Caminho sozinho pelas ruas imaculadas de San Fernando e suas casas brancas me deslumbram. Estamos em outubro de 1982 e não quero saber nada sobre meus chorões colegas militares. Entro em bares antigos e tudo ainda cheira a puros anos 70. A porra da “modernidade” ainda não chegou. Talvez até tenha esbarrado em Camarón sem perceber. Nos fins de semana ia para Cádiz. O meu sempre atento sexto sentido alerta-me para algo de bom anunciado que cobre a cidade, com cartazes de um grande nome: Tubarão. Eles vieram do rock andaluz de La Barca de la Florida, como Guadalete, na linha Triana/Alameda. Agora eles estavam fazendo hard rock na Andaluzia. Não é o mesmo. Talvez tudo ainda fosse anos 70 lá, mas eles já estavam firmes nos anos 80.
Fernando Rodríguez (baixo, voz), Alfonso Castro (bateria), Francisco Sánchez (guitarra, backing vocals) e Pedro Gago (guitarra, vocais solo) já haviam entrado na nova década hard & heavy de letras de protesto e anti-sistema incendiário ou ecológico alegações, que promulgaram uma nova expressão de rebelião. Fiquei então entusiasmado com o som do Chapa, então me interessei por aquela banda local que eu já sentia que era grande. Perguntei aos moradores locais e não recebi uma única crítica negativa. Os cádizenses estrearam-se na Praça de Touros de Sanlúcar, juntamente com o Triunvirato, outros da zona, em 1982... Será o cartaz que vi? Vieram fazer turnê com Camarón e Pata Negra, num pacote para todos os gostos do momento. E em 1983 lançaram a fita cassete "Rock de Pueblo". Com seu logotipo característico retirado de um Phoskito. Outros tempos.
Em 1986 apareceu, desta vez em LP, com mais músicas e um casal descartado da fita original, "El Político" e "No, no voy a Cambio".
A inicial "El Viejo del Accordeón" soava como o primeiro Coz com os irmãos De Castro. Quais foram os melhores Coz de longe. Pelo menos a história dele foi para lá. Hard rock trabalhado e nivelado. Poderoso, mas elegante. Apesar do som ruim típico daquela época. Ritmos esmagadores, refrões precisos e solos de guitarra incríveis. Com mudanças e uma imaginação surpreendente. "Rock de Pueblo" é uma pura declaração de princípios, retumbante, orgulhosa, uma canção de dura sinceridade, de músicos honestos cujo sangue ferve com o bom hard rock. E este é. Contra os Barões Vermelhos da época, Jaws saiu vitorioso (ou até mais). De seguro. E estou falando dos bons tempos dos Barões, veja bem. Imagine. Eles invocam magia (negra) do Black Sabbath em "Making Rock". Essa live foi um arraso. Mas eu tinha que estar brincando vestido de cáqui.
Não dão trégua e em “Amigos” já convencem com absoluta certeza que teriam criado raízes na Chapa naqueles tempos. Mas claro. E eles teriam sido enganados como todo mundo. Mas claro.
A guitarra dupla toca em "Cartas de Amor", que abre o lado B, com um tremendo tempero de baixo e o mau humor que suas vozes gritam, ou aquela bateria que destrói tímpanos......Uffff. Está em um nível comparável ao Asphalt, Wildebeest ou Paw. "It's Difficult", "Looking for the Truth" (puro Nazareth) e "Need" imagino que já eram clássicos da banda naquela época, pois pertenciam à fita cassete original. Como as duas primeiras músicas que abrem o vinil. Isso foi há três anos.
Estou falando de um hard rock espetacular, que já tende para o pesado dos anos 80 sem complexos. Com arranjos inesperados e verdadeiramente surpreendentes, e muita bile nos textos. Em 1987 foi lançado o segundo, “I Love Environmentalism”. Também ficam na gaveta algumas fitas de compilação de postos de gasolina e nada menos que dois álbuns inéditos. No novo século reaparecem com mudanças. E ficaria feliz em vê-los, embora já tenham se passado 40 anos desde que aquele garoto de verde ficou surpreso ao ver aquele pôster.
Tópicos
1 - El político 00:00
2 - Buscando la verdad 05:32
3 - Rock del pueblo 11:23
4 - El viejo del acordeón 16:51
5 - Es difícil 20:22
6 - Necesito 24:50
7 - No, no voy a cambiar 29.06


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