terça-feira, 1 de setembro de 2026

JAZZ AO LARGO | Barcelos

 

O Jazz ao Largo celebra a sua 11.ª edição. Durante quatro dias, o festival volta a invadir a cidade de Barcelos, celebrando o que de mais variado e estimulante se faz no jazz da atualidade. A programação deste ano constrói-se num equilíbrio perfeito entre regressos muito aguardados e estreias absolutas. 

O pontapé de saída acontece a 10 de setembro, com o trio do saxofonista inglês Andy Sheppard, bem acompanhado por dois nomes já acarinhados pelo nosso público: Michel Benita e Rita Marcotulli. 

No dia 11, o histórico Sexteto de Jazz de Lisboa — um ensemble fundamental no panorama nacional — traz de volta à cidade os incontornáveis Mário Laginha e Mário Barreiros. O dia 12 reserva-nos uma jornada dupla. Durante a tarde, a grande novidade do festival: a estreia absoluta de Mostafa Taleb, que nos brindará com um singular concerto de Kamancheh. 

À noite, o projeto Azul, de Carlos Bica, regressa para partilhar o palco com Jim Black e Frank Möbus, prometendo uma atuação memorável na companhia de três dos melhores músicos da atualidade. Na vertente mais exploratória do festival, o dia 13 recebe os Rapid Zen, que unem o contrabaixista Gonçalo Almeida às estreias de Bárbara Togander e Vasco Trilla. 

O palco será também, naturalmente, do Ensemble JAL: um projeto criado no seio do próprio festival que volta a reunir vários dos músicos mais ativos de Barcelos. A pensar nos mais novos, a edição deste ano integra ainda o workshop "Sononautas - Ecoescuta", uma atividade dedicada à exploração das paisagens sonoras da nossa cidade e à promoção da escuta ativa. 

Os concertos têm lugar no Largo Dr. Martins Lima (junto ao Theatro Gil Vicente) e na frente ribeirinha da Azenha, com entrada livre.


DIAS DE JAZZ NO CENTRO CULTURAL DAS CALDAS DA RAINHA

O Festival Dias de Jazz volta a firmar-se como um dos espaços de programação mais estimulantes e consistentes da região Oeste, com um cartaz pautado por projetos de criação musical verdadeiramente únicos e que cruzam as fronteiras do jazz nacional. Entre a criação contemporânea, a eletrónica experimental, o jazz e o blues tradicionais e a liberdade do improviso, a edição deste ano arranca a 26 de setembro com o concerto de Big Daddy Wilson e desenvolve-se em duas momentos, em outubro e novembro. 

De 8 a 10 de outubro, com três concertos consecutivos, e de 6 a 7 de novembro, com a presença do trio português TGB, convidando João Barradas, e o regresso a Portugal de uma das grandes figuras do jazz europeu, Henri Texier. No dia 26 de setembro, o cantor e compositor americano de blues elétrico e soul, Big Daddy Wilson apresenta-se no Grande Auditório do CCC. O verdadeiro bluesman com voz barítono inconfundível e presença marcante em palco, promete dar um espetáculo com raízes profundas na história do blues. 

A 8 de outubro, o Omniae Large Ensemble, dirigido pelo percussionista e maestro Pedro Carneiro, dá a conhecer no CCC as paisagens sonoras intrincadas, os sons expansivos da música contemporânea misturados com o fluxo da improvisação e a eletrónica experimental. No dia a seguir, a 9, será a vez de Maria João trazer o aclamado “Abundância”, álbum que assinala 40 anos de um percurso admirável na música. Fazendo eco da sua ascendência, a cantora de voz elástica e performativa volta a voar entre Lisboa e Maputo para mostrar, ao vivo, as músicas deste trabalho, na companhia de João Farinha (aliado do projeto OGRE). 

A 10 de outubro seguimos os passos de John Coltrane levados pela Orquestra do Hot Clube. Aproveitando a celebração dos 100 anos de Coltrane, a traz ao Dias do Jazz o espetáculo “Meditations”, com música original inspirada no universo musical de Coltrane com reportório de compositores contemporâneos consagrados. Serão apresentadas cinco obras originais de compositores contemporâneos como Ingrid Laubrock, Anna Webber, Frank Carlberg, Luís Cunha e Carlos Azevedo, inspiradas no legado musical, supremo e prodigioso, de John Coltrane. 

