segunda-feira, 20 de abril de 2026

Yeat – ADL (2026)

Yeat – ADL (2026)

Tracklist:
01 – Purpose General
02 – Face The Flamë (feat. YoungBoy Never Broke Again & Grimes)
03 – Lose Control (feat. Elton John)
04 – Griddlë (feat. Don Toliver)
05 – What I Want (feat. BNYX®)
06 – Liv Likë Dis
07 – Tallër
08 – My Way (feat. Julia Wolf)
09 – Let King Tonka Talk (feat. King Kylie)
10 – Dangerous House
11 – NO MORE GHOSTS (feat. Kid Cudi)
12 – 2Nite
13 – Geek Luv
14 – Naked
15 – Went Wrong (feat. 070 Shake)
16 – Real Life Shit
17 – My Time (feat. Swizz Beatz)
18 – 2Planës
19 – Silk Facë;
20 – Back Home (feat. Joji)
21 – Up From Here

Jake Isaac – 10 Years Later (2026)

Jake Isaac – 10 Years Later (2026)

Tracklist:
01 – Waiting Here (10 Years Later)
02 – Bad Vibes
03 – For No Reason
04 – Grindin’
05 – Carry You
06 – Home
07 – Fool For You
08 – I’m A Man
09 – Till The Sunrise
10 – Waiting Here (10 Years Later with Caleb)
11 – Waiting Here (10 Years Later with Stefanie)
12 – Waiting Here (10 Years Later with Charlie)

POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO


Você Não Gosta de Mim
Caetano Veloso

Você não gosta de mim
Não sinto o ar se aquecer
Ao redor de você
Quando eu volto da estrada

Por que será que é assim?
Dou, aos seus lábios, a mão
E eles nem dizem não
Eles não dizem nada

Como é que vamos viver
Gerando luz sem calor?
Que imagem do amor
Podemos nos oferecer?

Você não gosta de mim
Que novidade infeliz
O seu corpo me diz
Pelos gestos da alma

A gente vê que é assim
Seja de longe ou de perto
No errado e no certo
Na fúria e na calma

Você me impede de amar
E eu que só gosto do amor
Por que é que não nos dizemos 
Que tudo acabou?

Talvez assim descubramos
O que é que nos une
Medo, capricho, destino
Ou um mistério maior

Não posso crer que o ciúme
Torne alguém imune ao desamor
Então, por favor
Evite esse costume ruim

Você não gosta de mim
É só ciúme vazio
Essa chama de frio
Esse rio sem água

Por que será que é assim?
Somente encontra motivo
Pra manter-se vivo
Este amor pela mágoa

Então digamos adeus
E nos deixemos viver
Já não faz nenhum sentido
Eu gostar de você

Você não gosta de mim
É só ciúme vazio
Essa chama de frio
Esse rio sem água

Por que será que é assim?
Somente encontra motivo
Pra manter-se vivo
Este amor pela mágoa

Então digamos adeus
E nos deixemos viver
Já não faz nenhum sentido
Eu gostar de você


Você Não Me Ensinou a Te Esquecer
Caetano Veloso

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo, agora vou fazer por onde
Nunca mais perdê-la

Agora
Que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços os seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora
Que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo, agora vou fazer por onde
Nunca mais perdê-la

Agora
Que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços os seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora
Que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços os seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora
Que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar



Grandes álbuns do Prog-Rock: Jan Dukes de Grey - "Mice and Rats in the Loft" (1971)

 

