sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Dillo – Guitarrafrika (2019)

 


Amo um disco, e ele se chama Mestiço. Já com 11 anos de idade, trata-se do segundo álbum do guitarrista brasiliense Dillo D’Araújo. Após a estreia com Crocodilo Gang, onde trilhava um caminho mais blues, Dillo encontrou o seu som em Mestiço ao unir influências de rock, blues e funk à ritmos brasileiros e gênios como Tim Maia e Jorge Ben, resultando em um som original e contagiante.

Depois de Mestiço (2008) vieram Jacaretaguá (2012) e Dillo (2016), e o recém-lançado Guitarrafrika. E aqui começo a desenvolver uma nova paixão. Desta vez Dillo gravou um álbum inspirado na música africana, banhando a sua guitarra em gêneros como o afrobeat e saindo com um trabalho instrumental absolutamente incrível. Como o próprio guitarrista diz, trata-se de “música instrumental para dançar”. Ao lado de Dillo estão o baixista Lucas Tufas e o baterista Robinho Batera. O trabalho é fruto de uma viagem do guitarrista pelo continente africano para pesquisar novos ritmos.

O que ouvimos em Guitarrafrika são nove composições instrumentais em meia hora de ótima música. Tudo é muito dançante e com bastante balanço, com aquele clima característico do afrobeat devidamente transcrito para a guitarra de Dillo. Os elementos, os ingredientes, os acordes e as escolhas harmônicas resultantes da pesquisa do guitarrista geraram um álbum muito bom e que mostra o quanto a música brasileira é próxima da africana. A influência dos sons trazidos pelos navios negreiros se espalhou pelo Brasil. Despido de letras, o álbum evidencia o quanto o afrobeat não está tão distante de gêneros bastante populares em nosso país como o axé, por exemplo.

No outro ponto da moeda, dá pra encarar o álbum como uma espécie de jazz tropical, ou caribenho ou africano, na linha do que nomes como o guitarrista nigeriano Tohpati vem entregando, e até mesmo algo não tão distante da aclamada The Budos Band, ainda que o trabalho de Dillo soe mais refinado e sem a crueza (e os metais, obviamente) do combo nova-iorquino, que tem a sua base no funk.

Guitarrafrika é um disco homogêneo do início ao fim, sem destaques óbvios – todas as suas músicas são excelentes. A profundidade da pesquisa e a força do talento de Dillo D’Araújo deram luz a um álbum que mostra que a música brasileira segue muito viva e esbanjando qualidade.



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