No mês a seguir, a 7 de novembro, Henri Texier Quarteto, liderado pelo lendário contrabaixista francês mostrará de que forma é possível brindar a audiência com um cocktail de fusão perfeita entre improvisação jazz, profundo lirismo e diálogo criativo e musical. Uma experiência sonora única servida por um dos nomes fundamentais da história do jazz europeu em plena atividade criativa – Henri Texier. No último dia do Festival, a 11 de novembro, atua o trio TGB - sigla para Tuba, Guitarra e Bateria —projeto musical português singular que reúne três músicos de referência: Sérgio Carolino na tuba, Mário Delgado na guitarra e Alexandre Frazão na bateria. 

Oportunidade para testemunhar ao vivo o universo sonoro característico desta formação, onde o jazz se cruza com o rock, o country, o folk e até a música improvisada, resultando numa linguagem musical original, arrojada e inclassificável. De relevar que, para este concerto, o trio convidou o incrível artista superlativo, o acordeonista João Barradas. Dias de Jazz | Fora de portas do CCC Os Dias do Jazz têm ainda uma dimensão que ultrapassa os palcos e vive fora das portas do CCC. Mantendo a ligação com a comunidade educativa, o Festival irá desenvolver atividades paralelas e de mediação, através da colaboração com o Conservatório de Música das Caldas da Rainha. 

Na semana de 18 a 25 de outubro, o Jazz nas Escolas procura aproximar as novas gerações à arquitetura sonora do jazz, com sessões e atuações pedagógicas em algumas escolas do concelho, estabelecimento prisional e outras estruturas da comunidade. As Jam Sessions fazem também parte desta abertura do programa dos Dias de Jazz, no palco do Café-Concerto que irá transformar-se no habitual espaço de improviso em torno do jazz. 

Ainda neste espaço terá lugar a iniciativa ABô Vinil Jazz Sessions para apresentar ao público parte do espólio/coleção de discos do Dr. Vicente de Sousa, numa viagem sonora pelo universo do jazz através da sua extraordinária coleção de vinil. 

Esta apresentação será feita pelo seu filho, Paulo Vicente e pelo seu neto, Francisco M. Sousa, mantendo viva uma paixão musical que atravessa gerações. As sessões acontecem a 8 de outubro (jazz contemporâneo e free jazz); a 9 de outubro (“As mulheres no Jazz”) e a 10 de outubro (Big Bands Jazz e John Coltrane).


MÁRIO PACHECO CELEBRA A OBRA DE UMA VIDA COM UM CONCERTO ÚNICO NO CCB A 17 DE DEZEMBRO

 

Há compositores que escrevem canções e há compositores que acabam por escrever a memória de um país. Mário Pacheco pertence ao segundo grupo. A 17 de dezembro, o Centro Cultural de Belém recebe "A Música de Mário Pacheco", um concerto irrepetível em que décadas de guitarra portuguesa e de composição fadista ganham a dimensão de uma orquestra, dirigida pelo maestro João Defesa, com direção musical de Diogo Clemente. 

Mário Pacheco, à guitarra portuguesa, será acompanhado por Jaques Morelenbaum, em participação muito especial, e os convidados João Barradas, Ricardo Toscano e Fernando Dalcin. Poucos percursos atravessam de forma tão completa a história recente do fado. Filho do guitarrista António Pacheco, Mário Pacheco cresceu dentro da tradição e cedo fez da guitarra portuguesa, o instrumento que, nas suas palavras, "mais expressivamente define o fado", a sua principal forma de expressão. 

Estudou afincadamente os grandes mestres, Armandinho, Carlos Paredes e Fontes Rocha, e construiu a partir daí um estilo inconfundível, que o levou a acompanhar Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Max, Fernando Maurício, Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Vicente da Câmara, Paulo de Carvalho, Mísia, Camané, Cuca Roseta, Mariza e Carlos do Carmo. 

Depois veio a composição, e com ela a certeza de que aquelas melodias iriam sobreviver a quem as escreveu. Carlos do Carmo, Mariza, Camané, Carminho, Sara Correia, Cuca Roseta, Mísia, Ana Sofia Varela, Rodrigo Costa Félix, Joana Amendoeira, Jorge Fernando, Paulo Bragança ou Paulo de Carvalho cantaram músicas suas. Atravessaram gerações, palcos e fronteiras e tornaram-se parte do património afectivo de quem escuta a música portuguesa no mundo. 

