase de Salma Jô, igualmente potente.



Red Viper – Red Viper 2021 + Brothers in Lives 2021

 


Country:Brazil
Released:2026
Style:Hard Rock

01 – Brazen Bull.mp3
02 – Charlotte.mp3
03 – Unchain the Wolves.mp3
04 – Waiting for Tomorrow.mp3
+ Brothers in Lives 2021



Vitico Y Los Leones – Rock N’ Roll 2025

 


Country:Argentina
Released: 2026
Style:Hard Rock, Rock & Roll

01 – Rayo Luminoso.mp3
02 – Macadam 3 2 1 0.mp3
03 – Necesitamos más acción.mp3
04 – En la ciudad del gran rio.mp3
05 – No detenga su motor.mp3
06 – Sordidez.mp3
07 – El forastero.mp3
08 – La espada sagrada.mp3
09 – Ex-Terminador.mp3
10 – Que sea rock.mp3
11 – Sube a mi Voiture.mp3
12 – Fuera de mi.mp3
13 – No obstante lo cual.mp3
14 – Ruedas de Metal.mp3
15 – Mucho por hacer.mp3
16 – Sucio y desprolijo.mp3
17 – Susy Cadillac.mp3
18 – La espada sagrada (Bonus Track).mp3

MUSICA&SOM ☝


Padoria – Into the Grimdark (2026)

 


Country: Switzerland
Genre: Thrash, Heavy Metal
Year : 2026

Tracklist:
1. In The Grim Darkness Of The Far Future… (00:59)
2. …There Is Only War (04:39)
3. Cadia Stands (03:51)
4. Faith, Fire, Bolter & Blade (04:33)
5. Wall Of Dakka (03:16)
6. Of The Warp We Are (04:09)
7. I Am The Hammer (05:45)
8. Biomass (03:43)
9. Killdozer (05:18)

MUSICA&SOM ☝



Barth Sky – Rockstars 2026

 


Country:France
Released: 2026
Style:Hard Rock

1 Showtimez 1:51
2 Shake Your Bones 4:46
3 Naked Like An Animal 3:19
4 Let Me Out 5:26
5 (Don’t) Do It 4:10
6 Dog’s Life 6:12
7 Purple Love 3:58
8 Monster’s Walk 5:25
9 Natural Selection 5:10

MUSICA&SOM ☝



Think Out Loud – Think Out Loud – 1988/2009

 


Genre: AOR
Country: USA
Publication Type: CD, Album, Reissue, Remastered
Year of Publication: 1988/2009
Publisher: Universal Music Group/A&M Records
Catalog Number: 5318650

Tracklist:
04:48 | 01. Think Out Loud – In a Perfect World
03:59 | 02. Think Out Loud – Stranger Things Have Happened
04:27 | 03. Think Out Loud – Original Sin (Jumpin’ In)
04:09 | 04. Think Out Loud – The Deep End
04:30 | 05. Think Out Loud – Raise You Up
04:20 | 06. Think Out Loud – After All This Time
03:52 | 07. Think Out Loud – Faithful Love
03:59 | 08. Think Out Loud – Body and Soul (Lost in the Rhythm)
04:50 | 09. Think Out Loud – In No Uncertain Terms
04:28 | 10. Think Out Loud – Talk to Yourself

MUSICA&SOM ☝


Destaque

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