terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Review: Neil Young – Colorado (2019)

 



Neil não se juntava com a Crazy Horse desde 2012, quando lançou Psychedelic Pill, e já estávamos com saudades ... muitas saudades. Alguns dos melhores trabalhos de Young são com a banda que tem um som áspero, meio sujo, pesado, mas que pode soar delicado ainda assim.

Este Colorado é o seu trigésimo nono (!) disco de estúdio e, mesmo que Neil nunca tenha soado envelhecido ou cansado, traz o cantor e compositor revigorado e focado na barulheira. Explico: boa parte do disco, que é produzido pelo próprio Neil Young e por John Harlon, tem arranjos pesados e esporrentos com guitarras gritando no primeiro plano e fazendo tanto Neil quanto Nils Lofgren brilharem nos instrumentos. O baixo de Billy Talbot e bateria Ralph Molina completam as canções de forma não menos brilhante. “She Showed Me Love”, que remete jams matadoras de “Down by the River” ou “Cowgirl in the Sand”, ambas de Everybody Knows This is Nowhere (1969), é a prova cabal disso. A música passa fácil dos treze minutos e é a mais longa do disco.

As faixas intercalam-se entre momentos de puro peso e delicadeza instrumental.  Mas por quase todo o disco os temas soam amargos e tratados com raiva na voz de Neil. Aliás, aos 73 anos, a voz de Young parece não ter sofrido grandes ações do tempo e continua suave, mas incisiva ao cantar letras românticas, discorrer sobre as mudanças climáticas e denunciar o ódio que tomou conta das relações humanas nos últimos tempos. Neil Young não tem problemas em se posicionar e defender seus pontos de vista com a coragem que sempre demonstrou. Goste, concorde ou não: respeite, sempre.

O disco havia sido precedido por dois singles: “Milk Way” e “Rainbow of Collors” (esta a mais otimista do álbum e que conta com um belíssimo refrão cantado em coro por toda a Crazy Horse) e chega agora junto com um documentário que trata de sua composição e gravação, chamado Montaitop, mostrando a interação e integração entre Neil Young e a Crazy Horse mesmo com a substituição de peças importantes como o guitarrista Frank Sampedro, que decidiu se aposentar aos 70 anos idade e deu lugar a Nils Lofgren, que acompanhou Bruce Springsteen durante anos.

Pessoalmente, as minhas preferidas foram a terna balada “Eternity”, a extensa e barulhenta “She Showed Me Love”, a não menos barulhenta “Help Me Lose My Mind” e “Olden Days”, com sua linda melodia.

Pode-se dizer, sem medo nenhum de estar exagerando, que este Colorado é o melhor disco de Neil Young desde Silver and Gold (2000), o melhor com a Crazy Horse desde Ragged Glory (1990) e um dos melhores de toda a sua discografia.

Para colocar no repeat e ouvir sorrindo.



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