Caras e Bocas
Caetano Veloso
Caras e Bocas
Caetano Veloso
Quando eu canto o segredo
Quando mostro algum medo
Ou mais
Quando falo de amor ou desejo
Minha boca se mostra macia
Vermelha
Mas se dessa garganta
Das cordas escondidas desse peito sufocado
Desse coração atrapalhado
Surge uma nora brilhante
De cristal transparente
Minha cara invade a cena
Rasga a vida
Mostro o brilho agudo musical
Carcará
Caetano Veloso
Carcará
Caetano Veloso
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
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