domingo, 16 de julho de 2023

"Roots”(1996), Sepultura

 


Em 20 de fevereiro de 1996, chegava às lojas de discos de todo o mundo o álbum Roots, o sexto da carreira do Sepultura. Roots é o mais controverso álbum da discografia do Sepultura, trabalho que desperta paixão e ódio entre os fãs da banda mineira. Contudo, a sua proposta experimentalista que envolve percussão afro-baiana e gravações com índios xavantes, fez Roots agradar em cheio a crítica internacional que viu nele um disco fora dos padrões convencionais de um álbum de heavy metal.

Acho que o que faz até hoje metade dos fãs rejeitarem Roots, talvez seja a presença da percussão, e em especial, a presença de Carlinhos Brown, peça fundamental para que a proposta percussiva do disco desse certo. O fato de Brown ter a sua imagem associada à axé music, assustou os fãs mais “ortodoxos”. Me lembro que na época, pensou-se em convidar Naná Vasconcelos. Mas acabou o baiano entrando no projeto, o que pra mim, foi uma decisão certeira.

Sepultura com pinturas indígenas numa tribo xavante,
em Goiás, em 1996.
O caminho do Sepultura para o experimentalismo já era previsível. A banda já sinalizava para isso em álbuns anteriores. Em Chaos A.D., o antecessor de Roots - e mais “palatável” aos ouvidos metaleiros - é possível se notar a bateria de Igor Cavalera já mais percussiva e a aproximação da banda ao universo indígena como na ótima “Kaiowas”. O cenário roqueiro brasileiro naquele momento via chegar uma nova geração totalmente envolvida com o experimentalismo e com a “brasilidade” no rock através de Raimundos , Skank, Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Mundo livre S/A, O Rappa e até mesmo com os Mamonas Assassinas. É totalmente compreensível que Roots tenha nascido dentro desse contexto.

Além de Carlinhos Brown, Roots contou com participações especiais de Mike Patton (vocalista do Faith No More) e Jonathan Davis (vocalista do Korn). Gosto das faixas “Roots Bloody Roots“,“Ratamahatta” e das “indígenas” "Jasco" e "Itsári". Acho a “quilométrica” "Canyon Jam" um tanto quanto cansativa demais.

Apesar de despertar paixões tão controversas entre os fãs, da rejeição radical de alguns deles – há quem considere Roots o disco mais fraco da Era Max Cavalera – o álbum deixou o seu legado, servindo de referência para correntes contemporâneas do heavy metal como o nu metal, e influenciando bandas como Slipknot e Limp Bizkit.

Faixas:
  1. "Roots Bloody Roots"                                   
  2. "Attitude"                                         
  3. "Cut-Throat"                                    
  4. "Ratamahatta"
  5. "Breed Apart"                  
  6. "Straighthate"                                                 
  7. "Spit"                                   
  8. "Lookaway"
  9. "Dusted"                            
  10. "Born Stubborn"                                            
  11. "Jasco"                
  12. "Itsári"                
  13. "Ambush"                                         
  14. "Endangered Species"                                                 
  15. "Dictatorshit"                                   
  16. "Canyon Jam" 



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