Jan Dukes de Gray
 foi uma banda inglesa de Acid Folk (ou Folk psicodélico)/Rock Progressivo de curta duração que atuou principalmente no início dos anos 70. Apesar de uma produção relativamente limitada e uma recepção na época morna em termos de vendas, a banda atraiu seguidores cult e assistiu a um renascimento moderado de interesse após o lançamento em 2010 de seu álbum de 1977, anteriormente concluído, mas até então inédito. Jan Dukes de Gray é hoje considerado um dos grupos menos convencionais associados à cena Prog Folk Rock inglesa e em particular seu álbum de 1971, "Mice And Rats In The Loft", passou a ser visto como um álbum seminal do Acid Folk britânico e como uma das relíquias mais originais da era pós-hippie. Vamos hoje rever e reavaliar esta história.
As origens do Jan Dukes de Grey estão ligadas a um grupo musical de Leeds, ativo do início a meados dos anos 60, chamado "Buster Somers Express". Ainda enquanto membro desta banda, o multi-instrumentista/vocalista Derek Noy começou a compor suas próprias canções e a incorporar suas ideias no material do Buster Somers. Percebendo a receptividade positiva e desejoso por se apresentar exclusivamente com seu próprio material, Noy se separou do grupo em 1968 para seguir sua própria direção musical baseada mais no som underground então emergente (caracterizado por bandas como CreamPink Floyd e Jethro Tull). Nos seis meses seguintes, Noy compôs 50-60 canções e conheceu o Michael Bairstow (instrumentos de sopro e percussões), explicou que estava interessado em começar uma nova banda, e Bairstow logo concordou. Assim, em dez/68, surgiu a encarnação original da banda, em duo, com Derek Noy (então com 21 anos) e Michael Bairstow (então com 18 anos). O curioso nome "Jan Dukes de Grey" foi inventado por Noy como um título de som exótico, sem nenhum significado especial. Apresentando e refinando as composições originais de Noy pelos próximos meses em palcos locais, o Jan Dukes de Gray assinou contrato em 1969 com a Decca Records.
Em out/69, o álbum "Sorcerers", com 18 faixas (!), foi gravado. O álbum consistia inteiramente em canções originais de Noy que foram descritas pelos jornalistas como ingênuas e instintivas, com boa musicalidade, mas carentes de técnica, especialmente no acompanhamento de flauta. Derek Noy se incumbia dos violões de seis e doze cordas, baixo, teclados (órgão, celesta, piano), tabla, bongôs e vocais. Michael Bairstow tocava clarinete, flauta, sax, percussões e também vocais. A dupla basicamente apresentava canções compostas em violão, bem British Folk, cantadas por Noy e acompanhadas de toda essa variedade de instrumentos, tudo funcionando de maneira complementar e com muita cumplicidade (apesar do formato duo, o Jan Duke de Grey soava como uma banda completa). A voz de Noy era comparável à de Van Morrison. Base quase inteiramente acústica, um toque muito pastoral, porém com letras nada convencionais. No melhor estilo trovador, Noy ia desfilando histórias meio loucas, com ideais ripongas, porém dementes e perturbadoras (pense Folk com elementos psicodélicos, slidesglissandos, percussões étnicas/exóticas). Dezoito faixas num álbum de quase 49 minutos, convenhamos era algo incomum. Falando assim, pode até parecer chato, mas era um álbum bem divertido e o produtor David Hitchcock (da Decca, conhecido por seus trabalhos com CamelCaravanCurved AirGenesisMellow CandleThe Pink Fairies, entre outros) construiu ali um joia menor. 
Logo após a gravação de "Sorcerers", o ex-baterista do Buster Somers, Denis Conlan, juntou-se ao Jan Dukes de Grey e novos shows começaram. O som da banda mudou consideravelmente durante este período para se tornar mais fortemente progressivo e improvisado. Este novo som ressoou favoravelmente no circuito universitário e logo eles alcançaram um pequeno sucesso, abrindo para bandas de grande nome como Pink Floyd em nov/69 e The Who em mai/70. Apesar desse incentivo, as vendas de "Sorcerers" (lançado em jan/70) foram medíocres e a banda foi forçada a assinar com o selo britânico independente Transatlantic Records para seu próximo álbum, o épico "Mice and Rats in the Loft" (lançado em jun/71). Marcadamente diferente do álbum de estreia, este segundo LP era menos fragmentado e mais "extremo". As durações muito mais longas das