segunda-feira, 17 de julho de 2023

Disco imortal: Led Zeppelin – Physical Graffiti (1975)

Álbum imortal: Led Zeppelin – Physical Graffiti (1975)

Registros da Canção dos Cisnes, 1975

O rock nos deu grandes obras-primas ao longo de sua história, mas essas grandes obras crescem ainda mais quando são feitas duas vezes, e o caso do "Physical Graffiti" é um desses, atingindo um nível verdadeiramente impressionante de experimentação, sonoridade, diversidade e muito bem dotado de composições de alto calibre. E é de admirar e ao mesmo tempo pode soar quase irrisório, mas é o álbum dos Led Zeppelin que inclui canções de várias épocas, mesmo aquelas que fizeram parte de algumas sessões dos seus emblemáticos discos anteriores, dos quais consideraram restos de materiais.

A história ficou clara e exalta o Led Zeppelin justamente como uma grande banda de rock influente e esse "Physical Graffiti" ia ajudar muito nisso, apesar de alguns problemas começarem a surgir como o declínio de John Paul Jones, um cara indispensável na realização do álbum, que não fez parte do jogo em várias sessões, mas sua contribuição e sabedoria musical foram ótimas, definitivamente essenciais para nutrir o álbum com diversidade.

Disco 1:

Vários clássicos surgiriam do disco um, desde o primeiro momento fica claro. A gaita de Robert Plant em 'Custard Pie' perfura seus ossos com o mais puro vibrato blues; 'The Rover' encanta pelo riff de Page, a música vagabunda que caiu muito bem no Zeppelin. Para a terceira faixa temos uma maravilha que pode muito bem definir o estilo hard rock/blues que é o que caracterizou o Led Zeppelin, estamos falando de 'In My Time of Dyng', onde a seção de guitarra slide de Jimmy Page é talvez a melhor inclusão de o estilo em uma música de rock realmente brilha e depois ao vivo fez ainda mais.

'Houses of the Holy', a música curiosamente finalmente foi incluída neste álbum já que o álbum anterior de 1973 trazia o nome da música, o groove da música é delicioso, tem um pouco de funk, que é um estilo que predomina em várias desta grande placa dupla, e a que bate com 'Trampled Under Foot' funciona impecável, nesta a presença de John Paul Jones que tocou principalmente o teclado é incrível. Essa música é funk direto e uma espécie de funk rock pra falar a verdade, seu ritmo é uma clara influência para o desenvolvimento desse grande estilo no rock mais tarde.

'Kashmir' fecha naquilo que os próprios Zeppelin chamam a sua "composição definitiva", com um elevado dom de ritmos orientais, e foi isso não, mais do que mal, a música tem alguma história disso, já que é inspirada numa cidade que é na Ásia e foi escrita por Plant enquanto viajava pelo deserto do Saara no Marrocos. As seções da música são de alguma forma mais sofisticadas do que o Zeppelin médio e é aí que ela difere talvez do resto, uma música de transporte também, talvez devido à inspiração geográfica com a qual foi composta.

disco 2

No disco 2 não há tantos clássicos eternamente lembrados mas a riqueza musical não é menor, para muitos - inclusive eu - é a preferida entre os dois, a psicodelia faz sua entrada triunfal com 'In the Light', elemento que no álbum do Zeppelin mãos sempre tem sido brilhante. Segue-se a instrumental muito bem colocada 'Bron Yr-Aur', dedicada à cabana no País de Gales que serviu de sala para a gravação do álbum Led Zeppelin III; mais tarde ele teria sua própria versão elétrica chamada 'Jennings Farm Blues', do tema, os violões limpos flertando com um baixo elétrico se destacam acima de tudo.

A bela 'Down by the Seaside' se aproxima do rock'n roll e até do som clássico dos Beatles, lembrando o som do órgão de Billy Preston e com refrões melódicos realçados por belas vozes e um sutil mas eficaz slide de Page. Em 'Ten Years Gone' a emoção flui em abundância com um Page muito inspirado, numa canção que, com razão de ser pelo sentimento, se diz falar quando "dez anos atrás" Page teve uma namorada que o fez escolher entre ela e a música, onde a resposta tem sido bastante clara até hoje.

Muito mais acima vem 'Night Flight' com partes de guitarra altamente experientes, produto das mixagens de Page no estúdio. A voz de Plant quase sublime e John Bonham fazendo seu trabalho com mais força que o normal até na bateria. O fechamento dessa música e a tremenda entrada de 'The Wanton Song' é algo da maior adrenalina que podemos perceber do álbum, uma música bem pesada, onde as baquetas mágicas de Bonham são radicalmente violentas com as caixas e se entrelaçam com uma ousadia riffs de Page antes de trazer John Paul Jones com um órgão eletrizante.

Para o final fica quase uma homenagem às raízes dos Led Zeppelin, que sempre foram arrasadoras na sua interpretação: primeiro 'Boogie With Stu', com uma batida e um ritmo na entrada que soa quase pop e com um piano tremendo de boogie quem finalmente rouba o filme da música; depois 'Black Country Woman' deixa fluir toda a versatilidade da voz de Robert Plant, acompanhada por uns violões bem blues e um bandolim. O final vem com 'Sick Again', outra música tremenda, bem pesada, que serve como a cereja de um bolo com sabor duplo e muito sabor.

Foi definitivamente o último grande álbum do Led Zeppelin, depois viria "Presence" ou "In Through the Out Door", em que o gênio na hora de compor tinha a sensação de que aos poucos iria se esvair. Então, em 1980, ocorre a morte fatal de John Bonham e o que todos sabemos acontece, o fim como o conhecemos de uma das maiores bandas de rock do planeta.

Foi também o álbum que estreou o Zeppelin com seu próprio selo 'Swan Song' que também serviu para alavancar a carreira do Bad Company e algumas outras bandas, ilustrado com a capa clássica e uma das mais notáveis ​​que mostra essa construção clássica nova-iorquina, que está localizado lá perto do mítico CBGB também. Uma bela arte que quase se iguala à grandeza de seu conteúdo musical, que, como dissemos no início, talvez seja a maior dupla do rock de todos os tempos ou pelo menos tenha um lugar mais que protegido no pódio de honra. .

 

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