
Resenha
Destinazioni Oblique
Álbum de Aliante
2022
CD/LP
O que foi um trio em seus dois ótimos primeiros discos, agora é um quarteto, porém, sem a presença do tecladista e fundador da banda, Enrico Filippi, que deu lugar para os dois novos membros, Davide Capitanio (guitarra e violão, instrumentos que são novidades na banda) e Michele Lenzi (teclado, oboé, flauta e violão). Baixo e bateria seguem nas mãos de Alfonso Capasso e Jacopo Giusti, respectivamente. Devido a suas influências, o sabor sinfônico e neo-progressivo já é esperado, mas a banda entrega também algo além, e por meio de ingredientes ambiental e psicodélicos adequados, o resultado é um disco delicioso de ouvir do começo ao fim. “Il Mondo Di Fronte” já começa o disco de maneira poderosa. Baixo, teclado e bateria continuam brilhantes, mas agora “manchado” por uma guitarra elétrica. Uma peça onde paixão e técnica é exposta com muito entusiasmo. A seção rítmica é robusta, sendo muito engrandecida pelas mudanças de andamento, enquanto isso, teclas e guitarra digladiam-se em seções instrumentais que imergem o ouvinte na atmosfera progressiva do disco. Vale destacar também o momento em que a música silencia e entra em um clima celestial extremamente lindo, ficando nessa linha até o seu término. “Frammenti Di Un Giorno” direciona o disco para uma ligeira mudança de ritmo. Possui um início pastoral por meio de uma flauta e logo se transforma em uma peça de bateria linear. A maneira com que guitarra e sintetizador dialogam, cria uma melodia progressiva com características bastante vintage. De clima sombrio e guitarras floydianas, a peça evolui de forma contínua através de solos refinados e ecléticos. Ainda há uma pausa de clima sombrio. “Home Trip”, possui primeiramente algumas notas nas teclas antes de entrar as primeiras e suaves batidas, a linha de baixo é bastante evidente e as suas primeiras notas dentro do compasso me lembra “Owner of a Lonely Heart”, sei que pode parecer estranho do nada uma comparação dessa, pois eu achei estranho quando ouvi, mas não teve como não ligar uma coisa com a outra. O ambiente criado é de um soft jazz até que a guitarra eleva a peça para um outro patamar por meio de um excelente solo. Uma dica, para quem gosta de órgão e sintetizador, a segunda metade da música ainda tem algo grandioso a oferecer. “Destinazioni Oblique” é a menor e mais doce faixa do disco, sendo a única que possui voz por meio da narração da já conhecida de discos anteriores, Serena Andreini. Através de arpejos belíssimos e atmosfera onírica, traz uma grande mudança em relação ao que estava acontecendo até aqui. Uma música de extrema fragilidade que flui perfeitamente para mais um épico do disco. “Cartimandua”, o belíssimo violão solitário que a inicia, logo ganha a companha de uma trompa intensa. Depois de pouco mais dos dois minutos iniciais, toda a banda se une em uma sonoridade refinada e cheia de requinte. O interessante nesse disco é que basicamente todas as faixas tem tamanho suficiente para evoluir gradativamente. Aqui o som aprazível do início, aos poucos vai ganhando pompa e uma influência jazzística com um excelente solo de guitarra. A mudança de ritmo de linha blueseira que impulsiona a música para o seu ápice na sua parte final é incrível. “Coda Marea 04” começa por meio de alguns leves arpejos e notas suaves de violino. Possui uma seção rítmica excelente, com algumas mudanças contínuas de tempos e passagens intrincadas. Não costumo gostar de solos de bateria - já devo ter comentado isso aqui algumas vezes – no meio de uma música, mas aqui, admito que ficou ótimo e encaixou muito bem, não se estendendo mais do que o necessário. O dueto de teclado que vem em seguida e que guia a música para o final é o que podemos chamar de cereja do bolo. “L'Ultimo Riflesso”, tem um início que coloca o disco novamente em um ar contemplativo, de atmosfera floydiana e clima suave e onírico, permanece dentro dessa linha até mais ou menos sua parte intermediária. Então que a peça se intensifica, mesmo sem perder a sua serenidade, o solo de guitarra é daqueles que faria com que os maiores nomes da guitarra progressiva batessem palma de pé para Davide Capitanio, valorizado ainda mais por ser feito sobre uma harmonia lindíssima. “La Salita” é bastante animada, de seção rítmica sólida e ótimos duelos de guitarra e teclado. As mudanças contínuas de tempo enriquece ainda mais a peça. “Tra Cielo E Terra” é extremamente atmosférica, dando um toque oriental em seus sons. Ambiental e pastoral, apresenta conotações jazzísticas e aumenta sua intensidade conforme se desenvolve, a banda mostra uma faceta mais moderna, misturando sons eletrônicos com progressivo clássico. O trabalho de teclas é maravilhoso e mostra o quão talentoso é Michele Lenzi. “I Pomeriggi Di Armida”, um disco que chegou até aqui sendo impecável, não poderia terminar de forma diferente. De clima jazzístico, sereno e incursões clássicas de progressivo, possui notas impecáveis de todos os instrumentos, seção rítmica sólida e teclas que deslizam suave e brilhantemente por toda a sua extensão, mas novamente a guitarra vai sobressair com belas frases e um solo que é de arrepiar. Destinazioni Oblique é um disco de músicas instrumentais bastante intensas. São quase 80 minutos divididos em 10 faixas brilhantes, indicado a qualquer amante de rock progressivo clássico, mas que também goste de bandas que tem a capacidade de trazê-lo para um contexto moderno e pessoal.
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