
Resenha
Šta Bi Dao Da Si Na Mom Mjestu
Álbum de Bijelo Dugme
1975
CD/LP
Um clássico perdido e um dos principais discos lançados em toda a história do rock do leste europeu
Hoje em dia, o compositor/guitarrista Goran Bregovic é reverenciado por seu trabalho de trilha sonora e mais do que isso, ele é mais conhecido por seu coquetel explosivo de música cigana balcânica e várias outras músicas folclóricas da região, tornando-se assim um expoente bastante conhecido da world music. Mas muito antes desta fase de sua carreira, Goran Bregovic produziu uma carreira de muito sucesso como líder de uma das bandas de rock mais populares da ex-Iugoslávia, Bijelo Dugme. Durante 15 anos ativos e muito produtivos, a banda construiu uma reputação como nenhuma outra, compondo canções memoráveis, vendendo grandes quantidades de discos e teve turnês com ingressos esgotados em todas as casas de shows que se apresentariam. Não é nenhum tipo de exagero dizer que o impacto da banda, na cena do seu país, foi equivalente a um Beatles ou Led Zeppelin para o mundo quando estas estavam em seu apogeu, pois suas vendas de discos atingiram alturas vertiginosas, algo que acabou acarretando um efeito inegável na indústria da música e na cultura popular iugoslava. Considero Sta Bi Dao Da Si Na Mom Mjestu o grande feito da banda. A foto da capa mostra a foto da namorada do baixista Zoran Redzic. Falando em baixo, Redzic machucou o seu dedo pouco antes das gravações do álbum, tendo o vocalista Zeljko Bebek tocado o baixo do disco, porém, Redzic é creditado no álbum, já que ele dirigiu Bebek em linhas que já haviam sido trabalhadas antes. A produção da versão original já é muito boa, mas a remasterizada de 2014 deixou tudo ainda mais límpido e cristalino, onde bons fones de ouvidos entregam uma experiência incrível, as teclas possuem uma variedade enorme, como órgão Hammond, sintetizadores, clavinete, mellotron e piano. Goran Bregovic é um guitarrista excelente, brilhando tanto nos momentos elétricos, quanto nos acústicos. Purple, Led e Heep são nomes que no próprio encarte do CD aparecem como grandes influências no som do álbum, embora, não precisa ser um grande conhecedor desse trio para perceber isso claramente. “Tako Ti Je Mala Moja Kad Ljubi Bosanac” já abre o disco de uma maneira bastante forte e intensa, apresentando uma guitarra pesada e um excelente trabalho de órgão, enquanto a cozinha trabalha de forma bastante sólida, sendo tudo isso tocado sob vocais cativantes. “Hop-Cup”, apesar de ser construída em uma espécie de estrutura de folk pop simples e dançante, não chega a sair da frequência das demais peças do disco. Novamente as guitarras e as teclas são o destaque. “Došao Sam Da Ti Kažem Da Odlazim” é uma belíssima balada blues, com excelente uso de órgão e piano e um solo de guitarra bastante adequado. Os vocais soam como tem que ser um bom blues, ou seja, bastante emocional. “Ne Gledaj Me Tako I Ne Ljubi Me Više” tem um riff de órgão acompanhado pelo mellotron que é maravilhoso, enquanto a seção rítmica é a mais enérgica do disco, principalmente por conta das fortes linhas de baixo. As linhas de guitarra às vezes também proporcionam alguns bons ataques na música. Sem dúvida um dos destaques do disco. “Požurite Konji Moji” já começa com a sua maior riqueza, uma seção rítmica muito bem trabalhada. Um som muito suingado, mas também de ótimos arranjos sinfônicos. Os vocais também são ótimos, assim como algumas pinceladas atmosféricas de mellotron e moog. “Bekrija Si Cijelo Selo Viče, E Pa Jesam, Šta Se Koga Tiče”, sabe aquele tipo de música que podemos definir simplesmente como um rock and roll reto e direto? Eis um claro exemplo. Possui uma seção rítmica sólida, além de soar na linha de bandas de glam rock. A guitarra entrega ótimo riff e solo, enquanto as teclas ficam por conta de um piano bastante cativante e alegre. “Šta Bi Dao Da Si Na Mom Mjestu” fecha o disco com chave de ouro por meio de sua faixa título. Os violões no começo já anunciam o que será uma bela música. Então a peça entra em uma pegada blues orientada principalmente por órgão. É a faixa mais longa do disco e é cheia de mudanças de direção e temas, com Bebek entregando certamente o melhor desempenho vocal do disco. Em sua parte final, ainda há espaço para um curto número acústico floreado suavemente ao fundo por um belo mellotron. Um final de disco sensacional. Não preciso dizer que se trata da melhor faixa do álbum, né? Eu só não indico esse álbum para alguém, se for uma pessoa que tem um bloqueio com idiomas menos convencionais, digamos assim, caso contrário, faça como eu, abrace esse clássico perdido e um dos principais discos lançados em toda a história do rock do leste europeu e desfrute de um álbum em que sua música impressiona do começo ao fim.
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