sábado, 9 de dezembro de 2023

Crítica: “Aldea” de Alrojo, Um retrato fonográfico é o que nos traz o álbum de estreia desta nova e charmosa banda progressiva chilena. (2023)

 

Cada lugar, paisagem, as pessoas, o nascer e o pôr do sol, o vento que sopra, a primavera ou o outono são marcas que lembramos de diferentes cenários, que ficam gravadas em nós e não podemos esquecer. Alrojo, banda de Viña del Mar, apresenta Aldea, seu álbum de estreia que integra essa ideia de captar diferentes lugares através do folclore, pop, punk e rock progressivo.

A banda formada por Trinidad Widow (voz e acordeão), Esteban Silva (bateria, voz, percussões e violão eletroacústico), Dorian Cifuentes (teclados e coros), Luciano Ilabaca (violino, viola, charango), Matías Villalón (guitarra elétrica) , Fernando Salinas (guitarra elétrica, violão eletroacústico de 12 cordas e controlador MIDI), Tomas Poblete (baixo). A banda estreou ao vivo em 2022 e já se apresentou em locais como a sala SCD em Santiago, Club Segundo Piso em Valparaíso e Café Journal em Viña del Mar. O arquiteto do álbum é Esteban Silva, que compôs a maior parte das músicas.

Vamos passar para a crítica do álbum:

Aldeia Infinita (7,49). As ondas batem na costa, as cordas saltam na areia quente e a música começa a tocar. A doce voz da Viúva Trindade está presente e nos fala daquele lugar infinito, a aldeia. Os sons folk fundem-se com o rock progressivo, proporcionando passagens melódicas, doces e virtuosas. O som dos primeiros três minutos muda e avança para uma fase que aumenta com a guitarra eléctrica, o violino e os teclados, mas o mar recua e com eles esta escalada. É uma ótima música para começar este álbum autointitulado.


Petricor (4:08). A nota aguda do violino com o sussurro de Esteban Silva não espera para começar esta segunda música. Sons funky e uma voz com rimas imparáveis ​​nos embalam da direita para a esquerda, enquanto fluímos com o ritmo. Do lado instrumental sugere que há uma forte influência de sons sofisticados, segundas vozes leves que complementam muito as passagens, enquanto o som das cordas arqueadas conferem um toque diferente que é uma delícia de ouvir com estes ritmos mais populares. Uma música bem elaborada que não se estende tanto a

Tudo como acontece (5:24). A palheta bate na corda, mas é ouvida abafada e aos poucos ressoa completamente e com sons mais pesados. Trinidad para de cantar em espanhol para mudar para o inglês em grande estilo, mas momentaneamente. Esteban também canta – em espanhol – e demonstra trechos com sua voz mais pesada e irregular. Um ritmo rock, mas que mostra uma mutação interessante para o metal, mas que ainda não é exibida. Trinidad retorna e a instrumentação fica mais dramática graças às cordas arqueadas, e o violão fica muito mais pesado. A ponte nos dá muitos elementos progressivos na guitarra e no ritmo. Sem dúvidas a voz da Trinidad Widow é linda, entregando emoção e contundência nas diferentes passagens da música. O encerramento da música é lindo, místico e parado, é preciso.

Ungalün (6:56). Um eco que se estende pelo espaço, sons perdidos de um lugar perdido. Essa música não leva nenhuma surra, entramos em uma fase nunca antes ouvida, sons distorcidos, guitarras pesadas e até uma voz do além-túmulo. É impossível não parar e prestar atenção em toda a música, é algo diferente, com caráter e personalidade forte. Adoro a parte de 2:43 como soa presente, com força. Até agora não falamos do grande trabalho que Esteban Silva tem feito nas percussões, ao mesmo tempo preciso e com ótimo manejo do instrumento. Enquanto isso, a música traz à tona a parte mais pesada de Alrojo, e ao mesmo tempo a grande visão que ele tem de criar uma música que soe muito diferente, mas que ainda soe como o que eles vêm fazendo no álbum. Üngalün é uma das minhas músicas favoritas do Aldeas, sem dúvida o arranjo para violino soa muito bem.

Dacnis (4:44). Uma percussão diferente para essa música, não é uma bateria, será um controlador MIDI, por sua vez aqui a corda do arco está mais presente, fazendo parte do eixo central da música, junto com a ótima qualidade de Trinidad - quando ela canta o parte da vitalidade é difícil não cantar junto com ela. Dacnis tem passagens diferentes, algumas partes mais rápidas, outras mais lentas, em outras dá a sensação de que vai sair da ideia principal, mas é isso que fica, uma sensação, porque volta à ideia inicial – vitalidaaaad – e para concluir. É diferente, moderno e bonito.

Jardins: Amendoeira Madrugada / Pôr do Sol / Mantra para quem se faz presente (10.38). A última música dividida em três partes, totalizando 10 minutos e 38 segundos. Além disso, esta música é especial porque convida a participar muitos músicos, como Pamela Oyarzún (que já participou de Aldea infinito), Geraldine Turres, Matías Fernández e Luciano Chamorro, este arranjo de cordas é executado por Matías Villalón. Na canção como tal, o amanhecer é lento, o sol demora a aparecer, o violão toca suas cordas, enquanto o sol se descobre para começar um novo dia. A calma e os arranjos de violão, cordas arqueadas, as percussões não são bateria, me dá a impressão de que poderiam ser bongôs. Quando entram os instrumentos clássicos ouvimos o arco de cordas, o violão, a bateria e o baixo. O solo de guitarra é primoroso. As quebras com as cordas friccionadas para pegar são ótimas. Uma música que passa por três fases e se nota na intensidade dos sons e na sua potência. Esta última música é a catarse de um álbum que passa por diferentes fases e que condensa virtuosismo em 10 minutos. Jardins é uma obra completa que fecha com chave de ouro.Aldeas é um álbum de estreia dos sonhos de uma banda que propõe algo novo no meio. Sons suaves e quentes, bem como sons fortes e pesados. A voz tremenda de Trinidad Willow é um dos pontos fortes, assim como o talento que existe para compor essas músicas que têm uma identidade própria. Captar ideias de lugares diferentes é difícil, pois cada lugar é único e especial para cada um, mas em Aldeas vemos como os diferentes lugares se apresentam sob um manto que os une, cada música tem sua personalidade, mas é a “irmã ”da música.outro. Sem dúvida, o trabalho que Alrojo tem feito é do mais alto nível, uma estreia de sonho que sem dúvida colocará Aldeas entre os melhores álbuns de estreia e que provavelmente será o pontapé para começar a deixar o nome da banda inserido no panorama nacional.

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