terça-feira, 10 de outubro de 2023

CRONICA - KING CRIMSON | Earthbound (1972)

 

Como um objeto tão ruim poderia ver a luz do dia oficialmente? Porque esta apresentação ao vivo, a primeira com o nome de King Crimson, é digna de um bootleg. É preciso dizer que resulta da digressão pelos EUA de Fevereiro/Março de 1972 captada com um gravador de cassetes Ampex. Robert Fripp, sob contrato com a Island, tinha apenas que oferecer o selo para um grupo em meio a uma separação. Mas o mercado americano recusará a distribuição deste Earthbound que será vendido do outro lado do Atlântico sob o manto de um pirata comum.

O quinto álbum do King Crimson tem apenas duas falhas, mas são significativas: o som podre e alguns títulos truncados.

O que é uma pena porque ouvir Earthbound revela um combo com grande potencial em concerto. Vale lembrar que entre In The Court e Island o guitarrista binocular dificilmente teve oportunidade de fazer turnê com Crimso.

A formação é a mesma que fundou o Island : Robert FRIPP claro, o saxofonista Mel Collins, o baterista Ian Wallace e o vocalista/baixista Boz Burrell. Também há Hunter McDonald no VCS3.

Este disco de cinco faixas se estende por 45 minutos e lembra muito uma jam, mesmo nas peças mais conhecidas. Começa com o terrível “Homem Esquizóide do Século 21” durante doze minutos de delírio. Esta versão é muito mais destruída e aterrorizante do que a versão de estúdio, apesar da voz massacrada de Boz Burrell.

O resto é uma improvisação, “Peoria” (nome da cidade onde esta peça é executada) onde se transforma num groove funky, género ao qual o rei carmesim não nos habitua tanto como no título homónimo. É bastante surpreendente, estamos longe da frippertrónica do scratcher e Mel Collins está bem, além disso é o saxofonista que arrasta o grupo para um jazz cru, livre e dilapidado.

Contudo, Robert Fripp não fica para trás com os seus solos tão estranhos quanto devastadores, que dão uma ideia dos rumos futuros do guitarrista, nomeadamente em “Sailor's Tale” e “Groon”. Este último, que encerra este LP, traz 15 minutos de pura loucura com cheiro de experimentação, temperada com um solo de bateria cósmico.

Quando este vinil foi lançado, o grupo não existia mais. Ian Wallace tornou-se um músico de estúdio muito procurado, onde colaborou com Steve Marriott, Ry Cooder, Peter Frampton, Bob Dylan… O mesmo vale para Mel Collins que oferece seus serviços aos Stones, Eric Clapton, Alan Parson, Camel… Quanto a Boz Burrell se junta ao ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, para formar a Bad Company com o sucesso que conhecemos. E Robert Fripp? Ele ainda não terminou com o Rei Carmesim!

No que diz respeito a Earthbound com sua capa comum, senão pobre, esta será odiada pelos fãs e também por Robert Fripp. O LP se tornará objeto de culto e o guitarrista esperará até 2002 pelo lançamento do CD.

Um documento feito exclusivamente para fãs.

Títulos:
1. 21st Century Schizoid Man
2. Peoria
3. The Sailors Tale
4. Earthbound
5. Groon

Músicos:
Robert Fripp: Guitarra
Boz Burrell: Baixo, Vocais
Ian Wallace: Bateria
Mel Collins: Saxophone
Hunter MacDonald: VCS3

Produção: Robert Fripp



Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

ROXY MUSIC ● Viva! Roxy Music ● 1976

  Artista: ROXY MUSIC País: Reino Unido Gêneros: Glam Rock, Art-Rock Álbum: Viva! Roxy Music Ano: 1976 Duração: 46:11 Músicos: ● Bryan Ferry...