Marcha fúnebre
Pedro Homem de Melo / Joaquim Campos *alexandrino estilado em 4as+
Repertório de João Braga
Vinham dois, vinham quarenta, vinham já cem mil talvez
E uma poeira sangrenta cobre o solo português
De Este a Oeste, Norte a Sul, tais como as ondas do mar
Olhar negro, ontem azul, vinham deitar-se a afogar
Vinham mudos e sombrios com a noite na garganta
Vinham cegos como os rios, omo a sede quando espanta
Vinham sem saber onde iam, mergulhando o corpo todo
Nas próprias veias que abriam como quem se afunda em lodo
Eram eles a fronteira da pátria sem pensamento
Como escravos sem bandeira, tendo por bendeira o vento
Cidade, cidade minha, quem o havia de dizer?
Atrás de um, mais outro vinha... e vinha para morrer!
Repertório de João Braga
Vinham dois, vinham quarenta, vinham já cem mil talvez
E uma poeira sangrenta cobre o solo português
De Este a Oeste, Norte a Sul, tais como as ondas do mar
Olhar negro, ontem azul, vinham deitar-se a afogar
Vinham mudos e sombrios com a noite na garganta
Vinham cegos como os rios, omo a sede quando espanta
Vinham sem saber onde iam, mergulhando o corpo todo
Nas próprias veias que abriam como quem se afunda em lodo
Eram eles a fronteira da pátria sem pensamento
Como escravos sem bandeira, tendo por bendeira o vento
Cidade, cidade minha, quem o havia de dizer?
Atrás de um, mais outro vinha... e vinha para morrer!
Resignado
António Rocha / Salvador Gomes *alexandrino valmor*
Repertório de António Rocha
Nem mais uma palavra de queixa ou de lamento
Nem mais uma alusão à dor que me consome
Não mais quem tanto esperava, não mais a voz do vento
Trazendo aos meus ouvidos o eco do teu nome
Nem mais noites de calma falando à luz da lua
Quando os longos silêncios diziam mais que nós
Não mais a minha alma arrebatada e nua
Ouvindo extasiada o som da tua voz
Masa a recordação deste sonho só meu
Há-de ficar no tempo, há-de viver em mim
Porque este coração eternamente teu
Batendo no meu peito, há-de lembrar-te assim
Nascente d’água pura aonde fui matar
Esta sede de amor, secura de carinho
Fogueira de ternura onde me fui queimar
Lágrima cristalina que hei-de chorar sozinho
Repertório de António Rocha
Nem mais uma palavra de queixa ou de lamento
Nem mais uma alusão à dor que me consome
Não mais quem tanto esperava, não mais a voz do vento
Trazendo aos meus ouvidos o eco do teu nome
Nem mais noites de calma falando à luz da lua
Quando os longos silêncios diziam mais que nós
Não mais a minha alma arrebatada e nua
Ouvindo extasiada o som da tua voz
Masa a recordação deste sonho só meu
Há-de ficar no tempo, há-de viver em mim
Porque este coração eternamente teu
Batendo no meu peito, há-de lembrar-te assim
Nascente d’água pura aonde fui matar
Esta sede de amor, secura de carinho
Fogueira de ternura onde me fui queimar
Lágrima cristalina que hei-de chorar sozinho
Fado dos trevos
Vasco da Graça Moura / Florêncio de Carvalho
Repertório de Clara
Este poema também foi gravado por Maria Azóia na música
Repertório de Clara
Este poema também foi gravado por Maria Azóia na música
do Fado Alexandrino Antigo de Armando Augusto Freire
A vida é feita de escolhas
Quis escolher uma vez
Um trevo de quatro folhas
Mas só vi trevos de três
Quis então cantar nas ruas
Um fado que as três resuma
Mais valem três do que duas
E mais duas que nenhuma
E então cantando e somando / O que quero e o que não quero
No meu onde, como, e quando / Tinha de partir do zero
E então cantando e somando / O que quero e o que não quero
Acontece que entretanto
Deu-se um golpe de teatro
Encontrei-te e amei-te tanto
Que as três valeram por quatro
E assim, nas minhas escolhas
Eu tinha razão talvez
Transformando em quatro folhas
Trevos que eram só de três
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