O reconhecimento acompanhou o percurso. Mário Pacheco recebeu o Prémio Amália Rodrigues de Melhor Compositor, o Prémio Songlines "Top of the World Album", a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Lisboa e foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Participou no filme "Fados", de Carlos Saura, editou três álbuns, "Um Outro Olhar" (1992), "A Música e a Guitarra" e "Livre" (2020), e criou em Alfama, junto à Sé, o Clube de Fado, casa de referência do género durante 25 anos. 

No CCB, essa obra regressa às mãos de quem a escreveu, agora vestida pela força e pela delicadeza de uma orquestra e rodeada por músicos que fazem parte do seu universo mais próximo. Jaques Morelenbaum é uma das figuras maiores da música brasileira das últimas décadas. Violoncelista, arranjador, maestro e produtor, integrou a Nova Banda que acompanhou Antonio Carlos Jobim ao vivo e em gravações que valeram um Grammy, dirigiu musicalmente Caetano Veloso e trabalhou com Gal Costa, Marisa Monte e Ryuichi Sakamoto, com quem gravou "Casa", homenagem a Jobim registada na casa do próprio compositor. Foi também convidado do álbum "Livre". 

João Barradas é hoje considerado um dos mais importantes acordeonistas do mundo. Começou a estudar acordeão aos seis anos e, aos nove, entrou diretamente para o segundo ano do Curso Oficial do Conservatório Nacional, que concluiu com a nota máxima. Move-se com igual naturalidade entre a música erudita e o jazz, e leva o instrumento a contextos onde raramente se ouve. Já tinha gravado com Mário Pacheco em "Livre". Ricardo Toscano é uma das vozes mais reconhecidas do jazz português da nova geração. 

O saxofone alto é o seu instrumento e o seu quarteto tem sido um dos projetos mais consistentes da cena nacional. Tal como João Barradas, cruzou caminho com Mário Pacheco em "Livre". Fernando Dalcin é bandolinista brasileiro radicado em Portugal e um dos maiores conhecedores da tradição do choro. Nascido em São Paulo, cresceu nas rodas de choro da cidade e ficou conhecido pelo projeto "Jacob do Bandolim, Outras Composições", em que apresentou obras inéditas do mestre do bandolim, tocadas numa réplica do instrumento que Jacob usou durante quase toda a carreira. 

"A minha vida é o Fado, o meu mundo é a Música e o meu desejo é ser Livre", escreveu Mário Pacheco. A 17 de dezembro, no CCB, essas três coisas acontecem ao mesmo tempo. Mais do que um concerto, será um encontro com a música que já faz parte da vida de todos nós.



PEDRO JÓIA CONVIDA NEY MATOGROSSO | Festa do Avante!

 

A 5 de setembro, num dos momentos mais aguardados da 50.ª edição da Festa do Avante!, o guitarrista e compositor português Pedro Jóia apresenta no Palco 25 de Abril, na Quinta da Atalaia, no Seixal, um espetáculo inédito tendo como convidado especial Ney Matogrosso. 

A partir das 21.45h, os dois artistas partilham esta ocasião única, que resulta de uma relação artística construída ao longo de vários anos, e cruza linguagens e universos musicais. Um momento raro que junta, em palco, dois nomes incontornáveis da música portuguesa e brasileira. 

A relação artística entre Pedro Jóia e Ney Matogrosso remonta a 2003, quando o guitarrista português convidou o cantor brasileiro a participar no álbum "Jacarandá". O encontro revelou desde cedo uma forte afinidade musical e deu origem a uma colaboração que se prolongaria ao longo dos anos. 

Pouco depois, Ney Matogrosso convidou Pedro Jóia para integrar a sua banda, com quem o guitarrista trabalhou durante cerca de quatro anos, acompanhando-o também em digressões pelo Brasil. Nesse período, participou nos álbuns "Vagabundo" (2004) e "Canto em Qualquer Canto" (2005). Em 2017, os dois artistas voltaram a partilhar o palco, num concerto especial no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. 

Mais de duas décadas depois do primeiro encontro, Pedro Jóia e Ney Matogrosso voltam a reunir-se para um concerto que recupera esta história de cumplicidade artística acrescentando-lhe dá um novo capítulo. No dia 5 de setembro, no Palco 25 de Abril, os dois serão acompanhados por José Salgueiro (bateria), Guilherme Salgueiro (teclados), Norton Daiello (baixo), João Frade (acordeão) e Luanda Cozzetti (backing vocals).


