


System Of A Down – Toxicity – 2001
Qualquer tentativa de entender o fenômeno System Of A Down será fracassada. Pense numa banda formada por descendentes de armênios, baseada em Los Angeles, que fala em suas letras sobre drogas, sexo grupal, encarceramento em massa e Charles Manson ao som de um metal extremo e violento – e até seus instrumentos têm afinações totalmente fora do comum. Esse resumo tem toda pinta de milhares de bandas que seguem nos porões e de lá nunca saíram. O SOAD, como chamam os fãs, não só saiu como alcançou números estratosféricos para o seu tipo de som.
Seu primeiro álbum, homônimo, de 1998, serviu para chamar atenção. Mas o segundo, Toxicity, de 2001, chegou ao primeiro lugar da parada norte-americana com esse caldo de metal e confusão – que começou já no show de lançamento. Planejado para 3,5 mil pessoas, o evento atraiu quase 10 mil e se tornou um caos. Parece que havia uma certa ressaca do som que predominou o metal comercial nos anos 1990, o nu-metal, e a audiência pedia algo mais insano. Sim, já havia Slipknot (com quem a banda excursionou, inclusive, com sucesso) e afins, mas até as rádios rock, pouco afeitas ao som estridente das guitarras, adotou o SOAD como banda preferida no comecinho do século 21.
A musicalidade do SOAD, como não poderia deixar de ser, é sempre intensa, mesmo nas (raras baladas). Tem música que é difícil de ser acompanhada até na air guitar – o que é aquela mudança de tempo no comecinho de “Science”? Riffs velozes se fundem a vocais que remetem aos antepassados de Serj, Daron, Shavo e John. A música que dá nome ao disco remete à estrutura muito usada por Metallica, por exemplo, com introdução solo, o riff sendo apresentado a todo vapor e a entrada da voz em destaque para depois tudo explodir de novo no refrão. “Disorder”, mas nem tanto.
Sete dias depois do lançamento do álbum, aconteceu o atentado de 11 de setembro. Com a banda em primeiro lugar nas paradas, o SOAD acabou se tornando, sem querer, a trilha sonora de tempos confusos e sombrios – e até isso causou problemas, já que a faixa “Chop Suey”, que fala sobre suicídio, foi proibida nas rádios por ser mal interpretada.
A produção do disco foi dividida entre o mago Rick Rubin e Daron Malakian e Serj Tankian. Talvez por nem o melhor dos produtores, sozinho, entenderia esse tanto de referências.
E para não dizer que tudo é só confusão perto do SOAD, Toxicity termina com uma faixa escondida inspirada numa música gospel de tradição armênia. Paz.

Magister – The Art of Changes – 2017
“The Art of Changes” é um dos mais espetaculares trabalhos que já foram realizados dentro do amplo rótulo “metal”. É uma gema preciosa, um álbum que merece ser descoberto por toda e qualquer pessoa que goste do estilo, sendo praticamente uma aula sobre os caminhos e influências que desembocaram no heavy metal dos anos 80 – 90. Está tudo lá: a música clássica, que Ritchie Blackmore colocou no rock e Yngwie Malmsteen abraçou, aparece no zig-zag infernal de “The Endless Path”, baseada na “Ode à Alegria” de Beethoven e tocada na velocidade máxima pelo baterista Luciano Melo, como o Accept de “Fast As a Shark”. Os duetos de guitarra do Iron Maiden e Queensrÿche aparecem em vertiginosas e inumeráveis frases construídas e executadas meticulosamente pelos guitarristas André Evaristo e Fabio Gusmão. As baladas melancólicas que o Black Sabbath fez com Dio no vocal são lembradas na música-título. “Over the Rainbow” homenageia esse vocalista mais claramente, com um refrão fácil e os registros altíssimos do vocal. As músicas longas, complexas e os riffs agressivos do Metallica se fazem presentes em diversas passagens, mas em “Cold Fever” a referência se torna explícita, incluindo um pequeno solo de baixo de André Mellado (hoje no Woslom) com wah-wah, efeito favorito do falecido baixista da banda, Cliff Burton. “Salvation Song” é um rockão rápido que se abre num final melodioso, daqueles que você grita num show até acabar a voz, como todas as bandas de arena rock fizeram algum dia nos anos 80.
As composições do álbum são complexas e ao mesmo tempo prazerosas de ouvir, porque dificilmente algo se repete no percurso de cada uma. O trabalho vocal e instrumental é de um nível soberbo, uma conjunção que é vista pouquíssimas vezes. As letras são um capítulo à parte, muitas delas refletindo as convicções espirituais de André Evaristo, tema que é raro no gênero, mas evitam cair no didatismo. Como canta na faixa de abertura, André é um contador de histórias.
Ocasionalmente, pode existir alguma auto-indulgência com o experimentalismo, como a inclusão de uma passagem atonal no meio da faixa-título ou em “Massacre, Pt. 2”, feita inteiramente de ruído. Mas se o Black Sabbath incluiu uma faixa chamada “FX” em seu Vol. 4 láááááá em 1972, em 2002 já não deveria soar deslocado incluir incursões nessa área. Esses interregnos acabam por construir uma identidade sonora ao longo do registro, conferindo-lhe uma atmosfera única.
O Magister é uma banda de produção irregular, centrada em seu fundador André Evaristo (que tocou cinco anos no Torture Squad), guitarrista, vocalista e principal compositor. “The Art of Changes” foi gravado em 2002 e lançado apenas em 2017, sem nada perder em termos de atualidade. Merece um lugar entre os grandes trabalhos que o metal já pariu, não só no Brasil, mas no mundo.

