
Nos anos 80, na Austrália, havia por um lado o Hard Rock puro praticado por AC/DC, THE ANGELS, ROSE TATTOO e, por outro lado, o Rock Simples que era representado por INXS, MIDNIGHT OIL. O quinteto NOISEWORKS estava entre os dois campos (que não eram inimigos, deve-se notar). “Touch”, o seu segundo álbum, foi lançado em 1988 (ao mesmo tempo que o primeiro álbum homónimo dos seus compatriotas KINGS OF THE SUN) e teve a formidável tarefa de suceder a um antecessor que vendeu como pão quente na Austrália (onde foi foi premiado com tripla platina).
É o título “Homem Simples” que abre as hostilidades. E começa forte! Este mid-tempo alterna versos calmos e melodiosos com violões ao fundo e um refrão mais musculoso e resolutamente Hard. Este título tem todas as características de um grande sucesso potencial e, depois de ouvi-lo, ele permanece firmemente ancorado em sua memória. O resto do álbum mostra que o NOISEWORKS tem uma preocupação quase permanente com a melodia, sem abandonar a eletricidade. Assim, “Touch” é o tipo de faixa que tem potencial para agradar aos fãs do INXS ou mesmo do U2: algumas notas de piano contrastam com as guitarras elétricas e o aspecto melancólico é desenvolvido. “Voice Of Reason” endurece um pouco o tom e o vocalista Jon Stevens nos faz admirar suas habilidades vocais, ora ásperas, ora elevadas. “Chained” é uma composição tipicamente anos 80 que me fez pensar em TALK TALK além de Hard Rock, mas não é nada desagradável.
Outros bons momentos musicais que NOISEWORKS oferece neste álbum incluem a balada acústica blues "I Can't Win", curta mas agradável, "Tell It Like It Is", um título de rock rítmico que suinga, "Keep Me Running", às vezes rude , às vezes arejada, até a balada retrô “In My Youth” que leva o ouvinte de volta aos anos 50/60. Por outro lado, serei muito menos magnânimo com “Home”, a 3ª balada do álbum que é o mais piegas, soporífica e chata possível.
Eu pessoalmente sinto um certo prazer quando reproduzo este álbum do NOISEWORKS. É preciso dizer que as composições deste são bem arranjadas, bem trabalhadas e que o grupo sabe fazer isso com as melodias. Ao nos colocarmos no contexto da época, percebemos que o NOISEWORKS ainda tinha uma certa personalidade e não se assemelhava a um grupo específico do cenário Hard/Heavy. E então, inconscientemente, esse disco me lembra dos meus anos de colégio. Ah, às vezes, saudade...
Tracklist:
1. Simple Man
2. Touch
3. Voice Of Reason
4. Chained
5. Home
6. I Can’t Win
7. Letter
8. Tell It Like It Is
9. Keep Me Running
10. Live And Die
11. In My Youth
Formação:
Jon Stevens (vocal)
Stuart Fraser (guitarra)
Justin Stanley (teclados)
Steve Balbi (baixo)
Kevin Nicol (bateria)
Produtor : Chris Kimsey
Gravadora : CBS Records
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