Lançado em 1988 pela gravadora Paralelo, Sobrou Pra Mim é o terceiro álbum de estúdio de Tunai

 


Lançado em 1988 pela gravadora Paralelo, Sobrou Pra Mim é o terceiro álbum de estúdio de Tunai e representa um momento de maturidade artística do cantor, compositor e violonista mineiro. Produzido pelo próprio artista, o disco mantém a sofisticação melódica que marcou sua carreira, combinando MPB, pop adulto e influências do jazz em arranjos elegantes e interpretações intimistas.

Depois do sucesso de álbuns como Olhos do Coração (1983) e Tunai (1985), este trabalho reforçou a identidade musical do artista, valorizando melodias refinadas e letras de forte apelo emocional. A parceria com Sérgio Natureza, uma constante em sua carreira, volta a aparecer em faixas como "Numas" e "Tinha de Ser", enquanto Murilo Antunes assina a parceria em "A Fome de Leão".
A faixa-título, "Sobrou Pra Mim", tornou-se uma das canções mais conhecidas de Tunai. Com uma melodia envolvente e uma letra sobre arrependimento e amor perdido, a música conquistou espaço nas rádios e permanece entre as composições mais lembradas do artista. Outro destaque é "Meu Amor", uma versão em português de "My Love", de Paul McCartney, adaptada pelo próprio Tunai.
O álbum conta ainda com músicos de primeira linha da MPB, como Jota Moraes (teclados e arranjos), Pascoal Meirelles (bateria), Paulinho Carvalho (baixo), Don Chacal (percussão) e Bidinho Spínola (flugelhorn em "Meu Amor"), conferindo riqueza instrumental e sonoridade sofisticada às gravações.



System Of A Down – Toxicity – 2001

 

System Of A Down – Toxicity – 2001

System Of A Down – Toxicity – 2001

Qualquer tentativa de entender o fenômeno System Of A Down será fracassada. Pense numa banda formada por descendentes de armênios, baseada em Los Angeles, que fala em suas letras sobre drogas, sexo grupal, encarceramento em massa e Charles Manson ao som de um metal extremo e violento – e até seus instrumentos têm afinações totalmente fora do comum. Esse resumo tem toda pinta de milhares de bandas que seguem nos porões e de lá nunca saíram. O SOAD, como chamam os fãs, não só saiu como alcançou números estratosféricos para o seu tipo de som.

Seu primeiro álbum, homônimo, de 1998, serviu para chamar atenção. Mas o segundo, Toxicity, de 2001, chegou ao primeiro lugar da parada norte-americana com esse caldo de metal e confusão – que começou já no show de lançamento. Planejado para 3,5 mil pessoas, o evento atraiu quase 10 mil e se tornou um caos. Parece que havia uma certa ressaca do som que predominou o metal comercial nos anos 1990, o nu-metal, e a audiência pedia algo mais insano. Sim, já havia Slipknot (com quem a banda excursionou, inclusive, com sucesso) e afins, mas até as rádios rock, pouco afeitas ao som estridente das guitarras, adotou o SOAD como banda preferida no comecinho do século 21.

A musicalidade do SOAD, como não poderia deixar de ser, é sempre intensa, mesmo nas (raras baladas). Tem música que é difícil de ser acompanhada até na air guitar – o que é aquela mudança de tempo no comecinho de “Science”? Riffs velozes se fundem a vocais que remetem aos antepassados de Serj, Daron, Shavo e John. A música que dá nome ao disco remete à estrutura muito usada por Metallica, por exemplo, com introdução solo, o riff sendo apresentado a todo vapor e a entrada da voz em destaque para depois tudo explodir de novo no refrão. “Disorder”, mas nem tanto.

Sete dias depois do lançamento do álbum, aconteceu o atentado de 11 de setembro. Com a banda em primeiro lugar nas paradas, o SOAD acabou se tornando, sem querer, a trilha sonora de tempos confusos e sombrios – e até isso causou problemas, já que a faixa “Chop Suey”, que fala sobre suicídio, foi proibida nas rádios por ser mal interpretada.

A produção do disco foi dividida entre o mago Rick Rubin e Daron Malakian e Serj Tankian. Talvez por nem o melhor dos produtores, sozinho, entenderia esse tanto de referências.

E para não dizer que tudo é só confusão perto do SOAD, Toxicity termina com uma faixa escondida inspirada numa música gospel de tradição armênia. Paz.