faixas proporcionaram à banda a oportunidade de expandir seu som (agora mais improvisado) e de desenvolver temas progressivos complexos de uma maneira selvagem e maníaca. Apenas três faixas: no lado 1, "Sun Symphonica" (com quase 19 minutos); no lado 2, "Call Of The Wild" (com quase 13 minutos) e "Mica and Rats in the Loft" (com mais de 8 minutos). Épico, espécie de ataque sônico, foi o auge do Jan Dukes de Grey. Instrumental inteligente, contando com uma orquestra de apoio, a voz teatral de Noy, jams intensas, com passagens misteriosas e únicas, mais letras com histórias arrepiantes (a faixa-título, por exemplo, descreve um sacrifício religioso: "The blade descended like lightning/Tore him open from chest to gut/And the priest thrust his hand inside/And ripped out the still beating heart" - tradução: "A lâmina desceu como um raio/ Rasgou-o do peito às entranhas/ E o padre enfiou a mão dentro/ E arrancou o coração que ainda batia"). Real pérola Prog Folk Rock, "Mice and Rats in the Loft" trouxe musicalidade excepcional, num conjunto rodopiante de instrumentos e atmosferas selvagens/sombrias (pense num Mark Bolan tocando ao redor da fogueira junto com Syd Barrett e com acompanhamento do Jefferson Airplane, todos depois de tomarem ácido). Os violões não soam padrão e Noy ataca as cordas de maneira áspera e percussiva. Há instrumentos de câmara em oposição ao som bastante tribal da banda. Sopros alucinados, vários efeitos, espírito da contracultura no ar, acordes estranhos, andamentos variados, mudanças quase psicóticas com improvisações energéticas/pulsantes. Com dois multi instrumentistas talentosos à vontade, o Jan Dukes de Grey se esbaldou nos arranjos adicionando flautas, clarinetes, sax, trompete, trombone, violoncelo, violino, violões múltiplos, gaita, baixo, guitarra, percussões e o escambau. Elementos psicodélicos criando poder emocional bruto, som despojado, atmosferas cruas, criatividade no talo, longos solos, tipo de música que não é cópia de nada (trabalho de alta originalidade), condensando Acid Folk com o Avant-Prog do estilo Canterbury e um som de música de câmara. Distorcido, hipnotizante, visceral, uma verdadeira experiência auditiva. As vendas de "Mice and Rats in the Loft" foram novamente mornas e os custos de gravação adiantados pela Transatlantic significaram que era necessário fazer economias em publicidade. O Jan Dukes de Grey continuou realizando shows locais e adicionou o ex-tecladista/saxofonista do Buster Somers, Eddy Spence, no final de 1970. Bairstow deixou a banda no início de 1973 para ser substituído pelo guitarrista Patrick Dean, um fã que escreveu resenhas elogiosas sobre a banda para o jornal Yorkshire Evening Post. No final de 1973, Conlon também deixou a banda e foi substituído pela esposa de Noy, Fiona Dellar. Dois outros músicos, o baixista Danny Lagger e o baterista Maurice McElroy juntaram-se logo depois.
Em abr/74, a banda mudou seu nome para "Noy's Band" e contratou o baixista Alan Ronds para assinar com o selo Dawn Records. Como Noy's Band o grupo lançou apenas um single, uma reinterpretação de "Love Potion Number 9" combinada com o lado B, "Eldorado". Quando este lançamento fracassou, a banda começou a se desfazer, finalmente se separando em ago/75. Noy, Dellar e McElroy então se juntaram ao músico Nick Griffiths para se apresentar brevemente na banda "Rip Snorter", entre 1976-77. Em paralelo, Noy começou a planejar um novo projeto. Esta nova encarnação do Jan Dukes de Grey consistiu principalmente em Noy, Dellar, McElroy e o recém adicionado tecladista Peter Lemer. Convidados adicionais, incluindo ex-membros da própria banda, bem como uma série de outros músicos, também contribuiriam de maneira específica. Na época, o baterista do Pink Floyd Nick Mason estava muito envolvido com o Britannia Row Studios e Noy conseguiu uma oferta para produção de um novo álbum do Jan Dukes de Grey. Assim surgiu "Strange Terrain", o terceiro disco deles, que levou pouco mais de um ano para ser concluído. Artistas convidados em várias faixas incluíram Ray Cooper, o ator Michael Gothard (tocando saxofone) e a atriz Lydia Lisle, entre outros. Entretanto, o álbum não foi lançado e a banda se dissolveu definitivamente logo depois. Ele só seria finalmente lançado em 2010 pelo selo Cherrytree.




