Anima Tempo é uma banda originária da Cidade do México em 2010 e uma das mais importantes da cena do metal progressivo latino-americano, já que já realizou diversas turnês fora do país mexicano como na Finlândia, Inglaterra, Japão, Holanda e Alemanha. Seu talento os levou a se apresentar em famosos festivais de metal progressivo, como Prog Power Europe, UK-Tech Fest e Euroblast. Seu primeiro álbum se chama Caged in Memories (2016), que ele recomendou muito ouvir, pois foi muito bem aceito pelos amantes da música progressiva e eles começaram a tocar em outros países para atraí-los fora do continente.
Depois de interrupções pandémicas, este ano apresentam-nos o álbum Chaos Paradox.
«Digital Heart» uma composição muito prog-adaptativa como se fôssemos jogar um videojogo. A peça é muito nutrida por uma combinação de escalas e técnica que executam muito bem a composição, além do fato de o djent também estar presente para brincar com os sintetizadores que refletem a trama digital do álbum. Além disso, a reincorporação dos guturais na banda confere-lhe mais ruído e distinção.
"O Olho Infinito" um dos singles desta segunda obra musical. É uma música muito djent, com muitos arranjos digitais inspirados na música oriental, muito linear no desenvolvimento do tema e com algum sentimentalismo de guitarra.
"Deceiful Idols" outro dos singles lançados e um dos mais divulgados e notórios. Pois bem, seus arranjos orientais mais uma vez destacam o material apresentado pelos mexicanos. Considero esta peça uma das suas melhores composições, pois cada um dos membros está integrado em todo o desenvolvimento da música, cada um destaca o seu instrumento e ao mesmo tempo alimenta a fusão instrumental. É uma música que me lembra muito o que Twelve Foot Ninja faz, muito metal progressivo bem construído, sólido para ser desconstruído e experimentar fusões.
"Desconstruct" segue as inspirações japonesas, talvez como reflexo da boa aceitação e reputação que conquistaram em sua turnê no Japão desde 2014. Esta peça é o respiro do álbum, com muito noise, muita distorção e um pouco de math rock. Até agora, o álbum me deu a sensação de grande criatividade por parte da banda, porque não há um único momento em que eu tenha ficado entediado ao ouvi-lo.
«Chaos Paradox» é muito instrumental, o que até me lembra bandas sonoras de videojogos de aventura como Zelda, pelo título é a música que mais quiseram destacar de tudo o que foi produzido, até essa amplitude de ter duas vozes; guturais e limpos, me lembram muito Ne Obliviscaris, que coincidentemente, nessa composição, aparece um violino.
«Robo-Luction» segue aquela inspiração oriental-djent com que desenvolveram todo o álbum, na minha opinião é a peça mais fraca do álbum, mas sem deixar de ser criativa. Com seus momentos de trovão para não parar de bater cabeça.
«Primal Symmetry» Lembro-me que foi o primeiro single e é a minha peça favorita do álbum, porque reflete a integridade do que é o Anima Tempo enquanto banda, uma proposta musical que oferece qualidade com a perseverança dos membros. Um prog metal muito criativo que não abre mão das influências com as quais cresceu. É uma peça em que você não para de mexer a cabeça e com suas múltiplas mudanças de tempo você curte o barulho.
«Seager Equation» nasceu com a inspiração da música pré-hispânica do México para dar-lhe uma passagem djent e ao mesmo tempo misturada com a oriental. Mais um dos singles e encerramento, com uma passagem mais descontraída e um pouco fora dos sintetizadores e digitais. Uma peça um tanto repetitiva mas que fecha aquele mundo de caos paradoxal.
A segunda parcela do Anima Tempo nos parece um dos melhores discos que ouvimos este ano, em termos de uma proposta inovadora do mundo digital, que com seu suporte fornece instrumentos não utilizados fisicamente, com muita proposta criativa na hora de compor, mixar fusões e arranjos, além de respeitar a inspiração e tradição do djent e as mudanças de tempo do modern progressive. Esperamos que seja aquele com o qual mais cresçam já que a banda, assim como este ano encabeçou um dos palcos do UK-Tech Fest, merece estar em outros festivais do gênero, em turnês internacionais representando o México e como proposta para tantas bandas emergentes que estão revolucionando o metal, assim como fazendo crescer a vida artística, que muitas vezes não é remunerada monetariamente pois a criação artística deveria ser valorizada.

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