Ouça o disco

  1. “Prison Song”
  2. “Needles”
  3. “Deer Dance”
  4. “Jet Pilot”
  5. “X”
  6. “Chop Suey!”
  7. “Bounce”
  8. “Forest”
  9. “ATWA”
  10. “Science”
  11. “Shimmy”
  12. “Toxicity”
  13. “Psycho”
  14. “Aerials[+]”


Magister – The Art of Changes – 2017

 

Magister - The Art of Changes - 2017

Magister – The Art of Changes – 2017

“The Art of Changes” é um dos mais espetaculares trabalhos que já foram realizados dentro do amplo rótulo “metal”. É uma gema preciosa, um álbum que merece ser descoberto por toda e qualquer pessoa que goste do estilo, sendo praticamente uma aula sobre os caminhos e influências que desembocaram no heavy metal dos anos 80 – 90. Está tudo lá: a música clássica, que Ritchie Blackmore colocou no rock e Yngwie Malmsteen abraçou, aparece no zig-zag infernal de “The Endless Path”, baseada na “Ode à Alegria” de Beethoven e tocada na velocidade máxima pelo baterista Luciano Melo, como o Accept de “Fast As a Shark”. Os duetos de guitarra do Iron Maiden e Queensrÿche aparecem em vertiginosas e inumeráveis frases construídas e executadas meticulosamente pelos guitarristas André Evaristo e Fabio Gusmão. As baladas melancólicas que o Black Sabbath fez com Dio no vocal são lembradas na música-título. “Over the Rainbow” homenageia esse vocalista mais claramente, com um refrão fácil e os registros altíssimos do vocal. As músicas longas, complexas e os riffs agressivos do Metallica se fazem presentes em diversas passagens, mas em “Cold Fever” a referência se torna explícita, incluindo um pequeno solo de baixo de André Mellado (hoje no Woslom) com wah-wah, efeito favorito do falecido baixista da banda, Cliff Burton. “Salvation Song” é um rockão rápido que se abre num final melodioso, daqueles que você grita num show até acabar a voz, como todas as bandas de arena rock fizeram algum dia nos anos 80.

As composições do álbum são complexas e ao mesmo tempo prazerosas de ouvir, porque dificilmente algo se repete no percurso de cada uma. O trabalho vocal e instrumental é de um nível soberbo, uma conjunção que é vista pouquíssimas vezes. As letras são um capítulo à parte, muitas delas refletindo as convicções espirituais de André Evaristo, tema que é raro no gênero, mas evitam cair no didatismo. Como canta na faixa de abertura, André é um contador de histórias.

Ocasionalmente, pode existir alguma auto-indulgência com o experimentalismo, como a inclusão de uma passagem atonal no meio da faixa-título ou em “Massacre, Pt. 2”, feita inteiramente de ruído. Mas se o Black Sabbath incluiu uma faixa chamada “FX” em seu Vol. 4 láááááá em 1972, em 2002 já não deveria soar deslocado incluir incursões nessa área. Esses interregnos acabam por construir uma identidade sonora ao longo do registro, conferindo-lhe uma atmosfera única.

O Magister é uma banda de produção irregular, centrada em seu fundador André Evaristo (que tocou cinco anos no Torture Squad), guitarrista, vocalista e principal compositor. “The Art of Changes” foi gravado em 2002 e lançado apenas em 2017, sem nada perder em termos de atualidade. Merece um lugar entre os grandes trabalhos que o metal já pariu, não só no Brasil, mas no mundo.

Ouça o disco

  1. The Endless Path
  2. Over the Rainbow
  3. Close to the Secrets
  4. The Art of Changes
  5. Getaway
  6. Shadows of a Dream: I. Cold Fever
  7. Winding Star
  8. Unfolding Memories
  9. Massacre, Pt. 2: The Shining
  10. Salvation Song

Ike & Tina Turner – Workin’ Together – 1970

 

Ike & Tina Turner – Workin’ Together – 1970

Ike & Tina Turner – Workin’ Together – 1970

As origens negras do som dos Beatles acabaram ficando soterradas pelas imagens dos quatro brancos de Liverpool e por toda a revolução causada por eles. Mas, como os próprios fizeram questão de ressaltar em diversas entrevistas, sim, o rock and roll e o blues negros norte-americanos serviram como impulso inicial para que eles criassem o primeiro fenômeno pop de massa voltado para o jovem. E alguns artistas fizeram questão de “pegar de volta” as referências e regravar Beatles com o molho que só a soul music tinha. Um dos mais bem-sucedidos foi a dupla Ike & Tina Turner.