Grandes canções: B. B. King - "The Thrill Is Gone" (1969)

 

"The Thrill Is Gone" originalmente foi composta pelos músicos de West Coast Blues Roy Hawkins e Rick Darnell, em 1951. O West Coast Blues, originado de músicos do Texas relocados na Califórnia dos anos 40, era um tipo de Blues mais influenciado pelo Jazz com forte presença do piano, vocais suaves e frequentes elementos de R'n'B (a figura mais expressiva do estilo foi  T-Bone Walker).
Roy Theodore Hawkins (1903-1974) era nascido em Jefferson, TX, e pouco se sabe de sua vida na fase inicial no Texas. Em meados dos anos 40, ele migrou para Oakland, CA, para se apresentar como cantor/pianista. Foi descoberto pelo produtor Bob Geddins e fez suas primeiras gravações já com 45 anos de idade. Ele trabalhou em clubes e conseguiu sucesso com a canção "Why Do Things Happen To Me", em 1950, inspirada num acidente de carro que paralisou seu braço direito. Hawkins continuou lançando singles pelo selo Modern Records, de Los Angeles, CA, e em 1951 obteve seu segundo hit com "The Thrill Is Gone", co-escrita com Rick Darnell. Ele ainda lançou diversos outros singles de menor sucesso, antes de sair da Modern em 1953 e perambular por uma série de outros selos nos anos seguintes. Suas últimas gravações foram feitas para a Kent Records, em 1961. Seus últimos anos foram passados trabalhando numa loja de móveis e ele morreu em Compton, CA. 
A versão de B. B. King foi gravada em jun/69 para seu álbum "Completely Well", gravado no The Hit Factory, em NYC. Lenta, com produção polida e uso de cordas, marcou um afastamento tanto da versão original da canção, como também do tipo de material anteriormente gravado por B. B. King. A BluesWay Records lançou "The Thrill Is Gone" como single em dez/69 e se tornou um grande sucesso, um dos maiores da carreira do artista, tornando a canção um hino do Blues marca registrada dele. Alcançou o nº. 3 na Billboard em 1970. A gravação fez B. B. King ganhar o Grammy de melhor performance vocal masculina de R'n'B daquele ano (depois ela entraria no Hall of Fame, em 98, e seria destacada como uma das maiores canções de todos os tempos pela revista Rolling Stone). Embora seja frequentemente considerada a gravação que marcou a passagem de B. B. King para o mercado Pop (de fato, nenhuma outra gravação dele, nem antes, nem depois, conseguiu tamanho sucesso Pop), a verdade é que ele já vinha obtendo sucessos nas paradas Pop desde 1957. O alcance de "The Thrill Is Gone" catapultou B. B. King para um outro nível na indústria do entretenimento, fazendo-o se tornar um rosto/uma figura familiar na televisão e em salas de concertos ao redor do mundo.
Bob Thiele
BluesWay Records era uma subsidiária da ABC/Paramount Records que havia sido criada em 1966 por Bob Thiele, contando com artistas como John Lee Hooker, Jimmy Reed, Jimmy Rushing, Otis Spann e T-Bone Walker.
Szymczyk e B. B. King
Com produção e engenharia de Bill Szymczyk (que depois ajudaria a moldar o som dos Eagles), a sessão de gravação aconteceu em 8/out/69 contando com uma equipe de músicos de estúdios novaiorquinos: Paul Harris (piano elétrico), Hugh McCracken (guitarra), Gerry Jemmott (baixo), Herbie Lovelle (bateria), arranjos de cordas (Bert DeCoteaux). Aliás, a adição de cordas de bom gosto destacou, em vez de adoçar, o clima de tristeza e perda da música. A guitarra de B. B. King soando completamente desolada e em profunda tristeza marcou época. A versão do LP teve 5 minutos e meio e a BluesWay editou-a para o single 45 RPM (ficando com 3 minutos e 55 segundos). 
The Thrill Is Gone / A Emoção Se Foi
The thrill is gone / A emoção se foi
The thrill is gone away / A emoção foi embora
The thrill is gone, baby / A emoção se foi, meu bem
The thrill is gone away / A emoção foi embora
You know you done me wrong, baby / Você sabe que me faz mal, meu bem
And you'll be sorry someday / E você vai se sentir culpada algum dia

