sexta-feira, 24 de março de 2023

Review: Caligula’s Horse – Rise Radiant (2020)

 


Um dos nomes mais celebrados do prog metal atual, a banda australiana Caligula’s Horse lançou em maio de 2020 seu quinto disco, Rise Radiant. Esse trabalho também é o primeiro do quinteto a ganhar uma edição brasileira, sendo disponibilizado no Brasil pela Hellion Records em uma bela edição slipcase.

Rise Radiant é o sucessor de In Contact (2017), o álbum que colocou os olhos da comunidade metal no Caligula’s Horse e é uma das grandes obras do prog metal contemporâneo. O álbum marca a estreia do baixista Dale Prinsse, que entrou no grupo em 2019, e acabou sendo o último com o guitarrista Andy Goleby, que deixou a banda há poucos meses.

A sonoridade dos australianos é um prog repleto de groove e que agradará em cheio fãs de agremiações que trilham um caminho semelhante como Haken, Tesseract e Leprous. Acessível e nada intimidadora, a música do Caligula’s Horse é carregada de técnica e apresenta soluções fora do comum, principalmente na variação de ritmos, com faixas que trazem lindos trechos atmosféricos como é o caso de “Salt”. Os vocais de Jim Grey são um caso à parte, com o belo timbre variando entre momentos pesados e trechos mais calmos e sendo encorpado por harmonias e backings em várias ocasiões. Os guitarristas, principalmente Sam Vallen, entregam solos inspirados e que não se limitam apenas à velocidade, como é comum ouvir no gênero, explorando melodias sem pressa e derramando feeling. Já a dupla Dale Prinsse e Josh Griffin é de uma solidez espantosa.

A variedade é um ponto a favor do Caligula’s Horse, que sabe caminhar tanto por epopeias progressivas como o trio “The Tempest” “Salt” e “The Ascent” quanto por pequenas e doces canções como “Resonate”. A banda usa andamentos bastante variados e marcados, o que a aproxima bastante do groove e dá um aspecto pulsante para o som. O fato de Grey cantar sempre de forma limpa, ainda que variando vocalizações mais baixas com o canto normal, contribui para a facilidade de assimilação do que está sendo proposto pela banda. “Valkyrie” é um grande exemplo disso, e traz até mesmo sutis influências de Pain of Salvation.

As duas canções finais de Rise Radiant são o momento mais prog do trabalho. “Autumn” inicia de forma calma como se estivesse trazendo os primeiros ventos de uma nova estação e evolui para momentos de puro feeling, com direito a um belo solo de baixo e lindas linhas vocais. Já “The Ascent” ultrapassa os dez minutos com uma intensidade que coloca o ouvinte no meio de um verdadeiro furacão musical e fecha o álbum de forma magnífica.

Rise Radiant entrega um trabalho instrumental primoroso, vocais incríveis e técnica na medida certa, e o resultado é um álbum de prog metal coeso, com excelente canções e que não assusta quem não está habituado com o estilo.

A edição brasileira vem com uma embalagem slipcase, encarte de doze páginas com todas as letras e um visível cuidado na parte gráfica do material. E, para alegria dos fãs e colecionadores, conta com duas faixas bônus: covers para a bela “Don’t Give Up”, um dos grandes hits da carreira solo de Peter Gabriel, com participação de Lynsey Ward nos vocais (da banda Exploring Birdsong), e também de “Message to My Girl”, da banda new wave neozelandesa Split Enz.

Excelente disco e mais um ótimo lançamento da Hellion Records.


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