domingo, 8 de janeiro de 2023

POEMAS CANTADOS DE SERGIO GODINHO

Sergio Godinho

Sempre Foi Assim

Sérgio Godinho


Corre, corre meu menino

estica o peito para a frente

mete pernas ao caminho

meu dezreizinhos de gente

e até mais ver


Mete pernas pelo mundo

escreve de terras distantes

um postal de vez em quando

p´ra lembrar como era dantes

e até mais ver


Anda comigo

e já vais ver que não te minto

quando digo

que já sinto

o que vai ser

em nós diferente


Sempre foi assim

dizem

sempre foi assim

sempre foi assim

mas está a ser diferente


Atende em todos os lugares

no que muda e no que não

andes lá por onde andares

escolhe bem o teu irmão

e até mais ver


Não há só irmão de leite

não há só irmãos de vinho

aceita quem te quer aceite

escolhe, escolhe meu menino

e até mais ver

anda comigo

e já vais ver que não te minto

quando digo

que já sinto

o que vai ser

em nós diferente


Sempre foi assim

dizem

sempre foi assim

sempre foi assim

mas está a ser diferente


Tempo, tempo já passou

E gente como tu crescendo

dá-me força no que sou

para ser o que vou sendo

e até mais ver


Tempo, tempo que vier

há-de ser p´ra ti diferente

luta, luta meu amor

meu dezreizinhos de gente

e até mais ver


Anda comigo

E já vais ver que não te minto

quando digo

que já sinto

o que vai ser

em nós diferente


Sempre foi assim

dizem

sempre foi assim

sempre foi assim

mas está a ser diferente


Senhor Marquês

Sérgio Godinho


Olhe pra aqui uma vez

Senhor Marquês

Do bairro da lata

Está A gente farta

Senhor Marquês

E o nosso fim do mês


Passe pra cá a carteira

Da sua algibeira

Carteira em couro

Relógio de ouro

Não lhe faz falta

E faz-nos jeito à malta


Ó da guarda, ladrões

Pelos meus brazões

Ai meu Deus socorro

Jesus que eu morro

Grita o Marquês

Ninguém vem desta vez


Venha por aqui ver isto

Senhor Ministro

Que estes bandidos

Uns mal-nascidos

Ainda sem dentes

E já delinquentes


Meta aqui o nariz

Senhor Juiz

Nós somos bandidos

ou mal-nascidos?

Senhor Ministro

Perdoe se insisto


Se nós somos ladrões

Temos razões

Que não são as suas

São minhas, tuas

E de outros mais

De muitos, muitos mais


Olhe pra aqui uma vez

Senhor Marquês

Do bairro da lata

Está A gente farta

Senhor Marquês

E o nosso fim do mês


Passe pra cá a carteira

Da sua algibeira

Carteira em couro

Relógio de ouro

Não lhe faz falta

E faz-nos jeito à malta

pró nosso fim do mês

Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Circus "Surface Tension" (1993)

  "A atmosfera cultural da cidade sempre foi propícia ao desenvolvimento da música eclética." Essa afirmação foi feita em 2010 por...