domingo, 13 de novembro de 2022

GRAVETOS & BERLOQUES (SIENA ROOT)


SIENA ROOT 





Novo trabalho da banda que já se tornou uma instituição do país de Ingmar Bergman e ABBA. Na verdade, a Siena Root é uma imensa família, hoje contabilizando, aproximadamente, 12 integrantes, quando em apresentações ao vivo, tendo como núcleo fixo RifferForsberg e Borgström. E a bola da vez no gogó -e também pilotando as teclas do B3-, algumas vezes em dueto com a excelente Lisa Lystamfront woman da Heavy Feather que já havia sido responsável pelos vocais no single 'In The Fire', de 2019, é Zubaida Solid. Não...é claro que não há como compará-las a Sanya. Mas cumprem seus papéis com muita desenvoltura e notável conhecimento da proposta musical da banda. 
E o material à disposição do conceitual 'The Secret Of Our Time', lançado há poucos meses, é, simplesmente, fantástico. Um retorno às raízes musicais mais libertárias da banda, com jams e lisergia em profusão. Destaques? Muitos...da abertura com o hardão psicodélico 'Final Stand' à lindamente contemplativa e uriahheepiana 'Imaginary Boders', os suecos despejam um repertório que mais nos remete a uma curadoria atualizada do melhor que o rock já produziu.
 

Resultado de imagem para siena root 2017
Há, pelo menos, 10 anos, venho pensando em disponibilizar material desta banda natural de EstocolmoSuécia, aqui nesta birosca brenfoetílicomusical. Mas o excesso de holofotes em cima de seus primeiros trabalhos, o que levava a uma enxurrada de postagens internet afora a cada lançamento, me criava a sensação de irrelevância. Junte a isto a quase completa ausência de informações sobre a banda, e o quadro de desperdício de tempo tomava conta.
No entanto, ultimamente, percebe-se, claramente, que muito dos materiais há poucos anos compartilhados efusivamente via blogs vêm perdendo espaço na grande rede. E a Siena Root está entre estas. É verdade que a instabilidade na formação da banda, notadamente entre vocalistas e que muitos afirmam ser proposital, ao longo dos anos tornou um tanto difícil a produção de uma resenha confiável; hoje, apenas o baixista Sam Riffer e o baterista, Love Forsberg, são remanescentes da formação original, que contava ainda com Oskar Lundström nos vocais e teclados e KG West nas guitarras, cítaras e vocais. E foi com esta formação que lançaram o duplo 'A New Day Dawning' em 2004, já chamando atenção pela fina mistura de blueshard rock e psicodelia, devidamente emoldurados por tecnologia integralmente lo-fi, dos instrumentos aos equipamentos de gravação. 
Já no ano seguinte, Lundström sairia para a entrada de Sanya nos vocais, com West acumulando os teclados. Com esta formação, considerada, de forma unânime, a melhor da banda, lançaram o fantástico EP 'Mountain Songs'(2005), o sublime 'Kaleidoscope'(2006) e correram toda a Europa, tornando-se arroz de festa nos melhores festivais do continente, além de uma apresentação histórica no conceituadíssimo Rockpalast.
Em 2008, a cultuada Sanya é substituída pelo veterano da cena sueca, Sartez Faraj, que trazia também alguma intimidade com a guitarra, deixando West um pouco mais livre para os teclados e, também, a cítara, que vinha negligenciando devido ao excesso de atribuições. Apesar de correto, 'Far From The Sun', lançado em 2008, não correspondeu à expectativa. Na verdade, ocorreu uma certa rejeição a Faraj, visto que Sanya -de quem não encontrei mais notícias- era (e ainda é!) idolatrada pelos fãs da banda. O resultado foi a sua saída para a formação do irregular power trio Three Seasons.
2009 traz não somente uma nova formação, agora com Janet Jones Simmonds nos vocais, mas também um conceito ainda mais psicodélico e fortes nuances progressivas, incorporando ainda mais flautas, esquisitices sonoras e forte instrumentação indiana. O resultado é 'Different Realities', um trabalho ímpar na discografia da banda. E um de seus melhores, sem dúvida alguma.
Em sequência, já com o prestígio em altíssima conta, rodam o planeta em uma desgastante jornada. E a primeira baixa na formação, fora da esfera dos microfones, dá-se ao final de 2011, com a saída de um de seus nomes mais importantes, KG West, desgastado após quase 15 anos na liderança de projeto tão ambicioso e difícil de carregar. Após um pequeno período dedicado a recarregar energias, Riffer e Forsberg recrutam o veterano Jonas Åhlen (aka Joe Nash) para segurar o gogó e incorporam os antigos amigos Matte Gustavsson para as 6 cordas e Erik Pettersson para as teclas. E o resultado desta formação, foram o fraco single 'Conveniently Blind' e o apenas correto álbum-tributo 'Pioneers'. Mas a verdade é que a banda parecia haver perdido o rumo com a saída de West.
Mas uma banda já tão acostumada a adversidades, acaba por adquirir um altíssimo nível de resiliência e, em 2017, quando já não se esperava por mais notícias vindas do norte, finalmente encontram em Samuel Björö um responsável pelos microfones à altura de Sanya. E parece que isto foi percebido por toda a banda pois 'A Dream Of Lasting Peace', apesar de trilhar um caminho nunca antes seguido pela banda -a busca de uma roupagem mais pop e com fortes incursões no blues rock-, figura tranquilamente entre os melhores trabalhos da banda e um dos melhores álbuns do ano que passou. E tudo mantendo ainda a mesma proposta lo-fi do início de tudo. Na boa...Siena Root é totalmente excelente demais!!!







































Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

“Você Conhece?” Armageddon

  O Armageddon é um daqueles grupos que tinha tudo para estourar, mesmo no concorrido cenário roqueiro da década de 1970. Contando com músi...