The thrill is gone / A emoção se foi
It's gone away from me / Foi embora de mim
The thrill is gone, baby / A emoção se foi, meu bem
The thrill is gone away from me / A emoção foi embora de mim
Although, I'll still live on / Embora, eu ainda esteja vivo
But so lonely I'll be / Mas eu vou ser tão solitário

The thrill is gone / A emoção se foi
It's gone away for good / Foi embora para sempre
The thrill is gone, baby / A emoção se foi, meu bem
It's gone away for good / Foi embora para sempre
Someday, I know I'll be open armed baby / Algum dia, sei que eu vou estar de braços abertos, meu bem
Just like I know a good man should / Justamente como sei que um bom homem deveria estar

You know I'm free, free now, baby / Você sabe que eu estou livre, estou livre agora, baby
I'm free from your spell / Eu estou livre de seu feitiço
Oh, I'm free, free, free now / Oh, eu estou livre, livre, estou livre agora
I'm free from your spell / Eu estou livre de seu feitiço
And now that it's all over / E agora está tudo acabado
All I can do is wish you well / Tudo que eu posso fazer é desejar o seu bem




Grandes álbuns do Prog-Rock: The Pentangle - "Basket Of Light" (1969)

 

O grupo original foi formado em 1967. John Renbourn e Bert Jansch, que dividiam uma casa em St John's Wood (região nobre de Londres), já eram músicos populares na cena Folk britânica, com vários álbuns solo cada e um LP em dueto, "Bert e John" (de set/66). O uso de partes complexas com violões interdependentes, chamadas de "Folk barroco", tornou-se uma característica distintiva da música da dupla. Ambos tinham fama de inovadores com canções e ideias musicais notavelmente originais.
John Renbourn e Bert Jansch
Jacqui McShee começou como cantora não remunerada em vários clubes de Folk Music de Londres e, em 1965, dirigiu um clube em Sutton, sul de Londres, estabelecendo uma amizade com Jansch e Renbourn, quando eles tocaram lá. Ela cantou no álbum "Another Monday" de Renbourn e se apresentou com ele como uma dupla no clube Les Cousins, ​​em ago/66.
Danny Thompson (baixista) e Terry Cox (baterista) eram conhecidos como músicos de Jazz e já haviam tocado juntos na banda de Alexis Korner. Em 1966, ambos faziam parte do Duffy Power's Nucleus (uma banda que também incluía um John McLaughlin antes da fama, na guitarra elétrica). Thompson era bem conhecido de Renbourn por suas aparições no Les Cousins e por ter trabalhado com ele num projeto para TV. Em 1967, o empresário escocês Bruce Dunnet, que recentemente havia organizado uma turnê para Jansch, montou um night club no Horseshoe Hotel, na Tottenham Court Road, e o chamou para tocar. Jacqui McShee logo se junto como vocalista e, em mar/67, Thompson e Cox foram anunciados como parte da banda. Renbourn contou depois ter sido o "catalisador" que uniu a banda, mas que foi de Jansch a ideia de "fazer a banda tocar em um lugar regular, para colocá-la em forma".
Embora nominalmente um grupo de British Folk, todos passaram a compartilhar gostos pessoais e influências. McShee tinha uma base na música mais tradicional, Cox e Thompson um amor pelo Jazz, Renbourn um interesse crescente pela música antiga e Jansch um gosto pelo Blues e artistas contemporâneos como Bob Dylan. O primeiro concerto público do Pentangle foi uma apresentação com ingressos esgotados no Royal Festival Hall, em 27/mai/67. Mais tarde naquele ano, eles realizaram uma curta turnê pela Dinamarca - na qual foram desastrosamente considerados uma banda de Rock'n'Roll - e uma curta turnê pelo Reino Unido, organizada por Nathan Joseph, da Transatlantic Records. Nessa fase, a associação com Bruce Dunnett havia terminado e, no início de 1968, passaram a ter Jo Lustig como empresário. Com a sua influência, eles passaram dos clubes para salas de concerto e a partir de então, como resumiu Colin Harper, "o progresso desorganizado/despreocupado do Pentangle se tornaria uma máquina aerodinâmica de propósito e eficiência".