Ike & Tina Turner – Workin’ Together – 1970
As origens negras do som dos Beatles acabaram ficando soterradas pelas imagens dos quatro brancos de Liverpool e por toda a revolução causada por eles. Mas, como os próprios fizeram questão de ressaltar em diversas entrevistas, sim, o rock and roll e o blues negros norte-americanos serviram como impulso inicial para que eles criassem o primeiro fenômeno pop de massa voltado para o jovem. E alguns artistas fizeram questão de “pegar de volta” as referências e regravar Beatles com o molho que só a soul music tinha. Um dos mais bem-sucedidos foi a dupla Ike & Tina Turner.
Come Together chegou no início de 1970 trazendo uma versão da música que deu nome ao disco. Mas foi com Workin’ Together, lançado em novembro de 1970, que o nome da dupla alcançou o sucesso e estourou a porta do mainstream norte-americano. Nesse disco, duas músicas da dupla Lennon-McCartney aparecem: “Get Back” e “Let it Be”.
A ideia do álbum era dar uma passada pelo rock contemporâneo explorando todas as possibilidades da interpretação de Tina – e ela se mostra dessas Intérpretes (com “I” maiúsculo mesmo) capazes de nos fazer esquecer a canção original. Assim como Joe Cocker fez com “With A Little Help From My Friends”, Tina pega pra si as canções de Lennon-McCartney.
Isso porque o destaque do disco nem são essas duas músicas. “Proud Mary”, de John Fogerty/Creedence Clearwater Revival, sai do rock de bailinho e vai parar em algo próximos do gospel. O mais curioso é que Ike Turner não se baseou exatamente na canção original, mas sim numa versão do grupo Checkmates Ltd. Ike pegou essa versão, acrescentou a introdução mais lenta e caprichou na produção. Vale a pena pesquisar esse outro som. Ike & Tina Turner levaram o Grammy de Melhor Performance Vocal por “Proud Mary”.
Hoje sabemos as histórias por trás do sucesso da dupla – assédio moral, traições e violência física. Tina ainda ficou com Ike nos palcos por mais 10 anos e se lançou em carreira solo em 1980 para se tornar a estrela que conhecemos até hoje. Já Ike, se recolheu ao esquecimento até sua morte, em 2007, aos 76 anos. Só artistas como Tina conseguem fabricar pérolas de tamanho quilate a partir da dor.
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Kate Bush – Best Of The Other Sides (2025)
[Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]
Lista de faixas
01. Experiment IV – 04:55
02. You Want Alchemy? – 03:57
03. Rocket Man – 04:59
04. Walk Straight Down The Middle – 03:49
05. The Big Sky (Meteorological 12″ Mix) – 07:46
06. The Man I Love – 03:19
07. Under The Ivy – 02:08
08. Mná na hÉireann – 02:56
09. Lyra – 03:15
10. Brazil (Sam Lowry's First Dream) – 02:14
11. Running Up That Hill (A Deal With God) (12″ Mix) – 05:49
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Rage Against The Machine – Live On Tour 1993 (2025)
[Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]
Rage Against The Machine Live On Tour 1993 é uma compilação de gravações ao vivo, sem cortes ou mixagens, da primeira turnê mundial da banda. É como voltar no tempo e testemunhar as performances explosivas que definiram o grupo. O vinil inclui uma gravação e três lados de música, preservando a intensidade e a essência de cada show.
Lista de faixas
: 01. Bombtrack (Ao vivo, Washington DC, 1993) – 04:03
02. Killing In the Name (Ao vivo, Orlando, 1993) – 05:16
03. Take the Power Back (Ao vivo, Atlanta, 1993) – 06:19
04. Settle for Nothing (Ao vivo, Gainesville, 1993) – 05:02
05. Bullet In the Head (Ao vivo, Paris, 1993) – 06:30
06. Know Your Enemy (Ao vivo, Toronto, 1993) – 04:52
07. Wake Up (Ao vivo, Filadélfia, 1993) – 08:25
08. Fistful of Steel (Ao vivo, Milão, 1993) – 05:36
09. Township Rebellion (Ao vivo, São Francisco, 1993) – 05:07
10. Freedom (Ao Vivo, Chicago, 1993) – 06:35