domingo, 5 de março de 2023

Resenha Blizzard Of Ozz Álbum de Ozzy Osbourne 1980

 

Resenha

Blizzard Of Ozz

Álbum de Ozzy Osbourne

1980

CD/LP

Ozzy e Rhoads superam qualquer expectativa estabelecida pelo "Never Say Die!" do Sabbath

A demissão de Ozzy do Black Sabbath o pegou de forma muito pesada: ele sempre pensou que sair da banda significava o retorno às suas raízes pobres, onde viveria de caridade. O empresário Don Arden — pai de Sharon Osbourne — via potencial financeiro no vocalista, principalmente se voltasse para o Sabbath, então o contratou para a sua gravadora, a Jet. No entanto, Ozzy parecia mais interessado em fazer uma banda nova: ressuscitou o nome “Blizzard of Ozz”, que tinha usado para alguns shows solos com a banda Earth, e transformou-o em um supergrupo, contando com Don Airey e Bob Daisley do Rainbow, Lee Kerslake do Uriah Heep e, é claro, Randy Rhoads do Quiet Riot. Apesar de algumas contenções internas — membros da banda achavam que o nome do grupo ia ser “Blizzard of Ozz”, mas o marketing colocou o nome do Ozzy gigante acima de “Blizzard of Ozz”, tornando-o o nome do álbum –, o álbum é bem recebido, conquistando disco de platina e sendo considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos no início do metal.

Os primeiros discos de solos costumam ser incertos, principalmente depois de uma saída tão turbulenta quanto a de Ozzy do Black Sabbath, o quão desinteressante foi o “Never Say Die!” — o último álbum do Ozzy no Sabbath — e o quão bem feito foi o “Heaven and Hell”, o primeiro álbum do Sabbath sem o Ozzy. Dá para citar o Ozzy como uma máquina de recuperação e a qualidade dele como compositor e vocalista, mas a verdade é bem mais óbvia que isso: a banda que ele reuniu é muito boa, e o principal salvador da pátria é Randy Rhoads. O guitarrista trouxe essa essência do punk rock e do hair metal dos anos 70 para as músicas do disco, fazendo praticamente todas as músicas serem incríveis. Absolutamente nada contra o Bob Daisley, que trabalha bem no baixo, o Lee Kerslake, que consegue embutir uma cadência própria nas músicas, variando-as de estilo de forma rápida sem deixar de ser metal, e o teclado de Don Airey tá tinindo de qualidade, mas o Randy Rhoads é a alma do álbum. O Ozzy é melhor quando ele consegue ser teatral, e esse álbum dramatiza o vocal dele ao ponto de paródia, mas por causa da guitarra, todo o pacote é levado a sério.

O álbum tem alguns dos clássicos mais famosos do Ozzy, em especial “Crazy Train”, um heavy metal clássico da virada da década que mostra o Randy Rhoads em seu melhor, criando riffs incríveis e solos que se encaixam bem por baixo do Ozzy; e “Mr. Crowley”, que entra direto no gótico e sombrio através de uma entrada fúnebre de órgão do Don Airey, que cria um palco bem escuro para o vocalista mostrar toda a sua canastrice como protagonista de uma peça. Apesar disso, tem algumas faixas que não funcionam tão bem: a dupla “No Bone Movies”, que tenta ser um retorno ao hard rock leve e descerebrado dos anos 50, e “Revelation (Mother Earth)”, que ficou um pouco balada melancólica demais, são claramente um ponto baixo criativo do momento do grupo. Mas mesmo essas não fazem a experiência do álbum ser nem no mínimo negativa, ainda mais com a abertura “I Don’t Know”, que já começa pontuando as diferenças entre a guitarra de Rhoads e de Iommi, ou com o metal tradicional “Suicide Solution”, que tem o melhor baixo do disco.

A melhor faixa do álbum é “Goodbye To Romance”, a despedida de Ozzy ao que ele considerava a fase de lua de mel da vida dele, que foi a história dele com o Black Sabbath. É uma balada com todas as características de uma faixa triste do Electric Light Orchestra, desde o teclado até a cadência dos acordes. O vocal do Ozzy acaba funcionando bem nessa vertente, emprestando seu carisma a uma despedida bem agridoce, mas interessante. Eles sabiam que essa faixa era diferente do resto, desde a construção até o solo de sintetizador, então a produção tratou a música de forma diferente também, o que é interessante em si.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

POSEYDON – Time Is A River And The Waters Are Red

  Formada em 1992, no final da primeira grande explosão do thrash metal , a banda belga Poseydon levou mais seis anos para lançar um EP ant...