Pentangle assinou contrato com a Transatlantic Records e seu LP de estreia homônimo foi lançado em mai/68. Este álbum totalmente acústico foi produzido por Shel Talmy, que afirmou ter empregado uma abordagem inovadora para gravar violões e entregar um som "semelhante a um sino" muito brilhante. No encarte, uma apresentação do DJ John Peel. O resultado era mais uma mistura de Folk-Jazz-Blues do que Folk-Rock. Havia as batidas e ritmos, havia eletrificação/amplificação de instrumentos, havia as harmonias vocais, havia ousadia/aventura e o espírito irreverente que os conectava ao público do Rock (que logo constituíram a maioria do público do Pentangle). Havia nesta estreia algo emocionante, como se testemunhássemos uma banda rumo à grandeza. Igualmente confortáveis com faixas mais tradicionais, ou outras instrumentais e em seu próprio material autoral, a banda buscou colocar ali sua essência. É claro que as reputações de Bert Jansch e John Renbourn precederam a banda, mas a seção rítmica jazzística e os espaços para solos extensos deu-lhes algo diferente. A cantora Jacqui McShee completava o quebra-cabeças deste som estratificado, combinando luz e sombra, atmosferas, arranjos espaçosos, belo uso do estéreo (com a guitarra de Jansch de um lado e a de Renbourn do outro). Um álbum quase perfeito com uma espécie de atualização da música Folk inglesa. No final de jun/68, eles se apresentaram no Royal Festival Hall de Londres. As gravações desse show fariam parte do segundo álbum, "Sweet Child" (lançado em nov/68), um LP duplo composto por gravações ao vivo e de estúdio. Era o auge do Pentangle e muitos consideram este trabalho o mais representativo da carreira da banda. Demonstrava o quão versátil ela era em sua construção única de música a partir do Folk inglês, do Jazz, da música Celta, do Blues e do Pop. Alguns covers tocados ao vivo eram deslumbrantes. Os encantadores vocais de McShee, a tapeçaria virtuosa das guitarras/violões de Renbourn/Jansch e a base jazzística da dupla Cox/Thompson. As faixas de estúdio também eram excelentes num álbum encantador e sublime.
Neste contexto, surgiu "Basket Of Light", de out/69, que se tornaria o maior sucesso comercial deles (alcançou o Top 5 inglês). Embora "Sweet Child" realmente seja usualmente citado como o nível mais alto alcançado pelo grupo, "Basket Of Light" trouxe-os no seu aspecto mais Prog e excitante. Havia o surpreendente hit "Light Flight", que se tornaria muito popular pelo seu uso como música-tema da série "Take Three Girls", da BBC (primeira série dramática dela a ser feita à cores, para a qual o grupo também forneceu música incidental). Havia a comovente versão para a tradicional canção Folk "Once I Had a Sweetheart", havia a reinvenção do sucesso Girl Group "Sally Go Round The Roses" (das The Jaynetts), havia "Springtime Promises" - uma das melhores composições próprias deles, havia toda a dinâmica jazzística, enfim era o Pentangle no topo de sua popularidade. Eles fizeram trilhas sonoras, um monte de aparições em programas de TV e várias turnês pelo Reino Unido (incluindo participação do Isle of Wight Festival, em 1970) e até um concerto no famoso Carnegie Hall, nos EUA. "Basket Of Light" permanece como uma obra-prima, na qual a banda criou um perfeito equilíbrio entre as canções Folk tradicionais revisitadas e as composições autorais no melhor estilo Jazz-Folk-Blues. Um trabalho de beleza atemporal.



Destaque

Sweet Smoke - Just A Poke 1970

  Uma estreia sólida deste grupo de prog-psicodelia do Brooklyn, que se mudou para a Alemanha e gravou três álbuns por lá nos anos 70. Inclu...