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| Sergio Godinho |
Sempre Foi Assim
Sérgio Godinho
Corre, corre meu menino
estica o peito para a frente
mete pernas ao caminho
meu dezreizinhos de gente
e até mais ver
Mete pernas pelo mundo
escreve de terras distantes
um postal de vez em quando
p´ra lembrar como era dantes
e até mais ver
Anda comigo
e já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Atende em todos os lugares
no que muda e no que não
andes lá por onde andares
escolhe bem o teu irmão
e até mais ver
Não há só irmão de leite
não há só irmãos de vinho
aceita quem te quer aceite
escolhe, escolhe meu menino
e até mais ver
anda comigo
e já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Tempo, tempo já passou
E gente como tu crescendo
dá-me força no que sou
para ser o que vou sendo
e até mais ver
Tempo, tempo que vier
há-de ser p´ra ti diferente
luta, luta meu amor
meu dezreizinhos de gente
e até mais ver
Anda comigo
E já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Senhor Marquês
Sérgio Godinho
Olhe pra aqui uma vez
Senhor Marquês
Do bairro da lata
Está A gente farta
Senhor Marquês
E o nosso fim do mês
Passe pra cá a carteira
Da sua algibeira
Carteira em couro
Relógio de ouro
Não lhe faz falta
E faz-nos jeito à malta
Ó da guarda, ladrões
Pelos meus brazões
Ai meu Deus socorro
Jesus que eu morro
Grita o Marquês
Ninguém vem desta vez
Venha por aqui ver isto
Senhor Ministro
Que estes bandidos
Uns mal-nascidos
Ainda sem dentes
E já delinquentes
Meta aqui o nariz
Senhor Juiz
Nós somos bandidos
ou mal-nascidos?
Senhor Ministro
Perdoe se insisto
Se nós somos ladrões
Temos razões
Que não são as suas
São minhas, tuas
E de outros mais
De muitos, muitos mais
Olhe pra aqui uma vez
Senhor Marquês
Do bairro da lata
Está A gente farta
Senhor Marquês
E o nosso fim do mês
Passe pra cá a carteira
Da sua algibeira
Carteira em couro
Relógio de ouro
Não lhe faz falta
E faz-nos jeito à malta
pró nosso fim do mês

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