domingo, 19 de março de 2023

Resenha Impending Ascension Álbum de Magellan 1993

 

Resenha

Impending Ascension

Álbum de Magellan

1993

CD/LP

Se no seu primeiro disco, apesar da banda entregar um bom registro, também é bastante visível que eles estão muito na sombra dos nomes que lhe serviram de inspiração, ao ouvir Impending Ascension, seu segundo álbum, nota-se um pouco mais de personalidade em boa parte de suas músicas, principalmente em relação à mistura de hard rock com pinceladas sinfônicas que dessa vez soam mais peculiar - ainda que, obviamente, seja possível perceber basicamente todas as bandas que os influenciaram em seu disco de estreia -, e claro, seu metal progressivo mais desenvolvido, tendo três peças que passam dos 11 minutos. Mas apesar disso, novamente eu não acho que a banda possa ser considerada unicamente de metal progressiva, afinal, os acenos de neo-progressivo e até mesmo sinfônico é bastante grande – basta perceber o grande leque de influências da dupla.  

“Estadium Nacional” começa por meio de percussão, vozes e uma orquestração, então que esse segmento termina para dar lugar para alguns vocais à capela lembrando bastante o Kansas. Então que a peça explode em uma musicalidade que se desenvolve em uma crescente por um segmento mais curto e suave que é dominado pelo teclado, dando lugar a uma sonoridade com bons acenos ao Emerson, Lake & Palmer, porém, um pouco mais pesada. “Estadium Nacional” é uma música que ocorre muitas mudanças já nos seus primeiros minutos. Mudanças progressivas, seção dominada por teclados e ótimas texturas musicais, tudo é muito bem construído durante os seus mais de 11 minutos. 

“Waterfront Weirdos” é a 2ª das três músicas do discos que passam dos 11 minutos de duração. Inicia com um piano muito bonito e melódico antes dos vocais e os demais instrumentos irem sendo adicionados gradativamente, então que ela explode, porém, sem sair dos seus temas composicionais. Mais à frente, a banda entrega um movimento progressivo novo e mais acelerado. É possível notar um aceno ao Genesis logo após uma seção percussiva. Mais à frente, a música ganha energia e um solo de teclado redireciona a peça para um novo caminho instrumental. O tipo de vocal utilizado em boa parte do disco soa como Chris Squire, sendo que aqui, não é diferente.  

“Songsmith”, logo em seu começo, soa bastante intrincada e técnica, confesso que senti um pouco de Emerson, Lake & Palmer inicialmente, mas logo a peça cai para um ritmo mais lento. Mesmo com alguns trabalhos de guitarra bastante fortes, o humor da música no geral vai permanecendo intacto. Mas claro que em algum momento haveria algumas mudanças de andamento, com eles acontecendo de uma forma bem incomum, em uma seção instrumental mais raivosa, digamos assim. Não é tão forte como as duas faixas anteriores – e isso não tem a ver com ela ser mais curta -, mas mesmo assim, tem boas ideias.   

“Virtual Reality” começa com algumas vozes que logo em seguida dão lugares para um piano dramático, aumentando a sua intensidade até por volta de um minuto e meio, quando a peça “explode” – mas trabalhando na mesma estrutura musical. Então que a faixa volta para alguns elementos mais calmos e novamente com alguns vocais falados. Mais à frente, há uma entrega de arranjo de padrão diferente e ritmo intrigante. Quando acontece uma pausa instrumental, a banda logo em seguida retorna à seção de verso anterior. No final, Hope Harris, vocalista convidado, sustenta a sua voz por 25 segundos, sendo um show à parte. “No Time For Words” é uma peça instrumental de pouco mais de dois minutos. Serve mais como uma introdução para e música seguinte, soando como algo entre Kansas e Emerson, Lake & Palmer.  

“Storms And Mutiny” é a 3ª das músicas mais longas do disco, sendo a maior delas com os seus quase 12 minutos. Começa já no mesmo ritmo que a faixa anterior terminou. Quando entram os primeiros versos a peça muda para um andamento menos frenético. Por volta de 4:45, a música muda completamente a sua direção - inclusive, mudar de direção é um dos conceitos dessa música. Durante essa aventura progressiva, é possível perceber alguns acenos ao Genesis – principalmente pelos seus elementos sinfônicos. Mas o mais interessante principalmente nesses épicos – como eu já disse anteriormente -, é que a banda mesmo mostrando claramente suas influências, também entrega uma música mais peculiar que no seu disco de anterior. “Under The Wire”, com menos de dois minutos, é a menor e também a música que encerra o disco. Antes de ouvi-la pela primeira vez, achei que ia me deparar apenas com alguma peça atmosférica e pouco agregaria ao álbum, porém, é a que mais poderia se enquadrar na categoria de metal progressivo no disco. A narração na parte final é uma citação de Sheakpeare, enquanto os últimos vocais cantados são retirados de O Poço e o Pêndulo de Edgar Allan Poe. Impressionante como eles conseguem fazer tanta coisa e entregar tanta intensidade em uma faixa de menos de dois minutos.  

Quando falamos de Impending Ascension, não estamos falando de um disco de gosto adquirido, considero a sua música do tipo que ou pega o ouvinte de primeira, ou não vai pegar nunca. No meu caso, agradou logo nos seus primeiros instantes. Mesmo quando demonstrou influência nas bandas clássicas do gênero, não deixou de soar com uma sensibilidade particular, entregando um disco que é um passo à frente em sua evolução artística em relação ao álbum de estreia. 

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