Come Together chegou no início de 1970 trazendo uma versão da música que deu nome ao disco. Mas foi com Workin’ Together, lançado em novembro de 1970, que o nome da dupla alcançou o sucesso e estourou a porta do mainstream norte-americano. Nesse disco, duas músicas da dupla Lennon-McCartney aparecem: “Get Back” e “Let it Be”.

A ideia do álbum era dar uma passada pelo rock contemporâneo explorando todas as possibilidades da interpretação de Tina – e ela se mostra dessas Intérpretes (com “I” maiúsculo mesmo) capazes de nos fazer esquecer a canção original. Assim como Joe Cocker fez com “With A Little Help From My Friends”, Tina pega pra si as canções de Lennon-McCartney.

Isso porque o destaque do disco nem são essas duas músicas. “Proud Mary”, de John Fogerty/Creedence Clearwater Revival, sai do rock de bailinho e vai parar em algo próximos do gospel. O mais curioso é que Ike Turner não se baseou exatamente na canção original, mas sim numa versão do grupo Checkmates Ltd. Ike pegou essa versão, acrescentou a introdução mais lenta e caprichou na produção. Vale a pena pesquisar esse outro som. Ike & Tina Turner levaram o Grammy de Melhor Performance Vocal por “Proud Mary”.

Hoje sabemos as histórias por trás do sucesso da dupla – assédio moral, traições e violência física. Tina ainda ficou com Ike nos palcos por mais 10 anos e se lançou em carreira solo em 1980 para se tornar a estrela que conhecemos até hoje. Já Ike, se recolheu ao esquecimento até sua morte, em 2007, aos 76 anos. Só artistas como Tina conseguem fabricar pérolas de tamanho quilate a partir da dor.

Ouça o disco

  1. Workin’ Together
  2. (As Long As I Can) Get You When I Want You
  3. Get Back
  4. The Way You Love Me
  5. You Can Have It
  6. Game Of Love
  7. Funkier Than A Mosquita’s Tweeter
  8. Ooh Poo Pah Doo
  9. Proud Mary
  10. Let It Be


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Kate Bush – Best Of The Other Sides (2025) [Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

 

Kate Bush - Best Of The Other Sides (2025) [Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

Kate Bush – Best Of The Other Sides (2025)
[Remasterizado, Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

 
Lista de faixas
01. Experiment IV – 04:55
02. You Want Alchemy? – 03:57
03. Rocket Man – 04:59
04. Walk Straight Down The Middle – 03:49
05. The Big Sky (Meteorological 12″ Mix) – 07:46
06. The Man I Love – 03:19
07. Under The Ivy – 02:08
08. Mná na hÉireann – 02:56
09. Lyra – 03:15
10. Brazil (Sam Lowry's First Dream) – 02:14
11. Running Up That Hill (A Deal With God) (12″ Mix) – 05:49

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Rage Against The Machine – Live On Tour 1993 (2025) [CD-Quality + Hi-Res] [Official Digital Release]

 

Rage Against The Machine - Live On Tour 1993 (2025) [CD-Quality + Hi-Res] [Official Digital Release]

Rage Against The Machine – Live On Tour 1993 (2025)
[Qualidade de CD + Alta Resolução] [Lançamento Digital Oficial]

Rage Against The Machine Live On Tour 1993 é uma compilação de gravações ao vivo, sem cortes ou mixagens, da primeira turnê mundial da banda. É como voltar no tempo e testemunhar as performances explosivas que definiram o grupo. O vinil inclui uma gravação e três lados de música, preservando a intensidade e a essência de cada show.

Lista de faixas
: 01. Bombtrack (Ao vivo, Washington DC, 1993) – 04:03
02. Killing In the Name (Ao vivo, Orlando, 1993) – 05:16
03. Take the Power Back (Ao vivo, Atlanta, 1993) – 06:19
04. Settle for Nothing (Ao vivo, Gainesville, 1993) – 05:02
05. Bullet In the Head (Ao vivo, Paris, 1993) – 06:30
06. Know Your Enemy (Ao vivo, Toronto, 1993) – 04:52
07. Wake Up (Ao vivo, Filadélfia, 1993) – 08:25
08. Fistful of Steel (Ao vivo, Milão, 1993) – 05:36
09. Township Rebellion (Ao vivo, São Francisco, 1993) – 05:07
10. Freedom (Ao Vivo, Chicago, 1993) – 06:35

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