
Como um objeto tão ruim poderia ver a luz do dia oficialmente? Porque esta apresentação ao vivo, a primeira com o nome de King Crimson, é digna de um bootleg. É preciso dizer que resulta da digressão pelos EUA de Fevereiro/Março de 1972 captada com um gravador de cassetes Ampex. Robert Fripp, sob contrato com a Island, tinha apenas que oferecer o selo para um grupo em meio a uma separação. Mas o mercado americano recusará a distribuição deste Earthbound que será vendido do outro lado do Atlântico sob o manto de um pirata comum.
O quinto álbum do King Crimson tem apenas duas falhas, mas são significativas: o som podre e alguns títulos truncados.
O que é uma pena porque ouvir Earthbound revela um combo com grande potencial em concerto. Vale lembrar que entre In The Court e Island o guitarrista binocular dificilmente teve oportunidade de fazer turnê com Crimso.
A formação é a mesma que fundou o Island : Robert FRIPP claro, o saxofonista Mel Collins, o baterista Ian Wallace e o vocalista/baixista Boz Burrell. Também há Hunter McDonald no VCS3.
Este disco de cinco faixas se estende por 45 minutos e lembra muito uma jam, mesmo nas peças mais conhecidas. Começa com o terrível “Homem Esquizóide do Século 21” durante doze minutos de delírio. Esta versão é muito mais destruída e aterrorizante do que a versão de estúdio, apesar da voz massacrada de Boz Burrell.
O resto é uma improvisação, “Peoria” (nome da cidade onde esta peça é executada) onde se transforma num groove funky, género ao qual o rei carmesim não nos habitua tanto como no título homónimo. É bastante surpreendente, estamos longe da frippertrónica do scratcher e Mel Collins está bem, além disso é o saxofonista que arrasta o grupo para um jazz cru, livre e dilapidado.
Contudo, Robert Fripp não fica para trás com os seus solos tão estranhos quanto devastadores, que dão uma ideia dos rumos futuros do guitarrista, nomeadamente em “Sailor's Tale” e “Groon”. Este último, que encerra este LP, traz 15 minutos de pura loucura com cheiro de experimentação, temperada com um solo de bateria cósmico.
Quando este vinil foi lançado, o grupo não existia mais. Ian Wallace tornou-se um músico de estúdio muito procurado, onde colaborou com Steve Marriott, Ry Cooder, Peter Frampton, Bob Dylan… O mesmo vale para Mel Collins que oferece seus serviços aos Stones, Eric Clapton, Alan Parson, Camel… Quanto a Boz Burrell se junta ao ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, para formar a Bad Company com o sucesso que conhecemos. E Robert Fripp? Ele ainda não terminou com o Rei Carmesim!
No que diz respeito a Earthbound com sua capa comum, senão pobre, esta será odiada pelos fãs e também por Robert Fripp. O LP se tornará objeto de culto e o guitarrista esperará até 2002 pelo lançamento do CD.
Um documento feito exclusivamente para fãs.
Títulos:
1. 21st Century Schizoid Man
2. Peoria
3. The Sailors Tale
4. Earthbound
5. Groon
Músicos:
Robert Fripp: Guitarra
Boz Burrell: Baixo, Vocais
Ian Wallace: Bateria
Mel Collins: Saxophone
Hunter MacDonald: VCS3
Produção: Robert Fripp
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